Rir é preciso

O riso, quando tudo à nossa volta parece desmoronar, é um sinal de coragem e resistência.  Nós, portugueses, inventamos anedotas, trocadilhos, malandrices, acerca de tudo o que outros inventam para nos oprimir e fazer sofrer, como quem com o riso carrega as baterias de resistir e lutar. Foi assim durante a ditadura imposta pelo 28 de Maio de 1926, foi assim durante a tentativa de ditadura comunista em 1975, está a ser agora com as imposições da Alemanha que, como é costume, leva a França conservadora pela arreata, porque esse lado da França acorda sempre tarde e mal, é um lado burro que não aprende nada e que, quando chega a hora da verdade, berra e grita até chegarem os ingleses, os americanos, os australianos e os canadianos para a libertar. Mas depois esquece tudo. No seu ADN não estão registados a gratidão, a solidariedade e o bom senso.

Até o primeiro ministro do Canadá, que é conservador e com pouca graça, sabe que é assim a avaliar pelo que se passou na última Cimeira do G-20. Primeiro, de cara estanhada, disse que a União Europeia tem meios suficientes para resolver os seus problemas sem precisar de pedir ajuda. Depois, quando um francês ressabiado lhe atirou à cara que o Canadá  participou da 2ª Guerra Mundial por ser “imperialista”,  saíu-se com este par de bandarihas: “No final da guerra a terra que reclamámos foi a necessária e suficiente para sepultar os milhares de canadianos que deram a vida para vos ajudar”. Por este domingo tire o leitor os dias santos do que por cá se pensa. [Read more…]

Custa muito, mas é merecido

Obrigado velha Albion, não é que tenha resolvido alguma coisa mas tratando-se dos bárbaros do costume a França mete-se em Vichy e vale-nos a Inglaterra.

Custa-me mesmo muito, ainda por cima sendo a direita inglesa a única a afrontar a besta, mas as coisas são como são e não exactamente como fabricados em mitos gostaríamos que elas fossem.

Fiquem lá com uma grega a cantar um dos hinos ingleses, ó merkozis e seus provincianos súbditos locais, enquanto vejo a repetição do tempo. De uma forma ou de outra essa coisa da cee acabou e o que vem a seguir tende a ser a repetição do impensável. Daqui a 20 anos desconfio que a França, a velha colaboracionista, garantirá ter sido muito heróica na sua resistência.

A cimeira

Hoje dá na net: While The City Sleeps

While The City Sleeps – morte de um magnata dos media provoca uma luta pelo poder entre os seus executivos. Entretanto, mulheres em Nova Iorque tornam-se presas de um assassíno em série. Filme de Fritz Lang. Página IMDB. Em inglês, sem legendas.

A grande cisão no Bloco de Esquerda já está a mudar o mundo

O ex(?)-estalinista José Manuel Fernandes acaba de reinventar uma velha piada (mesmo com piada, note-se) em versão homossexual e com algum poliamor :

É uma grande vitória das causas fracturantes.

Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?


O leitor Mário Carvalho fez a pergunta que se impõe: Barragem do Tua ou Património Mundial – O que é mais importante para o país?
Os criminosos que fizeram parte do Governo anterior já responderam à pergunta, mas os actuais ainda vão a tempo de responder de forma diferente. Ou dão preferência à pandilha de Mexia, fazendo o país pagar com milhões e milhões um empreendimento completamente inútil, ou conservam para o país e para o Douro um estatuto de Património Munidal.
Dado que o actual Governo recebeu em Agosto um relatório demolidor da Unesco e escondeu-o até hoje, parece que a resposta também já está dada. A esses, sempre direi por agora que, se concretizarem o seu projecto, ficarão na História e serão relembrados por terem acabado com o Património Mundial de uma região única e irrepetível. Por causa de um monte de betão que não serve para nada.
Alarves sem alma nem coração, economistas da treta que não percebem a importância do Turismo num país como Portugal, iletrados que se dizem homens de cultura. A História já cavou a vossa sepultura.

No boys for the job

Contaram-me que, há dias, na televisão, um engenheiro comentava que não era possível a alguém com a sua profissão enganar-se a planear e executar uma ponte, ao contrário dos economistas que falham constantemente previsões e execuções. Quem diz economistas, diz, é claro, ministros, chanceleres ou presidentes.

Gostaria de cumprimentar daqui esse engenheiro desconhecido, por pôr em palavras melhores que as minhas aquilo que penso.

Efectivamente, se fizermos a história das previsões económicas feitas por especialistas, sobretudo nos últimos dois a três anos, encontramos uma quantidade assustadora de tiros falhados, como a sucessão de PECs da marca “agora é que vai ser o último” ou as garantias de que não haveria necessidade de cortes posteriormente inevitáveis ou a nomeação de governos europeus que iam acalmar os mercados e ainda causaram mais nervosismo, culminando nesta palhaçada de Bruxelas, em que se reuniu uma multidão de fantoches manipulados por um duende de saltos altos e por uma boneca insuflável com a sensibilidade de um SS.

Voltando à metáfora da construção civil, pergunto: os amáveis leitores mandariam construir uma casa a um empreiteiro célebre pelas derrocadas que já tivesse provocado? Vão pensando nisso, que 2015 chega num instante, com ou sem euro.

Intervalo

Bloco de Esquerda – Ruptura/FER, a hora da (de)cisão

Que o Bloco não é um bloco tornou-se evidente há muito tempo, especialmente desde os inícios da representação parlamentar, época em que o BE inicial foi invadido por toda a casta de arrivistas atraídos pelo cheiro a poder (neste caso o estatuto de deputado, a possibilidade da presidência de uma câmara municipal, a remota hipótese de uma assessoria bem paga, a mera chance de protagonismo mediático). Chamar trotskistas, marxistas, etc., aos do bloco tornou-se não apenas caricato, mas verdadeiramente ridículo: havia (há) por lá de tudo, social-democratas orfãos de partido, socialistas desenganados, comunistas arrependidos, radicais adormecidos, utópicos desiludidos, anarquistas inconsequentes.

A divisão interna era evidente há muito e a perda de votos nas últimas eleições, somada a uma sucessão de erros e más escolhas políticas, agravou-a. A Ruptura/FER já por lá anda há bastante tempo, mais ou menos amordaçada. Agora ameaça sair e fundar um novo partido. É óbvio que o BE perdeu a sua frescura inicial, esgotou a sua caderneta de causas e aburguesou-se.

A Ruptura, por seu lado, tenta “capitalizar” os novos movimentos sociais, as acampadas, a geração à rasca, etc. Esse é o novo caminho da Ruptura e aquilo que, futuramente, vai ditar rupturas dentro da nova organização. Porque uma organização que nasce com estes alvos não vai permanecer unida, em bloco, durante muito tempo:

“aberto a toda a esquerda, independentes, ex-bloquistas e aos novos movimentos sociais das acampadas, e a todos os que não se revêem nas posições oficiais dos partidos e dos sindicatos institucionalizados”

A PSP, o facebook e a censura, ou de como esta gente odeia críticas e quer mesmo um Salazar de volta

Afinal a PSP não viu a sua página no facebook assaltada, como ironicamente aqui contei. A PSP é mesmo fiel ao seu passado de polícia salazarista, seu pai verdadeiro. Nada que seja de espantar mas que vem ao de cimo quando tem no poder gente com a mesma vontade, agora disfarçada de liberalismo.

Sendo causa para lembrar a velha máxima anarquista quem nos protege dos nossos protectores, coloco aqui os comentários no mural da PSP antes de almoço, e depois de almoço, quando ao mesmo tempo que apagavam escreviam isto:

A PSP agradece todos os comentários que, ao longo da manhã, foram feitos na sua página oficial. Com isso não só garantimos o diálogo que se pretende promover nas redes sociais como aumentámos ainda mais o número de seguidores. Ficou no entanto a dúvida sobre o motivo da Imagem: “eles falam, falam…” e nesse sentido justifica-se que o único propósito da imagem foi apenas garantir que o princípio do respeito é mantido nesta rede social. A PSP tem mais de 16.000 seguidores, com várias faixas etárias, dos 16 aos 80 anos de idade e temos verificado, nas últimas semanas, a utilização recorrente de vernáculo e linguagem desapropriada que, não querendo eliminar por respeitarmos todos os comentários, achámos ser altura de repudiar. Não estamos contra as opiniões, nem contra as pessoas, estamos sim contra, nestes fóruns, o uso de linguagem desapropriada com que são feitos alguns comentários. Respeitamos nessa medida, quem nos respeita!

Descubram as diferenças, e encontrem o vernáculo:

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Professores recebem formação em artes circenses

Escolas da Parque Escolar estão para arrendar na Internet

Para garantir a animação das festas que poderão decorrer nas escolas, a partir de agora, os professores receberão formação em artes circenses, para que possam desempenhar funções como palhaços ou malabaristas, o que já faziam, de facto, podendo, agora, fazê-lo, de direito. Para além disso, aqueles que já foram considerados “os inúteis mais bem pagos do país” poderão, finalmente, ver o seu horário de trabalho preenchido.

Pudemos, ainda, apurar que o Ministério está a ponderar a hipótese de acabar com as aulas, o que permitira rentabilizar melhor os espaços escolares.

Página no Facebook da PSP assaltada por pirata salazarista

Debaixo desta bela imagem escreveram:

Diariamente lemos crónicas interessantes, desabafos contundentes, opiniões inflamadas contra a PSP, contra “agentes infiltrados”, contra contradições e todos sob o mesmo mote: Todos são suficientemente conhecedores desta realidade para opinarem, para monitorizarem o trabalho policial, para dizerem o que se deve e não deve fazer. É fácil criticar, é simples escrever sobre preconceitos, difícil é passar pelos problemas e resolvê-los! No fim do dia, quando regressarem a casa, os outros, os “suspeitos do costume” estarão ao seu lado para o proteger, com as cores do costume, com a farda do costume e com a disponibilidade que lhes reconhecemos! Eles falam, falam, mas na hora do aperto, A TODAS AS HORAS, são sempre os mesmos a avançar! Consigo desde 1867, todos os dias!

Tirando o dislate de a PSP não ter sido criada em 1867 (a Polícia Cívica monárquica foi emprateleirada pela República que criou a GNR. mas naturalmente quem cometeu este atentado não percebe nada de História) esta defesa do papel da PSP ao longo de 48 anos de ditadura é obviamente obra de quem tenta denegrir a imagem da instituição. Não se tratando de um agente infiltrado do mundo do crime só pode ter sido obra de “piratas informáticos”, como usam escrever os jornais.

Há indícios de que a PSP pode ter retomado o controlo da sua página, uma vez que tem apagado vários comentários, mas ainda não conseguiu eliminar o ultraje original. Aguarda-se a todo o momento uma conferência de imprensa de Miguel Macedo.

É tão giro ser oposição

O PS, na oposição, quer o que nunca quis no governo. Agora há-de ser o PSD que não quer, mas vai querer quando estiver na oposição e o PS, no governo, já não quiser. Na oposição são sérios, transparentes, corajosos e têm, em ambos os casos, a arreigada mania de que somos todos papalvos.

Volta Nuno Álvares Pereira, tens aqui muito trabalho

Depois de ter acordado a ouvir numa rádio Paulo Rangel garantindo que nunca nenhum país venceu as agências de rating (o homem tem uma geografia muito limitada, nem à Islândia chega) leio um banqueiro com BI português afirmando com toda a lata que “Perder a soberania orçamental num momento de crise é lógico.” Nos intervalos ainda apanhei mais uns penitentes da direita que se diz patriótica falando da nossa culpa, endividámo-nos, mentem eles porque eu não me endividei nem assaltei o BPN, e merecemos umas chicotadas como penitência, reza a canalha.

Relembrando que em 1383 a maior parte da nossa nobreza, começando nos irmãos mais velhos de Nuno Álvares Pereira, tomou o partido de João de Castela, cheira-me a que isto só se resolve com a arraia-miúda a aclamar não sei bem quem, a mandar uns tipos de uma Sé qualquer abaixo, e a explicar a estes filhosdeumgandaputa que pesem os exageros míticos em Aljubarrota também tínhamos um exército muito inferior ao adversário.

Eu sei que esta deriva nacionalista não me fica bem e não parece de esquerda mas há alturas em que um gajo se passa e tem de chamar traidor à pátria a quem o é: Cavaco Silva, que trocou a indústria, a agricultura e as pescas por autoestradas e um gamanço generalizado de fundos comunitários, Durão Barroso que completa o ego em Bruxelas e Passos Coelho que apanha o avião de joelhos quando se dirige a Merkozy. Falta aí o Paulo Portas que baixa as calças a qualquer vendedor de armamento e José Sócrates que gostaria de estar no lugar do Passos. Foi assim no século XIV, repetiu-se no XVII, nas invasões francesas, em 1890, em 1914, é sina nossa que quando as coisas se complicam quem está no poder fica sempre do outro lado. Chamem-lhe fé, mas ainda acredito que eles se vão arrepender da opção que tomaram.

Vampiros

Mais do que os juros a pagar à troika pelo financiamento externo, é o injusto custo social suportado por todo um povo. Todo? Não. Tal como os habitantes da aldeia de Astérix, há um irredutível pequeno grupo de gente dita trabalhadora que irá ganhar com isto. Como há sempre alguém a ganhar com a miséria alheia.

Nos últimos tempos, tanto se falou que o endividamento privado para consumo pagava taxas de juros incomportáveis. Face ao que Portugal vai agora pagar com pobreza, é caso para perguntar: onde está a diferença?

Não está. Não existe. A agiotagem persiste, multiplica-se e transmuta-se. Não vive só de juros. Vive da riqueza que se obtém com a miséria, com mais trabalho e menos salário, com as demandas de produtividade para acompanhar a China, com menos assistência social e a privatização de recursos e de bens essenciais, com mais impostos. Vive do lucro ganancioso, pago por quem terá de se esfarrapar para ser produtivo. E a subserviência propaga-se. Agora segue rumo a mais economias latinas, que para as latrinas, do capitalismo sem freio nos dentes, serão mandadas.

Os vendilhões já não trabalham no Templo: tomaram conta dele. A alegada influência cristã da Europa Ocidental, apenas servirá para a caridade a uma pobreza cada vez mais alastrada. A caridade tomará o lugar da solidariedade, e os tostões aliviarão algumas consciências, de modo muito mais barato do que custa um Estado Social. [Read more…]

Hoje dá na net: Spirit of Foz Tua and Tua Valley v1.0

O espírito do Tua e do Vale do Tua antes do Plano Nacional de Barragens filmados por Nuno Beira. Legendado em inglês para a Unesco ler.

Evento de Solidariedade com Jorge dos Santos (george wright)

Na próxima 6ª feira, dia 9 de Dezembro, 21:30 h. na Ler Devagar / Lx Factory em Lisboa.

Promovido pela Plataforma Guetto a finalidade deste evento, além da divulgação da causa e da situação de Jorge dos Santos, é também a angariação de fundos para pagar as despesas legais.

Na semana passada os EUA recorreram da decisão de não extraditação do Jorge dos Santos, pelo que se prevê uma longa batalha para manter o Jorge Santos em liberdade.

O evento inclui um debate a partir das 21h30 com Ana Benavente, António Pedro Dores (ACED) e um membro do Colectivo Mumia Abu-Jamal.

Haverá também um concerto com:

dUASSEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, Chullage, Sophie Feat Lorenzo, DJ Mascarilha, Kromo Di Guetto, S For Seward, Dudu, Lord G, Souldjah, Hugo Pina, Hardcore 24, Jackpot, IPACO

É importante a tua participação. Aparece e divulga esta iniciativa de solidariedade.

Colectivo Mumia Abu-Jamal
6 de Dezembro de 2011

http://cma-j.blogspot.com
cmaj@mail.pt

Os ricos que paguem a crise e os números das receitas fiscais

Declaração de (des) interesse: não sou rico nem aufiro rendimentos enquadráveis nos escalões mais altos de rendimentos.

O Estado necessita de receitas e numa altura de crise aumentam as vozes a pedir para se tributar os ricos; eles devem contribuir mais para o “equilíbrio” das contas públicas. Na ânsia de se procurar aumentar a base tributável, e por consequência o valor arrecadado em impostos, novas formas de tributação são constantemente imaginadas pelos criativos do costume. Desde o aumento das taxas mais altas do IRS à taxação das grandes fortunas, todas as ideias que sejam populares são bem-vindas para os tais criativos. Era bom que as pessoas estudassem os dossiês antes de proporem quaisquer medidas. Não é necessário procurar muito para se concluir que as pessoas que pagam impostos em Portugal já são muito penalizadas. É errada a ideia de que os ricos não pagam impostos.

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E diz ele à sua protegida…

“Vou ali falar com aqueles senhores. Quando eles vierem, tens de ter abertura e flexibilidade, ouviste? E fazes tudo o que te pedirem ou vamos ter problemas, estás a perceber? E se os senhores disserem que tens de lhes pagar, pagas e mais nada, entendeste? Fica aí, que depois falamos melhor!”

Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial

Justification – In Detail

Germany Should Pay its Long-overdue Obligations to Greece

In the summer of 1940, Mussolini, perceiving the presence of German soldiers in the oilfields of Romania (an ally of Germany) as a sign of a dangerous expansion of German influence in the Balkans, decided to invade Greece. In October 1940, Greece was dragged into the Second World War by the invasion of its territory by Mussolini. To save Mussolini from a humiliating defeat, Hitler invaded Greece in April 1941.

Greece was looted and devastated by the Germans as no other country under their occupation. The German minister of Economics, Walter Funk, said Greece suffered the tribulations of war like no other country in Europe.

Justificação – em detalhe

A Alemanha devia pagar as suas obrigações à Grécia, há muito em dívida

No Verão de 1940 Mussolini, apercebendo-se da presença de soldados alemães nos campos petrolíferos da Roménia (um aliado da Alemanha), considerou isso um sinal perigoso da expansão da influência alemã nos Balcãs e decidiu invadir a Grécia. Em Outubro de 1940, a Grécia foi arrastada para a Segunda Guerra Mundial pela invasão do seu território. Para salvar Mussolini de uma humilhante derrota, Hitler invadiu a Grécia em Abril de 1941.

A Grécia foi saqueada e devastada pelos alemães como nenhum outro país durante a ocupação alemã. O Ministro Alemão da Economia, Walter Funk, assumiu que a Grécia sofreu as atribulações da guerra como nenhum outro país da Europa.

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Ex-Scut, passa para cá o pilim e desenrasca-te

Independentemente de se concordar ou não com o pagamento de portagens nas ex-scut, o mínimo que se podia esperar é que, ao começar a pagar, a coisa funcionasse. Parece que não, segundo ouvi nos noticiários radiofónicos. Máquinas de títulos pré-pagos que não funcionam, falta de informação, troços “gratuitos” mas com cobrança de serviços administrativos, falta de alternativas viáveis, etc., etc. Ao fim de tanto tempo e estando no governo o partido que exigiu que não houvesse excepções nas estradas a pagar, seria natural que os utilizadores com custos encontrassem, pelo menos, as coisas organizadas.

Mas não, a portagem é virtual, a organização irreal, o pagamento é que é real.

“Não podia ser mais simples”

Por exclusão de partes, encontrar a pessoa certa.

Sonhos de menino

Para o ex-primeiro ministro José Sócrates, pagar as dívidas “é uma ideia de criança” e pelo que parece, “as dívidas não se pagam, gerem-se”. Compreendemos o que quis dizer numa algaraviada de economês, mas a ideia que J.S. deixa urbi et orbi, vai ao encontro dos desejos mais recônditos de quem tem prestações a cumprir. O neo-filósofo parisiense, deixa transpirar um princípio tão mal compreendido, como perigoso. Se o leitor se esmifra para todos os meses depositar a devida quantia que lhe paga a casa, desista e passe a “gerir” a coisa, abrindo a possibilidade de um dos quartos ser utilizado à meia hora. Se por acaso lhe descontam os dois ou três centos de Euros que lhe garantem a condução do automóvel, não se rale, pois é melhor “gerir” a situação de outra forma, talvez recorrendo a trabalhos “extra” de esquina do próprio e da sua cônjuge.

Ainda ontem Mário Soares dizia em entrevista, que a política é que deve mandar nos mercados. Coisa fácil de proferir e que os ouvidos querem escutar. Com um bocadinho de sorte, talvez pretenda também uma “gerência” qualquer. Onde, isso é coisa que não sabemos.

A voz de Sócrates: a morbidez que a direita adora

Imaginava eu que José Sócrates estivesse politicamente defunto ou, pelo menos, em estado de morbidez profunda. Iludi-me. O homem, incapaz de assumir os danos infligidos aos portugueses, perfilou-se de súbito na boca de cena, no refúgio parisiense em que se albergou, declamando em tom pseudo-pedagógico:

A minha visão é esta, para países como Portugal e Espanha, agora é preciso pagar a dívida é uma ideia de criança…as dívidas dos países são por definição eternas…

A desastrosa intervenção dispensa comentários, porque já contém, em si, os ingredientes que a qualificam. Todavia, há a considerar as consequências para a dialéctica e a retórica no ambiente político nacional. Na hora, em que os portugueses são castigados com duras medidas de austeridade, a voz de Sócrates, remendada por esta desajeitada explicação, é um precioso activo que a direita no poder arrecada e com que se delicia.

A voz de Sócrates é, pois, a morbidez que a direita adora. Enquanto servir de tema central, esquecem-se os aumentos das taxas de moderadoras na saúde, o agravamentos dos impostos, a captura dos subsídios de Natal e de férias e mais o que está para vir, segundo se depreende da entrevista de Passos Coelho à SIC.

Só um pedido: “Cala a boca Zé Sócrates! Os teus disparates, mesmo de Paris, ainda fazem mossa.

Como evitar portagens na A25 e na A23

No dia em que todas as SCUT passam a ser pagas, é importante saber como pagar o menos possível aos assaltantes de estrada. Para saber como fazer na A25, aqui. Para o mesmo efeito na A23, aqui e aqui. Fiquem, ainda, a saber que a A23 é mais cara que a A1.

Dois exemplos de como a blogosfera pode ser um serviço público, ao contrário daquele que é prestado pelas concessionárias e pelo Governo.

PSD e CDS enxameiam Segurança Social com os seus Boys e Girls

Há alguns meses, Pedro Mota Soares, jovem líder parlamentar do CDS, exibia na Assembleia da República um powerpoint que comprovava a instrumentalização e partidarização da Segurança Social pelo PS, então no Governo.
Hoje, Pedro Mota Soares é Ministro da Segurança Social e não tem qualquer powerpoint para mostrar. Mas os factos falam por si.
A nova Presidente do Instituto de Segurança Social, com a saída de Edmundo Martinho, é Mariana Ribeiro Ferreira Costa Cabral, orgulhosa esposa de um descendente de D. Afonso Henriques e filha do jornalista António Ribeiro Ferreira, o tal que queria partir a espinha aos sindicatos e que era um grande admirador dessa «senhora adorável» que se chama arguida Maria de Lurdes Rodrigues. Não tem a experiência necessária para um cargo desta envergadura, apesar de ter passado pela Acção Social na Vereação de Cascais, mas tem o indispensável cartãozinho do CDS-PP, Partido do qual é Vice-Presidente.
Mas há mais. Luís Monteiro, Vogal do Conselho Directivo, foi assessor parlamentar do PSD; Miguel Coelho e Joaquim Caeiro, outros dois vogais, foram assessores parlamentares do CDS.
Nos Centros Distritais da Segurança Social, é o que já sabemos e que há bem pouco tempo foi denunciado pelo PS – Partido que, como se sabe, nunca faz este tipo de coisas. Os Centros de Coimbra, Bragança, Viseu e o Porto, pelo menos, já começaram a infestar a Administração Central com apaniguados seus.
Quanto ao Porto, estamos em presença de um caso deveras interessante. [Read more…]

(produto oficial de Braga 2012)

https://aventar.eu/2011/12/07/1130230/

É trabalhar, vilanagem!

Aproveitando o facto de estar aprovada a meia hora de trabalho extraordinário no sector privado, resolvi publicar este texto meia hora mais tarde do que estava a pensar, o que se traduziu num ganho imediato de produtividade para o Aventar.

Ainda assim, penso que esta medida peca por defeito e defendo que estas decisões deviam estar completamente liberalizadas, dando aos patrões total autonomia para obrigar os trabalhadores a oferecerem mais horas de trabalho, porque só assim é que a produtividade aumentará. Para além disso, deviam acabar com as férias pagas, os intervalos para almoço ou a segurança social, até porque foi assim que a maior parte da humanidade trabalhou, desde o início dos tempos. E construíram as pirâmides e o Convento de Mafra, não construíram? Afinal, é fácil resolver o problema da produtividade.

Vira do banqueiro

Os nossos banqueiros em versão apimbalhada, mas engraçada.

Pela desclassificação do Douro como Património Mundial da Humanidade

Valee e Linha do Tua, foto de Jorge Câmara


O Douro Património Mundial deve ser desclassificado imediatamente pela UNESCO. Dresden já o foi, por causa da construção de uma ponte sobre o rio Elba, e Omã também, por causa da invasão do Santuário do Oryx por uma exploração petrolífera.
É exactamente o caso do Douro e da Barragem do Foz-Tua, que destrói todo o Vale do Tua e a sua linha férrea. São danos irreversíveis, como muito bem diz a UNESCO, por isso a continuidade da construção da Barragem tem de implicar obrigatoriamente a retirada da classificação.
Nada que preocupe demasiado quem manda em Portugal. O que interessa para os neo-liberais que nos governam é ganhar dinheiro e os números é que contam. Mesmo que os contribuintes sejam obrigados a despender milhões por uma infra-estrutura totalmente desnecessária, o que interessa é que a EDP leve adiante os seus negócios.
Desclassifiquem o Douro imediatamente. E de seguida prendam, entre outros, os criminosos Mexia, Sócrates e Passos Coelho.