O Preço do Petróleo Desce, mas os nossos combustíveis NÃO

Para quando uma insurreição?

Ainda não estamos fartos desta trampa?

Uns a ganhar rios de dinheiro e outros que nem emprego têm. Os custos da vida de cada dia a subir, e o governo a querer aumentá-los ainda mais. O problema das Scut e a oposição maior a querer que todos paguemos. Um Primeiro que já deveria ter ido embora mas que ninguém tem coragem de o pôr dali para fora porque ainda não convém. Um Presidente que [Read more…]

A não presença de Cavaco Silva!

Cavaco é useiro e vezeiro em não comparecer ou em não participar nas cerimónias nacionais que não lhe agradam , o que é profundamente lastimável porque não é isso o que se exige a um Presidente da República.

Enquanto pessoa nada a apontar mas como Presidente da República fica-lhe mal. Ainda há bem pouco tempo não quiz participar, apesar de convidado, na homenagem ao capitão de Abril  Ernesto de Melo Antunes, um dos mais importantes heróis da revolução e seu ideólogo. Nunca o vi com um cravo ao peito nas cerimónias do 25 de Abril, e já deu cobertura a homenagens a vilões e fascistas.

Não fiquei surpreendido, mas a verdade é que Cavaco Silva, começa a ser uma “não presença” mesmo no que à vida política diz respeito, preparando meticulosamente a sua reeleição e deixando o país ao desvario , não tomando posição, navegando nas àguas calmas de quem não se deita ao mar .

Depois do “casamento gay” Cavaco não estaria nunca disponível para estar presente no funeral de Saramago, por todas as razões, como mostrou quando deu cobertura ao imbecil Sousa Lara, e agora perante o mau perder da Igreja Católica, ainda menos. Repito, não se trata do cidadão Cavaco Silva, trata-se do Presidente da República que não pode deixar-se limitar por razões de circunstância ou de ideologia pessoal.

Sou o Presidente de todos os portugueses, diz amiúde! É só isso que se lhe exige! Afinal, seja qual for a ideologia de cada um, Saramago é o único Prémio Nobel da Literatura Portuguesa e o segundo Prémio Nobel de um cidadão nacional!

PS:  . Em cima as imagens são a Casa dos Bicos e a delegação da Fundação de José Saramago na sua terra natal.

Saramago e o Estado Laico

Era o ano de 1992 e o governo de que Cavaco Silva era o primeiro, por interposto Subsecretário de Estado da Cultura Sousa Lara , cortou o Evangelho segundo Jesus Cristo da lista de livros concorrentes ao Prémio Literário Europeu. “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Mas nem Cavaco nem Sousa Lara estavam sozinhos.

Dezoito anos mais tarde, tudo mudou. Para não distrair o governo da difícil tarefa de disfarçar a crise financeira onde também caímos, o mesmo íntegro, intelectualmente honesto e nunca equivocado Cavaco Silva, promulga a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, atentando assim contra o feroz discurso homofóbico da Igreja Católica e ignorando o milenar património religioso dos portugueses. Escapou-me alguma coisa?

Declaração de interesses: não li o Evangelho de Saramago. De Saramago só conheço alguns capítulos de Viagem a Portugal

Presidente da República ausente no funeral de Saramago – Natural!

Há dois dias, ao associar-me à homenagem a Saramago do companheiro de blogue Pedro Correia, denunciei a hipocrisia de certas figuras do centro e de direita, a enfunar simulados desgostos pela morte de José Saramago. Tinha, pouco antes, assistido na SIC a declarações cínicas de uns quantos, incluindo um padre, a elogiar a obra e o escritor. Senti – aliás, qualquer espectador atento sentiria – haver falsidade nos rostos e nas palavras daquela gente.

O Jornal “i” anuncia, agora, que o Presidente da República não comparecerá ao funeral de José Saramago. Considero coerente e correcto. Na qualidade de PR, limitou-se a palavras circunstanciais: “O País perde uma referência cultural”; entendeu, e bem, distanciar-se para posição consistente com a deliberação anunciada pelo Subsecretário de Estado da Cultura, o amanuense Sousa Lara, de um Governo por si liderado em 1992 – tal deliberação impediu, como se sabe, a candidatura do escritor ao Prémio Europeu de Literatura, com o “Evangelho segundo Jesus Cristo”.

As divergências políticas e religiosas, em especial, não se extinguem com a morte de uma das partes. Ao PR é reconhecido o direito de exercer a prerrogativa da objecção de consciência. E fá-lo com dignidade demolidora para as palavras insensatas do Conselheiro de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, ao considerar que Cavaco não estará presente fisicamente, mas em espírito sim – isto, sim, exala cinismo por todos os orifícios!

O cidadão José Saramago, com quem tive o prazer de privar, partirá naturalmente com a presença daqueles que, em vida, o admiraram como homem. Mas a obra legada jamais o deixará partir definitivamente. O escritor será figura perene da História da Literatura Portuguesa. Goste-se ou não.

Como Se Fora Um Conto – O Opel Corsa, o Rúben e a Torrada de Pão de Regueifa

Era ainda de manhã, cedinho, de uma sexta-feira feita para engenheiros de pontes. Ontem, muitos, demasiados, festejaram o dia do meu País como se tudo estivesse bem.  À mesa do café onde muitas vezes desjejuo, leio distraído o jornal do dia. A revista que o acompanha também está por ali, com a sua capa colorida a tentar chamar-me a atenção.

Entre uma leitura de títulos da primeira página do jornal e da revista, e uma espreitadela às fotografias que os acompanham, fico sabedor do que mais importante se passou no dia de ontem, ou nos que o antecederam.

Aos poucos vou tomando consciência do que é interessante para os Portugueses.

Assim, pedindo desculpas pelo tratamento muito informal que vou dar às pessoas, fiquei a saber que a Sofia e o Nuno, [Read more…]

As férias dos portugueses

O Presidente da República disse que seria um gesto patriótico fazer férias em Portugal. Seria bom para a economia nacional. O ministro da Economia ironizou: se os presidentes de outros países fizessem o mesmo, seria mau para o nosso país, à conta dos estrangeiros que deixariam de visitar este cantinho pitoresco.

Relax-on-Vacation-Beach

A banal recomendação do presidente e a reacção algo estranha do ministro Vieira da Silva abriram mais um espaço para a especulação: que é mais uma machadada na já difícil relação de Cavaco Silva com o Governo. Se assim é, ainda bem. Eu pensava que já não havia qualquer relação.

Curiosamente, a grande questão é saber sequer se os portugueses podem gozar férias, mais do que querer recomendar onde as desfrutar. E aqui reside a grande dúvida.

Quem puder, que as faça onde muito bem quiser. De preferência longe da classe política lusa. A liberdade também passa por aqui.

Eleições legislativas antecipadas?

Ninguem quer governar nestas condições, até porque tudo indica que a situação é bem pior da que os socristas nos querem fazer crer. O FMI já anda por aí, 50% de possibilidades de intervir, preparam-nos os próprios porta vozes do PS, o que quer dizer que é quase certo. O segundo PEC está em marcha, nos segredos dos gabinetes de Bruxelas, e na semana passada o país esteve novamente à beira de não conseguir fazer os pagamentos imediatos.

Mas o caminho é estreito, para não dizer que a curto prazo não há outro, enquanto não passa o olho do furacão é preciso que Sócrates beba o cálice do seu próprio veneno até ao fim. Pelo meio temos as Presidênciais o que tambem introduz contenção na estratégia de tomada do poder. No meio disto tudo, a identificação da situação com este desemprego e com as medidas que vão tornar-nos mais pobres, com o PS a ser identificado com tudo isto, arruma e destrói, de caminho, a candidatura de Alegre.

Mas logo que as coisas estejam concertadas, que se tenha batido no fundo, é muito possível que o reeleito Presidente da República marque eleições antecipadas. Quase certo, exige-lhe o PSD e a nação.

Entretanto, há vozes que tentam beliscar a candidatura de Cavaco, ameaçando apresentar um novo candidato no centro-direita. Só fazem isto porque sabem que a reeleição são favas contadas e chegam-se à frente por ainda não terem sidos convidados para a festança das mordomias e dos lugares bem pagos.

Há momentos, na SIC, vi Medeiros Ferreira, em directo, passar a extrema unção a Sócrates e a Alegre!

Portugal é mais importante que Cavaco!

O actual governo está ligado à máquina, não tem capacidade nem força nem determinação para seguir um caminho que as circunstâncias aconselham e exigem. Pelo contrário, o que nós vemos é Sócrates uma e outra vez reafirmar os erros em que incorreu todos estes anos. Se lhe derem tempo, este governo, em desespero de causa, vai causar ainda mais problemas ao país, deixar uma herança de empobrecimento e de desemprego.

As circunstâncias mudaram completamnete nas últimas semanas. Já ninguem acredita no que Sócrates diz, o PEC está aí, os mais pobres vão tambem pagar a crise e os contribuintes já reagem como mostra a sondagem que dá 43,6% de votos ao PSD e cerca de 26% ao PS! Estão, pois, criadas as condições para que se avance a curto prazo para uma solução política, com novas soluções, revigorada, capaz de  responder isenta de compromissos que amarram Sócrates aos megalómanos projectos, à dívida monstruosa e ao desemprego que não pára de crescer.

Mas para tal, é necessário que Cavaco Silva coloque os interesses do país à frente dos seus próprios interesses, o país não pode estar à espera do momento certo para que estejam reunidas as condições ideais para sua reeleição . O Presidente da República não pode deixar que o pântano engula a esperança que resta, o tempo é crucial, quanto mais tempo passar sem que as medidas necessárias sejam implementadas, maior será a dor.

As adjudicações à pressa de investimento polémicos e inviáveis financeiramente, mostram bem que Sócrates já entrou na fase do “quem vem a seguir que feche a porta!”

Eucalipto "globulus"

O “globulus”, é para dar uma certa ideia de ciência, mas o que é certo é que é a espécie de eucalipto que nós temos cá e a que é mais utilizada na indústria do papel.Tem uma particularidade tramada, é que “bebe” tudo o que encontra ali à volta, seca tudo, não há lugar para mais vida.

Nos anos 70 plantou-se esta árvore em tudo o que era terreno para fazer face à indústria que então crescia no país. É uma actividade económica muito importante em conjunto com o Pinho que também é matéria prima para a mesma indústria. Dizem os entendidos que esta indústria foi “empurrada” dos países mais ricos por causa da tremenda poluição que causa, não só destruindo os terrenos , ao nível do plantio, mas tambem ao nível do ar e dos rios com a poluição produzida pelas fábricas.

Conhecidos os perigos, o plantio foi-se “circundando” aos terrenos onde mais nada se produz não se evitando, contudo, que algumas manchas persistam em terrenos férteis.

O Não-Evento

Ontem, o não-politico Cavaco Silva veio apresentar a sua não-posição sobre um não-assunto, foi mais uma intervenção ao nivel do não-comunicado a propósito da lei dos açores.

Se seguirmos a postura supostamente institucional que ele tenta vender deveremos portanto ignorar todas as outras observações laterais sobre os verdadeiros assuntos que nos interessam.

O problema nas contas públicas, o desemprego, a responsabilidade dos políticos, tudo isso deverá ser visto como palha para encher um não-comunicado que sem isso nem sequer teria razão de existir.

Ficamos impacientemente a aguardar o próximo não-evento deste presidente e que será provavelmente a sua candidatura às próximas eleições.

Cavaco aprova casamento «gay»

Se não o fizesse, era tolo. O diploma voltava à Assembleia e no prazo de uma semana tinha de o aprovar mesmo. Derrota estrondosa para o professor que nunca se engana.
Assim, marca a sua posição. Aprova, respeitando a maioria da Assembleia da República e dos juizes do Tribunal Constitucional, mas com uma espécie de «declaração de voto», onde estará presente a sua discordância pessoal, a sua noção de família e coisas do género. Com direito a transmissão em directo e tudo.
Uma última palavra para o conceito de importância do presidente Cavaco. O país na bancarrota e o aumento generalizado de impostos não merece sequer um comentário. A aprovação do casamento «gay» até merece uma declaração ao país em horário nobre. Como no caso do Estatuto dos Açores, esse assunto de transcendente importância.
E o candidato Manuel Alegre, será que também vai falar ao país deste assunto depois de não ter falado do outro?

O 1º erro do novo PSD ou o último erro do velho PSD ?

Um erro tremendo de Passos Coelho que Sócrates aproveitou com a esperteza saloia habitual. O PSD, perante a pressão externa fez o que tinha a fazer. Estender a mão ao governo e juntar-se ao Presidente na contenção dos prejuízos. Dar uma imagem de coesão é fundamental nestas circunstâncias.

Mas José Sócrates não deu nada em troca, apanhou a boleia e “cuspiu” no carro que o tirou do meio da estrada. Aproveitou , imediatamente, a situação para vir reforçar a ideia da inevitabilidade dos mega projectos. Por um lado fez crer que Passos Coelho está a favor, nestas circunstâncias, de promover obras públicas mastodônticas. Por outro lado, quer fazer crer que pode conter a deterioração das contas públicas, apenas com o congelamento de salários e pensões e que promove o emprego com as obras. São duas mentiras em vez de uma!

Com o PEC , o “aprovado” como já escrevi, não vai a lado nenhum, tantas são as reticências e os recados para que mais e mais duras medidas sejam tomadas. Para o desemprego, como toda a gente já disse, este tipo de obras só dão emprego daqui a dois ou três anos, emprego desqualificado, e exigem muitas importações de tecnologia que não possuímos.

O Presidente, ciente que já se estatelou (Passos Coelho não daria este passo sem falar com Cavaco Silva) já veio hoje dizer que “os bens transaccionáveis” é que são fundamentais e não o aeroporto e o TGV…

Sócrates a morder a mão a quem lha estendeu!

Spínola, um terrorista no Palácio de Belém

O antigo dirigente da rede terrorista ELP/MDLP António de Spínola está a ser homenageado por Cavaco Silva no Palácio de Belém.

Estagiário nas tropas de Hitler, Spínola foi nomeado Presidente da República através de um mini-golpe palaciano imediatamente posterior ao 25 de Abril, e contrariando a vontade da maioria dos oficiais do MFA. Antes Marcelo Caetano exigira a sua presença para se render, tentando desesperadamente que o essencial do regime se  mantivesse.

Após uma 1ª tentativa de golpe, em 28 de Setembro de 1974, Spínola foi forçado a abandonar a presidência da República, tentando novamente derrubar a democracia em 11 de Março de 1975. A partir daí exilou-se em Espanha, onde como na altura ficou mais que provado foi líder da rede bombista conhecida por ELP/MDLP, responsável por atentados que causaram mortes e destruições.

Reabilitado após o 25 de Novembro, como não podia deixar de ser, nunca foi julgado pelo seus crimes, num processo que entre outras hilaridades foi em grande parte investigado por um inspector da Judiciária que pertencera à organização que investigava.

Cavaco Silva pode ser o Presidente de alguns portugueses, que o elegeram. De todos não é, como agora fica mais uma vez demonstrado.

Em erupção


Generosa, esta mãe Natureza. Agora decidiu adiar o regresso do Dr. Cavaco Silva, carregando o ar com maravilhosas partículas de cinza vulcânica. Durante uns dias, estamos em Interregno republicano – aproveitemos! – e dadas as circunstâncias e a indesmentível co-responsabilidade semi-presidencial pela situação de desastre em que o país tem sobrevivido, não se pode dizer que esta forçada estadia na Chéquia, seja uma coisa ruim. O residente de Belém pode aproveitar para ir a banhos em Carlsbad, apreciar uns cristais da Boémia, comer umas salsichas com mostarda apimentada e beber umas Pilsener light. Após o raspanete de ontem, o seu iracundo correspondente Vaclav Klaus não lhe negará umas férias bem passadas, ao volante de um Skoda emprestado e com rodagem já feita.

Entretanto, o embaraçado optimista e reelectivo semi-presidente poderá passar o tempo numa espreguiçadeira, lendo este artigo que não é tranquilizador para qualquer um de nós. Bem pelo contrário, é catástrofe que todos adivinham e passámos a ser the next global problem. Que honra…

É a vida…

Só espero que a comitiva do Sr. Presidente da República não fique retida no Aeroporto sem umas sandes e umas colas. São as maldades da natureza.

Nestas coisas sou um homem de fé e acredito sempre na bondade humana. Por isso acredito que alguém tenha feito uma cópia para o Sol.

A maldosa ERC não quer o Hot Nights. Prefere o Canção Nova. São opções, eheheheeh.

Hoje o Aventar esta no Semanário Grande Porto e no DN está uma carta de Paulo Teixeira Pinto a Louçã que é de leitura obrigatória. Depois disto, se Louçã nada fizer, só posso concluir que é um farsante!

Mãe Querida

Ao longo dos anos já me habituei à constante preocupação do Prof. Cavaco Silva com o que os outros pensam de nós. A sua carreira política é pródiga em momentos como este último: “O Presidente da República felicitou hoje o novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, sublinhando que Portugal precisa de estabilidade política porque, neste momento, “depende muito” da apreciação de outros países”.

A minha mãe, uma santa, também pensa assim. Ao longo da minha vida sempre lhe ouvi tiradas como: “coloca uma gravata, filho, olha que eles estão a olhar para ti”. Lá fui e vou resistindo como posso, explicando-lhe que não é a gravata que nos torna melhores, etc e tal. Quando era mais novo e um valente cábula na faculdade, a minha mãe consumia-me a alma com as comparações com primos e vizinhos. É por isso que a minha mãe é uma santa. O que ela aturou.

Ora, o Prof. Cavaco Silva é a modos que a minha mãezinha, um Santo. Anda sempre preocupado com o que os outros possam pensar destes imberbes. Quando foi Primeiro-ministro, fartou-se de recordar a oposição do que os outros, no caso a Europa, podiam pensar de Portugal ao ouvi-los dizer aquelas coisas. Agora, enquanto Presidente da República, anda preocupado com o que possa Pedro Passos Coelho vir a fazer e dizer. É o espírito maternal a vir ao de cima.

Até no modo: a minha mãe adorava mandar recados. Mas a Maria da Conceição é a minha mãe e a uma mãe perdoa-se tudo. A uma mãe, claro está.

É esta a boa moeda, Sr. Presidente???

A pergunta do dia no Congresso do PSD, por Pedro Santana Lopes. (foto gentilmente palmada AQUI).

A entrevista de Cavaco

Cavaco, como de costume, nada disse de interessante – não sabe nada, não é nada com ele, não tem poderes para isso, não quer ser mal interpretado, não manda nada.
É cego e é surdo. Só não é mudo. Mas se fosse, não fazia qualquer diferença.

Fernando Nobre, o independente

Nutro por Fernando Nobre um respeito que apenas concedo a homens-livres, a livre-pensadores, a criadores e artistas, a pessoas não enfeudadas a interesses partidários e corporativos, a quem não dá tréguas às iniquidades e injustiças do mundo, a humanistas e independentes.

Tenho seguido com atenção e admiração – e confesso que não sou dado a grandes admirações – o percurso da AMI, o seu foco e prontidão para responder a catástrofes em qualquer parte do mundo, independentemente de crenças e alinhamentos políticos, religiosos ou outros. E admiro, entre outras qualidades, a sua capacidade de mobilização e de implementação de medidas em terrenos adversos, às vezes inóspitos e hostis, sempre precários. Não há organização portuguesa que se assemelhe a esta, nascida de quase nada, pioneira entre nós na ajuda humanitária internacional, respeitada mundialmente, sem a mácula de negocismo, mercantilismo, oportunismo e o despesismo sumptuário que hoje minam a credibilidade de grande parte das ONGs que por aí pululam.

Já aqui disse que Fernando Nobre abrange transversalmente parte da sociedade portuguesa. Divide a esquerda? Não mais do que a esquerda política sempre dividiu a esquerda. Peão de Mário Soares? Eu acredito no que escrevi no primeiro parágrafo e não respeito paus mandados. Agradará a Soares, mas Soares é um político de carreira, esculpiu o PS à sua imagem, joga num tabuleiro que evita o surgimento de independentes e que os cidadãos livres sucedam na política. Ajuda Cavaco? Não acredito, contra o que tenho lido, que esta candidatura agrade a Cavaco. Primeiro porque lhe retira também votos, segundo, porque estou convencido – e o actual PR também estará –  de que Alegre, sozinho, não terá condições para evitar a reeleição de Cavaco, terceiro, porque é precisamente de uma reeleição que se trata e a tradição diz que presidente em exercício é presidente reeleito, excepto, talvez, se um dado novo vier baralhar os cenários. [Read more…]

Cavaco Silva ganha de novo à primeira volta

Já antecipava a ideia aqui:

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Mais uma candidatura a piscar o olho à Esquerda, a de Fernando Nobre, e Cavaco Silva passou a ter mais firme a possibilidade de ganhar à primeira volta. Isto a acreditar que Manuel Alegre não desiste, o que seria, neste momento, o aniquilar do capital político que alega ter desde as últimas presidenciais.

O prazo de validade do Governo PS, dependerá, em larga medida, do desfecho das eleições presidenciais e da composição entretanto operada dentro do aparelho partidário social-democrata. E o próprio PS sentir-se-á liberto do pesadelo da obrigação de governar.

Entretanto, enquanto o Carnaval ao invés de terminar, vai engrossando, há quem se preocupe com a estética da República, discutindo se não seria de actualizar o busto da República. Nesta época faz todo o sentido preocuparmo-nos com tal: a República funciona bem, muito bem, estará é com má cara

«O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar» (Rui Pedro Soares)

MAIS ESCUTAS TRANSCRITAS NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO «SOL»

continuação daqui

– «A confirmar-se a operação da TVI, terá algum fôlego na reorganização da comunicação social – as transacções do grupo Impresa nas últimas horas. Está tudo ligado.» (Paulo Penedos para um tal de Luis)

– «Está tudo a seguir o seu caminho. [Vou] jantar com o primeiro.» (Rui Pedro Soares, administrador da PT, para Paulo Penedos)

– «A abordagem está a correr bem. [Sócrates] diz que tem de ser a PT, especificamente, a fazer a operação.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O chefe diz que é tudo ou nada e que não pode ficar com a fama sem o proveito.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «Já está escolhido o homem da informação, o Paulo Baldaia.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «[Depois disto, espero] obter do chefe luz verde para lhe tratar da comunicação durante 3 meses.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos).

– «É uma cortina de fumo [o interesse da Telefonica na PT] para dar a ideia de que há mais interessados e que se trata de algo com mero interesse empresarial para justificar a operação.» (Paulo Penedos para José Penedos)

– «Se o Moniz é corrido sem nós entrarmos, é melhor para a PT, mas é pior para o chefe máximo.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos)

– «O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes da PT entrar.» (Rui Pedro Soares para Paulo Penedos) [Read more…]

Vergonha, precisa-se

As revelações feitas acerca das escutas no processo “Face oculta”, na esteira do que vem acontecendo há anos acerca de condutas impróprias do Primeiro-Ministro, demonstram o pântano de que falava Guterres.

Para mim não está em causa a ilegalidade de certas escutas, nem a obrigação de as destruir. O que está em causa é que, uma vez publicadas, as mesmas não foram postas em causa por nenhum dos envolvidos, não houve nenhuma acusação de adulteração, de falsificação ou do que fosse. Nada. Apenas a crítica e a indignação em se revelar o que deveria, em parte, estar destruído.

Juridicamente não concordo com a divulgação de escutas declaradas nulas (e atente-se que parte das escutas transcritas não se reportam ao Primeiro-Ministro).

Como cidadão e republicano, entristece-me constatar que esta realidade governativa que as transcrições das escutas revelam, é apenas a deprimente radiografia da minha pátria.

Pelo silêncio nesta sede – ninguém ousar pôr em questão a veracidade das transcrições -, só se pode concluir que aquilo que lá está é verdade, e isso é do mais vergonhoso. E que num qualquer país, verdadeiramente civilizado, levaria à demissão do Chefe de Governo, por iniciativa própria ou por iniciativa presidencial.

Não teremos nenhuma das duas, como é evidente, porque não existe mais uma réstia de vergonha que seja.

Até mesmo porque à Oposição, em geral, não interessa perder um alvo fácil de corrosão política, e o PSD, em particular, não tem qualquer solidez para se confrontar seriamente com o PS.

Já Cavaco Silva, tem uma grande oportunidade para assegurar o segundo mandato: forçar o PS a apresentar um candidato (que não é difícil de sustentar, dadas as diversas reacções alérgicas que a disponibilidade de Manuel Alegre cedo provocou) para, com Manuel Alegre – que teve mais uma inábil estratégia de arranque de candidatura, agora ao aparecer colado ao Bloco de Esquerda –, dividir a Esquerda e ganhar à primeira volta. Depois é só deixar o PSD arrumar a casa e encontrar um líder com um mínimo de substância, e fazer cair o Governo no momento certo – ou seja, a mesma estratégia de Jorge Sampaio que abriu as portas do poder ao PS -, e José Sócrates poderá ainda sair de um pesadelo governativo como pobre vítima.

Tudo será mais um jogo, onde a vergonha é retórica, não é regra.

Face ao teor das transcrições – influências e perversões institucionais e partidárias, carreiras meteóricas, salários principescos, tráficos, manipulações, etc. -, pergunto-me onde está, efectivamente, a moral da sociedade em perseguir e condenar um carteirista?

A República precisa, urgentemente, de vergonha. E só a vamos conseguir quando se conseguir afastar dela quem a não tem.

Austeridade no Centenário…

Aqui estão uns irresistíveis excertos de um curioso texto do badalado Mário Crespo:

“Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.
Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos “assim” como aqueles que temos já não há “nem na Europa nem em África”. Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.
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O governo e a oposição passam a pasta ao presidente

O Governo e a oposição estão de acordo em 99,06% do orçamento e fazem uma guerra por 0,04% ?

Estão principios em discussão e com principios não se transige? Mas alguem acredita nisso com estes políticos? O esticar da corda, tanto da parte do governo como da oposição foi até ao ponto de não lhes rebentar nas mãos. Dramatizaram tudo o que havia a dramatizar, tipo “agarrem-me que eu demito-me…”

Mas a verdade é que nunca pisaram a linha de não retorno. Não só a situação não admite recuos como ninguem perdoaria que o governo ou a oposição, deixassem o país com os graves problemas que enfrenta.

A vontade de Sócrates é largar tudo e depressa, tudo desabou, agora já não são jornalistas em campanha negra, são altas figuras e instituições internacionais a dizerem o que ele sempre negou. O país está numa crise tremenda, a dívida é mesmo um caso muito sério, o crescimento nem vê-lo.

Mas o PSD não pode deixar cair o Alberto João, ele que é um jardim, e aí está a fazer que faz mas não faz . Porque ninguem compreenderia que numa altura em que todos dizem que é preciso gastar menos o PSD queira gastar mais.

Há uma saída, para este círculo vicioso, a contento de todos, o Presidente, que veste o seu melhor fato , veta a lei das Finanças Públicas! O PS já tem o que quer, não deixar que a bola de neve cresça na cabeça dos autarcas, o PSD passou a mão pelo lombo do Jardim e o Presidente passa a tambor para os partidos e a salvador para os cidadãos.

Et voilá, continuamos é num beco sem saída no que à economia diz respeito, mas se não há dinheiro para as Finanças Locais menos há para os megaprojectos e recuam todos perante as autoridades da UE, sem perder a face.

O Cavaco Silva é que não deve gostar nada disto, embora ganhe novo mandato!

A hipocrisia de Cavaco (ainda a propósito de Rosa Lobato Faria)


Fiz ontem a evocação de Rosa Lobato Faria, uma grande senhora. Pouco tempo depois, sucediam-se as homenagens públicas. Entre as várias que ouvi, impressionou-me a hipocrisia do Presidente da República Cavaco Silva, ainda para mais exercida no momento da morte de uma pessoa.
Se bem se lembram, foi através de pressões directas ou indirectas que o Governo de Cavaco Silva conseguiu a suspensão, em 1987, do programa «Humor de Perdição», escrito por Rosa Lobato de Faria e interpretado por Herman José. Apenas porque ali se brincava com figuras históricas como Florbela Espanca ou Fernando Pessoa.
Na altura, Cavaco não a achava uma grande mulher. Pois, a memória é curta. Depois da morte, todos são grandes. Já não chateiam.

Um sketch à Monty Python

A estrela que brilha em Belém


Muito a propósito do foguetório que se avizinha e já agora, da inopinada convocatória para o Conselho de Estado que tresanda a “Novo Regime Presidencial”, aqui deixo um recente episódio.

Ao Sábado, tenho por hábito ir ao café logo pela manhã e daquela vez tive sorte. Sentou-se ao meu lado um casal que quebrando a tradição de circunspecção da nossa gente, entabulou conversa. De Expresso na mão, o homem lá começou a comentar aquilo que todos ouvimos e sabemos e soube despertar a minha curiosidade com apenas duas frases pronunciadas. Aparentemente contraditórias, contêm em si aquilo que o dito senhor pensa ser uma solução para todos os nossos problemas.

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Teste – megainvestimentos

O leitor encontrará cinco perguntas com duas opções de resposta a que corresponderá uma valorização de 1 a 5 pontos. Após a resposta veja no fim do texto qual é a sua posição perante os megainvestimentos.

Os megainvestimentos são:

–  fundamentais para o país                                   Sim —-                                                 Não  —-

– necessários para as bancos                                   Sim —                                                 Não —-

– necessários para as construtoras                           Sim —                                                  Não —-

– possíveis sem mais dívida                                     Sim —-                                                Não —-

– trazem Madrilenos para a Caparica                       Sim —                                                 Não—-

Pontuação : se você respondeu SIM :

Se a sua pontuação atingiu os 25 pontos você é o próprio Sócrates; se atingiu entre 15 e 20 pontos você pode ser o Jorge Coelho ou o Ricardo Espírito Santo; se atingiu menos de 15 pontos você é um “velho do Restelo”; se não conseguiu nenhum ponto, você é um empresário que já percebeu que as obras já têm destino e não é o seu. Nota:( se  conseguiu atribuir mais que 25 pontos você é uma das Jugulares)

Pontuação : se você respondeu NÃO :

Se a sua pontuação atingiu os 25 pontos, você é a Manuela Ferreira Leite que respondeu com a ajuda do Prof. Cavaco Silva; se atingiu entre os 15 e os 20 pontos você é Passos Coelho a dar uma entrevista à Judite ; se atribuiu menos de 15 pontos você é um dos muitos técnicos do FMI que são nossos leitores; se não atribuiu nenhum ponto você é o Sócrates ou alguem enviado por ele : Nota ( se atribuiu mais de 25 pontos você pode ser um dos autores do 5 dias ou o Aventador LM )

Responda, reflicta e adivinhe quem vai pagar !

Alegre confusão

O PS apoia Alegre formalmente, tendo à sua frente um ano político tão difícil, assim afrontando Cavaco Silva com quem necessita de ter uma “convergência” de objectivos, ou faz de conta que Alegre não existe e o BE fica com candidato?

Se o PS avançar com outro candidato e, assim repetir, a “dança” de há quatro anos, dá de bandeja a vitória a Cavaco que está em funções e em vantagem.

O PS sabe isto tudo, mas a tentação de “uma maioria, um governo, um Presidente” doença de que também sofre o PSD, faz hesitar muita gente dentro do partido.

As medidas económicas e sociais que o governo vai ser obrigado a tomar, para manter as contas públicas dentro de certos limites, vão levar o “poeta” com a sua voz de barítono, a criticar duramente as medidas. Se não as criticar perde o apoio do BE e de muita gente descontente por atingida pelas políticas de racionamento económico. Se as crítica, o que é sempre fácil para quem está “de fora”, perde o apoio da parte do PS que apoia o governo de Sócrates.

A confusão é tanta que António Costa tentou hoje fazer “a quadratura do círculo” com evidente atrapalhação, metendo as mãos pelos pés, ele que só ganhou Lisboa porque se juntou às tropas de Alegre.

Por outro lado, se o PS avançar já com o apoio, vai ter que intervir nas picardias que Alegre vai lançar, na tentativa vã de fazer Cavaco Silva vir a jogo.

Um ano de distância é tempo demasiado para um governo que está em funções e com uma vida difícil. Alegre sabe isso melhor do que ninguém. Então porque avançou já? Não é certamente para tornar ainda mais difícil a vida ao governo.

Só há uma explicação. Alegre não tem nenhum compromisso por parte de Sócrates que o PS o irá apoiar!

Centenário da República: os posters comemorativos (2)

2. O culto à sagrada bandeira: Liberdade, Igualdade, “Fróternidade”

Um dos aspectos nada negligenciáveis destas comemorações oficiais que se avizinham, consiste numa re-leitura da História, tentando adaptá-la à conveniência do sistema vigente.
Órfãos de referências que solidamente indiquem uma continuidade, alguns elementos mais preponderantes na conformação da verdade oficial tudo têm feito ao longo dos anos, para apresentar a actual República como uma directa sucessora daquela outra que implantada em 1910, baquearia vítima dos seus próprios erros. Assim, a audácia na apresentação de uma ruptura habilmente apresentada como hiato – o “interregno” de que o dr. Mário Soares se tornou paladino -, tem como fim, a total evaporação do pesadíssimo legado histórico, político e social que a 2ª República significou. Regime saudado com esperança e saído do desespero colectivo em que o país mergulhara, teve uma vida inicialmente acidentada e com a consolidação, durante algumas décadas normalizou-se naquela expressão que Salazar caracterizaria como “viver habitualmente”.

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Santana Lopes já é boa moeda


Quem se quer encontra-se sempre.