Lugares de Peregrinação (1)

A propósito do WC PAPA, assaltou-me (está na moda e dá direito a prémio) a ideia de que todos os seres humanos são peregrinos; movidos pela fé ou pelo dízimo, seremos peregrinos; falando a microfones dourados (à própria imagem de Cristo) ou a um telemóvel de última geração, seremos peregrinos; com muita força, esperança e caridade ou apenas com o computador Magalhães, seremos peregrinos.

Seremos peregrinos independentemente da nossa condição hierárquica, da nossa presunção de poder, da nossa disfarçada ignorância. Seremos peregrinos.

Um dia todos peregrinaremos em direcção a um WC. E os peregrinos são todos iguais…

Venha o Diabo e escolha…

…entre esta, esta e esta. Não faltava mais nada!

Dispensário de Alcântara: Lisboa Arruinada


O Dispensário de Alcântara é uma das muitas obras de assistência promovida pela rainha D. Amélia. Prosseguindo actividades de cariz social que ao longo dos séculos foram apanágio das rainhas de Portugal, D. Amélia introduziu o moderno conceito de assistência social, tal como hoje o entendemos. Assim, aquilo que se entendia então por caridade, adquiriu fundações mais sólidas, ligando-se à formação de mentalidades – higiene, cuidados preventivos, assistência continuada – e a rainha, desde sempre insistiu junto dos governos, pela implementação das novas áreas da ciência que ainda não tinham chegado ao país. O Instituto Pasteur (Câmara Pestana), os Lactários Públicos, as Cozinhas Económicas, os Socorros a Náufragos, ou as numerosas creches e a modernização dos hospitais, contam-se entre as suas obras mais relevantes. No entanto, para a memória de todos, ficou a inestimável Assistência aos Tuberculosos. O Dispensário de Alcântara foi durante anos, uma visita quase diária e mesmo no exílio, jamais descurou das suas necessidades, mantendo-se em permanente contacto com o corpo médico em exercício. D. Amélia preocupou-se sempre em garantir o permanente funcionamento daqueles serviços à população. Em 1945, quando da sua visita a Portugal, não deixou de visitar esta sua obra, assim como a sede da S.L.A.T. (ao Cais de Sodré). A população correspondeu com um inaudito banho de multidão, numa época em que as manifestações que não tivessem convocatória oficial, eram rigorosamente controladas ou proibidas. Foi talvez, uma das poucas vezes em que os lisboetas estiveram em contacto com uma personalidade que para muitos, simbolizava uma liberdade e um verdadeiro constitucionalismo há mais de três décadas perdido.

O Dispensário de Alcântara está hoje vazio, fechado. Há uns meses, ostentava na fachada, o cartaz com o esperado e temível “Vende-se”. Sabemos o que nesta época, isto significa: destruição. O apagar da memória da nossa História. Este edifício é simbólico da vontade e do sonho de progresso de uma mulher , que quis que Portugal entrasse plenamente no século XX, a par das outras nações civilizadas da Europa. Por si só, a rainha D. Amélia foi um autêntico ministério dos Assuntos Sociais sete décadas antes de o termos criado. Desta forma, o Estado Português, a CML e entidades privadas ou beneméritas, tudo deverão fazer para o preservar. A destruição do Dispensário de Alcântara será mais um crime, uma infâmia. Mais uma vergonha. Até quando?

Durante a sua visita a Portugal (1945), Dª Amélia foi ver a sua “obra de Alcântara”. Hoje para sempre fechada?

Os Méritos da PT Inovação na Telemedicina

PT é acrónimo muito associado ultimamente a suspeições de negócios duvidosos. Diga-se, porém, que a vida deste grupo empresarial não se confina a sarilhos e à busca de interesses em gabinetes da administração, e outros antros, em torno de poderes e benefícios inerentes à “golden share” do Estado.

Menos mediáticos, mas de interesse público autêntico, os desempenhos da parceria entre a PT Inovação SA e a Universidade de Aveiro, no desenvolvimento tecnológico de soluções de telemedicina ‘Medigraf’, merecem especial distinção.

O País foi informado da conclusão do projecto de telecomunicações LTE (Long Term Evolution) – 4.ª Geração, a utilizar em ambulâncias para comunicação síncrona (tempo real) ou assíncrona (“store and forward”) de imagens médicas. Tornou-se, assim, possível a transmissão remota de imagens de ecocardiogramas durante a viagem de uma ambulância, abreviando, deste modo, o tempo de diagnóstico e da acção terapêutica dos médicos da urgência hospitalar que acolhem o doente.

Tecnologia semelhante é há muito utilizada em comunicação à distância entre dois pontos fixos, o Hospital Pediátrico de Coimbra, Dr. Eduardo Castela, e uma unidade distrital, o Hospital da Cova da Beira, por exemplo.

A PT Inovação avança mais um passo no progresso da telemedicina em Portugal, progresso, aliás, desnecessariamente lento, devido à injustificada falta de um plano nacional do Ministério da Saúde para o sector.

Num País de encerramentos e limitações de actividade em unidades de saúde de zonas de baixa densidade populacional, por alegada falta de meios para garantir serviços médicos, é estranho que o Ministério da Saúde continue a ignorar a telemedicina como uma das soluções possíveis para ultrapassar barreiras de tempo e espaço, ou seja, de acessibilidade a cuidados médicos especializados, por parte de doentes isolados e carecidos desses cuidados.

Com esta abstrusa posição governativa – e não apenas do governo actual – mais justificado é o louvor prestado à PT Inovação SA e à Universidade da Aveiro.

Presente e futuro da Advocacia: uma questão de República (9)

Continuando o que escrevi aqui.

A Justiça além de cega, está surda, por isso nem se preocupa com quem espera e desespera.

Apesar das inovações introduzidas ao nível informático, de todo os meios de consulta e de comunicação à distância que foram postos ao serviço dos tribunais – com especial relevo para a aplicação informática “Citius”, que permite a gestão dos processos em tribunais de 1ª Instância, em matéria Cível, por Magistrados, Funcionários Judiciais e Advogados, em tempo real -, os entraves continuam a existir, por diversas razões (além das já abordadas nesta série de textos).

O “Citius” não abrange outras matérias além do Cível, nem permite, mesmo em matéria Cível, a sua utilização por parte dos Advogados nos demais graus jurisdicionais para além da Primeira Instância (ou seja nas Relações e no Supremo). Nem se encontra harmonizado com o “Sitaf – Sistema de Informação dos Tribunais Administrativos e Fiscais” – que permite a tramitação de processos em suporte electrónico nos Tribunais Administrativos e Fiscais, ainda para mais a funcionar com diversas dificuldades correntes.

[Read more…]

O Miño é Lindo

valencia

El tren llega a Valencia de Miño.

Sábado el 10 Abril 2010.

Médicos querem salários por objectivos

Há um grupo de médicos do SNS que está a preparar um documento para propor à Ministra da Saúde, serem pagos segundo os objectivos acordados com o ministério. Face à hemorragia de médicos do SNS para os privados, só há uma maneira de segurar os técnicos mais competentes. Pagar-lhes segundo o mérito e a produtividade!

São os próprios médicos que se sentem incomodados com o facto de toda a gente ser paga segundo a antiguidade, como se todos fossem iguais, quando todos reconhecem que não são. Os mais impacientes já sairam para os privados, mas quem gosta do SNS considera que há lugar ao mérito e à produtividade. É a única forma de manter o SNS.

Objectivos que levem em conta a quantidade mas também a qualidade e as exigências técnicas requeridas! A não ser assim, a privada vai ganhar terreno, vai ser mais competitiva, vai ter os melhores, ter melhores resultados, crescer…

Eu sou pelo Serviço Nacional de Saúde, saúdo com alegria esta iniciativa!

Desperdício do medicamento

O trabalho “desperdício do medicamento no ambulatório em Portugal” revela que se desperdiça 21,7% da quantidade de medicamentos prescrita. Metade está associada à dimensão da embalagem e a outra metade à não adesão à terapêutica.

O custo global ligado ao desperdício é de 4,44 euros por medicamento, sendo que mais de 60% foram suportados pelo SNS. Em 2009 foram recolhidos no âmbito do Infarmed, cerca de 716 toneladas de embalagens de restos de medicamentos nas farmácias portuguesas o que equivale a 100 mil contentores. A realidade é muito superior porque a maioria da população pura e simplesmente deita para o lixo as embalagens a mais e não as entrega nas farmácias.

O redimensionamento das embalagens é a medida mais amigável para farmácias e indústria, não exigindo investimentos que cada farmácia teria que fazer e que monta a 150 mil euros, no caso da unidose. É um passo mas que não evita o custo da embalagem .

Até ao momento nenhuma farmácia aderiu à unidose, e o bastonário da OM diz que tudo isto é porque a ANF quer vender “medicamentos a granel”!

Ministra " à dose…"

Que na Saúde não há política nenhuma coerente, já se sabia, mas que os desperdícios dos medicamentos que todos deitamos para o lixo, vão continuar a ser pagos por nós ( utentes) e por nós (contribuintes) é que só ficamos ontem a saber.

A Ministra já quiz emendar a mão, mas a verdade é que a Indústria é que manda juntamente com as Associações das farmácias. Nos outros países mais ricos e mais poderosos há muito que se vendem medicamentos “à dose”, a indústria teve que mudar processos e as farmácias tambem, porque lá há uma economia de mercado a sério .

São as necessidades dos clientes que mandam e os fornecedores que não respondem às necessidades do mercado, fecham a porta!

O deboche do "Esquema"!


Os órgãos de comunicação social, declaram continuar hasteada a bandeira espanhola na fortaleza de Valença. Monumento nacional, símbolo local da soberania portuguesa, foi profanado por gente que perdeu toda a legitimidade ao optar por este insultuoso tipo de contestação. Trata-se de subversão e de atentado à integridade do Estado. Do que está à espera a GNR? Que explicação dá a PSP? Porque não envia o exército um pelotão que ponha cobro ao dislate? O episódio da taurina coisa nas varandas, não passa de folclore a resolver no próximo embate futebolístico entre as duas “selecções”, quando tudo voltará ao normal. Outra coisa, é o assalto estrangeiro a um edifício público. S. Bento não cora de vergonha?

O que se estranha, é a total passividade das autoridades nacionais que se têm abstido de impor a Lei e a dignidade do Estado. São precisamente estas autoridades – e aqui incluímos o governo que tutela as policias e as Forças Armadas – que são muito lestas na resolução de outros casos que têm acontecido e que vão continuar a acontecer, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem. O critério parece simples: se se trata de uma Bandeira Nacional azul e branca, deve ser de imediato apeada e entregue a um nebuloso “Ministério Público” – o que é isso? -, mas se o caso disser respeito a uma bandeira estrangeira, poderá então ficar ao vento durante o tempo que a subversão militante assim o entender.

É o patrioteirismo dos senhores do Centenário da República, com o Palácio de Belém incluído no rol. Enfim, mais um episódio do “Esquema”, porque nada deve ser por acaso. Entretanto, o “agente dorado” Saramago, continua a sua prédica. Só visto!

Valença à nora


Numa atitude pouco pensada e nada inteligente, a comissão de utentes do SAP de Valença, decidiu-se pelo hastear da taurina bandeira do país vizinho. Além de não terem concitado a mínima simpatia ou compreensão por parte dos seus concidadãos, os apressados activistas acabaram por fazer exactamente o que os responsáveis políticos de Lisboa pretendem: estes últimos conseguiram alijar um problema que tinham em ombros e melhor ainda, os gastos com a assistência à população, passam directamente para a responsabilidade do erário vizinho. Pelo menos, durante algum tempo. Neste processo de …”aproximação à Espanha, Espanha e Espanha”, onde surgem Mários Linos, Pinas Mouras, sector bancário e da informação e um ou outro tinte pretensamente avermelhado como o Sr. Saramago, os utentes do SAP participam gulosamente no festim que não durará muito. Decorridos alguns meses de visitas de urgência a Tui – muitas vezes e como é hábito, “por dá cá aquela palha” – e passada a euforia do sucesso mediático além-fronteira, sempre queremos ver até quando as autoridades estrangeiras permitirão o abuso ? Podemos imaginar o que daqui a algum tempo se dirá dos portugueses, enraizando o preconceito que é velho de séculos e ainda tão visível no péssimo ou desigual tratamento ministrado a tantos dos nossos que por lá trabalham ou querem investir.

[Read more…]

O SAP de Valença -2

O meu texto de ontem ” O SAP de Valença” despertou muita curiosidade e muitos comentários que agradeço. Respondi a alguns, mas valerá a pena voltar ao problema de fundo. Há a possibilidade de termos cuidados médicos próximos? Qual é a melhor forma de o fazer já que é impossível existirem em todos os lugares onde viva gente?

Hoje as comunicações via telefone, fax, telemedicina permitem que muitas das situações possam ser diagnosticadas e tratadas à distância, ou prestar os primeiros socorros , estabilizar o doente e seguir para o lugar certo. O lugar certo é o lugar indicado para onde o doente deve ser encaminhado segundo a sua doença. O lugar onde estão reunidos os meios humanos e ténicos para prestar a melhor assistência. Ora, não é certo ( e não estou contente por ser assim) que o lugar certo seja o lugar mais perto.

Por exemplo, estudos revelam que num acidente, se os socorros chegarem nos primeiros 15 minutos, é possível salvar 80% dos acidentados. E este socorro, por exemplo nas estradas, deve ser prestado por ambulâncias e hélios devidamente equipados que estabilizam o doente e que o canalizam para o hospital mais capaz de lhe prestar assistência adequada que, na mais das vezes, não é o que está mais perto.

A existência de um SAP pode significar uma grande segurança psicológica mas não garante a assistência necessária. Não, porque não é possível ter em todos os lugares pessoal médico , de enfermagem e equipamento que garantam a assistência adequada. É muito mais realista ter transportes com apoio à vida e com pessoal devidamente formado que rapidamente presta os primeiros socorros e acede ao hospital, do que estar a pensar que tem ali à mão um serviço com todos esses meios. Não tem e não é posssível tê-los!

Compreendo que as pessoas se revoltem por ver uma e outra vez os serviços saírem da sua terra, sublinhando a desertificação que se acentua, mas não se deixem enganar por promessas que não são realizáveis.

Proximidade ou qualidade? Ter as duas seria óptimo mas não é possível!

O SAP de Valença

Como se lembram foi por seguir uma política de concentração de meios e correspondente aumento de qualidade na prestação de serviços às populações, que um dos homens que mais sabe de política de saúde no país, foi despedido.

Maria Jorge, apesar de tudo fazer para não mexer em nada, ou no menos possível, não pode deixar de seguir essa política.

Os que manipulam a população vêm com os argumentos dos costume, ter cuidados médicos ali à porta, dá segurança e comodidade. É mentira, como ficou completamnete demonstrado no caso das maternidades. Uma parturiente, sem problemas até pode ter a criança em casa, mas se tiver problemas, se precisar mesmo de cuidados médicos, vai mesmo para um hospital onde estejam reunidos os meios, técnicos e humanos necessários. E esse meios não podem estar em todos os serviços, por muito que se minta.

Aqui em Valença o problema é o mesmo, as pessoas estão convencidas que se tiverem um SAP à porta, encontram lá os meios técnicos e humanos para serem tratados. Isto é falso! Há uma componente psicológica importante, não nego isso, mas dizer mais do que isso é uma falsidade.

Ter meios rápidos de transporte, pessoal capaz de prestar os primeiros socorros, estar em ligação 24/24 horas com a unidade hospitalar mais próxima, isso é uma boa medida. Mais do que isto é andar a vender fantasias.

Vitória na AR contra a discriminação na questão das doações de sangue

  Hoje no Parlamento ,graças a uma importante iniciativa do Bloco de Esquerda,conseguiu-se com o apoio de toda a esquerda,incluido o PS, uma importante vitória anti discriminação,na questão da doação  do sangue  de homens que fazem sexo com outros homens.O critério de análise, vai mudar,e vai deixar de ser “grupos de risco”,mas “comportamentos de risco”,como devia ser há muito tempo e sempre defendi.Mais um preconceito homofóbico que se salta.Parabéns ao Bloco , à sua bancada parlamentar,e ao dr.João Semedo!

Hoje salvei o mundo

Imagine que algures no mundo há alguém a quem você pode salvar a vida. Não com acrobacias intrépidas de super-herói, sem necessitar de se equilibrar no parapeito de um arranha-céus, ou saltar para um mar infestado de tubarões, ou desactivar, no último instante, um engenho explosivo.

Imagine que a única coisa que teria a fazer seria sentar-se num cadeirão almofadado, desses onde se pode adormecer com um livro em cima do peito, e estender o braço. Mais nada.

E que, com um pouco de sorte, num desses acasos que a cega lei das probabilidades determina, ser contemplado com a feliz notícia de que você, sim!, você, cidadão anónimo, igual a tantos outros, boa pessoa, talvez um pouco teimoso, que é dos poucos defeitos que não nos importamos de admitir porque achamos que revela força de carácter, você vai salvar uma vida. [Read more…]

Enfermeiros o que quer dizer isto?

“E que tal criar um doutoramento em fazer um penso? Ou um pós-doc em medir a tensão?
Deixem-se de tangas e em vez de obrigar o estado a suportar um conjunto de auxiliares de acção médica que é obrigado a fazer o trabalho de enfermagem, trabalhem!”

Um nosso comentador deixou esta mensagem na caixa de comentários. Querem pronunciar-se, explicar ?

E que tal criar um doutoramento em fazer um penso? Ou um pós-doc em medir a tensão? Deixem-se de tangas e em vez de obrigar o estado a suportar um conjunto de auxiliares de acção médica que é obrigado a fazer o trabalho de enfermagem, trabalhem!


Somos todos enfermeiros, somos todos valencianos

O Ministério da Saúde só poupa no que não deve.
Quer poupar nos enfermeiros, a quem paga mal e porcamente (alguns recebem hoje em dia 800 euros). Aceita vagamente que em 2013 todos estejam a receber 1200 euros, quando é a própria Lei que obriga a que os licenciados que entram na Função Pública recebam um valor superior. Mais do que os vencimentos, impressiona a instabilidade de quem vê a sua carreira protelada no tempo num sector com tantas carências humanas.
Quer poupar, mais uma vez, nas Urgências nocturnas das populações do interior. Já morreu gente com estas «brincadeiras», mas o Ministério não quer saber que um universo de cerca de 15 mil pessoas fique sem atendimento durante a noite e tenha de se dirigir a Espanha.
O Ministério da Saúde poupa no que não deve, mas não poupa no que deve: nos desperdícios dos hospitais de gestão público-privada, nos apoios e benefícios às grandes empresas privadas na área da saúde, na política do medicamento – promoção dos genéricos, difusão da venda por unidose, obrigatoriedade da prescrição por denominação comum internacional, diminuição dos lucros pornográficos das Farmácias.
Todos sabemos por quê. Porque não interessa aos grandes grupos – os Grupos Mellos e quejandos, as Farmácias, a indústria farmacêutica. E neste caso, os enfermeiros e os valencianos são apenas «peanuts».

Falando de sentimentos.Resposta ao Prof. Adão Cruz

Caro Adão Cruz,
Por andar sempre a usar estas linhas para escrever do que sinto, vejo, analiso e psicoanaliso, não tinha reparado no seu texto tão temido por falar de sentimentos. Não me parece possível fazer uma biologia do espírito. Seria uma ofensa aos sentimentos. A Biologia, e a palavra o diz, é uma dissecção dos sentimentos, uma autópsia dos mesmos, o que me parece impossível: nem há ideias, nem há elementos para abrir o espírito. Repare, se quiser entender assim, que a minha frase no rasto da sexualidade, caminha o amor, indica já uma autópsia dos sentimentos. A sexualidade é uma força da natureza, sem a qual não podemos viver. É essa força colocada pela biologia em nós, para nosso prazer que não tem palavras, especialmente se quisermos definir o orgasmo e não apenas a paternidade. A paternidade é uma relação social em segunda instância, porque na primeira, é o amor. Não o amor com quem podemos sentir o prazer sem palavras, sempre a dois, mas eternamente solitário. Compara um filho seu, existente ou não, com um de uma favela. Os sentimentos que existem neles, embora não se conheceçam e pertençam a classes sociais diferentes, são exactamente iguais

[Read more…]

A prenda de feliz aniversário do Aventar

Já fomos várias vezes citados em jornais e em programas radiofónicos, não é para nós surpresa, mas não deixa de ter piada sermos hoje, logo hoje, abundantemente citados na secção “Blogues em papel” no Público.

E somos citados propondo uma série de medidas políticas que de tão óbvias, só ainda não foram implementadas por irem contra o interesse de quem verdadeiramente manda neste pobre país. O diagnóstico está há muito feito é só preciso ter coragem de andar para a frente, implementar medidas tendo como horizonte o interesse nacional.

Nessas sugestões falamos da autonomia da escola, da política do medicamento, do papel do Estado na economia, na Justiça na dependência da Assembleia da República e do Presidente e, apontamos o dedo à chantagem dos nossos gestores e empresários que passam a vida a dizerem que se vão embora do país, como se encontrassem algum lugar na terra onde os mercados sejam tão protegidos e o Estado distribua tão generosamente ajudas financeiras, fiscais e outras menos “on shores…”

Como Passos Coelho se reuniu agora, de várias pessoas para concretizarem o seu programa de governo, talvez leiam o que aqui escrevemos. É que ouço falar destas medidas há vinte anos…

Sugestões a Passos Coelho – 1

Deixe o animal feroz colher o que semeou, até porque essas medidas. ao contrário do que ele dizia há bem pouco, são incontornáveis. Congelar salários e aumentar impostos todos fazem, é fácil, e é injusto. Como é injusto querer avançar com megaprojectos que vão atirar o país para anos de pobreza. Onde está o mérito de pedir dinheiro emprestado e dar à manivela à máquina do betão?

Mas o diagnóstico está há muito feito, é só preciso ter coragem de não cair nas mãos dos Grupos económicos que controlam a política e das corporações que co-governam o país, sem voto popular para o fazer.

Na Saúde, é preciso uma Política do medicamento que tenha como objectivo duas medidas que representam a poupança de muitos milhões de euros. Aprofundar a receita de Genéricos e a imposição de “unidoses”. Manter e aprofundar “os centros hospitalares”, compondo um conjunto de hospitais e serviços de saúde segundo uma lógica de complementaridade. Criação de centrais de Compras, com vantagens financeiras determinantes ao nível das compras, do comercio e da indústria farmacêutica. Estas políticas podem descer a factura de medicamentos até 30%. [Read more…]

Pub. e Convite:

A Juventude Popular da Maia realizará, no próximo dia 25 de Março, um debate relacionado com o tema da Eutanásia – Morte Medicamente Assistida. O painel contará com personalidades do mundo político, médico-científico e religioso. Certos de que será um tema de elevado
interesse geral, contamos com todos às 21h no Fórum da Maia.


Moderador: Fernando Moreira de Sá, profissional de Ciências da Comunicação
Orador: Dr. Rui Nunes, Presidente da Associação Portuguesa de Bioética
Orador: Pe. Jorge Teixeira da Cunha, Professor da Universidade Católica
Orador: Dr. João Moreira Pinto, Secretário Geral do CDS/PP Porto
Orador: Drª Laura Ferreira dos Santos, autora do livro “Ajudas-me a morrer? – a morte assistida na cultura ocidental do século XXI”

Localização (Google Maps): http://tinyurl.com/yfv3gjm

Nem de propósito, no Sábado, numa organização do Cineclube da Maia: o filme Mar Adentro:

Hora de início:
Sábado, 27 de Março de 2010 às 21:30
Fim:
Domingo, 28 de Março de 2010 às 0:30
Local:
Cinema Venepor
Rua:
Rua Simão Bolivar
Cidade/Localidade:
Maia, Portugal

Eutanásia – Morte Medicamente Assistida

Sob a moderação do Fernando Moreira de Sá, meu companheiro do  ‘Aventar’, a Juventude Popular da Maia realizará, no próximo dia 25, no Fórum local, um debate subordinado ao tema ‘Eutanásia – Morte Medicamente Assistida’. Contará com a participação de personalidades do mundo médico, científico e religioso, com destaque para o Dr. Rui Nunes, presidente da Associação Portuguesa de Bioética (APB), o Padre Jorge Teixeira da Cunha da Universidade Católica Portuguesa (UCP) e Dr.ª Laura Ferreira Santos, autora do livro ‘Ajudas-me a Morrer?’.

Do ponto de vista pessoal, interesso-me, há muito, por este tema e lamento não poder estar presente. Todavia, aproveito para expressar aqui alguns pensamentos, na sequência do que, de resto, já fiz no ‘Aventar’, em Maio de 2009; então, a propósito do projecto de lei do ‘testamento vital’ que o PS apresentou na AR, pela mão da Dr.ª Maria de Belém, na qualidade de presidente da comissão parlamentar da Saúde. O mesmo projecto de lei não foi, entretanto, submetido a votação na especialidade, por motivos meramente políticos. Ao que sei, para evitar conflitos institucionais com o Presidente da República, Prof. Cavaco Silva.

Com a perda maioria absoluta, e apesar da promessa de retomar idêntica iniciativa na legislatura actual, o respectivo processo – penso – está pelo menos suspenso.

Os entusiastas da acção legislativa em causa eram justamente o Dr. Rui Nunes (APB) e a Dr.ª Maria de Belém, afirmando a deputada que “o projecto tem a ver com a autodeterminação, não tem nada a ver com eutanásia” (sic). Por outro lado, a APB expressava que, mediante consentimento informado, os doentes poderiam deixar instruções sobre o tratamento que querem ou não receber. Bastava que o formalizassem perante um notário ou junto de um centro de saúde, na presença de duas testemunhas.

Sempre entendi que era uma tentativa enviesada de legislar sobre a prática da Eutanásia – creio que era esta também a opinião do médico, Dr. João Macedo, do BE. [Read more…]

A Saúde está doente…

Prefiro pagar taxas moderadoras a reduzirem os serviços prestados, diz o holandês espantado pela recusa da enfermeira.

E com razão, afinal eram tratamentos que lhe já tinham sido ministrados e que tinham contribuído de maneira muito eficaz para a melhoria da sua situação. A que título retiraram um tratamento que estava a surtir efeito?

Como se vê não é só cá que as coisas correm mal…

Mas a melhor de todas ( a melhor frase) na área da saúde é esta da Isabel Vaz que é a Presidente do Grupo Saúde do BES: “os hospitais públicos mandam doentes para casa para pouparem! Desculpe? Então a senhora nem sequer os deixa entrar!

Isto chegou ao fim, temos que pedir ao Miguel e ao Carlos Fonseca para nos explicarem em “obundu” o que é que isto quer dizer. Será que a dra (bem gira por sinal) quer que os doentes passem a ir aos hospitais do Grupo BES para o Estado poupar? Será que o seu grupo deixa entrar os doentes sem seguro e sem o Estado pagar? E quando acaba o seguro continua com os tratamentos? Palavra?

Ou o Estado não recebe os doentes que transitam do seu grupo porque não têm seguro ?

O que uma frase pode esconder!

antropologia da criança.o que era já não sou, ou torne a ser

o autor do texto, em bebé

Porquê falar de família hoje? A resposta é simples: temos em frente de nós o começo dum século. E o começo dum século que é um milénio, conforme as contas que os humanos fazemos. Já temos pensado, desde antigamente, que mil anos íamos viver, mas nunca dois mil. E a dois mil entramos, ainda ao 2010. Porém, quais, as perspectivas? Milhentas, como costumamos dizer; em todos os aspectos: nos trabalhos, nas leis, nas uniões associativas dos governos, na nova tecnologia. Será porque o milénio começa que há tanta mudança, ou calhou que, na altura do milénio, mudanças históricas estavam a acontecer? Pelo menos no elo para o qual virei o olhar do leitor, a família. Elo que mais nos interessa por causa de ser base da interacção de pessoas que reproduzem, transferem, duma geração a outra, a forma de viver. [Read more…]

o pecado de masculinizar a mulher

a mulher pensada por vários homens

Grande surpresa a minha! Os meus colegas ensaístas tinham reservado um dia especial para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Solicitaram-me que não escrevesse a 8 de Março porque a escrita, nesse dia, era apenas para senhoras. No entanto, tornei a ver o texto escrito a 7 de Março, reproduzido no dia proibido.

No entanto, muitas mulheres escreveram nesse dia, as do nosso grupo e outras convidadas. E vários de nós, homens, que tínhamos escrito, no dia prévio, sobre a mulher. A frase desse dia, o slogan ou estandarte por falar assim, é retirada de uma Canção dos Beattle You can work it out. Por outras palavras, podes fazer crescer ou podes conseguir. A intenção do slogan desse dia, que nem devia existir, porque somos todos iguais, é humilhar a mulher ao dizer que ela também pode crescer, também pode trabalhar, também tem forças para conseguir ser um outro ser como os homens. O mais irónico é a palavra blog, um caderno de rascunhos, de ideias novas de apontamentos para não esquecer. Mas a palavra blog numa frase como esta, refere a capacidade adquirida pelo sexo feminino de ser capaz de desenvolver as suas qualidades como os outros fazem. Aliás, a frase foi colocada por um grupo de homens que deu licença às mulheres para, nesse dia especial, poderem demonstrar que eram pessoas de poder, como os homens pensam que são. Salientem-se ainda, que o sítio em que a frase foi escrita, é denominado blog e é gerido ou administrado por homens. Há uma ou duas mulheres que, timidamente, acompanham essa gestão, excepto duas de apelido semelhante, mas que são convidadas a participar na escrita desde outro blog.

[Read more…]

O Health Cluster Portugal!

De vez em quando, muito de vez em quando, aí cai uma boa notícia. Desta vez é o Prof Lobo Antunes, neurocirurgião, que em entrevista à VISÃO nos fala do cluster da saúde de que é vice-presidente.

“É uma iniciativa nortenha sobretudo do Dr. Luis Portela (Presidente da Bial) e permite congregar vários parceiros: laboratórios de investigação, indústria farmacêutica e de instrumentos, grandes hospitais, universidades. É uma plataforma que beneficia todos. Daí que suscite grande expectativa.”

E isto funciona como? “Por exemplo, quando um laboratório tem em curso um projecto, pode interessar a uma empresa saber que há um grupo a investigar nessa área. Estabelecemos pontes para que a ciência passe a ser aplicada, como nos casos de novos produtos ou medicamentos. Destes saberes e interesses economios diferentes podem criar-se mais – valias para o País.”

Vale a pena lembrar a cientista Elvira Fortunato que ganhou o mais elevado prémio europeu da ciência o ” European Research Council” que distinguiu o seu trabalho na electrónica transparente e em Dezembro recebeu o maior prémio dos US na categoria de investigação na área do “paper-e”. É directora de investigação na UNL. Pois esta fantástica investigadora não conseguiu encontrar entre os nossos empresários e gestores quem se interessasse pelas suas inovações, estando uma grande empresa Brasileira a desenvolver industrialmente um dos seus produtos.

É mais fácil ganhar dinheiro em monopólio e no mercado interno dos serviços e à sombra do Estado!

Renascer

Para Alejandra, el el día de su cumpleaños…

Nascí, es primera palabra del libro de Charles Dickens, David Copperfield, escrito entre 1849 y 1850. Esa palabra que da título al primer capítulo del libro.

Tu también, apenas que muchos años después, casi ciento y sesenta e cinco años después, más o menos. La edad de una Señora nunca se dice, especialmente si es Toro Iturra de Iribárren. Las Toro adoran quitarse la edad, las Iturra, no podrían hacerlo mejor. Tú, no serás igual, eres demasiado moderna, fuerte y valiente [Read more…]

Sócrates e o polvo das farmácias

Vemos constantemente mexidas na lei dos medicamentos e das comparticipações, como ainda ontem se viu na conferência de imprensa da Ministra da Educação. Como sempre, o Estado vai poupar dinheiro mas os contribuintes, muitos deles desfavorecidos, vão gastar mais.
E continua sem haver uma verdadeira política de apoio aos genéricos. E a venda por unidose continua sem avançar. E a prescrição por denominação comum internacional continua sem avançar. Tudo porque não interessa. Ou às farmácias, ou à indústria farmacêutica.
Ontem, a Ministra da Saúde esqueceu-se de dizer que a margem de lucro das farmácias voltou a ser de 20%, quando antes era de 18%. Num momento de crise, percebe-se mal por que razão há um sector que é beneficiado desta forma em relação aos outros. Subida da margem de lucro nesta altura?
Uma medida tão pronográfica que até a Ministra da Saúde teve vergonha de a anunciar. Mas não há limites para a pornografia de que José Sócrates é capaz, nem mesmo por se ter sabido entretanto que o processo Face Oculta regista as ligações perigosas entre João Cordeiro e o primeiro-ministro.

Infância pobre é para toda a vida!

Cientistas nos US chegaram à conclusão que uma infância pobre até aos cinco anos marca para sempre o ser humano, não só no seu desenvolvimento mas tambem a nível neurobiológico e na saúde para o resto da vida.

“Descobrimos que as crianças que crescem em ambientes desfavoráveis reagem de forma desproporcionada ao stress, e conseguimos medir isso através de avaliações hormonais e neurológicas, utilizando scanners cerebrais, e mais recentemente com análises genéticas”.

Estes estudos vêm comprovar o que o senso comum já observava, principalmente em pequenos agregados urbanos em que todos se conheciam, quem tinha boas condições de vida singrava quem vivia na pobreza mostrava-o na escola e nas relações com os outros miúdos da mesma idade. E na idade adulta quem é conhecido e venceu são os filhos de quem já naquela altura eram os senhores da cidade.

O ascensor social é muito pouco eficaz, mas grande parte da derrota vem, sabemos agora, do facto da pobreza e dos maus tratos marcarem para sempre a saúde das pessoas e permanecem para toda a vida. Isto mostra que o apoio social não é um custo, é um investimento, porque recupera pessoas para a vida profissional activa e, dessa forma, gasta menos do que ter pessoas que são um fardo social.

Erradicar a pobreza não é só um imperativo civilizacional é tambem um objectivo fundamental para termos pessoas mais capazes de contribuirem para o bem estar de todos!

De como a gripe A não quis nada comigo, e do desassossego em que isto me deixa

Tenho passado o inverno na expectativa de que me chegue a gripe A. Não me vacinei, não tomei nenhuma medida preventiva especial, a não ser continuar a lavar as mãos quando chego da rua, se bem que isso é mais um resquício de uma fase vagamente obsessivo-compulsiva. Ora, tendo em conta que eu me constipo ou engripo 5 a 6 vezes por inverno, que, na verdade, é mais fácil assinalar os dias em que não estou constipada ou engripada, então seria certo que o insidioso H1N1 me apanharia a jeito.

E cá estou, desde ontem em casa com uma gripe, sim, mas uma gripe normalíssima (até há quem me diga que é só constipação, mas eu recuso essa hipótese), sem febre, sem dores de cabeça insuportáveis, sem prostração, sem nada que dignifique uma gripe. Bem espreito o termómetro a ver se o mostrador digital se altera, e nada. O mercúrio tinha, diga-se de passagem, um efeito muito mais dramático, vê-lo a subir era uma exaltação, uma vertigem na qual um hipocondríaco podia perder-se. Este de plástico, tão inócuo, tão infantil, retira gravidade até a uma febre de 40 graus. [Read more…]