A escola de Durão Barroso

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O companheiro Barroso veio fazer campanha ao seu Liceu, dirigindo-se ao pessoal do “no meu tempo é que avia inducação, a minha carta classe vale mais ca escola toda hoje“, compreende-se, estando na reforma tendem a não votar A(N)P, veio o Barroso my friend assegurar que ali aprendeu com rigor e excelência.

Foi um bocado indigno, não se humilha assim a própria escola.  Aquela que João Pinto e Castro também conheceu, e lembrava assim:

Em meados dos anos 60 (creio que precisamente em 1965), três quartos dos alunos da minha turma do Liceu Camões, secção do Areeiro, faltaram à exibição de ginástica programada para o dia 10 de Junho, Dia da Raça, no Estádio Nacional. 

No último dia de aulas, fomos todos chamados à presença do Reitor e sumariamente expulsos do liceu. Nas condições política da época, isto poderia até certo ponto ser considerado normal, dado que, no quadro da Mocidade Portuguesa, a nossa ausência equivalia a uma espécie de deserção. Mas agora vem a parte mais curiosa: apesar de, por razões de saúde, eu ter sido nesse ano dispensado da ginástica, fui expulso como os outros sem apelo nem agravo. 

Um Liceu à maneira do que tínhamos em Coimbra, para as nossas elites e onde, no meu caso, e pelas palavras do Carlos Fiolhais: [Ler mais ...]

O Aluno, essa “Hostia” sagrada

Francisco da Cunha Ribeiro

Li num jornal sério que uma “professora,  agredida por um aluno, acabou suspensa das suas funções”. Quanto ao agressor, nem uma palavra. Quero crer, porém, que não o aplaudiram pela cobarde agressão; que o não repreenderam por não ter ido mais além na violência da sua agressão;  ou que lhe não subiram de imediato a nota à disciplina de Moral.
Mas a notícia esclarece ainda que “ a professora fez dezanove participações disciplinares relativas à mesma turma, desde o início do ano letivo”. Ora, dezanove participações disciplinares, ao longo do ano, serão de facto muitas participações… A Sra professora que me desculpe, mas não deve  saber o que anda a fazer… A turma em questão “certamente repleta de bons rapazes e boas raparigas ” não merece tanta participação disciplinar… É que  com esta resma de participações sabe-se lá se os meninos e as meninas não ficam traumatizados… Coitados! Mas há mais: ” a Escola pediu avaliação médica da professora…”  Pediu, e, a meu ver, fez  muito bem! A sra professora só pode sofrer da caixa dos pirolitos!  Admite-se lá fazer participações disciplinares a alunos tão disciplinados! Noutros tempos, sim, era normal os professores despacharem os alunos com participações disciplinares, hoje em dia não é necessário, visto o comportamento exemplar dos nossos alunos. Nos dias de hoje, em que os pais educam tão bem os seus filhos, ninguém irá entender que, em vez de uma participação disciplinar, não se dê ao aluno uma decisiva e eficaz lamparina.

O Estado Novo II, o Atlas e um truque com chancela de Cambridge

Santana Castilho *

1. A associação Empresários Pela Inclusão Social (EPIS) encomendou ao Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova (CESNOVA) um Atlas da Educação. Fiz leitura suficiente para encontrar informação importante e útil. Mas há três aspectos (custo dos “chumbos”, denominada “cultura de retenção” e responsabilização do centralismo pelo falhanço de sucessivas políticas reformistas) que são abordados com uma narrativa pouco cuidada, indutora de leituras menos rigorosas e, uma vez mais, responsabilizando implicitamente, por falta de uma clarificação que era exigível, os mesmos de sempre: os professores.

De todo o documento, o que foi “puxado” para título por dois jornais de referência (Público e Jornal de Notícias) foi o alegado valor anual do custo da “cultura de retenção” vigente. A leitura apressada das notícias poderá levar a inferir que professores pouco diligentes preferem chumbar os alunos a maçarem-se demasiado. Mas não é isso que se retira da produção académica das ciências sociais (universo a que pertencem os autores do estudo) e da própria OCDE, que consideram as variáveis de natureza cultural e socioeconómica como influenciadoras decisivas no desempenho dos alunos, contrariamente ao discurso oficial, que desvaloriza o peso dessas variáveis e privilegia indicadores de eficiência e eficácia. Os titereiros do Estado Novo II, em véspera de mais cortes na Educação (já anunciados pelo arauto das novidades, Marques Mendes), devem ter ficado agradados com os “sound bites” que o Atlas proporcionou: 250 milhões anuais de “gorduras”, que podem ser poupados se as relapsas escolas forem reeducadas e libertadas da “cultura de retenção”. [Ler mais ...]

Os alunos do ensino artístico especializado e o seu acesso ao ensino superior

Rui Jorge Galiza Matos Naldinho

CCA Os alunos do estão sujeitos, desde o ano letivo 2012/2013, a um regime de acesso ao ensino superior diverso do vigente até então, introduzido pelo Decreto-Lei nº139/2012 de 5 de julho e suas portarias (243-A/2012 alterada pela 419-A/2012 e pela 59-A/2014).
Tal alteração parece ser mais motivada por razões políticas do que pedagógicas. O que está aqui em causa é que estes alunos, que concorrem ao ensino superior com os alunos de artes visuais do ensino dito regular (cursos científico-humanísticos) são discriminados, tendo-se instalado entre os dois regimes legalmente aceites para conclusão do secundário uma discrepância resultante de regras que os distinguem de forma arbitrária, sem qualquer razão ou fundamento, criando profundas injustiças na hora de concorrer ao ensino superior. [Ler mais ...]

Key for businesses

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Ando estupefacto com tudo isto que diz respeito ao novo teste de “diagnóstico” da Cambridge (Key for Schools). O Estado está a patrocinar a introdução de um exame privado no ensino público através, por exemplo, do pagamento de despesas associadas, assessoria e gastando parte do horário laboral dos professores nisto.
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Os juízes também não correm risco irremediável de desemprego

Podem sempre desenvolver outras actividades. Ir dar o cu, por exemplo.

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Será possível o consenso?

Santana Castilho*

1. Poiares Maduro foi recentemente ouvido na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local. Entre outras coisas, falou de educação como se, digo eu, não existisse ministro dessa pasta. E que disse? Que pretende que, no próximo ano lectivo, dez municípios-piloto sejam responsáveis pela gestão da educação. Não clarificou, ele que invocou a transparência, o que é isso de “gestão da educação” que, assim deixada na nebulosidade, pode ser tudo e nada. Mas foi assertivo quando afirmou que iria descentralizar. Ora descentralizar, verbo transitivo que significa afastar do centro, distribuir pelas localidades ou corporações locais, pode nada resolver e tudo piorar. A gestão da educação nacional não precisa que substituamos o monolitismo do ministério por outros tantos monolitismos, um em cada câmara. Há coisas que devem continuar concentradas (concursos de professores, por exemplo, onde o experimentalismo descentralizador dos últimos anos gerou aberrações inomináveis) e outras que, ao invés de serem desconcentradas por câmaras, devem, outrossim, ser disseminadas pelas escolas e pelos professores (a gestão pedagógica, por exemplo). Ao ministro Maduro (e ao da Educação, se existisse) conviria reler a história da I República (a descentralização/municipalização da educação foi definida pela primeira vez em decreto de 29 de Março de 1911) para perceber que não é de descentralização municipalista mas de autonomia que as escolas e os professores necessitam.

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A irresistível atracção pelos números das pessoas que não gostam de pessoas

Michelangelo Buonarrote_O tormento de S Antão  1489

As pessoas que não gostam de pessoas outrora adoravam o deserto, compraziam-se com  outros animais, eremitavam e alguns tinham a Deus e rezavam-lhe; hoje preferem os números, ajoelham-se no Excel e, gente dada à prestidigitação, divertem-se na acrobacia de uma tabela com mortal encarpado à retaguarda de um gráfico. Tenho por eles uma sedução próxima da que Herberto Helder manifestou pelos poliglotas tradutores de poesia, incapazes do parir de um verso mas infatigáveis no afã de o traduzir.

Se ando saudoso deles é certo e sabido que vou ao ermitério do costume, o Blasfémias, visitar o Vítor Cunha a quem aguarda nas hagiografias uma página próxima de um S. Antão. E que vejo desta vez? um quadro publicado pelo Paulo Guinote com dados sobre alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). E que visão teve e atormenta S. Cunha? a de que misteriosamente estes se reduzem entre o básico e o secundário, o que só pode. diz ele, ter duas explicações:

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Ligações Perigosas na Escola Pública

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Como convencer famílias carenciadas a assinarem contratos de fidelização de 36 meses?
O “esquema” é simples:
- com a conivência de alguns Directores de Escolas Públicas, as famílias dos alunos começam por ser contactadas telefonicamente;
- “doutoras” extremamente simpáticas convidam as famílias a comparecerem na escola, durante o fim de semana e no horário mais conveniente;
- com tamanha disponibilidade e simpatia, debaixo do tecto da Escola Pública, ninguém duvida da idoneidade das empresas envolvidas e muito menos dos objectivos que se propõem atingir;
- com a promessa de soluções milagrosas para o insucesso escolar dos seus filhos e de os preparar convenientemente para o “importantíssimo” Exame de Inglês do Cambridge, utilizando técnicas de marketing irresistíveis, os pais quase assinam de cruz um contrato de fidelização de 36 meses com pagamentos por débito directo!
Sim, leu bem, 36 (trinta e seis) meses!!! [Ler mais ...]

As 500 condenações do MEC e a saga dos contratados

Santana Castilho*

A história é conhecida e o problema é velho. Já em 1982, quando passei pelo Governo e me empenhei em o resolver, separando a profissionalização da formação e integrando nos quadros todos os professores com três contratos anuais completos, encontrei, entre outras, oposição sindical. Rolaram os anos e o anacronismo aumentou com as sucessivas alterações aos concursos para provisão de lugares de quadro. Somaram-se as injustiças e criaram-se castas. Há professores contratados com mais de duas dezenas de contratos, que satisfizeram sempre, passe a redundância, necessidades permanentes de ensino, referidos como assalariados de necessidades temporárias. Podem ter mais tempo de serviço que os colegas do quadro, as mesmas ou habilitações superiores até, deveres e responsabilidades idênticas. Mas têm menor salário e mais horas de componente lectiva. Porque não pertencem aos quadros, não têm qualquer horizonte de progressão profissional. Porque são escravos novos, não podem aspirar a vida familiar estável e são classificados anualmente sem hipótese de acederem à notação máxima. [Ler mais ...]

Cursos vocacionais: e agora?

muito se escreveu sobre os cursos vocacionais e o que há para escrever servirá apenas para tornar ainda mais negras as cores deste fundamentalismo ideológico de Nuno Crato. O modelo escolar alemão claramente dividido em duas vias está mais do que experimentado e muito longe de produzir os resultados esperados, isto dando de barato que é possível importar modelos organizacionais tal como se importa um opel ou uma salsicha.

Os cursos vocacionais estão a ser espaços para as coisas mais absurdas, nomeadamente, agressões bárbaras a colegas de escola, a professores e a funcionários. A coisa está em tal estado que já há diretores a pedir a colegas que aguentem as coisas até ao fim do ano porque não há nada mais a fazer.

Aprendizagens zero, com taxas de insucesso muito perto dos 100%.

Só que agora, temos um problema. Alguns cursos do 2º ciclo chegam agora ao fim do equivalente ao 6º ano e a estes alunos só resta uma de duas coisas:

- passam nos exames nacionais e podem transitar de via, entrando no ensino regular (7º ano);

- não passando, ficam retidos no 2ºciclo ou então a escola é obrigada a criar um vocacional de 3º ciclo (equivalência a 7º, 8º e 9º) para continuar a desgraça.

A primeira hipótese é tão provável como o Porto ser prejudicado por um árbitro – é uma hipótese possível, mas apenas académica.

No segundo caso, fazer avançar a cangada para o terceiro ciclo resulta apenas numa forma de continuar a fazer de conta. Manter o grupo no 2ºciclo é apenas repetir o erro.

E, enquanto isso, professores, funcionários e direções desesperam com um retrocesso aos anos 80, ao tempo em que a minha geração abandonou a escola algures entre o 7º e o 8º…

Repare caro leitor que estes vocacionais são claramente promotores (indutores!) de abandono escolar, num país que tem uma escolaridade de 12 anos. Dirão os menos atentos que quem não quer estar na escola, deve sair.

Pois, mas saindo, vão para algum lado, não?

Para as prisões? Ou para as Juventudes Partidárias?

Palpita-me que estamos perante a quadratura do círculo.

Ensino público

Os coelhos que Crato tira da cartola são passos eleitorais

Santana Castilho*

Com um sorriso pérfido, tão impróprio quanto significativo, Passos Coelho referiu-se assim ao sofrimento que já causou e continuará a causar aos portugueses: “… Quando se começa a levar pancada, as primeiras, que podem ser as mais fortes, não são, necessariamente, as que doem mais …”.

Há circunstâncias em que a leitura das imagens pode ser dúbia. Não é o caso. O primeiro-ministro fez chacota com o anúncio de mais sacrifícios e a justeza do que afirmo poderá ser confirmada por quem me ler. Basta visionar a gravação deste momento abjecto do Congresso do PSD. Surpreende que a falta de recato verbal e decoro expressivo, por parte de quem impôs o empobrecimento forçado de milhões de portugueses, não tenha provocado incómodo nos congressistas? Nada disso! A parada do Coliseu foi agradecer prebendas e aquecer motores para as campanhas eleitorais que se seguem. [Ler mais ...]

Este país é tão óbvio que até chateia

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O P3 tem uma quota para idiotas, é natural e democrático. Um chama-se Nuno Abrantes Ferreira, gosta de gelatina de morango e brindou-nos agora com um cagalhoto intitulado “O sonho não comanda coisíssima nenhuma“, na senda de outros títulos brilhantes como “Já não há pachorra para os Calimeros” ou “Francisco quer evangelizar-nos com a iFaith“.

Por curiosidade antropológica fui ver quem cuspia, já que o escarro nem análise química merece, é mero esterco e qualquer proximidade pode espalhar contágios.

É autor de uma obra intitulada “Faz o Curso na Maior” – onde se explica como tirar um curso superior nas calmas, a faltar às aulas ou a copiar -, e “professor universitário”. Na Lusófona, é claro.

Quando a aparência apaga a essência

Santana Castilho *

Há coisas que não se podem ignorar nem esquecer, sob risco de derrogarmos a nossa própria condição humana. Ninguém se pode arrogar o direito de possuir a verdade toda. Mas todos temos o dever de afirmar e promover o humano. Na escola básica, na secundária e, obviamente, na universidade.
A um defensor (jovem) das praxes académicas ouvi dizer que preparam para a vida, que habituam ao relacionamento com os chefes e com as regras que pautam as sociedades. A afirmação do jovem arrepiou-me por ser resposta à descrição de rituais perversos, de domesticação do ser humano, que evidenciam práticas humilhantes e agressivas, apenas justificadas pelo poder arbitrário. A declaração deste universitário mostra que o percurso escolar por que passou foi insuficiente para o fazer distinguir regras úteis de procura da verdade, da fraternidade e da justiça, de regras sem sentido nem submissão à ética e à moral, conducentes ao simples assédio dos colegas mais novos, visando, confessadamente, prepará-los para obedecer aos chefes, de modo acéfalo, e para cumprir regras, não importa que regras. A declaração deste jovem mostra que o estudo da história não logrou esclarecê-lo sobre o que foi (é) o fascismo. [Ler mais ...]

Masturbações escolares

Duas anedotas a propósito desta notícia.

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Na primeira o título Masturbação em salas de aula gera queixa no Ministério Público aparece no meu feed do Facebook, tento ler e a rede wifi do Ministério da Educação bloqueia ao detectar conteúdo impróprio. Suponho que o filtro impede o acesso a “salas de aula”, ou será a Ministério Público?

A segunda chega-me pelo sempre atento blasfemo Vítor Cunha, moço que leu escola secundária e tratou de invocar “as estatísticas do ensino obrigatório com duração de 12 anos“, como quem soletra um mantra num templo hindu. Azar, o problema tem origem em 3 turmas do 9º ano do ensino vocacional, essa genial criação do liberal Crato imitando os disparates germânicos.

Ainda podia contar uma terceira anedota sobre as famosas píveas na aula de Geografia, idos de 70, acto heróico que consagrou uma figura hoje muito pública e que continua muito de direita, mas não conto, quem se recorda deve ter-se rido na mesma com os comentários tipo “experiência individualizada de cada background sócio-cultural” ou “isto precisa é de um Salazar” que fui lendo por aí, e como não sou bufo,  chega-me.

A propósito das praxes académicas

Luís Manuel Cunha

enjoy-praxeDe momento, é o que está a dar. Bater nas praxes académicas exigindo a sua extinção tornou-se o objectivo principal do lixo jornalístico chamado Correio da Manhã, da esquerdalhada convertida ex-MRPP (Maria José Morgado, por exemplo), dos resquícios intelectualóides de outros ex-esquerdistas agora refundados no PSD (Pacheco Pereira) ou do snobismo queque da inutilidade autoconvencida do eixo Lisboa-Cascais (Paulo Teixeira Pinto, Constança Cunha e Sá), sem esquecer o moralismo “fracturante” da “esquerda caviar” em que se transformou o BE. Para citar apenas alguns destes “actores” de opereta convertidos em corifeus da “sua” moralidade e dos “seus” bons costumes. Sem deixar de referir os audiovisuais nomeadamente a TVI, que deveria preocupar-se mais em resguardar os telespectadores (se bem que estes, se calhar, até sejam os mais culpados) da exposição pública dessa verdadeira “sala de ordenha” que é a Casa dos Segredos – Desafio Final, um exercício de voyeurismo de um bordel em plena laboração 24 horas sobre 24 horas, um verdadeiro lupanar com “meninas” a “quecar” (releve-se a originalidade do neologismo utilizado por uma dessas “meninas” intervenientes activas na queca visualizada) perante um país inteiro que só não assiste se não quiser! [Ler mais ...]

Finalmente, a praxe

Sendo que sou estudante e estou inserida no sistema de ensino superior português penso que tenho alguma legitimidade para falar sobre este assunto.

Devo confessar que – devido à  natureza e à história da minha universidade – até há relativamente pouco tempo eu achava que as praxes nas universidades públicas eram brincadeiras em que a malta era pintada e faziam flexões e todos bebiam cerveja por 50 cêntimos. Sabia que Coimbra era uma excepção mas sinceramente não fazia ideia que na maioria das universidades a praxe era tão divulgada e tão universal. Entretanto, comecei a ler umas coisas e a falar com pessoas e a desenhar algumas conclusões. Escusado será dizer que a minha faculdade não precisa de retirar legitimidade da “tradição académica”. Isto tudo para explicar que a partir do momento em que entrei para a faculdade nunca me foi incutido que a tradição académica era importante para avaliar o valor de uma universidade, seja ela qual fosse.

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Para variar: a praxe…

Quando fui caloiro esbarrei com a semana do dito e respectiva praxe. Ao segundo dia avisei que não regressava. Foi coisa a que não achei nenhuma piada e cuja fronteira entre o passar-me da cabeça e ter de dar um sopapo a alguém era tão ténue que preferi desamparar a loja.

Obviamente, nunca praxei ninguém. É por isso que não assino esta petição, não quero praxar a Câncio e muito menos tirar-lhe o pio. Seria elevar a f a Nossa Senhora das Redes…

A praxe em Coimbra é bué de voluntária

Eis um exemplo de completa ausência de pressão sobre os novos estudantes, que como diz o presidente da DG têm um primeiro contacto com a AAC e só depois com estes colegas mais velhos que carinhosamente lhes concedem o livre arbítrio de serem ou não humilhados, perdão, praxados.

No ano seguinte estarão a fazer o mesmo aos novos alunos, e etc. etc. etc.

Ainda há reitor? onde pára a polícia? o bullying não chega às universidades?

Novas Oportunidades?

Nada disso. É a “relvização” das licenciaturas.

Praxas-me?

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Obrigado.

Nota: aparentemente, a foto é oriunda do site “Rebel Bingo” não tendo, por isso, nada a ver com praxes académicas. A verosimilhança é alguma, não obstante.

“Eu Amo a Praxe”


Sorte a tua!

Dura Praxis, Sed Estupidus

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Em 1974 o  fim da censura fez de Escuta Zé Ninguém de Wilhelm Reich um sucesso de vendas, que arrastou a publicação de mais obras do autor, um discípulo chanfrado de Freud com um bocadinho de Marx mal lido à mistura.

Numa delas, O Combate Sexual da Juventude se bem me recordo, explicava o sucesso da Juventude Hitleriana junto dos adolescentes arianos por uma razoável liberdade sexual que reinaria nos acampamentos mistos, tipo campismo com quecas. Desconheço a veracidade de tal, mas recordo-me de na altura ter meditado no ascetismo que vigorava em grande parte da esquerda não sendo bem assim na direita, e cheirou-me a esturro. Assim foi, o assunto queimou-se.

A “restauração da praxe” nessa mesma década em Coimbra não foi fruto dessa leitura, mas vista hoje à distância até parece. [Ler mais ...]

Ser bolseiro não deveria ser profissão, mas condição.

mf Vale a pena ler Henrique Monteiro sobre a questão das bolsas. Cabe ao governo gerir correctamente os dinheiros públicos. Em matéria de bolsas de investigação importa defender os interesses do país, jamais o dos bolseiros. Ser bolseiro não deveria ser profissão, mas condição. Conheço bem Portugal, infelizmente sei o que a casa gasta…

Os cortes nos bolseiros

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Afinal o Relvas merece a licenciatura

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Andou um país enganado a mandar estudar o Relvas. Que não podia ser, era muita equivalência, muita rapidez.

Grande injustiça. O homem tinha obtido uma licenciatura da Lusófona. Ora na Lusófona estudam analfabetos ao nível de escreverem SENSIONALISTA ou “bom educação”, é lerem este naco de jumentice e comentários, ou a vergonha comentadeira que brota dos indignados defensores da praxe lusofónica.

Um mestrado, da Lusófona, para o Relvas, é por comparação a mínima reparação possível. Faça-se justiça. Como escreveu por aí um douto universitário:  focam demasiado no erro das pessoas, em vez de tentar perceber a lógica. É isso.

Carta ao presidente da Fundação para a Ciência e a Tecnologia

João Teixeira Lopes

Ex.mo Senhor Presidente da FCT

As anomalias várias registadas no último concurso de atribuição de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento configuram um atentado grave à transparência e mesmo ao princípio de reconhecimento do mérito em igualdade de circunstâncias.
Para além dos resultados desmentirem o que foi oficialmente transmitido aos avaliadores de ciências sociais, letras e humanidades, pela anterior responsável do departamento de avaliação da FCT, em reunião plenária no Hotel Altis (nomeadamente a de que a linha de aprovação seria, em todas as áreas, correspondente a 10% do total de candidaturas apresentadas), constatou-se uma disparidade por domínios que penaliza claramente as ciências sociais, incluindo a sociologia, em cujo painel de avaliação estava inserido.
Mais grave ainda, vários resultados foram alterados pela FCT (conforme se poderá verificar pelo contraponto entre a ata assinada por todos os membros do painel e os resultados oficiais), prejudicando gravemente inúmeros candidatos.
Entendo que a política científica tenha referenciais e orientações que se alteram com o quadro do poder. Mas não posso ser cúmplice de processos de atropelo à transparência, ainda que legitimados por um qualquer fanatismo ideológico que perpassa o discurso da FCT.

Assim, enquanto a atual direção da FCT se mantiver em funções, recuso-me a desempenhar o papel de avaliador, por aquela não me merecer as condições mínimas de confiança.

Com os melhores cumprimentos
João Teixeira Lopes
Professor Catedrático da FLUP

As pegadas que a Troika deixa

Santana Castilho *

Um requerimento potestativo (figura regulamentar que permitiu a audição independentemente de contestação por parte da bancada que apoia o Governo) levou Nuno Crato ao Parlamento. O ministro sustentou que a evolução positiva dos resultados obtidos pelos estudantes portugueses em sede do PISA não pode ser atribuída a um programa homologado em 2007, cuja generalização só se consumou em 2010. Crato referia-se ao programa de Matemática, lançado em tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. Mas a questão em análise não era essa e o ministro da Educação não a podia ignorar. A questão era, e é, Crato explicar por que mudou esse programa num contexto tão positivo de resultados, sem que exista a mínima avaliação sobre aquilo que muda. A questão era, e é, ter operado muitas outras mudanças, que a maioria das associações profissionais de professores apoda de retrocessos inaceitáveis. [Ler mais ...]

Nem tudo o que parece é

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Para Carlos Guimarães Pinto não faz sentido uma escolaridade obrigatória de 12 anos porque, entre outras coisas, “Portugal é o país da Europa, juntamente com a Holanda, que impõe mais anos de educação obrigatória.

É verdade. Sucede que Portugal é igualmente o terceiro país com mais abandono escolar na Europa (e estou a contar com a Turquia). E isso tem causas: foi, juntamente com a Grécia, o último país da mesma Europa a abandonar uma taxa de analfabetismo que explica esse mesmo abandono escolar, os problemas educativos são sempre geracionais. Como muito bem explica a Maria João Marques “atualmente é muito lesivo das perspetivas profissionais de um jovem com aproveitamento escolar que seja obrigado pelos pais (mesmo que por necessidades financeiras da família) a abandonar a escola, pelo que os pais não devem poder tomar essa decisão“. [Ler mais ...]