A falta de senso dos defensores do consenso

Santana Castilho*

Diariamente, grandes e pequenas coisas, afinal aquilo de que é feita a vida, desfilam em alardes de falta de senso, mesmo quando os seus intérpretes, por inerência dos cargos que ocupam, dele nunca devessem prescindir. O país não está só em recessão e depressão. Parece gerido a partir de uma nave de loucos.

1. Em nome do consenso, Cavaco Silva criticou Paulo Portas por falar e expor, em público, a fragilidade da coligação moribunda. Mas não se coibiu, ele próprio, de defender, em público, o que Portas disse. Que a senhora de Fátima (segundo ele provável responsável pela conclusão da sétima avaliação) lhe ilumine o senso comum, já que os “cidadões” (novo presidencial plural) recusam consensos sabujos.

2. Não é de senso comum ou sequer mínimo que se trata quando se ouve, como ouvimos, o primeiro-ministro afirmar, naquele jeito característico de estadista de Massamá, que os cortes apresentados ao eurogrupo não se aplicam à generalidade dos cidadãos mas, tão-só, aos reformados e funcionários públicos. A questão é de siso. Não o tem, de todo, quem teima em dividir os portugueses em subespécies: os espoliáveis, sem direito a pio, e a “generalidade”, salva e agradecida. [Ler mais ...]

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Já valeu a pena marcar a GREVE

Do silêncio dos gabinetes e da ditadura das propostas para o Espaço Público, está conquistada a primeira vitória que prangelresulta da marcação da GREVE pela Plataforma Sindical de Professores.

As sucessivas intervenções dos paineleiros do governo mostram que a marcação foi acertada e que mexeu claramente onde tem que mexer – no poder. Esse mesmo que no último ano despediu mais de dez mil docentes e que este ano tenta avançar pelo mesmo caminho.

Percebo, por isso, o que leva Paulo Rangel a escrever hoje no Público que se trata de

“um protesto paradoxal, porque afasta os docentes daqueles que poderiam ser os seus mais valiosos aliados, os alunos e as suas famílias.”

Creio que Paulo Rangel estaria a pensar nos Governantes do MEC que aumentaram os alunos por turma, prejudicando, com isso, os que mais precisam de apoio. Estaria, não tenho dúvidas, também a pensar no Governo que reduziu o currículo, que tirou disciplinas apenas porque era preciso juntar uns cobres para pagar a Gestoras do BANIF. [Ler mais ...]

Se uma greve incomoda muita gente, a mentira incomoda-me muito mais

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O horror, o drama, a alta traição: ai valha-me deus que os professores querem fazer uma greve às avaliações e aos exames, minha nossa senhora que prejudicam os alunos.

Começou a narrativaMaria de Lurdes Rodrigues, vendo a herança da sua obra ameaçada, deu o mote, Crato desenvolveu, o estudante Seufert e outros acólitos ajudam, a mentira a ser bombardeada.

Prejudica os alunos, o tanas. Uma greve a avaliações atrasa a saída das pautas, e quanto muito as matrículas. Uma greve a um dia de exames apenas levará ao seu adiamento (e a mais uns dias para estudar).

A sua única consequência é a de adiar uma partida para férias. Em tempos isso prejudicava a hotelaria, bons tempos, comparando com o não pagamento do subsídio de férias em Junho nem se nota. É capaz de prejudicar a indústria turística nalguns destinos exóticos, embora duvide que quem ainda tem posses para tal tenha as crianças numa escola pública, nada de misturas com quem cheira a pobre.

Mas sem dúvida que uma greve mais a sério, por ser quase inédita e levar com uma requisição civil em cima,  causa sobressaltos a quem precisa de os ter. A velha greve a um dia de aulas sabia-lhes tão bem, sempre corta nas despesas do ministério, que algum alvoroço até lhes mete medo.

Ganhos de produtividade

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Parece que para os patrões do ensino um professor pode ter 30 a 33 aulas por semana.  Nunca experimentei mais de 25, mas durante um ano lectivo trabalhei com uma colega que além de 24 na escola ainda vendia 6 num colégio e acabou o ano com mais umas turmas em substituição.

- Como é que aguentas? – perguntávamos.

- Aguenta-se bem, só tenho o 7º e o 8º.

Uma vez os alunos de uma turma comum pediram-me para dar mais apontamentos, mas avisando que também não era para exagerar.

- Exagerar como?

- Não faça como a professora de Geografia que abre o livro e começa a ditar.

- Ditar o livro? – estranhei.

- É assim que dá as aulas, temos o livro todo copiado.

Estava explicada a capacidade de resistência da minha colega. É esta a qualidade de ensino que se quer contratar em Portugal.

 

É a Educação, estúpidos!

gritoDe acordo com o Público, e relativamente à greve à avaliações e aos exames, Mário Nogueira “indicou […] que a condição para os professores não irem para a greve é a de terem a garantia de que não haverá docentes na mobilidade especial, um regime onde já foi anunciado que serão colocados todos aqueles que ficarem sem turmas para ensinar.” O site da FENPROF, no entanto, vai além disso, o que me deixou um pouco mais tranquilo, embora ainda não completamente descansado.

Os problemas da Educação em Portugal vão muito além da ameaça da mobilidade especial. Uma greve de professores, especialmente num momento crítico, não pode, portanto, limitar-se a um problema no meio de muitos que afectam a educação dos jovens portugueses. Mais: os estudantes que serão prejudicados por esta greve merecem o máximo respeito, pelo que uma acção destas terá de ser feita pelas melhores razões e temos obrigação de explicar a esses mesmos estudantes que esta luta é encetada, também, a pensar neles e em todos os outros que estão e estarão no sistema de ensino. [Ler mais ...]

Educação às Fatias

Acontece em Tadim e noutros lados também. Uma “bela merda“!

Vamos MESMO fazer greve às avaliações e aos exames

E, malta da TROIKA & friends, não se preocupem com as nossas dificuldades. A questão coloca-se de forma muito simples:greve o que tem a perder um Professor que dia 1 de setembro tem o despedimento como certo?

Isso mesmo – NADA!

Parece-me que, nunca como hoje, faz sentido este movimento que volta a UNIR TODOS OS PROFESSORES.

Na prática será assim: as avaliações não se realizam e por isso não há notas que permitam os alunos irem a exame e depois, no dia 17 de junho, voltamos à GREVE – é o dia do exame de língua portuguesa!

Crato, Cavaco, Portas, Gaspar e Passos: Se é guerra que querem, vamos a isso!

Professores a mais?

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Fernando Negrão, o cábula

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Nem de propósito, os meus alunos do 9º ano vão estudar a Constituição de 1976 para a semana. A de 1933 foi antes, tal como a de 1911 e a Carta Constitucional no 8º ano.

Os alunos estudam estas coisas porque existe uma disciplina chamada História que serve para esse e outros efeitos, enquadra os textos constitucionais nas circunstâncias que os fizeram aprovar e identifica os regimes políticos que delas nasceram e suas características.

Hoje temos dois disparates. Um dos Verdes, na senda da mania de ensinar “cidadania” ou “sexualidade” transversalmente, diz-se assim, ou seja, fora dos currículos escolares. Típico de quem imagina que as defuntas horas de Formação Cívica serviam para outra coisa que não o DT tratar de assuntos com os seus alunos. Gente que vive noutro mundo, que não o escolar e propõe que se ensine o que já se ensina (e no caso da actual constituição só não terá tempo para desenvolver que seja obcecado pela História Militar).

O outro é de Fernando Negrão em particular e do CDS e PSD em geral. Como não podem alterar a constituição, dois terços de votos é muito reformado e funcionário público, pensam que a podem proibir nas escolas, o que seria manifestamente inconstitucional. Golpe de estado em versão golpada nas escolas. Proponham o reforço do estudo da 1933 com a defesa das suas virtudes. Vá lá, tenham coragem. Assumam-se.

PS – Do 2º ciclo pouco sei, mas quem sabe explica.

Despedir Professores – o alfa e o ómega da política educativa

Hélder Rosalino assumiu ontem que é intenção do governo despedir funcionários públicos. Creio que no fim da reuniãosorriso1 com os representantes das estruturas sindicais da Função Pública.

À noite, o Governo vem dizer algo diferente:

este secretário de Estado nunca admitiu esta hipótese nem de forma explícita nem de forma implícita

Complicado? Nem por isso – um disse a verdade, mas que sendo inconveniente…

Eis a citação das palavras do Governante que abriu demasiado a boca:

“eu não assumiria isso (despedimento) como uma crítica, mas como uma realidade objectiva”

Ora, em 600 mil funcionários públicos, cerca de 1/6 são docentes, logo, um em cada seis funcionários públicos que vier a ser despedido poderá ser um professor. [Ler mais ...]

Mente, Coelho, mente

coelhoRepetir mentiras até convencer a opinião pública de que são verdades é uma técnica há muito enraizada nos perigosos inúteis que nos governam.

Com o objectivo de despedir muitos e tornar precários outros tantos, o governo tem explorado a ideia de que é necessário dispensar professores, porque há menos alunos. Aí está o Coelho a falar sobre a escola pública sobredimensionada, que há professores a mais para as crianças que temos.

É claro que a opinião pública anestesiada cai na esparrela e este é um tema recorrente, fácil de explorar num país com políticos que não informam e com cidadãos que não querem ser informados.

Um leitor menos crédulo, ainda assim, poderá perguntar: “Mas não é verdade que houve uma quebra da natalidade?” Claro que houve e a tendência será para continuar, graças, também, às políticas de empobrecimento em vigor. A questão é que não há nenhuma relação entre essa quebra e a necessidade de prescindir abruptamente de milhares de professores, por uma razão muito simples: a eventual diminuição do número de alunos, nos últimos dois anos, por exemplo, não justifica o despedimento maciço de professores no mesmo período. [Ler mais ...]

O relambório da OCDE e a educação

Assim a correr, dar importância aos estudos encomendados por este governo é dar-lhe a seriedade que não tem. O Relatório da OCDE refere a educação nestes termos:

Investment in school-based teacher training and school leadership, a consolidation programme to create larger school units, and the introduction of school evaluation routines yielded significant gains in the 2009 PISA test scores for reading, mathematics and science.

Liderança nas escolas traduz-se pela destruição de um modelo de gestão que funcionava, somam-se os mega-agrupamentos, as avaliações das escolas, e temos os resultados do PISA 2009. Ainda podia explicar ao idiota que escreveu isto como em educação os ganhos, e as perdas, nunca são imediatas, mas nem é preciso: todas essas medidas começaram a ser aplicadas em larga escala precisamente em 2009. Donde se conclui que os resultados dos alunos no PISA são uma consequência retroactiva, uma inovação científica que vale um Nobel de qualquer coisa.

Como não chegasse, o resto das referências incluem o choradinho do custo de reprovar um aluno, discurso muito caro a Maria de Lurdes Rodrigues e detestado por Nuno Crato. Devem pensar que ela ainda é ministra da Educação. Só pode.

Os exames do Primeiro Ciclo

primáriaReitero o meu agnosticismo face às eventuais virtudes pedagógicas dos exames de quarto ano, em particular, e dos exames, em geral. Por outro lado, não consigo compreender que os eventuais traumas provocados nas crianças (a carecer de demonstração científica) ou que as semelhanças com outros tempos sejam argumentos suficientes para se excluir a realização dos ditos exames. Não nego, no entanto, que o assunto mereça um debate, ainda que menos apaixonado e o mais informado possível, tendo sempre em conta os interesses dos alunos. Parece-me, a propósito, muito equilibrada a reflexão do Mário Carneiro.

Dito isto, a verdade é que, mais uma vez, o Ministério da Educação e da Ciência (MEC), impondo medidas sem pensar nas consequências, confirmou ser o maior problema da Educação em Portugal, o responsável pelo acumular de caos na vida das escolas e das famílias.

Em primeiro lugar, ao obrigar muitos alunos a deslocarem-se à escola-sede do mega-agrupamento (o trambolho logístico), criou problemas acrescidos a pais e directores. Os primeiros, em muitos casos, viram-se obrigados a fazer malabarismos para levar os filhos ou a abandoná-los no local do exame, com horas de antecedência; algumas escolas, por decisão das direcções, perante a irresponsabilidade do MEC, tiveram de pagar transportes a quem não tinha possibilidade de levar os filhos ao exame. É claro que, com a leviandade do costume, Nuno Crato desvalorizou as críticas[Ler mais ...]

UNIDADE! Reunião dos sindicatos de professores (2)

Só pode ser este o caminho.

O que aí vem é muito claro – Passos Coelho, Vitor Gaspar e Paulo Portas querem despedir Professores.

O que está em cima da mesa é demasiado complicado para que os detalhes não possam ser esquecidos ou, pelo menos, encostados a um canto, valorizando o que nos une – a defesa do emprego e da Escola Pública.

No dia 9, no Porto, aconteceu a primeira reunião com as presenças da FENPROF, da FNE, ASPL, SEPLEU, SINAPE, SIPE e SPLIU. Agora, em Lisboa, dia 16 terá lugar um novo encontro.

Exige-se um entendimento! Nada menos que isso!

Não sei se para uma manifestação, grande ou pequena, se em Lisboa ou no país todo. De noite ou de dia.

Talvez uma greve de um dia ou de muitos, aos exames ou às avaliações.

Estou por tudo e ao mesmo tempo por nada!

Agora, não se atrevam a deixar a reunião, sem um entendimento!

E, afinal, quantos reunidos é que os ministros tiveram?

tiveram reunidos

A estas perguntas pertinentes e importantes, os senhores jornalistas não respondem. Nunca respondem.
O que serão reunidos? Alguma coisa de comer? Tratando-se de ministros, e se os reunidos fossem enviados por mim, seriam assim algo parecido com bombons injectados com veneno, ou uma praga de animaizinhos tipo sanguessuga. Sanguessuga não, que isso já eles são. Mas qualquer outro tipo de praga.
Podem ser prémios exclusivos para ministros, tipo os Óscares dos mais mal vestidos, mas para personagens do governo (desculpem, algo me impede de lhes chamar personalidades) altamente desqualificadas como profissionais e seres humanos.
Sendo os reunidos algo tão importante que até aparece nas notícias, por que motivo não tiveram câmaras a filmar essa cerimónia de atribuição de reunidos? É muita incompetência, os senhores ministros num momento tão importante e não estiveram cobertura mediática.
Quando li este rodapé, pensei que ia ver algo de interessante, mas afinal, estive uma grande decepção. A SIC não esteve imagens para transmitir. Daí eu presumir que nenhuma equipa de reportagem teve no local. Tá mal.

Se agora já se escreve assim, imagino o que irá acontecer dentro de uns anos, quando se começarem a sentir os efeitos dos sucessivos cortes na educação.
Mas não tem mal, nessa altura faz-se um novo acordo ortográfico que contemple estes e outros erros.

O exame de matemática da 4ª classe

Está feito o segundo exame do 4º ano – depois de terem realizado o de Português hoje foi a vez dos pequenitos se sentarem perante o exame de matemática.

E, tal como a Associação de Professores de Matemática, também eu considero que os exames são um mal desnecessário – são um instrumento de regulação que não acrescenta qualidade, antes pelo contrário.

Algures ali pelo Freixo, além da ponte e da Marina, desaguam dois cursos de água – o Torto e o Tinto. Há quem lhes chame rios e um até dá nome à terra dos melhores habitantes desta casa, o Aventar.

Não é preciso fazer o cruzeiro das três pontes para perceber que ao Douro chega, também, mais do que a água vinda lá dos Picos da Serra de Urbião, nomeadamente, os esgotos do Porto e de Gaia e muitas outras realidades, deslocadas do conteúdo deste post que começou por ser de matemática.

Não me parece honesto exigir que algures na Afurada se possa exigir um Douro fantástico e limpinho (sim, limpinho, limpinho, limpinho).

Pois, Crato imagina o exame da 4ª classe como um processo que na foz do curso vem resolver todos os problemas. Infelizmente, como não sabe mais, não percebe que está completamente enganado. [Ler mais ...]

Aumento do horário de trabalho dos professores

E quem se lixa são os putos

Desculpem lá o simplismo da afirmação, mas isto não está para falinhas mansas.

Ao que parece os idiotas de serviço resolveram trocar uma hora diária de AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) por mais uma hora de apoio ao Estudo.

Na prática e sem qualquer tipo de eufemismo o que o MEC quer é simples: despede os professores precários que hoje estão nas AEC e no seu lugar coloca os dos quadros. Como?

A cada um dos professores do 1ºciclo (antiga primária) acrescenta uma hora de trabalho por dia (isto é 5/semana, ou seja, aumenta o horário de trabalho de 35h para 40h) e arranja as horas necessárias para o Apoio ao Estudo.

A outra hora ficará a cargo dos professores dos quadros que ficando com horário zero saltam para esta amostra de serviço.

E assim se poupam uns milhões, dizem que 75.

Perguntará a esta hora, algum leitor mais atento, mas então qual é o problema: [Ler mais ...]

UNIDADE! Reunião dos sindicatos de professores

Hoje de tarde, no Porto, acontece algo que pode ser crucial para o desenvolvimento da luta dos professores, tão bem problematizada no texto Professores contra a educação.

Participei no Congresso da FENPROF onde se discutiu e muito o que fazer com a luta, cuja urgência, nas escolas, ninguém questiona. Falou-se de manifestações, de greves de um dia e de muitos, aos exames e às avaliações.

De forma séria, o Congresso decidiu não ficar com o exclusivo do protesto e dar indicação à FENPROF para procurar reunir todos os sindicatos de professores, algo que a classe exige. Saiu, também por isso, apenas a sugestão de uma manifestação de professores em Junho, mas e fundamentalmente ficou esta ideia – vamos, professores da FENPROF juntar a nossa força à força de todos os outros.

A reunião acontece hoje. Está a acontecer num hotel do Porto.

O que espero?

Gostava de esperar muito, mas não me parece que a FENPROF vá encontrar grandes companheiros para a rua…

Agora, uma coisa ficará clara – quer quer que tudo avance sem contestação e quem está disposto a tudo.

Eu estou no segundo grupo e não terei qualquer tipo de problema em apontar o dedo aos primeiros.

Marques Mendes errou grosseiramente na SIC

Santana Castilho *

Marques Mendes referiu-se à situação dos professores portugueses, no sábado passado, durante o programa de análise política que mantém na SIC. Fê-lo com ligeireza. Evidenciou desconhecimento. Adulterou a verdade. Os erros em que incorreu serviriam para validar a tese oficial de que temos professores a mais e legitimariam os despedimentos futuros, se não fossem corrigidos. Marques Mendes apresentou três gráficos. O primeiro mostrava a evolução do número total de alunos, de 1980 a 2010. O segundo fazia o mesmo exercício, circunscrito aos alunos do 1º ciclo do ensino básico, para concluir que, entre 1980 e 2010, perdemos 51% desses alunos. E o terceiro gráfico dizia-nos que, no mesmo período, isto é, de 1980 a 2010, o número de professores tinha crescido 53%. Para que dúvidas não restassem, Marques Mendes colocou, lado a lado no écran, o 2º e o 3º gráficos e foi claro nas explicações acessórias: o crescimento dos professores fez-se em contraciclo; os governos anteriores falharam, fazendo crescer os professores à taxa de 53%, enquanto os alunos diminuíam à taxa de 51%. Só que, quando comparamos o incomparável, corremos o risco de passar de pavão a espanador.
Marques Mendes, ao dizer na SIC, como disse, que os professores cresceram 53%, passando de 95.400 em 1980, para 146.200 em 2010, usou o número de professores respeitantes a todo o sistema escolar não superior (1º. 2º e 3º ciclos do ensino básico, mais o ensino secundário). Como é evidente para qualquer, Marques Mendes só poderia relacionar o decréscimo dos alunos do 1º ciclo com a evolução do número de professores do 1º ciclo. E o que aconteceu a esse universo de professores? Cresceu 53% como disse o descuidado comentador? Coisíssima nenhuma! Em 1980 tínhamos 39.926. Em 2010 eram 31.293. Não cresceram na disparatada percentagem com que Marques Mendes enganou o auditório da SIC. Outrossim, registou-se uma diminuição de 8.633 professores. [Ler mais ...]

Ainda o exame da 4.ªclasse

Relativamente ao exame da 4.ª classe (ontem foi o de português e na próxima 6ª feira terá lugar o de matemática) poderemos ver as coisas de diferentes prismas:

- por um lado, a dimensão organizativa que a equipa de Crato levou a cabo;

- a existência de um exame no 4.º como instrumento de avaliação.

No que diz respeito à primeira dimensão  - a segunda parte fica para um post posterior – importa denunciar de forma clara mais uma desigualdade: houve crianças nas escolas públicas que tiveram de fazer uma viagem de vários quilómetros desde a sua aldeia até à escola sede do Agrupamento, normalmente colocada na vila ou na cidade mais próxima. Há casos públicos de viagens superiores a 40 quilómetros e não são quilómetros feitos na A1.

Houve também milhares e milhares de alunos que ficaram sem aulas para que as suas salas fossem usadas nos exames.

Pergunto: não teria sido tudo mais fácil e mais barato se o exame tivesse feito, como sempre, nas respectivas escolas? [Ler mais ...]

Professores contra a Educação

escoladestrOs professores são uma das classes profissionais mais invejadas, porque se mantém o mito de que o horário de trabalho desses inúteis se limita ao número de horas de aulas. Num país em que estamos mais preocupados em que os outros estejam tão mal como nós, a ilusão de que os professores não trabalham e de que, portanto, são uns parasitas, tem rendido proventos a quem destrói a Escola, argumentando que está a combater uma corporação poderosíssima e a beneficiar os alunos.

Entretanto, os professores, de uma maneira geral, aceitam tudo o que lhes é imposto, por medo, por comodismo, por falta de consciência de classe e por ausência de consciência cívica. [Ler mais ...]

Greve aos exames: uma oportunidade perdida

A complacência dos portugueses, em geral, e dos professores, em particular, resultou num cenário catastrófico, com tendência para piorar. A Educação, a trave-mestra da sociedade, está a ser destruída, o que continuará a arrastar a sociedade. Aquilo que andamos a fazer, neste momento, em todas as áreas, não é procurar não cair, é só cair. E de muito alto.

Continua a espalhar-se a ideia de que os professores só vivem preocupados com a sua vidinha, crítica que começa a fazer cada vez mais sentido. Na realidade, esperar-se-ia que a Educação fosse uma causa da comunidade docente. Não me parece: limitamo-nos a suster a respiração, na esperança de que os coveiros parem de nos atirar terra para cima.

Com um governo ensurdecido pelo facto de ter uma maioria absoluta, ajudado por um funcionário menor em Belém e acompanhado por um PS que é a favor da troika e contra a austeridade ou vice-versa, o diálogo é uma inutilidade absoluta. A Educação continuará a ser arrasada e os professores, ao prescindir da revolta, continuarão a ser cúmplices de um crime.

Dito isto, confesso que não percebo como é que, neste contexto, a maior federação de sindicatos de professores prescinde de convocar greves para os exames nacionais, optando por uma campanha em defesa da escola pública e por mais uma manifestação, tratamentos a que o governo está completamente imune. Se esta decisão resultou, efectivamente, da consulta feita a muitos professores, estamos conversados sobre a falta de classe de uma classe profissional.

As escolas terão cada vez menos recursos. A sociedade e a classe profissional que mais deveria preocupar-se com o assunto demitem-se de lutar, verdadeiramente. Numa sociedade digna, a escola pública deve servir para compensar os desequilíbrios causados pelas diferenças económicas, sociais e culturais. Com este governo, cuja única preocupação é despedir professores necessários, essa escola pública está a ser destruída.

Perder a oportunidade de realizar, finalmente, uma verdadeira greve na área da Educação é perder mais uma oportunidade de usar um instrumento que poderia fazer vacilar o governo. Assim, e com todo o respeito por todos aqueles que participarão convictamente, campanhas e manifestações serão música de fundo que o governo aproveitará para continuar a fazer o seu trabalho.

Eu, por minha onrra

Decláru k n tragu kk tlm para o esame.

Agora mais a sério, tenho muita pena que se chegue a este ponto. Que um Ministério pense que faz sentido solicitar uma Declaração de Honra a crianças com 9 anos.

Juro que me apetecia insultar esta gente menor, mas não o vou fazer. Mas é tão complicado resistir a tanta ignorância…

 

Não vão chatear o Camões

BXK8813_tumulo_de_luis_de_camoes_lisboa800Incapazes de uma abordagem ao mesmo tempo séria e holística da coisa educativa, os responsáveis pela Educação, políticos e não só, têm contribuído para a destruição do currículo, entre muitos outros malefícios provocados no sistema educativo.

Várias ideias (mal) feitas se foram instalando e ocupando demasiado espaço na reflexão sobre ou na concepção do currículo: ir ao encontro dos interesses dos alunos, transformar o lúdico na essência do acto de ensinar ou simplificar conteúdos ainda antes de se saber se são complicados. Em duas palavras: facilitismo e deslumbramento.

Ao comemorar vinte anos, a revista Visão resolveu pedir a José Luís Peixoto que transformasse em contos os cantos d’Os Lusíadas, publicitando a ideia de que o escritor irá actualizar a epopeia camoniana. [Ler mais ...]

Fechar escolas, matar o país

cemiterio03Em Trás-os-Montes, nos últimos dez anos, fecharam quase 800 escolas primárias. Os simplistas que vêem o mundo através de uma calculadora de curto prazo explicarão que é inevitável, que há menos crianças e que não há “sustentabilidade” para manter mais escolas a funcionar. [Ler mais ...]

De regresso ao passado

Por Santana Castilho

1. Nuno Crato, antes de ser ministro, tinha um farol para a Matemática: o TIMMS (Trends in International Mathemathics and Science Study), programa prestigiado internacionalmente, que, de quatro em quatro anos, mede os resultados do ensino da Matemática, num conjunto extenso de países. Clamava pela necessidade de entrarmos nessa roda, onde, em 1995, ocupámos um dos últimos lugares. Talvez por isso, ficámos de fora em 1999, 2003 e 2007. Voltámos em 2011, ano da Graça em que Crato passou a ministro e emudeceu em relação ao TIMMS. Porquê? Porque as pessoas que ele denegriu e os métodos que ele combateu fizeram história no seio do TIMMS. Portugal, em 2011, foi 15º em 50 países. Portugal foi o primeiro na escala que mediu o progresso: foi o país que mais progrediu no universo dos 50 classificados. Portugal foi melhor que a Alemanha, Irlanda, Áustria, Itália, Suécia, Noruega e Espanha, entre outros. E que fez Nuno Crato? Acabou com o programa de Matemática do ensino básico, que contribuiu para um sucesso a que não estávamos habituados. Substituindo qualquer avaliação fundamentada por juízos de valor, alicerçados no “achismo” que o caracteriza. Surdo à indignação dos docentes. Contra as associações de professores da disciplina. Com um comportamento autocrático, guiado pela sua nova luz: a do regresso às décadas do Estado Novo. [Ler mais ...]

O concurso de professores e seu rabo de fora

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O concurso de mobilidade interna, quadrienal, para professores do básico e secundário trouxe este ano mais uma novidade: há, mas não há, existe mas é um zero.

Tentando explicar a quem está de fora: não se trata de um concurso para “entrar na profissão”, ou que de qualquer forma contemple poupanças ao estado nessa disforme gordura chamada escola pública.  Nada disso: normalmente existiriam milhares de vagas mas que seriam apenas acedidas a quem já está na profissão, e que assim se aproximaria de casa, já que numa tentativa de acabar com o nomadismo da vida docente sucessivos governos deixaram essa hipótese remetida para um de 4 em 4 anos, e vais com sorte. Absolutamente mais nada, a menos que as vagas superassem as 12000 (número que corresponde vagamente ao de professores sem horário na sua escola, mas que não coincide de forma alguma com ausência de horários, ous seja de trabalho), e eis que surgem 600.

Quer isto dizer?  Qual é a ideia, não havendo poupança alguma? Chatear umas dezenas de milhares de pessoas?  Penso que visa duas patifarias conjuntas. [Ler mais ...]

Concurso de Professores começa a 23

Está publicado o aviso de abertura do concurso de professores. Neste momento e antes de leituras mais atentas, ficam as datas mais importantes:

“A candidatura é feita em dois grupos cujo calendário é o seguinte:

1 — Primeiro grupo, letras A a K:  10h de 23.04 às 18h 03.05;

2 — Segundo grupo, letras L a Z —   10h de 26.04 às 18h 07.05;

Boa sorte!

Ficções sem hora marcada

Rui Oceano estacionou cuidadosamente o seu Simca de colecção. Tirou um paninho de flanela, friccionou com cautela todos os frisos, guardou cuidadosamente o paninho no estojo de pele, bateu a porta muito devagar e dirigiu-se para o palco da feira do livro. Era caro para a sua Câmara, mas valia a pena: os seus concidadãos acotovelavam-se nos escaparates, homens de letras abancavam em sítios combinados e faziam dedicatórias. O povo gostava, e Oceano, o Rio, (Rui, aliás) estava feliz.
Por dentro. Por fora, aquela máscara de mau feitio. De quem pensa que, pelo facto de ter estudado numa escola de referência, deve  ser olhado de baixo, para a sua superioridade. Aquele ar de quem tem sempre razão e nunca se engana, como o Outro. [Ler mais ...]

Despedir professores é preciso, ensinar não é preciso

Os concursos dos professores para o próximo ano lectivo servirão para dar continuidade ao processo de desmantelamento das escolas, actividade que implica a continuação de despedimento de professores.

O Ministério continua a dizer que foram as escolas a indicar de quantos professores necessitarão, procurando passar a ideia de que se limita a receber informação, decidindo em conformidade. A verdade é que as informações dadas pelas escolas dependem de instruções vindas do Ministério, para além de resultarem de outras decisões da tutela.

Nuno Crato tem mentido descaradamente, quando refere como causas para o desemprego docente a baixa de natalidade, como se isso, só por si, pudesse justificar o despedimento maciço de professores ocorrido nos últimos anos. A verdade é que o número de alunos não diminuiu a ponto de justificar o que tem acontecido. O problema está no aumento do número de alunos por turma ou na redução brutal do currículo, entre outras medidas anti-pedagógicas.

Como se isso não bastasse, ficamos a saber que as necessidades comunicadas pelas escolas escolas terão sido ignoradas ou alteradas, o que vai de encontro a muitas informações que se vão sabendo, como a que nos dá o João Paulo.

O futuro das escolas públicas, segundo Nuno Crato, inclui o afastamento de professores mais experientes e o aumento do número de horas lectivas para cada professor, de maneira a que tudo fique muito baratinho ao Estado ou aos privados que estão à espreita para alargar o negócio à custa da exploração de professores em regime de precariedade.

Entretanto, sabe quem é o verdadeiro mexilhão? O seu filho, o seu neto, o seu sobrinho ou o filho do seu amigo.

Quem estiver verdadeiramente preocupado com os problemas educativos do país, deverá estar ao lado dos professores, que não se deverão limitar a lutar pelos seus problemas laborais. Quem estiver preocupado em achincalhar ou em invejar os professores, não está preocupado com o mexilhão.