A detenção do cidadão Sócrates pelo juiz Caius Alexandre (Roma, ano III D.C.)

Poderemos?

Sobre este discurso de Pablo Iglesias, dirigente do Podemos, no comício internacional promovido pelo GUE/NGL na véspera da IX Convenção do Bloco de Esquerda, tenho a dizer que é a melhor peça de oratória e lucidez que ouvi em toda a minha vida, e já levo mais de 40 anos a ouvir, ou ler, discursos de esquerda. E a fábula do país onde os ratos votavam nos gatos até a tinha publicado em tempos no Aventar, o que me reduziu um bocado o efeito.

Em Portugal faltam-nos duas coisas: quem seja capaz de falar assim, mas antes de mais e sobretudo (quando são precisos os dirigentes sempre apareceram, é uma constatação histórica) quem o ouça.

E mais não digo por enquanto vejam o vídeo.

 

A “Justiça” ao serviço de quem?

jose-socratesCarlos de Sá

José Sócrates foi detido, já toda a gente sabe. O que muitos não saberão é que o Correio da Manhã TV estava no aeroporto à espera da detenção, e que o semanário SOL tem uma edição especial a sair amanhã (Domingo) “com tudo sobre o caso” – segundo o próprio jornal.

Quando a “Justiça” deixa “escapar” informações que permitem a uma TV estar lá no momento da detenção, e a um semanário ter em 24 horas pronta uma edição especial, isso quer dizer – tem querido dizer sempre –  que a PGR tem nada entre mãos.
Noto ainda a oportunidade da detenção: na véspera da eleição do secretário-geral do PS, quando as suspeitas de um outro caso já mordiam as canelas da ministra da Justiça, e quando o ministro do Ambiente disparava em todas as direcções para se livrar das culpas que carrega pela morte de 10 pessoas e o internamento de dezenas de outras.
Era bom que José Sócrates fosse detido pelas razões certas, não por mais um frete que a “Justiça” presta à Direita. Pode-se ter enterrado, de vez, esta “Justiça” em que já ninguém acredita: os apoiantes de Sócrates, e não só, clamam pela detenção de Paulo Portas, Durão Barroso, Passos Coelho e do próprio Cavaco Silva.
Oxalá esteja enganado, mas fortemente me parece que a montanha vai parir mais um ratinho – o suficiente para que a investigação de outros casos pare, e tudo dê em nada.

A prisão do incendiário

incendiario

Carlos Roque

Em relação às acusações por corrupção do Sócrates, palpita-me que muita gente, que se congratula pela sua detenção, se está rigorosamente nas tintas para cada uma delas.
Não é por isso.
Por ele estar preso, congratulam-se. Não pelo que o acusam, mas sim por o responsabilizarem por tudo o que de terrível aconteceu ao país… depois de ele abandonar o poder — o horror dos efeitos retroactivos da sua governação, que incendiou o país nos 4 anos a seguir — e por ele, o incendiário, ter tido o arrogante desplante de vir ainda criticar “a água a mais” destruidora dos bombeiros que andavam, mais ou menos desastrados, a apagar as chamas.
O Al Capone também não apodreceu na prisão por nenhum dos crimes que nos horrorizam — foi por outros que nada nos dizem.

José Sócrates não devia ter sido detido de noite

Clara Ferreira Alves está muito preocupada pelo facto de José Sócrates ter sido detido durante a noite quando chegava de Paris.
Não a preocupa o facto de José Sócrates andar a ser acusado de corrupção há 17 anos sem que tenha sido minimamente investigado em todo este período. Não a preocupa o facto de o Ministério Público ter travado em 2003 uma busca à sua residência que investigaria as ligações perigosas por causa do processo da Cova da Beira. Não a preocupa que os claros indícios de corrupção no caso Freeport tenham passado ao lado do Ministério Público. Não a preocupa que a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça o tenham protegido descaradamente enquanto ele foi primeiro-ministro. Nada a preocupa, nem mesmo os evidentes sinais exteriores de riqueza que ele ostenta, tão suspeitos quão inexplicáveis.
Nem sequer se pergunta por que razão José Sócrates só foi detido depois de abandonar o poder. Porque isso não a preocupa. É um cidadão diferente dos outros, por isso, ao contrário dos outros, tinha o direito de estabelecer condições, como foi público, para as perguntas que o Tribunal lhe queria fazer.
O que a preocupa é que ele tenha sido detido durante a noite. Também acho. José Sócrates devia ter ido calmamente para casa, reunir-se com os principais implicados no caso, engendrar a estratégia de defesa, destruir as provas se ainda as houvesse e, aí sim, avisar as autoridades de que estava disponível para ser ouvido. Afinal, ele foi um primeiro-ministro, merece um tratamento especial.

Troika para o Bloco já!

Juntem Pedro Filipe Soares a João Semedo e Catarina Martins e está ultrapassado o impasse: uma liderança tricéfala! No Bloco, cabem todos…

Também tenho coisas para dizer

Interrompo o meu retiro nos planaltos das Lowlands para dizer quatro coisas que me parecem fundamentais:

1- Sócrates, como qualquer cidadão de um Estado Direito democrático, é inocente até prova em contrário. O facto de ser arguído não é prova da sua culpa ou inocência. Não serve de nada, penso eu, voltarmos ao caso da licenciatura ou do Freeport porque não é disso que Sócrates está a ser acusado. Ir buscar isto ou aquilo para provar a sua culpa na praça pública é um erro que descredibiliza quem escreve.

2- Contudo, (e isto vai para a Clara Ferreira Alves com quem eu desde já assumo uma relação amor-ódio) faz-me “espéce” o argumento que muitas pessoas já assumiram: que o processo está descredibilizado porque Sócrates foi preso mal chegou a Lisboa (e de noite, ainda por cima!), ou porque a televisão estava lá (!) ou porque a Felícia Cabrita entrou em histeria no Sol ou porque o Correio da Manhã foi, enfim, o Correio da Manhã. Tudo isto é entrar por um caminho que não devia interessar minimamente. Quer queiram quer não, parece que estão a tentar desviar a atenção do que é importante, como se o Procurador e a Procuradoria não tivessem pensado nas coisas antes de irem deter um ex-primeiro-ministro ao aeroporto, como se o tivessem feito para se vingar de Sócrates (com que razão? Não se sabe porque nesta linha de pensamento fica-se sempre pela insinuação) como se nós, os bloggers, os jornalistas de serviço, comentadores e malta do facebook, soubessemos mais e melhor do que quem está de facto envolvido no caso.

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Sacrificou-se um tubarão. Para quando o resto do cardume?

Depois de Armando Vara e Maria de Lurdes Rodrigues, chegou a vez de Sócrates prestar contas à justiça portuguesa. É um dia feliz, é um dia histórico, mas é mais uma prova da treta que é a justiça portuguesa, como o Ricardo explicou de forma simples e objectiva: enquanto tens poder estás acima dela, quando deixas de o ter cais. E isto é um facto incontornável. A justiça portuguesa, no que toca aos verdadeiramente poderosos, temporariamente ou não, é fraca, anedótica e, salvo raras excepções, inútil.

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A casta revela-se em todo o seu impudico esplendor

Excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (que “pudicamente” designam por detenção) de um ex-Primeiro Ministro como José Sócrates.

A frase é de João Soares, e é toda uma monarquia mental que vem à tona no neto de um republicano que nunca passou politicamente de um príncipe infante.

Somos todos iguais mas uns são mais iguais que os outros, também poderia ter dito, e aqui está toda a razão de uma casta, a sua lógica, o seu espírito solidário quando a começam a despir. Inimputáveis se julgam, condenados, mais que não seja pela história, um dia serão.joao soares

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa

A detenção de José Sócrates é a vergonha da Justiça portuguesa. A vergonha de Pinto Monteiro, de Cândida Almeida e de todos os magistrados que dele se ocuparam enquanto ele era primeiro-ministro. É a vergonha de Noronha do Nascimento, que andou a cortar escutas com uma tesoura. Quando qualquer um, dentro ou fora da Justiça, percebia que estava ali a ponta de um novelo que, desenrolado, iria dar pano para mangas.
Não sei se Sócrates é culpado ou não, embora quem acompanha os meus escritos há algum tempo saiba que acho que sim. Que é culpado.
Mas há uma coisa que sei: que ele nunca teria sido detido se ainda continuasse a ser primeiro-ministro. Porque não estão em causa suspeitas de crimes cometidos nos últimos dois anos. Estão em causa suspeitas de crimes que já tinham sido cometidos enquanto estava no Governo.
E a verdade é que Sócrates passou sempre por entre os pingos da chuva. Ilibado constantemente, tendo a Procuradoria-Geral da República e o Supremo como escudos protectores. Como Vale e Azevedo enquanto foi presidente do Benfica. Como Ricardo Salgado enquanto foi presidente do BES. Como Passos Coelho enquanto for primeiro-ministro.
A Justiça, em Portugal, continua a funcionar apenas quando os poderosos deixam de ser tão poderosos. É essa a sua vergonha.

Agora só falta o Passos Coelho…

Sócrates detido

Já haverá quem faça contas eleitorais

Porreiro pá

O velório antecipado

Há uma revolução em curso na justiça portuguesa: vai tudo preso. Que é lá isso de fortes indícios e provas inquestionáveis, que é lá isso do in dubio pro reo, do latim “na dúvida, decida-se pelo réu”, princípio estruturante de qualquer Estado de direito que significa que tem de haver provas à prova de dúvidas para condenar (e indícios de monta para acusar).

Quem assim escrevia ontem no DN (obrigado Ricardo M. Santos pela dica) parece que antecipava o festival de carpideiras que agora vai chorar o seu amado Sócrates, hoje detido. Os mesmos que sempre acharam anteriores inquéritos uma fraude, viram perseguição onde se denunciava o curso domingueiro e idolatraram doentiamente o até há pouco pior primeiro-ministro que tivemos. Um tema que especializou Fernanda Câncio no jornalismo de causas e nestes queixumes cada vez que a Justiça investigava.

Sócrates foi preso

No mesmo processo que levou hoje à detenção de três homens do grupo Lena, José Sócrates foi preso e vai ser sujeito a interrogatório.

Desta vez convenço-me que a Justiça portuguesa entrou em modo espanhol, e que a casta começa a ser apanhada. educacao-b7d5
Isto é que vai ser um velório…

Errata: 

Além de Sócrates, a operação de buscas abrangeu também o empresário Carlos Santos Silva (administrador do grupo Lena e amigo de longa data do primeiro-ministro), Gonçalo Ferreira (advogado que trabalha na Proengel, uma empresa de Carlos Santos Silva) e Joaquim Lalanda de Castro (representante em Portugal da Octapharma, a multinacional farmacêutica para a qual Sócrates trabalha desde 2013)

Demissionismo e irresponsabilidade

“O governador do Banco de Portugal não me consulta, comunica-me”, afirmou a ministra das finanças, sacudindo o capote, na Comissão Parlamentar sobre o caso do BES. Quem acredita em semelhante patranha? E se acredita, como pode tolerar? Que diabo entende o pastelão de Belém por “regular funcionamento das instituições democráticas”?

Paulo Portas e o Bloco de Esquerda

Portas

© ANDRE KOSTERS/LUSA (http://bit.ly/1x6xXwm)

Segundo o Expresso, Paulo Portas terá dito o seguinte:

porque há pessoas que têm que projetar as casas, construí-las, equipá-las, produzir materiais e fazer a produção, reabilitação, recuperação e venda.

Ora bem, quem ouviu as palavras de Paulo Portas terá detectado algumas falhas nesta citação.

Concentremo-nos na mais grave.

Exactamente: projectar. Porque, em português europeu, projetar nada significa. Como é sabido, projetar [pɾuʒɨˈtaɾ] ≠ projectar [pɾuʒɛˈtaɾ] — como coação [kwɐˈsɐ̃ũ̯] ≠ coacção [kwaˈsɐ̃ũ̯] ou corretor [kuʀɨˈtoɾ] ≠ corrector [kuʀɛˈtoɾ]. Contudo, ‘coação’ e ‘corretor’ têm uma grande vantagem em relação a projetar.

Existem.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana

A histriónica Isabel Moreira e a subvenção vitalícia dos políticos (tome Rennie que isso passa!)

A proposta de acabar com a suspensão das subvenções vitalícias, de que usufruíam injustificadamente 400 iluminados, não foi adiante.
Mas nem tudo se perdeu. Foi uma boa ocasião para ver que, no fim de contas, Passos Coelho nunca nos desilude. E também foi bom para ver que António Costa ainda não foi formalmente eleito em Congresso e já mostrou ao que vem.
Pelo meio, algumas surpresas positivas, como a revolta que alastrou entre alguns deputados do PSD e do PS; e também algumas surpresas negativas – sim, confesso que sou intoleravelmente inocente quando ainda espero o que quer que seja seja de quem for na política portuguesa.
A histriónica Isabel Moreira, por exemplo, mostrou bem a matéria de que é feita. Se alguém tinha dúvidas perante a forma inflamada como muito justamente defendeu a coadopção, perdeu-as de vez depois desta polémica. Afinal, é mais uma do bando – nem mais, nem menos.
Mesmo que a proposta não tenha passado, a sua opinião sobre o assunto é esta: [Read more...]

Os deputados portugueses são uns escroques

escroques
A maioria dos deputados portugueses prepara-se hoje para atribuir a si própria uma subvenção vitalícia, para a qual não descontou e que diz respeito a meia dúzia de anos de «trabalho» no Parlamento.
É gente sem escrúpulos. Gente de baixa índole, de quarta ou quinta categoria moral, do piorzinho que este país já conseguiu defecar ao longo de tantos anos de História. Gente, não. Gentinha! Gentinha a quem milhões de portugueses pobres e miseráveis dão todos os dias lições de dignidade e de respeito.
Os mesmos que andaram estes anos todos a falar de justiça social e a cortar salários e pensões a quem tinha menos são os mesmos que, alegremente, se preparam para ficar de fora dos sacrifícios. Os outros que o façam. Quem tem 600 euros de reforma pode fazer um sacrifício pelo país, quem esconde contas milionárias não pode. É a coerência do escroque Passos Coelho, que já nem se esforça por esconder. E quem andou estes anos todos a vociferar contra o Governo é o primeiro a dar-lhe a mão quando o assunto realmente lhe interessa. É o escroque António Costa em todo o seu esplendor.
Não serão todos escroques. O Bloco de Esquerda – só o Bloco de Esquerda! – não tem qualquer deputado ou ex-deputado a receber essa subvenção. É o único Partido que pode falar. Foi o único Partido que ontem de manhã falou em Plenário para atacar esta medida. Foi o único Partido que forçou a votação de hoje. Nem o PCP, apesar de ter votado contra, pode falar. Votou contra porque os seus votos não eram necessários. Só por isso. E acabou de perder o meu voto para as próximas eleições.
E é nesta votação, de hoje, que se verá quem é escroque e quem não é. Desconfio que serão quase todos.

P. S. – PSD e PS recuaram e, perante a indignação geral, a proposta acabou por ser retirada. Os escroques vão remeter-se ao silêncio e irão esperar por uma melhor oportunidade. Melhor assim.
Foi bom tudo isto ter acontecido, assim aprendemos a conhecer melhor as pessoas e as suas intenções. Se alguém duvidava ainda da rectidão e da honestidade de escroques como Passos Coelho ou António Costa, então perdeu definitivamente as dúvidas.
O meu aplauso para os poucos que, dentro do PSD e do PS, se manifestaram contra esta medida.

Dedicada aos biltres da governação actual e passada

Um Parlamento que vive acima das suas possibilidades

parlamento(vive acima das suas possibilidades e trabalha quando lhe apetece, como fica provado pela foto em cima)

No espaço de um ano, o prejuízo da instituição Assembleia da República passou de 680 mil euros para 6.17 milhões. Uma subida, assim em contas de merceeiro, na ordem dos 907%. A coisa torna-se particularmente peculiar se considerarmos que o conselho de administração do parlamento é presidido por Albino Azevedo Soares (sim, o tal que ajudou a tentar encobrir o esquema do Passos), membro do partido cuja propaganda vomita rigor à mesma velocidade que Miguel Relvas tira um curso superior (um homem fala do Relvas e até rima!).

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Bandalhos, são todos uns bandalhos

Fiquei boaquiaberto quando ouvi, mas se tivesse pensado bem não teria ficado assim tanto. José Lello do PS e Coito dos Santos do PSD vão propor na Assembleia da República a reposição da subvenção vitalícia dos deputados. E pelo que tem vindo a público, os respectivos grupos parlamentares já se preparam para fazer aprovar a medida.
A lei da vergonha de todos os que a assinaram em 1984 (Governo do… Bloco Central) vai ter mais um capítulo. De novo o Bloco Central dos interesses, agora os puramente pessoais, atropelando tudo o que diga respeito à ética republicana, seja lá o que isso for, à moral ou à simples dignidade humana.
Que essa gentalha tenha a coragem de propor essa medida já não me admira. Mas que um bando de centenas de energúmenos vá atrás, esquecendo tudo o que se foi aprovando nos últimos anos, é algo que me escapa. Não dos energúmenos e parasitas do PSD ou do CDS – desses espera-se tudo. Mas dos paladinos da verdade na política do PS, lembro-me assim de repente do cínico João Galamba ou da histriónica Isabel Moreira, desses – embora nada se espere  - assinala-se o facto de concordarem pela primeira vez com o PSD. Quanto a António Costa, já mostrou ao que vem, se é que ainda não se tinha percebido.
Até o PCP ficou calado. Enquanto se discutem os cortes nas pensões e nos salários, o PCP ficou calado. Calado! Será culpado por omissão, já que é fácil votar contra quando se sabe que a medida será aprovada na mesma.
Bandalhos, são todos uns bandalhos. Gente com quem tenho vergonha de partilhar a nacionalidade.

 

Ministros da Propaganda

Depois do sucesso do vídeo de propaganda do país imaginário do PSD, veio-me à cabeça este clássico. Será que o jovem que narra a fábula cor-de-laranja conseguirá um dia chegar a Ministro da Propaganda? É possível. O Durão era do MRPP, foi mordomo e chegou a presidente da Comissão Europeia. Com o “estado em movimento” tudo é possível, basta acreditar. Ou como diria Jorge Jesus, “acarditar“. São peanurs!

Vem aí a recessão

crato

De Caras, RTP, 19/6/2013 (http://bit.ly/12J0oFc)

 

On a tout reçu. Tout s’est déroulé exactement comme prévu. On a même pu faire la rotation pour optimiser la réception de la lumière sur les panneaux solaires.

— Jean-Pierre Bibring

Recebemos tudo. Correu exatamente como planeámos. Tivemos até de fazer uma rotação para otimizar a recessão de luz sobre os painéis solares.

— Jean-Pierre Bibring (tradução: Agência Lusa)

 

Não se lembravam da *excessão completa? Não se preocupem. Estou cá para os lembretes. Foi no dia 19 de Junho de 2013. Há muito, muito tempo.

Anteontem, durante um intervalo para café, liguei o computador e recebi uma notificação de um grupo do Facebook que conheço relativamente bem. Percebi de imediato a grave consequência do meu espanto: a *recessão escapara-me. Obrigado, Fernando Venâncio.

Agora, concentremo-nos apenas na grafia da epígrafe — sim, só na grafia da epígrafe: deixei, há muitos anos, de criticar traduções na praça pública.

É verdade, não correu exactamente como planeado, mas correu como previsto. Aliás, só não poderia prever ocorrências de *recessão em vez de receção quem nunca se debruçou sobre a função da letra ‘p’, parte do grafema complexo (dígrafo) <ep>, em palavras como decepção, excepção, intercepção, percepção ou recepção (e fiquemo-nos por estas). Sim, há letras que fazem parte de grafemas complexos (dígrafos), como a letra ‘c’ faz parte do grafema complexo (dígrafo) <ac>, quando nos referimos, por exemplo, a palavras como acção, coacção, infracção, reacção ou subtracção.

A letra ‘p’ tem função diacrítica em recepção? Tem, certamente. Aliás, basta apreciar a *recessão da Lusa, propagada pela SIC, pelo Jornal de Notícias, pelo Correio da Manhã, pelo Destak e pelo Expresso (e por outros que, entretanto, felizmente, corrigiram), para perceber – ou conjecturar com algum grau de exactidão sobre – as razões que levam a uma ocorrência de *recessão, em vez de receção.

Efectivamente, nas palavras em -epção,  a letra ‘p’ tem um valor diacrítico. Mas não só. A letra ‘p’ é um sinal gráfico que permite distinguir, de forma clara, a palavra – isolada ou em enunciado, mesmo estando descontextualizada –, tendo esse carácter distintivo um impacto na memória ortográfica dos leitores/escreventes. Na ausência do sinal (‘p’ em recepção), uma ‘receção’ pode degenerar e transformar-se em *recessão. Não foi planeado, mas estava previsto. Exemplarmente, recordemos quer a nótula II do meu comentário à *excessão da entrevista a Nuno Crato, quer este parágrafo de artigo [Read more...]

A confraria infanto-juvenil do vinho do Dão

confraria vinho dao

A notícia saiu no Diário de Viseu. Os infantes entre os 7 e os 12 anos vão ter a sua confraria do tintol. Suponho que aos petizes estão destinados, numa primeira fase, brindes com groselha ou sumo de morango, embora esta suposição comece a ser arriscada e o escalão seguinte, dos 12 em diante, certamente já pode gritar vai acima, vai abaixo, para gáudio da populaça.

Portugal é um dos países do mundo onde mais se morre com álcool, ou pelo álcool.

Mas o vinho faz parte da identidade nacional salazarista, já deu de comer a 1 milhão de portugueses; as sopas de cavalo cansado lá foram abandonando a dieta matinal da pequenada mas a nossa droga oficial soma e segue, não seja ela um dos símbolos fundadores do nosso cristianismo, haja negócio.

A iniciativa é da Câmara Municipal de Viseu, a qual em breve será gestora de todas as escolas do município.

E não digo mais nada, ou quase mais nada: um pipo cheio pelos cornos abaixo do filhodaputa que teve a ideia era pouco. Espero que tenha filhos, e um morra na estrada atropelado por um bêbado, a morte de um filho é a dor maior. Era só isto.

Vistos gold:

o preço de vender os direitos de cidadania. A negação da democracia em todo o seu abjecto esplendor.

Uma réstia de dignidade

Hoje em dia, é tão, mas tão difícil um ministro demitir-se que a atitude de Miguel Macedo é digna dos maiores elogios. Pelos vistos, existe ainda, para os lados do Governo, uma réstia de dignidade. Ou melhor, existia…
Enquanto isso, Nuno Crato continua a vegetar para os lados da 5 de Outubro, fingindo que não é nada com ele e fingindo que ainda é o líder da política educativa em Portugal. Politicamente morto e enterrado, conseguiu cometer a proeza de ser ainda pior do que a sua antecessora, a lamentável prevaricadora. Algo que se julgava inacessível ao comum dos mortais.

Macedo mostra o caminho…

saida

.. que Crato e Paula Teixeira da Cruz já deveriam ter tomado há muito.

Claro que há sempre a possibilidade do primeiro ter caído acidentalmente no olho do furacão, enquanto que os dois últimos poderão ter causado os seus como estratégia. Afinal de contas, o melhor caminho para entregar a privados partes do estado que não funcionem é, em primeiro lugar, fazê-las não funcionar.

Este país não é para gente séria

Sociedades secretas, corrupção nas cúpulas do poder, sucessiva impunidade, justiça que não funciona, Assembleia da República como centro de negócios, a banca salva com impostos. Generalidades, que só não são casos concretos porque não me apetece procurar os links.

Midas e Portas

Conta o mito que o rei Midas transformava em ouro tudo em que tocava. Já Paulo Portas parece transformar em merda tudo quanto toca. Foi hoje preso o Director Geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras por sérias suspeitas de corrupção ligada aos “vistos dourados”. É assim. Portanto, axioma: Em água porca, multiplicam-se as bactérias. Em política porca, multiplicam-se os corruptos.

Calma aí!

Quando escrevi aqui piadas sobre as taxas de António Costa, estava no meu direito de cidadão farto ser ser taxado e lixado. Mas quando o governo, sobretudo pela voz do Portas, vem, armado em paladino do povo, atacar o autarca de Lisboa tentando criar um biombo de ruído que distraia o pagode das broncas e dos criminosos esbulhos e voraz gula fiscal governamentais, eu dou um chega p’ra lá, que não quero tal companhia.

Fico chateado quando a Câmara de Lisboa me quer cobrar a entrada no aeroporto mesmo que o meu destino seja Coimbra e nunca chegue a entrar na capital – o que é, além do mais, caricato, já que a Portela não é um apeadeiro de Lisboa. Mas é só isso. Nada tem a ver, em dimensão, com o que me vai na alma com a vampirização a que sou sujeito por este governo de celerados políticos que vão, além do mais, acumulando impunemente escândalos e grosseiros erros de incompetência e pura patifaria. Há que respeitar as proporções, que eu não alinho em cenários para distrair papalvos.