Os reaccionários de Abril

Passos Portas

De cravo eleitoralista na lapela, Passos Coelho permitiu que o irrevogável abrisse as hostilidades. Terminado o exercício de propaganda do guia supremo da jacintoleitecapeloregolândia, o primeiro-ministro foi igual a si próprio: aldrabou indicadores, agitou fantasmas, falou de um rigor que não conhece e fez, no global, o habitual discurso orientado para a claque.

O discurso em si, quer de um, quer de outro, pouco interessa. Sabemos bem o que vale a palavra do primeiro e do vice-primeiro-ministro: um aldrabou o país em campanha e, mais recentemente, no âmbito da polémica do subsídio de reintegração/Tecnoforma e o outro aldrabou o país quando anunciou a sua demissão irrevogável, que caiu por terra assim que o anúncio da promoção chegou.

Interessante foi a escolha do dia. A escolha do dia e o facto de, há um mês atrás, Passos Coelho andar a vender a um grupo de empresários que era capaz de ganhar as eleições sozinho. Para não falar das dúvidas manifestadas pelo primeiro-ministro há 10 dias atrás quanto ao benefício da coligação. Mas está tudo bem. Haja coligação que os socialistas, apesar de Sócrates, ainda lideram as intenções de voto e a reacção não pode parar.

A liberdade de informação e as prima-donas

Ei, jornalistas! Quando aqui se ataca o proposta-que-não-chegou-a-ser-proposta com a qual um trio de tarefeiros de encomenda iria tentar impor o exame prévio dos projectos editoriais de cobertura dos noticiários eleitorais, eu, ao dar o meu modesto contributo pela liberdade de informação, não me estava a dirigir a vocês. Nem eu nem, certamente, as muitas pessoas que atacaram tal projecto. De modo que o número de teatro-tide do senhor Carlos Magno e as vossas “corajosas” e inflamadas declarações – como as que acabaram de desfilar na RTP – depois de todos sabermos que tal lei jamais existirá, relevam de uma indignação patética e de papelão. É que se tenho o maior respeito, e até amizade, por muitos de vós, muitos outros não me merecem senão o mais profundo desprezo, desprezo esse que, não tenho dúvidas, crescerá durante o processo eleitoral, seja qual for a legislação em vigor nessa altura. Gostava de vos lembrar que a liberdade de informação é um direito geral, do povo, não dos jornalistas. É um inalienável património de todos que a todos cumpre defender. E nessa defesa dispensamos bem exercícios tolos de narcisismo.

Milagre!

Ninguém, afinal, foi autor da proposta de… análise prévia. Os partidos que a ordenaram, não a fizeram; os autores nem sim nem não nem, sobretudo, talvez. Mas o Marques Mendes, verdadeiro roedor informativo, que valoriza mais o seu estatuto de fonte(zinha) e o seu ego desproporcionado que as suas lealdades, não deu hipótese: “eu vi a proposta, eu li a proposta!”. Portanto se proposta tem e autores não tem de algum lado lhe vem, lá diriam os outros. Só há, pois, uma resposta: milagre!

Marco António Costa – O Alpinista Político, os SHM e a sua Rede

Paulo Vieira da Silva

Quem é Marco António Costa? Esta é uma pergunta que algumas pessoas me fazem com alguma regularidade. Se me pedissem uma resposta rápida e em duas palavras eu diria que é um “ alpinista político ”, mas infelizmente tenho muito mais para dizer.
Conheci Marco António Costa (MAC) há cerca 20 anos na JSD, apesar de ele ser mais velho do que eu 4 anos. Era um jovem de origens humildes, vivia em Valongo e trabalhava, se bem me recordo, numa empresa na área da captação de águas. Estivemos juntos em algumas batalhas políticas, ficamos amigos e até esteve no meu casamento.
Entretanto com a minha decisão de abandonar a política e os caminhos que Marco António começou a trilhar a vida foi-nos afastando. Penso que não estamos juntos, nem falamos a alguns anos, mas quero que fique claro que nada de pessoal me move contra ele. Reconheço que é um político trabalhador, inteligente e muito ambicioso levando a que algumas vezes não olhe a meios para atingir os seus fins. E este sim é o seu grande defeito que nos coloca no plano dos princípios e dos valores em lados completamente opostos.
A sua carreira política profissional começou como mero adjunto do presidente da Câmara de Valongo, Dr. Fernando Melo, mas rapidamente passou a ter muito poder na autarquia. Foi vereador, presidiu a diversas empresas municipais, tendo chegado mesmo a ser o vice-presidente da Câmara. [Read more…]

Espectro político em Portugal

Victor Alves

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Depois do post  “Custou mas foi” e dos últimos acontecimentos, decidi conceber uma imagem que ilustre o espectro político actual, o rumo à direita e radicalização dos principais partidos.

Sobre o excesso de poder executivo e legislativo

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É uma ideia que me ocorre recorrentemente. Os governos em Portugal, apoiados por uma maioria parlamentar, proveniente de um ou mais partidos, que controlam o Parlamento, o qual controla o governo, têm ao seu dispor demasiado poder sem contraponto.

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Esta malta é doida

projecto de lei do PSD, PS e CDS que quer obrigar os media a apresentar planos prévios de cobertura de campanhas eleitorais a uma comissão mista, antes mesmo de terminar o prazo para entrega das candidaturas [P]

Isto já teve um nome: visto prévio.

Game of Greves

Pires Dread Lima(reparem na pose cheia de swag deste ministro)

Estranho. Em Dezembro, perante o aviso de greve na TAP, o governo não hesitou e decretou serviços mínimos. É certo que a greve estava marcada para o final de Dezembro, o que levantava constrangimentos óbvios, e o governo, forçado a agir, optou por esse caminho. Agora, face a uma greve que tem mais a ver com os interesses dos pilotos* do que com a empresa como um todo, uma greve que poderá custar cerca de 70 milhões de euros aos cofres cheios do Estado e colocar seriamente em causa a estabilidade da empresa, o governo cruza os braços e decide não fazer uma requisição civil. O mesmo ministro que fez “um apelo humilde” aos pilotos para que reconsiderassem a sua decisão e que acenou com o fantasma da ameaça à viabilidade e sustentabilidade da TAP diz-nos agora que “quem estaria à espera de uma requisição civil para poder emendar a mão vai ter muito que esperar“. Um estratega este Pires de Lima, um homem de muitos talentos. Será que é desta que o Efromovich leva a TAP mais barata que o BPN?

*em 1999 foi assinado um acordo entre o sindicato de pilotos e a TAP, acordo esse que recebeu despacho da tutela, mas que aparentemente não tem validade legal. João Cravinho, o ministro que na altura assinou o despacho, acusa agora os pilotos de “má-fé” e “dolo”. A TAP tem tido muita sorte com os ministros que a têm tutelado.

Este país (de cofres cheios) não é para pensionistas

MLA

 

Fotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

Há algo que não bate certo em toda esta propaganda do milagre económico anunciado pelo governo. Por um lado temos uma dívida pública que não pára de aumentar, e que segundo dados recentes terá mesmo sofrido um agravamento de 9,3 mil milhões de euros durante os dois primeiros meses do ano, a que se junta uma trajectória errática dos juros, que ora descem pela mão de Mario Draghi, ora sobem porque uma cagarra espirrou nas Ilhas Selvagens.

Por outro lado, temos uma ministra das Finanças que anuncia ter os cofres do Estado cheios. Será que os encheu com os 9,3 mil milhões de aumento de dívida verificado no início do ano? Serão os euros do Partido Comunista Chinês e respectiva oligarquia? É difícil de perceber. Mais difícil ainda de perceber é a necessidade do governo Passos/Portas avançar com novo confisco aos pensionistasOnde está o primeiro-ministro que não ia cortar pensões? E o Paulo Portas do partido do contribuinte, que tantos idosos se prepara para beijar no circuito eleitoral que se avizinha? É caricato que as mesmas pessoas que apregoam o milagre dos cofres cheios se vejam novamente “forçados” a sacar mais 600 milhões aos pensionistas. Os cofres estão cheios, os bolsos dos pensionistas cada vez mais vazios.

Um juiz “totalmente disponível para tudo”

GOLD

Foto: António Figueiredo@JN

Já passaram alguns dias e fico com a sensação que pouco se tocou neste assunto. E não é um assunto qualquer. Os jornais falaram nisso, é verdade, mas não parece ter levantado a mínima partícula de pó.

O preso preventivo António Figueiredo, até há pouco tempo presidente do Instituto de Registos e Notariado, terá telefonado ao juiz Luís Vaz das Neves, presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, e ter-lhe-à dito que desconfiava estar sob investigação e escuta da PJ. Perspicaz, o juiz respondeu:

Desde já lhe digo e lhe quero manifestar que tudo, mas tudo que o soutor entenda que possa ser útil, porque eu conheço o soutor, estou totalmente disponível para tudo” (fonte: Expresso)

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Da natureza de classe

Leonidas-Bobolas
Leonidas Bobolas, um Ricardo Salgado grego do ramo da construção e dos media, cruzamento com Balsemão, portanto, recusou-se a pagar  1,8 milhões de euros ao fisco. Foi para o xilindró,  e pagou a correr umas horas depois. É a primeira vez que alguém da lista dos 50 mais ricos da Grécia é incomodado, o que diz tudo sobre as anteriores governações, e a forma como encaravam a separação de poderes.

Perante isto, como reage o verdadeiro liberal, versão séc XXI? ai jesus, é a Venezuela,  já andam a arranjar bodes expiatórios.

Um clássico, a defesa da benemérita classe que esconde o que deve na Suiça nunca engana.

A dúvida e a certeza

“Vem aí o caos e a anarquia! O Laos e a D. Maria! O ás de paus e a almotolia! Eu bem vos dizia, eu bem vos dizia. Papas à noite, fazem azia!”. Era assim que, há quase quatro décadas, falava, com non sense e com mau senso, uma personagem da peça “Portugal com P de Povo”, texto colectivo encenado pelo TEUC. Tal personagem (que caracterizava um conhecido general), como adivinham, tinha levado o chuto do poder para fora e anunciava, sem razões que se vissem, que, depois dele, seria o desastre.

Não foi. Mas ao ver a reacção do governo e a barragem (des)informativa montada pelos seus serventuários nos vários canais de televisão após a do apresentação, pelo PS, do chamado “Relatório para uma década”, lembrei-me daquela fala. Não vou aqui discutir agora os méritos ou deméritos das propostas contidas nesse texto. Todavia, e finalmente, vemos algumas das propostas que tanto se exigiam aquele partido. Elas merecem uma discussão crítica, seja qual forem as conclusões que cada um de nós retire desse debate.

Uma coisa é certa: embora se mantenham nesse conjunto de propostas eixos fundamentais que muitos de nós, desde sempre, rejeitamos, não é menos verdade que os elementos com que o PS se procura demarcar e tornar distinto do governo merecem atenção e, a serem aceites ou recusados, que o sejam por razões fundamentadas. O rol de declarações trágico-demagógicas, lembrando a retórica do poder nas “eleições” anteriores ao 25 de Abril, é absolutamente revoltante. A mentira e o disparate circulam, neste dias, com nervoso desespero. [Read more…]

Este título não é exacto

Ministra da Justiça ilibada de difamação no colapso do Citius

Mas o Ministério Público arquivou também este caso, como já tinha feito com o da sabotagem informática.

O anúncio do arquivamento do inquérito foi feito pela ministra na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias onde a governante está a ser ouvida esta quarta-feira. Paula Teixeira da Cruz leu extractos do despacho de arquivamento, segundo o qual a ministra “não particularizou, no seu despacho, indivíduos ou sujeitos, nem formulou juízos de valor”. Pelo contrário, “perseguiu o exigível esclarecimento dos factos e actuou com consciência”. A ministra aproveitou também para se queixar das notícias sobre os problemas que que afectaram o Citius por considerar que estas atingiram o seu bom nome.  [P]

Corrijam-me se estou errado mas arquivar é diferente de ilibar. Para ser exacto, o título da notícia poderia ser “Ministério Público arquivou queixa de difamação contra a Ministra da Justiça”.

Só uma dúvida, como é que é mesmo a hierarquia do Ministério Público?

Marco António Costa alveja o pé e o chefe

MAC

Foto: Fernando Veludo@Público

Houve um tempo em que Marco António Costa (MAC) era o nº 2 de Luís Filipe Menezes na CM de Gaia, um tempo em que a gestão camarária do PSD enterrou a autarquia em dívidas, quais socialistas a gastar acima das suas possibilidades. Desse tempo ficam as memórias de esquemas mil, e um nome salta à vista: Webrand, a empresa de comunicação no epicentro daquela a que a revista Visão chamou “A Face Oculta do PSD“, e que envolve não apenas Menezes e MAC mas também a referida empresa, o suspeito secretário de Estado Agostinho Branquinho, a NTM e a Gaianima.

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Os maus observadores

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Escreve o Filipe Tourais no Facebook:

A malta que se diz “de esquerda” farta-se de partilhar por aqui artigos do Observador, que lhes agradece a publicidade ao seu pasquim trauliteiro-liberal, a malta de direita nunca partilha artigos do esquerda.net ou do Avante, boicotam as fontes de informação “perigosas”.

É isto mesmo. O Observador cumpre duas funções: arranjar um emprego aos blogueiros da direita (coitada da Helena Matos, por exemplo, que viu terminado o contrato da sua empresa com a rádio pública) e avançar no velho projecto do Compromisso Portugal, defendendo este governo e exigindo-lhe que vá ainda mais longe. Haver quem se disponha a, por exemplo, discutir com seriedade um projecto encapotado de regresso à constituição de 1933, só por masoquismo.

O mais longe não é um projecto democrático, como só não percebeu nestes quatro anos que anda com os olhos tapados. Eles matam, seja por falta de assistência médica, seja pela fome e miséria, e uma ideologia que tem como objectivo a desgraça do seu próprio povo só se consegue estabelecer por imposição estrangeira (já temos), domínio quase absoluto da comunicação social (aqui o Observador é uma mera vanguarda) ou golpe militar (falta-lhes, felizmente, a tropa). O neoliberalismo é incompatível com a democracia política, ponto final.

É verdade que se a esquerda não tem patronato que ofereça 3 milhões a fundo perdido para um projecto que já os deve ter esbanjado, não é por isso que não temos, nem online, um jornal assumidamente das esquerdas, e que a direita se entretivesse a boicotar. Nós esbanjamos o bom senso, a capacidade de suprir divergências e de nos unirmos no essencial. E vamos pagar caro por isso, ai se vamos.

A irrevogável lata de Paulo Portas

Portas Careca

A propósito da anunciada greve dos pilotos da TAP, Paulo Portas vestiu o habitual disfarce de falso moralista e, em tom de profunda e fabricada consternação, afirmou que o protesto de 10 dias não é “razoável” e que não é “aceitável” que um grupo de pessoas “capture” uma empresa inteira, apelando de seguida ao “patriotismo” contra a decisão dos pilotos da transportadora portuguesa. E bem vistas as coisas, esta greve parece revelar uma tentativa do sindicato dos pilotos de conseguir para os seus associados uma fatia da empresa e não tanto uma preocupação genuína com o futuro da mesma.

Mas as palavras do profissional da pandeireta remetem-me para um passado não muito distante em que um destacado governante português tomou uma decisão pouco “razoável” e muito menos “aceitável” perante o contexto do momento em si, que resultou na apresentação da sua célebre e irrevogável demissão e que “capturou” não uma empresa mas um país inteiro, que como consequência dessa decisão assistiu a uma subida violenta dos juros da dívida pública. Será que alguém tentou apelar ao “patriotismo” desse governante? É possível. Mas ele estava mais focado nos seus objectivos pessoais, que como sabemos culminaram na sua promoção a vice-primeiro-ministro. Que autoridade tem agora esse sujeito para criticar a escolha dos pilotos da TAP que, tal como Portas fez, estão a olhar pela sua vida? Nenhuma. Mas lata tem de sobra.

Uma noite nos noticiários

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É espantosa a lata de alguns comentadores e jornalistas. Garantem que a questão das presidenciais é prematura, mas deleitam-se em especulações, por vezes, delirantes, sobre o tema. A apresentação de Sampaio da Nóvoa, sobretudo, parece provocar-lhes uma certa urticária mental. Por uma lado, não se calam com o facto do candidato ser desconhecido. Por outro, acusam-no de apresentar a candidatura prematuramente com o objectivo – natural, digo eu – de se dar a conhecer a si e às suas propostas. Em que ficamos?
E já agora: não têm nada a dizer sobre umas eleições legislativas que por aí vêm? Ou estão felizes com a forma absolutamente canalha com que todos – sublinho: todos! – os canais de televisão e jornais vão, com a vossa ajuda, embalando os vossos concidadãos? Talvez seja muito esforço para as vossas cabeças – por receio de cansá-las ou, até, perdê-las – confrontar as muitas iniciativas e propostas que os vários partidos vão apresentando; e quando falo em vários partidos, gostava de sublinhar aqueles que existem para além dos do governo (conhecem?), com ideias muito diferentes, imaginem, daquela verborreia entre o imbecil e o terrorista com que os governopatas nos vai brindando (em que o esbulho de seiscentos milhões aos pensionistas, anunciado pela Maria Luís, é compensado com o patriótico orgulho de, quiçá por decisão governamental, termos a onda mais alta do mundo surfada por, ao que parece, Paulo Portas)?
Segundo li, a ciência mostra que – desculpem a dureza do exemplo – se colocarmos certos animais – uma rã, por exemplo – em água a ferver, o animal reage e faz uma tentativa desesperada para sair da armadilha. Mas se colocarmos o animal em água fria e aquecermos a água lentamente, o infeliz nela permanecerá, placidamente, até morrer.
Então, prezados concidadãos? Não estais a sentir-vos ligeiramente cozidos?
(foto de Uma Noite na Ópera, dos irmãos Marx)

Quem não se consegue governar a si próprio…

Acaba vivendo acima das possibilidades, avançando com teorias que as dívidas não são para se pagarem mas para serem geridas. O pior é que para suceder aos incompetentes que nos (des)governam já se perfilam os incompetentes que nos (des)governaram. A alternância está garantida, mas a mediocridade permanecerá imutável. O Estado a que a choldra chegou, ou uma versão sec. XXI para “de vez em quando é preciso mudar algo para que tudo fique na mesma”. Em Portugal mudamos de governo…

Coimbra, 17 de Abril de 1969. E tudo mudou para todos nós

 Humor na luta:

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Conferindo

Presidida por Luís Marques Guedes e comandada por Maria Luís Albuquerque, – acompanhados por um jovem g.n.i. (governante não identificado) – ocorreu mais uma conferência de imprensa do governo. Correu tudo bem. A ideia era a de levar a cabo uma operação de terrorismo comunicacional sem que as vítimas sentissem dor (como acontece com as mordeduras dos vampiros). E assim foi. Sei que foi assim porque não aconteceu nada aos conferencistas – que se retiraram com o mesmo ar sonso com que entraram -, sem que alguém, ao menos, lhes subisse para a mesa e lhes atirasse…confetis. Os jornalistas “independentes” convidados, depois, a comentar, estiveram todos a contento, fornecendo mais uma dose de anestesia. De modo que, quando o untuoso Paulo Rangel, desbundou em entusiástico apoio, já pareceu normal a muita gente. Destoou Manuela Ferreira Leite que malhou no governo com juvenil entusiasmo. Ao que isto chegou!

Oh Jerónimo, francamente!

11141764_809356702491052_4987628384302809147_oUm dirigente político não tem descanso nas solicitações a que comente tudo e mais alguma coisa, seja em que lugar for, sejam quais forem as condições. E porque isso faz parte das obrigações que a sua condição impõe, ele corresponde e responde. A palavra é a sua arma. E como a comunicação, para que os jornalistas a divulguem, tem de ter em si alguma retórica mais exuberante – que, por vezes, resulta em grande, outras vezes, nem por isso -, a coisa nem sempre corre bem. Ora, tudo isto vem a propósito das respostas dadas pelo meu ilustre amigo e camarada Jerónimo de Sousa quando, durante uma uma daquelas entrevistas de passagem, caracterizando o PS, afirmou que aquele partido “não é carne nem peixe, é como que um caranguejo moído”; mais tarde, confrontado com esta declaração, deu ao nobre crustáceo uma caracterização mais, digamos assim, cinética: “o PS é como um caranguejo porque não anda para a frente nem para trás, anda para o lado”. Meu caro Jerónimo, se queres caracterizar o PS pela sua indefinição, a sua desorientação política e a sua incapacidade de ser, sequer, assertivo em alguma proposta, tens mil recursos estilísticos, analogias, metáforas. E animais sem fim. Mas o caranguejo? O insigne membro dos crustáceos, infraordem dos brachyura? Que inclui maravilhas zoológicas – e gastronómicas…- como a navalheira, a santola, a sapateira?! [Read more…]

Claro como água

O Observador oficial da extrema-direita pariu uma proposta de nova Constituição. Fui ver. Onde está:

Artigo 1.º

República Portuguesa

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Riscavam a vontade popular, e o resto.

Ainda não substituíram pela jurisprudência divina ou o voto censitário dos empreendedores, nem assumem que querem uma sociedade presa, injusta e de caridade.

Fica para o próximo sonho erótico, seja com a tropa, ou com um Sebastião vindo e cavalgando seu submarino branco, ou mesmo a América após a vitória de um candidato do partido do chá.

Multiplicai-vos e coisa e tal

Ora vamos lá pôr as medidas governamentais por ordem:
1º – baixaram brutalmente os salários e condições de trabalho à função pública.
2º – aumentaram os horários de trabalho dos funcionários para, pelo menos, 40 horas.
3º – vão permitir aos mesmos funcionários, se eles produzirem descendência, a dispensa de meio dia de trabalho.
4º – pelo meio dia de trabalho atrás mencionado, caso usufruam tão generosa dádiva, descontarão 40% do salário.
Sei que há outras propostas vindas da mesma fonte. Mas este é o “osso” da questão. Passem-me um pau de marmeleiro, que quero responder.

A elevada probabilidade do Dono Disto Tudo se safar

RS sorri

Sabemos bem como acabam estas histórias. Muito aparato e abundância de informação que parece anunciar que desta vez é que vai ser, mas no final do dia o mais provável é ninguém ser responsabilizado. Oliveira e Costa e Dias Loureiro vivem uma vida tranquila, após terem arrastado o país para o buraco fraudulento do BPN, cuja factura para os contribuintes já terá ultrapassado os 6 mil milhões de euros. Nada lhes aconteceu. João Rendeiro também vive em liberdade, após a hecatombe do seu BPP, que tendo ficado mais barato para o pagador do costume, ainda custou algumas dezenas de milhões ao erário público. Hoje diverte-se na BlogosferaJardim Gonçalves até chegou a ser condenado a dois anos de cadeia por crimes de manipulação de mercado e falsificação de documentos mas, como sabemos, as elites podem sempre pagar uma fiança avultada, neste caso 600 mil euros, e ficam imunes às decisões judiciais. Ter dinheiro coloca-nos, efectivamente, acima da justiça. Até porque a maioria dos criminosos não consegue açambarcar tanto.

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O incómodo amigo do primeiro-ministro

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Foto@RTP

Na semana passada, o país ficou a saber que Pedro Passos Coelho recrutou um ex-patrão e militante do PSD para delegar a responsabilidade de preparar o programa do PSD para as Legislativas deste ano. O amigalhaço em causa é Rogério Gomes, empresário que, tal como o primeiro-ministro, aparenta possuir uma vasta experiência no campo das ONG’s, experiência essa que, segundo o DN, lhe permitiu, através da ONG que actualmente gere com a esposa, fazer alguns ajustes directos com dinheiros públicos a instituições às quais esteve ou está ainda ligado.

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Aviso aos filhosdaputa que nos governam

É bom que vejam a reportagem da Ana Leal, que ontem foi exibida pela TVI.  À partida estais-vos na tintas: são hospitais públicos, os privados florescem, é coisa para pobres.

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Mas há um detalhe, ó filhosdaputa. São serviços de urgência. Ora não há privados que cubram as urgências de um país, pelo simples facto que este lado do negócio apenas dá lucro em Lisboa e Porto e mesmo assim não cobre todas as necessidades. E depois os serviços de emergência médica não vos vão diferenciar se vos estampardes numa estrada, se tiverdes um ticoteco na rua, uma emergência, portanto.  Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.

Resta-vos, depois da razia feita sobre o Serviço Nacional de Saúde, uma hipótese, é claro: não sair de casa. Mas é aborrecida.

Business as usual?

Lembram-se deste flop, faz agora um ano, em que um fuzileiro lança um drone e este cai directo no Tejo? Trata-se de um AR4 Light Ray da empresa Tekever, cujo CFO é Rodrigo Adão da Fonseca (RAF), homem da blogosfera (O Insurgente) que tem uma ligação de longa data com o actual  Ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco (JPAB), que remonta a 2010 quando assumiu funções de assessor do então líder da bancada parlamentar do PSD e coordenou a moção estratégica de JPAB nas internas do PSD. Após a vitoria de Pedro Passos Coelho,  JPAB abandonou a liderança parlamentar social democrata e RAF deixou de ser seu assessor, sem que tal o colocasse em situação de ruptura ideológica com o PSD. Pelo contrário.

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Recompensar a má gestão bancária

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Foto@Econintersect

A edição online do jornal I revelou ontem que o conjunto dos 4 maiores bancos nacionais – BES, BPI, BCP e CGD – acumulou prejuízos na ordem dos 9,5 mil milhões desde que há quatro anos Portugal se submeteu ao plano de austeridade que teve no resgate dos bancos a sua principal prioridade. Claro que, e o jornal fez essa mesma referência, metade desta catástrofe bancária diz respeito à hecatombe BES, cuja custo directo para o contribuinte rondará já os 5 mil milhões de euros, valor esse que dificilmente será recuperado na totalidade. Mais uma factura das aventuras bancárias com a chancela do liberalismo económico a ser suportada pelos otários do costume: nós.

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A Primavera Passista

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Como diria Diácono Remédios, “a notícia é uma boa notícia“. E é mesmo. Todo o emprego que alguém quiser criar neste país é sempre bem vindo, excepto nos casos em que se verificar tratar-se das subespécies “exploração” ou “pré-escravatura”. E logo a Concentrix (nunca ouvi falar) ,uma empresa que apesar de não confirmar, o Expresso sabe que tem a Apple entre os seus clientes. Fiquei tão entusiasmado com tudo isto que até coloquei ali em cima o logótipo Compro o Que é Nosso, que é um logo bonito e que me enche de esperança no amanhã em que valorizamos o que é nacional, apesar de não ter grande coisa a ver com esta situação específica. Abençoados os anos de eleições e as Primaveras do optimismo e da ilusão que antecedem Verões de porcos no espeto, concertos de música pimba à borla, canetas, isqueiros e réguas com fartura! Venham daí essas descidas de impostos e os programas para resgatar emigrantes da hecatombe socrática que o desgraçado do Passos herdou. Ah, o triunfo da austeridade em todo o seu esplendor!

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Crónica do país feliz

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Finalmente e num golpe de génio – como era de se esperar – o nosso governo descobriu e anunciou ao País qual o problema central de que ele, País, padece: os altos custos do “factor trabalho”(como eles gostam de dizer). Quer dizer, ganhamos demais, para desgosto das empresas que, como se sabe, são o sal da terra e seriam perfeitas se não tivessem lá os trabalhadores a atrapalhar. Erguei, pois, as mãos aos céus, prezados concidadãos, e agradecei a bênção de serdes governados por gente de tal dimensão. Em que vós votastes maioritariamente, diga-se. Por isso, nos olhos de, pelo menos, 50% de vós devem correr lágrimas de alegria. Não deis, porém, importância, aos a que apresentam humidade facial provenientes de sentimentos pouco cristãos como raiva, revolta, ou desgosto. É gente que carece da necessária sensibilidade para apreciar o requinte de um pequeno (e, portanto, gourmet!) ordenado ou pensão. Ou mesmo a sua ascética ausência. Lembrai-vos (está escrito!) como este estado vos permitirá entrar ágil e airosamente no reino dos céus, enquanto um rico terá de gastar um dinheirão a mandar fazer uma agulha para entrar pelo buraco da dita montado num camelo.