Notícias da quadra

- Pontapeando a letra e o espírito da Constituição da República, o governo decidiu, mesmo antes de negociar serviços mínimos – como manda a lei – decretar a requisição civil na TAP. Nem discuto aqui as razões da greve em causa nem me importa trocar comentários sobre a sua justeza. Já se ultrapassou esse ponto. É um direito que é gravemente ferido. Mais um.
– Título de um jornal: “Polícia de Intervenção pronta para exame dos professores”.
Não. Não é um bom Natal. Não me peçam paz.

Submarinos, Estaleiros de Viana, corrupção internacional: uma investigação jornalística


Entrevista com o autor do documentário pela Renascença aqui.

Memória dos anos 80 e seu Bloco Central

Não sei o que bebem nos jantares parlamentares de Natal, mas produz efeitos notáveis. António Costa recordou e exaltou os tempos do Bloco Central dizendo  que nos anos 80 “tudo teria sido impossível sem a grande capacidade de mobilização, sem a capacidade política mobilizadora do colectivo nacional que Mário Soares assegurou e nos permitiu sair da crise”. Como há sempre uma emenda pior do que o soneto, já reforçou a asneira:

O que eu quis sublinhar é que o bem mais precioso que o país tem perdido ao longo destes anos é a confiança e que não há nenhum país que seja capaz de vencer uma crise, de superar as suas dificuldades sem recuperar a confiança e dei o exemplo do doutor Mário Soares e da forma como liderou esse Governo.

Deve pensar que a malta anda com amnésia, ou que a tia Merkel também nos ofertou a prima Alzheimer.  Nem de propósito esta tarde passei pelo meu sótão e como de costume não encontrei o que procurava mas dei com um saco onde, entre outras memórias do meu tempo de estudante, estava esta preciosidade:

cabula001
cabula002

O artigo tem a curiosidade de ter sido escrito pelo Marinho da Anop, hoje mais conhecido por António Marinho Pinto, que me substituíra na coordenação do primeiro jornal da Secção de Jornalismo da AAC, episódio que, esse sim, deixo para trás, pela consideração que me merecem vários dos envolvidos. O mesmo não direi da Luís Parreirão, que de presidente da Direcção-Geral saltou para uma conhecida carreira na política e negócios, mais nos negócios Mota Engil que na política. [Read more…]

Processo dos submarinos arquivado

submarino-capa-0389

Este post é só para dar os parabéns à investigação policial, aos magistrados e aos envolvidos no geral. Conforme se lê na VISÃO, o Ministério Público decidiu não levar a julgamento nem deduzir acusações contra os arguidos do famoso Caso dos Submarinos, que investigou, durante oito anos, o negócio dos submergíveis comprados aos alemães. Consta que não houve intenção “clara” de beneficiar o consórcio alemão (a luz estava apagada) e mesmo que tenha havido qualquer coisita, isso prescreveu há uns meses.

Assim sendo, passados estes oito anos de telejornais e de tinta gasta na impressa, concluímos que nos andaram a enrolar o tempo todo. Não se passava nada. Era fumo. Houve quem recebesse comissões milionárias sem que se perceba em que medida contribuíram para merecerem tamanho valor; Jacinto Capelo Rego fez depósitos em numerário na conta do CDS; houve condenados por corrupção na Alemanha. Mas o importante é que cá nada se passou. Tirando esse detalhe de alguma coisa se ter passado mas que já prescreveu.

 

O meu corrupto é melhor que o teu

CAA(fotografia@DN)

O fervoroso adepto portista Carlos Abreu Amorim (CAA) sentiu-se derrotado pela segunda vez no espaço de dois dias. Depois do desaire no reduto do F.C.Porto frente ao adversário da segunda circular, CAA ficou novamente em choque após ter conhecimento da visita de Pinto da Costa ao recluso nº44 do estabelecimento prisional de Évora, um infame “magrebino” que, para tornar as coisas ainda mais graves, é uma velha glória do partido adversário.

[Read more…]

Maria “vai com as outras” Passos Coelho

Passos expresso(fotografia@Expresso)

Falando perante um auditório maioritariamente composto por potenciais boys e assessores lambe-botas, Pedro Passos Coelho não perdeu a oportunidade de polir os neurónios dos seus soldadinhos de chumbo reunidos em congresso. Entre outros malabarismos vocabulares a que nos vem habituando, das mentiras calculadas que usou em campanha para iludir os portugueses ao ridículo que foram as suas inúmeras gaffes relativamente ao caso Tecnoforma, o primeiro-ministro disse este fim-de-semana aos seus mais destacados abanadores de bandeiras que “Nós (eles) não vivemos em fantasias”. Ninguém diria, pelo menos a julgar pelo vídeo recentemente tornado público pelo PSD, repleto de fantasias e mentiras, ou se tivermos em conta a fantochada que nos tentam vender relativamente ao falso milagre da queda do desemprego, principalmente agora que o Banco de Portugal, liderado pelo insuspeito (pelo menos na São Caetano) Carlos Costa, nos revelou que os números do governo foram falseados pelo estratagema dos estágios profissionais convertidos em empregos para efeitos estatísticos. Penso que estamos esclarecidos quanto às fantasias e quanto ao quão básico é este primeiro-ministro e os insectos parasitas que rondam as suas fezes.

[Read more…]

Marques Mendes, o consultor

marques mendes

Cuidado com as carteira na Unidade Local de Saúde do Alto Minho. Ele anda por aí.

Quando a propaganda choca com a realidade

propaganda-news

Propaganda:

Apesar da crise, “quem se lixou não foi o mexilhão”, garante Passos

O primeiro-ministro considerou esta sexta-feira que o Governo conseguiu que “quem tinha mais” tenha contribuído mais para o esforço de superação da crise, permitindo contrariar o adágio de “quem se lixa é o mexilhão”.

“Ao contrário do que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…), desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais, disso não há dívida”, afirmou Pedro Passos Coelho, em Braga, no encerramento de um seminário sobre Economia Social, organizados pela União de Misericórdias de Portugal. [PÚBLICO]

Realidade:

Crise tirou 3,6 mil milhões aos salários e deu 2,6 mil milhões ao capital

Entre o início da crise financeira de 2007/2008 e o final de 2013 assistiu-se, em Portugal, a uma transferência de riqueza do factor trabalho para o capital de grandes proporções, indicam vários economistas. [Dinheiro Vivo]

Candura

cavaco silva

Ouvi uma e outra vez a declaração de Cavaco Silva sobre a candura e inocência da sua intervenção que, em tempo, garantia a saúde do BES e convidava os investidores a atirarem-se de cabeça. O presidente põe-se – como acontece com outros intervenientes neste processo – em posição de equilibrista sobre a linha traçada entre as duas alternativas desta dicotomia: ou é destituído das qualidades políticas, intelectuais e morais que o cargo exige (notem como, gentil e cortêsmente, evito dizer o que alguém mais… abrupto não hesitaria em dizer: “ou ele é um rematado idiota…”), ou produz aqui uma ou várias inverdades, já que o que diz não é compaginável com a realidade ( o nosso amigo mais desinibido diria: “…ou é um impenitente e incurável mentiroso”). Por mais voltas que se dêem, não há uma terceira possibilidade. A não ser que acumule.

A comissão

Nestes dias, banqueiros, super-banqueiros, governantes e super-governantes têm dado um espectáculo obsceno a que assistimos perplexos e, para quem tinha ilusões, desiludidos. A trafulhice, a mentira, a guerra e o respectivo salve-se quem puder, põem-nos frente à evidência de que muitos dos ídolos da finança e da governança, que tantos louvam como se fossem gigantes, não passam de pigmeus morais. E nem sequer, pelo que se vê, se distinguem pela competência. Quem se vai distinguindo neste descaminho são, é bom que se diga, os deputados da Comissão Parlamentar. Nem faço aqui distinções ou exclusões, sabendo, quem me conhece, da minha óbvia preferência pela parte esquerda (alta…) da mesa. Sempre é refrescante, para crédito da Democracia, ter a percepção que os eleitos estão, diligente e competentemente, a fazer aquilo para que os elegemos. No meio do lamaçal, é bom encontrar algum terreno firme, alguma segurança que se possa atirar à cara dos que dizem que os políticos são todos iguais. Sabemos bem, sobretudo quem visita com alguma frequência o canal AR, que é nas comissões que se passa algum do trabalho mais nobre do parlamento. Mas ver deputados a aguentar, concentrados e intervenientes, 18 (!!) horas de sessão – alguns foram sendo substituídos, outros fizeram o pleno -, escancarando à nossa frente este sinistro enredo, tem de ser saudado. Precisamos de sentir que, nesta encruzilhada, alguém nos representa.

Eu é que não fui

Depois da maratona da comissão parlamentar (18 horas a ouvir Salgado e Ricciardi! Já houve quem fosse canonizado por menos), os telejornais da manhã estão em grande, com os mais diversos figurões a sacudir comichões quais cães com pulgas. Ele é o Costa do Banco de Portugal, ele é o viscoso Passos do Conselho (de ministros, claro) e, até, um encavacado Cavaco. Os temas são: não digo nada que é confidencial, não tenho nada a ver com isso, a culpa não é minha, é do outro menino, etc. e tal. Vão ver que a culpa é nossa. Pelo menos os patos que pagam a conta, somos.

Passos Coelho e a reciclagem das metáforas

sapato-mexilhao_21195868Passos Coelho, há dias, resolveu fazer uma revelação. Como já tinha decidido utilizar uma expressão popularucha, compôs, como qualquer mau comediante, um ar de quem está a conter o riso, de modo a que o público percebesse que deveria rir. E o público riu, porque com as piadas do chefe não se brinca.

Passos Coelho revelou, então, que, ao contrário do “que era o jargão popular de que quem se lixa é o mexilhão, de que são sempre os mesmos (…) desta vez todos contribuíram e contribuiu mais quem tinha mais (…)”.

O mexilhão, portanto, segundo Passos Coelho, desta vez, não se lixou. Foi nesta altura que descobri que comungo com o primeiro-ministro do mesmo gosto por brincar com a metáfora, a pilinha dos intelectuais e dos cómicos sem talento. De qualquer modo, e seguindo os caminhos desembaraçados do “jargão popular”, quem brinca com o que tem a mais não é obrigado.

Num primeiro momento, pensei que Passos Coelho estivesse a cair no simplismo de considerar que os mais necessitados corresponderiam, como é costume, ao mexilhão, mas não ficaria bem a um primeiro-ministro brincar com a vida de uma maioria de gente que empobreceu. Quando, depois, li que “o fosso entre ricos e pobres está agora no pior nível dos últimos 30 anos”, e tendo em conta quem não se lixou, percebi quem são os bivalves e confirmei que a pedra continua a ser o povo: a água mole continua a desempenhar o seu papel e o mexilhão sobreviverá.

Rio corre

rui rio
A campanha “volta Rio” ou “chega-te à frente Rio” prossegue a bom ritmo. Mais uma entrevista “de fundo”, desta vez a Maria Flor Pedroso. “Fundo” é, aliás, uma palavra que não vem muito a propósito nas elucubrações de Rui Rio, já que a superficialidade é por demais evidente. Evasivo, enunciando as generalidades básicas habituais sobre as grandes mudanças que, segundo ele, é urgente fazer, mudanças cuja dimensão não ultrapassa o esbracejar do entrevistado, já que, se não são vazias de intenção, são vazias de conteúdo. Rui Rio quer mudar o regime, mas não sabe o que fazer. Logo, repete-se em vulgaridades até à náusea e foge à reflexão sobre questões concretas como as crianças apanhadas com a mão no doce. Tenta agitar aquilo a que esta malta chama grandes ideias as quais, pela sua grandeza, parecem não ser passíveis de ser enunciadas de modo a que os simples mortais as alcancem. Mas, se confiarmos neles, garantem, logo veremos, extasiados, o maná que aí vem. Rui Rio prepara-se para cumprir o papel que lhe foi atribuído: ser o putativo líder do PSD que possa ser aceite no seio de um bloco central em caso de necessidade. Até lá, procura, por todos os meios, divulgar aquilo que ele julga ser uma visão do país e dos seus problemas. Mobilizei a minha coragem e a minha paciência e, com a ajuda de uma Água das Pedras, aguentei toda a entrevista. E o que penso do pensamento de Rui Rio? Não penso grande coisa: não tenho objecto.

DN apaga notícia online

Estava aqui, e ainda continua na cache do google. Nem tem nada de especial, é apenas mais uma ligação de Marques Mendes ao mundo da trafulhice, coisa que deixa os responsáveis da SIC muito mais descansados.

dn

A Abreu Advogados – escritório de Lisboa em que Marques Mendes é consultor desde 2012 – tratou de uma em cada três atribuições de visto gold a estrangeiros pedidas ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Na sua maioria referentes a cidadãos chineses.
No total, este escritório de advogados fundado por Miguel Teixeira de Abreu, terá ajudado na obtenção de um número substancial destas autorizações de residência, juntamente com a sociedade de advogados PLMJ, fundada por José Miguel Júdice e da Caiado Guerreiro & Associados. Segundo soube o DN, este levantamento estatístico foi feito, está referenciado na investigação da OperaçãoLabirinto e ajudou a que Ministério Público e o juiz de instrução criminal,Carlos Alexandre, percebessem melhor onde e como procurar os indícios relativos a alguns arguidos.

Reality Showcrates

Casa dos Sócrates

Bem-vindo à Casa dos Corruptos, o reality show onde o participante não sai da casa, entra. Nesta casa, a voz de comando é o juíz Carlos Alexandre e no lugar de Teresa Guilherme temos o CM e o Sol, que é mais ou menos a mesma coisa. Infelizmente não dá para votar nos corruptos que queremos ver lá dentro. Aqui o esquema consiste em, de vez em quando, apanhar um potencial concorrente que tenha dado mesmo muito nas vistas e metê-lo na casa para a malta se entreter em frente ao ecrã. Só que desta vez apanharam um participante de elevadíssimo potencial polémico e as audiências dispararam como nem a TV 7 Dias podia prever. Tudo pode acontecer, é o show da vida real!

[Read more…]

Será possível que não vejam a figura que fazem?

padrinho

Há duas hipóteses. Ou a justiça está completamente destruída e tomada pelo poder político ou então então estamos perante famílias políticas, a viverem em circuito fechado e a defenderem os seus. Nenhuma delas me tranquiliza como explicação para o circo que temos vivido.

Entretanto, importa não esquecer o caos que a educação e a justiça estavam (estão?) a viver mesmo antes da bomba estoirar. Há coisas más de mais para que se safem à conta do desastre alheio.

Soares, o optimista

ng1779000

©LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS (http://bit.ly/15Sodjd)

Ao contrário daquilo que por aí se escreve, Mário Soares nunca foi um ‘otimista’. Aliás, basta uma pequena consulta (aqui, ali e mesmo acolá) para rapidamente se perceber que a palavra é optimista. Exactamente: optimista, como eléctrica. Efectivamente.

Quanto ao optimismo que por aí anda acerca da aplicação do Acordo Ortográfico de 1990, uma leitura do Diário da República de hoje conduzirá a um estado de profundo pessimismo.

Lamentamos imenso, mas a culpa não é nossa. Não, não é nossa. Obrigado, Nabais.

dre 5122014Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Sobre a fábula do milagre da descida do desemprego

Hugo Soares Passos Arrastão“Birds of a feather flock lie together” 

(foto: blogue Arrastão)

Há um mês atrás, o dispendioso Hugo Soares citava o INE para, no âmbito das habituais manobras de manipulação e propaganda ao serviço do seu querido líder e respectiva corte, nos informar sobre o milagre da descida do desemprego, essa fábula social-democrata de enorme aceitação em algumas zonas agrícolas dedicadas à criação de gado ovino da raça jota lusitana.

Um mês depois, o mesmo INE, citado apenas e só quando conveniente, revela-nos dados sobre a emigração desde 2011: 100 mil em 2011, 121,5 mil em 2012 e 128 mil em 2013. Não existem dados oficiais para 2014, até porque o ano ainda não acabou, mas a cifra poderá atingir os 500 mil, se considerarmos o valor acumulado desde 2011.

E assim vai o mundo de contos para crianças que querem vir a ser governantes do país que está melhor com pessoas que estão cada vez pior. Excepto se formos um Hugo Soares claro, aí só haverão razões para sorrir que as ajudas de custo do Parlamento, não sendo as da Tecnoforma, chegam e sobram para viver – à grande – por cá.

Faltas

Há dias fui fazer uma TAC no Hospital da Universidade de Coimbra. A hora do meu exame foi alterada por telefone e antecipada mais de uma hora pois estavam a faltar doentes que tinham marcação para essa tarde.

Este facto, aparentemente irrelevante, esconde, na maioria dos casos, um dos dramas para que nos está a atirar este governo sádico: muitas pessoas não têm dinheiro para beneficiar de assistência médica, nem pública nem, muito menos, privada. Muitos doentes faltam a exames, a consultas, a tratamentos, por não terem dinheiro para deslocações nem para as taxas moderadoras. Depois, nem para medicamentos.

Como dizia alguém, em conversa, numa farmácia, “eu para a taxa para entrar na urgência ainda tenho dinheiro; mas não sei se tenho que chegue para, se fizer algum exame, pagar à saída”.

Há dias, numa das suas discursatas, o 1º ministro, descaradamente, ufanava-se de ter salvo o Serviço Nacional de Saúde. Não sei o que mais me revolta: se estas palavras se o facto de saber que há quem acredite e defenda isto

Manuela e os cães

Manuela Moura GuedesManuela Moura Guedes, recebeu, recentemente, tratamento hospitalar por ter sido mordida pelos seus próprios cães.

Desejo, sinceramente, as melhoras da vítima. Mas não posso deixar de me interrogar sobre as causas de tão estranha ocorrência. Vai daí, consultei especialistas, mergulhei na bibliografia sobre casos que tais e, segundo apurei, podem ser duas as razões: ou a Manuela tinha feito mais uma intervenção no rosto (plástica, botox a mais, maquilhagem estranha ou qualquer outra razão do género), ficando irreconhecível para bichos, ou os cães assistiram ao desempenho da sua dona no programa televisivo Barca do Inferno.

Em caso de julgamento, estas são explicações que militam em favor dos caninos como sérias atenuantes.
– Nota: os animais estão bem

A social-democracia às voltas na campa

Sá Carneiro

Cumprem-se hoje 34 anos desde o dia em que Francisco Sá Carneiro – a.k.a. D. Sebastião laranja – faleceu no muito mal explicado desastre aéreo de Camarate. Segundo a mitologia social-democrata, não tivesse Sá Carneiro sido assassinado e teria sido o melhor primeiro-ministro da história mundial. Com Sá Carneiro a liderar o país, Portugal seria hoje, muito provavelmente, uma das principais potências económicas europeias. Mas como mal teve tempo para aquecer a cadeira, vamos ficar para sempre sem saber. Afinal de contas, o que mais há neste país são primeiros-ministros incompetentes com direito a um ano de estado de graça.

[Read more…]

‘Bora pedir um habeas corpus?

Fogo, é só viúvas!

E o PS dos negócios?

robalos_cx (Medium)

Balanço deste renovado PS: há gente de esquerda na direcção (sim, a social-democracia é de esquerda e negá-lo depois de ter sido assaltada pelo neoliberalismo é um disparate sem perdão), e pelo melhor barómetro correu bem: o Nuno Melo saiu aos gritinhos, o Marco António de trombas, o professor Vítor Cunha já perdeu o jogo, a extrema-direita em geral ficou em pânico (é ouvir os seus habituais comentadores ditos jornalistas e independentes, vulgo putas longe do Intendente).

Mas subsiste um problema, aliás o problema (deixo de lado o programa, dando tempo até que esteja clarificado): o que fez do PS o partido de Sócrates e Vara não foi Francisco Assis, não foi a ideologia. Foram os negócios, uma autoestrada que Mário Soares abriu (vd. o caso BES, que é todo um tratado). Sei bem que muitos não fizeram disso o seu negócio (a começar por Soares que entre outras coisas não é parvo) e os que fizeram não os vejo agora pelo lados do Rato. Mas governaram para isso, para a rede clientelar da pequena, média e grande corrupção, que arrasou com esta democracia.

Falta essa garantia, e o programa, é claro. Depois sim, veremos se é possível um governo à esquerda com o PS.

Info-trampolineiros

Por interesse de cidadão, decidi tentar acompanhar o Congresso do PS. RTPInf., Carlos Daniel, o futeboleiro, às alavancas. Tratando as coisas como se os diálogos com os convidados fossem painéis da bola e as entrevistas de corredor fossem aquelas inconcebíveis reportagens que se fazem à entrada e saída dos jogos. Tudo ficaria pela piada e pela incompetência, não fora a visível agenda do pivô. Reaccionarote, com um estilo francamente tablóide, conseguiu, com total desprezo por quem queria ser informado sobre o que se passava no Congresso, centrar-se exclusivamente em Francisco de Assis que, entretanto, já tinha tido a sua birra e tomado o avião.

Que pensa do abandono de Assis? E do “pensamento” de Assis? E do facto de o Assis, anulando a sua inscrição como orador, ter proposto Jaime Gama para candidato à presidência em entrevista aqui ao rapaz -(“vamos então passar, em repetição essa parte”, repetia, contente) ? E que pensa de só Assis ter uma proposta de aliança com a direita? Não acha que é a única hipótese para o país? Não acha que Assis abandonou por ver o PS numa “deriva esquerdista” (sic)? Não acha Assis um grande ausente? O que é o PS sem Assis? Assis…Assis…Assissssss. [Read more…]

Mário Soares

Sobre a coerência política de Mário Soares, a recordar este texto de Clara Ferreira Alves

Coisas que me ocorrem às 3 da manhã

Sabem o que é irónico? Irónico é pensar que ao longo dos anos, Oeiras tornou-se no alvo das piadas de humoristas, comentadores políticos, analistas e afins que abertamente criticavam ou gozavam com os eleitores do concelho que repetidamente votaram em Isaltino e nos seus sucessores. Irónico é perceber que não vimos nem metade das piadas, dos comentários sarcásticos, dos artigos tipo, “oh meu deus o povo é tão estúpido” quando Soares abraçou Isaltino e disse para toda a gente ouvir que o que lhe aconteceu foi uma injustiça. Não me lixem. A elite política de Soares a Portas (nem venham com a história dos partidos que não há paciência) e uma parte da elite “intelectual” portuguesa funcionam dentro da ideia de que há uma justiça para uns e uma justiça para outros. Funcionam assim porque no fundo, o povo, como os eleitores de Oeiras, eram ignorantes e atrasados enquanto Soares é o pai de Democracia e um iluminado que nós temos no mínimo de “respeitar”. A relação das classes “pensantes”, políticas, académicas, literárias etc. com o povo sempre foi má porque o “povo”- essa massa homogénea de pessoas que vota no Isaltino e vai aos saldos ao Pingo Doce no 1 de Maio – desaponta. Mas o povo também são eles.

A fonte e o mal

Agora que o poder judicial está sob desafio, era bom que não houvesse confusões quando se fala em corrupção e lixo jurídico. Não esqueçamos que é o poder legislativo, com maiorias determinadas, agentes determinados, leis determinadas, intenções determinadas, que produz as leis que permitem fazer negócios e transacções públicas e privadas que, sendo formalmente legais, podem ser abjectamente imorais e éticamente contaminantes. Confunde-se legalidade com legitimidade.

A conformidade com a lei ostentada por muita da acção e decisão dos governos, não garante nada senão uma obediência ao, em tempo, prescrito e aprovado que pode, ela própria, ser intolerável para qualquer cidadão com um mínimo sentido de decência. É política, pois, aquilo de que falo. E as leis podem ser boas, más, mas nunca neutras, pelo que a tensão entre elas traduz uma conjuntura do conflito social. Não nos espantemos, então, que também as mais brutais agressões sociais e os mais moralmente repugnantes negócios públicos se fundem e suportem nas leis da República, elaboradas e aplicadas por maiorias devidamente legitimadas pelo consentimento eleitoral.

Quem analisar, brevemente que seja, a arquitectura contratual de uma PPP à portuguesa, percebe imediatamente do que estou a falar. A corrupção está, frequentemente, na lei. É sistémica. E tem actores,autores e mandantes. É essa uma fonte do mal. Ou do Mal, se quiserem. Ou, dito de outro modo, é a luta de classes, pá.

Confusões convenientes

É confrangedor ver a ligeireza com que jornalistas e comentadores televisivos de direita (passe o pleonasmo…) manipulam os factos nas suas análises. Nem digo que seja sempre má fé; muitas vezes é pura ignorância. Não têm conta as considerações que já ouvi sobre o alegado embaraço que a corrente situação política provoca ao líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, considerado próximo e até colaborador dos governos de Sócrates. Ora vão lá estudar a história, criaturas. Ferro Rodrigues foi ministro nos governos de Guterres (XIII e XIV) e não nos de Sócrates. Da sua acção – e sou insuspeito de qualquer simpatia política por tais governos – retenho uma imagem de decência e de capacidade de diálogo à esquerda que os seus sucessores nunca tiveram. Foi o líder do PS antes de Sócrates e não merecia as circunstâncias em que foi substituído por este. Por isso, parem lá com as telenovelas e ajeitem a “narrativa”.

Com o bloco central quem paga é você!

tax payers banks

José Ramalho, vice-presidente do Banco de Portugal, a entidade supervisora que não supervisiona coisa nenhuma, disse ontem na comissão de inquérito do BES que seriam os bancos a pagar a factura do Novo Banco. Muitos contribuintes respiram de alívio ao ouvir estas palavras, pois não percebem que a Caixa Geral de Depósitos também é um banco, que por sinal é público e como tal de todos nós. Outros percebem isso mas esquecem-se que a contribuição de cada banco para o fundo de resolução é proporcional à sua quota de mercado e a CGD, nem de propósito, é quem tem a maior. Fica o lembrete. Seja o PS, seja o PSD, seja o BPN ou o BES, quem paga a factura, de uma maneira ou de outra, é sempre o mesmo. Sim meu caro, é você. Mas não se preocupe que o Sócrates está preso na cela nº44 e comeu cozido à portuguesa ao jantar. Se o Sócrates está preso é porque está tudo bem.

O seu a seu dono

Há muito quem se questione sobre se a gravidade de comportamentos criminais de alguns políticos – refiro-me aos já condenados – não é muito menor que a devastação que provocaram no desempenho, dentro da lei, dos seus cargos. É sim; frequentemente. Mas são coisas de natureza distinta. Por isso, aos juízes exijo o escrupuloso desempenho do seu papel, rigor e sentido de justiça, no estrito âmbito dos seus deveres. Quanto ao resto, nós tratamos da luta política. Recuso em absoluto alienar a minha responsabilidade de cidadão na acção de juízes. Já tivemos Tribunais Plenários, não queremos mais. Não quero que o sistema judicial se encarregue de me vingar as ofensas e agressões políticas. Isso é outro plano. As respostas políticas dão-se na sua esfera própria, seja qual for a sua natureza. Pacífica ou não. Quem de direito tratará da justiça. De nós espera-se justeza.