O grevista e o português

Montenegro espera que os grevistas “deixem os portugueses trabalhar”

Português: Olha lá, o que é que estás aqui a fazer?

Grevista: Greve.

Português: Então és um grevista…

Grevista: Sim, especialmente quando faço greve.

Português: Vai para a tua terra!

Grevista: Mas eu sou daqui!

Português: Daqui donde?

Grevista: Sou português.

Português: Não pode ser!

Grevista: Não pode ser como?

Português: O nosso primeiro-ministro disse que quem é grevista não é português.

Grevista: Olha que carago! Queres ver que perco a nacionalidade por fazer greve?!

Português: Não sei de nada! Se o Montenegro disse, é porque é verdade.

Grevista: Olha aqui o cartão de cidadão, pá!

Português: Isso é um bocado de plástico, deve ter sido o sindicato dos comunas que te arranjou isso. Vai para a tua terra!

Grevista: Então e qual é a minha terra?

Português: Deve ser a terra das greves, sei lá!

Grevista: E nessa terra, as pessoas estão sempre em greve?

Português: De certeza, é gente que não quer trabalhar.

Grevista: Então, um grevista é alguém que não quer trabalhar?

Português: Se quisesse, trabalhava.

Grevista: E se trabalhar, já é português?

Português: Claro.

Grevista: Pronto, às vezes, é preciso não ser português.

Prostituição política

“O resultado natural destas eleições é a vitória da AD”: a convicção de  Passos Coelho no regresso aos holofotes

Para alguns portugueses – incluindo André Ventura, que parecia um groupie erecto a contemplar o criador – Pedro Passos Coelho é uma espécie de figura messiânica e impoluta que paira acima do comum mortal.

Não é o meu caso.

Ainda tenho memória das mentiras pré-eleitorais, daquilo que foi feito a Manuela Ferreira Leite, da escolha entre a aprovação do PEC IV ou eleições internas, da Tecnoforma, do “ir além da Troika” e de outros sucessos de bilheteira que demonstram, de forma categórica, que Passos não só não paira como está ao nível de qualquer comum mortal, com virtudes – eu não as conheço, mas seguramente as terá – e defeitos.

[Read more…]

Político, a profissão mais antiga do mundo

«Faz de mim a tua puta»
Pedro Abrunhosa, “Não posso mais”

Passos Coelho reapareceu e começou por permitir que o gravassem em amena cavaqueira com André Ventura, o seu filho dilecto. Logo aí deixou escapar a ideia de que é preciso mais ritmo e de que as pessoas estão «impacientes». Ventura contrapôs que as pessoas estavam «desanimadas», mas Passos, grave, não concordou, impacientes é que era.

Este duelo de adjectivos caracteriza bem as pitonisas do espaço público que sabem tudo sobre o que as pessoas ou os portugueses ou o povo sentem, precisam, sabem, entre outras intimidades. Passos, Ventura e outros do mesmo calibre afectam penetrar na psique colectiva com uma facilidade que faria inveja ao mentalista mais competente. Da próxima vez que alguém me perguntar o que penso ou o que sinto, terei de pedir que aguarde a informação que me será enviada por Passos Coelho. Para já, fiquei a saber que estou impaciente.

Mais à frente, Passos fez referência a políticos que são «prostitutos sem carácter», que, ao que parece, são aqueles que, não sendo populistas, imitam os populistas. Por falar em populistas, é importante lembrar que André Ventura continuava na assistência.

O mesmo André Ventura veio explicar que Passos estaria a referir-se ao governo. André Ventura terá confessado que a expressão não poderia referir-se a si próprio, porque tem carácter. [Read more…]

André Ventura apoia violadores

“Agressões com socos, chapadas e coronhadas” 

“Vítimas humilhadas e filmadas; as gravações foram posteriormente divulgadas num grupo de whatsapp com setenta polícias”

“Um cidadão marroquino foi alegadamente sodomizado com um bastão; os agentes tentaram depois inserir um cabo de vassoura no anûs do cidadão imigrante” 

“Pessoas detidas sem acusação, algemadas no carro da PSP e obrigadas a cantar os ‘Parabéns’”

”Uma cidadã afrodescendente foi algemada como se estivesse num crucifixo” 

“Cidadão imigrante alvo de insultos foi obrigado a colocar-se de joelhos e a beijar as botas de agentes da PSP”

Continua…

jornal Público

André Ventura defende, apoia e exige mais violadores. Sobretudo, nas forças de segurança. É fácil: é o mais próximo dos métodos da PIDE-DGS que encontrou nos últimos tempos.

Chega acusa ministro Luís Neves de “fazer gala” de ações contra polícias e marca debate sobre forças de segurança

Sabemos, agora, que o líder a extrema-direita portuguesa tem um plano para os violadores portugueses: colocá-los na PSP e na GNR a violar imigrantes, sem-abrigo e mulheres. Finalmente um proposta concreta da extrema-direita.

A quem se achar surpreendido, nada temam, os sinais estavam à vista: André Ventura é da Opus Dei e fundou um partido destinado a pedófilos e violadores.

A todos os profissionais da PSP, especialmente ao Director Nacional, pede-se que se demarquem desta posição escabrosa dos proto-fascistas portugueses, a bem da instituição que, como é público, vai degradando a sua imagem, à custa de toda a merda que recrutou, na última década e meia.

João Marques de Almeida e as greves

João Marques de Almeida, alegado comentador televisivo, declarou que «as greves são um bom pretexto para não se ir trabalhar». Ou seja: há pessoas que decidem fazer greve, acto que implica não ir trabalhar e que, por essa razão, aproveitam para faltar ao trabalho. Não só faltam ao trabalho como, para cúmulo, faltam ao trabalho.

Como muitos outros alegados comentadores, também chama a atenção para o facto de que, mais uma vez, irá haver uma greve encostada a um feriado. Outros comentadores, tantas vezes alegados, também vivem revoltados com as greves às sextas, num prolongamento escandaloso do fim-de-semana.

Os alegados comentadores, no entanto, nunca acrescentam que o dia de greve corresponde a um desconto bastante largo no salário, o que é natural, uma vez que o verdadeiro objectivo não é comentar o cabimento da greve, é defender um mundo em que a greve volte a ser proibida.

Enquanto essa proibição não volta, é importante deixar no ar a ideia de que fazer greve é só uma forma injustificável de ser preguiçoso, aproveitando, ainda, o prolongamento de feriados e de fins-de-semana para usufruir de férias próprias dos privilegiados num país com um salário médio que mal dá para pagar a renda da casa.

João Marques de Almeida ainda alude ao problema de representatividade das centrais sindicais, mas, de quisesse ser sério, esperaria pela dimensão da greve, que, curiosamente, pode ser feita por qualquer trabalhador, sindicalizado ou não.

O mundo do comentário na comunicação social é um lugar muito mal frequentado. Vale pena comentar o comentário.

AI, AI, AI que a Máquina voltará a ser tema

Montenegro defende diálogo com Putin e gera um terramoto na redacção do Expresso

Efectivamente, reparai naquele Vladirmir em vez de Vladimir. Terá sido um sismo ou um avião de combate a passar a barreira do som? Não confundir a luz com o som. À luz, o paradoxo do pai e da mãe. Ao som, o Chuck Yeager (e o Sam Shepard).

***

CHEGA a fomentar a corrupção, com o apoio de algum PSD

O CHEGA é um partido que tem a corrupção na boca a toda a hora. Palavras. E actos?

Audições sobre financiamento dos partidos, à CIG e à ministra da Cultura adiadas pelo Chega
Tal como nos outros requerimentos, o Chega colocou um travão à votação destas audições, mediante um pedido potestativo — ou seja, de carácter obrigatório.

Talvez logo à noite sintonize a RTP, SIC e TVI para ver se os líderes partidários da oposição* aparecem a dizer alguma coisa ou se andam todos a dormir.

Mas o tema não só sobre o CHEGA. Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, Conselheiro de Estado e com um extenso currículo no PSD, defende o anonimato de quem financia os partidos com o argumento de que essa divulgação pode expor cidadãos a pressões no local de trabalho.

Rui Rio, considera “um disparate” a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos segundo a qual já não é possível saber quem financia os partidos e as campanhas eleitorais. Haja alguém com decência!

Voltando ao CHEGA e à história da corrupção, vê-se que é um feijão-frade com duas caras. Diz que é a favor da transparência mas veta-a logo que pode, como se viu perante o chumbo desta audição. Será porque tem telhados de vidro? Auditoria exige ao Chega explicação sobre 20 mil euros vindos de conta de milionário português nos EUA. Não foi um chumbo qualquer. Teve carácter potestativo. Foi algo que quiseram mesmo evitar.

*não é erro; o CHEGA é parceiro deste Governo, seja porque o Governo o escolhe para certos temas, seja pela adopção por parte do Governo de temas bandeira do CHEGA.

“Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.”

Colo aqui parte de uma entrevista a Nuno Cassola, actual professor na Universidade Milão Bicocca. Trabalhou cinco anos no Banco de Portugal, antes de ingressar no Banco Central Europeu onde esteve 20 anos nas direcções de Política Económica, de Mercados, de Investigação e de Supervisão.

Entre vários assuntos da actualidade (China, EUA, Irão, dólar, euro, soberania europeia, Trump, etc.), há um particularmente interessante sobre a vinda da Troika para Portugal.

Para quem não se recorde, na altura houve a célebre frase de Marco António Costa “Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“. Mas pin de Portugal na lapela é que é.

Esteve em Portugal antes da entrada da troika em 2011?
Estive, sim. A negociar o apoio do BCE ao PEC IV [Programa de Estabilidade e Crescimento], um programa que a oposição chumbou [23.3.2011] levando o Governo a cair, o que desencadeou o pedido de ajuda externa.

O que é que tinha sido acordado entre o BCE e o Governo da época, chefiado por José Sócrates?
A compra pelo BCE de títulos da dívida pública portuguesa [à volta de oito mil milhões] no mercado secundário para estabilizar as taxas de juro [os juros das obrigações a dez anos superavam os 7,75%]. Em contrapartida, era executado um programa de ajustamento sem a severidade do que viria a ser imposto pela troika [3.5.2011]. E, como bem se lembra, o Governo seguinte [Passos Coelho] disse que queria ir para além da troika. Em 2011, ainda acompanhei a troika em Portugal, antes de ir para Espanha, e nunca a troika exigiu às autoridades portuguesas tanta austeridade como a que foi feita. Pedro Passos Coelho foi mais papista do que o Papa.

Ficará sempre a dúvida sobre se o PEC IV teria sido eficaz, tendo em conta a gravidade da situação portuguesa naquele momento.
O que sei é que Portugal não teria tido o traumatismo de ter dentro o FMI e teria tido, talvez, um ajustamento mais suave. Para ser rigoroso, não há certeza de que o PEC IV cumprisse as expectativas, mas realmente não era tão restritivo, e, não o sendo, talvez a banca portuguesa não tivesse sofrido tanto. Talvez, não se sabe — e não se pode saber.

Segunda parte da entrevista: Nuno Cassola: “A China quer acabar com a hegemonia do dólar, mas não quer ter a moeda dominante”

A melhor arma contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia

Provedoria de Justiça pede revisão de candidaturas recusadas no programa  “Edifícios Mais Sustentáveis” - Expresso

No episódio do A Prova dos Factos que tem Mafalda Livermore como protagonista, é na reportagem que não tem nada a ver com o CH que podemos ter um vislumbre da formação do combustível que alimenta a narrativa da extrema-direita.

A investigação conta a história de várias associações de condóminos que submeteram pedidos de obras de beneficiação energética em prédios antigos, ao abrigo do PRR, e que, dada a demora da tutela em despachar os processos, muitas obras aprovadas correm o risco de não avançar devido à validade do apoio que termina a 30 de Junho.

A incompetência da tutela é revoltante. O Fundo Ambiental, que gere os 12 milhões de euros disponíveis, foi incapaz de cumprir os prazos a que estava obrigado. A investigação da RTP revela que as candidaturas submetidas até ao final de 2023 deveriam ter sido analisadas em 60 dias úteis. Algumas demoraram 540 dias. Um ano e meio.

Há também o caso dos pagamentos atrasados, e não são poucos, que colocam em causa a continuidade de obras em curso. A Prova dos Factos entrevistou gestores de alguns projectos que garantem que obras em curso há meses ainda não receberam um cêntimo do Fundo Ambiental. E empreiteiros que ameaçam deixar obras a meio se continuarem sem receber.

Incompetência total.

Mas não são só obras que se perdem. É o dinheiro que aquelas pessoas puseram do seu bolso. São horas de trabalho pós-laboral. São custos com autorizações, licenças, taxas e taxinhas. É a expectativa de uma vida um pouco mais confortável que se perde, em edifícios antigos e, em alguns casos, bastante degradados. Onde faz muito frio no Inverno e demasiado calor no Verão. É o Estado que falha. São as instituições. É o sistema. E a União Europeia também.

Nada mina a democracia como a incompetência, calculada ou não, que tende a prejudicar sempre os mesmos. É terreno fértil para a narrativa da “bandalheira” germinar. Experimenta colocar-te no lugar daquelas pessoas, muitas delas reformadas, com rendimentos pequenos e dificuldades grandes, que passaram os anos 90 a ver tratantes a sacar milhões em fundos europeus para criar empresas que duraram pouco, mas tempo suficiente para sacar um Ferrari, uma mansão, um apartamento na praia e uma reforma dourada. Quem os pode condenar por acreditar que o “sistema” só beneficia a elite e não lhes serve para nada?

As melhores armas contra o populismo, o autoritarismo e a demagogia são boas políticas públicas, pessoas competentes e geri-las e justiça social. Quando estão presentes, a democracia é mais forte e o bom senso prevalece. Não é assim tão difícil. Ou pelo menos não devia ser.

Nobel das pás

Fonte

Prometeu paz e atacou seis países em pouco mais de um ano de mandato. Dois criminosos com problemas de justiça juntam-se para largar bombas fora de casa.

E Portugal? Paulo Rangel afirmou que os  norte-americanos “podem, para qualquer operação, usar sem Portugal ter de ter conhecimento. Isso é assim que está nos tratados e é assim que está a acontecer com todas as bases europeias, dos mais variados países”. Isto não é uma operação da NATO e os EUA têm que pedir autorização prévia para a utilização de uma base que é território nacional. E não está a acontecer em todas bases europeias. Os ingleses mandaram o ogre às favas.

Rangel é um ministro mentiroso num governo de mentirosos. A ministra da saúde mentiu sobre estarem implementados todos os protocolos de actuação dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar. Montenegro mentiu, no seu primeiro governo, sobre a redução do IRS, que veio maioritariamente do anterior governo de Costa. Aliás, houve vários anúncios de coisas feitas pelo governo de Costa, o que é outra forma de mentir. Lúcia Amaral mentiu sobre não haver falhas sobre a prontidão e coordenação da Proteção Civil durante a depressão Kristin – sabemos o que se passou com o SIRESP, para não ir mais longe. Miranda Sarmento mentiu sobre o estado das contas deixadas pelo PS. O Governo no geral mentiu sobre a segurança, falando em percepções, quando o Relatório Anual de Segurança Interna mostra uma descida transversal da criminalidade geral (com ligeiro agravamento da criminalidade grave, colocando-a ao nível pré-covid, e um enorme aumento de violência doméstica que o governo ignorou). Agora, o MNE firma o seu lugar na lista dos ministros mentirosos.

É o governo mais mentiroso que já tivemos, contemporâneo do presidente dos EUA mais mentiroso que o país já teve.

Que escândalo!

Fonte: SICN

Um escândalo. Chamar conferências de impressa àquelas comunicações sem direito a perguntas.

Ah sim, e também há estes 11K em cabeleireiro e os 20K em Sport TV para o primeiro-ministro.

Mas conferências de imprensa?!

No meio da tempestade, André Ventura levou um banho de realidade

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "OBSERVADOR "Eu só queria aqui salientar, falar um pouco do tema, que é muito atual consigo, da mão de obra. Temos 80 colaboradores. Só temos um português, que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente" PAULO MARIA, EMPRESÁRIO"

Na localidade de A-dos-Cunhados, em Torres Vedras, André Ventura levou um banho de realidade quando Paulo Maria, proprietário de uma exploração agrícola afectada pela tempestade Kristin, lhe explicou o óbvio:
Só queria salientar um pouco do tema que é muito atual, que é o tema da mão-de-obra. Nós dependemos de mão-de-obra estrangeira a 100%. Na minha empresa, temos 80 colaboradores e só temos um português que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente.
No fundo, aquilo que Paulo Maria explicou a André Ventura foi o que qualquer empresário francês da construção civil poderia ter explicado a outro populista autoritário nos anos 60: se os portugueses não viessem para cá, não havia ninguém para trabalhar.

[Read more…]

Gostava de dedicar esta música a Luís Montenegro, que até estudou Direito em Coimbra, mas deve ter andado distraído com as Ninfas do Mondego*

Eu sei que ele gosta mais de sonhos de menino mas, profissionalmente, esta canção é-lhe mais útil.

Na canção:

Nasce na Estrela o Mondego
Vai passar junto à Felgueira
Atravessando Coimbra
Vai parar junto à Figueira

“Estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do rio Mondego. A palavra é de tranquilidade porque tudo aquilo que pode ser feito está a ser feito, incluindo a evacuação. E tudo o que puder ainda ser salvaguardado vai ser: do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e ainda de interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro.” Luís Montenegro, citado por num artigo fofinho do Polígrafo.

*erro meu, e está explicado, o nosso primeiro-ministro estudou pelo Porto

“Num dos melhores hospitais do país!”

Na década de 80, Jô Soares, que tantas vezes fez Portugal rir em difíceis tempos, tinha no seu rol de personagens, um General internado num hospital e que acorda após seis anos de coma em plena eleição de José Sarney. Sempre que sabia das “novidades” do tempo corrente, numa República agora presidida por um civil, dizia em desespero “Me tira o tubo!”.

Mas, esta não era a única frase que ficou famosa aquando dos episódios do General. Havia uma outra que se reportava à resposta que o médico dava ao General, sempre que este lhe perguntava “Onde é que eu estou?” perante a frequente ocorrência de falhas no serviço por falta de electricidade, de água, comida, medicamentos, seringas, pessoal, máquinas, etc.: “Num dos melhores hospitais do país!”

Lembrei-me destes episódios de humor mordaz, quando ontem li a notícia no Expresso que não existiram efectivas melhoras no SNS no ano passado. E, mais ainda, perante o “Relatório anual 2025 – O estado da saúde em Portugal”, onde os privados também ficam muito mal na fotografia.

É uma evidência que toda a propaganda do actual Governo, não passa disso mesmo, e que o SNS continua a piorar, empurrando, quem pode, para a saúde privada que vai avolumando queixas.

A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem vindo ao longo de tempo, em cada crise, em cada má decisão, em cada falha do sistema, em cada má escolha seja no INEM, na Direcção Executiva do SNS ou outro, dizer que irá analisar os factos e assumir as respectivas responsabilidades. Mas, na verdade nunca o fez. São escolhas erradas e promessas falhadas que se avolumem, e, pelos vistos, sem consequências.

Menos arrogância e mais competência, seria o mínimo a exigir, perante o constante falhanço em servir o bem público. A não ser que não seja esse o fito da governação.

Uma demissão num governo de incompetentes

Carmona Rodrigues a comentar a demissão da ministra

Mudar o logótipo como primeira medida. Resolver um “problema” de segurança que o relatório oficial não confirma. Uma rusga para as televisões transmitirem. Alterar a lei do trabalho quando nem os patrões o pediram. Submissão de uma lei da  nacionalidade manifestamente inconstitucional, misturando o tema com emigração.

Podíamos continuar. O traço comum está em resolver problemas que não existem ou não têm prioridade.

Pelo caminho ficou o trabalho real para fazer.

A catástrofe de origem climática teve ainda mais impacto devido a um governo que nada fez para preparar o país. O spin que por aí anda a ser plantado é que ninguém poderia parar a tempestade e só restaria reagir.

Errado.

Nada se fez quanto ao SIRESP. Montenegro desvalorizou a catástrofe e, nessa linha, optou por não activar a ajuda internacional. Pelo caminho, regista-se a preocupação com a propaganda, visível nos episódios do vídeo e da photo opportunity em que o Exército participou. E sabia-se que o impacto seria forte – o IPMA sabia. Faltou o Governo fazer o resto do país também o saber.

Um Governo a trabalhar para a percepção quando é preciso foco na acção.

A demissão não surpreende. Mais 16 demissões e está o problema resolvido.

Nota – na imagem, Carmona Rodrigues a pagar o soldo pela nomeação ao suavizar a incompetência na gestão da crise.

“Someday, and that day may never come, I will call upon you to do a service for me. But until that day, accept this as a gift on my daughter’s wedding day.”

Portugueses Pelo Mundo

Os Chegasnos têm um novo mantra: o Querido Líder é vencedor nos círculos da emigração. Tem fundo de verdade? Tem. Mas vamos lá destrinçar isto.

André Ventura vence na emigração, nos locais onde há portugueses menos qualificados, mais pobres e com menos instrução a nível académico (padrão que, de resto, se mantém em Portugal), isto na Europa. Quais são esses locais? Por exemplo, Andorra, França, Luxemburgo ou Suíça. Os mentecaptos Chegasnos usam tal argumento como bandeira, esquecendo o que referi no supracitado: para além disso, a França está numa situação económica lastimável e a Suíça é um paraíso fiscal. Andorra é mão-obra portuguesa barata e no Luxemburgo (um exemplo que pode dar outro texto: país construído em larguíssima escala pelo trabalho de imigrantes de vários locais, mas sobretudo de emigrantes portugueses – os discursos do anterior primeiro-ministro, Xavier Bettel sobre imigração poriam no lugar a taberna de 60 suínos que estão no extremo direito do hemiciclo português, mas deveriam envergonhar também quem, no seu direito, mas em contradição, vota Ventura no Luxemburgo) a esmagadora maioria dos portugueses trabalha no sector primário (construção, limpezas, distribuição). André Ventura vence também em África, onde há empresários portugueses, vários com ligações ao luso tropicalismo de antanho. Saudosistas, portanto, que por lá continuam a sacar recursos ao povo africano ou simples oportunistas modernos que sabem onde está a fonte do enriquecimento de luvas calçadas.

E no resto? Vamos ao que me interessa. Como se vê pelas imagens abaixo, António José Seguro esmagou (como esmagaria qualquer outro candidato democrático) nos países nórdicos. Primeiro, para os países nórdicos emigram, fundamentalmente, portugueses altamente qualificados, com altos níveis de escolarização e formação académica. E o que é que os países nórdicos têm, historicamente, que Portugal não tem? Várias coisas, a começar por políticas de esquerda a sério: [Read more…]

Derrotados da noite

O taberneiro, desde logo, factual e metaforicamente – precisou de mentir no discurso de derrota, dizendo que teve mais votos do que a AD, para alimentar as suas teses de ambição de poder. Não sei se algum porta-microfones o terá confrontado com a realidade.

A comunicação social, que passou a noite (e continua madrugada fora) a falar do taberneiro, quando o vencedor era anunciado com dois terços de votos.

Augusto Santos Silva que tudo fez para que Seguro não tivesse o apoio do PS. Belo sapo que ainda há-de estar a engolir.

Luis Montenegro e Cotrim Figueiredo que não tiveram a coragem de rejeitar o grotesco.

Emídio Rangel e a SIC porque afinal não é tão fácil vender um presidente como um sabonete.

O Observador que, afinal, é a Folha Nacional em tons de azul.

Entre todos estes derrotados, Ventura destaca-se. As pessoas votaram e a proposta de adiar as eleições, além de ilegal, não entusiasmou. Não foi uma eleição entre socialistas e direita. Nem uma eleição do sistema contra o anti-sistema – o Chega está bem integrado no sistema. E não foram as elites contra o povo, dado que uma elite de dois terços dos eleitores não votou nele.

O legalista de circunstância

A legalidade é, no discurso, algo que muito importa a André Ventura. O respeito pela Lei, em variações mais ou menos autoritárias em termos concepcionais, é um aspecto fundamental da sua narrativa: os ciganos têm de cumprir a Lei, os imigrantes têm de cumprir a Lei, quem viola a Lei deve ser punido, quem é pedófilo deve ser quimicamente castrado, etc.

Todavia, o respeito é de circunstância, pois, quando o que a lei prevê não é conveniente aos seus fins, então faz-se de conta que a Lei não existe, conquanto tal soe bem aos ouvidos dos receptores.

O mais recente exemplo, é o apelo do adiamento das eleições presidenciais, extensível a todo o território nacional. Como se a Lei aplicável não previsse, especificamente, em que circunstâncias e quais os procedimentos. E a regra é muito simples: quem decide o adiamento da eleição, que tem de ser por sete dias, é a Câmara Municipal. Trata-se, pois, de uma decisão local, de acordo com as condições apuradas por quem está mais próximo dos respectivos palcos de crise, não podendo o Governo, ou quem quer que seja, decidir a nível nacional.

Assim reza o DL 319-A/76, de 3 de Maio, com a redacção dada pela Lei Orgânica n.º 1/2011 de 30 de Novembro (anteriormente alterado pelas Leis n.ºs 143/85, de 26 de Novembro, e 11/95, de 22 de Abril):

Artigo 81º

Não realização da votação em qualquer assembleia de voto

1 — Não pode realizar-se a votação em qualquer assembleia de voto se a mesa não se puder constituir, se ocorrer qualquer tumulto que determine a interrupção das operações eleitorais por mais de três horas ou se na freguesia se registar alguma calamidade no dia marcado para as eleições ou nos três dias anteriores.

2 — No caso de não realização da votação por a mesa não se ter podido constituir ou por qualquer tumulto ou grave perturbação da ordem pública realizar-se-á nova votação no segundo dia posterior ao da primeira, tratando-se de primeiro sufrágio.

3 — Ocorrendo alguma calamidade no primeiro sufrágio ou em qualquer das circunstâncias impeditivas da votação, tratando-se de segundo sufrágio, será a eleição efectuada no sétimo dia posterior.

4 — Nos casos referidos nos números anteriores consideram-se sem efeito quaisquer actos que eventualmente tenham sido praticados na assembleia de voto.

5 — O reconhecimento da impossibilidade de a eleição se efectuar e o seu adiamento competem ao presidente da câmara municipal ou, nas Regiões Autónomas, ao Representante da República.

6 — No caso de nova votação, nos termos dos n.ºs 2 e 3 não se aplica o disposto na parte final do n.º 3 do artigo 35.º e no artigo 85.º e os membros das mesas podem ser nomeados pelo presidente da câmara municipal ou, nas Regiões Autónomas, pelo Representante da República.

7 — Se se tiver revelado impossível a repetição da votação prevista nos n.ºs 2 e 3, por quaisquer das causas previstas no n.º 1, proceder-se-á à realização do apuramento definitivo sem ter em conta a votação em falta. [Read more…]

Come brioches, Portugal!

Pode ser uma imagem de estrada e árvore

Sábado fui ao mercado semanal da Trofa, como vou todos os Sábados. Encontrei as pessoas do costume, conversei com elas e fiz as minhas compras, tranquilamente. Uma manhã de Sábado normal na minha vida normal.

Numa dessas conversas, uma pessoa amiga disse:

  • Este tempo está uma loucura. Nem dá para sair de casa.
  • Mas estás aqui, não estás?
  • Estou, mas olha que estive para não vir.
  • A sério? Mas nem a chover está!
  • Não está agora. Tu achas isto normal?
  • Claro que acho. É o normal para esta altura do ano.

150km a sul, porém, a vida de milhares de pessoas estava tudo menos normal. Estava suspensa. Milhares de pessoas sem electricidade, sem comunicações, sem água. Pessoas com as casas sem telhado, carros destruídos e negócios arrasados. Pessoas em desespero, a quem o Estado falhou. Falhou na prontidão, na qualidade da resposta e no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas, enquanto altos responsáveis do governo, como o ministro Leitão Amaro, apostavam em promover a sua própria vaidade, como um parolo deslumbrado, no timing perfeito. Brioches digitais.

[Read more…]

“What we’ve got here is failure to communicate“ (*)

Marcelo Rebelo de Sousa veio hoje deitar água na fervura, sobre as intervenções pouco felizes de governantes, no modo em como têm abordado, publicamente, a temática da catástrofe que se abateu sobre o Centro do país. Isto, após chegar do Vaticano para onde rumou, certamente para rezar mais de perto do Criador – ou de quem O representa na Terra -, em prol da nação.

Todavia, a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa – cuja sobriedade e discrição comunicacionais, são por demais conhecidas e exemplares -, percebe-se. Infelizmente, no palco da desgraça que atingiu o país, não têm faltado declarações infelizes, como, por exemplo:

Isto, após a triste tentativa de Leitão Amaro estrelar num vídeo promocional. Além da polémica em torno da visita de Nuno Melo ao local.

Pelos vistos, para se ser Ministro, não é preciso perceber uma coisa básica: existe escrutínio do que se diz, do que se faz, e de como se diz e se faz. Existem câmaras que registam o que se passa – até em telemóveis, imagine-se! -, e uma coisa chamada internet onde existem redes sociais onde a velocidade da informação é voraz. [Read more…]

A multiplicação dos tachos no Chega

André Ventura e Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara de Lisboa. Foto: António Cotrim/Lusa

Foto: António Cotrim/Lusa
Vou tentar escrever isto no idioma comum da extrema-direita portuguesa: de há uns tempos para cá, não há um dia que não surja um novo tacho com a chancela do partido de André Ventura.
Na semana passada escrevi aqui sobre a nomeação da irmã de Rui Cristina, autarca eleito pelo CH para a CM de Albufeira, para um cargo na autarquia dirigida pelo irmão.
Dias depois foi a vez de Hugo Aires, militante do CH eleito para a Assembleia Municipal de Albufeira, ser nomeado diretor do Departamento de Projetos e Edifícios Municipais da autarquia.
E no final da passada semana, ficamos a saber que Rui Cristina, autarca que André Ventura foi recrutar ao “sistema”, nomeou mais uma militante do CH, Andreia Cópio, para o cargo de Chefe da Divisão de Águas e Saneamento.
Mas a distribuição de tachos a militantes e familiares de militantes do CH não se esgota em Albufeira.

[Read more…]

Disse oije o nosso querido primeiro-ministro:

“o nosso sentimento e as nossas condolências para com as famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perder a vida”. Sacanas das pessoas, culpadas de não terem evitado morrer.

Uma provocação destas não se faz

Entrevista de Seguro à SIC, 1 Fevereiro 2026

Querem ver que ainda aparece o Ventura com um ramo de giestas a apagar o fogo?!

Um Governo para a sua clientela. E vocês não fazem parte dela.

Não sei quem é o autor do texto. [É de Eduardo Maltez Silva] Mas não poderia estar mais de acordo.

Já o vídeo, esse sei de quem é. É do ministro Leitão Amaro, que aproveitou a desgraça alheia para auto-promoção. Vídeo que apagou  logo que se tornou óbvio que o efeito era contrário ao pretendido – mas sacudindo a água do capote, típico da habitual cobardice de quem não assume o que faz.

Leitão Amaro num vídeo de edição profissional para auto-promoção

“No auge da crise, o Governo lança um vídeo com produção profissional, música de fundo e mangas arregaçadas — a fingir que governa. Um teatro nojento, enquanto o país caía aos bocados.

Do outro lado, Ventura apaga fogos com um galho.
Dois lados da mesma fraude… performance em vez de solução.

[Read more…]

O santo conveniente

Desde a sua prematura morte em 1980, que Sá Carneiro tem sido usado como evocação reverencial pela Direita portuguesa. Dado seu papel fundador do PSD, partido de referência no arco governativo e nessa invenção de impacto maior na política nacional chamada “Bloco Central”, com naturalidade que muitos foram os “sociais-democratas” que invocaram o seu pensamento político e o citaram em frases mais ou menos exactas em relação às originais. O mesmo se dizendo do CDS, com qual foi estabelecida a impactante AD, por vontade e esforço conjugados entre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e decorrente da comunhão trágica da morte de ambos.

Com o passar do tempo, assistiu-se a uma lógica de santificação política de Sá Carneiro, enquanto pensamento, acção política, intervenção histórica, etc. Algo perfeitamente natural, até porque houve um considerável período de sentimento de orfandade por parte do PSD que viu o seu líder fundador morrer em tão trágicas e prematuras circunstâncias.

Com a fragmentação da Direita nos últimos anos, donde emergiu o Chega e a Iniciativa Liberal, Sá Carneiro passou a ser uma espécie de santo conveniente, sendo invocado por tudo e por todos, de acordo com as conveniências de circunstância, as ambições de cada um. Todos querem ter na sua posse, uma imaterial relíquia de Sá Carneiro, legitimadora para o que dizem, defendem, propagandeiam, em exibição pública perante os fiéis. Não sendo um dente, um fio de cabelo, um sudário ou um pedaço de roupa, as relíquias são frases e, mais do que isso, certezas legitimadoras de que, se Sá Carneiro fosse vivo, ele pensaria da mesma forma, agiria do mesmo modo, e estaria ao lado de quem o invoca. [Read more…]

Desputedo

André Ventura quer “despartidarizar” a administração pública.

@expresso

Pedro Frazão apoia 1143

Perfil do deputedo no Threads em 24/01/2026

O CHefe continua sem se demarcar do esgoto neonazi que é a seita 1143. Bárbara Reis desmonta com mestria a “entrevista” onde Ventura não vai além de meias palavras e mentiras.

A verdade é que a ligação é inequívoca e um não se distingue do outro. Cobardes como são, escondem-se fazendo de conta que não mas agindo como sim.

Mama do Bem

Rui Cristina, antigo deputado do PSD que o partido de André Ventura foi recrutar ao “sistema”, foi eleito presidente da CM de Albufeira em Outubro. E como prometido, acabou com a mama.

Como?

Garantindo uma boa nomeação para a própria irmã, outrora candidata do sistema pelo PSD, nos quadros da autarquia.

Dir-me-ão: mas os partidos do sistema não fazem o mesmo?

Fazem.

O que vem provar que, a este nível, a nível da tal mama, e do compadrio em geral, nada distingue o CH de PS ou PSD. Com a diferença que Ventura deseja 3 salazares para o país, desejo que, no geral, equivale a encerrar a democracia, instaurar uma ditadura, impor a miséria à maioria, torturar os dissidentes, matar os mais audíveis e entregar o monopólio dos negócios do Estado à elite económica e financeira do país. Em triplicado. Porque, por muitas voltas que se queiram dar, o regresso de Salazar seria igualmente o regresso do regime mais corrupto da história da República.

[Read more…]

O valor do silêncio

Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado — porque não era socialista.

Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado — porque não era sindicalista.

Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado — porque não era judeu.

Foi então que vieram buscar-me, e já não havia mais ninguém para me defender.”

(Martin Niemöller)

Foi após o 25 de Abril de 1974, que se consagrou o direito ao silêncio, como um dos maiores expoentes da Democracia. Pois que o silêncio deixou de ser uma arma de opressão e repressão, e passou a ser uma garantia de que ninguém poderia ser prejudicado por não falar. Passou a ser um direito, tanto mais para não se auto-incriminar. Até porque falar ou não, é um direito pessoal, manifestação de livre vontade do indivíduo.

Isto, após o regime do Estado Novo de Salazar, em que se impunha o silêncio a quem pretendia se expressar de forma contrária ao que o regime ditava como certo ou errado. E impunha-se pela força, fosse por espancamento ou mesmo morte. Impunha-se até em julgamentos nos tribunais plenários, com espancamentos diante dos olhos de magistrados em pleno julgamento.

Sim: o Estado Novo de Salazar matou gente. Matou a tiro, por tortura, por degredo. E castrou o pensamento livre, calando com censura, garantindo-se com eleições forjadas, matando opositores, prendendo a crítica, tudo sob a batuta do medo. E no mais terrífico silêncio imposto.

O objectivo do silenciamento foi sempre um só: permitir ao Estado Novo, a manutenção do status quo das ditas elites, garantindo a submissão dos demais.

A Democracia, por seu turno, permite o debate de ideias, expressão livre do voto em eleições sem fraudes, e até mesmo, que aqueles que não comunguem dos ideais da Democracia, defendam teses autocráticas.

Porque a Liberdade, enquanto valor estruturante de qualquer Democracia digna de tal nome, permite isso mesmo: que se fale, que se expresse, que se verbalize. Pois que na Democracia, respeita-se o silêncio. Não se impõe. [Read more…]