A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

É da esquerda, é da esquerda, da esquerda…

11753730_616715145132639_1541757624538673740_n
via FB do Alex Gozblau

Os “portugueses não comem TGV” mas comem escolas privadas

escolas privadas

Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas, lê-se no JN. Não come TGV? Então tome lá este pitéu e não se esqueça da maionese para escorregar melhor.

Não chega?

Queremos implementar oque se pode chamar uma parceria público-social que proceda à transferência de equipamentos sociais que estão sob gestão directa do Estado Central para as entidades do sector solidário que integrem a rede social local, desempenhando o Estado um efectivo papel financiador e regulador. [Intervenção do Mota Soares, na apresentação do Programa de Emergência Social (sic), já em 2011]

Traduzindo este fantástico parágrafo: Já em 2011, o tipo do beija-mão deixou preto no branco que o estado iria financiar as IPSS, que é o termo correcto para o eufemismo entidades do sector solidário que integrem a rede social local.

Parece, portanto, que os portugueses não comem TGV mas já comem IPSS. E vão comer mais, pois esta ideia que foi transversal à legislatura já se anuncia que terá continuidade na próxima, se os tipos da estalada ganharem: [Read more…]

O absoluto descaramento eleitoral da coligação PSD/CDS-PP

PaF

 

Esta montagem da máquina de propaganda social-democrata/centrista é de um absoluto descaramento. Por um lado temos aquilo que aparentam ser duas crianças agarradas ao avô, quiçá à sua guarda depois dos seus pais terem seguido o conselho de convite à emigração que Pedro Passos Coelho nega mas que existiu, de resto em linha com tantas outras aldrabices com que foi iludindo os portugueses ao longo de quatro anos. Já o avô, cuja pensão esmagada por sucessivos cortes e aumentos de impostos directos e indirectos não lhe permite acompanhar o seu filho, por cá fica para, à semelhança de tantos outros avós deste país, substituir os seus filhos nas funções de pais que a acção deste governo lhes impede de cumprir.

[Read more…]

Cavaco e o pró-forma eleitoral

O Cavaco Silva de hoje não teria aceitado tomar posse em 1985 à frente de um governo minoritário. Com o que teria inviabilizado uma maioria absoluta do seu partido nas eleições seguintes. Foi com um governo minoritário que Portugal entrou na então CEE, na Europa, como hoje se gosta de dizer. O Cavaco Silva de hoje tem a memória curta. Muito curta. O Cavaco Silva de hoje é um arremedo do Cavaco Silva de 1985. Décadas de exercício do poder retiraram-lhe lucidez e discernimento. O corajoso que em 1985 foi empurrado para a liderança do PSD, que aceitou formar governo e tomar posse em condições minoritárias, tornou-se num político medroso, autoritário e sem estamina. E, pior que isso, capaz de usar o cargo que lhe foi confiado como Presidente da República para condicionar a democracia, para condicionar a liberdade de voto, para condicionar consciências, usando a sua posição institucional para impor os seus desejos. [Delito de Opinião]

Um bom retrato da mão por trás do arbusto, como diria de novo Sócrates. Mas à “coragem” de 1985, chamar-lhe-ia  calculismo, dado o que se sabe da operação “congresso da Figueira da Foz”. 

[Read more…]

Raul Vaz e o Contraditório

A Antena 1 emite às sextas às 19 um programa de comentário político (nos dias em que não haja bola, porque prioridades são prioridades), o Contraditório, no qual participam actualmente Ana Sá Lopes, Luís Delgado e Raul Vaz.

A ideia do programa consiste em apresentar os temas da semana e ouvir as interpretações dos comentadores, cobrindo o espectro político, apesar da particularidade de dois dos comentadores se posicionarem à direita (o Luís e o Raul), o que limita a variedade de opiniões.

É precisamente na diversidade das opiniões onde entra o tema “Raul Vaz” deste post. Não preciso de concordar com as leituras de cada comentador mas acho interessante ouvir os diversos pontos de vista, até para olhar para os problemas por diferentes ângulos. Neste aspecto, tem sido regra, em todas as emissões, Raul Vaz interromper as análises da Ana Sá Lopes, seja com breves à partes e bocas dignas do (mau) comportamento dos deputados nos debates parlamentares, seja inclusivamente com longas interrupções, que subtraem o tempo que seria da Ana. Numa das últimas emissões,  a do dia  10 do corrente, o boicote do Raul ao comentário da Ana atingiu proporções inéditas, com constantes interrupções e repetidamente a falar por cima da análise da sua colega de programa. No programa de ontem tal voltou a acontecer, se bem que em menor proporção. [Read more…]

Casta passista sob ameaça do Organismo Europeu de Luta Antifraude

Tecnofraude

Como se o cerco ao imperador Marco António Costa, com as suas Webrands e restantes tropelias, não fosse já suficiente para minar ainda mais a credibilidade da casta passista, o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF na sua sigla oficial) está a apertar o cerco a Pedro Passos Coelho. A terra gira, o bloco central alterna-se no poder e a merda, tal como referiu e bem o António de Almeida, continua a ser a mesma. Só mudam mesmo as moscas.

Segundo o Público, o relatório do OLAF conclui que “a Tecnoforma e os seus dirigentes e/ou as entidades responsáveis pela atribuição dos financiamentos que a empresa recebeu do programa Foral cometeram actos susceptíveis de ser sancionados do ponto de vista financeiro e criminal“. Quem andava na linha da frente a abrir portas para a Tecnoforma? Pedro Passos Coelho. Quem geria o programa Foral? Miguel Relvas. Será que fogem para Paris para estudar Ciência Política em Outubro?

Rigor, meritocracia e outros contos para crianças com a chancela do PSD

Passos Frasquilho

Na corte do monarca laranja que não queria reinar para dar empregos aos amigos, previsibilidade é palavra de ordem. O soberano diz-se previsível e a corte comporta-se da forma previsível a que nos foi habituando.

Assim, fiel a uma tradição de recordes na nomeação de boys à prova de austeridade que nem Cavaco, Guterres, Durão ou Sócrates conseguiram igualar, há novas panelas que nos chegam com o selo de qualidade da São Caetano à Lapa. Miguel Frasquilho, transferido da bancada parlamentar laranja para o AICEP, contratou na passada semana uma secretária-geral-adjunta que, curiosamente, foi sua assessora nos tempos em que era Secretário de Estado do Tesouro no governo do traidor que virou as costas ao país que o elegeu primeiro-ministro para exercer funções de mordomo astronomicamente remunerado. O caso está envolto em polémica, com trocas de mimos entre a Administração e a Comissão de Trabalhadores, que aponta o dedo a Fraquilho por não ter aberto um concurso interno e por estar a perseguir a actual secretária-geral, que aparentemente não apresenta o grau de obediência necessário. Segundo se pode ler ainda no Expresso, o cargo foi criado por Miguel Frasquilho e esconde uma tentativa de esvaziar a função de Luísa Neiva de Oliveira.

Noutras latitudes, o governo contratou oito novos técnicos para a REPER, que incluem um ex-adjunto do Ministro do Ambiente e uma assessora do gabinete da Ministra das Finanças. Com as eleições à porta, a casta passista tem que olhar pelos seus que a vida está difícil. Algo que, afinal de contas, é mais que previsível. São coisas do rigor.

O marau

Ganhar 10.000 por mês para fazer na tv a sua própria campanha eleitoral e a da direita, rezar pela bipolarização – a bem ou a mal, se necessário – do país, queimar em lume brando adversários políticos, promover a proliferação de candidatos – da esquerda e da direita – à presidência da República para que o seu nome vá inchando, é obra só ao alcance de um marau espertalhão. Tem impacto popular? Tem. Como os programas da tarde, os anúncios de calcitrim, as telenovelas, a música pimba (não estou a fazer juízos de valor, estou a comparar estatísticas). Marcelo, repimpado e bem pago, vai fazendo pela vida. Cada vez mais rasteiro, é verdade, cada vez mais demagogo, é verdade, mas fazendo o seu caminho – movido a combustível caro – para Belém com a diligência de uma formiguinha e a elevação moral de uma minhoca.

Mudaram as moscas…

Na anterior legislatura os socialistas abespinhavam-se cada vez que se falava nos casos que envolviam o então querido líder, actual prisioneiro 44. Da Cova da Beira ao Freeport, passando pela licenciatura entre outros casos que indiciavam trafulhice, tudo servia para colocar em causa a idoneidade do político que desgovernava Portugal, para deleite das hostes laranja e restante oposição. Nova legislatura, mudança de governo, trouxe pelos vistos mais casos da mesma reles estirpe, com uma única diferença, agora provocam sorrisos no Largo do Rato e simultaneamente irritação na Lapa. É caso para dizer, mudaram as moscas…

Desemprego 2011-2015: propaganda ou factos?

A estratégia da coligação do governo consiste em procurar convencer as pessoas de que a austeridade funcionou e para tal precisam de apresentar alguma prova. Não podem usar os objectivos enunciados em 2011 e que justificaram toda a austeridade (baixar o défice para menos de 3% e controlar a dívida pública) porque esses objectivos falharam redondamente e não há como esconder esse facto.

Viram-se para isso para os números do desemprego, mais facilmente manipuláveis, se bem que os incompetentes da coligação o estejam a fazer de forma tão tosca que facilmente são desmascarados. Assim se percebe que Bruno Maçães tenha ficado abespinhado quando O WSJ não seguiu o enredo que a coligação tinha desenhado.

Agora saiu um tempo de antena com a mensagem oficial, cheia de números martelados. Parece que o plano consiste em repeti-los ad nauseam até que os portugueses os assimilem. No fundo, continuam a fazer o que fizeram ao longo de quatro anos.

Desmonta-se a seguir a propaganda do PSD/CDS quanto aos números do desemprego.

wrong “Em 2011, quando o PS deixou o Governo, herdámos um desemprego de 12,7%”
Factos: Em Junho 2011 o desemprego era de 12,1%

[Read more…]

Os Euros e a austeridade assinalados

Manuel Ferrão

Os Euros e a austeridade assinalados,
Que da ocidental dívida Lusitana,
Por mares de défices nunca de antes navegados,
Passaram além de Viana,
Em desempregos e precariedades esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente próxima edificaram
Nova Pobreza que tanto sublimaram;
E também as memórias chorosas
Daqueles governantes que foram dilatanto
As privatizações, as taxas [n]as terras viciosas
De Grécia e Portugal andaram devastando;
E aqueles que por vendas desastrosas
Se vão da lei da morte libertando;
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio Grego e Americano
Os livros grandes que fizeram;
Cale-se do Nortenho e do Alentejano
As famas das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Troikiano,
A quem Coelho e Portas obedeceram.
Cesse tudo o que a sabedoria antiga canta,
Que outra austeridade mais alta se alevanta”

Efectivamente: mais do mesmo

Hoje de manhã, fiquei a saber que o Parlamento iria fazer “maratona antes das férias” e que, nessa maratona, seriam votados quer o “Projeto de Resolução n.º 1021/XII/3.ª (PCP) – Sobre o sector da Assistência em Escala (Handling) no transporte aéreo”, quer o “Texto Final apresentado pela Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública relativo à Proposta de Lei n.º 326/XII/4.ª (GOV)” que aprova, por exemplo, “os regimes processuais aplicáveis aos crimes especiais do sector segurador”, quer ainda o “Projeto de Resolução n.º 1522/XII/4.ª (PS) – Recomenda ao Governo um conjunto de melhorias que promovam uma maior equidade e eficiência no acesso aos fundos comunitários pelo setor agro-rural”.

Isto é, ‘sector’, ‘sector’ e ‘setor’. Ou seja, sector e setor. Portanto, é mesmo facultativo. No fim de contas, é tudo à vontade do freguês.

O jornalista da Lusa refere-se a “mais do mesmo”, relativamente aos trabalhos desta tarde, na Assembleia da República. Foi exactamente isso que pensei, ao ler o Diário da República de ontem. Efectivamente, mais do mesmo.

Houve fato?

Sim, houve fato.

fato dre2172015

E fatos? Houve fatos? [Read more…]

Taxa de desemprego em JUN 2011 foi 12.1%

desemprego 2011

A imagem supra mostra duas coisas. À esquerda pode-se ler o tweet do Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, onde este reclama com o Wall Street Journal quanto aos números do desemprego. À direita está a nudez dos factos, copiados directamente das estatísticas oficiais publicadas pelo INE.

Em primeiro lugar, há a questão do Sec. Estado estar objectivamente a mijar fora do penico, já que, como se constata, a sequência de tweets nada ter a ver com assuntos europeus. Mais um caso em que a boiada usa o assento no estado para promover propaganda partidária.

[Read more…]

Debate a propósito do livro De pé, Ó Vítimas da Dívida

Paulo Pereira

Mariana Mortágua – Temos de estar preparados a ir até ao Fim ceder implica Negar a nossa própria Existência

[Read more…]

A ideia salvadora

O meu amigo estava desesperado. Ele é matemático e o melhor do seu trabalho ocorre no estranho e esotérico campo da matemática estocástica. Ora, estando há uns tempos de volta de um inovador e complexo paper destinado a uma prestigiada revista científica, tinha emperrado numa dificuldade. Faltava-lhe um detalhe, qualquer coisa, uma intuição salvadora que o desencalhasse. Os computadores fumegavam, as folhas de notas acumulavam-se cheias de cálculos cuja mancha gráfica parecia uma colónia de formiga salalé enlouquecida. Mas nada. Falei com ele num serão de angústia criativa, animei-o conforme pude, já que ajudá-lo nas suas matérias de investigação estava completamente fora do meu alcance. De repente, pareceu-me que lhe ocorria algo de novo. O seu rosto iluminou-se um pouco. Partiu, resmungando que se aquilo não resultasse, nada resultaria. [Read more…]

O rigor pós-Jardinista do PSD Madeira

Jardim Albuquerque

Fiéis a uma longa tradição de derreter milhares de euros em festas à grande e à Jardim, os responsáveis do PSD Madeira preparam-se para gastar 100 mil euros na festa anual do regime, honrando desta forma esse ícone do despesismo público que é Alberto João Jardim.

Ainda assim, e apesar da propaganda social-democrata do rigor, vazia e sem qualquer tipo de valor que se consiga percepcionar, o PSD-Madeira congratula-se com a redução do despesismo, na ordem dos 50%. Até agora, os homens que faliram a Madeira torravam 200 mil euros no seu comício anual, agora torram apenas 100. Para quem gere uma ilha enterrada em dívidas, parece-me um valor que faz jus ao discurso moralista que o partido vomita diariamente.

[Read more…]

‪#‎PorAcasoFoiIdeiaMinha‬

Entre tanta pantominice e porcaria feita por este tipo e é pela gabarolice que leva porrada.

‪‎PorAcasoFoiIdeiaMinha‬

Programas Eleitorais respondem à Crise Nacional?

Paulo Pereira

Debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?”, organizado pela Candidatura Presidencial Henrique Neto 2016. Decorreu no dia 2 de Julho e teve a participação de Luis Campos e Cunha, João Salgueiro e Eurico Brilhande Dias, além do próprio Henrique Neto.

Os partidos políticos têm muito poder: concentrou-se todo o poder político nos partidos

[Read more…]

Carta aberta a Pedro Passos Coelho*

Paulo Vieira da Silva

A Política sem risco é uma chatice, sem ética uma vergonha

Caro Presidente do PSD, Dr. Pedro Passos Coelho,

Começo por esclarecer que não sou candidato a candidato a Deputado à Assembleia da República. Tenho profissão, sou empresário, possuo uma licenciatura em Ciências Sociais, uma pós-graduação em Sociologia: Sociedade Portuguesa Contemporânea e um master em Marketing Digital. E sinto-me mais útil ao nosso País como administrador de empresas.

Nos últimos tempos, como militante do PSD há cerca de 25 anos e cidadão português, com 43 anos, pai de uma filha com 7 anos, tenho-me batido pela moralização da vida pública e politica portuguesa.

Por isso, não consigo entender nem perceber algumas das opções e escolhas que tem feito, nos últimos tempos, como Presidente do PSD. [Read more…]

Gato Fedorento, a grande referência de Pedro Passos Coelho

Sempre desconfiei que Pedro Passos Coelho tinha como grande referência o humor sagaz e refinado dos Gato Fedorento. Do livro que não existe mas que o primeiro-ministro cita e afirma ter lido à tirada épica sobre essa grande referência empresarial que é Dias Loureiro, passando pela comédia das contas que se esqueceu de pagar à Segurança Social, pela piada dos empregos que não queria dar aos amigos ou pelas anedotas diárias que nos servia durante a campanha para as Legislativas de 2011, é notório que Passos passou ao lado de uma grande carreira humorística. E como foi possível constatar esta semana, ideias não lhe faltam. Um potencial inventor de tudo que abre portas nas horas vagas.

#poracasofoiideiaminha

PPC

 

O hashtag do momento e a compilação possível de uma série de outras ideias dele para o político profissional que procura refinar a arte de aldrabar os seus eleitores.

 
Imagem@Algures no Twitter

Jar Jar Binks, o estadista que teve uma ideia

jar-jar-binks

“Quer dizer que até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema”, disse Passos Coelho. Todos os que já fizeram noitadas de trabalho sabem que há a hora siga!, aquela onde interessa mais despachar o assunto do que nele propriamente pensar. Não sei se terá sido o caso, mas não vejo onde esteja o motivo de orgulho quando é aceite uma sugestão de enterrar na banca metade dos 50 mil milhões de euros de um fundo.

Depois do bloqueador activo, eis o suposto desbloqueador.

Assim de repente lembra-me a personagem Jar Jar Binks no filme “O Ataque dos Clones”, quando, ao procurar as luzes da ribalta no Senado Galáctico, toma como sua uma conversa que ouvira, dela fazendo o discurso que daria ao Chanceler Palpatine vastos poderes de emergência, os quais ultimariam o domínio deste sobre o Império Galáctico.

aGreekment

Alex Tsipras resumiu numa frase, “a situação é má, mas a alternativa seria pior”. Isto é um aviso à navegação, o referendo acabou por ser uma vitória de Pirro que retirou qualquer margem negocial ao governo grego, após recusar as propostas da U.E., acabou por ser obrigado a apresentar propostas e ceder em toda a linha. Importa agora acompanhar os próximos dias em Atenas, havendo já quem avance com a possibilidade de antecipar eleições. A conclusão a retirar é que a melhor alternativa à austeridade é manter as contas em dia, evitando políticas economicamente expansionistas que levem ao endividamento excessivo.

Efectivamente: equação − ‘e’ = quação

Em Julho de 2013 e em Fevereiro de 2014, debrucei-me sobre a possibilidade de “ocorrências de *excessão em vez de exceção (sic)” e semelhantes aumentarem, devido à supressão da letra consonântica ‘p’ em ‘excepção’ e similares.

Anos antes, em estudo sobre a “função diacrítica da letra c, enquanto elemento do grafema complexo (dígrafo) ‹ac›” e acerca, por exemplo, de ‘coacção’ e ‘coação’, sublinhara indirectamente “a criação de homografias” e mencionara quer o “carácter polissémico”, quer a “ambiguidade fonética”. Sim, há cinco anos. Exactamente, “há muito, muito tempo“, “ambiguidade” e “fonética”: porque sobre a superfície agora nos concentramos.

Ao ligar o computador, antes da minha rotina de sábado de manhã, no melhor mercado de Bruxelas, reparei na *quação do Jornal 2 de ontem — os meus agradecimentos a José António Pimenta de França e a Catarina Portas.

Efectivamente, se ‘equação’ [ikwɐˈsɐ̃ũ̯] e ‘coação’ [kwɐˈsɐ̃ũ̯] — como coalescência e qualidade ou até, em determinados contextos, Cuadrado em vez de quadrado —, logo, a selecção da hipótese *quação para [kwɐˈsɐ̃ũ̯] é possível. Desde ontem, aliás, passou de possível a existente — mais concretamente, durante mais de um minuto na RTP2 .

Foi você que pediu um Porto Ferreira? Não? Foi você que pediu um estalo na cara? Também não? Foi você que aceitou um Acordo Ortográfico de 1990? Sim? Logo, foi você que tacitamente adoptou o “critério fonético (ou da pronúncia)”. Então, parabéns. Salvo prova em contrário (se houver, venha ela), esta *quação também é sua.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

quaçao1

Política reles…

Discuta-se Passos no plano político: na minha opinião, é responsável pela degradação do país. Insinuar que utiliza a sua tragédia pessoal é injusto, miserável e revelador de uma falta de inteligência e de compaixão assinaláveis.

É irrelevante discutir se existe ou não qualquer intenção política na imagem da cidadã Laura Ferreira, esposa de Pedro Passos Coelho. Acreditar que os portugueses possam votar por qualquer sentimento de piedade ou simpatia, seria demasiado básico para os estrategas do principal partido da coligação governamental. Mas a girl Estela Serrano, personificando o que de pior existe na política, logo tratou de mobilizar a tralha, com argumentos demasiado reles, muito bem descritos pela insuspeita Ana Sá Lopes… Convém no entanto lembrar que o miserabilismo reles não começou agora, lembremos Sá Carneiro e Snu Abecassis, nem é um exclusivo do PS, há muita gente com responsabilidades, próxima do actual governo que agora se indigna com razão, mas que não hesita em utilizar a mesma mesquinhez na luta política…

Os seguranças das forças de segurança

Há instalações militares cuja segurança e vigilância são da responsabilidade de empresas privadas. Numa pequena pesquisa, não consegui aceder directamente ao exclusivo do Correio da Manhã, uma notícia de Agosto de 2014. Vale a pena realçar, entre as várias críticas, que as empresas de segurança contratadas pertencem a “ex-militares e [a] ex-políticos.”

Ontem, ficou a saber-se que o Ministério da Administração Interna contratou empresas de segurança para vigiar, entre outras, instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e dos Serviços Sociais da PSP. É ler, com atenção, a notícia. Seria interessante que se soubesse os nomes dos proprietários destas empresas, só para termos a certeza de que os dinheiros do Estado não estão a cair nas mãos erradas.

A brincadeira a que me dediquei há menos de um ano não faz sentido: a solução que aí apontava era ainda demasiado estatizante. Reformulo: no futuro, as super-esquadras-mega-agrupamentos serão controladas por empresas privadas cujos funcionários serão professores-seguranças contratados pelo Ministério das Finanças e da Administração Interna da Educação.

A entrevista

Comecei, com toda a boa vontade, a ver a entrevista de António Costa. As primeiras perguntas andaram à volta de um “não ser”, a última sondagem. Independentemente da discussão que mereçam os resultados dessas operações, elas não podem ser discutidas como se representassem o ser, a realidade ela mesma. As sondagens – e não quero maçar-vos mais sobre o tema – reflectem apenas e muito vagamente uma sombra da realidade. Elas não têm estatuto ontológico. Estas perguntas atiram-nos para um lugar vazio e as que se lhe seguiram – malabarismos sobre números eleitorais – não são muito melhores. Já vi por onde isto vai e a presença de supostos representantes “do povo” não augura nada de bom. Assim, desliga-se a televisão e liga-se a música. Já está.

© Propaganda RTP

propaganda rtp

Do Facebook de Pedro Sales, três imagens do telejornal de ontem, 8 de Julho de 2015:

Os exemplos que se seguem nas fotos demonstram o nível de manipulação dos dados. É propaganda. E má. A maioria dos indicadores que avaliam a legislatura são projeções – não por acaso todas favoráveis ao governo. Vejamos. A dívida está nos 130,3% (já agora, quando o governo tomou posse estava nos 106,6% e não 111%). O défice em 2014 ficou nos 4,5%, mas, com Novo Banco, pode até chegar perto dos 6%. O PIB em 2014 cresceu 0,9%. As projeções são como os chapéus. Há muitas. E as do Governo raras vezes acertam. Como a RTP, neste caso.

Poiares Maduro garantiu que o novo modelo de Governo da RTP é mais independente.  Conclui-se, portanto, que esta manipulação rasca foi obra do BE, tal como já antevia Maduro em Dezembro de 2014:  “Bloco de Esquerda tem mais influência sobre o CGI da RTP do que o governo”.

E aqui temos, também, José Rodrigues dos Santos a procurar superar a sua última cruzada anti-Grécia, a das donas de casa com conta no suíço HSBC.

Quem quer poder mostra a fila

luismontenegro0113627bce_400x225Há homens que ficarão para a História, por feitos que os libertarão da lei da morte; outros transformar-se-ão em anedotas, a História dos mais pequeninos. Se os primeiros alcançarem algum tipo de poder, a humanidade ganhará com isso; tenham poder os segundos e será fácil perceber a política portuguesa.

Apesar de a introdução poder indicar que iria escrever sobre Duarte Marques, a verdade é que, infelizmente, há muitos que lhe disputam a palma da mediocridade e do disparate. Luís Montenegro, chefe de bancada do PSD, é um desses cómicos involuntários cujas palavras surgem no espaço público com a sensatez de uma manada de búfalos em fuga e com a delicadeza de um elefante em plena época de cio, perdoe-se-me o exagero das metáforas.

Em Fevereiro do ano passado, Luís Montenegro foi o autor involuntário de uma concepção de país que não inclui necessariamente os seus habitantes. Por isso, faz sentido ter afirmado que a vida das pessoas não estava melhor mas que o país estava muito melhor. Para folgazões como Montenegro, mais do que haver pessoas a mais, as pessoas estão sempre a mais. Se fosse guia turístico, o líder parlamentar do PSD diria aos turistas: “À vossa direita, as pessoas, que, na verdade, estão com muito mau aspecto; mas, do lado esquerdo, vejam o país, que lindo que está!” [Read more…]