Touradas

A análise e os conhecimentos que tenho sobre a independência da Catalunha, País Basco etc. permitem -me, quando muito, uma opinião, e não uma certeza sobre qual dos lados tem razão, e sobre o caminho a seguir. Isso, na realidade, é para quem lá vive, para quem sente de perto os problemas e para quem sabe verdadeiramente o que quer, e mesmo esses…muitas vezes contradizem-se. A quem está de fora, é difícil uma tomada de posição acertada. Mas todos temos direito à nossa forma de ver as coisas.
Quanto á opinião da Carla e do A. Pedro Correia de que a abolição das touradas na Catalunha não passa de uma manobra política para pôr de fora o último grande símbolo do Estado espanhol, não estou de acordo. Não quer dizer que não venha a jeito, mas tal maneira de interpretar só se torna redutora, ao fim e ao cabo,  de uma luta e de um movimento de resistência tenaz, que está acima de mera finalidade política, contra o sofrimento inútil e bárbaro de um ser vivo, para deleite de uma assistência sadomasoquista. É um movimento com 25000 assinaturas, emque se empenham directamente 180000 cidadãos, e em que Parlamento catalão decidiu, por 68 votos a favor, 55 contra e 9 abstenções, que as corridas estão fora da lei na região. Ou melhor, estarão a partir de 1º de janeiro de 2012. Abandonadas até por aficionados da velha guarda, as touradas sobrevivem à custa de subsídios do governo, o que não seria mau se as touradas fossem, como entende a nossa pianista da cultura, um caminho cultural.
A criminalização da tourada não foi, portanto, ao contrário do que muitos espalham, um golpe parlamentar, uma jogada política eleitoreira, uma manobra nacionalista visando distinguir a Catalunha do resto da Espanha, mas a última faena de uma dura luta popular, democrática, histórica, seguindo os trâmites exigidos pela ordem jurídica, após amplo debate canalizado institucionalmente desde novembro de 2008, à luz de depoimentos de cidadãos os mais diversos, etólogos, filósofos, toureiros e defensores dos direitos dos animais.

5 Cubanos

(adão cruz)

Solidariedade com os cinco cubanos presos nos EUA

No passado dia 21 de Julho, o cidadão cubano Gerardo Hernández, preso há 12 anos nos EUA, foi encerrado numa cela de dois metros por um, sem ventilação e onde a temperatura atingia os 35 graus, privado de quaisquer bens pessoais, mesmo dos mais elementares artigos de higiene, proibido de receber visitas, inclusive do seu advogado – numa situação que, como incisivamente sublinhou o Presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcon, «equivale a tortura». [Read more…]

Aldrabices nucleares


Entre berreiros indiciados por maiúsculas, lendas e narrativas de propaganda de diverso corte, mentirolas de café, preconceitos e maluquices, temos uma plêiade de maníacos comentadores de inexistentes verdades. Ora leiam o texto de JMF AQUI, continuem a deleitar-se com os comentários e se tiverem paciência, deixem a vossa opinião. Realmente, a propaganda resulta, especialmente quando é oportunista e mentirosa, bastante conveniente para o bípede comum. Deixei alguns longos comentários e em resposta aos do costume. Em vão.

Dias Lourenço (1915 – 2010), o operário de Vila Franca

Dias Lourenço, o segundo a contar da esquerda, ao lado de Tito de Morais, Palma Inácio e Manuel Serra.

António Dias Lourenço da Silva nasceu em 1915 em Vila Franca de Xira. Morreu hoje.
Operário, aderiu ao PCP em 1931. Viveu na clandestinidade entre 1941 e 1949, situação interrompida pela primeira detenção. Torturado, encarecerado em Caxias e depois em Peniche, foi condenado a mais de 8 anos de prisão. Fugiu antes de cumprir metade da pena, passando de novo à clandestinidade. Participou na preparação da fuga de Álvaro Cunhal (v.), em 1961, mas no ano seguinte voltou a ser preso, sendo desta vez condenado a 23 anos. Preparava uma nova fuga quando se deu o 25 de Abril. No regime democrático, foi Deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República entre 1976 e 1987, tendo sido eleito nas 4 primeiras Legislaturas.

Touradas e Catalunha

Apesar deste meu poste, cujo conteúdo mantenho inteiramente, não quero passar por aquilo que não sou: um paladino quixotesco da actividade taurina. No entanto, esta reflexão da Carla Romualdo e a ligação que ela faz entre o meu texto e a recente proibição das touradas na Catalunha, trazem-me de novo à vaca fria ( já que regressar ao touro quente poderia ferir susceptibilidades).

A recente proibição das touradas na Catalunha, disfarçada, como e bem diz a Carla, de “preocupação com os direitos do animal”, mas que  “não deve ser mais do que as ganas de pôr fora do território catalão o último grande símbolo do Estado espanhol” faz-me notar uma terrível, e para mim insanável, contradição: alguns dos argumentos que aplicam ao fim das touradas deveriam ser dirigidos à vontade independentista.

Entre outras razões, afirmam os proibicionistas ser anacrónico, nos tempos que correm, a manutenção das faenas. Ora, é precisamente isso que eu acho da independência da Catalunha – totalmente anacrónica nos tempos que correm. Não ponho, sequer, em causa que  existem razões históricas para que esse sonho se manifeste e tivesse toda a razão de ser até há três ou quatro décadas. Concordo com a vontade autonómica, a revitalização da língua, a valorização de usos e costumes (de que, curiosamente, a tourada faz parte). Mas a independência da Catalunha, no actual quadro europeu e no futuro desenho federalista da europa, faz tanto sentido como a independência das Berlengas ainda que se lhes acrescentasse a Madeira, Porto Santo e as Selvagens. Ou seja, não faz sentido nenhum.

Tendo a Catalunha autonomia crescente e estando os estados europeus em fase de progressiva diluição de poderes, a criação de um estado  independente na Catalunha não passaria de um ridículo espectáculo em que o touro catalão seria morto em plena arena ao fim uma vida brevíssima, que não justificaria, nem de longe, nem de perto, o bilhete que os aficionados pagariam pelo ingresso (não se cria um país para durar vinte ou trinta anos). [Read more…]

Climas temperados, ar condicionado e estupidez natural

Um outro excerto do Grande Livro do Pensamento Único assegura-nos que Portugal tem um clima temperado, sem excessos, seja lá o que isso for.

Como consequência directa, naquela meia-dúzia de dias em que faz mesmo frio ou muito calor é de senso comum ligar-se o ar condicionado, incluindo os estabelecimentos comerciais.

E aqui começa o problema. Como o clima é temperado e os excessos escassos, o povo não está habituado à ideia de uma loja poder estar aberta mantendo a porta fechada. Claro que tendo o ar condicionado ligado e a porta aberta a temperatura do ar dentro do estabelecimento pouco muda, mas isso não tem qualquer tipo de importância. O facto de o consumo de energia disparar também é irrelevante, no fundo quem há-de aumentar os lucros da EDP é o cliente do comerciante, que se limita a a incluir a factura da sua estupidez  no preço do que vende.

Ainda existe a possibilidade de os nossos comerciantes, como o clima é suave e temperado, estarem desta forma a tentar amenizá-lo nas ruas, o que devia ser considerado serviço público. Mas não é. Se a estupidez pagasse imposto e o comércio nunca fugisse ao fisco até era.

Da imagem: no comércio dito tradicional de Coimbra encontrei dois exemplos destes. Duas excepções confirmando a regra.

desesperos de criança e de adulto maior

a alma dos desesperados...

O leitor pode pensar que não existe comparação entre um grupo de crianças e um de idosos. Contudo, o meu trabalho de campo tem-me demonstrado que as emoções são muito semelhantes: o desespero existe nos dos dois extremos do processo da vida. O primeiro facto a tratar, é procurar a forma de canalizar essa emoção quer para idosos, quer para o futuro adulto.

A velhice e a doença que normalmente a acompanha, faz do adulto sujeito de mimos, como se de um bebé se tratasse. Esse idoso que, um dia, não conseguirá falar ou movimentar o seu corpo. Os seus pares de geração ou de gerações próximas perdem a paciência devido à lentidão dos movimentos, das palavras que faltam, dos esquecimentos. E, como se de um bebé se tratasse, vão falando com palavras parvas, no intuito de ajudar. Uma senhora que lia e conduzia o seu carro, apesar dos seus 85 anos, sem óculos e sem problemas de orientação, até que um mês depois, vítima de um aneurisma, fica imobilizada, logo, lenta e envergonhada numa procura desesperada das memórias que o derrame cerebral tinha lavado, como um rio. Uma amiga próxima da sua geração, ao pretender estimular esse rio, nublou com adivinhas de nomes e sítios, essa memória perdida e, conjunturalmente, enervada ao perceber que não consegue agir, como esperado. E, na sua boa intenção, a amiga insiste: coitadinha, claro que sabes, vá lá, diz… Num acesso de fúria mal contida, intervenho e digo com arrogância: Não era melhor dar a pista com uma palavra para ela continuar a frase… Frase a minha que não é ouvida porque os adultos sadios entendem que adulto maior e doente precisa de…compaixão,  como refiro no texto, A criança velha, publicado neste sítio de ensaios académicos. O meu apoio à criança velha mas consciente da sua situação, ajuda-a encontrar as palavras costumeiras, com calma, e diz: Bom, foi um prazer, vou andando, e a conversa acaba. Mas, a senhora compassiva, porque é assim que tem sido ensinada, começa com festinhas na cabeça desse adulto maior, beijinhos nas bochechas e

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Noções Gerais de Electricidade

“Eu não percebo porque é que o pássaro não apanha choque”*

(recém-encartado da escola pública) – * pergunta ao Cagalhães, jovem!

O Dizimista

O alegado representante de Cristo na Terra vem ao Reino Unido para uma série de concertos em várias salas de variedades.

Entrada paga. A Máquina precisa de dinheiro. Só não me lembro de nos Evangelhos autorizados ter lido de algum colecta feita por Jesus. Só me lembro de alguém que se vendeu por trinta moedas. Cristo, anda cá ‘baixo ver isto…

A esquerda impotente

O capitalismo liberal e financeiro nesta crise mostrou a sua face a todos-embora já muitos o tenha denunciado ,desde há muito-agora, ficou claro perante milhes de pessoas  desempregadas,exploradas com  trabalho precário,e exploradas nos seus direitos,que há uma ideologia que defende e pretende obter  o máximo do rendimento dos seus capitais, sem  se importar  com as consequencias socias, ambientais,e humanas que isso pode acarretar.
 
Por outro lado, também ficou claro que perante esta crise ,nem a esquerda ,nem os grupos progressistas,nem a cidadania, nem os movimentos sindicais  tiveram qualquer capacidade de resposta perante o  seu desenrolar .
 
Os Estados,  no  início, tiveram  de ajudar os bancos que ameaçavam falência,receando um efeito em cadeia,  com o destroço total da economia,e quanto maiores eles fossem maior era o perigo, mas fizeram- no sem lhes perguntar  porque é que  tinham chegado  áquela situação, e sem lhes exigir contrapartidas futuras,ou regras de funcionamento mais claras.
 
Depois, entraram em cena  novos capítulos do espírito neo liberal,  traduzidos para nós, nos  Pactos de Estabilidade,exigindo reduções  drásticas dos deficits públicos  dos Estados.
 
 
A liderar esta filosofia aparece a Alemanha  ,depois do esforço que fez para integrar  a sua zona Oriental,e quem encabeça esta luta e´o partido Democrata Cristão da Senhora Merkel ,virando-se  desta feita  para os  três estados do Sul da Europa,onde há ainda governos sociais democratas, Espanha,Grécia e Portugal,depois da derrota trabalhista em Inglaterra.

Estes Estados perante a correlaçao de forças internacionais e europeias,não  tiveram alternativas senão submeter-se aos ditames da política  europeia , personalisada no Banco Central Europeu, encarnação bancária da ideologia  neo liberal.
 
Entretanto,nem os sindicatos,nem os intelectuais  de esquerda,nem os partidos progressitas, conseguiram até ao momento,  encontrar  um manifesto conjunto ,uma plataforma de acção que expressasse o seu protesto, e o seu desespero,perante medidas tão violentas  impostas aos que menos responsabilidade têm na crise,mas são, os que mais a vão pagar,todos os trabalhadores em diferentes escalões da sociedade.
 
 
Enquanto as forças  neo liberais tratam os seus problemas a nível global,vidé europeu,a esquerda e as forças progressistas ainda não sabem trabalhar  sequer, a nível Ibérico,quando mais europeu! 
Era necessária uma resposta conjunta , articulada do movimento sindical,uma resistência legítima ,com os partidos  de esquerda e progressitas ,sem populismos,mas apresentando respostas possiveis para a conjuntura .
 
A crise está para durar , logo, é tempo dos sindicactos em díalogo com todas as forças políticas progressistas e   descontentes com a situação, sem esquecer  a Cidadania ,fazerem propostas  conjuntas a nível da solidariedade  europeia  para estancar  o ataque sem freio, das multinacionais e da ideologia neo liberal ,mas não esqueçamos que o problema é político, e não exclusivamente sindical
 
Se a esquerda europeia ,se quer opôr a isto tudo,   tem de saber articular -se, e a lutar e trabalhar. Desde já, nós aqui ,ao nivel ibérico, logo depois, à escala europeia. E toda a esquerda ao nível europeu.
António Serzedelo

Inception (A Origem): o sonho comanda a vida

Consta que Christopher Nolan demorou dez anos a concluir o argumento de Inception (A Origem). Bem precisou deles. Mas o resultado é altamente satisfatório. Eis-nos perante um dos grandes filmes dos últimos anos, que garante muito mais perguntas que respostas.

Ambientado nos tortuosos caminhos da mente, Inception é um digno sucessor de uma obra extraordinária para um realizador que fez 40 anos há poucos dias. É um filme de autor, pois, mas que não se fecha em si mesmo, como as fitas tão pessoais que não deixam ninguém entrar, sobretudo os espectadores. Inception é pessoal, claro, mas é também um entretenimento.

Inception

O filme é de Nolan mas estamos todos convidados a partilhar o momento e decidir depois o caminho que pretendemos. Se o enigmático final deixa algo por determinar, cabe-nos a tarefa de escolher. É a nossa tarefa. Cada um constrói o fim que prefere.

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O sofá de pedra

(adão cruz)

(Um texto de Marcos Cruz)

O SOFÁ DE PEDRA

A história que vos vou contar podia sair-me das mãos numa rajada, mas eu não nasci para ir directo aos assuntos. Percebi isso quando perdi a virgindade. Foi estranho. Os meus amigos tinham-me pressionado tanto a invadir a minha namorada que, na hora h, parecia que o meu pénis ia às finanças. Claro que ejaculei precocemente. O que vale é que não culpei o acto em si, culpei-o em mim, isto é, compreendi que sem sol não se faz praia, que cada prazer pede o seu clima. Com essa namorada, porém, o destino estava escrito. Como Deus, quando fecha uma porta, abre uma janela, o mesmo destino quis que, antes de conhecer a minha terceira namorada (e não a segunda porque à segunda nem as mamas lhe apalpei, apesar de ter andado dois meses com ela), eu descobrisse um sítio mágico, hoje dir-se-ia um spot, numa zona rochosa da praia de Cabedelo, para lá do Hotel Casa Branca, quem vem do Porto. [Read more…]

País Maravilhoso, O Nosso!

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Estão a gozar connosco, só pode!
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Depois de ler esta notícia, só posso envergonhar-me de ter estes “mandantes” a mandar em nós.
Se tal acontecer, e se nada se fizer a esse respeito, só apetece mesmo renegar esta gente, a qualidade deste povo, e este País, e aproveitar para chamar a quem permite estas coisas, uma cambada de f….. .. ….
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a materialidade dos afectos

duas mãos enlaçadas, o múltiplo do amor

Para os nossos discentes de Etnopsicologia da Infância.

As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo [Read more…]

On Her Majesty's Secret Service

Filmado em alguns locais de Portugal, um filme a (re)ver, especialmente para se comparar o antes e o depois do desordenamento do território. Especialmente no que se refere à sequência de introdução, filmada no Guincho.

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Sócrates não esquece quem o serve

 

Governo reafirma confiança em Pinto Monteiro.

O pensamento único: trabalho e redes sociais


A Lusa traduziu e fiquemos com mais um clássico do Grande Livro do Pensamento Único:

O Facebook e o Twitter, estão a custar mais de 14 mil milhões de libras (16,9 mil milhões de euros) por ano à economia britânica devido ao tempo de trabalho perdido.

E custam porquê? porque a MyjobGroup, uma generosa empresa de contratação via twitter, perguntou a 1000 pessoas quanto tempo usavam a aceder às redes sociais no seu horário de trabalho.

Deixando de lado coisas irrelevantes (como a produtividade não ser contabilizável apenas pelo tempo de trabalho excepto em casa de um idiota chapado, o estudo ser feito por uma empresa tão suspeita como o Vitalino Canas a falar de trabalho temporário,  e só aceder à net quem trabalha com computador), temos mais uma verdade universal em todo o seu esplendor.

“As empresas deveriam monitorizar o acesso às redes sociais durante o horário de trabalho e assegurar que os seus trabalhadores não estão a abusar da liberdade de acesso a estes sites”

Dizem eles. E já agora monitorizem o acesso ao telefone, controlem se anda alguém a conversar com o parceiro do lado, amordacem-nos, amarrem-nos, e despeçam:  a MyjobGroup precisa de despedidos, que até ganha a vida a contratar substitutos. Tudo muito temporário, é claro.

Fotografia – Castro Laboreiro

Presos em Sintra e sem Playstation 3? Uma vergonha nacional

Há coisas graves a passar-se em Portugal. Hoje ficamos a saber que há detidos na prisão de Sintra que não têm acesso à Playstation 3. É um castigo durissímo, grave e cruel.

Exige-se uma mobilização de todo o país e da Amnistia Internacional, do Greenpeace e da Associação dos Fervorosos Utilizadores de Consolas de Jogos para acabar com a ignomínia nacional.

Assim este país não vai lá.

Paga-se a Quem Levar Diplomas P'ra Casa*

Regime democrático remunera jovens ociosos em busca de alguma emoção

Financiamos transporte escolar, material escolar, refeição escolar, pessoal escolar, edifícios escolares (também conhecidos como escolas), bonés, tazos, skates, telemóveis e Magalhães.

Em troca oferecemos-te um diploma (ou vários). Não garantimos que funcione. O papel pode até ser muito áspero.

Favor contactar o Ministério da Educação e Associação Nacional de Pais.

* molduras não incluídas

Os meninos do tio Joseph:

A leitura da entrevista de Pedro Reis ao i provocou reacções alérgicas. É bom sinal, como já escrevi no Albergue.

Quando se corta uma laranja ao meio ficam duas partes e em ambas existem caroços e esse é um dos problemas da nossa economia, para lá dos dois apontados por Pedro Reis – que se esqueceu dos ditos.

Ou seja, convinha não esquecer a fuga ao fisco, seja ela a coberto de especialistas fiscais (algumas vezes no duplo papel de consultor fiscal e de legislador fiscal e já estamos perante a típica esperteza saloia à portuguesa), seja por via religiosa: a fé do típico empresário na fuga ao fisco como modo de vida empresarial. Aliás, a chamada “economia paralela”, segundo alguns cálculos conservadores, deve representar 20% do total.

Ora, Pedro Reis, empresário e independente, apresenta algumas soluções. Umas excelentes, outras boas e uma má: a descida em 15% dos salários. Existe uma mentira que de tantas vezes repetida alguns julgam que se tornou verdade, mas não. Nem a Função Pública é bem paga em Portugal. Isso foi chão que deu uvas. Ora, os baixos salários praticados em Portugal podem não ser “a causa” mas são uma das principais causas da baixa produtividade e essa só se combate com estímulos ao trabalhador. Daí não concordar, neste ponto, com Pedro Reis.

Quanto ao resto, totalmente de acordo: descida de 15% nos impostos; privatizar as empresas públicas e legislar de modo a termos um Estado regulador forte e que salvaguarde a concorrência e transparência dos mercados. Fico à espera das conclusões e apresentação do “Livro Branco das Empresas”, mais um importante contributo para um programa de governo do PSD.

Já mais engraçado é ver alguns bloggers situacionistas considerar que Pedro Reis deveria ouvir, igualmente, os trabalhadores. É fazer de conta que não perceberam o que lhe foi pedido. Claro que os “abrantes” e o Daniel Oliveira perceberam, só estão é a desconversar. Claro que sabem que, dentro do PSD e dos TSD, esse estudo está, igualmente, a ser feito.

Não os tinha como seguidores do estilo e métodos de propaganda do Paul Joseph. Estamos sempre a ser surpreendidos…

Um blogue a visitar, uma Associação a apoiar:

A raríssimas é uma associação sem fins lucrativos cujo objectivo é apoiar doentes com patologias raras, apoiando doentes aos quais o Serviço Nacional de Saúde normalmente não consegue dar resposta.
É um projecto da Paula Brito e Costa e que conta com Maria Cavaco Silva como madrinha e tem ainda o apoio da Leonor Beleza e da SIC Esperança, entre outros.

Aqui fica o link do blog desta Associação.

Há momentos em que o silêncio é de ouro

A televisão passa uma notícia sobre o processo Freeport, a tal montanha que consta ter parido um rato. Numa mesa ao lado, no mesmo restaurante, um de três comensais diz, alto o suficiente para quem o quiser ouvir, “estão todos metidos nisto, todos”.

Não percebi porque é que falou tão alto, se era apenas para os parceiros ouvirem ou um alerta apontado às almas que respiravam o mesmo ar. Nem me atrevi a perguntar quem eram os tais “todos”. Se com ‘todos’ pretendia dizer que eu e as outras pessoas que estavam no local também estávamos ‘metidos’ naquilo, presumo que no caso Freeport, se se inclui a ele próprio e aos respectivos parceiros de alimentos. Temendo a resposta preferi não questionar e deixar o homem dar continuidade à indignação. Há momentos em que o silêncio é de ouro.

PSD: Revisão do anteprojecto de Revisão Constitucional

De genuflexão em genuflexão, com avanços e recuos, lá vai Pedro Passos Coelho percorrendo um caminho errante. O que, em certo dia, é propagado como estratégico em tom categórico e tonitruante, passado algum tempo é renegado ou reduzido a zero. Queira-se ou não, este é o espectáculo, de voltas e reviravoltas, proporcionado pelo dirigente máximo do PSD e sua equipa. A avaliar pelas notícias hoje vindas a público,  agora é o ‘anteprojecto de revisão constitucional’ de Paulo Teixeira Pinto a desencadear objecções da parte de notáveis do próprio partido.

Paulo Teixeira Pinto está tão distante da social-democracia, como eu, em pleno e tórrido Alto Alentejo, estou da Patagónia. A figura cimeira do grupo de revisão constitucional laranja, ao que se percebe, verteu para o papel as suas próprias ideias, conservadoras – dispensamos o ultra. Os parceiros da comissão, sem ser tidos ou achados no produto final, sofreram um ataque de psoríase, ameaçando demitir-se. Da lista de vítimas dos sintomas epidérmicos, constam Assunção Esteves, Bacelar Gouveia, Luís Marques Guedes e Guilherme Silva. Tinham, apenas, de assinar por baixo. Revoltaram-se diante do papel de ‘paus-mandados’.

Com este panorama, a Pedro Passos Coelho não restou alternativa. Ordenou o regresso à ‘estaca zero’ e, a partir de agora, Paulo Teixeira Pinto terá de subordinar-se à companhia de Calvão da Silva e Bacelar Gouveia, na reconstrução do anteprojecto de revisão da CRP do PSD.

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Allentejo em Aljustrel

Inaugurou no passado sábado, em Aljustrel, a exposição “Allentejo”, cujo texto de apresentação é o seguinte:

Convidaram-nos a expor no Alentejo.

A nossa vontade, enquanto colectivo sedeado no Algarve ( todo o artista é o criador e a sua circunstância ), seria levar todo o AlgarveAllgarve, falando português turístico– ao Alentejo.

Mas somos o Laboratório de Actividades Criativas, de Lagos, e a exposição acontece em Aljustrel, parte de um Alentejo remoto, a braços com a desertificação, com o esquecimento e arredado das preocupações dos príncipes e estrelas urbanas da cultura.

Nós, contra a desertificação, contra a exclusão, contra a centralidade metropolitana, contra o pretenso elitismo dominante, acreditamos na contaminação e o nosso desejo seria contaminar, a partir de uma pequena semente em Aljustrel, todo o Alentejo Allentejo.

As questões que cada um dos artistas presentes levanta, o seu talento, a sua arte, a sua entrega, ficam vincadas nesta tentativa irónica e solidária de trazer o mar ao centro do Alentejo, mimetizando a mentalidade reinante de que tudo o que não é litoral é apenas paisagem e, neste caso, um imenso mapa, vazio mar e de contemporaneidade.

Por todas as razões, e por acharmos que assim não é, seduz-nos mais o Allentejo.

Artistas presentes – A.Pedro Correia, Henrique Pereira, Jorge Pereira, Pedro Glória, Raymond Dumas e Sofia Fortunato. Mais informação aqui e aqui.

Também publicado no liberatura

A ministra ignora ou esconde?


Por SANTANA CASTILHO*

Quando exprime certezas, erra grosseiramente. Quando responde, afunda-se em equívocos. Quando analisa, não vê os factos. Catita no vestir e no pentear, eis Isabel, leve no pensar, ministra da Educação e fantasista por compulsão.
A vacuidade e a imprecisão continuada do discurso, primeiro em entrevista ao Expresso de 31 de Julho, depois a vários canais televisivos para emendar a proposta de banir os chumbos, obriga ao exercício penoso de contraditar e esclarecer. Não cabendo tudo, escolho o mais danoso. O Expresso perguntou: pondera então alterar as regras de avaliação durante o seu mandato? A ministra respondeu: pondero. O Expresso insistiu: e está disposta a lançar esse debate para acabar com os chumbos? A ministra respondeu: sem dúvida. O Expresso considerou: muitos dificilmente concordarão com o fim da retenção. A ministra respondeu: por uma questão de tradição. Quando se deu conta da leviandade da proposta e de que muitos não concordavam, a ministra veio às televisões dar o dito por não dito, socorrendo-se dos países do norte da Europa, cuja realidade ignora.
O objectivo de qualquer sistema de ensino é que todos aprendam. Mas em todos os sistemas há os que falham. A quantidade dos que falham é consequência de uma gama enorme de variáveis. Umas podem ser intervencionadas directamente pela escola e pelos professores. Outras não. Dependem dos próprios alunos. Das famílias. Da cultura vigente. Da consciência cívica dominante. Da qualidade dos sistemas políticos, da competência dos que mandam, da natureza das escolhas que são feitas e das prioridades que se estabelecem. Os métodos pedagógicos variam.
Mas nenhum sistema sério [Read more…]

Vendem-se Chaves

Vende-se molho de Chaves a quatro horas da capital (Madrid).

Tem rio e possibilidade de construção de mega-barragem e reserva de caça de transmontanos.

Possibilidade de recursos petroleiros no sub-solo. Águas tépidas todo o ano.

Favor contactar o Ministério da Cultura.

O meu baptismo de Freeport

Freeport

Estreei-me ontem no Freeport. Desaguei no outlet da Reserva Natural do Tejo numa passagem de carro por aqueles lados. Um espaço aberto e embelezado com fontes que proporcionam um agradável sincopado de água chilreante. Atendendo ao pesado ambiente que tem pairado sobre este empreendimento, o ar era surpreendentemente respirável.

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Matar na Estrada é Como Quem Vai às Putas

“O homem que, na tarde de domingo, conduzia o automóvel que abalroou e matou um rapaz de 13 anos, em Fafe, fugindo de seguida, entregou-se na GNR no dia seguinte. Tinha saído da cadeia há pouco tempo, não tem carta e o carro estava ilegal. Foi libertado.” – JN, 05 Agosto 2o1o.

Um indivíduo sem carta abalroou um outro ser humano, de carro. Assustado, desaparece do local, entrega-se às autoridades no dia seguinte. Ouvido em tribunal, é mandado para casa esperar. O falecido vai a sepultar, não reclama.

Faz calor, apetece-me um refresco. E assim seguimos, felizes e contentes, as mortes na estrada não são crimes, é como quem vai às putas e regressa a casa depois de uma sticada no meio do eucaliptal. Tudo normal, um dia normal.

O cheiro do napalm pela manhã

É uma das cenas mais famosas de Appocalypse Now. Na busca do inferno do Coronel Kurtz, o capitão Benjamim Willard vê-se lado a lado com o pelotão do estranho Bill Kilgore. Obcecado por surf, o tenente coronel interpretado por Robert Duvall procura manter uma ligação a casa, lá longe, demasiado longe. É uma ligação já ténue. Kilgore está tomado pela guerra.

napalm

“Cheiras isto? É napalm, filho. Nada mais no mundo cheira desta forma. Adoro o cheiro do napalm pela manhã”, diz o tenente coronel. Mesmo se não soubermos em detalhe como cheira o cheiro do napalm pela manhã, sabemos que ninguém, no seu mínimo juízo, adora o cheiro do napalm. Nem sequer pela manhã. Nem sequer Kildore.

A prova está logo a seguir. De uma forma ou de outra, todos nós conseguimos encontrar uma definição para aquilo de que gostamos. Com maior ou menos arte, sabemos explicar porque gostamos. Kilgore não. Procura a palavra para definir o seu amor pelo cheiro do napalm pela manhã, mas não consegue. É diferente. Nada mais. É apenas diferente. Nem um “é diferente de…”.

Kilgore não gosta do cheiro do poderoso combustível mas pensa que gosta. Kilgore gosta da guerra. Quando uma pequena bomba explode ali perto, nem se mexe. “Um dia esta guerra vai acabar…”, anuncia, convicto, mas sem alegria. Quando a guerra acabar, Kilgore será um homem infeliz.

Há pessoas que preferem atirar combustível em vez de apagar a fogueira.