A greve geral não é hoje, mas já andam nos treinos

O sr. com esta cara (tirei da foto que rasga o DNonline, o efeito de pronlogamento das fuças é fabricado pelos feitos de uma grande angular um bocadinho perto da tromba a abater) disse, repetem os jornais online o mesmo destaque, que a

Greve serve para castigar “uma certa burguesia

ainda não sabemos para quantas pessoas estava este senhor com esta cara a falar de castigos, mas já sabemos que a escolta do autocarro da equipa de futebol sénior e profissional do Sport Lisboa e Benfica disparou tiros de shotgun, “para prevenir actos violentos de adeptos que se encontravam num viaduto da auto-estrada.” Também detiveram “uma carrinha com adeptos do Porto que terão, alegadamente, cuspido na direcção do autocarro benfiquista.”

Ainda não sei a quantas pessoas esta cara, propositadamente deformada, disse que a greve geral é para castigar uma certa burguesia, vai-se a ver e pode ser a tua.

E fica como medo, muito medo.

A greve geral não é hoje, porra

Às 18h 40m deste sábado os jornais online alimentam-se de um texto da Lusa com três horas de idade:

Vários milhares de trabalhadores da administração pública estão concentrados na rotunda do Marquês de Pombal, à espera de iniciar um desfile que a Frente Comum de Sindicatos espera ser um primeiro passo na mobilização para a greve geral.

Donde se conclui que  devem ter sido na casa das centenas dos milhares. Nada como fazer contas de multiplicar quando as ordens são para não contar. Porreiro pá.

Almoço Aventar, em Coimbra e numa Porta Romana

Poucos mas bons,  e só faz falta quem está, decorreu mais um calmo e tranquilo convívio dos escribas desta casa.

Três duelos marcados (não tenha finalmente vindo do nevoeiro o nosso Nuno Castelo Branco), florete, pistolas e penas, padrinhos combinados, o sangue voltará a escorrer nos próximos dias, como é quotidiano de um blogue pluralista.

Manjados o  arroz de entrecosto em vinha d’alhos (a escorrer), as pataniscas (do mais fidelíssimo amigo), os peixinhos da horta (ainda na fase de aprendizagem natatória), pequenos carapaus (muito pequenos não contem a ninguém), os rojões (no ponto), o esparregado (nacional, sim e é bom) e os chocos (falando algarvês com pronuncia beirã).

Na foto acima, em destaque, do lado esquerdo o cozinheiro do restaurante Porta Romana, em Coimbra, a quem agradecemos. Os outros são os que estavam. E esta Fernando, é para ti:

Loto Azul

Chegou o Senhor JinTao e não veio exactamente de junco. Saindo de um aparelho de tecnologia ocidental de marca a ser futuramente  construída sob licença no Império do Meio, trás aquilo que noutros tempos, só um jade da boa sorte poderia significar.

Pelo que se faz crer, vem comprar a dívida portuguesa, ou pelo menos, uma parte dela.  Em troca – é esta a base dos tratados que contrariam os acordos de canhoneira -, deverá receber uma concessão no porto de Sines. Nada de estranho, pois o Aventar já o tinha dito.

Garantimos apenas, não ter escutado o “aventar” da hipótese através de qualquer assessor de serviço. É a simples lógica das coisas que dispensa perfeitamente um discreto jarrão de porcelana.

Então e o interesse nacional?

Depois da tempestade Vivo, antecipo grande turbulência com as compras chinesas. Desde a banca à dívida soberana. Ou não?

não… de tanga, não

Estação da Praia dos Algarves

Santa Apolónia, padroeira dos dentistas.

A Câmara de Tavira é católica?

O Paulo Guinote publica uma estória de bradar aos céus: o Município de Tavira abriu um concurso “para dirigente de um serviço de acção social em que a licenciatura de acesso exclusiva é Ciências Religiosas“. Fui ver, e o dito curso apenas é ministrado pela Universidade Católica e similares. Temos assim um concurso feito à medida (mau), exigindo uma habilitação literária que não existe em universidades públicas (péssimo) e acrescento, especulando mas não nasci ontem, a que só um católico terá acesso.

A Câmara de Tavira tem maioria PS, e o pelouro a que se refere este concurso pertence ao próprio Presidente, Jorge Botelho de seu nome. Toma nota S. Pedro, este já ganhou um lugar no teu céu.

À espera da resposta dos deputados

Como prometido ontem enviei os emails para os grupos parlamentares.

Quanto aos deputados do meu distrito (Porto) não enviei para todos porque o processo de os contactar via site do parlamento é altamente desmotivante, tem que se procurar o deputado, escrever o nosso email, preencher o captcha e clicar em enviar… isto para cada um dos deputados que queremos contactar.

Assim optei por enviar somente para um deputado de cada partido eleito pelo Porto. Tentei escolher deputados cujo twitter eu conheço, para depois tentar validar se receberam a mensagem e perguntar quando pensam responder.
Os escolhidos foram: Renato Sampaio (PS); Luis Menezes (PSD); Michael Seufert (CDS-PP); Catarina Martins (BE); Honório Novo (PCP).

E vocês já enviaram o email? Ou acham que não há nada a fazer em relação a estes escândalos da EDP e concessões rodoviárias?

Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão

O presidente do governo regional da Madeira, Alberto João Jardim, acha que o Estado português “é ladrão” porque não permite a acumulação de pensões de aposentação com qualquer tipo de salário no sector público. (…)
Professor do ensino secundário antes do 25 de Abril e depois director do Centro de Formação Profissional até ser eleito deputado nas regionais de 1976, Jardim, ao completar 65 anos de idade reformou-se da função pública, em Junho de 2005, com uma pensão de 4124 euros. Mas, devido a um regime de excepção sem paralelo no resto do país, acumula, por inteiro este valor da reforma com o vencimento de presidente do governo, equiparado ao de ministro.

Publico

Contos Proibidos – Memórias de um PS Desconhecido. A CIA financia o PS em 1976

continuação daqui

Grande parte do apoio [ao PS] vinha em notas e cheques em moedas estrangeiras e, apesar dos contactos que o PS detinha na Banca, sempre que o tesoureiro, Fernando Baroso, procedia a operações cambiais, saíam notícias e circulavam rumores. (…) As notícias inicialmente difundidas pelo «New York Times» de que o PS estaria a receber avultadas quantias da CIA e do estrangeiro «obrigariam» Mário Soares a veementes desmentidos e a uma conferência de imprensa, a 8 de Fevereiro, não só para desmentir o que era verdade mas, sobretudo, para camuflar esses apoios, anunciando o lançamento pelo PS de uma campanha de angariação de fundos. Diria então que «o nosso Partido é um Partido de trabalhadores, é um Partido de Esquerda e, como tal, um Partido pobre. Têm-nos sido dirigidas muitas calúnias por parte dos que nos acusam de recebermos fundos estrangeiros. Essas calúnias nunca foram provadas, nem o poderiam ser, porque são efectivamente calúnias. Estamos no início desta campanha, que vai ser extremamente dinâmica e esclarecedora para o país, com grandes dificuldades financeiras, porque a campanha eleitoral é efectivamente dispendiosa. Por isso rewsolvemos iniciar a nossa actuação, neste período pré-eleitoral em que nos encontramos, por uma campanha de recolha de fundos. (…)
Nesse ano eleitoral de 1976, vários Partidos e entidades estrangeiras entregariam avultadíssimas somas em dinheiro, por todos os meios, as quais a Administração Financeira ia classificando como campanha de «angariação de fundos». Só os recibos que me foram entregues ultrapassariam, então, os 40 mil contos, embora à medida que iam sendo entregues na rua da Emenda a Fernando Barroso fossem, inadvertidamente, sendo classificados em moeda estrangeira e, às vezes, referindo mesmo a entidade doadora. O Partido Trabalhista, segundo me foi comunicado, tinha unicamente enviado, em 1975, para a conta da Holanda, a quantia de 4108 libras, o que equivalia a 240 contos na altura. Os «pacotes de biscoitos» do M 16, «CH», o último dos quais seria entregue em 7 de Abril de 1976, representavam a extensão do conceito político da «Europa Connosco» ao outro lado do Atlântico! (…)

Sondagem presidenciais

Há coisas que só acontecem num blogue pluralista. Após um aventador, republicano dos 4 costados, ter proposto na sondagem “Em quem vai votar nas eleições presidenciais” a inclusão do sr. Duarte Nuno nas possíveis respostas, deu-se o curioso fenómeno de o mesmo ter tido uma votação massiva.

Claro que entre isto e a coincidência de o nosso monárquico de serviço ter espalhado a originalidade lá para os seus lados, não existe nenhuma relação de causa e efeito.

Mais uma vez se constata serem estas sondagens representativas do universo das pessoas-que-chegam-ao-Aventar-e-gostam-de-votar-nestas-coisas. E são sempre bem vindas.

Bob, O Construtor:

Agora começo a perceber os motivos para as portagens nas ex-SCUT. Alguém tinha de pagar a factura…

Naquela lista de quadros superiores só falta o “Bob, o Construtor”!

FMI prevê a falência de Portugal

As notícias para Portugal não poderiam ser mais negativas e preocupantes. O ‘Económico’, por exemplo, apresenta o seguinte título:

FMI aponta falência “quase certa” de Portugal

Económico  
05/11/10 09:21

Reconhece o FMI que Portugal está ser empurrado para o abismo pelos mercados – sempre os tais mercados – onde operam investidores e especuladores. No caso concreto, não consigo descortinar o que distingue os primeiros dos segundos. Os resultados para o país, vindo de uns ou de outros, não são exactamente os mesmos? Ou seja: os juros da dívida pública a subir em flecha, atingindo 6,715% ao princípio desta manhã.

O FMI até reconhece que as medidas introduzidas no orçamento são significativas, dando a ideia de ser incoerente a reacção dos mercados. Eu tenho opinião diferente: a incoerência é da União Europeia e do BCE, sob a batuta da Sra. Merkel e do Sr. Sarkozi, que impedem a intervenção directa do banco central do ‘euro’ no auxílio à dívida pública de países em dificuldade. Mas também há responsabilidades do FMI que, não agindo, é cúmplice da espúria intervenção dos tais investidores. Ao invés, encoraja. Sim encoraja, porque sabendo da inevitabilidade de  Portugal ter de recorrer ao ‘Fundo de Emergência Europeu’ e ao FMI, os tais investidores e especuladores estão certos de ser reembolsados com o benefício de juros elevados. É a conhecida prática da agiotagem.

Por tudo isto e toda a série de desgraças que por aí vêm, aproveito para expressar cínicos, sinceramente cínicos, agradecimentos, em particular, ao Prof. Cavaco Silva, ao Eng.º António Guterres, ao Dr. Durão Barroso e ao Engenheiro Técnico José Sócrates. O processo da degradação da situação económica e financeira de Portugal desenvolveu-se ao longo de quase 4 décadas. Obrigado, pois, pelas obras de fachada: CCB, Expo98, Mercados Abastecedores, 10 Estádios de Futebol, cerca de 3.000 km de auto-estradas e por aí fora. Obrigado por tudo isto e ainda pelo enriquecimento de ex-governantes: Armando Vara, Jorge Coelho, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Oliveira e Costa, Mira Amaral e não sei quantos mais. Obrigado por toda esta trampa. O povo, o bom povo por vós amestrado, já começou a pagar a conta da vossa irresponsabilidade e incompetência. Que se vai agravar. Mas esse bom povo também tem que vos repudiar, em vez de eleger.    

Covilhã: Carpinteira

Carpinteira, um blogue covilhanense.

O povo

(adao cruz)

Eu não acredito no povo, ou melhor, eu não acredito na maior parte do povo, ou melhor, eu não acredito politicamente no povo português.

Se não, vejamos o que se vai passar nas próximas eleições.

De certeza que não vão ser como as do Brasil, da Venezuela ou da Bolívia.

No dia de finados estive no cemitério em curta romagem à campa de meus pais.

Um imenso lençol de mortos jazia debaixo da terra, e um imenso mar de vivos (ou não seremos todos mortos-vivos?) deambulava à flor da terra. Os de baixo expiraram. Nós, os de cima, ainda inspiramos alguma coisa, mas não sabemos respirar, asfixiados que estamos pelo garrote do poder e pelo incenso da Igreja.

Por isso eu não acredito no povo.

Se não, vejamos o que se vai passar nas próximas eleições. [Read more…]

Aves de Portugal

Aves de Portugal — Ornitologia do território continental pretende constituir-se como uma referência incontornável na ornitologia portuguesa. Este trabalho, que é simultaneamente o mais abrangente e o mais exaustivo alguma vez feito sobre a avifauna de Portugal Continental, é o resultado de décadas de experiência de campo dos autores e de uma pesquisa dirigida de mais de 10 anos.

Não consigo deixar de pensar…

… no que raio andou esta gente a fazer nestes anos todos. Bem pode o outro vir com a conversa de que defende o estado social. A realidade está aí, nua e crua.

AS ÉLITES DEMITIDAS, OU A CIDADANIA DEMISSIONÁRIA ?

Há  hoje por trás de muitas críticas a que assistimos,feitas a eito, contra Sócrates, o Governo , e o sistema,

inúmeras  confusões, e alguns até  confundem o sistema, com Sócrates, Guterres, Durão Barroso,Santana Lopes,Cavavo.
Mas todas elas vivem de  um substracto cultural  reaccionário, que  têm  um pé  em Berlusconni , machismo  e xenofobia, e outro em Sarkozy  , populismo e  oportunismo .
E eu pergunto, tal como vejo perguntar na imprensa estrangeira ?
Como é que os (nossos ) políticos, eleitos democraticamente por todos nós,   são em tão  pouco tempo   sujeitos a campanhas de desprestigio  tão terríveis ,por parte dos seus adversários,   com a conivência  passiva de todos aqueles que são seus supostos  apoiantes?
Isto denota  uma falta de confiança entre  os políticos e os cidadãos.
Mas isso justifica   insultar sistematicamente,  quem   ocupa cargos de poder, desde as Câmaras, aos Governos ? Insultar  para destruir,fulminar,  fazer assassínios de caracter, com tanta sanha, e tanto ódio?
Há dias, o Presidente da República  deitou  mais uma acha  na fogueira que ele próprio acendeu, há  vinte anos, ao referir, publica e prosaicamente  no facebook , que existe uma “desconfiança das pessoas nos políticos”.
Este estado de alma,  agora tornado  publico, é grave,pois estamos a atravessar um momento crucial,  em que precisamos de lideranças, e de credibilidade, até internacional ,que essa expressão  queixosa não  facilita .
Não andamos muitos de nós à procura  de bodes expiatórios ,para cobrir a nossa indiferença,as nossas faltas  e egoísmo sobre o serviço  público , e só sabermos ser  retro -activos, em vez de ser pro -activos? [Read more…]

O caso do vídeo da muçulmana que já não o é


Circula por aí um vídeo onde supostamente uma advogada egípcia, conhecida como activistas dos direitos humanos em geral e das mulheres em particular, afirmaria o direito de os árabes violarem mulheres israelitas.

Supostamente porque embora legendado em castelhano o dito vídeo é  falado em árabe, e ainda não li nenhum falante dessa língua atestar da qualidade da tradução.  Sabendo que a máquina de propaganda israelita é capaz de tudo, é sempre de aplicar o princípio da duvida sistemática.

Certo é o facto de entretanto Nagla Al-Iman se ter convertido ao cristianismo, e por via disso ter sido presa e sequestrada, e negar aqui o tal depoimento sobre violações que afirma truncado.

Curioso também o facto de muitos vídeos com declarações da dita senhora terem sido retirados do youtube. E de neste que aqui publico, onde canta e reza com os seus filhos, ter toda a aparência de ter sido espancada.

Moral da história: desconfiar sempre das aparentes evidências, sobretudo quando passam pelos complicados caminhos das religiões e das propagandas de guerra.

Adenda: o facebook de Nagla Al-Iman:

A coerência do candidato Manuel Alegre


Não, este não é um video da campanha de 2010. Este é um vídeo de uma altura em que Manuel Alegre se esforçava por parecer um político livre, independente e quase sempre contra o seu próprio Partido.
Esforçava-se. Agora já nem isso.
«Coragem para estar ao lado dos desempregados e desfavorecidos». Sim, tinha uma boa oportunidade no próximo dia 24 de Novembro.

O Diário do Professor Arnaldo: 4 de Novembro – Os cromos

Não, não vou chamar cromos aos alunos. Apesar de o serem.
Vou apenas referir-me ao principal divertimento dos putos por estes dias. Pegam em cromos virados ao contrário e batem-lhes com uma palmada, tentando fazer com que fique visível a parte da frente. Depois, parece que os colam em cadernetas, não sabendo poruqe razão têm de lhes dar uma palmada primeiro. No meu tempo, era mais simples. Colávamos na caderneta e pronto, estava despachado.
É algo de profundamente irritante. Entro na escola, estão eles espalhados pela entrada a dar palmadas nos cromos. Vou a passar pela sala de convívio, só ouço «pum», «pum», que é o barulho deles a baterem-lhes. Vou a entrar na sala de aula, lá estão eles sentados no chão a fazer o mesmo. Até dentro da aula, se os deixassem, eles jogavam com os cromos. Aliás, chegaram a fazê-lo numa aula de substituição. Claro, tive de os apreender.
Pelos vistos, é este o principal divertimento das crianças de hoje em dia. Isto e a fornicação, claro.

Três cores, um destino


Conhece-se o refinado bom gosto do marido da Senhora Doutora Maria de Cavaco Silva. Por isso mesmo, há que ver num simples logo de campanha eleitoral, algo mais que a imagem que atrai como traças em torno de uma lâmpada, os eleitores que procuram um destino. De facto, o staff do presidente escolheu três cores que tudo dizem: Etiópia, Bolívia, Congo, Camarões, Guiné-Conacri, Guiana, Gana, Burkina Faso, Togo, Benim, Senegal, Mali, “República Portuguesa” e… CAVACO SILVA.

Um programa do futuro que nos bate à porta.

Saudade um mês depois:

Não se justifica o apoio ao ensino privado

Actualmente, são quase 100 as escolas privadas que contam com o apoio do Estado através da concessão de subsídios aos seus alunos. No total, cerca de 300 milhões de euros do Orçamento de Estado são todos os anos canalizados para essas instituições.
Há uma razão histórica. Os contratos de associação começaram numa altura em que a rede pública não cobria a totalidade do território nacional. Hoje em dia, essa razão já não se justifica. Há escolas em todo o país e a sobre-lotação é um problema que se coloca cada vez menos, sobretudo no interior e nas grandes cidades, em que o número de alunos é cada vez menor.
Contribuir para o ensino privado é desvalorizar a escola pública. Como se pode entender que o Estado pague a elevada mensalidade a um aluno quando haveria lugar para ele, sem acréscimo de custos, numa escola oficial?
Dou um exemplo entre muitos que poderiam ser dados: no centro do Porto, no eixo Batalha / Campanhã, fechou nos últimos anos o histórico Rainha (Escola Secundária Rainha Santa Isabel) e a Escola Secundária Carlos Cal Brandão. Mesmo em frente, virado para a Biblioteca Municipal, o Colégio de Nossa Senhora da Esperança, um dos mais miseráveis estabelecimentos de ensino que conheci, propriedade da Misericórdia do Porto, continua com o contrato de associação e até alargou a sua oferta do 9.º para o 12.º ano.
Numa época de cortes a torto e a direito, são 60 milhões de contos que vão direitinhos para os bolsos dos privados. Enquanto isso, escolas públicas fecham, professores com horário zero continuam sem trabalho (mas com salário) e milhares de professores profissionalizados pelo Ministério da Educação continuam no desemprego. É por tudo isto que saudo a iniciativa do Governo de rever completamente estes contratos.
Assumo que esta é, acima de tudo, uma questão ideológica.

Carta aberta aos deputados

Respondendo à minha própria pergunta sobre como podemos contribuir para que escândalos como os que foram referidos ontem sobre a EDP e outras PPP deixem de ser possíveis, lembrei-me que umas das formas que temos de relembrar aos nossos eleitos que eles trabalham para nós é mesmo falar com eles.

Nesse sentido vou enviar o texto que incluo em baixo para os diferentes grupos parlamentares e para os deputados eleitos pelo meu distrito.
Se acham uma boa ideia façam o mesmo.
Os emails dos grupos parlamentares estão nesta página e são os seguintes
Partido Socialista: gp_ps@ps.parlamento.pt
Partido Social Democrata: gp_psd@psd.parlamento.pt
Partido Popular: gp_pp@pp.parlamento.pt
Bloco de Esquerda: bloco.esquerda@be.parlamento.pt
Partido Comunista Português: gp_pcp@pcp.parlamento.pt
Partido Ecologista “Os Verdes”: pev.correio@pev.parlamento.pt
para enviar um email aos deputados eleitos pelo seu distrito terá que ir a esta página e seleccionar o deputado que pretende.
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Irresponsabilidades

Carlos Moreno no último Negócios da Semana

Os encargos acumulados com PPP que têm que ser pagos nas gerações futuras (…) atinge os 50 mil milhoes de euros.
A partir de 2014 só para pagar os encargos com as PPP, o orçamento de estado tem que prever por ano 2000 milhoes de euros.
Junte os encargos a pagar com ppp, juros e amortização de emprestimos da divida publica global e os nossos orçamentos de estado no futuro vão se limitar praticamente a uma gestão de tesouraria para pagar os encargos, não havera concerteza dinheiro para o estado social minimo que seja.

.

Tenho 35 anos. Já tenho como adquirido que vou trabalhar até aos 70.
Também tenho como adquirido que não irei ter uma reforma nos mesmos moldes que a minha mãe, que se reformou aos 62 e recebe o equivalente a uns 90% do último salário.
O que me preocupa no entanto é que me parece que vamos num caminho em que nem vou ter reforma nem vou ter nenhum tipo de apoio social para mim e para a minha família caso necessite.
Gostava de poder fazer 2 coisas:
1. responsabilizar quem por desleixo, incúria, incompetência, populismo nos levou a este estado
2. saber como posso contribuir para mudarmos de rumo.
Se alguém tiver sugestões avisem-me.

Como ganhar dinheiro mesmo em tempo de crise PPP2

Uma das dificuldades dos empresários é programar os investimentos. Garantir que aquilo em que se vai investir vai trazer um retorno positivo para a empresa e ajudar a garantir novos investimentos.

Implica por isso um risco óbvio que é investir em algo que não vai funcionar, que se vai tornar um encargo, enfim fazer uma má aposta e eventualmente ter que fechar a empresa… por isso é que nem todos somos empresários, ou pelo menos empresários de sucesso.

Mas há uma forma fácil de contornar este problema. Se tivermos construído uma infraestrutura que nos está a dar prejuizo (por exemplo uma fábrica) só temos que vendê-la ao Estado e depois passar a cobrar-lhe uma renda pela sua utilização.

Pelos vistos é isso que se quer fazer na renegocioação que se está a fazer das Autoestradas do Douro Litoral e Litoral Centro.

Não acreditam em mim? Vejam o que diz Carlos Moreno no último Negócios da Semana.

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Como ganhar dinheiro mesmo em tempo de crise – PPP1

Em tempo de crise é normal que haja menos consumo. Isso pode ser um problema para as empresas que dessa forma reduzem os seus lucros ou até aumentam os prejuizos.

Como ultrapassar esse ajuste automatico do mercado que tudo decide? Fácil, basta definir no contrato com os seus clientes que se eles consumirem menos então podemos automaticamente aumentar o preço do produto para dessa forma manter o resultado final.

Parece uma solução um bocado rebuscada mas foi isso que a EDP conseguiu do Estado português.
Nós individualmente até podemos estar a consumir menos e a pagar menos na nossa factura da EDP mas os nossos impostos irão cobrir essa diferença de qualquer forma. O que não queremos é que a EDP passe dificuldades.

Não acreditam em mim? Vejam o que Ventura Leite disse no último Negócios da Semana.

“Não é admissivel que o Estado tenha uma clausula de garantia de lucros aos accionistas da EDP no caso dos portugueses reduzirem o consumo para se defenderem (…).
Há uma clausula que permite aumentar o tarifário para compensar a queda dos lucros.”

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Materialismo e Espiritualismo

(adão cruz)

(Este trabalho, embora ligeiramente alterado e com outra disposição, é uma repetição no Aventar. Todavia, por ser matéria que me parece extremamente importante nos dias de hoje, atrevo-me a enviá-lo de novo. A quem achar mera redundância, as minhas desculpas).

 

Materialismo e Espiritualismo

                                                           I

O indivíduo materialista, no sentido filosófico e científico do termo, é aquela pessoa que acredita no ser humano como um todo, um todo indivisível, indissociável, uma única substância como dizia Espinosa. Aquela pessoa para quem não há qualquer fronteira entre a pele e a carne, entre a carne e o sangue, entre o sangue e o cérebro, entre o cérebro e a mente, entre a mente e o pensamento, do qual decorre toda a vida dita psíquica do indivíduo.

Assim como o aparelho circulatório se encarrega de toda a distribuição de fluidos no organismo, assim como ao aparelho respiratório cabe toda a oxigenação dos tecidos, assim como ao sistema endócrino pertence todo o complexo mundo hormonal do organismo, assim ao sistema cerebral corresponde toda a vida “psíquica” do ser humano. O cérebro é o receptor e emissor de todos os estímulos, exógenos e endógenos do organismo. É ele que, através de tais estímulos cria imagens, das quais decorrem emoções que, por sua vez, geram sentimentos que levam à consciência, à reflexão, à vontade e à decisão. E o pensador materialista baseia os seus conceitos numa intuição natural, numa investigação científica permanente, progressiva, dia a dia mais convincente, e, a não muito longo prazo, pensa ele, acabando por atingir verdades irrefutáveis.

A realidade de uma vida psíquica em nada se encontra em contradição com o materialismo. A vida psíquica, entendida como a vida decorrente da actividade cerebral, e, logicamente, de toda a actividade pensante, não contradiz, de modo algum, o pensamento materialista. O termo “psíquico” está de tal modo enraizado na nossa linguagem e na nossa sociedade que não é possível eliminá-lo, nem interessa. Quando um materialista diz, por exemplo, em conversa ou num texto literário, “a alma do poeta ou do pintor”, quer dizer o íntimo, o mais nobre do poeta e do pintor, e não, como é óbvio, se refere à alma do poeta ou do pintor em sentido espiritualista. Quando um materialista diz “ele é um espírito vivo”, logicamente que quer dizer que ele tem uma actividade psíquica intensa, perspicaz e arguta, e, de modo algum, se refere ao imaterial espírito contido no conceito espiritualista.

Para o espiritualista existe um dualismo corpo-espírito. Há duas realidades distintas no todo do ser humano, o corpo e o espírito, ou alma, interligadas em vida mas separadas depois da morte. Logo que a alma se separa do corpo, este vê-se reduzido à sua condição de matéria, logo putrefáctil, sem vida, enquanto a alma segue por outros insondáveis caminhos. Enquanto o materialista baseia os seus conceitos nas poderosas investigações científicas, sobretudo na área da Evolução e das Ciências Neurobiológicas, o espiritualista, sem qualquer base racional científica e convincente, baseia os seus conceitos numa crença, apenas numa crença, legítima, mas uma crença. Mas é assim e quem sou eu para tentar convencer alguém da “minha” verdade?

Não queria terminar esta primeira parte sem deixar aqui bem explícita, a finalidade deste artigo. E esta resume-se no seguinte: Perpassa por aí a ideia de que o materialismo, em termos de sentimentos, está a léguas do mundo sentimental do espiritualista. Disparate total! Disparate absoluto! Faz lembrar aquela pergunta de uma amável e intrigada senhora: como é que o senhor, sendo materialista, pinta, escreve, faz poesia e tem sentimentos tão bonitos?

A vida psíquica, isto é, a actividade cerebral e mental de qualquer ser humano , não pessoalizada, evidentemente, é idêntica, seja materialista ou seja espiritualista. Um e outro pensam, raciocinam, amam, choram, riem, fazem poesia, são capazes das mais profundas emoções e dos mais nobres sentimentos. Quantas vezes um materialista tem sentimentos e vivências “espirituais” muito mais profundas e mais nobres do que um espiritualista e vice-versa! A única diferença reside no conceito de “esfera psíquica”que cada um tem. No primeiro caso, materialista, esta faz parte integrante, material, do ser humano no seu todo biológico, conceito bem firmado na dificilmente negável investigação evolucionista e neurobiológica, e, no segundo caso, pertence a um ser humano feito de duas partes, uma terrena e outra sobrenatural, mera questão de crença, legítima, repito, mas sem qualquer base racional e científica.

Acabemos de vez com o sentido pejorativo atribuído, de ânimo leve, tantas vezes acintosamente e irracionalmente, ao materialismo científico. Tal atitude, sobretudo nos dias de hoje, não eleva nem dignifica ninguém. [Read more…]