Indústria farmacêutica vs. Saúde Pública

A cada ano que passa, dezenas de novos medicamentos chegam ao mercado. Mas quantos apresentam uma vantagem terapêutica real relativamente aos produtos anteriores e respondem a necessidades reais? Segundo a revista Prescrire, apenas 2% dos 1345 novos medicamentos lançados no mercado nos últimos 13 anos.
Gervaise Thirion/Eurojournalist
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Root66/Wikimedia Commons/CC-BY-SA 3.0

Indústria framacêutica vs. Saúde Pública: conflito de interesses?”, eis o título do Relatório da Comissão de Assuntos Sociais, Saúde e Desenvolvimento sustentável, apresentado por ocasião da sessão de 2015 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa por Liliane Maury Pasquier [membro do Partido Socialista Suiço] no passado dia 29 de Setembro em Estrasburgo. O tema, espinhoso, pelo menos a ver pelas reacções apaixonadas e frequentemente hostis que provoca, tem regularmente espaço nas parangonas e aberturas dos jornais – sob a aparência de ajustes de contas mediáticos (?).

Enquanto as polémicas se sucedem, cada vez mais vozes (médicos, farmacêuticos, doentes) se fazem ouvir para reclamar a ética e a transparência no que à saúde concerne. O Conselho da Europa cumpre o seu papel e está certo em apropriar-se do tema para promover em torno dele uma reflexão aprofundada, com vista a propor uma harmonização das práticas em toda a Europa.

Somas avultadas de fundos públicos estão em jogo e é imperativo preservar os diferentes sistemas públicos de saúde.
Mas o terreno está minado [Read more…]

É começar a importar sapos que os que cá temos não vão chegar

Coligação disposta a aceitar todas as condições de Costa [Expresso]

Os “paradoxos” de Schengen

schengen
Grupo de cientistas sociais da área das migrações toma posição pública.
[Observatório da Emigração]

Rui Rio e Passos perderam

novoaAs presidenciais estão aí, apesar do dossier legislativas continuar mais que aberto. O Professor Sampaio da Nóvoa veio a público afirmar a sua presença nesta luta, apesar do comportamento dos três partidos à esquerda que, na prática, estão a contribuir para o aumento de dificuldades do candidato. O PS de António Costa, depois de se comprometer a apoiar a candidatura, acabou por dar liberdade de voto aos militantes que terão Maria de Belém como segunda escolha.

Estando a decorrer as negociações entre os partidos, estranho o timing que o PC seguiu para apresentar o seu candidato. Tenho dificuldades em perceber o momento escolhido para apresentar um candidato que poderia aparecer num outro qualquer momento porque o “seu destino” é apenas um: marcar o voto dos adeptos comunistas. O BE continua em silêncio, mas ficarei muito surpreendido se não apoiar Sampaio da Nóvoa.

Do outro lado da barricada o sempre candidato Marcelo avançou e seguiu uma estratégia tão própria que já conseguiu, com uma única jogada, derrotar duas pessoas: Pedro Passos Coelho e Rui Rio. [Read more…]

PaF não é Madrid

Sim, não somos a Grécia, mas poderemos ser como Madrid? Quem teve mais votos? Quem governa?

Maria de Belém

Só para relembrar, que isso já foi há uns anos, quem é que lhe pagou mesmo o Mestrado?

Completamente a favor de um governo de esquerda…

Então não, vamos todos poder levantar 60 euros por dia nos multibancos. Eu, que por agora não o consigo fazer, estou realmente ansioso por esse upgrade financeiro. Estou a pensar jantar fora todos os dias, comprar um “mercedolas” ou viajar até às Fiji durante umas “semanitas”.

Mas pensando melhor, talvez seja preferível poupar o dinheiro. É que a fatura vai chegar. Mais tarde ou mais cedo. Mas chega.

2015-06-28-Grecia-bancos

O pânico da direita

Explica-se de forma muito simples. Medo de perder o poder e o que ele traz, nomeadamente, o enxameamento da administração pública. Em 2011, Passos Coelho garantiu que não ia enxamear a Administração Pública de quadros do PSD. Viu-se.

https://aventar.eu/wp-content/uploads/2011/04/enxamear-a-administrao-pblica.jpg

Mas o giro, giro é ver a malta da direita argumentar com falta de legitimidade por uma eventual coligação de esquerda não ter ido a votos. Passo até por cima de a eleição ter sido para deputados, e não para primeiro-ministro, para perguntar apenas isto: em 2011, o PSD e o CDS concorreram coligados ou fizeram a coligação à posteriori? Ai o alzheimer.

Por acaso até acho que o Costa se vai meter em sarilhos e, se não se mete a pau, o PSD daqui a um ano, se os juros dispararem, faz-se de vítima e, já se sabe, o povo gosta de quem chora e dá-lhe mama.

Mas que diverte ver o sofrimento da PAF, que já contava com o ovo no cu da galinha, diverte.

Manifestação contra o TTIP e CETA em Berlim, 10/10/2015

Ana Moreno

Foram 12 horas de viagem encaixados num autocarro para ir e voltar e 4 horas na manifestação, foi um dia estafante, mas valeu a pena!!!

Fomos entre 250.000 (número dos organizadores) e 150.000 mil (número da polícia) pessoas vindas de toda a Alemanha, em 600 autocarros e 5 comboios especiais, foi uma aliança de 170 organizações de variadíssimos quadrantes, foi gente de todas as gerações e grupos sociais, pessoas convictas e alegres, a dizerem NÃO! NÃO vamos deixar que nos enganem e nos roubem os direitos, a democracia e a dignidade; a dizerem: Yes we can STOP TTIP and CETA! Por um comércio justo!

O vídeo dá uma imagem do que aconteceu em Berlim, mostra a força e a imaginação que nos une e nos encoraja a continuar o protesto contra estes tratados secretos que visam pôr os lucros à frente das pessoas. Força Plataforma Não ao TTIP! Mesmo em Portugal, acabarão por ter de informar, acabarão por ter de vos ouvir! Informe-se.

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O João José

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Tomei conhecimento da morte do JJC no Domingo de manhã, através de um “email” que o Ricardo me mandara no Sábado pelas 16h30, e a notícia bateu-me forte. Dizia simplesmente que o JJC tinha falecido durante a noite de Sexta. E uma dor imensa se abateu sobre mim.
O João José foi meu amigo, companheiro e confidente durante alguns anos. Por essa razão fui várias vezes a Coimbra só para falar com ele. Talvez por isso, quando nos afastamos, me doeu tanto. Nunca deixei de ser seu amigo, olhando-o de longe, com um olhar amargo.
O nosso afastamento foi provocado, em primeira instância, pela minha teimosia, e depois pelo seu brilhante e irritante mau feitio, e pela sua obstinação, que o levava a combater com convicção e por vezes com alguma violência, o que sentia ser errado, não aceitando meias medidas.
Estive com ele, pela última vez, este ano, no almoço de aniversário do Aventar (tínhamos sido dos primeiros que o Ricardo convidara para lá escrevermos). Teimosos, ele e eu, mal nos falámos. Durante o “nosso” período de afastamento, trocávamos mensagens através do telemóvel na passagem de ano. E nos dois últimos anos, ficamo-nos por aí. [Read more…]

As eleições Legislativas inauguraram um novo tempo político.

foto@publico

foto@publico

Estas eleições legislativas estão a inaugurar um novo tempo político no nosso país. E foi isso que muitos ainda não perceberam ou então fazem de conta não terem percebido.

As recentes eleições na Grécia deixaram marcas e sinais importantes para os partidos radicais europeus. Estes perceberam que definitivamente não têm espaço para crescimento político na actual conjuntura política europeia.

A Unidade Popular que congregou os dissidentes do Syriza, incluindo o célebre ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, teve menos de 3% dos votos não tendo sequer representação no Parlamento Grego.

Esta foi uma lição que BE e PCP perceberam claramente. Aliás durante a campanha eleitoral deram sinais disso mesmo. António Costa percebeu também tudo isto. Talvez não tenha sido inocentemente que disse que não aprovaria o orçamento de estado da coligação PSD / CDS.

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O dilema de António Costa

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De politicamente acabado há uma semana, António Costa é agora quem baralha e dá. Cavaco bem pode correr a indigitar o afilhado mas sem o PS, a coligação PàF fica refém de um Parlamento hostil, restando-lhe ser cozinhada em lume brando até ao dia do seu “PEC IV”. Não deixa de ser absolutamente delicioso ver Passos Coelho na posição que já foi de Sócrates, ele que não perdia uma oportunidade de trazer o preso domiciliário para a campanha. Karma.

Ainda assim, António Costa e o PS encontram-se perante um dilema. Qualquer escolha acarretará riscos e um deles é efeito PASOK. No xadrez do Largo do Rato, afiam-se facas e as peças começam a movimentar-se. Sérgio Sousa Pinto demitiu-se, em protesto, da comissão política. Vera Jardim não vê diálogo possível à esquerda. Álvaro Beleza acha “muito estranho que o PS passe de inimigo para aliado do PCP e BE”. Há seguristas – sim, eles existem – a pressionar uma negociação com o PàF com vista a viabilizar o OE16 e até Carlos Silva, líder da UGT, afirma não acreditar que as forças à esquerda do PS garantam a estabilidade necessária. À revelia dos órgãos sociais da central sindical. Direita, volver. [Read more…]

Aviso a navegação: não voem com a SATA. Pode correr mal

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Os aviões [A310] estão absolutamente obsoletos. Eu como passageiro não entrava num avião da SATA.

O aviso chega-nos de Luís Miguel Sancho, comandante da companhia aérea, em declarações na comissão parlamentar de inquérito ao Grupo SATA. Ainda assim, o comandante não parece ter muito mais com o que se queixar:

Sou pago para fazer 900 horas por ano, mas a empresa só me dá 300 horas por ano e pagam-me o mesmo ordenado. É uma empresa muito boa para mim, mas é incomportável manter-se as coisas nesses moldes.

Os aviões podem estar obsoletos, Luís Miguel Sancho não meterá lá os pés se não for para trabalhar, mas, feitas as contas, a empresa até é boa para ele. Para si é que poderá não ser tanto assim.

Foto@Faial Digital

A Esquerda ganhou as eleições e pode governar, mas o Cavaco não vai deixar

Estamos a viver tempos singulares. Dias que correm e que nos surpreendem a cada momento. Mas, há uns tempos, ainda antes das eleições, a propósito das sondagens escrevi:

“Ora, comparando os resultados daquelas coisas a que alguns chamam sondagens, podemos verificar que nunca a direita teve um resultado tão mau como agora. Ou, dito de outro modo, a direita para ganhar eleições, só em 1985 conseguiu ficar abaixo dos 40%. E, os números hoje em cima da mesa mostram que a Esquerda vale 51%, valor suficiente para ganhar as eleições.”

Os resultados mostram que a coligação teve 36,83%, isto é, 37%. Os votos, à esquerda totalizam 50.87%, isto é 51%. Os números são claros: a coligação não tem maioria parlamentar. E, esse, é o único facto absolutamente rigoroso neste momento. Ou seja, da eleição resulta um parlamento onde a coligação (partido) mais votada não tem capacidade de suportar um governo. Mas, apesar da ausência de enquadramento constitucional, a verdade é que o povo votou mais num tipo para ser primeiro-ministro e votou menos noutro.

E, se calhar por isso a direita, em pânico, diz que se trata de um assalto ao poder. Até o representante da direita que dirige a UGT se presta ao papel da direita. Não surpreende – é para isso que serve a UGT e, na educação, todos o sentimos na pele há muitos anos. [Read more…]

Funfoz

FunFoz
O João, se soubesse, teria achado piada ao facto de ser cremado por uma empresa chamado «Funfoz» (ler em inglês p. f.). Que é como quem diz «Na Figueira, ser cremado é um divertimento».
Já acharia menos piada, certamente, ao facto de ter sido cremado num Complexo Funerário concessionado pela Câmara Municipal da Figueira da Foz a uma empresa privada, a Servilusa.
Foi em bom tempo. Sim, que a partir de agora a Catarina não deixa privatizar mais nada.
Voltemos, pois, à política. Sempre, mas sempre, com o nosso JJC no coração.

Ironias do destino, João: parece que o teu Bloco vai para o governo.

Captura de ecrã 2015-10-12, às 17.01.22

Olha João, parece que o teu Bloco de Esquerda vai para o governo. A Catarina Martins, à saída da reunião com o António Costa teve uma tirada que tu deves ter gostado de ouvir: “O governo de Passos e Portas acabou hoje“. Não sei se será bem assim, João. Mas parece. Ironia do destino.

Já sei, já sei que estás a rir, com aquele teu ar de menino trocista e a soltar um: “E tu não dizes nada, pá? Não soltas os cães? Anda lá, escreve!”. Escrevo sim senhor, João. Está na hora de regressar a sério, como tu querias e como tu mereces que cada um de nós, cada um dos aventadores, o faça. E olha lá, desta vez nem me vou esquecer de “cortar” o texto a meio e assim evito que tenhas de me telefonar a puxar as orelhas por, como quase sempre, me ter esquecido de colocar o “Ler mais…”. E como detesto esta coisa do “Ler mais…”, João.

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Que falta nos vais fazer!

Depois da Chantal ter decidido partir, mais um amigo, daqueles tão discretos que só soube o bem que me fez muito tempo depois, um lutador, um democrata, uma pessoa extraordinária. Que falta nos vais fazer João José Cardoso. A chuva para nos lembrarmos que estamos vivas. Raquel Freire no Facebook

Até sempre

Mais um que se foi cedo demais e tanta falta vai fazer no combate aos filhos da puta. Até sempre camarada João José Cardoso! Renato Teixeira, no Facebook

Uma vida inteira

Para mim, ele vai continuar ali sentado na esplanada do Santa Cruz, em Coimbra, com o olhar perdido na Praça 8 de Maio, provavelmente a preparar mais um post certeiro, como era seu timbre. Se me vir, abordar-me-á, como sempre, pelo nosso FC Porto e, quando nos despedirmos, já terá passado uma vida inteira. Até sempre, camarada!, Hugo Ferreira, sua página no Facebook

Postal de Wageningen #1

as coisas ficaram sem ordem, pensei eu por cima das nuvens

escrevi-te um livro inteiro dentro do avião. os olhos fechados. e tu a falares para dentro de ti mesmo, como sempre fazias para minha irritação. escrevi um livro inteiro sobre ti. acho que fomos tudo o que duas pessoas podem ser uma com a outra. menos inimigos. isso nunca. continuo a achar que és um tipo estranho como na primeira vez em que te vi no café da praça onde desemboca a rua onde moravas. gostava de poder ser capaz de escrever realmente esse livro que escrevi hoje dentro da minha cabeça, por cima das nuvens, sem ordem nenhuma. gostava de estar outra vez contigo, em silêncio, no sofá da minha sala, cada um deitado para uma ponta. em silêncio. até que dizias qualquer coisa devagar. e eu nada dizia. depois dizia eu outra coisa qualquer. e é verdade que passámos muito tempo assim. os silêncios largos. [Read more…]

Porquê, João, tão cedo?!

Confesso que já devia estar vacinado para o inexorável da partida definitiva: cedo, demasiado cedo, vi partir pais, quando ainda nem me apercebera da falta que eles haveriam de fazer-me, era miúdo; amigos, quando tanta coisa havia para viver em comum; amores, quando é injusto ver partir a luz das nossas almas; gente que fez de mim o que sou hoje, quando, só agora, me apercebo de quanto foram importantes para eu ser exactamente quem sou hoje.

Mas não estou! Continuo a conviver mal com esta cena de ver partir para o outro lado alguém que nos marcou. Sinto-me sempre um pouco despedaçado, bem lá no fundo das emoções, porque, de um dia para o outro, a cadeira ficará vazia. Inexoravelmente vazia. [Read more…]

Havemos de combinar qualquer coisa

Acho que foi em 1988. Olha que sim, pá! Foi no meu segundo ano de serviço, imagina. Lembrava-me da tua figura, uns anos antes, na Clepsidra, esse universo em que eu, puto deslumbrado, podia conviver com a boémia intelectual de Coimbra, fascinado pela boémia e pelos intelectuais e confundindo um bocado as duas ao fim de umas cervejas. Não, acho que nunca falámos um com o outro. Eu andava pelo Orfeon, porque um coro é uma das melhores maneiras de um gajo se esconder e ser aceite ao mesmo tempo.

Em Setembro de 1988, lá estávamos os dois na Escola D. Dinis, na Pedrulha. Calhou termos duas turmas em comum, acho eu. E engraçámos um com o outro. Tu sempre assertivo e eu fascinado, a pensar como é que sabias tanta merda, como é que conhecias tanta gente, como é que tinhas lido tantos poemas. E eu, com a minha frustraçãozinha cobarde própria do gajo que queria ser um dos melhores escritores do mundo sem se dar ao trabalho de escrever, ficava embasbacado. Tu ainda eras a Clepsidra dos excessos que serias sempre e eu já era o burguesinho assustado com pequenas descargas de revolta.

E os fins de tarde no Marcius? Lembras-te? O autocarro tirava-nos da Pedrulha e deixava-nos da Rua da Sofia. Não sei quanto tempo ficávamos à conversa entre finos, empadas, fatias de pizza. Não me lembro de que é que falávamos, mas ficava ali preocupado em dizer coisas, umas inteligentes e outras com piada ou ao mesmo tempo. Quando pressentia (pressentia) a tua concordância ou ouvia a tua espécie de gargalhada, sentia-me doutorado. Agora que penso nisso, percebo que me davas valor, porque não eras gajo para aturar qualquer um. Se te enganaste, enganaste-me. [Read more…]

Coisas da vida. E dos blogues…

Por Eduardo Louro. Na Quinta Emenda.

Honra ao João José Cardoso!

Por João Carlos no Bitri.

Um abraço, camarada

Por Francisco Louçã na sua página do FB

O meu mais querido professor de Coimbra

Paulo Marques

O João José Cardoso foi o meu mais querido professor de Coimbra.
Morreu sem avisar, e isso não é de mestre.
Foi ele que me ensinou a esquerda.
Foi ele que me espicaçou o jeito para reportar.
Foi ele que me fez céptico militante e admirador incondicional de algumas subversões – como a Diva, ou melhor, como o trailer da Diva, de Beineix, que aqui posto, in memoriam.

Conheci o João José quando o Grupo Ecológico da Associação Académica já não era o GAME mas ainda acentuava todo o anti-militarismo que lhe haveria de conhecer toda a vida. Eu frequentava engenharia e queria fazer jornalismo. Ele vinha da ressaca dos anos quentes e já fazia da aspereza e do tiro ao chefe uma arma de mestre – na altura, o alvo eram as sobras do seu MRPP que desesperavam por se manter à tona a fingir que controlavam.
Conheci-o, creio que no início de 1982. Foi na sala do ex-GAME, numa reunião improvisada de secções culturais da AAC. Ao jeito dele, tinha andado a bater às portas para levar a malta a participar num projecto noticioso para o Centro Experimental de Rádio. Só fui eu. Lá estavam o João, o Karpov e uma rapariga de que não retive o nome.
Depois, em dois pequenos anos, fizemos tantas e tão extraordinárias coisas que me fizeram redesenhar o mundo e quase me desamigaram de uma intensa e paralela paixão.
Foi por essa altura que o João me passou o meu primeiro charro.
Por causa dele conheci o Américo, o João Correia, o João Pedro, o Mário, o To-Zé, a Tona, a Rita…
Com ele vivi tempos de conhecimento infindo.
Emprestou-me o Céline e o Musil, a Pravda –revista de malasartes, o Alberto Pimenta e uns quantos cultores da contracultura, o Herberto e também o O’Neill, enquanto desdenhava da minha imberbe afeição por leituras presunçosas de Tzara, de Trakl, envergonhadas, de tardias, de um tal Saramago, e sobretudo engajadas de nomes que hoje omito por decência intelectual. Levou-me a ver o Wim Wenders, o Kusturica e essa alegoria azul e negra chamada Diva. Com ele passei ao largo dum arremedo de teatro que se experimentava no meio estudantil. Dele fugia a sete pés quando eu abria a boca para cantar nos ensaios e nos concertos do CELUC… [Read more…]

Até sempre João José

Por Américo Sarmento Mascarenhas no Tornado

João José Cardoso na Rádio Universidade de Coimbra

Aos outros do João

abraco

Tentei ficar-me por uma canção, propositadamente pequena, para não destoar do que sempre produz em mim a morte: a certeza da minha própria pequenez. Fiquei ali escondida atrás da pequena canção, a ver passar pelo Aventar os textos de quem procura entender o desmedido mistério que é testemunhar o desaparecimento de alguém de quem se gosta. Pois morrer, ao contrário do que disse Pessoa, não é só não ser visto – sendo certo que a única coisa que cada um sabe sobre morrer aprende-a com a morte dos outros. Não ser visto tem que se lhe diga – para os outros, quero dizer, claro. [Read more…]

Perda

Por Anabela Magalhães