Viviane e Samira tinham um pai e uma mãe.
O seu pai era duas pessoas
O seu pai era duas pessoas —
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.
Confesso que não tenho problemas com humor. Quando se trata de rir, não tenho nada sagrado. Consigo rir até daquilo que me revolta: acho imensa piada a Sócrates, a Passos Coelho e até a Cavaco Silva, por exemplo, mesmo sabendo que são três dos grandes problemas do país.
O cartaz do Bloco de Esquerda está a dar que falar e ainda bem, que a vida não pode ser só foras-de-jogo mal assinalados ou penalties por marcar. A piada sobre a dupla paternidade de Jesus não é das piores, mas já vi melhores. No que respeita a humor sobre Cristo ou sobre religião, é difícil sequer alguém aproximar-se de A Vida de Brian ou do poema de Caeiro de que retirei um excerto para servir de epígrafe a este texto.
Felizmente, vivemos num país em que a liberdade de expressão ainda vai reinando, o que permitiu a muitos comentar o cartaz. Bom sinal. [Read more…]
Andar por aí
De bandeirinha na lapela e aquele ar de permanente obstipação, Passos Coelho, deslocando-se pelo país – vamos ver o povo, ai que lindo que ele é – visita coisas, inaugura (!) coisas, diz coisas. E o que diz é ouvido pelos repórteres televisivos de serviço com os cuidados de quem colhe pepitas de ouro. Assim, o ex ocupa mais tempo televisivo que todos os ministros e lideres da oposição juntos. Os jornalistas, já que é seu mister dar notícias, podiam informar o Passos de que já não é primeiro-ministro; o problema é que tenho dúvidas de que eles próprios saibam dessa feliz novidade.
A explicação de Portocarrero de Almada
Exactamente: «por certo em mau português». Aliás, péssimo. Efectivamente, horroroso.
“O carácter sagrado da vida”
“A experiência de vida (…) é que me faz pensar que se tivesse de escolher entre aceitar a eutanásia ou aceitar que lhe manchassem os estofos do carro facilmente se decidiria pela primeira opção.” (in Âncoras e Nefelibatas)
Carta do Canadá: Ofensa e hipocrisia

REUTERS/Rafael Marchante
Encontro na blogosfera e nos jornais online referência ao cartaz da autoria do Bloco de Esquerda para festejar o ter sido aprovada a lei que autoriza casais do mesmo sexo a adoptar crianças. Vejo que Pedro Mota Soares, do CDS, ministro da Segurança Social no anterior governo, considera o cartaz “ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses”. Registo, com apreço e respeito, que Marisa Matias, ligada ao Bloco de Esquerda, considera esse mesmo cartaz “um erro”. Antes de prosseguir clarifico já a minha posição: é, de facto, um erro e um acto de estupidez que vai funcionar como um tiro no próprio pé desse movimento político. Nem mais errado nem mais estúpido do que as piadolas, às vezes ordinárias, que certos humoristas de serviço ao regime, assim como uns apresentadores sem tino, fazem à volta da Igreja Católica e seus valores. O amor do público por esses (erradamente) tidos por humoristas não tem aumentado, pelo contrário. A mim só me apetece perguntar aos piadistas e ao BE: porque se metem só com a Igreja Católica? Não há mais religiões praticadas em Portugal? Será porque quem se mete com as outras religiões leva, e o Charlie Hebdo que o diga? Como reagiriam se as pessoas fizessem chacota dos familiares directos dos chefes do BE? É que se não perceberam ainda o tipo de relação que os cristãos têm com as figuras sagradas, então não sabem em que mundo andam nem em que país vivem. Portanto, eu acho lamentável esse cartaz e concordo com a Marisa Matias (que alem de ser decente, é uma mulher inteligente e vê longe). Não me regozijo com esta mancada do BE, até tenho pena que um movimento em que há gente nova com tanto valor tenha caído nesta tentação estúpida e inútil. [Read more…]
Afinal, havia outro

Há uns tempos, disse que as aspas eram matéria muito interessante. Efectivamente, ontem, as aspas teriam sido importantes. Se nos cartazes (sim, há dois) do Bloco de Esquerda houvesse aspas antes de ‘discriminação’ e depois de ‘adoção’, hoje estaria a apoiar o texto dos cartazes, embora considerasse estranha esta ilustração.
Isto é,
Parlamento termina “discriminação na lei da adoção”
obteria o meu aplauso, porque “discriminação na lei da adoção” e “discriminação na lei da adução” grafemicamente, como sabemos, correspondem exactamente ao mesmo, ou seja, são incompreensíveis.
Contudo, perante a ausência das aspas quer no cartaz da polémica quer nestoutro a quem aparentemente ninguém liga

e porque hoje é sexta, digo-vos que estes cartazes têm a mesma qualidade do Diário da República desde Janeiro de 2012.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.
NATO? Para quê?

Fez ontem 25 anos que os membros do Pacto de Varsóvia se reuniram na Hungria e chegaram a um acordo para a dissolução da organização, uma decisão precipitada pela fragmentação em curso da União Soviética. Dissipada a ameaça soviética, o outro império optou por manter a sua rede militar de poder e, 25 anos após ter deixado de fazer sentido no campo do equilíbrio de forças, a NATO está viva e continua a servir os interesses geopolíticos e militares da superpotência sobrevivente, usando a defesa dos seus aliados como mera fachada para as suas ambições imperialistas. [Read more…]
Um cartaz lamentável

Ficámos a saber que, além de estar «prevista uma sessão pública para discutir o tema», «pretendem convidar pessoas de organizações e de associações, entre outros participantes, que, de alguma forma, estejam ligados à causa». O objectivo, dizem, é «continuar esta batalha na sociedade: mudar mentalidades, destruir preconceitos, chamar a atenção para estas questões». No entanto, apesar de um dirigente do Bloco de Esquerda ter dito que «ficarmos com três grafias (…) é absolutamente insustentável, não faz sentido nenhum, é de uma ilogicidade total”, insistem na ‘adoção’, ou seja, nas ‘aduções’. Lamentável.
Efectivamente.

Rede Nacional de Cicloturismo
Paulo Guerra dos Santos *
Foi em 2010 que, após realizar uma viagem de 100 dias a viajar em bicicleta por Portugal Continental, Paulo Guerra dos Santos idealizou o projecto Ecovias de Portugal. A experiência adquirida nesta viagem forneceu-lhe um conhecimento notável da geografia lusa bem como das suas estradas e respectivo tráfego automóvel, permitindo-lhe idealizar aquela que cada vez mais toma a forma de Rede Nacional de Cicloturismo.
Sem recorrer a quaisquer tipos de construção, esta rede conta desde Maio 2015 com 1300 km já identificados, exclusivamente em GPS. Sendo as rotas inteiramente baseadas na rede viária existente, este engenheiro civil especialista em projecto de estradas viaja pelo país com a sua bicicleta para identificar estradas secundárias com reduzido tráfego automóvel, estradões em macadame, ciclovias e ecopistas da REFER (antigas linhas de comboio reconvertidas para uso exclusivo de peões e ciclistas) para em conjunto as englobar numa rede que estima venha a ter mais de 8000 km em 2025, permitindo a qualquer pessoa viajar por todo o país em modo turístico, exclusivamente utilizando a sua bicicleta como meio de transporte.

Pode descarregar gratuitamente o mapa de elevada definição aqui.
O projecto, que não conta com quaisquer tipos de financiamento, seja de entidades públicas seja de associações ou federações ligadas à bicicleta, ganhou a forma de um roteiro turístico em formato exclusivamente digital e que pode ser adquirido online. Este documento, em PDF, contém informação sobre todas as secções já identificadas (com uma média de 50 km cada), sendo constituída por mapas de elevada definição, informação técnica e turística, bem como diversas dicas sobre os pontos por onde passa.
* Texto escrito ao abrigo da liberdade ortográfica.
Desigualdades socioeconómicas e sucesso educativo ou a descoberta da pólvora
Saiu um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, intitulado Desigualdades socioeconómicas e resultados escolares – 3.º Ciclo do Ensino Público Geral.
Na p. 2, podemos ler: “Em termos de resultados e conclusões, o estudo sugere que em Portugal há uma relação muito forte entre o desempenho escolar dos alunos e o meio socioeconómico dos seus agregados familiares. Por exemplo, entre os alunos cujas mães têm licenciatura ou bacharelato, a percentagem de “percursos de sucesso” 2 no 3.º ciclo é de 71%, enquanto entre os alunos cujas mães têm habilitação escolar mais baixa, equivalente ao 4.º ano, a mesma percentagem de percursos de sucesso é de apenas 19%.” Leia-se, a propósito, a notícia do Público: “Quando a mãe tem a 4.ª classe, só 19% das crianças têm um percurso limpo na escola”.
Não nego a importância destes estudos, mas a verdade é que a correlação entre o desempenho dos alunos e o meio socioeconómico/sociocultural em que vivem é conhecida e reconhecida há vários anos, porque o assunto está estudado e porque os professores confirmam isso todos os dias.
Curiosamente, no mesmo estudo, há uma preocupação em repetir a ideia de que isso não equivale a destino:
as estatísticas apresentadas no estudo sugerem também que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável o desempenho escolar dos alunos. (p. 3)
Apesar de estas disparidades muito acentuadas mostrarem que as condições socioeconómicas das famílias têm um impacto elevado nos resultados escolares dos alunos, um impacto porventura maior do que o desejável, ao mesmo tempo é necessário salientar que as condições socioeconómicas não equivalem a um destino traçado, pois existem outras influências e fatores importantes em jogo. (p. 13)
Dos resultados da nossa análise subsiste, todavia, a importante mensagem de que o nível socioeconómico não equivale a destino, ou seja, não determina de forma inapelável os resultados dos alunos, escolas e regiões.
A Moody’s que os pariu

As agências de rating, sabemos, assemelham-se a mercenários do mundo financeiro, focadas em servir quem lhes paga salário no final do mês e nem minimamente interessadas na situação real da economia mundial. Vai daí sobem e cortam ratings conforme lhes convém. E nada melhor para ilustrar a bandalheira que impera nestas instituições do que o triplo A com que a Moody’s classificou o Lehman Brothers, poucas horas antes do colapso. Mas, gostemos ou não, enquanto optarmos pelo caminho dos carneiros esta gente continuará a decidir por nós.
Acontece que o regime neoliberal, ao serviço do qual se encontram os partidos com assento parlamentar da direita nacional, tende a ter em elevadíssima consideração tudo o que estas entidades macabras verborreiam. Afinal de contas, elas fazem parte integrante do esquema. Mas os pequenos e médios vassalos acabam por sofrer as consequências, ainda que sempre servis e sem protestar muito. Quando a Moody’s cortou o rating de Portugal em 2011, Pedro Passos Coelho sentiu “um murro no estômago“ e deixou-se ficar prostrado aos pés dos senhores do dinheiro. Os funcionários do seu ministério das Finanças bem tentaram dizer que a agência teria ignorado o impacto das medidas de austeridade impostas mas de nada lhes valeu. O rating foi cortado e as perspectivas eram de novos cortes no médio prazo. [Read more…]
Fachos de Coelho não chegam ao céu
Ouvi finalmente o seu discurso a propósito da proposta de orçamento de Estado para 2016 e tive uma epifania: Passos Coelho é um facho confesso. O homem está perfeitamente a borrifar-se para as pessoas, para o povo. Para o povo que o elegeu, embalado pelas suas aldrabices, cegas de ambição pelo “pote”, no mais vergonhoso assalto ao poder de que há memória em democracia, e para o povo que 4 anos depois não o elegeu, retirando-lhe categoricamente a confiança traída. De facto, como os seus apaniguados o classificaram, um discurso brilhante. Brilhante como um facho a queimar mentiras.
Depois de, como é hábito, recalcitrar na mentira, desta vez a de que a proposta de OE apresentada pelo Governo se limita a dar com uma mão o que tira com outra, mantendo incólume a austeridade, e depois de insistir na facécia de que o poder lhe foi usurpado pelo parlamento, Passos Coelho, para justificar o anúncio de que votaria contra o orçamento – o que só lhe fica bem -, sintetizou exemplarmente as razões pelas quais o povo, que despreza, lhe retribuiu o chuto no cú com desprezo.
Diz ele, a partir do minuto 12′ 30”, o seguinte:
“O país inteiro sabe qual era a estratégia orçamental que nós executaríamos se estivéssemos no Governo. Defenderíamos uma mais gradual, mas permanente remoção da austeridade para não tropeçar no excesso de voluntarismo e não obrigar os portugueses a ter que pagar no futuro, novamente com mais sacrifícios, a imprudência do presente“.
Os braços armados dos clubes
Já não há paciência. O que escrevi no último post era uma espécie de alerta para o que aí vinha e, por acaso, os factos vieram a mostrar a razão da minha argumentação.
Um árbitro errou – o que apitou o jogo do meu clube. Facilmente se percebe pelos comentários ao post que mais ninguém errou e que a queda do Maxi no Dragão, por ter sido fora da pequena área até deveria dar direito a duas grandes penalidades porque, segundo alguns, houve uma falta antes que não foi marcada.
Até aqui, temos uma discordância visual. Nada de estranho – nos últimos quarenta anos criaram hábitos que não se mudam com dois títulos perdidos. Pode ser que o terceiro e outros que se seguirão, ajudem a ter alguma lucidez.
Mas, depois da mediática e bem orientada participação dos paineleiros das TB’s, eis que o Braço Armado entra em campo. E, como alguém dizia hoje na rádio, estão ultrapassados todos os limites.
Esperei algum tempo para ver como reagia a blogosfera azul. Silêncio! Nada. Nem um só comentário.
Confesso que estava à espera de um comentário da Direcção do Clube, mas acabamos por ter um simples “não sei do que está a falar”, de um Dirigente. Poderia ter sido a mulher a comentar…
Como poderiam ter comentado quando foi a vez do treinador holandês, ou do Adriano ou até do Paulo Assunção…
O mais espantoso é que vejo muita gente a aplaudir este tipo de comportamentos. [Read more…]
Os juros da dívida e a direita ressabiada em depressão colectiva

Depois de várias sessões em que os juros da dívida portuguesa continuam a cair em todas as maturidades, o ministério da propaganda da direita mantém o silêncio ensurdecedor. Eles bem anseiam pelo regresso do chefe, por entre os escombros resultantes dos bombardeamentos dos terroristas financeiros, mas não há meio. Tampouco os partidos de esquerda, perigosos e radicalíssimos, dão a tão esperada mãozinha na fragmentação do governo, que afinal se revela mais coeso do que eles gostariam e esperariam que fosse. Uma chatice sem paralelo! [Read more…]
Escola a mais, pais a menos
Santana Castilho*
Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarronas e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110). [Read more…]
Um dia histórico para Portugal
O Orçamento do Estado para 2016 é mau

PE (http://bit.ly/1Q6Ki0W) (*)
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É a justificação apresentada pelo PSD para o voto contra. Concordo com o PSD: o OE2016 é mau, logo, merece chumbo. Contudo, considerando a lógica “voto contra porque é mau”, o PSD deveria ter votado contra os Orçamentos que apresentou para 2012, 2013, 2014 e 2015.
E hoje?
Hoje, há contatos.

***
(*)
A screwdriver can be inserted into a cavity and be turned inside, and in this sense could also be used to scratch one’s ear. But it is also too sharp and too long to be manoeuvred with millimetric care, and for this reason I usually refrain from introducing it into my ear. A short toothpick with a cotton top will work better.
— Umberto Eco (resposta a Rorty), “Interpretation and overinterpretation“, Cambridge University Press, 1992, pp. 145-6
‘Quindi non avete una sola risposta alle vostre domande?’
‘Adso, se l’avessi insegnerei teologia a Parigi.’
‘A Parigi hanno sempre la risposta vera?’
‘Mai,’ disse Guglielmo, ‘ma sono molto sicuri dei loro errori.’— Umberto Eco, “Il nome della rosa“
Sinais de esperança
Se um ex-PM que precisou de 8 (oito) orçamentos rectificativos diz que “este OE não tem arranjo possível” deve ser bom sinal.
Política, e políticos, que não valem a pena
O ex-Presidente da Comissão Europeia, português, ex-PM de Portugal, etc., disse, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que agora que não está na política e não tem “os constrangimentos que tinha quando ocupava as funções que ocupei” o seu “nível de sinceridade tem aumentado todos os dias”.
Portanto, quando esteve em funções não era sincero (ou tinha um nível de sinceridade baixo, seja lá o que isso for), era falso, portanto, ou tinha um nível de falsidade elevado (lol), e atuava de acordo com os “constrangimentos”, ou seja, as pressões de todo o tipo.
E eu a pensar que este “senhor” que foi líder do PSD percebia o que tinha dito Francisco Sá Carneiro:
“Não há nada que pague a sinceridade na acção política, como em tudo”.
“Saber estar e romper a tempo, correr os riscos da adesão e da renúncia, pôr a sinceridade das posições acima dos jogos pessoais, isso é política que vale a pena”.
Pedro Guerra, o assessor de luxo do CDS transformado em humorista da bola

Não sou grande adepto de programas de comentário futebolístico, mas desde que descobri esse fenómeno do humor que é Pedro Guerra, comecei a perder alguns minutos do meu serão de Segunda-feira para soltar umas gargalhadas.
Não quero perder muito tempo com assuntos de bola, ainda que a minha condição de portista neste caso nem seja muito relevante. Não me faltam amigos benfiquistas que se sentem envergonhados com os tiques fundamentalistas deste comentador que é também director de conteúdos da Benfica TV. Mas não deixa de ser interessante assistir ao fanatismo anedótico do indivíduo que cai no absoluto ridículo de afirmar que existe na Sportv uma conspiração para beneficiar o Porto e o Sporting na cobertura dos jogos ao passo que, no caso do Benfica, comentadores e operadores de câmara vivem num conluio permanente para distorcer as transmissões dos jogos do Benfica, com o intuito de o prejudicar. É tão ridículo que nem justifica mais comentários. [Read more…]
Das confusões
A notícia apareceu ontem, o falso padre foi condenado em Tribunal por 22 crimes de usurpação de funções.
Estranhei fiz a pergunta e passei por ignorante já que toda a gente me respondeu com o artigo do código penal. O artigo que diz que há um crime de usurpação de funções quando se “exerce profissão ou pratica acto próprio de uma profissão para a qual a lei exige título ou preenchimento de certas condições arrogando-se, expressa ou tacitamente, possuí-lo ou preenchê- las, quando o não possui ou as não preenche”.
A minha questão , simples, era só se alguém que se faz passar por padre pode ser acusado do crime de usurpação de funções, crime esse previsto e punido no Código Penal Português na forma como atrás indiquei. Ou seja, trocando agora por miúdos, a profissão de padre, se é que isso existe, é uma das tais em que a lei exige título ou preenchimento de condições? E lei, entenda-se, é uma lei da república.
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Bihete do Canadá: Ser português
HORA DOS PORTUGUESES é um programa da RTP-Internacional dedicado aos emigrantes espalhados pelo mundo. Há dias passou um esboço biográfico do jornalista Dale Brazão, há mais de 40 anos fazendo jornalismo de investigação no Toronto Star e um dos jornalistas mais premiados do Canadá. Vou contar um episódio passado com este algarvio que tanto honra Portugal no estrangeiro.
O Poder da Narrativa

António Alves
Esta imagem representa a intensidade de comunicações móveis e os movimentos pendulares dos utilizadores de telemóveis em Portugal. Quanto mais clara a cor das ligações maior a sua intensidade. O estudo que lhe dá origem [1] é um dos componentes utilizados para determinar a geografia das duas Macrorregiões funcionais portuguesas: Noroeste e Lisboa [2][3].
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Eco gigante

© Tullio Pericoli
Marco Faria
Depois dos padres morrerem, todos vão à missa. E agora todos vão dizer que Umberto Eco era o maior. Claro que era, e ainda antes de escrever o seu “best seller” de 1980, “O nome da Rosa”. Sempre temi que Eco morresse sem receber o Prémio Nobel da Literatura. Não é que precisasse de um reconhecimento de dinamite de Oslo/Estocolmo, mas já que o Nobel elege os melhores entre os melhores, então deveria tê-lo recebido. Agora, já não interessa nada esse “deveria-ser”. Os melhores textos pensados sobre a Europa contemporânea são de Eco. As melhores opiniões sobre o nosso tempo são de Eco. Era uma delícia ouvi-lo ou lê-lo. Eco perdera com o tempo a fé no divino, mas possivelmente nunca nos homens, de quem ironizava nas entrevistas ou nos romances. Agora dizem que a Cultura está de luto, e não será assim. A Cultura só tem de sentir-se honrada, porque um dos seus maiores continuará presente: nas estantes privadas, nas bibliotecas públicas, nas salas de aula, até no lixo omnipresente da Internet, de onde será possível extrair um farol para guiarmo-nos num mundo “desbussolado”. Morto o filósofo, o pensador, o semiólogo, o escritor, o crítico, o professor, resta a obra gigante daquele que se insurgiu contra a vulgaridade de espírito e a escravidão da norma(lidade) intelectual. Foi um homem livre.












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