Manifestante pegou fogo a si próprio
Banhos de água fria
Sem mudar de assunto… Parece que ultimamente tudo vai dar ao mesmo…
Etty Hillesum – uma judia holandesa que morreu em Auschwitz em Novembro de 1943 e que escreveu um diário entre 1941-1943 – viu-se privada de muita coisa pelo regime nazi, apesar de ter sido, como dizia muitas vezes, afortunada comparativamente a outros.
Os decretos contra os judeus sucederam-se: era precisa uma autorização para comprar pasta de dentes, deixaram de poder ir aos lugares de hortaliças, tiveram que entregar as bicicletas, andar de eléctrico foi proibido e foram obrigados recolher a partir das oito, etc.
Neste momento, estamos, também nós, cada vez mais condicionados e pobres e revoltados e impotentes e desesperados face às medidas levadas a cabo pelos políticos que nos saiem na rifa.
Transcrevo, então, uma passagem, escrita a 4 de julho de 1942):
Cada camisa lavada que vestes é ainda uma espécie de festa. E cada vez que te lavas com um sabonete bem cheiroso numa casa de banho, que é só para ti durante meia hora, também.
Espero que não cheguemos a este ponto. Que não sejamos enviados para uma espécie de campo de concentração…
Comecemos desde já a dar valor a estas «insignificâncias» como uma roupa lavada ou um banho de água quente (que nos aquecem por dentro também) antes que delas sejamos privados…
General Humberto Delgado regressa hoje ao Porto
Não vivi os sentimentos de 1958 no Porto.
Ouvi falar muito de Humberto Delgado pela voz de pessoas que no dia 15 de maio (há quem escreva 14) estiveram no Porto.
Sente-se algo de parecido hoje. Há qualquer coisa no ar de diferente. Há gente que nunca vai e hoje telefona a dizer que vai lá estar.
Hoje respira-se Liberdade por aqui!
Rigorosamente a não perder numa Praça perto de si.
Por mim, vou! AGORA!
Quem consegue dormir direito ou esquerdo?
É o desemprego em massa dos professores,
é a TSU,
são os salários que estão mais magros a cada ano que passa,
foi o investimento em formação académica (licenciatura e mestrado e livro publicado) que não teve nem tem contrapartidas financeiras (só a realização pessoal) – o ministro não foi Gago ao exortar os portugueses a voltarem à escola e a conquistarem o canudo e o título de «doutor»,
são agora as dezenas de vozes a apregoar pelo ensino profissional (o outro, o Paulo Rangel, que escreveu esta semana «Pelo direito fundamental a não ser dr.»),
é o outro, quase gago, que nos pede mais sacrifícios,
é a outra, também sabida em Finanças, a Ferreira Leite, que até é do mesmo partido do PM, a avisar o governo que se não «arrepia caminho» este país fica destroçado,
somos nós que não dormimos a pensar onde podemos cortar ainda mais nas despesas,
que ganhamos menos que há 4 anos, por exemplo,
nós que até somos sortudos em ter trabalho, mas não sabemos até quando,
é o outro, um José, que desesperado já aos 28 anos, se resignou, baixou a cabeça e aguarda de braços cruzados que lhe arranjem emprego,
são os outros, «vão p´ro diabo», que se lembraram de mandar erguer uma Cidade do Futebol,
é o mimado do CR que chora, choras porquê, “menino da lágrima”? – olha à tua volta!
é o futuro dos nossos meninos, dos nossos filhos, que nos preocupa…
A eles não queremos que falte o necessário.
Vamos todos fotografar
A Maria João Nogueira criou um blogue só para publicar fotografias das manifestações de15 de Setembro.
Basta tirar a foto, enviar para o endereço fotosdamanif@gmail.com ou para o endereço fotosdamanif@sapo.pt (é indiferente, chegam cá de qualquer forma). No subject, indiquem a localização (Lisboa, Porto, Coimbra, etc….), e, já agora, assinem, para que as vossas fotos fiquem creditadas.
Espero contribuir. Mas infelizmente como grande angular só vou ter uma objectiva de 28mm. Não me parece que chegue.
Um país sem emenda
Passos Coelho e Paulo Portas, como Sócrates antes deles e outros ainda antes, têm usado a Democracia e o Estado para favorecer parentes e amigos, esbanjando o dinheiro que muitos cidadãos têm depositado nas mãos de políticos que, segundo a aparentemente cândida Almeida, não são corruptos, como se a corrupção não fosse, antes de mais, uma questão ética, que a legalidade perde valor quando os vários poderes são dominados pelos artistas do circo montado sob o arco governativo.
Parece que hoje António José Seguro engrossou a voz. Não o ouvi, mas aposto que proferiu tiradas épico-ridículas como “romper consensos” ou “é tempo de dizer basta” e pressinto que representou o dramalhão da responsabilidade e do sentido de estado, com texto retirado da peça “Se eu estivesse no governo, a música seria outra”. O problema é que, atrás de Seguro, estão zorrinhos, lellos, silvas pereiras, galambas, santos silvas e outras excrescências socráticas, gente que não conhece o arrependimento, que ignora a vergonha, que finge ser solução quando sempre foi problema e que entregou o país a uma outra alcateia que apenas difere na cor, mas cuja fúria predatória é igual.
Numa sondagem recente, o PSD terá sido ultrapassado pelo PS. Este país não tem emenda.
Ser a namorada de Casillas é pura coincidência
Outro salário polémico, a dar cabo dos nervos ou volta à barriga daqueles que lutam para arrranjar um emprego ou – o que também não é fácil nos dias que correm- mantê-lo. É o «salve-se» quem puder…
No dia em que muito se fala na Manifestação Contra a Austeridade a realizar no próximo dia 15, o mesmo em que também na Espanha haverá manifestações, eis que me indigno ao saber de mais um caso de abuso, o típico «fazer pouco dos pobres»: a namorada do guarda-redes do Real Madrid, o bonitão Iker Casillas, “é apontada como a jornalista deportiva mais bem paga da Espanha, cujas receitas anuais rondam um milhão de euros“.
Sara Carbonero volta a dar que falar e não foi por mais um beijo “espontâneo” e em directo do namorado entrevistado pela própria, nem sequer por uma reportagem relevante, menos ainda por ter recebido um qualquer prémio de jornalismo…
Abebe e Leite avisam
“Só por teimosia se pode insistir numa receita que não está a dar resultados”. “Alguma coisa tem de ajustada”, afirmou a ex-ministra
das Finanças, porque entende que se o país seguir a linha traçada, “não só não se atingem os objectivos como o país chega ao fim destroçado“.
Por outro lado, o chefe de missão do FMI da troika, Abebe Selassie avisa que “se o programa for apenas austeridade, a economia não vai sobreviver”.
Continuamos assustados. Irão Passos Coelho e Vitor Gaspar “arrepiar caminho” como exorta Manuela Ferreira Leite? Continuarão teimosos, fazendo ouvidos de mercador, esse traço característico dos nossos políticos?
É forçoso fazê-lo escolher outra receita, outra estratégia, antes que «um terço» seja para morrer (José Vítor Malheiros).
«Morte», «destruição», «sobrevivência»: já são as palavras que competem com austeridade. A causa já está a dar os seus efeitos.
«Quem avisa amigo é», um ditado muito velhinho e sábio.
Vamos levantar a nossa voz e gritar!
“Estarei em todos os movimentos (…) contra este governo”
É assim mesmo porque o povo não aguenta mais. As palavras de Helena Roseta.
Pontaria
É tudo uma questão de pontaria!
De qualquer modo é sempre a somar: foi o Crato, o Gaspar e agora a Farmgirl.
Preparem-se boys and girls!
Parece que o povo acordou!
Professores contratados – Bolsa de recrutamento
A DGAE acaba de informar que as listas da 1ª reserva de recrutamento serão conhecidas amanhã, 5ª feira, pelas 9h.
Sim, esta coisa da reserva o ano passado chamava-se bolsa. Têm dúvidas sobre aceitar ou não?
E vejam lá se aparecem no Sábado!
Nojo Unânime nos Sofás e nas Ruas
Não me apetece atirar-me à jugular de Miguel Relvas, agora no Brasil, em manobras de charme cujo fedor divino ainda não sentimos e talvez não sintamos: nada mais insensível e alheado dos Portugueses e de Portugal que quantos supõem que prosperarão indiferentes à nossa falência e acrescida miséria. Isto é um castelo de cartas. Há muitos pescoços a que nos devemos atirar todos os dias, gente para quem o apoio aos mais desfavorecidos é tão preocupante como arrancar pêlos dos colhões, no sofá sossegado. Relvas e Passos são os capatazes que elegemos. Quanto mais capatazes, mais elogiados são por quem tem o dinheiro e no-lo pode ou não emprestar.
A sua surdez, incivilidade e serviço delegado pela Troyka prestado ao País são iguaizinhos ao serviço, incivilidade e surdez de outro bando de filhos da puta que criou todas as condições para ser possível um tal confisco impune do trabalho de milhões de nós com remissão ao desemprego de outros tantos. Não será por deixar de ser insensível e menos bando de filhos da puta que qualquer filho da puta que venha a ser Governo evitará a redução do salário mínimo. Não a queremos. Não é por ser masoquista que este Governo apanha com a nossa raiva de ânimo leve. É o Mundo, alheio às nossas dores de corno, que quer e fará tudo por que sejamos mais pobres e sem outras ilusões que as que o PIB raquítico permitam e paguem. A Grécia ajoelhou-se e não chegou. Nunca chega. Ou perdemos tempo ou atiramo-nos de bruços, já. Há uma guerra pela sustentabilidade dos estados e pela resistência à supremacia económica chinesa que não nos poupará em nada, iludamo-nos como quisermos. [Read more…]
O Povo
“Será que dá para eleger um novo?”
Parece-me que terá sido a pergunta que deu o mote ao tacho. Atendendo às duas presenças em causa, creio que se entende a ausência de mais comensais. Afinal de contas quem é que quer ir comer com quem nos lixa? Nem o Jotinha quer…
Admito também como certa a ausência de preocupação do Governo, afinal o povo é uma chatice, insistem em consumir oxigénio e imaginem só, precisam de comer.
Tenho por isso muitas dificuldades em entender as razões que levam Professores a chamar mentiroso a Nuno Crato, quando todos sabemos que ele tem apenas um problema com a verdade.
Também não se entende que chamem gatuno ao Gaspar, aliás, algo que a curto prazo será impossível de acontecer porque ele não terá o que roubar.
A eleição de um novo povo poderá muito bem começar este Sábado, assim o povo queira ser eleito!
(+ info)
A fome por um emprego e por um futuro
José, 28 anos, está em greve de fome até conseguir emprego. Está cansado de enviar currículos e portefólios e de não receber respostas (nem negativas, muito menos positivas). Podemos encontrá-lo na rua de Santa Catarina, no Porto. Se alguém tiver uma oferta de emprego para este rapaz (designer de comunicação, licenciado pela Faculdade de Belas Artes), dê-lhe uma mão! Ele depende disso. Ele gostaria de falar com Passos Coelho… É melhor tirar os «cavalinhos da chuva», José.
Fernando Antão de Oliveira Ramos (1933-2012)
No passado Domingo, despedi-me pela última vez do meu Patrono.
Senti a solidão própria de quem perdeu uma referência viva, e a amargura consequente de não ter aproveitado mais a sua vida. O que sempre acontece quando damos as coisas e as pessoas por garantidas, olvidando, tantas vezes, a nossa precária condição existencial.
Fernando Antão de Oliveira Ramos ensinou-me tanto sobre advocacia quanto sobre a vida. No seu estilo próprio, sólido, entre o racional e o temperamental. O seu pensamento metódico e a sua capacidade de articulação de raciocínio preciso e assertivo. O seu riso ritmado pela sucessiva graça encontrada na piada repetidamente analisada. O seu olhar vivo, cativante e profundo, com que perscrutava tudo quanto mirava. A sua imponência física em homenagem à sua solidez de carácter e de pensamento, retocado com um sorriso maroto.
Aprendi muito sobre a prática política, nas suas resenhas sobre a sua actividade enquanto deputado da Assembleia da República pelo PS na sétima legislatura, ora feita num intervalo de trabalho ora decorrente de um assunto do escritório.
O reconhecimento do seu valor intelectual, alcança-se pela alcunha que lhe foi dada enquanto membro da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias: “O Sábio”.
Tudo quanto aprendi não é possível elencar, porque há coisas que se absorvem e se interiorizam, sem ser possível, sequer, enunciar.
No passado Domingo, a despedida física passou enquanto momento, mas irá permanecer como memória. Aqui, hoje, só posso despedir-me como sempre me despedi: “Com um grande abraço amigo, deste seu eterno estagiário.”
A turma de Nuno Crato tinha mais de trinta alunos
Confesso que tenho um gosto perverso em assistir a programas televisivos que detesto. Sempre que posso, revejo, por exemplo, o Knight Rider, provavelmente uma das piores séries do mundo. Também não consigo tirar os olhos do ecrã, quando vejo um cantor pimba a repetir quarenta vezes um refrão, enquanto pula com uma alegria tão postiça que parece um capachinho de má qualidade. A idiotice de José Castelo Branco deixa-me absolutamente mesmerizado. Durante algum tempo, o cabotinismo de José Sócrates punha-me um sorriso de beatitude nos lábios. [Read more…]
Letizia Ortiz e eu
Ambas fazemos 40 anos este fim-de-semana (Letizia é mais velha que eu umas horitas).
Ambas queremos festejar o nosso aniversário longe dos holofotes e nem temos prevista nenhuma celebração pública nem actos oficiais.
Ambas somos mães, discretas e magras. Reconheço maior beleza em Letizia. Mas sem inveja.
Ambas pretendemos que a data fique marcada no seio dos que nos são mais próximos.
Ambas sabemos guardar segredo relativamente às nossas viagens.
Ambas celebraremos os 40 em casa (ela espera uma surpresa do seu príncipe, eu não espero).
Ambas teremos, com certeza, pensamentos semelhantes chegadas aos 40. Posso adivinhar os dela. Ai os «enta»…
Muita coisa eu tenho em comum, afinal, com uma princesa!
Povo que ainda lavas no rio
Raras vezes vejo televisão e mais difícil ainda é sentar-me, muito atenta, a ouvir e a ver alguma notícia.
A SIC apresentou ontem uma reportagem intitulada “A Espuma dos Dias”, mostrando que em Portugal ainda há povo que lava no rio ou no lavadouro público, em troca de escassos euros à medida do comprimento de tapetes e edredons.
Este país ainda existe. Gente que todos os dias luta para sobreviver. Conhecemos a Maria do Céu (77 anos), a Olívia (89 anos), a Lurdes (62 anos que disse que a vida tem mais coisas más que boas…e que a gente não quer riquezas) e outras mulheres que metem mãos e pés na àgua fria, faça frio ou calor. Uma delas disse que adorava lavar no rio (a roupa ficava melhor), mas que dava cabo dela… Vimos que lavam em pedras talvez centenárias, que ainda se encontram colocadas no meio da corrente.
Elas são de Ovar (Ribeira das Luzes), Vila Franca de Xira, Lisboa e outros lugares onde a SIC não esteve.
Mesmo na minha vila (concelho de Santa Maria da Feira) eu encontro mulheres que lavam, não no rio onde pensei que já não o fizessem em lado nenhum, mas no lavadouro público, há pouco tempo melhorado.
Num tempo em que, não obstante quase todos temos máquina de lavar a roupa, não estranha que se continue a lavar no lavadouro ou no rio: até “o sabão está caro”.
Esperemos que estas sejam as últimas mulheres a fazê-lo…
Povo que lavas no rio, o fado cantado por Amália Rodrigues com letra de Pedro Homem de Mello e música de Joaquim Campos:
Povo que lavas no rio
Que talhas com o teu machado
As tábuas do meu caixão.
Pode haver quem te defenda
Quem compre o teu chão sagrado
Mas a tua vida não.
(…)
O nosso fado: a sobrevivência.
Sábado, no Porto, de Branco
Quem com menos faz mais…
Foi assim em Braga esta noite. A organização (Braga 2012 CEJ) esperava umas 20 a 30 mil pessoas. Eram os concertos (Buraka, The Gift e Mafalda Arnauth), eram oito zonas temáticas e era o terceiro momento do Festival do Norte (do TPNP) com teatro de rua. Para surpresa de todos, mesmo, foram mais de 80 mil pessoas e a Protecção Civil diz que este número é muito, mesmo muito conservador.
O comércio esteve aberto toda a noite e madrugada. Diversos estabelecimentos de hotelaria, situados um pouco por todo o centro histórico, tiveram de encerrar mais cedo pois tinham esgotado as refeições e o mesmo aconteceu com muitos bares e pontos de venda de bebidas com stoks esgotados. A afluência de público superou, largamente, a que se regista na noite de S. João, na Semana Santa ou mesmo na Braga Romana (e ainda por cima a chuva fez a sua tradicional aparição). Foram oito espaços temáticos envolvendo teatro, dança, música (fado, reggae, clássica, rock, pop, electrónica), multimédia e os 20 espectáculos de teatro, música e projecção multimédia do “Cidades Invisíveis” no âmbito do Festival do Norte. Foi assim, absolutamente arrasadora a Noite Branca da Capital Europeia da Juventude.
Uma nota final que diz muito sobre um tema que continua na agenda. Este evento único do Norte, por sinal o que mais gente juntou nas ruas, tirando o S. João do Porto, em 2012 (por agora) não contou com a presença da RTP que, segundo a mesma, não tinha ninguém na redação para fazer a cobertura. As privadas: SIC, TVI e Porto Canal, com menos de metade dos meios humanos e técnicos, estiveram presentes (já nem vou falar sobre a imprensa escrita ou as rádios, em força). Ou seja, com menos os privados fazem mais. A RTP, para não variar, com mais faz menos. Depois admiram-se com a privatização…
Diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és
Ferreira Fernandes escreveu hoje mais uma interessante crónica na revista Notícias Magazine: «A palavra mais palavra do mundo: palavra». Refere-se ao jornalista, membro do júri Goncourt e apresentador de programas de TV francês Bernard Pivot (1935), que se tornou, “durante décadas, uma das personagens mais poderosas de França”.
Num dos seus programas televisivos em que entrevistava gente famosa como Woody Allen, Pivot perguntava-lhes “qual a sua palavra preferida?”. Woody Allen, como não podia deixar de ser, respondeu: “Não posso dizer, a minha mãe pode estar a ver o programa”. Outros disseram «tendresse» (Giroud), «lumière» (Mastroianni), outro «concupiscência».
A tese de Pivot é: diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és. Revelamo-nos nas palavras que escolhemos. Não podemos resumir uma vida numa palavra, “mas buscando na memória, que está cheia de palavras, mesmo quem não quer ser escritor faz um belo livro”.
Há um ano atrás publicou-se o seu livro Les Mots de Ma Vie que, penso, não está editado para português (espero que o seja em breve).
Penso agora nos nossos políticos. Como eles se revelam naquilo que dizem… Político, diz-me as tuas palavras, dir-te-ei quem és.
E, já agora, caro leitor e leitora, qual a sua palavra preferida?
Nova sinalização rodoviária horizontal

A Junta de Freguesia de Queluz adicionou nova sinalização rodoviária horizontal ao código da estrada. Significa: atenção eleitores, fizemos aqui uma corridinha. A Câmara de Sintra tem um camião/palco para eventos públicos e tem material de sinalização para provas desportivas. Tudo isto foi usado. Não o poderia ter usado também para as indicações da prova em vez ter andado a pintar a estrada? Poder podia mas não era a mesma coisa.
Finalmente fui ao arquipélago das Berlengas!
Assinalo no meu mapa de Portugal alguns dos locais visitados nestas férias: Peniche, a Berlenga, a praia da Consolação, a praia de S. Bernardino e outros.Que bem passados esses dois dias em Peniche, pequena cidade muralhada com pedras do século XVI, erguendo-se numa península onde o peixe e o vento são reis! Que o digam os surfistas que acorrem às suas praias. Peniche é, por isso, sinónimo de mar e barcos.
No Guia American Express (Portugal), descubro agora a foto do barco Cabo Avelar Pessoa que nos levou à Berlenga,12 km a poente da costa e a cerca de 30 a 40 minutos de Peniche. O nome do barco não me dizia nada até ler a placa em mármore que se encontra no Forte de S. João Baptista: “Homenagem da Escola do Exército ao Cabo António de Avelar Pessoa. Aqui neste local no ano de 1666 apenas com 28 soldados portugueses defrontou gloriosamente em luta épica a esquadra castelhana do Almirante Ibarra com 15 naus e 1500 homens. Do seu esforço valentia e patriotismo ficará eterno exemplo”.
A ilha principal, a Berlenga Grande, é irresistível. À medida que nos aproximamos (já tínhamos ganho a viagem ao ver meia dúzia de golfinhos!), avistamos o Forte mandado construir pelo rei D. João IV como posto de defesa do território português. Em 1847 foi abandonado, mas no século XX restaurou-se e reconverteu-se em pousada. Por ocasião da Revolução de Abril em 1974, de novo foi «esquecido». Graças à associação «Amigos das Berlengas», o Forte é hoje uma estalagem onde se pode pernoitar por bom preço. Imagino que é única a experiência de dormir ali: o silêncio e o bater do vento e das ondas do Atlântico!
Revejo cada foto que somos impelidos a fazer naquele encantador lugar: a pequena e deslumbrante praia do Carreiro; o descarregar do barco de bebidas, gelados, batatas e outros mantimentos para o único restaurante da Berlenga, o Mar e Sol, o farol, a gaivota em pose fotogénica entre centenas que vivem na Reserva, as coloridas tendas no Parque de Campismo, a paisagem composta pelo verde dos «chorões» e o Forte. Depois da caminhada de regresso à «aldeia dos Pescadores», recortada por breves paragens para beber um pouco de água e fotografar aquela beleza que desejámos «levar para casa», não resistimos ao banho. Soube tão bem.
Para terminar: a Ilha das Berlengas é Reserva Natural desde 1981 e a Unesco classificou-a como Reserva Mundial da Biosfera em Junho de 2011!Não adie por muito mais tempo este passeio fabuloso a uma linda ilha que é nossa!
(publicado no suplemento Fugas/Público, 8 /9/2012 e Dicas dos leitores Fugas)
Literacia não é para nós
Hoje no DN, a comissária europeia da Educação e Cultura, Androulla Vassiliou e Petra Laurentien (princesa dos Países Baixos), escrevem em conjunto sobre a Literacia (“precisamos de ser mais ambiciosos“).
Transcrevo parte do texto:
A literacia é essencial na vida moderna. Nas sociedades dominadas pela palavra escrita, é um requisito fundamental para os cidadãos de todas as idades. É crucial para a parentalidade, para conseguir e manter um emprego, ser um consumidor ativo, gerir a saúde e tirar partido do mundo digital.
Porém, quase 75 milhões de adultos não dispõem das competências básicas necessárias para funcionar plenamente em sociedade. A próxima geração não está em vias de melhorar esta situação.
(…) A situação em Portugal, embora seja melhor do que em muitos outros países da UE, não deve deixar margem para complacência.
(…) Os dados estatísticos atuais são maus augúrios para o futuro. As pessoas com um nível insuficiente de literacia têm menos probabilidades de completar os estudos, mais probabilidades de ficar desempregadas e de sofrer de problemas de saúde. As crianças cujos progenitores têm competências reduzidas nesse domínio são mais suscetíveis de ter dificuldades a nível da leitura.
(…) O investimento em serviços de educação de elevada qualidade é um dos melhores investimentos que os países podem efetuar.
(…) É necessário colmatar o fosso socioeconómico, causa principal dos problemas de literacia, garantindo serviços de educação de elevada qualidade a todos.
(…) Se existe uma mensagem importante a dirigir aos governos europeus é a de que precisamos de elevar as nossas aspirações. (…)
Isto não é para nós… não temos governos que invistam em educação como se tem visto; vivemos uma grave crise económica; e os nossos governos não aspiram a valores elevados.
Alberto da Ponte: televisão e cerveja são produtos semelhantes
“Há uma grande proximidade entre o negócio da cerveja e o da televisão.” terá declarado Alberto da Ponte, ao tentar demonstrar que é indiferente vender cerveja ou gerir um canal público de televisão. “Em primeiro lugar, ambas podem contribuir para criar barriga e ambas estupidificam as pessoas, se consumidas em excesso. Por outro lado, o comércio de cerveja, em Portugal, é um serviço público, especialmente nas festas universitárias.”
Depois de terminar o seu mandato na RTP, e desejando dar novos usos à experiência de acabar com serviços públicos, Alberto da Ponte já terá manifestado o desejo de ser ministro da Educação, porque, segundo diz, a cerveja e a escola, no fundo, despertam-lhe a mesma vontade de engolir tudo de uma só vez.
Rui Ramos e Steven Weinberg
Não me pronunciarei sobre a polémica Manuel Loff/Rui Ramos. Ainda não li a História de Portugal de Rui Ramos, Bernardo de Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro.
Apenas assinalo, com satisfação, que o grande Steven Weinberg começa a fazer escola em Portugal. Pode ser que a doutrina pegue.
Finalmente, Fernando Rosas, quando me criticar, tente criticar-me por causa daquilo que eu escrevi e penso, não por causa daquilo que lhe dava jeito que eu escrevesse ou pensasse
Rui Ramos, no Público de hoje, p. 47.











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