Um repetido argumento da ANTRAM tem sido que não negocia com a espada sobre a cabeça, querendo dizer que exige que a greve seja cancelada antes de ir para negociações.
Mas repare-se na espada que a ANTRAM coloca sobre a cabeça dos grevistas.
Havendo acordo [entre a FECTRANS e a ANTRAM], este só se aplica a quem o negociou – vincou na noite de quarta-feira o representante da Antram. Dito de outra forma, os motoristas que estão nos sindicatos que optaram pela greve não terão direito às medidas entretanto acordadas com a Fectrans. [Expresso]
Ainda sobre este mesmo acordo, repare-se nesta parte da mesma notícia no Expresso:
A Fectrans confirmou que entre as matérias ontem acordadas inclui-se a polémica “cláusula 61”, aquela que no contrato coletivo permitiu às empresas deixarem de pagar remuneração pelo trabalho suplementar, recebendo duas horas de trabalho extra por dia (mesmo que trabalhassem mais do que isso). O problema é que nem todos os sindicatos assinaram este contrato coletivo, nem várias empresas o aplicam nesta cláusula. Porém, esta quarta-feira, nem Fectrans nem Antram explicaram em que sentido avançaram neste campo. [Expresso]
É uma cláusula fantástica e coloca dúvidas sobre a capacidade negocial da FECTRANS, especialmente se se atender a que, de acordo com o Contrato Colectivo de Trabalho celebrado entre a ANTRAM e a FECTRANS em 2018, o “conceito de dia” de trabalho é um “período de 24 horas, a contar do início da jornada de trabalho”.


Naquele transe, Almiro estava disposto a tudo. A arriscar a vida se necessário. Por isso, mergulhou da borda do barco e nadou para a praia. Havia vagas e correntes, mas Almiro cortou as águas sem medo nem hesitação. O folgo começava a faltar, a espuma açoitava-lhe a cara, cegava-o. Mas ele prosseguiu, intrépido. Não podia faltar àquele encontro que o destino, providencial, pusera no seu caminho. Nadou, pois. Muito, quase até ao esgotamento. Chegado à praia – melhor se diria, atirado à praia pelas ondas – ainda havia um longo caminho na areia mole e pesada. Correu. Faltava-lhe a respiração, sentia-se desfalecer. O suor corria-lhe pelo corpo misturando-se com a água do mar. Ofegante, continuou. Já faltava pouco, o seu objectivo estava à vista, já lhe vislumbrava o sorriso. o longínquo brilho dos olhos azuis que tanto emocionavam Almiro. Corre, Almiro, corre. Mais se arrastando que correndo Almiro estava a chegar. Trôpego, caiu de joelhos e levantou o braço para que o alvo da sua demanda o visse. Mas era tarde. E, para desespero Almiro, que ali ficou, rastejante, com o braço no ar num gesto de derradeira súplica, já nada havia a fazer. O objecto do seu vão esforço partira no seu luxuoso carro .


Personagens: um rapaz suficientemente cauteloso para perguntar como se deve escrever uma palavra; uma mãe suficientemente informada para desconfiar que ninguém sabe.





Segundo parece, 





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