Negociações para o fim da guerra – ponto de situação actual

Segundo anuncia o Financial Times, citado pelo Business AM, as negociações encontram-se neste ponto:
“Se a Ucrânia aceitar um estatuto de neutralidade, renunciar a juntar-se à OTAN, comprometer-se a respeitar limites quanto às forças militares e armamento, assim como não aceitar receber armas nem a instalação de bases militares estrangeiras, a Rússia aceita o cessar-fogo e a retirada da Ucrânia.”

História is a bitch…..

Entre 1640 e 1668, entre Portugal e Espanha, tivemos a chamada “Guerra da Restauração”. Portugal lutava contra o ocupante, Espanha. Lutava pela restauração da sua independência enquanto nação. Para alguns, o melhor teria sido Afonso VI de Portugal ter desistido, acatar as exigências de Carlos II de Espanha. Foi uma guerra violenta. Por vezes, entre vizinhos que se conheciam. Outras vezes utilizando mercenários e não faltaram incidentes de crueldade singular. Os portugueses não aceitaram ser súbditos dos seus vizinhos castelhanos. E ao não aceitarem as exigências de Carlos II de Espanha, este teve ainda muitas vidas para ceifar…

Para alguns, hoje, nada teríamos para festejar a 1 de Dezembro. O Aventar seria mais um blogue em castelhano e, com sorte, a gasolina estava mais barata. O mais certo seria que em Portugal os chamados partidos independentistas fossem maioritários nas eleições regionais. Os seus líderes, com algum azar, estavam presos ali para os lados de Valladolid. Porque mantinham viva a vontade frustrada em 1640, porque, ainda hoje, tantos séculos depois, não perdoam a rendição de Afonso VI. Estes gajos independentistas não querem perceber que com a sua decisão, Afonso VI evitou mais um banho de sangue. Os castelhanos sempre o acusaram de ter estado ao serviço do imperialismo britânico, mas que teve a lucidez de na 25º hora ter recuado. Os independentistas relembram que os castelhanos assassinaram Afonso VI, pela calado, uma semana depois da assinatura do acordo (palavra simpática para rendição).

A ver se percebi, é isto que estão a pedir a Zelensky para fazer? É isto que consideram ser o melhor para os ucranianos? É fácil pedir para os outros se renderem. É fácil pedir aos outros para viverem sob o jugo de um ditador como Putin. A mim cheira-me a egoísmo. Mas isso sou eu que estou a soldo do imperialismo ocidental. Seja lá o que isso for. Se é viver num país onde posso livremente escrever estas merdas, livremente escolher os meus líderes, livremente escolher onde quero viver e trabalhar, livremente escolher o que quero ver nos meus tempos livres e livremente ser português, então estou a soldo desse tal imperialismo ocidental. Do russo, cubano, venezuelano ou norte coreano é que não, obrigado.

ALTERIUS NON SIT QUI SUUS ESSE POTEST

Zelensky recua na neutralidade da Ucrânia

Não osbtante parecer que se caminharia para um acordo, Zelensky recua relativamente à neutralidade futura da Ucrânia, recusando um estatuto idêntico ao da Suécia e da Áustria.

Ucrânia – negociações indiciam um avanço significativo

Ambas as partes, Rússia e Ucrânia, apontam para um avanço significativo conducente ao cessar-fogo e ao fim da invasão russa. Estaremos perto da retirada de Putin da Ucrânia? Julgo que teremos de esperar e, pior ainda, sem saber ao certo o que esperar.
O facto de Vladimir Medinsky, líder da delegação russa nestas negociações, admitir que consideraria positivo que a Ucrânia assumisse um estatuto de neutralidade idêntico ao da Suécia e da Áustria, membros da União Europeia, mas não da OTAN, indicia que, ou pode subentender-se, a Rússia admite uma Ucrânia independente e até como membro da União Europeia.

Putin sabe, penso, que não tem condições para ocupar a Ucrânia, nem sequer de suportar um governo fantoche contra os ucranianos que, neste momento e muito naturalmente, apenas [Read more…]

De ditador em ditador, até à descredibilização final

Muito se tem falado sobre os PCPs desta vida, e respectivas posições sobre a invasão da Ucrânia (e muito bem), mas muito pouco sobre certos e determinados quadrantes ideológicos, que conseguem fazer igual ou pior, sempre daquela forma hipócrita e dissimulada que os caracteriza. São todos muito democratas excepto quando a economia exige a capitulação perante os interesses económicos que mandam nisto tudo. E eles capitulam, sem pestanejar. Ou, parafraseando o CEO da Volkswagen, “Limitar a actividade a países democráticos não é um modelo de negócio viável para os fabricantes”. Esclarecedor.

Vejamos, por exemplo, o caso dos impolutos conservadores britânicos, grandes guardiões da democracia, que passaram anos a receber milhões de rublos da oligarquia russa, sabendo perfeitamente a proveniência desses financiamentos, o que nunca os fez recuar. Nem cleptocracia oligárquica nem os envenenamentos de opositores de Putin por terras de Sua Majestade, como os casos de Alexander Litvinenko e Sergei Skripal.

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Francisco J. Marques e o FC Porto (ACTUALIZAÇÃO)

ACTUALIZAÇÃO: Coloco aqui a publicação de Francisco J. Marques na sua página de twitter.

A notícia do CM sobre mim é falsa, não estou detido, não tenho pulseira eletrónica, não dormi nos calabouços. É verdade que ontem fui ouvido devido a uma queixa de violência doméstica, em que me são imputados dois crimes, não existindo acusação de agressões físicas.

 

A notícia é do Correio da Manhã e da jornalista Tânia Laranjo. O jornal e a jornalista em questão nutrem, há muitos anos, um ódio visceral ao FC Porto e seus dirigentes, o que me obriga a avisar que por uma questão de princípio vou acreditar que a notícia em causa seja verdadeira, mesmo sabendo o risco que corro vindo de quem e de onde…

Feita a ressalva, vamos ao que interessa. Obviamente que os comportamentos de funcionários do FC Porto na sua vida privada não podem nem devem ser misturados com o clube. O clube, enquanto sua entidade patronal não faz a mínima ideia de como se comporta o funcionário dentro das paredes da sua casa. Porém, quando esses comportamentos se tornam públicos (e SE PROVADOS) e forem violadores das mais naturais condutas de uma pessoa de bem, então ao clube exige-se agir em conformidade. No FC Porto, no meu clube, aqueles que praticam violência doméstica não podem, de nenhum modo, representar o clube. Sejam eles quem forem.

São conhecidas, seja por escritos no blog quer, sobretudo, por opinião transmitida em diversas “Conversas Vadias” que não nutre qualquer simpatia por FJM. Mesmo assim espero, sinceramente, que a notícia seja mais uma invenção ou deturpação do CM/Tânia Laranjo. A não ser, a porta de saída é o único caminho.

Sobre a violência doméstica já AQUI deixei bem clara a minha posição. Em 2009. Era o Aventar uma criança. Não a mudei.

 

BE: Tiques de multinacional do imperialismo ocidental?

Segundo a tendência interna do Bloco de Esquerda, chamada “Convergência” o processo de despedimento dos trabalhadores do BE peca por falta de transparência:

Estamos claramente perante uma situação anómala e violadora dos Estatutos em que uma decisão que deverá ser tomada pela Mesa Nacional nem na Comissão Política foi discutida, tendo sido o Secretariado a apropriar-se indevidamente em claro abuso de poder – que, como órgão executivo, nem sequer tem – de funções da Comissão Política, mas com a conivência fraudulenta desta com total desconhecimento dos membros eleitos pela moção E e N.

Nesta matéria espero que a comunicação social esteja atenta. Não vá dar-se o caso da velha máxima: “Olha para o que eu digo e não para o que eu faço”.

No estilo esmagador que caracteriza a maioria, a proposta foi recusada com a justificação do respeito pelos funcionários a despedir que não podiam ficar dependurados de demora na decisão. O respeito e carinho que a maioria nutre pelos funcionários são de tal monta que alguns deles só souberam do  despedimento quando receberam a nota de vencimento.

Vocês não sei mas eu estou a ver aqui, ALEGADAMENTE, tiques de multinacional do imperialismo ocidental na forma como este problema está a ser tratado pelo Bloco de Esquerda. Mas isso sou eu que sou do contra…

Vladimir Putin e o Padrão dos Descobrimentos

No meio de tanta desgraça, de tanto sofrimento, destruição e morte, há quem não tenha mais o que fazer do que incitar ao ódio numa das suas versões mais imbecis, apelando ao boicote de Tolstoi e Tchaikovsky, insultando emigrantes russos que, na sua maioria, saíram do país para escapar ao regime de Putin, e até, imagine-se, a normalizar o bullying a crianças russas. Como se algum deles tivesse alguma coisa a ver com Vladimir Putin.

O que vem a seguir?

Destruir todos os bares, restaurantes discotecas e supermercados que vendam vodka?

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Também tu, Kim Jong-un???

Primeiro pensei que era coisa do Inimigo Público. Depois vi que era do Sapo:

O norte-coreano Kim Jong-un terá negado a ajuda de Vladimir Putin na invasão da Ucrânia, dizendo-lhe que a Rússia é “muito doida”. A alegação ocorre quando a invasão russa em solo ucraniano chegou à estagnação, com relatos de um furioso Putin a considerar recorrer ao ‘plano B’ – armas não convencionais.

O grupo Mercan, um hotel no Porto, os vistos Gold e o restaurante Nova Luanda


Na foto, podemos ver as obras de construção, no Porto, do futuro Belas Artes Hotel do grupo Mercan, entre o jardim de S. Lázaro e a Batalha e quase em cima do restaurante Nova Luanda e da habitação que o sobrepuja.
Tudo bem, a Câmara Municipal emitiu a respectiva licença. Tudo legal. Ou não fosse o município de Rui Moreira um velho parceiro de negócios do grupo Mercan (a Selminho não estava disponível?)
Não percebo nada do mundo dos negócios. Mas vejo que o Mercan é um grupo com sede no Canadá, cuja principal actividade é a consultoria a nível de imigração. Está especializada nos sectores da imigração, investimento e recrutamento de estudantes e trabalhadores estrangeiros.
Não percebo realmente nada do mundo dos negócios, mas consigo ver que o futuro Belas Artes Hotel aparece publicitado como um investimento de grande valor pela empresa Mercadia Cambodia. Esta parece fazer parte do grupo Mercan e tem a sua sede em Phnom Penh, no Cambodja.
Os eventuais interessados em investir no projecto, cujo custo total ultrapassa os 15 milhões de euros, terão de desembolsar 350 mil euros. A grande vantagem apontada é a possibilidade de aceder ao Golden Visa Portugal 2022. Ou seja, os famosos Vistos Gold.
São 44 os investidores previstos.

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Bloco de Esquerda e o rabo de fora…

O Bloco de Esquerda decidiu unir-se ao Podemos (Espanha) num movimento internacional criado por este com o objectivo de evitar o envio de armas à resistência ucraniana. A primeira surpresa: ver o Bloco de Esquerda a unir-se a um partido que em Espanha tem feito e dito, sobre a invasão russa da Ucrânia aquilo que o Bloco critica ao PCP. Um cheirinho a hipocrisia, não? Então, cá dentro critica o PC e lá fora une-se com os que dizem/defendem o mesmo que o PCP. Hummm, parece que estou a ver ali no canto um rabo de fora…

(estas linhas da notícia são uma delícia: El pasado lunes, Podemos celebró que los comunistas portugueses del Bloco de Esquerda se hayan sumado a la iniciativa. Esta entente sirve a Podemos para posicionarse en el tablero internacional y ganar espacio en la política interna)

A segunda surpresa: não enviar armas para os resistentes ucranianos cujo seu país está a ser invadido pela Rússia de Putin. Entendem que o esforço deve ser todo concentrado na busca pela paz. A paz é o que todos queremos, sejamos de esquerda, de direita ou candidatos a Miss Universo. Só que, para que a paz exista é preciso que todos a desejem. Putin quer a paz? Quer, mas só depois de ter conseguido matar todos os ucranianos que desejem ser ucranianos e não russos e depois de ter destruído toda a Ucrânia. Até o conseguir, não teremos paz. E os ucranianos, querem a paz? Querem. Querem o seu país livre de forças militares ocupantes e com isso, existirá paz. É assim tão difícil perceber a realidade? Depois de os russos terem invadido a Ucrânia a paz só é possível se eles regressarem a casa. A partir do momento que entraram e começaram a matar e destruir como raio se ontem a paz sem recuarem? A paz só não a quer quem vende armas ou quem for chalupa. Todos a queremos. O problema é como a obter.

Para uns, a paz só se consegue se as tropas russas regressarem a casa e aí as partes se sentarem a negociar a dita. Para outros, não chega. Será necessário Putin ser corrido ou morto. E depois temos os líricos que entendem que a paz se obtém com a rendição dos ucranianos (não sei se pensavam o mesmo em 1939 ou na ocupação de Timor). E depois temos os sonhadores, que acreditam em unicórnios e que com músicas e corações desenhados a coisa vai lá.

Por último, temos os hipócritas. Os hipócritas estão do lado de Putin mas sabem que afirmar isso prejudica a sua imagem e o seu negócio (os votos) e então defendem coisas que não lembrariam nem aos terraplanistas: somos pela paz e por isso o caminho é não fornecer armas aos ucranianos. Ou seja, traduzido, se os ucranianos não tiverem armas a paz é garantida. Pois é. Após serem assassinados e o seu país totalmente destruído, só fica uma das partes. E assim temos paz. A paz dos agressores e a morte dos oprimidos.

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Como chegamos à invasão da Ucrânia – opinião de John Mearsheimer

John Mearsheimer, reconhecido académico da Universidade de Chicago, é um dos principais representantes da “escola neorealista” em Relações Internacionais da actualidade, que se contrapõe à escola do “Liberalismo Internacional”, defensor da teoria “offensive realism” das grandes potências.
Apesar de eu ser de opinião de que o responsável pela invasão da Ucrânia é Putin, de achar que, de momento, o que mais me deve preocupar é o fim da guerra e a busca de um cessar-fogo imediato até que as negociações sejam concluídas, de modo a impedir um ainda maior massacre de civis, continuo a tentar ser livre para ler e ouvir opiniões fundamentadas, mesmo que possa estar em desacordo com elas, total ou parcialmente. É o caso deste vídeo, onde John Mearsheimer expõe as suas opiniões e respectivos fundamentos históricos e geo-políticos à luz da política das grandes potências.
O conhecimento não faz mal! O que faz mal é o uso que lhe podemos dar.

Durão Barroso, especialista em invasões

Se eu estiver enganado, por favor, corrigi-me, mas o Durão Barroso não apareceu aqui há dias a comentar a invasão russa? Faz todo o sentido – Durão sabe o que é estar ao lado de gente igual ao Putin, gente que inventa pretextos para invasões, guerras que nunca deveriam ter começado, como a maior parte das guerras.

Antes que alguém se distraia (e mesmo assim, nunca irei a tempo de prever todas as distracções), verberar a invasão do Iraque está muito longe de corresponder a elogiar Saddam, o que serve para levar uma pessoa a pensar que, por vezes, é muito difícil escolher um lado, porque há gente odiosa de ambos os dois ou ambos os três ou ambos muitos. Mais uma nota para os distraídos: no caso da Ucrânia, é muito fácil, para já, escolher um lado. Depois, logo se vê, ainda que o Putin já não vá a tempo de se redimir, mesmo se o Ocidente que o condena tenha andado a alimentá-lo durante muitos anos, fechando os olhos com muita força, enquanto estendia a mão, era uma moeda para o ceguinho, por favor. [Read more…]

Somos todos de Esquerda ou de Direita mas….

Os mandamentos do pensamento único:

Se és de direita não te podes manifestar contra o capitalismo selvagem que prefere produzir onde os direitos dos trabalhadores são uma miragem. Se és de direita não podes denunciar os desmandos dos dirigentes dos partidos ideologicamente próximos do teu pensamento político (deve ser por isso que o PCP não pode criticar a Coreia do Norte). Se és empresário e ainda por cima de direita não podes criticar as empresas, sejam ou não tuas concorrentes, por produzir em países não democráticos com tudo o que isso significa de concorrência desleal e de asfixia aos direitos mais elementares (sejam eles laborais ou humanos). Não podes.

Caso contrário, és um sacana de um comunista. É isso? Com ou mais molho? Agora percebo melhor a posição do PCP. Realmente, não pode criticar. Porque são os seus. Uns sacanas mas são os seus sacanas. Ainda não tinha percebido essa regra. Caramba, andei eu a criticar o PSD, o CDS ou a IL de quando em vez e não podia. Raios… Tenho de colocar umas palas para ser politicamente correcto como exige o mainstream…

Uma escandaleira da nova escola

Pessoas de negócios indignadas por um administrador executivo de um grupo de empresas gerir o negócio para o qual foi contratado, é um novo perfume da nova escola liberal!
Estamos aqui, estamos todos comunistas! Liberais, sempre, mas comunistas!

É o Capitalismo, Fernando!

O meu camarada Fernando Moreira de Sá ficou chocado com as declarações do CEO do Grupo Volkswagen, que afirmou que a empresa não pode vender apenas em países democráticos. Mas a coisa consegue ser ainda mais complexa e desavergonhada. A Volkswagen, como outros gigantes dos mercados ditos livres, não se limita a vender carros aos regimes mais violentos e totalitários. Consegue ter a distinta lata de distinguir entre ditaduras do bem (China, Federação Russa, Arábia Saudita, Qatar) e ditaduras do mal (Cuba, Coreia do Norte), provando que, mais do que o regime, importa saber o preço certo em euros das multinacionais ocidentais. A este respeito, o capitalismo é uma prostituta da mesma categoria do mini-Putin que anda pelas TVs a debitar propaganda pró-Kremlin.

Grupo VW e as mãos cheias de sangue

Vou acreditar que o Observador traduziu bem o que disse o homem. Uma vergonha sem nome.

Dicionário de Guerra: Português – Correctês

À medida que a invasão de Putin avança, aperta-se o cerco da liberdade de expressão. Mas esse cerco, lamentavelmente, não se resume à trincheira do tirano russo. Aqui pelo Ocidente, à caça às bruxas está ao rubro. De maneira que quem não debita a narrativa oficial é pró-Putin, quem questiona os antecedentes da invasão é pró-Putin, quem ousa debater qualquer variável que coloque em causa a narrativa simplista imposta pelo novo politicamente correcto é pró-Putin. Assim estamos.

Ciente dos riscos que corro, decidi lançar esta pequeno dicionário, onde pode. Os ver algumas expressões correntes e o seu equivalente em correctês. Para ir actualizando.

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O Conde Ferreira e a invasão da Ucrânia – Crónicas do Rochedo #56

Nigel Farage says Ukraine invasion is result of EU and Nato provoking Putin

Olhem quem se juntou ao PCP e a outros companheiros de luta de certa esquerda portuguesa, o Nigel! Que maravilha. Por estes dias, vejo juntar-se a este belo grupo de “Putinianos dos Últimos Dias” os chalupas que acreditavam que a vacina para combater a Covid era uma estratégia do Bill Gates para nos “chipar” a todos ou que nos iam infiltrar uma cena qualquer no braço com 5G (confesso que nesta estive esperançado pois nalgumas zonas deste belo rochedo a rede de telemóvel é miserável. Não resultou, dasss). E os terraplanistas. Sim, esses também andam por essas bandas. Les beaux esprits se rencontrent….

Ver o Nigel, o Tiago e a Raquel juntos no mesmo barco fez-me olhar para a realidade com outros olhos. Quando era adolescente (no século passado) costumava juntar-me com os amigos na conversa noite e madrugada fora ali para as bandas do cruzamento da Areosa. De quando em vez surgiam umas figuras fascinantes que desciam a rua de Costa Cabral até ao cruzamento. Eram os mais rebeldes pacientes do Hospital Conde Ferreira. Escapuliam-se dos seus dormitórios pela calada da noite e vagueavam pela Costa Cabral. Uns apareciam nas Antas, outros no Marquês e os que vos falo inclinavam para a “minha” Areosa. Talvez por ser a descer. Talvez.

O que sei é que se juntavam a nós, pediam um cigarro, acendiam e fumavam o SG Filtro com o vigor e o prazer de um fruto que lhes era proibido. E falavam. Falavam muito. Para alguns, no meu grupo, era uma verdadeira conversa de doidos e afastavam-se. Para mim (e para o nosso José Mário Teixeira) não era motivo de alheamento. Pelo contrário. Nunca percebi se por um certo pudor e respeito ficava ali a ouvir. Ou, se calhar, era curiosidade. Ou ainda, como diziam, era proximidade – diz-se que os “tolos” reconhecem os seus pares. Who knows…

De repente, sem mais nem menos, partiam. Subiam em direcção ao seu hospital. E ficávamos nós a comentar esses momentos que eram sempre surreais. O mesmo surreal que sinto quando ouço os Boaventura, as Raquel e outros espíritos sobre a culpa da Ucrânia, da Nato, do imperialismo e do Sérgio Conceição na invasão russa da Ucrânia.

No fundo, continuo na mesma. Fico a ouvi-los. Bastava pedirem e até lhes oferecia um cigarro. Já não um SG Filtro pois disso não há por estas bandas. Mas um Camel dos meus. E depois, era vê-los partir. Não para o hospital, como os outros do passado século. Para o conforto dos seus sofás de couro de Professor Doutor com todas as letras numa qualquer faculdade das nossas Universidades. Só que destes tenho medo. Podem vir a ser professores da minha filha. São professores dos filhos dos outros. MEDO.

Raquel Varela: Alexandre Guerreiro, és tu?

Li algures que existem pessoas que a certa altura decidem ser do contra por ser contra. Por muito desmiolada que possa ser a sua opinião e sendo elas pessoas não destituídas de inteligência. Dizem-me que é uma defesa. Um mecanismo natural do cérebro a defender-se de uma realidade que não querem ou não podem aceitar.

Eu sempre considerei a Raquel Varela uma pessoa sensata e dotada de inteligência. Mesmo não estando de acordo com imensas das suas opiniões. Mais, há meses fui um dos que escrevi que cheirava a perseguição toda aquela história das suas habilitações académicas e os “papers” supostamente repetidos. Por isso ainda estou incrédulo com as suas atitudes, mais do que as suas opiniões, no tocante à guerra na Ucrânia. O que leva Raquel Varela a parecer um Alexandre Guerreiro de saias nesta temática?

A última foi na passada sexta-feira, no programa na RTP em que participa, “O último apaga a luz”. De repente e com um ar até um pouco estranho, Raquel Varela começou a debitar que a bombardeada maternidade de Mariupol* tinha lá dentro o batalhão AZOV e que nem sequer estava a funcionar como tal. Bem, eu das “fontes russas” já tinha ouvido/lido que o ataque à maternidade tinha sido feito não pelos russos mas pelo tal batalhão AZOV. Mais tarde, como a coisa não pegou, veio uma nova versão, afinal tinham sido eles, russos, mas a maternidade já não funcionava como tal e era poiso do batalhão dos neo nazis do batalhão AZOV. Agora, confesso, não esperava ver uma Raquel Varela, transfigurada, em fúria e de cabeça quase perdida a debitar propaganda russa. Porquê? A que propósito?

Podia ter sido um caso isolado. Podia existir um qualquer erro de percepção solitário. Quem nunca? Só que não é. É uma narrativa constante de Raquel Varela no que toca à Guerra na Ucrânia e aos ucranianos. Alguns exemplos do que tem dito e escrito:

“É completamente incompreensível o cerco e a provocação que a NATO faz à Rússia através da Ucrânia” afirmou. Raios, a Ucrânia é que foi invadida. Será assim tão difícil de entender que essa narrativa não cola? Outra: “Zelensky provocou Putin com a adesão da Ucrânia à NATO”. Santo Deus, outra vez a história “a gaja até estava de mini saia”. E continua: “O que vem aí agora: A Ucrânia vai-se sentar à mesa das negociações e aceitar os termos da negociação que a Rússia vai impor” ou  “Isto que a Ucrânia fez é completamente suicida”.

Citando Luís Ribeiro, “Morreu a mãe e morreu o filho. E continua a haver gente a dizer “Sim, mas…”. “Mas a NATO. Mas os EUA. Mas o imperialismo. Mas o belicismo. Mas os nazis.” Expliquem todos esses “mas” ao bebé que morreu antes de viver”.

*The pregnant woman in the photo has died, according to the Associated Press. Her unborn child has also died. The woman was injured in the Russian attack on the maternity hospital in Mariupol on March 9. Photo: Evgeniy Maloletka via Instagram.

 

Os Ultras e a Política

Dois dos temas pelos quais me interesso mais, que não gosto de misturar na minha vida, mas que gosto de assistir ao fenómeno que acontece quando estes dois se juntam. Apesar de existir uma ideia de que há política nas bancadas portuguesas, por ser a nossa pequena realidade, é praticamente nula essa existência, quando vemos o que acontece noutros palcos europeus. Quando falo de outros palcos, não falo da Lazio, conhecida pelo seu grupo ultra de extrema-direita, nem do Marselha, conhecido pelos seus de extrema-esquerda, mas sim de sítios onde os intervieram na cena política. Muito mais do que mostrar um estandarte ou uma bandeira com um símbolo.

 

Antes de mais, penso que é importante perceber o porquê do fanatismo  e a predisposição para a violência ser muito maior em países como a Sérvia, a Croácia, a Ucrânia e outros quantos do que em Portugal. Sim, porque aquilo que nós fantasiamos e chamamos de hooliganismo em Portugal é uma brincadeira quando olhamos para países como os exemplos que dei. Ao contrário de Portugal, países de outras zonas da Europa estão constantemente debaixo de fogo. Enquanto nós demos a paz como garantida, esses povos não se puderam dar a tal luxo. Para termos uma ideia, em 1998, Portugal recebia a Expo e Belgrado, em 1999, era bombardeada pela NATO. Uns iam ver exposições, os outros tinham de fugir para sobreviver. Naturalmente, tanta coisa vivida tem de ser libertada e podemos ver isso em vários campos, inclusive os estádios. Os graus de sentimento de pertença são maiores. A noção de camaradagem, de clã, também. Não há ninguém da minha geração nos Balcãs que não tenha tido algum familiar a batalhar nos anos 90. [Read more…]

E em Portugal, nada???

China pressionada por Biden – Invasão da Ucrânia

Há uns dias atrás, após o logro da 3ª ronda de negociações entre Ucrânia e Rússia, onde esta ousou endurecer as suas posições em vez de as desanuviar, ao declarar que nem a independência da Ucrânia aceitaria, sugeria que uma pressão sobre a China talvez ajudasse a travar aquela horrenda tormenta que se abateu sobre o povo ucraniano.
É que, vejamos, por muito que as sanções económicas estejam a afectar a Rússia, podemos já constatar não são suficientes para demover Putin. De facto, o que está a acontecer é que as suas transacções financeiras, arredadas do sistema “Swift”, estão a ser canalizadas para o sistema “Cips”, controlado pela China, aproximando os dois países rivais desde há séculos.

Daí, ter sugerido que, sendo os europeus um dos melhores clientes de produtos chineses, uma pressão no sentido de afastar a China de um limbo de nem sim, nem não ao massacre da Ucrânia, empurrando-a para pressionar Putin e assim o encurralar, poderia [Read more…]

Vamos aproveitar e olhar para a China? #2

A China sabe que o dia seguinte pode ser complicado. Muito complicado para os seus negócios, para a sua política geoestratégica ou seja, para os seus interesses. A liderança chinesa sabe interpretar os sinais.

E os sinais são claros. A Rússia de Putin cometeu um erro crasso ao invadir a Ucrânia e, no fim, aconteça o que acontecer vai ficar de rastos em termos económicos e sociais. Pior, principalmente para a China, conseguiu unir o mundo ocidental. De repente, a Europa está unida, quer a NATO e pensa até na criação de uma força militar interna. Simultaneamente, os Estados Unidos e a Europa reaproximam-se; o Japão, a Coreia do Sul e a Austrália (juntamente com outros países do Pacífico) nem um segundo hesitaram. E a China?

A China olha para todo o cenário e pensa que por culpa de Putin, os seus adversários principais, os Estados Unidos, emergem desta crise numa sintonia com os seus aliados que não se via há décadas. E sabe que unidos se tornam, economicamente, mais interdependentes e, consequentemente, mais fortes. A China está a ver o comportamento da sociedade civil ocidental e percebe que a linha que a separa de ser o próximo alvo de boicotes económicos é ténue. Cada vez mais. Aliás, sabe que dentro da sociedade civil ocidental já se discute, já se propõe esse boicote. Os cidadãos. Os governantes ainda estão a “esperar para ver” e a rezar para que a China dê um sinal. Aliás, sobre isto e pela rama já vários aventadores falaram nas Conversas Vadias.

Ora, o primeiro sinal de que a China pode mudar o rumo desta história de guerra foi dado hoje. Foi João Querido Manha, na sua página no Twitter que chamou a atenção para um facto relevante: “um analista político chinês em Shangai diz que a China tem duas semanas para decidir apoiar o Ocidente e pressionar Putin a acabar a guerra”. Quem desejar ter o trabalho de ler, em inglês, o que esse analista escreveu (AQUI) percebe que essa mudança estratégica da China pode ser mais rápida do que alguns, como eu, imaginavam. Ainda bem

Resta saber é se, mesmo assim, no dia seguinte ainda vai a tempo de ultrapassar a má vontade em consumir produtos “Made in China”. Veremos, se Putin deixar, se o mundo mudou. Eu não acredito no Pai Natal mas…

Fomos complacentes com Bush. Houve alguns até que foram cúmplices.

Imagem: PÚBLICO

O Cherne Barroso, carinhosa alcunha posta pela sua esposa, num dos seus típicos exercícios de hipocrisia.

Novo aumento do preço dos combustíveis: a culpa é de António Costa

O barril de Brent, referência para o mercado de combustíveis português, está hoje a ser negociado ao valor mais baixo desde o início do mês, 20 euros abaixo dos 127,98€ que, na semana passada, a 8 de Março, foram usados como justificação para o violento aumento que entrou hoje em vigor.

Quer isto dizer que os preços vão baixar, de forma proporcional aos aumentos das duas últimas semanas, ou será que as gasolineiras vão fazer o que sempre fazem, que é garantir que a redução do preço, ao contrário de qualquer aumento, só se reflecte daqui por dois ou três meses?

Eu disse gasolineiras? As minhas desculpas! Eu queria dizer António Costa. Porque foi o António Costa que ordenou à GALP, BP e Repsol & Cia que aumentassem os preços, imediatamente, caso contrário ia tudo dentro e as empresas seriam nacionalizadas. Agora vou  acabar de comer o meu gelado com a testa, que o gajo está a começar a derreter e eu não quero ter que esfregar o chão com a fronte, que não estamos em tempo de desperdiçar comida.

De Alexandre Guerreiro a João Lemos Esteves é um salto…

Sobre o Alexandre Guerreiro já o Aventar falou inúmeras vezes ao longo destes dias. Desde o primeiro post a 25 de Fevereiro que se tornou viral passando por ESTE que viralizou de igual forma até ao que se publicou hoje. O Expresso acordou um pouco mais tarde assim como a Sábado e ontem o Ricardo Araújo Pereira. E de repente, ontem, surge um texto em castelhano sobre o rapaz.

Dizer que o texto é em castelhano é simpatia minha. Enfim, pouco importa. Ora, o texto é de um português, de seu nome João Lemos Esteves. O nome não era estranho. Ora este João Esteves é, segundo o seu twitter: Senior Intell Analist Hagana Consulting. Mas que raio se passa com os “Intell” portugueses? É que o Alexandre Guerreiro também o é/foi. Onde são recrutados? Mais, onde são formados? É que se um é amigo do Putin, o outro é amigo de Trump. Será que ser-se chalupa é requisito para ser espião em Portugal?

Mesmo tendo deixado mais acima o link para o tal texto em castelhano, não resisto a partilhar aqui uma parte do mesmo.

Nótese este nombre: Boaventura Sousa Santos, el inspirador espiritual-político-académico de Alexandre Teixeira Neto Guerreiro. El amigo de la agencia de propaganda rusa SPUTNIK, que se autodenomina padre del acuerdo político que llevó a Antonio Costa a la dirección del gobierno portugués y de partido político pro-Putin Podemos en España. Volveremos a él muchas, muchas veces aquí en TOTAL NEWS AGENCY. Y no olvidar que también el viernes, como parte de esta operación de contrainteligencia, las autoridades portuguesas arrestaron al rabino de la Comunidad Israelí de Oporto, Daniel Litvak. Israel es lo enemigo que une Alexandre Teixeira Neto Guerreiro, Antonio Costa, Boaventura Sousa Santos y lo Podemos en España, muchas veces con estrategias comunes. 

Um e outro, académicos. Um e outro cepas de universidades portuguesas. Um e outro a defender o indefensável. Se a estes juntarmos o trio de militares putinianos que pululam nas televisões só se pode concluir que a culpa foi do Covid. De certeza. É miolo comido. Muito comido. Valha-nos Deus….

Ricardo Araújo Pereira e Alexandre Guerreiro

Foi ontem. Na SIC. Podem ver AQUI todo ou AQUI a parte sobre o Alexandre Guerreiro.

Estação de S. Bento (Porto): Isto não se inventa…

Uma calha colocada em pleno painel de azulejos na “renovada” Estação de S Bento.  FONTE

(ACTUALIZAÇÃO DA NOTÍCIA AQUI – Via comentador do Aventar nesta caixa de comentários)

Um hambúrguer entra num bar:

—  Era uma Super Bock, sff.
Responde-lhe o empregado:
— Desculpe, mas não servimos comida.