Dizem que demoram até 24 horas a aprovar. Entretanto, hoje ouvi na rádio que aceitarão tudo desde que não seja ofensivo ou brincadeira. Que, por exemplo, não aceitariam um movimento de apoio à bolacha Maria. Ora, posso adiantar que consegui, em tempo recorde, uma reacção a esta iniciativa: [Read more…]
Lei da Cópia Privada #pl118 – todos criminosos até prova contrária (ainda)
Catarina Martins tem bom fairplay, é o que posso dizer face ao humor com que reagiu ao boneco onde a coloquei (ver a tag «que gira fico nos cartazes wanted»). E sublinho também que há um reposicionamento face à enormidade que o PS propôs para lei da cópia privada.
Digo reposicionamento porque parece que o BE se prepara para não apoiar a lei da cópia privada. Mas fá-lo pelas razões erradas. Não se insurge contra a possibilidade de se criar uma taxa que penalizaria todos pelo simples facto de comprarem uma impressora, um disco rígido, um cartão de memória, uma pen drive, etc.
O que Catarina Martins acha errado é «que a taxa passe a ter montantes fixos que, nalguns casos, são muito elevados». Não a choca que quem compre um destes dispositivos e não o use para cópia privada acabe por pagar direitos de autor. Portanto, Catarina Martins, mesmo com o bom humor que lhe reconheço, continuo a retribuir-lhe o cumprimento:

Quanto à lei propriamente dita, é de de ler alguns textos muito a propósito: [Read more…]
Um canalha no Dakar
Hoje, no Dakar, Cyril Despres da KTM (motas) teve uma atitude inacreditável e que diz muito sobre a personagem.
Em poucas linhas se conta a história: o Cyril apanhou um lamaçal e deu um valente tombo. A mota ficou presa na lama. Logo a seguir, surgiu o português Paulo Gonçalves e aconteceu-lhe a mesma coisa. Um e outro tentavam tirar as respectivas motas da lama e nada. Até que, o português, decidiu ajudar o francês. Juntos, conseguiram tirar a mota. O Paulo voltou à sua mota e pediu ao Cyril ajuda idêntica. O cabrão, sim, o cabrão, fez-se desentendido e foi-se embora.
Uma vergonha. Um canalha. Valeu, pelo menos, a satisfação de o ver perder o primeiro lugar. Como não acredito que a organização olhe para esta falta de desprotivismo – como olhou no caso dos camiões – só espero que o francês não ganhe o Dakar. Aquilo que ele fez é o oposto do espírito do Todo Terreno.
(Também publicado AQUI )
“Gasparzinho”, o inteligente mentor do OGE 2012
Todos os políticos, da esquerda à direita, se prestam a caricaturas. Vítor Gaspar, o nosso Ministro do Estado, sublinho do Estado, e das Finanças não é excepção. Por azar seu ou do nome de baptismo, o esforçado e pastoso orador Gaspar não se livra do libelo; então, garantem as más línguas termos à frente das Finanças o “Gasparzinho”.
Nas cerimónias e festejos de posse do actual governo, a comunicação social e membros da actual maioria, em uníssono, proclamavam e publicitavam tratar-se de um homem muito inteligente. Um sábio de qualidades insuperáveis, naquilo que analisava, diagnosticava e decidia como terapêutica económico-financeira para o País.
Todavia, uma coisa é o conto acerca de um companheiro amigo, espécie de ‘Alice no País das Maravilhas’, outra é a actividade e os resultados das acções concretas do protagonista do conto. A demonstrar que entre fama e desempenho, frequentemente, há divergências de monta, a imprensa em geral, aqui, aqui, aqui e aqui – chega bolas! –, divulga que, afinal, o défice deste ano, 2012, se agravará para 5,4% do PIB, em vez dos 4,5% programados com a ‘troika’.
O fabuloso destino de André Viola
O jovem algarvio André Wilson da Luz Viola, de 21 anos, apresenta um curriculum invejável, que não é muito comum em jovens da sua idade. Senão vejamos:
. em Maio de 2008, foi Voluntário no Rock in Rio/Lisboa.
. em Maio de 2009, foi escrutinador, em Lagos, durante as Eleições para o Parlamento Europeu;
. em Agosto de 2009, ganhou um convite-duplo para ir ao Amoreiras ver o filme «Charlie Bartlett — Psicanálise para Todos»
. em Setembro de 2009, foi candidato do PS à Assembleia Municipal de Lagos.
. em Janeiro de 2011, foi escrutinador, em Lagos, durante a votação para a Presidência da República.
. em Maio de 2011, recebeu um pagamento de 76 euros da Câmara Municipal de Lagos;
. nos primeiros dias de Julho de 2011, segundo estas informações, tirou a carta de condução.
. em 18 de Julho de 2011, aos 21 anos de idade, foi nomeado Motorista do Secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, com um ordenado mensal de 1610 euros.
Eis o fabuloso destino que estava reservado a André Viola – com 21 anos apenas, ganhar como motorista de Francisco José Viegas 3 vezes mais do que os motoristas decanos do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
O que se pode dizer mais deste ás da estrada, deste autêntico Fitippaldi, que ainda não tenha sido dito? Nada, a não ser uma pergunta: Por quê?
Aconselho ainda as leituras dos insuspeitos Insurgente e Portugal Contemporâneo sobre esta matéria.
Ensinar e Educar
As palavras têm valor: ensinar e educar podem ser vocábulos de sentidos semelhantes, mas para a reflexão em causa, vamos argumentar no sentido da diferença. A mãe de todas as enciclopédias diz que a Educação engloba ensinar e aprender.
Poderia também ir por aí: ensinar é o que o “mestre”, “o ensinador” (desculpem o mau jeito da palavra que, confirmo, não faz parte do novo acordo), o “professor”, o que ensina faz – no sentido mais restrito, o que transmite. Num sentido mais amplo, o que faz a mediação entre o objeto de aprendizagem e o que aprende.
Aprender, normalmente coloca-se no lado do que recebe, na nossa sociedade, o aluno.
Mas, e esta é a questão: ensinar e educar não são só isto.
Educar é muito mais que escola e muito mais que ensinar! Pensem, por exemplo, no que foi ensinado nas faculdades de economia por esse mundo fora e para o que lá foi aprendido – vejam como é difente a teoria dessa gente e a prática que nos (des)governa. Como é diferente ensinar e educar. Ensinar é passar conteúdos, sejam eles práticos ou teóricos. Sejam eles andar de bicicleta ou o teorema de Pitágoras. Educar é isso, mas é também respeitar os mais velhos, não buzinar no trânsito, ouvir quando os outros falam ou não entrar de chapéu dentro da sala de aula.
Dizia em tempos um ex-ministo que o difícil é sentá-los. Ora nem mais! Hoje, como nunca – penso nas turmas C.E.F. – é impossível dar aulas em algumas turmas. IMPOSSÌVEL – assim mesmo, com as letras todas!
E é aqui que entra o ponto final desta reflexão: para o sr. comentador Nuno Crato chega ensinar, quando, de facto, o que o país precisa é que a escola eduque.
Há maternidade precoce, investe-se na Escola. Há acidentes, lá vem a prevenção rodoviária para a escola. Há droga, a Escola que resolva. Há falta disto ou daquilo e é logo culpa da Escola.
Esta instituição – a ESCOLA – é uma criação recente da humanidade e as Elites perceberam que poderia ser um instrumento de promoção social, logo, trataram de a adaptar ao que precisam, que é claro, de menos promoção social e mais reprodução das desigualdades porque essa situação garante a manutenção do poder. E quem tem o poder só precisa de assalariados cumpridores, tipo peça de uma simples máquina.
Todos os meninos ricos da linha, seja de Cascais ou da Boavista, além do colégio têm artes, piano, ginástica, esgrima, equitação. A Educação, no seu sentido mais amplo, é para as elites algo abrangente que toca o conhecimento puro e duro, mas toca também as artes, o desporto, etc…
O que fica para os pobres? Uma escola sem artes, sem desporto onde parece que só há lugar para a Matemática e o Português? E esta é, nos dias que correm, a discussão que todos temos de fazer – que escola pública queremos?
O que temos em cima da mesa é uma coisa muito simples: a Escola Pública deve ensinar ou educar?
Bola de Ouro 2011: Ronaldo, Messi ou Xavi?
E melhor treinador? Ferguson, Guardiola ou Mourinho?
A cerimónia começa às 18 em Zurique e o leitor tem até lá para dar os seus palpites. Em qualquer dos casos tem 33,33% de hipóteses de acertar.
Os meus (simpatias aparte)? Desta vez ganham Xavi e Guardiola.
PS: Foi Messi, pronto, o rapaz merece, mas Xavi também mereceria, até porque é o único dos três sem Bola de Ouro.
Angelina oferece cascata a Brad Pitt
Há quem dê voltas à cabeça para decidir o que oferecer aos seus. Não por falta de ideias, mas por falta de dinheiro. Mas há também quem dê voltas à cabeça – claro que esses são em muito menor número – para descobrir o presente ideal a dar a quem já tem tudo. Angelina Jolie – que promove causas humanitárias e é também embaixadora do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – deu voltas à cabeça para descobrir o melhor presente de Natal de 2011 para o seu Brad. Até que teve uma ideia brilhante, luminosa e musical: uma cascata!
Há gente que tem dinheiro para comprar até o que não tem preço…
A Esquerda parlamentar está contra a Democracia
O acesso generalizado a bens como a saúde, a educação ou a cultura constitui o exercício pleno da Democracia. Num país democrático, o acesso a esses bens deve ser fiscalizado, com certeza, mas tem de ser, sobretudo, facilitado.
O progresso arrasta consigo virtudes e defeitos, novos perigos e novidades extraordinárias. A possibilidade de armazenar e transportar bens culturais em formato digital constitui um progresso extraordinário, uma revolução no conhecimento, por muitos efeitos perversos que suscite.
Num país ainda em desenvolvimento, por muito que o novo-riquismo das classes dirigentes o queira desmentir, é fundamental incentivar os cidadãos a uma utilização responsável de todos os meios de formação e de informação ao dispor.
Num país em que os rendimentos desses mesmos cidadãos diminuem e as despesas aumentam, contribuir para o encarecimento de meios de reprodução e de armazenamento digital é mais um acto antidemocrático a somar aos muitos que têm sido cometidos na espiral regressiva dos últimos anos. Que uma medida dessas seja aprovada pelos partidos do costume não é de espantar; que a esquerda participe nesta estúpida unanimidade é escandaloso.
Ministro tem aulas de introdução à política
O Álvaro, o ministro que mais aspeto tem de fazer parte dos 99% mas que ainda assim consegue ser o que pior resultado tem nas sondagens relativas às preferências do povo mostrou neste sábado que anda a ter algumas aulas de introdução à política.
A propósito de uma vista de protesto, disfarçada de janeiras, por causa do ramal da lousã e aproveitando o facto de já ter anunciado previamente medidas que iam ao encontro do que os protestantes pediam, lá surgiu o ministro, em modo casual friday, como deve gostar mais de andar, junto com a familia a deixar palavras simpáticas para todos os media que lá estavam.
Correu-lhe bem, esperemos que o resto do trabalho no seu mega-ministério também corra.
Hoje dá na net: Opium Brides
Opium Brides é uma reportagem sobre a troca de crianças por dinheiro, de abusos e de humilhação numa terra sem lei. Com a entrada do exército dos EUA no Afeganistão e com a consequente remoção do poder dos Taliban, a plantação de papoila e o tráfico de ópio floresceu, transformando o Afeganistão no maior produtor mundial. Numa terra paupérrima os agricultores são forçados a aceitar empréstimos dos traficantes de droga para poderem fazer as suas sementeiras. Se não pagam, por qualquer motivo, são obrigados a dar os próprios filhos em troca.
Esta reportagem cumpre outro propósito, dá um rosto aos habitantes do Afeganistão, coisa que só muito raramente vemos na nossa comunicação social.
Em inglês, sem legendas.
“Cracolândia Privê”, pois então!
domingo, 8 de janeiro de 2012
ANO 91 Nº 30.230
Uma espécie de cracolândia privê funciona em casas e apartamentos de bairros como Vila Mariana, Bixiga, Paraíso, Penha e Bela Vista, ínforma Afonso Benites. São espaços discretos e seguros destinados à venda e ao consumo local do crack. Para entrar, é preciso ser apresentado por algum conhecido do traficante e só consumir a droga “da casa”
O Brasil está ficando chic. Chic mesmo! Se você, professor, recém-licenciado ou aluno, seguir as orientações do governo para emigrar para terras brasileiras e estiver habituado a adquirir e a consumir tranquilamente o seu ‘crack’, está safo. Se for residir para um dos bairros citados na folha de são paulo, terá a possibilidade de encontrar um traficante de confiança e, no final, aceder a uma “Cracolândia Privê” para consumir na boa o ‘ckrackzinho’ do dia.
‘Crack’ à parte, também já beneficiei. O meu vocabulário, respeitando o Acordo Ortográfico, ficou enriquecido. Sei agora que “Cracolândia” significa Terra do Crack e, em português actual e elegante, passarei a pronunciar e escrever “Privê”, em vez de Privado.
A Ler:
Numa altura em que tanto se fala sobre maçonaria. Numa altura em que tantos falam sobre maçonaria. Nada como ler uma entrevista do Prof. Adelino Maltez:
À procura do sorriso perdido
Não é preciso conhecer nenhum estudo científico para chegar à conclusão que os portugueses sorriem cada vez menos.” A situação económica e social potenciou a inibição da expressão (…) O sorriso é uma reação que advém de se viver com bem-estar e felicidade” – isso já sabemos. Apenas as crianças “continuam a apresentar mais frequentemente um sorriso largo” . As crianças não vêem as notícias e também não as querem ouvir na rádio – pedem música. Na televisão, passam os bonecos…
Lêem e vêem o que querem.
Se calhar é isso que devemos começar a fazer também, nós os adultos! Selecionar o que vemos, lemos e ouvimos, para bem da nossa saúde mental.
E há tanta coisa boa e bonita para ver/ler/ouvir.
Blogues, uma década depois, continuam vivos e recomendam-se
Uma década depois do boom, que é feito dos blogues?, pergunta o Público, para acrescentar a seguir
Uma década depois do boom, o blogue não morreu, mas perdeu mediatismo
Não é esse o caso do Aventar, nem de outros blogues portugueses. No nosso caso, e desde o início do blogue, o número de leitores e de visitas tem vindo sempre a aumentar e ainda não estabilizou. As notícias sobre a nossa morte, enfermidade, letargia ou o que seja são, uma vez mais, claramente exageradas. Mas nem sequer é verdade o que afirma o artigo sobre um certo adormecimento da blogosfera. Se, em vez de fazerem perguntas a “históricos dinossauricos”, tivessem consultado a lista do concurso Blogues do Ano 2011, chegariam à conclusão que os blogues continuam vivos. E estão melhores hoje do que no início.
Tirem os cilícios do armário e depois falamos dos maçons
Quando vejo meio-mundo a bater na maçonaria fico logo de pé atrás: historicamente isso costuma coincidir com tempos em que logo a seguir me vêm bater à porta.
Não sendo hoje a maçonaria o que já foi, sempre a instituição esteve do lado da liberdade, sobretudo no séc XIX, por muito que isso custe ao romancista Vasco Pulido Valente. E se acho a coisa hoje em dia patusca, a sua existência é o lado para onde durmo melhor.
É curioso que tendo o assunto vindo à baila de uma forma que belisca o governo veja tantos dos seus apoiantes numa desmedida e excitada caça ao maçon. Cheira a beato.
Haja aqui moralidade: Opus Dei’s, mostrem as vossas chagas, ou estão de tal forma entretidos na caça ao maçon que se esqueceram de olhar para o espelho em casa? Essa, a obra do franquista Escrivá dá-me pesadelos. Entre os do avental e os do cilício a História honra os primeiros. Os segundos são uma das mais tenebrosas organizações dos nossos dias, com um poder secreto e incomensurável, que faz dela a verdadeira herdeira da santa inquisição. O Herman mostra a diferença:
A Grana, o Coelho no Jardim e o Cavaco Sumiu
Em Portugal tinha a grana e a grana sumiu.
Alguém me traduz para português? O Acordo Ortográfico deixa-me cafuzo.
Hoje dá na net: Aguarde, por favor!
Aguarde, por favor! é uma curta-metragem de Tiago Cravidão filmada no meu bairro com a paciência e mestria de quem faz filigrana. Um bordado de luz e sombras onde se procuraram os recantos e as horas certas. Entre a beleza formal escorre o tempo de uma desempregada:
Os dias organizam-se à volta do correio electrónico, da consulta obsessiva de sítios de emprego, da deriva pela cidade e da ida ao café onde o movimento da rua parece mais lento: altera-se a percepção. Habita-se um tempo que afasta os outros: dos que estão integrados no processo produtivo, que não têm tempo, que estão sempre com pressa, de fugida, que depois dizem alguma coisa, ou que mandam um mail a combinar. (…) E escuta-se: “Passe cá noutra altura.” “Aguarde, por favor!” “Depois entramos em contacto.” “O seu curriculum fica arquivado.” “Agora, não estamos a recrutar.”
União Europeia: A Austeridade Assassina
Jeff Madrick publicou ontem no NYK blog, “The New York Review of Books”, um texto de severa crítica à política de austeridade europeia. Tem o título “How Austerity is Killing Europe”, sendo ilustrado pela imagem aqui reproduzida de um cidadão grego a passar na frente de um ‘graffiti’ em Atenas.
O artigo, embora de incidência sobre teorias económicas, está redigido e estruturado de forma clara, com análises e ideias consistentes. É transversal em relação à UE e à Zona Euro, como áreas da geografia de sistemas económico-financeiros agregados; e sobretudo é implacável para governantes e tecnocratas da governação que, convencidos de obter resultados inversos, executam políticas de assassinato da Europa. Os crimes são de diversa natureza, mas o desfecho é, de facto, empobrecer, torturar e destruir a vida de milhões de cidadãos do Velho Continente. Eis um excerto do 1.º parágrafo do artigo em causa:
A União Europeia tornou-se um círculo vicioso de dívida florescente, levando a medidas radicais de austeridade, que por sua vez mais enfraquecem as condições económicas e resultam em novas políticas agravadas do governo com cortes prejudiciais nos gastos públicos e alta de impostos.


















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