escritores chilenos – mi Gabriela Mistral

a poetisa a receber o Prémio Nobeldo Rei Sueco Gustavo Adolfo

Gabriela Mistral, 1954, ano em que a conheci, Valparaíso, Chile 

O título tem razão de ser, porque a conheci quando eu era pequeno e, desde logo, a admirei. Conhecia a sua poesia, romântica e combativa. Gabriela Mistral[1] era a leitura obrigatória da minha mãe, que gostava mais de ler que de comer. Essa devoção levou-me em curto espaço de tempo a ler a poetisa. Mal se conhecia a sua obra no Chile, apenas os Sonetos da Morte, escritos em 1914, poema com que ganhara os Jogos Florais de Santiago. Não se apresentou a receber o prémio. Tinha escrito esses versos em memória do seu grande amor, Romélio Ureta, homem fino, com quem namorou, abandonando o seu prometido Alfredo Videla, ambos maestros na escola La Cantera, da cidade de Vicuña. Gabriela Mistral era maestra de crianças e foi sobre elas que começou a escrever. [Read more…]

Como Se Fora Um Conto – O Menino e o Papagaio de Papel I

A vontade comandava-lhe o sonho e este regia-lhe a vida, que nunca fora fácil nem doce nem bonita, e enquanto pensava olhava a sua mão frágil que com a guita bem esticada segurava o papagaio voador que bem lá no alto rodopiava sem parar, olhava para cima e pensava em como gostaria de se ver lá em cima, ouvindo o ruído suave do vento, um ou outro pio de uma qualquer companheira de viagem e vendo tudo na sua real dimensão, tudo pequenino, muito pequenino, quais formiguinhas na sua labuta diária, mas não era assim, as coisas tinham o tamanho que tinham, e como que para lhe provar isso, de vez em quando o vento soprava mais forte e ele quase não conseguia segurar o cordel que lhe magoava as mãos, ora uma ora outra, que se iam revezando no esforço, com a mestria a que já estava habituado, que sempre assim fora toda a vida, sempre tivera que lutar para ter alguma coisa e a luta por vezes era renhida embora fosse bom chegar ao fim e ganhar, não como desta vez em que se sentia perdido e tonto, sozinho com o papagaio pela primeira vez, que quase não conseguira pô-lo no ar, e era domingo como das outras vezes, mas ao contrário dessas estava só, com uma lágrima por companhia.

Bom Fim-de-Semana

O cavaco prejudica gravemente a sua saúde e a dos que o rodeiam

Contos Proibidos: Uma reunião em Washington. A criação da UGT

continuação daqui

No dia 16 de Abril de 1977, teria lugar em Amsterdão mais uma cimeira da Internacional Socialista. O único acontecimento de relevo que justificava aquela reunião era exprimir solidariedade ao PSOE, que tinha sido legalizado no mês de Fevereiro e preparava as primeiras eleições livres daquele país para o mês de Junho. Helmut Schmidt era um dos presentes e dado que no dia seguinte Mário Soares partiria para a sua primeira visita oficial aos EUA ficara acordado haver ali mesmo um encontro entre os dois.
Como havia pouco tempo para o realizar, esperávamos resposta do chanceler quando este me fez sinal para ir ter com ele. Disse-me então para levar Soares para fora da sala de reuniões em que nos encontrávamos, acabando o encontro por ter lugar num vão de escada no hall de entrada. O essencial deste breve encontro seria uma análise sobre a maneira como deveria decorrer o «grande empréstimo» e a sua opinião sobre a proposta do presidente Cárter, relativa ao mesmo.
O estilo de reunião era um pouco insólito e um dos fotógrafos presentes não perderia a oportunidade para tirar uma foto que iria ser publicada em jornais de todo o Mundo. Schmidt explicaria então que o seu governo estaria disposto a participar no chamado «grande empréstimo» proposto pelo presidente Cárter, desde que o Governo português estivesse na disposição de se submeter ao rigor de um aval do Fundo Monetário Internacional. [Read more…]

Os Novos Conquistadores:

O falso Dakar, ou seja, o Rally Argentina/Chile está a ser uma maravilha para os motards portugueses.

Logo no primeiro dia o Ruben Faria venceu mas uma penalização de um minuto (excesso de velocidade) atirou para o segundo posto. Ontem, o Paulo Gonçalves venceu e nos últimos dias o Hélder Rodrigues mostrou que está “con ganas” (hoje foi segundo). Mas o herói do dia foi mesmo o Ruben que volta a ser o mais rápido e venceu a difícil etapa de hoje.

ninguém toca na minha mulher. eu preciso dela como ela de mim

eu precisso dela como ela de mim

Para nossa desgraça, hoje de manhã, enquanto tratava de cumprir os meus deveres com Aventar, a irmã de uma amiga de minha mulher foi assassinada. Não sabemos nem o motivo, nem o nome nem esse porquê necessário para entender a nossa vida. Apenas sabemos que ela colaborava comigo para Aventar, a presa, para sermos capazes de entregar um texto solicitado para hoje antes do meio-dia. Era impossível cumprir o pedido. Como é natural, Maria da Graça que sabe ironizar bem, perguntou-se com tristeza: como é que as mulheres não se sabem defender? Ripostei: nem todas, mas há muitas, como escrevi no texto que reproduzo cá para não esquecer

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O sucesso dos alunos depende pouco do meio socioeconómico

Um estudo divulgado pelo Público de hoje defende que o meio socioeconómico de origem e a idade dos alunos têm um peso de 30% no sucesso escolar dos alunos, dependendo os restantes 70% do trabalho realizado nas escolas. O estudo é, ainda, realçado positivamente no editorial do jornal.

Seria interessante ler o estudo e perceber como se consegue alcançar os valores referidos. Não o conheço e não sei se virei a conhecer, mas há algumas coisas que me intrigam.

Em primeiro lugar, das quatro investigadoras apenas uma, Maria de Fátima Pinto, está ligada ao ensino não universitário. De resto, numa investigação apressada que poderá conter falhas, descobri que Cláudia Sarrico é Licenciada em Engenharia e Gestão Industrial, Margarida Cardoso é assistente do Instituto Abel Salazar nas áreas de Bioestatística e Epidemiologia e Maria João Pires é Licenciada em Engenharia Química. Não é impossível que estas três respeitáveis senhoras possam perceber imenso de Educação básica e secundária: Rómulo de Carvalho licenciou-se em Ciências Físico-Químicas e escreveu uma monumental História da Educação em Portugal, por exemplo. É claro que há o pormenor de ter sido professor do ensino liceal durante 40 anos.

Finalmente, parece-me muito pouco científica a terminologia que divide as escolas em quatro grupos: escolas de elite, à sombra da bananeira, que surpreendem e fatalistas. Não, não estou a brincar.

Carta para o Drucas

DRUCAS
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“Drucas”, filho, que é feito de ti, que já ninguém te ouve?

Desculpa tratar-te assim com tanta familiaridade, mas a idade vai-me permitindo umas coisas assim mais a modo que atrevidotas.

Sabes, tenho andado para aqui a cogitar sobre ti.

Que se passará contigo, que depois de teres sido a nossa grande esperança e depois de teres dito tantos disparates te calaste para ninguém mais te ouvir? Nem agora na pré-campanha para as presidenciais e com os candidatos a discutirem tudo menos o que interessa ao País, te ouvimos qualquer comentário. [Read more…]

O Diário do Professor Arnaldo – Ainda o drama da fome nas escolas

No dia 19 de Novembro, escrevi o post A fome nas escolas, relativo a uma situação concreta de que tive conhecimento na minha escola e que envolvia alunos meus.
Nos últimos dias, o texto começou a espalhar-se por mail e por diversos blogues de grandes audiências, trazendo para primeiro plano um assunto que, no fundo, não tem nada de novo. Infelizmente, a fome das crianças portuguesas tem vindo a aumentar constantemente nos últimos anos, na mesma medida em que os lucros das grandes empresas tendem a aumentar.
E há em tudo isto uma questão que é decisiva: como seria se não fossem as escolas? Se não fossem as refeições providenciadas pelas escolas, muito para além daquela que é a sua obrigação legal, e muitas vezes envolvendo dinheiro dos professores, já teria havido crianças a morrer à fome.
Quanto ao caso que denunciei, só espero não ter perdido o rumo daquelas crianças. Nos Conselhos de Turma de Dezembro, ouvi uns zunzuns acerca da emigração da família para o estrangeiro. Não sei se é verdade, mas o certo é que o aluno faltou à única aula que tive com ele neste Período que está agora a começar. Também não seria novidade os pais partirem e deixarem os filhos ao cuidado de familiares. Sinceramente, não sei.
Seja como for, agradeço a todos os leitores e comentadores que manifestaram a sua preocupação e posso garantir que farei tudo o que está ao meu alcance para a preocupação de todos não tenha sido em vão. Quanto à identidade da família, como é óbvio, nunca poderá ser revelada publicamente sem autorização.

Luvas "sujas"


Em Portugal, para liquidar-se um regime, apenas se requer a criação de um não-tema. Qualquer coisa que alimente os sonhos de vingança, açule a inveja pelo chinelo do vizinho e seja susceptível de corresponder à máxima popular de “quem conta um conto, acrescenta um ponto”, terá um inesgotável manancial para estorietas. Nos tempos de Pombal, existia a “conspiração nobiliárquico-jesuíta”, copiosamente reproduzida cento e cinquenta anos depois pelo sucedâneo PRP. Após as invasões francesas, acentuou-se a quase fábula do “absolutismo” e criou-se a lendária pugna pela “liberdade e representatividade”, mesmo que isso significasse a clausura do país inteiro, nos ávidos cofres de uma mão cheia de oportunistas bem instalados. Com a República, foi o que se sabe, desde as maluquices positivistas do Teófilo, até ao repescar do libelo condenatório de Maria Antonieta, aqui tendo como alvo a Rainha de Portugal que por si, valia mais do que todos os directórios republicanos juntos, fossem eles os dos Centros políticos sitos ao Chiado, ou os das tabernas alçadas a Academias. Bem vistas as coisas, estamos como sempre, perante a real proporção das coisas. Quando na Alemanha e cada um à sua maneira, Marx ou Hegel escreviam e vociferavam, sendo acompanhados na invenção de uma outra história tão nebulosa como as óperas de Wagner, por uma plêiade de homens dados “às novidades” do seu tempo, aqui em Portugal tirava-se o chapéu perante o citado Teófilo, génio incomparável entre aqueles outros que no Casino também souberam interpretar, ou melhor dizendo, inventar um passado tão credível, como a felicíssima e dourada “época do municipalismo” medieval de Herculano. Contentamo-nos com pouco, tudo se reduzindo a uma mudança de bandeira, esta com as tais “cores positivistas”, por mais negativas que elas se tenham mostrado.

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A professora que falava de sexo

A professora Josefina Rocha, da Escola EB 2,3 Sá Couto, em Espinho, será julgada, acusada de ter ofendido e humilhado duas alunas. Espero, em primeiro lugar, que a professora seja condenada ou considerada inocente, o que é tão óbvio que merece ser reafirmado. Estranhamente, para o leigo que sou, o juiz terá afirmado que os indícios apontam para “uma provável condenação da arguida.”

Depois, gostaria de vir a perceber a importância que a gravação da aula, realizada à revelia da professora, teve, efectivamente, no processo, sobretudo tendo em conta outras decisões tomadas pela justiça acerca de escutas. Será, também, importante saber que riscos poderá vir a correr qualquer professor cujas aulas possam ser gravadas sem o seu consentimento. Para quem estiver interessado em ouvir, é anunciado que poderá descarregar aqui um ficheiro mp3 com a célebre gravação.

Entretanto, considero absolutamente lamentáveis as escolhas dos títulos do Público (“Professora que falava de sexo nas aulas de História vai a julgamento“) e do Correio da Manhã (“Professora que falava de sexo vai ser julgada“). Não é preciso saber muita gramática para perceber que aquele imperfeito (“falava”) serve para transmitir a ideia de um hábito, de um acontecimento frequente. Ora, tanto quanto sei, a professora está a ser julgada por causa do que aconteceu numa aula e não por ter o hábito de falar de sexo em todas as aulas.

Finalmente, e dentro dos limites éticos da profissão docente, não sei como é possível ensinar História ou Literatura, por exemplo, sem falar de sexo, de política ou de religião, por exemplo. Se o politicamente correcto americanóide vier a impor-se, estou a ver muito professor a ser obrigado a engolir a cicuta.

Guerra da Guiné (pequenas memórias)

Bigene

Bigene, no norte da Guiné, perto da fronteira do Senegal, foi a minha segunda e definitiva estadia. Como disse em artigo anterior, uma Dornier fora buscar-me a Canquelifá, trazendo-me para Bigene, onde a última companhia de farda branca aguardava a rendição.

 A despeito das más recordações que esta companhia deixou, em termos de crimes sobre a população nativa, consegui fazer alguns bons amigos. E foram esses amigos que me contaram as atrocidades cometidas, especialmente por um capitão cujo nome não vejo necessidade de revelar, sobretudo a tantos anos de distância. Apenas refiro que era denominado “o assassino” de Bigene, e era, infelizmente, acolitado pelo médico.

 Residia na povoação um comerciante de Braga, o Sr. Hilário, e um senhor já de alguma idade, Sr. Reis Pires, pai de dois rapazes atletas do Benfica. Ambos estes homens me contaram coisas de bradar aos céus que eu evito relatar. Apenas dois pequenos pormenores, que darão ideia da dimensão dos restantes crimes. Pouco depois de chegar, abeirou-se de mim um furriel com um colar de orelhas ao pescoço. O outro pormenor decorreu do facto de resolvermos cavar algumas trincheiras, após a saída da companhia, a fim de ligarmos os abrigos às casernas, aos quartos e à enfermaria, e encontrarmos restos humanos nas escavações, alguns deles só parcialmente decompostos.

Quando chegou a 1547, a minha companhia de origem, comandada pelo capitão Vasconcelos, um homem culto e bem formado, com o curso de Germânicas, de quem me tornei grande amigo, outra vida nasceu naquela gente e naquela povoação. Irei contando algumas coisas desta nossa vivência em Bigene, sector de Farim, coisas que me pareçam com algum interesse, mas sem preocupações cronológicas. [Read more…]

Candidatos presidenciais 2011 – Manuel Alegre

candidatos presidenciais - Manuel Alegre

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Tua, Corgo, Tâmega, Sabor, Vouga, Dão

saber ensinar

Para a família Isley: May Malen que ontem fez um ano, a minha filha Camila (nascida Iturra-González), que hoje está de aniversário e para o nosso genro Felix Isley, nascido a 8 de Janeiro. No meio do mês, será o meu… Comemorações, entre 1 ano e os sessenta e muitos!

saber ensinar é saber criar, como Adão e a sua divindade por Michelangelo

É uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?

Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.

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Purdey, a espingarda preferida de Manuel Alegre


Depois de se saber que Manuel Alegre vendeu, por 1500 euros, um texto sobre o valor do dinheiro, é altura de nos debruçarmos sobre outras questões que na altura passaram despercebidas.
Ao que parece, a espingarda preferida de Manuel Alegre é a Purdey – uma arma só ao alcance dos ricos e que custa a módica quantia de 20 mil euros. Infelizmente, segundo o próprio, «o vencimento de ordenado é uma pelintrice» e por isso não pode comprá-la. Foi então que, segundo o próprio, « a revolta anticapitalista começou a ferver dentro de mim».
O pobre deputado, agora candidato a Presidente da República, terá de se contentar – sei lá – com uma Springer. Do mais barato que há! Não é muito potente, mas lá, na imensidão da Lezíria, sempre dará para matar umas quantas perdizes e até um Cão (Como Nós).
Coerente, o candidato a inquilino de Belém, e curiosa a sua referência a Francisco Louçã…

Violência infantil

É a terceira estalada que a gaja à minha frente dá na filha de 4 anos. Porque anda a saltar de um lado para o outro, porque não pára quieta, porque sim.
Estremeço por dentro, mas olho à minha volta e parece que ninguém no café dá por isso. A empregada diz que a criança é mal educada, a mulher ao lado da mãe vira-se para a miúda e diz «És má, és má».
E ninguém olha para a mãe – eu olho-a nos olhos com desprezo, mas infelizmente, não tenho coragem de me levantar e dar dois pares de estalos na fronha daquela puta. No fundo, sou tão culpado como ela.

Avisem a JP Sá Couto:

Pois quando o nosso Primeiro souber vai deitar fora os Magalhães…

Adenda: O Albergue faz hoje um ano.

Cavaco, o turbo-professor e o seu processo disciplinar

Conta Luis Grave Rodrigues:

Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa.
Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.

Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.

Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.

Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.

Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro.

E onde foi parar o dito processo disciplinar? ao limbo, ao lixo, ao arquivo? Pode ler o resto desta interessante narrativa. Eu finalmente percebi a espantosa carreira política de Deus Pinheiro, a maior anedota que passou pelo Palácio das Necessidades nas últimas décadas. E mais uma vez confirmei que Cavaco Silva quando está sozinho é o mais honesto dos honestos presentes naquela  sala.

escritores chilenos – Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, el deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La

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Fernando Ulrich (BPI) ou as dúvidas de um banqueiro

Membro da comissão de honra de Cavaco Silva e administrador do BPI – posições, aliás, irrelevantes –Ulrich veio a público lançar dúvidas sobre a relação CGD – BPN. Terá a Caixa beneficiado da transferência, para os seus activos, dos dinheiros depositados no BPN? Eis a questão do desassossego de Ulrich.

O destino do dinheiro é, ao que parece, causa provável de insónias do banqueiro. Já o  Estado ter injectado à volta de 5 mil milhões de euros, na promíscua instituição BPN, deixa Ulrich imperturbável. Que  a origem do dinheiro seja o erário público, em grande parte suportado por impostos cobrados a cidadãos de baixos salários, ainda o deixa mais indiferente. Primeiro a banca e em último dos últimos o povo do trabalho, do desemprego e de vidas amarguradas.

Outra curiosidade: Fernando Ulrich afirmou haver muita coisa do BPN por saber. Há certamente. Mas, adiantamos, também se sabe com rigor que ex-governantes cavaquistas, com Oliveira e Costa e Dias Loureiro à cabeça, têm fortes responsabilidades no caso Só que sobre este capítulo, e por certo em ordem a obedecer ao sacro-santo segredo de justiça, Ulrich opta por esquivo silêncio. “Compreendi-te”, diria o histórico Vasco Santana, de voz cheia e embriagada, ao estilo do ‘Pátio das Cantigas’. Ai esta vida de banqueiro…, entoamos nós.

Contos Proibidos: Memórias de um PS Desconhecido. As primeiras negociações com o FMI

continuação daqui

«Nas negociações que conduziu com Portugal, o Fundo Monetário Internacional não exigira ao governo do Partido Socialista que apresentasse uma moção de confiança e existia mesmo, por parte dos países que avalizariam esse empréstimo, uma grande pré-disposição para ajudar Portugal. Mário Soares era visto com enorme simpatia quer nos EUA quer na Alemanha, principais parceiros do chamado «grande empréstimo» de 1,5 mil milhões de dólares.
Francisco Salgado Zenha tinha sido o pioneiro dessa ajuda internacional, quando em Março de 1976, enquanto ministro das Finanças, estivera nos Estados Unidos com o embaixador Frank Carlucci que apoiava plenamente a ideia. Nessa altura «Francisco Salgado Zenha sensibilizou Kissinger para esse assunto, quando visitou Washington em Março de 1976, e Carlucci deslocou-se especialmente aos Estados Unidos para advogar medidas de emergência, tendo a sua acção sido decisiva, designadamente pelos esclarecimentos que prestou ao Congresso, deixando de Portugal a imagem de um país em recuperação».
Tendo assistido e até participado em grande parte das conversas e negociações sobre o chamado grande empréstimo e seus antecendentes, posso assim garantir que se deve essencialmente a Salgado Zenha todo o trabalho pioneiro nesta área. 0 que revela uma tese completamente diferente da que os «serviços de contra-informação do PS lançariam em 1976, para justificar o seu afastamento do I Governo. [Read more…]

A caça aos gambozinos

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«A associação [ACAPOR] não representa os detentores dos direitos dos videos partilhados na Internet. Mas esta prática de partilha, disse Nuno Pereira, levou à crise dos videoclubes. “Os nossos associados estão a ser verdadeiramente chacinados. A fecharem lojas quase diariamente, não é possível manter esta indústria”.» no Público

Realmente, há qualquer coisa com a malta dos videoclubes. Para além da agenda mediática, há a questão dos argumentos.

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A estética segundo Eduardo de Pitta

Foi pelo Nuno Castelo Branco que soube que a Câmara Municipal de Lisboa acaba de aprovar, com o beneplácito do ético António Costa, um execrável mamarracho (foto da esquerda) para o gaveto das ruas Alexandre Herculano e do Salitre, em pleno Largo do Rato.

Pelo Tiago, do 5 Dias, fiquei a saber que o grande socratista Eduardo de Pitta elogia muito o projecto e acha que o Largo do Rato ficará muito melhor do que está hoje (foto da direita).

Nada de surpreendente na forma como Eduardo de Pitta vê a arquitectura e a estética. São gostos e gostos não se discutem. Afinal, não se esqueçam de que para ele e para o seu amigo estas são lindas mansões.

Como Se Fora Um Conto – Ano Novo, Vida Nova?

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Como seria bom que o novo ano de 2011 nos trouxesse realmente uma vida nova.

As crises que travessamos, a internacional e a interna, podem e devem ser aproveitadas para mudarmos a nossa maneira de ver as coisas, o nosso entendimento da política e dos políticos, o nosso olhar para o estado de Portugal.

A crise interna, que para além de económica é acima de tudo de valores, pode ser mais facilmente ultrapassada com mais e melhor educação, com mais e melhor ensino, com mais e melhor cultura, e também com mais e melhor democracia.

O nosso país não cresce há mais de dez anos, todos os números são maus, todos os indicadores estão no fundo da Europa, excepto claro, os que o governo lê ou quer ler, e nos impinge quase diariamente, numa lavagem cerebral digna do melhor vendedor da banha da cobra. [Read more…]

Défice – responsáveis e responsabilizados

Um dos meus prazeres quotidianos consiste na leitura das crónicas de Manuel António Pina, na última página do JN. O prazer não desaparece nas raras ocasiões em que discordo do conteúdo.

Neste texto, o cronista faz uma chamada de atenção justíssima para a necessidade de o jornalismo evitar ser confundido com a mais antiga profissão do mundo, a propósito desta notícia saída no i e já comentada aqui.

O jornal visado tem, efectivamente, uma tendência tablóide na escolha das notícias e na criação de títulos, que são, frequentemente, menos engraçados do que pretenderiam os seus autores. Deste ponto de vista, a crítica de Manuel António Pina às deficiências do exercício jornalístico parece-me justa. Julgo, no entanto, que a excessiva atenção dada aos defeitos alheios estará a impedi-lo de descobrir o meretrício praticado pelo jornal em que escreve, com um critério editorial que usa ligas e pisca o olho ao poder.

Ora, a notícia do i poderá ser extemporânea, mas não serôdia. Na verdade, o que ali se conta é um dos muitos exemplos de um exercício irresponsável da política. O problema está na multiplicação desses exemplos e na consequência do costume: todos estes buracos orçamentais acabam por ser pagos por quem não os abriu. Os responsáveis foram demitidos, é certo, mas isso significará que foram responsabilizados?  

Como Se Fora Um Conto – O Natal e o meu dia de Reis

Durante muitos anos, nos meus tempos de ganapo e mais tarde de adolescente, a noite de 5 de Janeiro era uma perfeita e completa chatice.

Meu pai, não dispensava ao jantar, o bacalhau e as batatas e as couves e o polvo cozidos, e o vinho tinto (que eu não podia beber por causa da idade, só a água me era permitida) e o pão e os doces (que eu detestava) e mais nada! Em tudo igualzinho aos jantares do dia 24 e do dia 31 de Dezembro. Chamava-lhes a consoada de Natal, de Fim de Ano e de Reis. O problema era que tal como a consoada do dia 31, esta não tinha as prendas do Menino Jesus no sapatinho, e para além disso e também ao contrário desta e da do dia 24, não era feriado no dia seguinte. [Read more…]

O estado comatoso do ensino em fim de ciclo político

Por SANTANA CASTILHO

Poucas semanas volvidas sobre a divulgação pela OCDE do “PISA 2009” e o consequente discurso encomiástico do Governo, veio a público o “Projecto Testes Intermédios. Relatório 2010”, um instrumento de avaliação do desempenho dos alunos portugueses, da responsabilidade do Gabinete de Avaliação Educacional do Ministério da Educação.
Que podemos retirar deste relatório? Que os alunos portugueses raciocinam mal e escrevem pior; claudicam quando solicitados a relacionar conhecimentos a que foram expostos em disciplinas diferentes ou a construir um raciocínio lógico, ainda que simples e utilizando informação explicitada no corpo do próprio teste; quando se exprimem ficam-se por níveis elementares de proficiência, longe do rigor frásico e revelam-se ignorantes gramaticalmente; têm manifestas dificuldades em ultrapassar o nível básico na resolução dos problemas colocados, seja qual for a área disciplinar em análise, com incapacidade de ultrapassar o que não seja elementar, simples e curto. Particularmente no ensino secundário, o relatório identifica a falta de rigor científico e a manifesta dificuldade de construir ideias próprias ou lidar com raciocínios demonstrativos.

Aparentemente, há uma contradição insanável entre os dois estudos em análise. Mas não há. Eles chegam a conclusões semelhantes, usando metodologias distintas, o que reforça a solidez do diagnóstico sobre a mediocridade do ensino nacional. O que foi diferente foi o tratamento mediático e a manipulação triunfalista que Sócrates fez do “PISA 2009”. [Read more…]

Centrifugação de Cavacos

A boa e a má moeda, lembram-se?

Sistema exclusivo contínuo de separação de cavacos provenientes de todos os processos de usinagem, durante o processo de centrifugação o óleo pode ser até 100% reaproveitado e o cavaco também livre de impurezas pronto para os processos subsequente.

Encontrado pelo João Pedro Figueiredo