O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

[Read more…]

Exactamente, Alberto Gonçalves: Portugal está perigoso.

Faz hoje três meses, o Fernando Moreira de Sá escreveu sobre a saída do Alberto Gonçalves do DN, e deixou-me o José Vítor Malheiros e o Público, sobre os quais na altura não escrevi, porque, ao contrário do DN, que deixou intacta a restante ala direita, o Público continuou a despachar a esquerda. Seguiram-se Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho. Hoje regresso a todos eles, porque Portugal está perigoso. Para o Alberto Gonçalves mas sobretudo para a esmagadora maioria da opinião publicada à esquerda. Nos jornais como nos comentários televisivos.

No caso de Alberto Gonçalves, este da Sábado, não o do DN, um toque de fina ironia merece ser destacado. Ver um proeminente liberal, alegadamente sacrificado no altar capitalista com um contrato indigno, indignado porque prescindem de parte dos seus serviços, não perdendo tempo para fazer acusações como as que podemos ver em cima, faz lembrar aquele cliché da direita do esquerdalho que arranja desculpas para justificar os seus insucessos profissionais. Então o dinheiro não é do patrão e não é ele que decide? Até aqui estava tudo bem, agora a liberdade poderá ter chegado ao fim e a purga não poupa quase nenhum daqueles que tornava a Sábado legível. Tem a sua piada. Será que também correram com o Nuno Rogeiro e ninguém nos avisou? Estes comunas do grupo Cofina… [Read more…]

O Público e os empatas

esquerda_empata

Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor. [Read more…]

Pela Escola Pública de todas as cores

Vamos para Lisboa de comboio.

Geringonça

Temos um novo player para seguir com atenção:

“A Geringonça é um exercício colectivo de opinião à esquerda e informação às direitas, orientado por uma agenda que todos entendemos ser necessário discutir publicamente, independentemente da esquerda que aqui nos trouxe”

Tiques e decisões: a propósito da prova final de quarto ano

critériosComecemos por algumas declarações de interesses: estou contente por ver Passos e Portas despedidos, estou muito contente por ver Cavaco com cara de quem teve uma paragem de digestão, estou satisfeitíssimo por ver Nuno Crato apeado e não estou contente por ver regressar ao governo gente sinistra como Santos Silva, membro da clique socrática que se dedicou a demolir a Educação. O meu coração de esquerda deseja, ainda assim, que se possa compensar o mais possível os desmandos de quatro anos de pressão sobre os mais fracos e sobre a administração pública, quatro anos da mais absoluta cobardia política, quatro anos em que uma maioria absoluta pisou demasiado e demasiados cidadãos, em nome de valores desumanos.

No que respeita à Educação, o meu coração de esquerda, no entanto, acaba, muitas vezes, por  sangrar. Na verdade, e graças a eventuais boas intenções (que, como se sabe, enchem o Inferno), há tiques de esquerda que levam a que se tomem decisões com base em reacções ideológicas e não numa reflexão aprofundada e abrangente. Foi o que aconteceu com a revogação das provas finais de quarto ano, medida que parece basear-se mais numa reacção alérgica às parecenças entre esta prova e os exames do tempo da outra senhora. [Read more…]

Já estou na fila

vez

para ser ouvido.

O antigo dono disto tudo?

Eu sei que o mundo não é a preto e branco, embora, por estes dias, tudo pareça flutuar entre o laranja e o vermelho. E, até por isso, vou entrar no desafio e questionar o Carlos Garcez Osório: Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, entre a “nova dona disto tudo” e este tipo de pessoas que agora apresento em vídeo (ao minuto 7.50), será que a escolha a fazer, resulta em alguma divergência entre nós?

Obviamente, não estou a fazer trocadilhos foleiros. Estou a falar da substância do conteúdo do que vai na mente deste tipo.

Sublinho algumas palavras que até poderiam passar em branco, coisas deste género”as meninas do bloco de esquerda”, “esganiçadas…”

Mas, daquele orifício do sistema digestivo do senhor saiu algo verdadeiramente inacreditável: “não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada.”

Será que o personagem costuma pagar? É isso.

“Contra o marido, lá em casa (…) Com o tempo iriam colocar o personagem fora de casa e a coisa até poderia continuar…

E o aborto, e o casamento e a adopção…

Ainda há dúvidas sobre a evolução social que os acontecimentos de ontem reflectem?

Nunca como agora está clara a divisão em Portugal, entre o poder de alguns, suportado no passado e nas tradições e o poder, partilhado e construído por todos, suportado na evolução permanente da sociedade.

Pode e deve haver divergência económica, cultural e claro, social. Mas, não podemos querer voltar à idade média, ou podemos? Portugal não é o que este senhor defende e, também por isso, a votação no Parlamento mostra de forma clara o que Portugal pensa sobre algumas das coisas que este personagem defende.

E, para terminar, finalmente descobri que para ele a tradição é um elemento estrutural da vida em sociedade. Não deve, estou certo, questionar as mulheres que são mortas, todos os anos, às mãos destes medíocres. É da tradição!

Nem os mercados

Então temos a bolsa de Lisboa a subir, com as acções do BPI e do BCP em alta? Ao que isto chegou. Bandalhos de esquerda a manipularem os mercados.

Uma coligação exigente

É disto que eu gosto no Aventar – nunca temos o presente como o futuro que queremos ter.

Somos exigentes e queremos sempre muito mais.

Muitos, no Aventar (no país?), há anos que sonhavam ou antes, desejavam, um governo de esquerda. Os escritos da ala esquerda aqui do corner, sempre sublinharam o que nos unia, muito mais do que aquilo que nos separava. Sistema Nacional de Saúde? Escola Pública? Segurança Social? Podemos ou não encontrar pontes entre nós?

Era para mim tão óbvio o sim, que só pensava no dia em que toda a gente conseguisse ver o que me parecia evidente. Claro que também para mim, especialmente com José Sócrates, o PS se encostou, em algumas áreas, excessivamente à direita. Mas, faço minhas as palavras de Ana Benavente:

“Por mim, celebro o diálogo à esquerda. Rompeu-se um tabu. Viva a liberdade. Sempre estive muito mais perto do PCP e do BE do que do PSD ou do PP. Na acção, na vida, nas propostas e nas lutas.”

E, podemos e devemos, continuar a ser exigentes. Não imagino sequer, por exemplo, que a CGTP se transforme na UGT, estando para o Governo de Esquerda como a UGT esteve para os radicais de direita. Na educação, não tenho dúvidas que nunca o militante comunista Mário Nogueira se vergará a um Ministro da Educação como o militante laranja João Dias da Silva se vergava perante Nuno Crato. Aí, estamos todos de acordo.

Estaremos na rua sempre que se justifique e não deixaremos de apresentar sempre aquilo que são as nossas exigências. [Read more…]

A esquerda e um novo encontro com a história constitucional

Santana Castilho*

As afirmações que se seguem são correctas no essencial, ainda que uma análise mais longa pudesse melhorá-las, com detalhes:

  1. Nos 41 anos da nossa democracia, o PS suportou demasiadas vezes políticas de direita, corroendo, assim, a sua matriz ideológica.
  2. Porque o PS, finalmente, resolveu fazer diferente e negociar com o PCP, PEV e BE, logo soaram as trombetas do alarme social e financeiro, sopradas pelos monopolistas do “arco da governação”.
  3. A tradição de desentendimento político entre a esquerda e a acusação sistemática de que PC, PEV e BE preferiam o protesto à responsabilidade de governar, agora que parecem em vias de reversão, viraram virtude para os arautos da inevitabilidade. Assumiram-nas como garantidas e aterroriza-os a hipótese de se ter fechado esse ciclo.

[Read more…]

Perpendiculares e não coincidentes

Fazer o óbvio, em política, nem sempre tem sido a distância mais curta entre as práticas dos governantes e a vida de cada um de nós.linhas

E, para a direita, tal opção geométrica resultou numa equação simples – juntar duas linhas bem distintas: o PSD e o PP – e criar uma nova realidade matemática em que duas linhas se transformaram numa só. No entanto, tal fusão, deixou de fora a social democracia e por isso, há tanto PSD com os pés de fora.

À esquerda, em 41 anos, tivemos duas linhas paralelas que, apesar dos pontos de contacto, teimaram em fazer um caminho paralelo, sem nunca se encontrarem.

Para surpresa da direita conservadora, descobriu-se, há uns dias, que é possível juntar duas ou mais linhas, sem que, obrigatoriamente, se tornem imediatamente coincidentes.

E esta é a chave da questão – manter três linhas em movimento, com contactos nos pontos em que o povo fique a ganhar. Ora, tal objectivo está mais do que alcançado, até porque foi essa a opção eleitoral dos portugueses.

PS, BE e PCP já se entenderam e agora só falta o mais complicado: fazer o óbvio.

Nota: para os Proenças e Assis, a quem a direita dá palco fica uma questão geométrica: a quadratura do círculo. Liguem ao Pacheco Pereira, que ele explica.

 

Um governo do PS

com o apoio da esquerda é SEMPRE melhor que um da direita com o apoio do PS. Subscrevo, as palavras de Carlos César.

Da fidelidade à política

«O PS, enquanto partido, só pode sobreviver no futuro, fazendo o que está a fazer, apesar dos ataques de Assis e acólitos seguristas.» [Maria João Cantinho]

Ciudadanos e Podemos ” à porta ” do governo espanhol

espanha

A sondagem do ” El Pais “, publicada hoje, relativa às eleições gerais espanholas marcadas para 20 de Dezembro é muito interessante comparada com os resultados das últimas eleições legislativas em Espanha.

Esta sondagem dá uma perda de mais de 80 deputados para o PP do actual presidente do governo, Mariano Rajoy. O PSOE, de Pedro Sánchez, também aparece em perda, mas mais moderada, com menos 10 a 15 deputados.

Mas a grande surpresa são os dois novos partidos, os Ciudadanos, de Albert Rivera, que poderá chegar quase aos 90 deputados e o Podemos, de Pablo Iglesias, que poderá ter mais de 45 deputados. A mesma sondagem diz-nos que o conjunto dos outros partidos de esquerda poderão alcançar 40 deputados.

[Read more…]

Calma no barco

Espero que os partidos de esquerda, chegando, como é minha expectativa, a um acordo, não o publiquem antes do dia em que derrubem o governo PàF. A confidencialidade tem sido, até agora, exemplar, para desespero da nossa imprensa tablóide e dos telejornais predadores. É que se o eventual compromisso for assinado e conhecido antes de tempo – e a pressão para que o seja é tremenda -, passará a ser a matéria exclusiva de pasto para o parasitismo comentatório, cuja prática generalizada de batota e vigarice informativa é consabida e, sobretudo, irá transformar-se no conteúdo exclusivo do debate na AR, já que a direita, ciente da indigência do seu próprio programa, não deixará de tentar desviar dele as atenções como já fez, de resto, durante a campanha eleitoral.

Escândalo no Parlamento

O Presidente da Assembleia da República foi eleito pela maioria dos deputados!

É um facto: a malta da esquerda não se entende

Ferro Rodrigues eleito presidente da Assembleia da República com 120 a favor.

Anti-europeísta em que aspecto?

indexTenho um amigo que responde frequentemente aos interlocutores com um desconcertante “Em que aspecto?” Resulta sempre. Imagine-se uma ameaça de agressão física:

– Vê lá se queres levar na tromba!

– Sim, mas em que aspecto?

Também serve para responder a comunicações inócuas:

– Vou à casa de banho.

– Em que aspecto?

Como vêem, o absurdo pode ser simples e está ao alcance de todos. Fiquem à vontade para usar, porque, no mínimo, será fonte de descontracção.

O absurdo, no entanto, tem um problema: por vezes, faz sentido. Ontem, quando Cavaco Silva, espumando, acusou certos e determinados partidos de serem anti-europeístas, saiu-me um “Mas anti-europeístas em que aspecto?” E a pergunta fez sentido.

Já se sabe que a expressão faz parte de um conjunto de chavões utilizados por pessoas perigosamente destituídas, mas não é má ideia pensar um pouco mais sobre o assunto. [Read more…]

Ai, é assim que queres brincar?

Então, vamos a isso: à Esquerda, entendam-se e escolham um só candidato a Belém! Começaremos a mudança por aí.

Direita e Esquerda

É da natureza das coisas. Um dia ia acontecer. À direita, estão de acordo em tudo.

“Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita”, CGO, no Aventar

“A representação binária do Parlamento configurada na oposição direita/esquerda é destituída de qualquer tipo de solidez doutrinária ou política.” Assis, no Público.

Aliás, a defesa de trabalho com direitos, a defesa da escola pública em oposição à aposta no cheque ensino, a valorização do sistema nacional de saúde em oposição às seguradoras e aos bancos na medicina privada, são meros detalhes. Nada disso existe. Esquerda e direita é tudo a mesma coisa. Só é pena que os eleitores não pensem assim. Tirando isso, é motivo de sorriso aberto esta convergência entre as direitas. [Read more…]

Canhota

mug

Como registo inicial de interesses, deixem-me dizer que não acredito na dicotomia entre esquerda e direita. Mas como até na ciência se trabalha com conceitos que se sabem ser falsos ou inexistentes para facilitar a investigação, vamos utilizar essa geometria política para adiar uma discussão que terá, forçosamente, de ser feita mais tarde e que determinará, felizmente, a alteração estrutural do sistema político atual.

Assim, o que é a esquerda de que tanto temos ouvido falar nos últimos dias e que dizem, dichosamente, vai ser governo em Portugal? Pois. Boa pergunta. Pelo que eu pude ler, ninguém sabe muito bem o que é. Melhor, num escrutínio ao que se tem escrito, a conclusão óbvia é que a tal “esquerda”, aquela que tem a maioria dos deputados, é uma realidade, puramente, virtual. É um ente etéreo que se solidificou nas mentes de alguns para justificar o injustificável. Obviamente que esses iluminados fabricam essa miragem sem qualquer interesse pessoal. Obviamente. Tal e qual o novo alfaiate do rei no conto de Hans Christian Andersen.

[Read more…]

À saída de Belém

António Costa marca um momento histórico da Democracia Portuguesa: “Dissemos ao PR que, em face dos contactos com o PCP e BE, estamos em condições para formar governo com suporte maioritário no parlamento e estável.”

Sim. É mesmo isso, se Carlos Abreu Amorim e Luís Menezes estão contra, é porque deve ser bom para o povo.

Pensar o conceito de crescimento

«A esquerda pode e deve ser pioneira na defesa da prosperidade em lugar do crescimento económico. Este conceito prova ser tão mais necessário quanto as desigualdades não param de aumentar, em Portugal e no planeta.»
[«Esquerda e Ecologia», Jorge Pinto, n’O Irrevogável]

PaF não é Madrid

Sim, não somos a Grécia, mas poderemos ser como Madrid? Quem teve mais votos? Quem governa?

Ser radical no dia 4 de Outubro

Isabel_Moreira

«É radical, no verdadeiro sentido da palavra. A nossa escolha é radical. Dia 4. Manter PSD e CDS no poder ou votar para os derrubar. A segunda hipótese chama-se PS. Qualquer voto no BE ou no PCP é um voto na direita. É no que a direita aposta. Na dispersão da esquerda. Dia 4 é um dia radical. Ou PSD e CDS ou PS. Os homens e as mulheres de todas as esquerdas têm o nosso destino colectivo nas mãos. Não o dividam. Dividir não é, dia 4, nem patriótico, nem de esquerda.»
Isabel Moreira

Ser radical a sério, radical-mesmo, será outra coisa, claro, embora a perspectiva de Isabel Moreira (fazendo tábua rasa do evidente eleitoralismo do enunciado) encontre sustentação na obstinação sectária do BE e do PCP em não alinhar numa solução governativa de compromisso. Bem como na trágica (trágica para o povo) incapacidade do PS para ser aquilo que anuncia que é: socialista. Nesse sentido, talvez apenas o Livre/Tempo de Avançar seja suficientemente radical para o híbrido PS, uma vez que à esquerda são os únicos que parecem estar disponíveis para a união. A História pós-25 de Abril pesa, bem sei, bem sei. Mais interessante (interessante para o país e para a Europa), e até mesmo radical, seria a convergência de uma esquerda pragmática, empenhada em agir sobre aquilo a que a direita chama, com propriedade (em todos os sentidos, também literais), a realidade.

É da esquerda, é da esquerda, da esquerda…

11753730_616715145132639_1541757624538673740_n
via FB do Alex Gozblau

Maré republicana no estado espanhol

barcelona

A menos que o PSOE decida suicidar-se ainda mais (e não parece que o vá fazer) à direita e extrema-direita do PP resta governar uma grande cidade peninsular, Málaga.

Tendo conseguido segurar a sangria para a nova direita de cara lavada, Ciudadanos, pode criar a ilusão a cegos que não queiram ver de ter tido enquanto partido mais votos que os restantes concorrentes. Mas ao contrário do nosso sistema autárquico, os poderes locais e regionais no estado espanhol são parlamentaristas, e quem fica em primeiro só governa em minoria com o acordo da maioria, tudo indica que não será o caso.

Coisas que se aprendem:

– onde a esquerda soube recriar frentes populares republicanas e de esquerda, ultrapassou todas as expectativas: Barcelona tem uma alcadessa vinda da luta nas ruas, e Madrid poderá ter uma defensora dos direitos humanos a governá-la. O mesmo podemos dizer que sucedeu na Galiza, sendo de notar que nesses locais o PSOE (e o BNG) foram arrasados.

– essas frentes alargaram, e muito, os resultados do Podemos, vítima de uma campanha de calúnia e difamação que relembra injecções atrás da orelha, com toda a força mediática do poder das castas. Não basta um novo partido, é preciso alargá-lo em movimento.

– a Esquerda Unida apenas se salva nas Astúrias. O sectarismo das  vanguardas um dia termina por pagar a conta, e em versão estalinista (PCPE) nem aparece no mapa.

E agora tudo se joga na Grécia: é mais que sabido que a chantagem sobre o governo grego visa impedir uma viragem à esquerda em Novembro (e ibericamente falando também em Outubro). Ai as cartas estão na mesa: em Junho, ou há acordo, ou a Grécia (onde o Syriza continua a ter mais apoio popular do que teve votantes) não paga aos credores. Haja confiança.

O problema da esquerda

Eis que a Marisa Matias coloca o pontinho no i: são egos, senhores, são egos.  E tantas orelhas ficaram a arder.

Vieram mais cinco

Pelo estúpido método de Hondt se a CDU tivesse mais cinco votos o PSD perdia a maioria absoluta, fora a estrondosa subida da esquerda ser ainda maior. Alguma vez teria de calhar uma vigarice dar jeito.

Não lemos nada disto na segunda-feira. E é portanto tempo de devolver a toda a direita, não apenas ao PS, o recado: votaram, contrariaram as sondagens (que chatice, Paulo Portas): há ou não que tirar lições daqui para todo o país?

Não abusando, há e não há. O absolutismo madeirense acabou, o que até seria uma vitória liberal se estivéssemos no séc. XIX, a esquerda progride e…

…não volto a assinar este texto porque a malta de esquerda não faz batota. Unam-se, caralho, deixo o repto, agora em versão mais norte.

Adenda: parece que o erro nem estava nos votos nulos, mas numa acta falsificada. O 25 de Abril chegou hoje à Madeira.

Adenda seguinte: afinal o PSD continua com hilaridade absoluta.

Próximas adendas possíveis: O partido do Marinho não concorreu mas ganha por nulidade absoluta. Ronaldo assume a presidência do governo regional da Madeira. Cristiano demite-se, assumindo que não estava preparado para lances de bola parada.