Esquerda – destinada a perder?

No Público de hoje, Maria de Fátima Bonifácio assina um texto, a Impotência da Esquerda Radical, que longe de ser integralmente subscrito por mim, levanta uma questão essencial: se nós, eleitores de esquerda, defendemos uma sociedade que é mais justa, mais solidária, mais equilibrada, etc, etc, etc, como é que estamos sempre a perder? Porque é que os eleitores não votam à esquerda?

Serão, como diz MFB, as propostas de igualdade algo que o eleitor não quer? Será que cada um dos potenciais decisores, no momento do voto, prefere o seu IPAD ao sistema nacional de saúde para todos? Será que o LCD é, na urna, mais valioso que o sistema educativo para todos?

Será que podemos também ganhar?

Ou será que vamos perder sempre?

Esquerda!?

Os deputados do Partido Socialista Pedro Nuno Santos, Ana Catarina Mendes, Sérgio Sousa Pinto, João Galamba, Isabel Moreira, Mário Ruivo, Maria Antónia Almeida Santos, Duarte Cordeiro e Pedro Alves, também fazem parte dos promotores do Congresso das Alternativas Democráticas.

Saudades de Cerejeira

Posso gostar mais ou menos ou nada das opiniões emitidas por clérigos e afins, mas não gostaria de viver numa sociedade em que estivessem proibidos de falar. Por outro lado, as generalizações são sempre injustas, é certo, mas a História da Igreja Católica contém demasiados episódios de ligações a poderes opressivos ou de práticas sinistras, com torturas físicas e psicológicas incluídas.

De braço dado com o Estado Novo, a Igreja portuguesa do século XX participou em várias indignidades, quanto mais não fosse por omissão. A mesma instituição que nunca perdeu tempo a criticar as ditaduras de esquerda incitava os fiéis a acatar mansamente a miséria e a opressão. [Read more…]

Quem disse que António Costa é de esquerda

devia estar a pensar no modelo soviético. Limpo por fora, sujo por dentro.

Vem aí a esquerda comer criancinhas ao pequeno-almoço, valha-nos Deus!

Tudo indica que a Europa mudou, virando à esquerda, seduzida, mesmo que não apaixonada, por um discurso que torna evidente a evidência: durante os últimos anos, acentuou-se uma governação submetida ao poder financeiro e à visão macroeconómica pura e dura, em detrimento do bem-estar dos cidadãos. Como é óbvio, porque o ensina a pedagogia do bom senso, a virtude está no meio e governar implicará sempre a procura do equilíbrio entre o individual e o colectivo, equilíbrio difícil que não se alcança, com certeza, governando contra as empresas ou contra os trabalhadores.

Tudo truísmos, dirão. É verdade, mas, por vezes, tendemos a esquecer o óbvio. Por falar em óbvio, está à vista o resultado da obsessão pela austeridade: as contas públicas continuam a derrapar, o desemprego aumenta, a dívida cresce, o nível de vida dos cidadãos regrediu. Como se de uma religião se tratasse, os responsáveis por estas políticas garantem um futuro paraíso aos que agora sofrem. [Read more…]

Esquerda radical?

Existe uma crise cuja raiz está na desregulação de mercados e nas ligações cúmplices entre o poder financeiro e o poder político. Essa crise tem sido gerida – é o termo – por governos de centro-direita sempre muito pragmaticamente adversos às ideologias, mesmo que finjam o contrário e mesmo que se finjam o contrário (por exemplo, quando não estão no governo). A gestão dessa crise tem-se baseado em medidas consideradas inevitáveis e que têm provocado o empobrecimento, o desemprego, a precariedade, enfim, têm tornado pior a vida dos cidadãos.

Ninguém esconde que a solução esteja na austeridade, mas barrosos, merkeis e outros defendem a austeridade pura e simples, colocando as questões macroeconómicas acima da vida das pessoas. Mais radical do que isto só se se defender, frontalmente, o fim da democracia. Para isso, já não falta quase nada e podemos dar como exemplo as reacções musculadas da direita ao exercício da greve ou a criminalização dos funcionários públicos como raça responsabilizada pela crise. [Read more…]

Força-Tarefa Para que Tires o Dedo do Cu

Não posso ir a manifestações quando tenho fome. Se me anunciam tumultos, pelo andar da carruagem nacional, recordo que não os patrocino com a barriga vazia, tal como não me meto em problemas, se transido de apetite. Tampouco me introduzo nas lojas Pingo Doce se percebo que é para horas de seca, pois sei que terei ainda mais fome e o tempo de qualidade faz-me falta. Gosto de promoções, coisa que partidos e sindicatos não fazem, tiram-nos tudo, a esperança principalmente. Sou precário. Semidesempregado. Quando vejo os sindicalistas portugueses discursar, reparo que têm razão, mas não têm soluções nem trazem um farnel para repartir connosco. Se lhes pedir um pão, oferecem-me um cigarro. E eu não fumo. Os sindicalistas portugueses em geral estão gordos e ficam muito direitos de braços cruzados atrás dos discursos de impotência do líder, a barriga muito proeminente e o bigode, aquele bigode com trinta anos de recorte, flanando à brisa chuvosa da tarde. Precisava de uma Esquerda que fosse às compras ao Pingo Doce sem preconceitos e me oferecesse um brinde e um bónus: um saco de café, um saca-rolhas; que todas as semanas tivesse uma iniciativa inteligente de protesto que fizesse pensar os media domados e os indomáveis aprendizes de governante e não bloqueasse a economia porque economia é eu ter menos fome ou não precisar de tê-la. Seria lindo que a nossa Esquerda Petrificada tirasse o dedo do cu e organizasse boicotes selectivos a uma qualquer gasolineira alternadamente a fim de todos obtermos efeitos e ganhos práticos, preços em declínio, qualquer coisa onde de repente as massas inexistentes nas praças do protesto nulo fossem milhões de indivíduos unidos num propósito comum, milhões de pessoas a agir com pouco esforço e nenhuma fome. Palavra de ordem: partilhar ou morrer inchado. Entrei ontem animoso por uma loja Pingo Doce adentro, furando entre uma multidão de ventres reciprocamente prensados. Ia carregado de sacos levados de casa e desisti ao fim de cinco minutos. Tive inveja, infinita inveja, dos que se precaveram. Eu me não precavi. Invejei os que ficaram nas filas de muitos metros para muitas horas, com o carrinho a abarrotar de fruta, de enchidos, de suculentas partes de frango assado. As fraldas que não comprei! A carne que nunca vejo. O leite que sabe Deus! Deus sabe com que sorriso amarelo abandonei a loja.

Em França

é hora de mudar? E a Europa?

Grandes momentos digitais:

Quando dois esquerdistas se encontram fazem uma tendência. Quando se junta um terceiro há sempre uma cisão – RMD no 31 da Armada.

Como tu tens razão CAMARADA… como tu tens razão! Nesse aspecto, os direitistas são mais práticos – logo que cheire a poder, estão todos UNIDOS! – João Paulo do Aventar em comentário no meu facebook.

És de Direita ou de Esquerda?

Responde ao Questionário que se segue e descobre:

1 – Bens essenciais e universais, como a Água ou a Electricidade, nunca deviam ser privatizados. Pertencem a todos.

2 – A defesa dos mais necessitados deve ser uma das tarefas prioritárias de qualquer Estado.

3 – Os ensinamentos de Jesus Cristo devem ser seguidos e fazem todo o sentido nos dias de hoje.

4 – Apesar disso, a Igreja Católica deve ser questionada por muitas das suas práticas.

5 – Certos acontecimentos do dia-a-dia fazem-nos questionar a existência de Deus.

6 – Sendo o casamento um contrato entre duas pessoas, os homossexuais têm todo o direito de casar.

7 – O aborto não é um tema tão simples assim. Temos de tentar perceber, antes de criticar, as razões de quem o pratica.

8 – Há determinado software imformático que deveria ser pura e simplesmente livre e acessível para todos, não se aplicando aqui as regras do marcado.

9 – O vandalismo contra o património é uma forma legítima de fazer vincar uma determinada ideologia.

10 – Monarquia ou República são formas de organização de uma sociedade, não representando por si só ideologias de Esquerda ou de Direita.

Resultados: [Read more…]

Como ouvir a esquerda?

Posso sentir uma alergia burguesa a à dureza repetitiva da retórica comunista ou uma aversão provinciana aos tiques lisboetas de muitos bloquistas, posso não gostar que alguma esquerda consiga descobrir virtudes em regimes tenebrosos como o da Coreia do Norte ou de Cuba, posso detestar o conservadorismo sindical na escolha das formas de luta, posso, até, ver com desagrado a promiscuidade entre partidos e sindicatos (que, apesar de tudo, me parece mais legítima do que aquela que ocorre entre governo e empresas).

Ultrapassando as críticas e as embirrações, como é possível não ouvir com atenção as palavras de Arménio Carlos nesta entrevista? É um comunista empedernido? Partilhará, com os seus camaradas, de uma estranha admiração por ditadores sinistros? Convive mal com a queda do Muro de Berlim? Talvez sim, mas não é verdade que os trabalhadores têm perdido direitos? Não é verdade que os problemas do défice se devem a uma gestão incompetente e corrupta dos dinheiros públicos, pela mão de sucessivos governos? Não é verdade que, em muitos casos, os prejuízos do Estado se devem, por exemplo, a contratos leoninos que favorecem privados, como é o caso da Fertagus? Insistir em retirar direitos aos trabalhadores, injustificadamente, poderá ter outro nome que não seja “exploração”, mesmo que isso incomode Mário Crespo? [Read more…]

Não contem a ninguém, a Eslovénia virou à esquerda

Esse senhor aí na fotografia ganhou as eleições na Eslovénia. Percebo tanto da política interna da Eslovénia como da vida partidária do Burkina Faso, mas ontem o Le Monde anunciava Zoran Jankovic como sendo um esquerdista, hoje já é do centro-esquerda, chegar ao poder é tramado. Para todos os efeitos arrumou com o PS local que estava no poder e com a direita que deveria ter feito o alterne.

Ora bem, falo disto não só por ser uma boa notícia mas aproveitando para lhe perguntar: você sabe que o Partido Comunista do Chipre está no poder desde 2008? e lhe garantir que esta notícia não vai circular por aí. É segredo. A Eslovénia é um país pequenino, tal como o Chipre ou a Islândia, mas não convem contar estas coisas antes que as pessoas descubram que a esquerda pode ganhar eleições, a democracia prosseguir, e as velhinhas não apanharem uma injecção atrás da orelha nem as criancinhas serem papadas ao pequeno-almoço. É como o Pai Natal: se revelarmos que não existe é uma desilusão do caraças, e sabe-se lá o que pode fazer um povo desiludido. Ainda deixam de votar sempre nos mesmos e o fim do mundo é logo a seguir.

Social-democracia de Esquerda

Isto de ser social-democrata de Esquerda é uma chatice.

Ontem participei na tertúlia organizada pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, sob o tema “Sá Carneiro visto pelos outros”. Os “outros” – eu, Tiago Barbosa Ribeiro, Tomás Vasques e Bruno Góis  , os convidados, porque de Esquerda e Sá Carneiro, de Direita.

Ora, a social-democracia nasceu na Esquerda, oriunda dos marxistas que não aceitavam que as transformações sociais tivessem de ser feitas à custa de um processo revolucionário, mas antes no apuramento democrático rumo a uma sociedade socialista. E é este o meu espaço político, o daqueles que acreditam que é possível construir uma sociedade socialista por via da social-democracia. O que significa que não se tem partido político à escolha: o PS mantém o socialismo na gaveta e a social-democracia no armário; o PSD mantém a social-democracia da nomenclatura, pratica cada vez mais o liberalismo e foge ao socialismo quanto pode.

O modelo de social-democracia concebido por Sá Carneiro, não visa atingir o socialismo. Antes se baseia num modelo liberal de concepção da sociedade e do papel do Estado. Ou seja deslocou a social-democracia da Esquerda para a Direita.

Na interacção da tertúlia entre “os outros” e “os da casa”, defendeu-se que o pendor liberal da social-democracia tinha a ver com a génese portuense de Sá Carneiro, porque o Porto é uma cidade liberal.

Discordei e discordo, até porque muito do que o Porto conseguiu ao [Read more…]

O azeite vem sempre cá acima, ou a prova dos nove:

Porque não apoiei a candidatura de Manuel Alegre à presidência:

Alegre defende que diálogo de esquerda não pode excluir o PS

Porque é que, vai para uma década, insisti com os meus camaradas no BE que a luta contra a co-incineração conduzida por Boaventura Sousa Santos estava derrotada à partida, e procurar esquerda no mesmo BSS era uma perda de tempo:

“Um Compromisso Nacional” recolhe apoios de peso

Também me engano, muitas vezes não tenho razão, mas da esquerda em Coimbra ainda sei umas coisas.

Era porreiro, pá

A malta também tem direito a tratados. De esquerda.

Presidenciais: a luta continua!

0630_guangyiPara os meus lados as eleições correram muito mal para Manuel Alegre e muito bem para José Manuel Coelho.

José Manuel Coelho ficou no quase quanto aos 5% que lhe dariam direito a financiamento da campanha, mas na Madeira tem uma base para as eleições regionais que coloca toda a oposição ao PSD-M a olhar com cara de parva. Falta ver quem o vai acompanhar e aí temo o pior. Pode vir a ser a minha indigestão de votante mas para já foi bom: a azia do intelectual de esquerda, o militante com horror a pobre, está-me a compensar não haver 2ª volta.

O caso Alegre, e de muito do milhão de votos ter horror a Sócrates, pode terminar numa coisa estranha, uma espécie de derrota de pirro do Bloco de Esquerda. Saindo cabisbaixo das presidenciais, naquilo que interessa – as legislativas não se sabe quando – pode vir a capitalizar a aproximação ao que sobrava de esquerda no PS, os últimos alegristas, como de resto já sucedeu em Setembro. O problema é que pode vir ou pode não vir a. Nunca se sabe. Para já sabe-se que os eleitores do BE saem do rebanho, o que faz só faz bem à saúde da esquerda.

Francisco Lopes vai passar a aparecer mais vezes na televisão. Se será o sucessor de Jerónimo Sousa é tão irrelevante como, não havendo segunda volta, foi toda a  sua campanha: não fez crescer o PCP, e ainda tem o amargo de boca de ter  visto fugir para José Manuel Coelho os votos que contava pescar para os lados do BE.

Bem, e agora é dia 23, vamos lá ouvir as explicações sobre a casinha da Coelha. E talvez comece o julgamento de Oliveira Costa. Ou como se grita em agitpropês: a luta continua, cavaco para a rua.

Inglês Técnico Para Tótós (2)

Esquerda – o mesmo que Direita ou Centro.

Social – Democracia. Alternativas?

O liberalismo que se afunda em desigualdades e que defende a “lei da selva” a lei do mais forte? Cada um por si? Ou o socialismo, aprisionado em Estados omnipresentes e omnipotentes, criadores de elites que se perpetuam no aparelho de Estado e que não consegue responder às justificadas ambições de melhor níveis de vida das populações?

A social democracia não representa o futuro ideal se calhar nem o passado ideal mas não conhecemos nada que se lhe aproxime.O consenso social do após guerra representa o maior avanço social a que o mundo já assistiu, pela mão da democracia cristã, pelo conservadorismo britânico e alemão e a social democracia nórdica.Nunca a história assistiu a tamanho progresso, nunca tantos experimentaram tantas oportunidades de vida.

Mas o perigo espreita, com a admiração acrítica do mercado livre, o desdém pelo sector público, a ilusão pelo crescimento eterno. Até aos anos 70 todas as sociedades europeias se tornaram menos desiguais, graças aos impostos progressivos, aos subsídios dos governos aos mais pobres, os extremos de pobreza foram-se apagando. Nos últimos 30 anos deitamos tudo isso fora.

Adam Smith volta a ser citado: ” nenhuma sociedade será verdadeiramente florescente e feliz se uma grande parte dos seus cidadãos for pobre e miserável”. Sem segurança, sem confiança, as sociedades ocidentais ameaçam ruir. A insegurança alimenta o medo. E o medo – da mudança, medo do declínio, medo do desconhecido- corrói a confiança e a independência nas quais assentam as sociedades civis do Ocidente.

Essa rede de segurança social contra a insegurança foi uma das maioras conquistas do sistema, restaurando o orgulho dos perdedores do sistema, trazendo-os para dentro dele e não lhes virando as costas. Então o que falhou? A esquerda moderada continua a criticar, nostálgica das revoltas dos anos 60, sem apresentar qualquer alternativa consistente, abrindo brechas por onde entraram o individualismo feroz, a proletarização e fragmentação do colarinho branco. As maiores críticas à social democracia vêm da esquerda e são comprovadamente falsas, como se verifica pela capacidade do sistema em manter e sustentar as maiores vitórias sociais da humanidade. Uma maior igualdade, a liberdade e uma maior prosperidade.
PS: com Tony Judt – o regresso ao Estado providência.

Esquerda precisa-se! (Memória descritiva)

Será que o Jornal de Notícias aceitaria publicar um anúncio com este título? E bem necessário seria publicá-lo em todos os jornais, gritá-lo pela rádio, mostrá-lo na televisão, pois existem muitos milhares de cidadãos de esquerda que não se revêem em qualquer das organizações, ditas de esquerda, existentes e que sentem bloqueados, cercados pela direita, pela falsa esquerda e pelo seu ideal de uma esquerda autêntica. Mas, perguntarão, então não existem já numerosos partidos e movimentos de esquerda, dentro e fora do Parlamento? [Read more…]

Tens coragem de dizer que és de Esquerda?


Tens coragem de dizer que és de Esquerda?

Apoias este Governo e este Primeiro-Ministro, votaste nele.
É um Governo que negociou o Orçamento com a Direita e que vai negociar o PEC com a Direita.
É um Governo que não toca nas mais-valias em Bolsa, que continuam isentas de tributação.
É um Governo que não toca nos privilégios fiscais dos Bancos, que continuam a pagar 50% do IRC das outras empresas.
É um Governo que não cria um imposto para grandes fortunas.
É um Governo que não taxa os bens de luxo.
É um Governo que não mexe no sigilo bancário ou no sigilo fiscal.
É um Governo que só faz privatizações.
É um Governo que não mexe nos privilégios dos gestores públicos.

Mas é um Governo que vai diminuir o Rendimento Mínimo.
É um Governo que vai diminuir o Complemento Solidário para Idosos.
É um Governo que vai diminuir o Subsídio Social de Desemprego.
É um Governo que vai diminuir a Pensão de Viuvez.
É um Governo que vai diminuir o Complemento de Dependência (idosos).
É um Governo que vai diminuir o Subsídio para Pessoas Deficientes.

Continuas a ter coragem de dizer que és de Esquerda?

PEC: Bagão Félix à Esquerda de Sócrates

Ouvi hoje Bagão Félix na rádio e é impossível não concluir que um ex-governante do CDS consegue estar à Esquerda de um primeiro-ministro do PS, Partido dito Socialista. Não é primeira vez que Bagão consegue estar à Esquerda de Sócrates – já se viu o mesmo aquando da aprovação do Código do Trabalho.
A propósito do PEC e das medidas para diminuir o défice, Bagão apontou duas medidas: aumento dos impostos sobre transacções de bens de luxo e cancelamento do 13.º mês para os ricos. Medidas justíssimas, porque afectariam apenas as pessoas com elevados rendimentos.
A estas duas, acrescentaria eu uma outra, tão justa como as anteriores: o aumento dos impostos à Banca, que em média paga metade do IRC das restantes empresas. Um dos maiores escândalos do Portugal pós-25 de Abril, sendo curioso verificar, para quem tiver memória, que foi Manuela Ferreira Leite, ao contrário do actual Governo, quem teve a coragem de aumentar, ligeiramente, é certo, a tributação dos Bancos no offshore da Madeira.
Eu tinha vergonha, muita vergonha mesmo, de me considerar de Esquerda e, ao mesmo tempo, defender um Governo que mantém os escandalosos benefícios fiscais dos Bancos ao mesmo tempo que diminui o subsídio de desemprego.

Ensino privado e ensino público: a crise e a falta de alunos… no Público

Em tempos de crise os pais têm menos dinheiro disponível e por isso recorrem mais à Escola Privada que à escola Pública.
Esta frase poderia ser verdade não fosse o facto de nos últimos 20 anos ter havido gente no Ministério da Educação a fazer o caminho… Da privatização do Ensino Público.
E aqui a Esquerda e a Direita têm visões diferentes.
Para esta última, as ofertas são similares, colam-se no mesmo plano: é isso que tem feito o governo de Sócrates (rankings, concursos de professores, contratos com colégios, etc…). Neste aspecto, como noutros a Direita tem conseguido levar a água… às suas escolas!

Direita e Esquerda

Este texto foi já publicado há meses atrás. No entanto, parece-me oportuno usá-lo novamente, agora como princípio de resposta à questão que o Fernando Moreira de Sá, secundado pelo Luís Moreira, levanta sobre a eterna questão dos conceitos de Direita e de Esquerda.

A raiz dos conceitos de direita e esquerda estará, segundo sempre ouvi dizer, no facto de nas assembleias políticas anteriores e posteriores à Revolução de 1789, os políticos mais conservadores se sentarem à direita da mesa da presidência e os mais radicais à esquerda. Na Assembleia Nacional (1789), a expressões «gauche» e «droite» eram aplicadas respectivamente a republicanos e a monárquicos; na Convenção Nacional (1792), o termo usou-se para distinguir jacobinos de girondinos. Os primeiros eram defensores dos chamados sans-cullotes, os deserdados da fortuna; os segundos eram deputados que representavam a burguesia ilustrada, hesitante entre a monarquia constitucional e a república.

De então para cá, o campo semântico dos dois termos foi-se alargando e especializando, incorporando contributos e empréstimos vindos de todas as áreas do conhecimento e, da localização, aleatória de duas facções nos hemiciclos da França de fins do século XVIII, os conceitos de direita e esquerda saltaram para a liça das grandes lutas sociais e políticas. O poeta Jean-Arthur Rimbaud disse que era preciso «mudar a vida». Karl Marx, (que, tal como Engels, nunca disse ser «de esquerda»), afirmou que era indispensável «transformar o mundo».

Eis aqui duas boas sínteses para o conceito de esquerda, a mudança da vida e a transformação do mundo, numa palavra, a Revolução. A direita, também com contributos os mais diversos, vindos também de todos os quadrantes do conhecimento, procura conservar o que considera serem valores intemporais – reage mal à mudança da vida e pior a todas as transformações do mundo que não sejam regressos ao passado. [Read more…]

A esquerda e a Direita dos Aventadores

O Fernando aventador acredita numa direita moderna, justa e progressista e o Carlos e o Adão aventadores acreditam numa esquerda moderna, justa e progressista. Com grande surpresa, o Carlos e o Adão, perante a caracterização da direita do Fernando , diz que aquilo é a esquerda!

Mas a direita não pode ser moderna no sentido que aceita os grandes ganhos sociais dos últimos cinquenta anos? Não pode ser justa quando sabe há muito que um país justo é muito mais conforme às suas necessidades de gente motivada e produtiva? E não pode ser progressista no sentido que defende uma sociedade assente na democracia, numa economia social de mercado e no estado de Direito?

Ou para se ser moderno, justo e progressista é necessário ter um Estado onde se albergam os sorvedores, as corporações e os interesses instalados? Ou onde a economia é regulada por um Estado com “mão “invisível”  sempre à procura dos amigos,  dos negócios finos das obras públicas e das grandes empresas do Estado ? E defender a família faz a direita menos progressista que a esquerda dos casamentos gays? [Read more…]

Nem todos pela mesma liberdade, e que cada um tenha a sua

Um manifesto, e uma espécie de maniphestação à hora de almoço, despoletaram uma discussão interessante, entre a esquerda que a assinou e a esquerda (essencialmente algumas tendências do BE) que não assina.

Do lado do não, não,  não subscrevo, não assino (e reler Jorge de Sena vem a propósito) argumenta-se com as más companhias, as escondidas intenções de meter tudo nas mãos do sr. Silva, e uma subtil, ou descarada, defesa do PSP como mal menor em relação ao PSD.

Começando pelo último: é um velho vício de alguma esquerda portuguesa ver no PSP vestígios de socialismo arrumado na gaveta quando já nem há gaveta, sobras do antifascismo da longa noite, já para não falar na preocupação, saudável, em capturar algum do seu eleitorado.

É verdade que no PSP ainda sobrevive gente de esquerda (acredito porque conheço pessoalmente), mas já é cegueira não entender que na actualidade a sua função é meramente decorativa. Mesmo dos democratas de outros tempos sobra pouco mais que ninguém, seja pela lei natural da vida que Cunhal tanto gostava de referir, seja porque muito simplesmente se fizeram à vida, e ninguém merece consideração política pelo que foi se hoje já não o é.

O PSP não passa de uma agência de emprego, com critérios muito rascas como se vê pelos envolvidos nas calhandrices da face oculta, que tem como política a que lhe encomenda quem manda.  Tem uns laivos de progressismo em cousas da moral & costumes, e é importante aproveitá-lo, mas sempre relembro os que ainda andam saudosos do último referendo à IVG que o primeiro se perdeu por conta do na altura partido de Guterres (e da falta de jeito de muita feminista também). Já nem republicanos são: reproduzem a mesma casta aristocrática, simbolicamente representada no  Presidente do Centenário, as comemorações mais insultuosas à memória histórica que se fazem em Portugal desde 1940. [Read more…]

Presidenciais: cenas dos próximos capítulos

Já vi este filme 2 ou 3 vezes, e a rotina dá tédio.

A esquerda discute as presidenciais, a direita como de costume não precisa.

Depois de Alegre ter pedido o apoio do PS, e embora haja resistentes, vamos ter com elevada probabilidade uma repetição das últimas eleições mas sem Mário Soares, e a vaga possibilidade de, ao invés do habitual candidato do PC, alguém que possa fazer o pleno à esquerda, tipo Carvalho Silva.

Era  um bom entretenimento, embora duvide. O avanço de um candidato com essas qualidades deixaria o BE numa posição embaraçosa, mas nada que não se resolva, e existe sempre o risco de não haver 2ª volta. Ou de o militante do PS ficar em 3º, o que garantia a vitória a Cavaco (é só fazer as contas e não esquecer que a base de apoio a Sócrates é mesmo de direita).

Como ando num estádio de acentuado cepticismo duvido, passe o pleonasmo. E lá me vou tristemente preparando para pelo menos na segunda volta ir votar no vate de Águeda, um homem da caca e deus se existisse saberia quanto eu odeio a caca e os que a praticam, como já o fiz com Soares e Sampaio. Não é que precise de digestivos, para votar contra Cavaco corro com gosto e não me canso.

O resto é conversa.

Repor a família tradicional

Repor a família no centro da política social, sem motivos morais, mas porque é a melhor forma de proteger crianças e adultos.

A maior preocupação, não é a forma de relação dos pais, mas a que mais e melhor estabilidade e qualidade der às crianças e aos adolescentes.

E daqui se parte para políticas concretas e que o Estado deve promover: a) apoiar activamente o papel do pai e as responsabilidades partilhadas entre ele e a mãe. b) substituir incentivos fiscais por apoio público à família nos momentos chave c) construir redes de apoio para ajudar adultos e crianças a ultrapassar situações de divórcio ou de rupturas .

É desta forma séria que se discutem os problemas inerentes à família, na velha e democrática Inglaterra. À direita, não se resiste à tentação de se ver na família tradicional e no casamento um superior princípio moral, à esquerda, não se resiste à tentação de desvalorizar em absoluto esta forma de vida.

A verdade é que famílias intactas produzem excelentes resultados no futuro das crianças (quando comparados com os resultados de crianças criadas em outros ambientes) e não interessa se há ou não casamento, o que interessa é que exista família intacta: pai, mãe e filhos.

Não há, nestas propostas, qualquer sentido moralista, mas sim porque é na família tradicional que as crianças e adultos concretizam o seu maior potencial.

PS: ver Martim Avilez Figueiredo no i “Politics for a new generation,the progressive moment” de 2007 e “The progressive manifest” de 2004 -livros de Antony Giddens.

Estamos sempre aprender

Acabo de descobrir que nesta quadra, octeto e mesmo soneto, a blogocoisa, incluindo o Aventar, é completamente dominada pela esquerda. Uma boa altura para tomar o poder:

embora já se saiba que a seguir vêm os amorosos prussianos, e vamos todos para o muro, a parede, o caixote,  essa parte onde nos arrumam todos comunistas ou assim:

Cidadãos de Paris arrumados à moda da burguesia, André Adolphe Eugène Disderi, 1871

Há que estar preparado,  depois do Nascimento vem a  Páscoa.  Mas até gostei deste bocadinho, e boa continuação das festas do solstício invernal para todos.

Poemas com história: Em louvor dos equilibristas

 

Quase um lugar-comum, nem é uma metáfora muito engenhosa, esta dos equilibristas para designar aqueles que durante a ditadura, vestiam a pele de oposicionistas ou de situacionistas, conforme mais conveniente lhes fosse, oscilando entre a direita e a esquerda e conseguindo, nesse equilíbrio difícil, ser considerados democratas pelos antifascistas e «respeitadores da ordem» pelos salazaristas. Hoje, na democracia que temos continua a haver «equilibristas», gente que é de esquerda quando quer parecer «bem-pensante», mas suficientemente conservadora para ser aceite por quem governa e para ocupar cargos e receber sinecuras. Pensando nessas pessoas que continuam a equilibrar-se entre o «democraticamente correcto» e o «conveniente para a conta bancária», escrevi este texto que publiquei em «O Cárcere e  o Prado Luminoso» (1990):


 

Em louvor dos equilibristas

Falta ainda uma condecoração,

ordem ou comenda que consagre

o esforço do equilibrista

em prol da civilização.

Formidável ciclista,

verdadeiro paganini da circulação

em cima do arame,

o ciclista percorre,

sem qualquer hesitação,

o ténue espaço que separa

a esquerda direita.

É um simples traço,

quase uma abstracção,

um risco passado

por onde não há espaço.

Ágil, aproveita

o espaço inexistente

deslocando o corpo obliquamente:

metade sobre o risco da direita

e a outra debruçada

sobre os riscos da vertente

que à esquerda, sobre o abismo,

espreita.

Mas ouçamos a receita do artista

(que ninguém está livre

de a ter de usar:

quando menos se espera e pensa,

a corda tensa, a pista, a vertigem,

lá estão à espera

dos que não aprenderam a voar).

Diz, com modéstia,

o frágil saltimbanco:

– Afinal nem é assim tão complicado.

Sigo pela direita

quando

ando;

avanço pela esquerda

quando estou

parado.