E não ia ser uma trapalhada por causa dos alunos que tinham saído dos colégios?
Estratégias de médio prazo

Em entrevista ao jornal Público, Luís Montenegro argumenta que tanto o presidente da República como a União Europeia têm sido “colaborantes” com o actual governo. Parece-me uma evolução digna de registo, quando comparamos a actual situação à anterior em que Belém era habitado por um elemento decorativo e enfadonho e a relação com a União Europeia era de absoluta submissão. [Read more…]
Adivinhação
“Os resultados representam um raro revés para Merkel, que procura um quarto mandato no próximo ano.” diz o artigo do Público sobre as eleições de domingo no estado de Mecklenburg-Vorpommern. Fantástico!!! O Público sabe mais sobre Merkel do que ela própria e do que a nação inteira, pois a Chanceler anunciou expressamente que ainda não se pronuncia sobre se vai, ou não, voltar a candidatar-se ao posto e que o comunicará “no momento apropriado”. Isso dependerá provavelmente de vir a obter, ou não, o apoio do CSU – o partido “irmão” do CDU de Merkel, na Baviera – para a sua candidatura. O que é duvidoso, sabendo que Horst Seehofer, presidente do CSU, é um crítico acérrimo da política de refugiados de Merkel, tendo já ameaçado que o seu partido apresentaria um candidato próprio – quem sabe até se estaria a pensar em si mesmo… E, presumivelmente, a forte queda da sua popularidade (42% numa sondagem recente) também terá alguma influência na decisão de Merkel… Por outro lado, é conhecida a sua citação “Não quero ser apenas um destroço meio-morto quando abandonar a política”… Enfim, pontos de interrogação atrás de pontos de interrogação… Pode ser que sim, pode ser que não.
Ai o rigor jornalístico…
O suposto fracasso do Tratado Transatlântico (TTIP): à atenção do Público

Imagem ZDF
Embora não valha a pena dar-lhes grande credibilidade, as declarações de Sigmar Gabriel sobre o fracasso do TTIP conseguiram em Portugal (onde os previstos acordos continuam a ser desconhecidos pela grande maioria) entristecer gente que anda a acenar as bandeiras ameaçadoras do costume, com o papão chinês e afins. É desta ala que se faz porta-voz o jornal Público, dedicando o seu editorial de hoje ao grave risco de mudança “do principal eixo gravitacional do Mundo para outras latitudes“. Este dilecto argumento neoliberal faz lembrar o dos anúncios de naufrágio de Portugal às mãos da geringonça portuguesa.
Já a ingenuidade final deste editorial é comovente, diz assim: “Se o tratado é, pelo que se consegue saber no seu secretismo, uma ameaça a um modelo social europeu que os seus cidadãos defendem, seria bom que fosse reajustado com novas negociações“. O suposto fracasso dever-se-ia então à falta de persistência dos negociadores ??? Relembro apenas dois conceitos-chave: princípio da precaução e ISDS. Há incompatibilidades que não são solucionáveis, a menos que uma das partes se submeta. E a isso os cidadãos disseram não.
Como transformar uma boa notícia em má notícia

Simples. Usa-se um “mas” para diminuir o que houver de positivo.
O fumo, o fogo e o PÚBLICO

Capa do PÚBLICO de 24/07/2016 (ontem), a destacar uma notícia que já tinha sido desmentida
A direcção editorial do Público pergunta “Bruxelas e Portugal: há fumo sem fogo?“. Nós não sabemos mas este diário parece ter um fósforo na mão.
“No sábado, uma carta assinada pelo vice-presidente da Comissão Europeia, o finlandês Jyrki Katainen, gerou uma onda de afirmações e desmentidos”, lê-se no PÚBLICO, sendo que este jornal apenas deu eco às afirmações. E regista que a carta “cumpriu o objectivo: manter a pressão e instalar um clima de nervosismo” e que o “cumpriu”. E, concordando com a observação, é legítimo acrescentar que o jornal foi um dos instrumentos primários dessa pressão. [Read more…]
Jornal PÚBLICO optou por não publicar desmentido sobre as sanções de Bruxelas
Ontem, o jornal PÚBLICO deu grande destaque às supostas sanções de Bruxelas. No online, teve direito a ser o artigo mais destacado durante a tarde:

Destaques online do Público às supostas sanções de Bruxelas
E foram, também notícia na edição impressa de hoje:

Artigos na edição impressa de 24/07/2016 do Público
Acontece que a notícia teve um desmentido, mas o PÚBLICO decidiu não o publicar. Sendo ambas as fontes (da carta e do desmentido) oficiosas, pelo que ambas de validade questionável, seria prudente dar o mesmo destaque às duas.
O desmentido foi publicado por diversos jornais, tal como o Expresso, perto das 8 da noite de ontem. O PÚBLICO teve, portanto, tempo suficiente para o publicar, tanto no online, como na edição impressa. Não o tendo feito, este diário dá mais uma machadada na sua isenção jornalística. Assim se vai desistindo de um jornal que se seguia e comprava há umas décadas.
O Público caiu na ratoeira dos números

A reportagem do Público sobre a manifestação de apoio à escola pública é um exemplo de jornalismo errado por vários motivos. Alguns já foram apontados aqui no Aventar. Um outro, o facto de os líderes do BE e do PCP não terem estado em palco a discursar, conforme notificado, foi corrigido na reportagem.
Entretanto, a Direcção Editorial do Público fez sair um artigo em defesa da referida reportagem, mas já lá iremos. Primeiro, vamos ver como foi a primeira versão da notícia em causa: [Read more…]
Colégios: opções editoriais amarelas
A opção de algumas redacções pelos amarelitos é algo que não surpreende, mas que me fez alguma comichão. Se um mísero corte em apenas 39 colégios (há mais de 2000) levanta esta poeira toda, imagino o que aconteceria se o governo tentasse despedir 40 mil professores da Escola Pública. Até a Igreja viria dizer qualquer coisa.
Mas, não gosto que os meus cometam os mesmos erros e o Jornal Público ainda é o meu jornal e por isso tenho que lhes bater.
Nas últimas horas conheceram-se três factos sobre este processo e todos eles merecem referência no site do Jornal: [Read more…]
O direito de escolha
também se aplica à escolha de habitação? Eu queria ter um cantinho na Quinta da Marinha. Será que a Igreja luta comigo por esse direito?
Diretor dos Diretores
Está errado. Até poderia dar jeito ficar no meio da ponte, mas não é possível. Ou estás com a NOSSA Escola Pública ou estás com a Escola (deles) Privada.
Escola Pública e Escola Privada? Sim. Claro! PPP na Educação? Não
O título diz tudo e mostra, de forma clara, que não há qualquer PRÉ-conceito nesta discussão. E, o único estudo realizado sobre esta questão prova que o problema é a vontade de alguns ganharem dinheiro à custa de todos nós. Vejamos esta citação no único estudo realizado sobre o assunto:
– Sobre o Colégio de Lamas (Santa Maria da Feira): “a interferência deste estabelecimento (na rede pública) é mais evidente.” (página 65).
Ou seja, o Colégio de Lamas está a retirar alunos que têm lugar nas Escolas Públicas. Ninguém está a impedir alguém de escolher a Escola dos seus filhos. Escolhe, paga.
Se em Gondomar, a Escola Secundária tiver lugar para os alunos do secundário, porque é que temos de pagar o seu acesso ao Paulo VI?
E, em Gaia, se escolas como a António Sérgio ou a Inês de Castro têm condições para receber mais alunos, porque é que estes são financiados para andar no Colégio de Gaia?
Dirão que a oferta formativa desses colégios é diversa da disponível nas Escolas Públicas e que isso justificará a opção dos alunos. Estou de acordo com esse argumento. Mas, pergunto: a Escola Secundária dos Carvalhos tem as mesmas possibilidades para escolher os seus cursos como faz o Colégio dos Carvalhos? Não. Não tem. Pelo menos, não tem tido: os Colégios sabem primeiro os cursos que vão ter e podem, por isso “preencher” as necessidades formativas da população.
E, como já uma vez aqui escrevi: comparem, por favor, o número de alunos com Necessidades Educativas Especiais, das Escolas Públicas e de alguns “falsos Privados”.
Mas, reitero uma outra ideia: o ME está apenas a verificar se a Lei está a ser cumprida. Todas as turmas que começaram um ciclo vão poder continuar até ao fim desse ciclo. Não há autorização para abrir novas turmas. Isto é cumprir a lei e todos o sabem.
Além disso, cada um dos colégios tem uma área de influência. Deve cumprir-se a lei – os alunos financiados devem ser dessa área de influência.
Quanto aos Privados, nada a referir. Continuem a fazer o trabalho que têm feito.
Nota adicionar: Intervenção do Deputado Porfírio Silva no Parlamento (Vídeo)
Deve o Estado financiar as escolas particulares?
Santana Castilho *
1. A retoma do discurso sobre a liberdade de aprender e ensinar, para combater a recente decisão do ministro da Educação sobre o financiamento do ensino privado, obriga-me, também, a retomar o que repetidas vezes aqui tenho escrito. Porque não é essa liberdade que está em causa, mas sim saber se deve o Estado financiar as escolas particulares, cuja criação e funcionamento são livres, como mostra a circunstância de 20% da rede de escolas do país ser privada.
Esta falsa questão é uma subtileza para fazer implodir o princípio da responsabilidade pública no que toca ao ensino porque, constitucionalmente, a escola pública é uma obrigação do Estado, enquanto a privada é uma liberdade dos particulares.
É manifesto que muitos “contratos de associação” só se têm mantido por cedência dos governos à pressão do lobby do ensino privado. É manifesto que só devem persistir os que correspondam a falhas da rede pública, se é que ainda existem. É isso que faz o Despacho Normativo 1 H/2016, que respeita integralmente a lei e os compromissos anteriormente assumidos, sem interrupção de ciclos lectivos iniciados e sem sequer impedir que outros se iniciem, desde que necessários. Posto isto, apenas lamento a inabilidade e a imaturidade política com que o problema foi tratado. A triste cena da Mealhada não augura futuro fácil.
Nenhum contrato será rasgado, mas a teta fechou
Já muita coisa foi dita e o Norberto, em especial, mostrou de forma muito rigorosa, o que está em causa. Eu sou mais afectivo e não resisto a insultar estes mamões. É assim que o povo os trata. Vejamos o seguinte: nos últimos anos, com a TROIKA, o investimento em Educação baixou para níveis do terceiro mundo. Houve uma redução de MUITOS e muitos milhões na Educação e boa parte desse roubo é hoje sentido pelos alunos, nomeadamente, com os contentores de canalha dentro de cada sala de aula.
O despedimento de docentes foi a “maior” arma que Nuno Crato usou para baixar a conta e por isso os Professores da Escola Pública passaram de quase 150 mil, para menos de 100 mil. Uma redução incomparavelmente maior que a dos alunos, isto é, a natalidade foi um excelente pretexto, mas não foi a principal causa para o despedimento colectivo de que os Professores foram alvo.
Portanto, o argumento de que as alterações no financiamento da Educação privada vão provocar despedimentos, é um argumento falso, porque haverá, na Escola Pública, necessidade de contratar mais gente para receber esses novos alunos. Os alunos deixam de ser pagos pelos meus impostos, no colégio e passam para a Escola Pública que também é paga com os meus impostos. Não morrem, não desaparecem. [Read more…]
Passos Coelho solidário com José Sócrates

Passos Coelho ficou “espantado” com o editorial do Público que mandou calar José Sócrates, uma espécie de momento Rei Juan Carlos da direcção da redacção do jornal. “Não é um bom sintoma de democracia” afirmou o ex-primeiro-ministro cuja equipa que o levou ao poder em 2011 ficou famosa pela guerrilha na blogosfera e pela manipulação do fórum da TSF e de debates entre os candidatos à liderança do PSD. Aguardam-se declarações do líder do PSD sobre a linha editorial do Observador. [Read more…]
Marques Mendes apanhado a pedir favores em escutas relacionadas com o caso Vistos Gold

Não é que estejamos perante uma grande novidade, o Diário de Notícias até chegou a censurar uma notícia sua que envolvia o pequeno grande barão do PSD e as ligações ao caso dos Vistos Gold, mais que muitas, eram já do conhecimento público.
Mas as recentes revelações do jornal Público levam esta história para um novo patamar, ao citar escutas em que Marques Mendes é apanhado a pedir favores ao antigo presidente do IRN e actual arguido do caso dos Vistos Gold, António Figueiredo. Pedidos com respostas tão sugestivas como “Podemos eventualmente ir pela via da discricionariedade”. [Read more…]
Seria bom que alguns
Seguissem o seu caminho… É que, um artigo atrás do outro e o paleio é sempre o mesmo, direita, direita, direita… Volver…
Falamos depois das eleições, agora não dá muito jeito
“Bruxelas recomenda mais impostos sobre consumo e imóveis em Portugal” [Público]
(Mais) Merda nos canos do governo
Enquanto José Sócrates, o principal trunfo eleitoral da recentemente renovada coligação PSD/CDS-PP, continua a ser cozinhado em lume brando, as últimas semanas têm sido férteis no emergir de inúmeras polémicas que colocam o regime passista numa situação de extrema fragilidade. Para além dos habituais tachos, das incompetências e irresponsabilidades ministeriais, dos calotes e das mentiras de Passos Coelho, a denúncia feita na passada semana pelo ex-dirigente social-democrata Paulo Vieira da Silva sobre uma suposta rede de tráfico de influências que gravita em torno do vice-presidente, antigo secretário de Estado e homem forte de Pedro Passos Coelho, Marco António Costa poderá significar um duro golpe nas aspirações políticas daquele que em tempos abria as portas todas.
Terrorismo Financeiro
“Deutsche Bank paga 2000 milhões de euros por manipulação da Libor” (Público). Bom bom era arranjar uma prisão tipo Abu Grahib para enfiar estes gajos todos.
Diário da República, 24 de Março de 2015
De facto, é preciso enfrentar o fato:
Processar prestações de invalidez, velhice e morte e outras
que com elas se relacionem ou sejam determinadas pelo mesmo fato e se insiram na área de atuação do respetivo núcleo.
Efectivamente, “em Portugal, as novas regras estão a ser aplicadas sem atropelos” e “sem problemas de maior”:
Certificar os fatos e atos que constem dos arquivos municipais, sem prejuízo da competência nesta matéria confiada a outros serviços.
Post scriptum: Foi há cem anos: [Read more…]
Zeinal Bava e a irrelevância

© Mário Proença/Bloomberg (http://bloom.bg/14NfApG)
Apesar de continuar sem conhecer – e sem querer conhecer – a resposta à pergunta “Quem tramou Zeinal Bava?”, o meu interesse na tese da irrelevância mantém-se. Gostei de ler as notícias de ontem, acerca dos esclarecimentos que a Oi vai pedir a Zeinal Bava, pois estes podem ser extremamente importantes para dissipar algumas dúvidas que possa ainda haver nas cabeças daqueles que nos governam.
Por exemplo, quando é feita a transcrição de excertos de um texto escrito em português do Brasil, [Read more…]
A excelente forma de Ricardo Salgado

© LUSA (http://bit.ly/1qry4VZ)
Sed cum legebat, oculi ducebantur per paginas et cor intellectum rimabatur, vox autem et lingua quiescebant.
***
Gostei imenso do discurso que Ricardo Salgado proferiu ontem na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES. Por motivos profissionais, não pude assistir à audição. Contudo, o Público e o Expresso publicaram o excelente texto do ex-presidente do Banco Espírito Santo.
Vejamos alguns (sim, só alguns) dos melhores momentos:
Acção, Abril, accionistas, acções, actas, actividade, activos, actuação, actuações, afectava, afecto, correctas, Dezembro, directa, directamente, directo, efectivamente, efectuar, incorrecto, injectar, interacção, Janeiro, Julho, Junho, Maio, Março, Novembro, objectivo, objecto, Outubro, percepção, perspectiva, perspectivas, projecção, projecto, protecção, protectora, respectiva, respectivos, ruptura, Setembro.
Aliás, até proponho que Salgado seja distinguido com uma menção honrosa, devido à destreza com que adoptou grafias extremamente perigosas, como percepção, perspectiva, perspectivas, respectiva, respectivos e ruptura.
Muito bem, Ricardo Salgado. Óptimo. Excelente.
É evidente que estes “muito bem”, “menção honrosa”, “óptimo” e “excelente” devem ser lidos à luz da máxima atribuída por Daniel Dennett (p.21) a Gore Vidal: “It is not enough to succeed. Others must fail“.
“Others must fail”. Pois, claro. Sim, ‘others’. Efectivamente, os do costume.
Depois de apreciado o desempenho ortográfico de Salgado, debrucemo-nos sobre a habitual salgalhada do Diário da República:
Exactamente: ontem, no sítio do costume.
Actualização (11/12/2014): Sim, sim, reparei no *eminente. Contudo, atenhamo-nos ao AO90.












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