Euro sodomia

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O infatigável César das Neves anda muito preocupado com a sodomia. E tem razão. Nesta imagem podemos observar o momento pós-coito anal que Varoufakis, ministro grego, aplicou a Dijsselbloem, burocrata profissional, ainda cambaleante.

Não se faz, pelo menos em público.

Detalhes em vídeo (com imagens de sexo explícito): [Read more…]

Uma rádio portuguesa, com certeza

TSF

Segundo uma rádio portuguesa, a página do Bloco de Esquerda publicou a carta aberta escrita por Alexis Tsipras, traduzida por um “blogue português”. Ora, para quem não souber, o “blogue português” referido pela rádio portuguesa é o AVENTAR. A-V-E-N-T-A-R. Exactamente: o Aventar.

Não percebo o motivo de a rádio portuguesa não ter dito que a página de um “partido português” tinha publicado uma tradução de um “blogue português”. Ou somos todos portugueses, ou há moralidade.

Agora, vamos ao *Handesblatt.

Em primeiro lugar, não é Handesblatt, é Handelsblatt. H-A-N-D-E-L-S-B-L-A-T-T. Se, na rádio portuguesa, lerem com atenção a tradução feita pelo “blogue português”, perceberão.

Cito:

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt.

Em segundo lugar, registo o facto de a rádio portuguesa referir — sem grande êxito, como se percebeu — o nome do jornal alemão e de não mencionar o nome do “blogue português”.

Como não sou mal-educado, ficai a saber que a rádio portuguesa que não menciona o nome do “blogue português” é a TSF.

Lamentável, lamentável, lamentável.

Vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso.

Actualização (31/01/2015): Entretanto, a TSF retractou-se. Causa finita est.

tsf retractação

Criar & Criticar

yanis_ministerCarlos Roque

A enorme diferença entre o Syriza e as oposições que se babam com a sua estrondosa vitória por esse mundo fora é um detalhe de marketing: o partido grego tem um produto – um programa criativo que fez sonhar o eleitor – e elas não têm nenhum.
Isto das eleições rege-se pelas mesmas regras do mercado: é preciso vender. E, para vender, ou temos reconhecidamente um excelente produto ou, pelo menos, temos de fazer parecer muito bom o produto que temos. E, no panorama global das oposições, o que vemos? Criticar. Dizer mal, pura e simplesmente, e só, de cada acção dos governos – o produto dos outros – e perder paulatinamente uma excelente oportunidade de, ao fazê-lo, mostrar uma alternativa aliciante, o seu bom produto, e ganhar uns pontos de simpatia e de vontade de comprar de quem vota. [Read more…]

Retrovisores analíticos

A rodada geral de debates e comentários dos programas televisivos de ontem foi bizarra. A maioria dos comentadores do auto-designado “arco da governação”, sobretudo os da direita reinante (com as duas excepções conhecidas), encheram as velas com o que pensam ser os ventos de feição e aí vai disto. Esmeraram-se nos adjectivos e atacaram forte e feio.

Notem que não duvido da complexidade da situação da Grécia, da seriedade dos problemas que ela encerra e do interesse em os discutir. Mas permito-me chamar a atenção para o que tem sido uma tónica destes ataques: tenta-se atribuir ao governo agora eleito todos os alegados vícios de que o país enferma e todos os erros cometidos nos anos anteriores como acontece nas tragédias clássicas gregas, em que os sucessores são amaldiçoados com os pecados dos antepassados, numa trama que se dirige ao fatal desenlace sem que nada o possa impedir. Ora, quem governou a Grécia nos anos anteriores foram os “partidos irmãos” dos partidos dos nossos assanhados comentadores! A Grécia afundou-se na má governação, vigarices e e expedientes dos seus partidos de direita e de centro-direita, assistidos pelo Goldman Sachs. E, frequentemente, com a tolerância silenciosa ou mesmo cumplicidade dos que agora tanto se agitam.
Passaram quatro dias sobre a eleição e já há quem pergunte se o governo delas saído já resolveu todos os problemas da Grécia.
Corja de seráficos hipócritas, galinhas que cacarejam histéricas cada vez que uma ave quer voar alto.

Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt

Alexis_Tsipras © Libération

Mais uma vez, o Aventar na vanguarda do verdadeiro jornalismo, está a apresentar uma tradução colaborativa de um documento essencial para a análise política internacional.

A maior parte de vós, caros leitores do Handelsblatt, terá já uma ideia preconcebida acerca do tema deste artigo, mesmo antes da leitura. Rogo que não cedais a preconceitos. O preconceito nunca foi bom conselheiro, principalmente durante períodos em que uma crise económica reforça estereótipos e gera fanatismo, nacionalismos e até violência. [Read more…]

A crise no Iémen

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Apesar da crise permanente que o Iémen vive desde o início da “Primavera Árabe”, em 2011, a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi, nesta 5ª-feira 22 de Janeiro, apanhou todos/as de surpresa, sobretudo após a minoria xiita houthi ter ocupado o Palácio Presidencial na 3ª-feira 20 e, de na 4ª-feira 21, ter sido assinado um acordo no qual ambas as partes se comprometiam a redigir uma nova Constituição, inclusiva e, os houthisa retirarem as suas forças que sitiavam edifícios públicos, bem como a entregarem são e salvo, o Chefe do Gabinete Presidencial, entretanto raptado.

Oficialmente, o que precipitou a demissão presidencial, foi a demissão do Primeiro-Ministro Khaled Bahah, mas acontece que os houthis também deram o dito por não dito, pressionando por mais concessões não estando de acordo também, com o projecto de federalização do país em 6 Estados, querendo apenas a existência de duas regiões distintas. Ora esta posição vem reforçar, de certa forma, as exigências do Harak Janouby, a Vanguarda Separatista Sulista, liderada pelo socialista Ali Salim al-Beidh, que quer a independência do sul, num regresso à geografia política da Guerra Fria, aquando da existência do Iémen do Norte e do Iémen do Sul. Um projecto diferente das propostashouthis, sendo que nas horas seguintes à demissão do PR Hadi, 6 líderes de 6 províncias do sul, já afirmaram que não obedecerão a Sana’a, a capital, nem aos houthis. Já há registos, aliás, de ataques a postos e carros de polícia em Áden, principal cidade costeira do sul.
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Radicais para todos os gostos

RadicaisFotomontagem@Uma Página Numa Rede Social

No Domingo abateram-se os corruptos gregos. Na Segunda o sistema salivou como se não houvesse amanhã. Hoje, Terça-feira, coisas extraordinárias acontecem. O PSI-20 abriu a sessão em queda. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos radicais que geriram e destruíram a PT e do BPI, que foi hoje alvo de “corte de rating” por parte do BBVA. Culpa do Syriza? Nada disso, culpa dos “fracos rácios” de eficiência na operação do banco e do “modelo de negócio desequilibrado em Angola. Aguenta Ulrich, ninguém te mandou fazer negócios com radicais.

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A propósito de contos de crianças – ele fez as contas

Passos diz que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos: O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou, este sábado, que fez as contas e está em condições de garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.” Foi apenas há 4 anos.

Merkel também visita Sócrates

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Angela Merkel in visita a Palazzo Vecchio a Firenze – Credits: EPA/TIBERIO BARCHIELLI/PALAZZO CHIGI PRESS OFFICE/HANDOUT

Uma enorme lata

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O próximo governo grego será o primeiro governo de esquerda da Europa desde… sejamos magnânimos, o governo francês de 1981-83. A rigor teríamos de ir ao Portugal da década de 70, ao V Constitucional, para não ir mesmo mais atrás, ao V Provisório. Obviamente não conto com as ditaduras dos satélites da URSS, que além de ditaduras são tanto de esquerda como o actual da China. [Read more…]

El diccionario de Griego

Uma excelente crónica de Juan Cruz.

O murro do Papa

O Papa, justificando a violência contra os blasfemos que ofendem Deus, exemplificou com a resposta que daria – um murro na cara – a quem lhe insultasse a mãe. Sem mais considerações e independentemente da minha avaliação de tal resposta, gostaria só de lembrar Francisco, o Papa, e os que gostaram desta rábula, que as nossas mães existem – ou existiram – realmente. Existiram! Realmente! Para lá de todas as dúvidas.

Eleições na Grécia: Tsipras no dia depois da vitória do Syriza

eleições gregas

Com ou sem maioria absoluta, amanhã começará um período interessante na Grécia. Teremos em Tsipras uma segunda versão do flop Hollande? Ou, por outro lado, terá o novo governo uma boa mão de poker para negociar com os credores gregos? Da esquerda à direita, ninguém ficará indiferente.

Não olhes para trás, Orfeu

Tem a mitologia grega tanto por onde escolher que cada um guarda para a vida uma que faz sua: calhou-me a do Orfeu, fixemos este instante, quando tudo se iria resolver a meio contento proibido estava de olhar para trás e ver Eurídice, olhou e  assim a deixou ficada em estátua de sal.

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Orfeu tirando Eurídice dos infernos, Corot, 1861

Serve perfeitamente para esta ida dos gregos a votos, uma cena que por acaso até foram eles que para nós, europeus, inventaram de forma primitiva e limitada, é certo, numa cidade-estado chamada Atenas. Não olhar para trás, seguir em frente, fugir dos infernos.

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Divisão dos Balcãs rascunhada em Moscovo entre Estaline e Churchill, 9 Out 1944

Teve a Grécia o azar de ficar no lado errado das contas de dividir entre Estaline e Churchill, e levou com outra invasão, a inglesa. A guerra civil, a primeira onde a guerra fria se joga nas guerras onde morrem os outros, a guerra civil da Grécia fecha o ciclo iniciado em 1936 pela de Espanha. Não é mera coincidência que agora seja na Grécia e na Espanha que a libertação pode começar, e não esqueçamos que as ditaduras onde os três povos sofreram (e os deixaram abertos à corrupção máxima e clientelismo das castas) iniciaram o seu fim em Portugal. Desta vez seremos os últimos, lá chegaremos. [Read more…]

Guia para as eleições na Grécia: poderá o Syriza obter a maioria absoluta?

Jorge Martins

Tudo indica que, hoje, será um dia histórico para a Grécia e para a Europa, com a muito provável a vitória do partido de esquerda SYRIZA nas eleições gerais. A dúvida que se coloca é se obterá uma maioria absoluta ou apenas relativa, o que o obrigará a fazer coligações com outras forças políticas.
Para percebermos as probabilidades de isso acontecer, há que atender a três particularidades do sistema eleitoral grego:
a) o partido vencedor tem um bónus maioritário, que lhe permite ocupar, automaticamente, 50 dos 300 lugares do Parlamento helénico;
b) existe uma cláusula-barreira de 3% dos votos validamente expressos, pelo que os partidos que não atinjam essa percentagem ficam sem representação parlamentar;
c) os restantes 250 lugares serão distribuídos a nível nacional, através de um quociente eleitoral simples, pelo partidos que ultrapassaram a cláusula-barreira, sendo, posteriormente, distribuídos pelos círculos regionais.
Daqui resulta que se o partido vencedor obtiver mais de 40% dos votos validamente expressos assegura uma maioria absoluta no Parlamento. Basta multiplicar 250 por 0,4, que será igual a 100. Somando os 50, ficaria com 150 (metade do hemiciclo). Mas, como há sempre partidos que não chegam aos 3% dos votos, aquela percentagem é suficiente. [Read more…]

“A tática do medo já não funciona na Grécia”

Curiosamente, “a tática” também não funciona em português europeu. A táctica, sim, funciona.

Fernando Ulrich não aguenta?

O pesadelo de Ulrich: Tsipras a comemorar a vitória.

O pesadelo de Ulrich: Tsipras a comemorar a vitória.

Fernando Ulrich está preocupado com o resultado das eleições na Grécia. Fico satisfeito por, pela primeira vez na vida, ter as mesmas preocupações de um banqueiro, mesmo sabendo que me deixará sozinho a torcer pela vitória do Syrisa.

Um banco, à semelhança dos mercados, é uma entidade nervosa, sensível, amiga do seu amigo. O BPI confidenciou as suas preocupações aos clientes e enviou-lhes uma mensagem assustada, chamando a atenção para “o espectro da vitória de um partido anti-europeísta.”

Muito haveria a dizer sobre o que significa ser anti-europeísta, mas tendo em conta a proximidade ideológica de Ulrich com Luís Montenegro, julgo que defender a Europa e os europeus são coisas antagónicas, porque os segundos só servem para atrapalhar. Logo, quem estiver preocupado com os europeus será, necessariamente, anti-europeísta.

Vale a pena ler a carta que Catarina Martins escreveu ao banqueiro assustadiço. É claro que há por ali palavras que poderão fazer confusão ao pobre senhor, como, por exemplo, democracia e povo, mas, e citando o final da missiva, é importante ajudá-lo a perceber que “os mercados financeiros aguentam. Ai aguentam, aguentam.” Penso que, assim, ele conseguirá perceber.

O imbecil e a ameaça jihadista que paira sobre Portugal

Cimeira das Lajes

O novo director do SIS, Adélio Neiva da Cruz, alertou ontem o país para o facto de Portugal não estar fora do radar dos jihadistas. Assim de repente, vêm-me à memória um determinado imbecil que em 2003 trocou as funções de primeiro-ministro pelas de mordomo e trouxe para o nosso país um terrorista e dois dos seus bobis europeus para juntos planearem a invasão ilegítima de um estado soberano.

O que se seguiu não é novidade para ninguém: os países governados pelos bobis foram vítimas de dois brutais atentados terroristas, o primata norte-americano continuou a semear o terror enquanto açambarcava poços de petróleo, o país invadido tornou-se mais violento e completamente ingovernável e o mordomo, esse imbecil, ganhou-lhe o gosto e fugiu do país para servir outros aristocratas. Já Portugal foi poupado da violência fundamentalista, possivelmente porque nem os radicais islâmicos levaram a sério o papel do imbecil que colocou o nosso país no seu radar. Quem diria que o inútil do mordomo até poderia dar jeito? Ou será que ainda não chegou a nossa vez? É que estes gajos sabem ser pacientes…

Ou pagam todos ou não paga ninguém

Pagar dividas

Sempre que o assunto é o pagamento e/ou reestruturação das dívidas soberanas, há um argumento transversal à generalidade dos liberais: todos devem pagar mas o caso da Alemanha foi diferente. Ontem foi a vez de André Abrantes Amaral dar o seu contributo para o peditório:

Entre os dois casos [grego e alemão] há uma diferença abissal. A dívida alemã foi fruto das guerras que marcaram a primeira metade do século XX. Já a dívida grega é fruto do modelo de desenvolvimento da Grécia. A dívida alemã foi paga porque a Alemanha se desenvolveu. A dívida na Grécia foi contraída porque a Grécia se desenvolveu.

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Da série estes tugas são loucos…

Sem colocar em causa o forte impacto local na Terceira, caso se concretize a gradual saída dos EUA das Lages, é algo estranho ouvir falar em chineses ou ver membros do PCP defender o status quo.

O presidente do executivo açoriano, que na segunda-feira se reúne com o Presidente da República, admitiu ainda a possibilidade de a infra-estrutura das Lajes ser usada por outro país que não os EUA, como a China, com quem Portugal tem “uma relação diplomática” que é “muito anterior” àquela que tem com Washington.

Para o PCP da ilha Terceira, faltou uma “avaliação séria” sobre o potencial estratégico da Base das Lajes e o Estado português cedeu “com demasiada facilidade” às chantagens dos norte-americanos.

Definitivamente a tradição já não é o que era…

Os donos deste mundo quase todo foram à vidente

A Goldman Sachs “aposta na vitória da Nova Democracia, o partido que governa a Grécia. O estudo, que também joga na reeleição de Passos Coelho e Rajoy, assenta numa ligação directa entre indicadores económicos e escolhas dos eleitores.” (Ricardo Costa no Expresso Curto de hoje).

Afinal a fé depositada, ou melhor, emprestada ao BES não foi apenas vulgar servilismo do Arnaut, os líderes da finança mundial tomam mesmo a realidade pela medida dos seus desejos, e assim se tramam os especuladores, que depois nós pagamos a conta.

Azar, pese uma sondagem da sempre imaginativa Euroexpansão, as tendências de voto são claras, de acordo com a Popstar já actualizada.

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E não esquecer que nestas sondagens o peso do PDR e do Livre ou lá como se avançam está obviamente distorcido: enquanto de um lado apenas se pode prever o peso do eleitorado fixo da direita, os novos partidos irão crescendo à medida que se tornem conhecidos. Principalmente o partido de Marinho Pinto é óbvio que não vai ficar por aqui.

Os fundamentalistas de Lisboa

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É cíclico: de quando em vez as nossas direitas encanitam-se com Boaventura Sousa Santos. Não costumo seguir essas novelas mas desta vez dois detalhes irritaram-me e não foi pouco. Um humorista do Tejo, Tavares de seu nome, decidiu crismar o homem de “Noam Chomsky do Mondego“, e como não bastasse um analfabeto de Lisboa, conhecido por Zé Manel da Voz do Povo, desenvolveu para “evangelizador de Coimbra“.

Ora bem, esta peregrina ideia de atacar alguém pelo lugar onde reside e exerce a profissão, está mal. Dá muito para os lados da capital do provincianismo luso, suponho que seja da água que bebem, proveniente do Alviela que o rio ibérico não é potável há muito tempo. Neste caso fez-me ler ao que vinham, e vinham pelas patetices do costume, o multiculturalismo, o relativismo e a superioridade da civilização cristã ocidental, um conceito que tem tanto de científico como as previsões de uma vidente do Bairro Alto. [Read more…]

A discriminação ainda existe em muitos lugares do mundo

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Esta semana fui surpreendido pela narrativa de uma amiga, emigrada na República Democrática do Congo, que partilhava a sua surpresa ao ir visitar o Jardim Zoológico, com uma amiga congolesa.
Ao comprarem os bilhetes, as duas foram surpreendidas com a diferença do custo dos mesmos que ambas tiveram de pagar para a mesma visita – a amiga que é natural do país pagou metade do valor do bilhete. Questionaram a razão da diferença nos preços e verificaram que a razão era a cor de pele, por ser muzungu (branca) a minha amiga teve de pagar mais.
Ao falar com ela, percebi que nos táxis e outros casos os valores são sempre superiores para as pessoas de cor branca.

Ficam-me as perguntas:
– O que têm feito os serviços diplomáticos dos países europeus para alterarem esta realidade no século XXI?
– Quando teremos este lema “Todos diferentes, todos iguais” uma realidade mundial?

A Bandeira da Suiça

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Tal como reclamado por alguns imigrantes islâmico-suiços de segunda geração.
Não queremos que ninguém se incomode; a pretensão tem vários anos.

Os gatos e os deuses

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Por esta altura, os meus amigos já perceberam que gosto de gatos, que vivo com gatos (notem como evito dizer”tenho gatos”). Não sou o único, estou bem acompanhado. É interminável a lista das pessoas que admiro que têm – ou tiveram – gatos. A coisa vem de longe e nem sempre é uma história feliz.

Há dez mil anos, na Suméria e na Babilónia, nos locais onde os homens primeiro se foram sedentarizando, os bichanos começaram a conviver com os humanos, fazendo um controlo de pragas que aqueles aprenderam a admirar. Aqui se foram criando os primeiros laços entre homens e gatos, aqui se foram criando as primeiras lendas. Uma delas conta que os gatos nasceram do espirro de um leão, sublinhando o parentesco entre os dois felinos.

Um provérbio indiano dirá, depois, que os deuses criaram os gatos para que o homem pudesse ter o prazer de acariciar um tigre. Mas é no Egipto antigo que o gato atinge o estatuto mais ilustre. Não admira – lá vem a economia…-, já que, sendo a grandeza e o poder do Egipto assente, em grande medida, na produção de cereais, desde cedo foi percebida a importância dos gatos no controlo da ameaçadora e ruinosa rataria. Daí, a sua sacralização. A deusa Bastet era representada com cabeça de gato. Depois, a aproximação dos gatos às residências familiares dos egípcios e a sua própria sedentarização transformaram-no no símbolo do próprio lar.

Assim, o gato passou a ter um estatuto de membro da família, chorado na morte como se fosse um deles, mumificado tratado em morte como se uma pessoa fosse. As penas para quem matasse um gato podiam ser graves, indo até à própria morte. Os gregos e os romanos têm, também, uma relação cordial com os bichanos. Na idade Média, porém, as coisas mudaram completamente. O Papa Gregório IX decretou, do alto da sua santidade, que os gatos eram seres diabólicos e deviam ser exterminados. Segundo as inteligentes e profundas reflexões teológicas do tempo, os gatos eram bruxas transformadas e quem fosse visto a ajudar um gato era denunciado à Santa Inquisição, com os desastrosos resultados que se adivinham. [Read more…]

Não é verdade

aquilo que Fernanda Câncio escreve: “As pessoas provocam e há reações“. Em português europeu, quando as pessoas provocam, há reacções. Efectivamente: reacções.

1000 vezes chicoteado, a 50 barris de petróleo de cada vez

Jornalismo cidadão das primeiras cinquenta chicotadas recebidas por Raif Badawi, um blogger saudita que é mesmo liberal, como os do séc. XIX:

Convinha perceber que quando se diz fundamentalismo muçulmano se deveria dizer wahhabismo,  a religião de estado na Arábia Saudita e arredores deste lado do golfo, fundada no séc. XVIII  por Mohammed ben Abdelwahhab e não por Maomé mil anos antes.

A Arábia Saudita tem sido a mãe desse fundamentalismo e não passa de um califado mas com muito mais petróleo. E o petróleo é o verdadeiro deus que governa as teocracias da tal superior civilização ocidental, a nossa, dizem eles, enquanto verificam a cotação do brent.

Nigéria em sangue

Continua o horror na Nigéria e os ataques do Boko Haram continuam a fazer vítimas inocentes aos milhares. É o terrorismo puro e duro – com a inconcebível justificação de purificar o país e os seus costumes e espalhar a sharia a todo o território e mesmo aos países vizinhos – usando todos os habituais métodos, desde a guerra de ocupação até aos bombistas suicidas, como aconteceu este fim de semana em que até uma criança de dez anos foi usada. Mas, contrariamente a outros casos de terrorismo, o da Nigéria está fortemente territorializado, configurando uma fase avançada de operações que se aproxima da guerra clássica que, dizem os manuais, é a fase final destes processos. Repare-se, porém, que estes movimentos têm tanto mais hipóteses de sucesso quanto maior for o apoio da população. Aqui, porém, também esse apoio é procurado pelo terror ou, se tal não resulta, pelo puro extermínio. E, chegados aqui, é altura de perguntar o que fazem as forças armadas da Nigéria e que cooperação existe com os Camarões, que também já foram vítimas de ataques. É também tempo de perguntar à comunidade internacional porque permanece em sossego neste caso. Estamos perante o que é, provavelmente, o mais violento campo de batalha do delírio fundamentalista – o que, nos tempos que correm, não é dizer pouco. Mas África parece ser o continente abandonado pelos deuses. E, o que verdadeiramente conta, pelos homens de bem. Com as poucas excepções que conhecemos.

Charlie Hebdo

A opinião de Noam Chomsky.

Cuspir na liberdade de expressão

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(a foto em cima é da Reuters. a de baixo terá muito provavelmente sido tirada por algum Charlie…)

*****

“Sensibilizados” pelos monstruosos ataques terroristas à redacção do Charlie Hebdo e em Port de Vincennes, vários dirigentes europeus e não só juntaram-se Domingo à manifestação que mobilizou mais de um milhão de franceses. Ou será que foram lá apenas para a fotografia? As imagens em cima parecem-me mais do que esclarecedoras.

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