Observatório de Atenas

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Um novo blogue, Observatório da Grécia, preenchido por conhecidos e reputados blogueiros, propõe-se “disponibilizar mais informação do que a que se pode atualmente encontrar, favorecendo uma leitura informada sobre os acontecimentos” da Grécia. Uma missão inovadora, de que nunca ninguém se tinha lembrado entre nós, que tal como tanto Zé fazia falta.

Acho muito bem. Pela nossa parte é um sossego saber que já não precisamos, no Aventar, de traduzir ou publicar textos como Não há tempo para jogos na Europa (17.154 visualizações), Carta Aberta de Alexis Tsipras aos Leitores do Handelsblatt (16.531 visualizações), Carta aberta de um estudante liceal grego (4.644 visualizações), Petição sobre a dívida da Alemanha à Grécia em reparação pela invasão na II Guerra Mundial (mais de 8.765 visualizações) ou Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas (mais de 27.048 visualizações).  Muito melhor que nós a casta, perdão, a nata da nata se encarregará dessa tarefa (ainda podia acrescentar umas legendagens de uns vídeos, mas nem vale a pena) com um alcance muito mais vasto. Por outro lado parece-me que artigos como o do Rui Curado Silva, Paralíticos Gregos vs Donas de Casa da HSBC, se remeterão à simplicidade dos seus 4.146 leitores, o que é preciso é disponibilizar mais informação e comentário de forma a alcançar quem a leia.

É um sossego, a partir de agora a malta de Lisboa (com duas notáveis excepções, eu sei) trata do assunto, nós cá pela província pensaremos, talvez, em divulgar o que de helénico se passa fora de Atenas.

Loja da China

China

Está ali a SIC Notícias a dizer que na capa do jornal do incontornável Arquitecto Saraiva surge um titulo que vai mais ou menos assim: “Chineses já controlam 33% dos seguros, 45% da energia e 15% da banca”. Nem a Isabel dos Santos, duas irmãs e quatro generais têm pedal para os camaradas do Partido Comunista Chinês, que por sinal não estão sequer satisfeitos com a quantidade de multimilionários de que dispõem.

Quem deve estar entusiasmadíssimo com tudo isto é o deputado socialista Sérgio Sousa Pinto, entusiasta da ascensão chinesa mas pouco dado a outros desvios excessivamente esquerdistas. Deus nos livre do Sampaio da Nóvoa e vivam os camaradas que compram isto tudo!

Liberland, o embrião do éden neoliberal

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Como se cria um novo país? Não faço a mínima ideia. Mas o senhor Vit Jedlicka sabe e encontrou a solução perfeita para os tempos conturbados que vivemos: decidiu criar o seu próprio país.

À procura de reconhecimento oficial entre os seus pares europeus, a Republica Livre de Liberland estende-se ao longo de 7km2 de um pedaço de terra que aparentemente ninguém reclama, na margem ocidental do Danúbio, entalado entre as fronteiras da Croácia e da Sérvia. Já tem Constituição, escudo, bandeira e hino. Só lhe falta mesmo existir.

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São apenas pretos

No episódio 5 do documentário A Guerra de Joaquim Furtado (aquele onde se clarifica a natureza racista e esclavagista do colonialismo português) um enfermeiro moçambicano narra o seu diálogo com um superior hierárquico, a quem questionava por uma sua colega com muito menos habilitações do que ele ganhar o dobro:

– Tens dúvida de que és preto?

– Isso não tenho dúvida

– É isso, ela é branca, ganha mais do que tu, que és preto.

Há por lá mais exemplos do mesmo. Enquanto por estes dias editava o documentário de forma a poder utilizá-lo nas minhas aulas de História, apareciam-me mentalmente no monitor as imagens dos que atravessam o deserto e o Mediterrâneo, e por ali morrem. Vítimas das guerras que homens brancos foram inventar a Sul, vítimas de nem parte da globalização os deixarem ser, vítimas da natureza humana, que tem aquela pretensão, os do costume dirão estúpida, de quererem alimentar-se, vestir-se, habitar, viver. Os do costume explicam: têm dúvidas de que são pretos? E para que não as haja em sacos negros os embalarão.

Um cavalo de Tróia chamado TTIP

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Foto: Björn Kietzmann@Demotix

Passaram em branco na imprensa nacional as manifestações que se realizaram ontem em 22 países europeus contra o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (Transatlantic Trade and Investiment Partnership – TTIP). Apenas o jornal comunista Avante e o bloquista Esquerda.net fizeram referência à ocorrência.

A Euronews refere cerca de 200 manifestações um pouco por toda a Alemanha, com milhares nas ruas de Berlim, Estugarda, Frankfurt ou Munique, mas também em Bruxelas, Viena, Madrid ou Helsínquia. Refere também uma sondagem feita na Alemanha pelo YouGov que revela que 43% dos inquiridos acredita que o TTIP terá um impacto negativo no país contra 26% que vêm o acordo como um avanço positivo.

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O fanatismo wahhabita e o paradoxo saudita

Radical Islam

O fundamentalismo islâmico é-nos muitas vezes vendido como um fenómeno circunscrito a meia dúzia de organizações, das quais a Al-Qaeda e mais recentemente o Estado Islâmico parecem ser as principais embaixadas onde tudo começa e acaba. Por várias vezes, o João José Cardoso chamou neste espaço a atenção para diferença entre a generalização que se faz do radicalismo islâmico e o wahhabismo, a interpretação mais radical e opressiva do fanatismo religioso que tem na acção das organizações referidas a sua máxima expressão. O financiamento, esse, chega em quantidades industriais da Arábia Saudita, destacado parceiro comercial do Ocidente moralista repleto de Charlies que gostam de aparecer mas que na realidade se estão nas tintas para o alto patrocínio que o regime de Riade disponibiliza para os criminosos que erguem o Corão em nome da destruição arbitrária.

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Um Rato encarcerado

Branqueamento de capitais, fraude e apropriação indevida de bens são as acusações que pendem sobre Rodrigo Rato, nº2 do governo de José Maria Aznar (1996-2004), ex-director do FMI e ex-presidente do Bankia, o banco espanhol que foi nacionalizado em 2012 por Rajoy, o mesmo Rajoy que promoveu uma amnistia fiscal que beneficiou este destacado barão do Partido Popular espanhol que foi detido durante a tarde de ontem. Qualquer semelhança com casos de políticos portugueses da mesma área ideológica envolvidos em esquemas similares é pura coincidência. Até porque ainda que a criminalidade seja idêntica, por cá estão todos em liberdade. Nós temos esse péssimo hábito de tratar muito bem a escumalha criminosa do regime.

Atentado terrorista na sede do BCE

Foi esta tarde, na sede do BCE, enquanto Mário Draghi dava uma conferência de imprensa. A senhora, cuja afiliação segundo o jornal Expresso serão as activistas do FEMEN, saltou para cima da mesa, o que deu origem a uma expressão de pânico na cara de Draghi que por si só já valeu a ousadia. “Acabem com a ditadura do BCE” (“End the ECB dictatorship“, versão light daquela que surge na camisola da senhora – “End the ECB dick-tatorship“) gritava a rebelde enquanto lançava confettis sobre a cabeça do presidente do BCE. Sorte do Constâncio que assistiu a tudo na primeira fila.

Poderosa e Descontrolada: A Troika

Documentário do canal Arte  sobre as intervenções da Troika. Contém cenas eventualmente chocantes, não sendo recomendado a quem acredita na propaganda do governo. Um trabalho de  Harald Schumman (autor de Quando a Europa salva os bancos, quem paga?, que também já legendámos) aqui em segunda versão, com correcções nas legendas e melhor qualidade de vídeo que a primeira.

Esta versão estará em breve disponível para download.

The battle of Montevideo

Uruguay

 Foto@The Independent

Tal como o senhor Mujica teve oportunidade de explicar ao senhor Obama há quase um ano atrás, trata-se de uma batalha que leva já alguns anos. E segundo a organização não-governamental Avaaz, a tabaqueira Philip Morris poderá estar a levar a melhor contra o governo uruguaio, que processou devido às suas leis anti-tabaco, consideradas pela organização como sendo das melhores do mundo e que envolveram a introdução de medidas como o aumento do tamanho das mensagens de saúde relacionadas com o consumo de tabaco em 80% ou a proibição dos fabricantes de comercializar diferentes variedades da mesma marca de tabaco.

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Azul (muito escuro)

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Tem-se discutido na União Europeia o projecto Crescimento Azul, a que alguns chamam já “mar azul” que, com aparente acerto, proclama : “A inovação na economia azul: materializar o potencial de crescimento e de emprego dos nossos mares e oceanos”. Lemos os propósitos enunciados a propósito desta “Estratégia Marinha” em relatórios e deliberações já publicados e, num primeiro olhar, aquilo parece excelente. Mas, depois, arrebitamos as orelhas. É que um dos efeitos das práticas políticas dominantes na UE, sobretudo na última década e meia, foi o de nos alertar para as armadilhas desta retórica.”Crescimento Azul: Oportunidades para um crescimento marinho e marítimo sustentável”? Quem não concordaria, há uns anos? E mais: “Considerando que o conceito de Economia Azul abarca um amplo espectro de sectores de actividade económica ligados aos mares e aos oceanos, incluindo sectores tradicionais e sectores emergentes, como sejam os seguintes: pescas, aquacultura, transportes marítimos e fluviais, portos e logística, turismo e náutica de recreio e de cruzeiro,construção e reparação naval, obras marítimas e de defesa da orla costeira, prospecção e exploração de recursos minerais (offshore), prospecção e exploração de recursos energéticos (offshore), biotecnologia, entre outros;…”. [Read more…]

Que procuras tu Bono Vox?

Afinal, é bem pior do que imaginei: a pregação do capitalismo como solução para a pobreza mundial não é sequer comparável à parceria com os terroristas ambientais da Monsanto. Quando há umas horas atrás, a propósito desta conversa, um amigo me falou desta amizade do vocalista dos U2 com os vampiros agro-alimentares, nem quis acreditar. Não sou fã da banda mas até gosto de umas músicas. E apesar de achar “excessiva” a defesa do capitalismo (até pode ser um dos bons que eu nunca tenha ouvido falar) como solução para eliminar ou, vá lá, reduzir drasticamente a pobreza, respeito o artista e um homem que também já ajudou muita gente. Dinheiro eu até percebo. E ele nem deve estar particularmente necessitado mas percebo. Mas a Monsanto? Os gajos dos químicos que dão cabo dos legumes? Foda-se Bono, que desilusão.

Capitalism Bloody Capitalism

Bono

Se calhar o homem até tem razão. Mas se tem, o capitalismo de que fala não deve ser o mesmo que sacrifica milhões em países sub-desenvolvidos por quem Bono corre o mundo a pedir ajuda. Talvez não fosse precisa tanta ajuda se o capitalismo que temos não fosse tão selvagem e não deixasse um rasto de exploração e destruição tão grande atrás de si. Será que um dia veremos o vocalista dos U2 presidir a uma importante organização internacional?

Mário Jardel: o craque que se transformou numa anedota

Inicialmente pensei em começar com esta entrevista, através da qual podemos perceber exactamente naquilo que se tornou o histórico goleador portista Mário Jardel. Mas as minhas memórias de criança, principalmente este jogo épico em San Siro, quando o AC Milan era ainda um dos grandes tubarões europeus e o FC Porto lá foi vencer por 2-3, com dois golos do Super Mário Jardel, falaram mais alto. É triste ver um dos meus ídolos de infância transformar-se numa verdadeira anedota, quase tão triste como ver o Brasil elegê-lo deputado estadual. Para a paródia ser total, o DN dá hoje conta de que a versão política do Super Mário demitiu quase todo o seu gabinete e depois desapareceu. Parece que um deles o terá ameaçado de morte. Ou então alucinou. Ambas a hipóteses são válidas.

Poderosa e incontrolável: A Troika

Documentário do canal franco-alemão Arte sobre as intervenções da Troika. Contém cenas eventualmente chocantes, não sendo recomendado a quem acredita na propaganda do governo. Nunca será visto num canal português.

Tradução da leitora Isabel Atalaia, que respondeu ao nosso apelo para que fosse legendado e disponibilizado aos portugueses (se necessário, active as legendas carregando na roda dentada do leitor de vídeo do youtube). Muito obrigado.

Sugestões para melhorar a tradução agradecem-se, nesta caixa de comentários.

Crónicas de Timor-Leste – XI

António José

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Esta nota, baseia-se numa leitura e sendo assim a fonte é Xanana… é uma história entre milhentas, similares, sibilares…

Uma coluna da guerrilha estava a atravessar dois postos de vigilância indonésia. Era noite. Com a guerrilha estavam também civis. Um casal com uma criança de nove meses, ao colo da mãe. À frente da mãe seguia o marido, pai da criança. A coluna ía em silêncio absoluto com os exploradores à frente. As únicas palavras que podiam pronunciar, caso encontrassem algum obstáculo como um buraco, um precipício ou tronco atravessado no caminho eram:

– Precipício à esquerda! Passa a palavra! [Read more…]

Arábia Saudita: Razões para os ataques no Iémen.

unnamedHá duas noites que se iniciou mais uma intervenção militar externa contra a minoria houthi, no Iémen. Digo mais uma, já que a História demonstra que já houve várias, sendo que uma delas foi liderada pelo então Piloto da Força Aérea Egípcia, Muhammed Hosni Said Mubarak, a partir de 1962, quando a recém-criada República Árabe do Iémen (do Norte) pedira ajuda ao Egipto de Gamal Abdel Nasser para eliminar as tribos que se mantinham fiéis à Monarquia de Muhammed al-Badr, 3º Rei do Iémen.

Curiosamente, à época, a tensão não era entre sunitas e xiitas, mas sim entre repúblicas e monarquias. De tal forma, que o Reino da Arábia Saudita lutava ao lado dos monárquicos xiitas houthis, que hoje bombardeia! A proxy war que durou entre 1962 e 1970, foi entre o Egipto aliado à URSS e a Arábia Saudita aliada à Grã-Bretanha. [Read more…]

Pressão eleitoral na Nigéria

Nigéria

O país mais populoso de África vai amanhã a votos. Com um subsolo repleto de petróleo, uma casta de oligarcas opulentos e uma manifesta incapacidade de lidar com os terroristas do Boko Haram, facto que conduziu inclusive à humilhação militar de ter que recorrer a vizinhos pobres como o Chade ou o Níger para recuperar o controlo de algumas cidades no norte do país, a Nigéria encontra-se num impasse que, entre a remarcação e a possibilidade de novo adiamento das eleições presidenciais, poderá significar um perigoso revés na frágil democracia daquele país.

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Bloco contra coligação de interesses em Angola

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O Bloco apresentou hoje na Assembleia da República uma proposta para solicitar às autoridades judiciais angolanas a libertação e anulação do julgamento do jornalista Rafael Marques. Uma proposta corajosa que dignifica qualquer democracia  e que toca na questão central do Charlie Hebdo. Liberdade de expressão, lembram-se? Apenas o Bloco e 5 deputados do PS (Isabel Santos, Eduardo Cabrita, Bravo Nico, Carlos Enes e António Cardoso) votaram a favor. PS, PSD, CDS, PCP e Verdes votaram todos contra. Tenho a certeza que a esmagadora maioria de militantes e simpatizantes do PCP e PS reprovam e não compreendem a posição do respectivo partido.

70 anos depois da libertação de Auschwitz, 50 anos depois da marcha entre Selma e Montegomery, depois de décadas de combate a ditaduras criminosas, a governos corruptos e a quem com eles compactuou, eis que em 2015 a cobardia, o lambe-botismo e os interesses económicos mais sujos disseram presente com toda a força na Assembleia da República. Uma vergonha. Hoje as águas ficaram bem separadas no parlamento.

Encenações goebbelianas em Kiev

A extrema-direita ucraniana financiada por Washington contínua a bater recordes no que ao populismo e à demagogia diz respeito. Na passada Quarta-feira, o “insuspeito” New York Times faz referência a um “espectáculo cuidadosamente orquestrado“, com vista garantir uma dramatização suplementar à mais recente campanha anti-corrupção levada a cabo pelas autoridades ucranianas, durante o qual o chefe e o nº 2 dos serviços de emergência ucranianos foram detidos no decorrer de uma reunião do governo transmitida em directo na televisão, e onde o fantoche Yatsenyuk afirmou mesmo que “Isto é o que acontecerá a qualquer um que viole a lei e engane o Estado ucraniano”. 

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Serviço Público

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Na sequência do julgamento de Rafael Marques em Luanda, a editora Tinta da China está a disponibilizar gratuitamente no seu sítio internet o livro “Diamantes de Sangue“.

Crónicas de Timor-Leste – IX

António José

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Foi nesta casa que foram assassinados os chamados “5 de Balibó”… não será necessário tecer grandes palavras…
Tony Stewart, Brian Peters, Greg Shackleton, Gary Cunningham e Malcolm Rennie.
Eu tinha 14 anos e também não me esqueço.

Iémen. Razões para o massacre.

O ponto de partida para uma melhor compreensão das dinâmicas actuais no Iémen, deve passar por uma leitura prévia do texto publicado a 23 de Janeiro, A Crise no Iémen.

As razões para o massacre da passada 6ª-feira em duas mesquitas xiitas de Sana’a (entre 137 e 142 mortos, as fontes contradizem-se), uma vez mais de forma quase telegráfica, sem no entanto ser simplista, são as seguintes:

1º É necessário clarificar, relativamente a um dos dados do referido texto, que a demissão do Presidente Abd-Rabbu Mansour Hadi não foi irrevogável, continuando no cargo. Após a tomada de controlo da capital Sana’a pelos houthis, a Presidência, o Governo, as Embaixadas e demais instituições públicas, abandonaram a capital e rumaram até Áden, no sul, num movimento táctico, cujo objectivo principal foi o da procura da legitimação por parte da Comunidade Internacional, garantido de imediato e em simultâneo, já que as Embaixadas e respectivo pessoal, acompanharam institucionalmente o Governo legitimo do Iémen; [Read more…]

Neo-fundamentalismo cristão

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Por estes dias, o João José Cardoso chamou-me a atenção para uns indivíduos que, simpatia a dele, considerou mentecaptos. Confesso que, ao ver tamanhos primatas em semelhante êxtase fundamentalista, algo que pelos vistos até foi saudado por algumas camadas adeptas do nacional-socialismo cá da terra, que criticam as manifestações e os pedidos de demissão que vão sendo dedicados a alguns dos nossos parasitas governamentais mas que pelos vistos até vêm com bons olhos uma intervenção militar do Estado mais violento do planeta contra um governo que, corrupto ou não, foi democraticamente eleito, fico ainda mais certo que não há sebastianismo que se equipare ao saudosismo fascista que alguns idiotas por cá cultivam. Deus nosso senhor tenha misericórdia da sua alma e que a cada um cresça uma pequena Cerejeira no rabiote.

Por falar em fundamentalistas, e na falta de quem entre as hostes cristãs rivalize com os paranóicos bombistas que acreditam na fábula das 40 virgens, o meu amigo Simão, homem de bons devaneios que apesar de inúteis oferece de forma gratuita, apresentou-me estes lunáticos da Igreja Universal do Reino de Deus e o seu exército de seres inenarráveis auto-denominados Gladiadores do Altar. Felizmente ainda ninguém lhes parece ter dado uma arma para a mão, mas, considerando o crescente poder da IURD e de outros paranóicos evangelistas no Brasil, não deve faltar muito tempo até que este grupo de radicais se transforme numa espécie de força paramilitar ao serviço de homens que se dizem ao serviço de Deus mas que estão apenas ao serviço deles próprios, tal como as contas bancárias destes “profetas” revelam.

Saudações suspeitas com o braço direito em riste, formações militares e marchas, uniforme verde-tropa e palavras de ordem, e tudo isto dentro de uma igreja. Ou lá o que aquilo é. Chega a ser assustadora a naturalidade com que um batalhão de tropas da IURD entra pela igreja a marchar e bate continência ao pastor-general. Até Dilma Rousseff bate continência ao controverso fundador da IURD, Edir Macedo, homem que pede o dízimo ao pé descalço e se desloca de helicóptero, tal é o seu desprendimento dos bens terrenos.

O “Bardo” tunisino. Razões para o massacre.

O massacre do Museu do Bardo (21 mortos), em Tunes, tem razões claras, as quais tentarei sintetizar de seguida, sem no entanto cair no simplismo.

1º Há dúvidas sobre se o objectivo seria verdadeiramente o museu, ou o Parlamento, muito próximo (aliás a notícia começa a ser veiculada como sendo um ataque ao Parlamento), no qual decorria a votação de uma lei anti-terrorista. É esta a convicção do Ministro dos Negócios Estrangeiros Taieb Baccouche e de muitos outros tunisinos; [Read more…]

Santificada beligerância

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Por estes dias, o embaixador do Vaticano nas Nações Unidas proferiu interessantes declarações em entrevista ao site católico norte-americano Crux. Sobre a situação dramática e monstruosa a que o Estado Islâmico está a submeter parte do Iraque e da Síria, Silvano Tomasi afirmou que a prioridade será sempre a procura de uma solução pacífica mas que, caso não seja possível – não tenhamos ilusões: não é – “o uso da força será necessário“.

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É muito difícil ser-se político

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Digo eu, apesar da minha experiência no ofício ser mínima. Toda a honestidade do mundo não basta: ainda assim está-se sempre sob suspeita. Os enxovalhos são constantes, digamos o que dissermos, e há momentos em que apetece desistir de todo e qualquer envolvimento cívico.

Quantos portugueses, entre os que não participam na política, suportariam ler as toneladas de “hate mail” e de comentários anónimos injuriosos e difamantes que invariavelmente se lêem na internet sempre que os nossos depoimentos, quaisquer que eles sejam, são publicados?

Se defendes ideais de Esquerda, és um comuna. Se de Direita, és um facho. Se moderados, és do centrão. Se fores filiado num partido, és um “boy”. Se não fores, és um arrivista. Se inicias a vida política num período tranquilo, és um carreirista. Se a inicias num período conturbado, és um oportunista. Se te diriges ao eleitorado, és um populista. Se te diriges às elites, és um autista. Se defendes o investimento público, és um despesista. Se não defendes o investimento público, és um retrógrado. Se tens um passado impoluto, és um moralista. Se tens um passado atribulado, és um corrupto.

Não obstante, os políticos só existem em regimes democráticos; a sua alternativa são os déspotas. Por isso admiro quem se entrega à política para propor um rumo aos seus concidadãos, e se dispõe a defender sinceramente aquilo em que acredita apesar do opróbrio sobre ele lançado.

A liberdade dos mercados

Ricordi politici e civil

Levo vinte anos relendo assiduamente um pequeno conjunto de autores cujos escritos, quase todos sob a forma de máximas, apotegmas e conselhos, nos deixaram um retrato desencantado da natureza humana: Castiglione, Guicciardini, Maquiavel, Gracián, La Rochefoucauld, Chesterfield. Aprendo muito devagar, e por isso talvez demorarei a vida inteira para compreendê-los. A cada ano que passa, as releituras ganham outro sentido — e iluminam mais o presente. Foi o que senti neste serão, quando repassando Guicciardini me pareceu encontrar uma descrição lapidar do autoritarismo que se prepara sob o nome da “liberdade dos mercados”, apregoada pelos admiradores de economistas como Hayek, Mises e Friedman:

Não acreditem naqueles que pregam fervorosamente a liberdade, porque quase todos, senão todos, têm por objectivo satisfazer os seus interesses particulares; e a experiência mostra-nos claramente que se eles conseguissem obter os seus propósitos por meio de um Estado autoritário, correriam ao seu encontro”. [Read more…]

Tradução e legendagem de Puissante et incontrôlée: La Troika

Este documentário do canal Arte merece ser visto pelos portugueses que não dominam a língua francesa. Para isso pedimos a colaboração dos nossos leitores interessados, que saibam francês e/ou lidar com programas de legendagem.

Basta que manifestem a vossa disponibilidade na caixa de comentários, deixando o vosso endereço de mail no formulário respectivo (que não será divulgado).

O Pravda de Netanyahu

Carniceiro Netanyahu

Depois da visita do jihadista de Telavive ao Congresso norte-americano para reunião com os seus pares da direita radical republicana, vim a saber que, tal como noutras latitudes onde os regimes repressivos e autoritários pontificam, também o indivíduo Netanyahu dispõe de imprensa supostamente livre ao seu serviço.

Talvez por a sua distribuição ser gratuita, o jornal Israel Hayom é o diário mais lido daquele país. Segundo o “insuspeito” The Economist, a sua actividade é dedicada a apoiar incondicionalmente as políticas do actual governo e a glorificar Netanyahu enquanto ataca violentamente todos os seus opositores. Avigdor Lieberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, chamou-lhe Pravda.

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