O novo Portugal imperial

pigsPortugal tomou de assalto, em 2011, vários países europeus sem que se desse por isso. Fenómeno único na história da humanidade, apenas é conhecido entre os que escutam a propaganda do governo, já que se tratou de uma ocupação silenciosa, discreta, mas oportuna.

Assim, hoje sabemos que a responsabilidade da subida das taxas de juro diligentemente operada pelos míticos mercados nos países assinalados a vermelho só pode ter uma explicação: a política económica do anterior governo, tal como acabamos de constatar que a sua descida é fruto da acção diligente do actual.

Temos assim que José Sócrates, que governava em Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, teve como sucessor Passos Coelho, o milagreiro que hoje celebra uma estrondosa vitória. Governantes de Pigs, diz-se em inglês, e há uma vara que acredita na palavra do seu porqueiro.  Aguarda-se o alargamento do nosso novo império, mal para os lados BCE se dê mais uma reviravolta política (será desta que nos vingamos dos séculos de saque britânico?).

Pior do que a imbecilidade, só a estupidez de nos acharem ainda mais imbecis que os próprios imbecis que repetem este mantra em pose de profunda descontracção.

Uma lição de civismo

Recentemente, teve lugar o funeral do ministro das Finanças do governo do Canadá, Jim Flaherty. O funeral saíu da Catedral (anglicana) de St James, a mesma onde a Raínha Isabel participa da missa quando vem a Toronto. Há pouco mais de um mês Flaherty pediu a demissão do cargo, invocando razões pessoais, e soube-se agora, pelos elogios fúnebres, que desejava ter-se demitido já em 2008, não o tendo feito por imperativo de consciência: estava tão preocupado com a situação internacional que entendeu ser seu dever manter-se no posto e dar tudo por tudo para que o Canadá não sofresse de recessão nem com a crise que abalou tantos países. Conseguiu o que desejava. E assim, o político deixou o governo, em paz com a sua consciência, para se dedicar à família por inteiro. Mas Deus entendeu dar-lhe o eterno descanso. [Ler mais ...]

E agora já sabemos quem comeu os ovos todos!

A Alemanha optou pela quantidade. Reuters / Fabrizio Bensch (@ http://qz.com/200297/happy-easter-eggs-eastern-europe/) A Alemanha optou pela quantidade. Reuters / Fabrizio Bensch .

A abolição silenciosa (e consentida) da democracia

Give up your rights

Ultimamente sinto-me no filme da democracia New World Order style que se desenrola nos EUA desde o muito mal explicado atentado terrorista de 11 de Setembro de 2001. Há quem acredite que, com o 25 de Abril, assistimos a apenas um PREC. Na realidade foram dois. E ainda que um tenha ficado rapidamente pelo caminho, o “processo revolucionário em curso” levado a cabo pela mesma elite que já governava o país no tempo do outro senhor continua, e conheceu dias de franca expansão desde 2008, altura em que os verdadeiros terroristas do globo decidiram que os países mais vulneráveis da zona euro (entre outros) haviam de pagar as aventuras especulativas dos grandes bancos mundiais e da alta finança em geral. Como resultado de erros que não cometemos e do facto dos 2 partidos e meio que dominam o sistema político serem meros instrumentos nas mãos da verdadeira elite, assistimos hoje ao acelerar da perda de soberania financeira, que de qualquer forma já vinha sendo progressivamente alienada desde a adesão à União Europeia, mais tarde convertida em IV Reich.

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Última Hora: Governo Demite-se!

Pedro Passos Coelho no 39º Aniversário do PSDSim, aconteceu em França.

Anarcomiguxos

A palavra não é fácil de explicar: migucho é um equivalente brasileiro para amiguinho, abreviado na nova língua portuguesa dos teclados, em tuga penso que se escreve mgo. Anarco, neste caso, vem da pretensão da extrema-direita moderna se apresentar contra o estado, excepto quando, armado e feroz, lhe suporta o poder económico.

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Anarcomiguchos é a designação de uma página no Facebook, onde gente de várias esquerdas se diverte com os seus adversários políticos, inspirados pelo astrólogo Olavo de Carvalho e muito concentrados no mises.org. Assenta que nem uma luva, no Brasil onde os devotos da ditadura militar ainda são um entretenimento, não nos chega, que os temos no governo e dali não irão sair se continuarmos a suportar o arco do capitalismo selvagem que nos tem governado neste século, fora o passado.

Porque o anarcocapitalismo está para o anarquismo, como o emo está para o punk – é o seu lema. E tanto mar nos separa, é o remate que aqui me interessa, a esquerda portuguesa até finge ser este mais um governo de direita como os outros, enquanto da serpente todos os ovos estalaram. Alguma malta, depois num campo de concentração qualquer, ainda discutirá o assunto.

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Sobre radicais idiotas

idiota

(na falta de foto do nosso conterrâneo idiota, deixo-vos uma outra, de um jovem igualmente idiota)

De toda uma panóplia de idiotas que anda por ai a pregar o evangelho de Adolf, de Kiev ao Funchal, passando por todos os Mários Machados desta vida, existe um idiota que se quer destacar dos outros idiotas. O seu nome é Luís da Silva Canedo e a idiotice que nos apresenta é de um nível de execução só possível aos mais exímios praticantes da idiotice.

Ora o senhor Luís é candidato da Frente Nacional nas autárquicas francesas. Este indivíduo, emigrado em França há 20 anos e sem ter requerido, até ao momento, nacionalidade francesa, assume-se como admirador de Marine Le Pen, a mulher que quer limpar o país dos infames emigrantes, grupo no qual se inclui o indivíduo que a admira. Um idiota masoquista portanto.

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Faz sentido

As democracias ocidentais sancionarem déspotas, apertando o cerco ao fundamentalismo islâmico, procurando retirar do poder nos seus países governantes sem o mínimo respeito pelos Direitos humanos. Sem dúvida o Egipto é hoje uma terra de Justiça, capaz de julgar de forma célere 529 cidadãos apoiantes do criminoso presidente eleito, felizmente já deposto por uma junta militar. Por onde anda a Liberdade que justificou Tunísia, Líbia ou Síria, apregoada aos 4 ventos nos gabinetes de Washington ou Bruxelas, esta última verdadeira marioneta de Paris?

Europa SA.

Europa SA..

via Europa SA..

A legitimidade de tomar o país de assalto

Se te manifestas contra o Governo em Caracas ou Kiev (neste caso contra o de Moscovo), estarás a lutar pela liberdade e contra o absolutismo. Se te manifestas em Lisboa ou Atenas és um irresponsável incapaz de perceber que as tuas atitudes provocam consequências desastrosas junto dos mercados e dos investidores. Pouco importa se te sentes injustiçado, roubado ou enganado porque a legitimidade da tua revolta, ao contrário da dos nossos pares venezuelanos ou ucranianos, depende muito menos desses factores do que do apetite voraz de Wall Street ou da City londrina. O teu país está tão ocupado e vergado a oligarcas como a Crimeia. A única diferença é que em Portugal e na Grécia o poder político já assinou o pacto de vassalagem com o regime certo. Aqui o trabalho está feito.

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Direitos humanos em jeito de assim…

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Hoje deve ser dia de festa entre os capangas do clã Bush, nomeadamente a quadrilha do Bush II. Mais uma vitória dos direitos humanos, que brilha entre as muitas que estas poderosas forças de exportação de felicidade têm espalhado, nomeadamente no Médio Oriente.

Depois da transformação brutal e sangrenta do Iraque (que era uma república laica, se bem que autocrática, com alguma preocupação de redistribuição de recursos sociais) numa teocracia governada por loucos fanáticos, têm-se sucedido inovações que brilham entre os maiores recuos históricos de que há registo. Hoje soubemos que as novidades em matéria de direito de família contemplam normas como o casamento das mulheres aos nove (9!) anos – dando assim dignidade legislativa e sagrada à pedofilia -, o desaparecimento da noção de violação no casamento – pelo que crime passa a ser qualquer resistência da mulher aos caprichos do marido – e a interdição da mulher sair à rua sem a expressa autorização do marido (e ainda há ingénuos entre nós que pensam que o feminismo é coisa ultrapassada). [Ler mais ...]

Já assisti a este filme anteriormente…

Não sou especialista em política internacional, muito menos em questões de secessão. Por princípio sou favorável à autodeterminação dos povos. Dentro de alguns limites, isso inclui o Direito de secessão dos povos, regiões, países. Se o País Basco ou Catalunha decidirem um dia quebrar a ligação à Espanha, ou mesmo se a Madeira deixasse de pertencer a Portugal, desde que resultasse da vontade das populações expressa em livre referendo, a minha posição seria favorável. O pretexto que a comunidade internacional utilizou no Kosovo, permitindo à maioria albanesa do território separar o mesmo da Sérvia, serve agora como uma luva à população da Crimeia. Por mais que os hipócritas políticos que governam os EUA ou a inútil instituição sediada em Bruxelas protestem. Foram eles quem abriu a caixa de Pandora…

13 de Março de 2014, céu geralmente limpo

José Xavier Ezequiel

Que dia emocionante. Em Lisboa, baixa-se a bandeira a meia-haste pela morte do ex-cardeal. Francisco comemora um ano do papado mais ‘refreshing’ dos últimos séculos. O emplastro de Belém veta outra lei que implica directamente com as ‘suas despesas’. Há novas e excitantes imagens de bombardeamentos aéreos na Síria, de banhos turcos em Istambul e de ‘manifestações fascistas’ na Venezuela. Prosseguem, a bom ritmo, a batalha naval na Crimeia e o mistério do avião desaparecido em plena Ásia. A greve da CP, segundo fonte sindical, tem 85% de adesão. E Portugal acorda da ressaca do lançamento desse monumental saco de gatos que se chamou Manifesto dos 70.

Chega a dar-me ganas de me socorrer da Bíblia. Mas não me vem nenhuma citação jeitosa à memória. Fica para a próxima.

Firmeza

Vladimir Putin and David Cameron
As vozes indignadas da UE e, mais ainda, dos EUA, estudam com denodo medidas a aplicar à Russia. Chegaram a propor sansões que passariam pelo congelamento das contas bancárias dos cidadãos russos, informa a imprensa em geral.

O senhor Cameron, no recesso do seu gabinete, lê tudo isto. E ocorrem-lhe coisas preocupantes. Pensou nas contas dos milionários russos que enchiam os offshores britânicos – a começar por Londres ; pensou no destino de clubes como o Chelsea se os seus proprietários se zangassem; pensou nos pingues proventos das empresas britânicas sediadas ou dependentes da Rússia.

Varreu tais preocupações da cabeça e, erguendo-se firme, ditou altaneiro, com ar de Wellington, o seguinte memorando ao seu secretário, que o deveria imediatamente comunicar a Putin: ” Senhor Putin, tem 100 anos para levantar a mão dos assuntos ucranianos! Ou sofrerá as consequências!”.

Sobre os soldados que estão na Crimeia e que não são russos

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Tal como o Major Lomtev disse em Teodósia:”Conhecemos muitos deles porque fizemos muitos exercícios em conjunto e temos relações estreitas com eles. Para ser honesto, não acho que eles tenham orgulho nas ordens que estão a cumprir neste momento. [The Guardian]

Uma verdade de polichinelo é esta, todos saberem que as tropas são russas mas fazendo-se de conta que não se sabe. A outra é que nenhuma potência, militar ou económica, alguma vez permitirá vizinhança inconveniente no seu quintal. Imagine-se, por exemplo, um Canadá comunista.

E um vizinho pobre, a quem se empreste dinheiro e que dependa da nossa energia, é muito mais domesticável, de nada servindo, inclusivamente, guloseimas com sabor a euros, dólares e chocolate. Más notícias para a Ucrânia, condenada a ser independente, desde que continue pobre e encostada à Rússia.

foto: activistas Femen a protestarem contra a guerra, frente ao parlamento da Crimeia, durante um rally pró-russo, em 6 de Março de 2014 (Alexander Nemenov/AFP Photo)

Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço

Barack Obama, Vladimir Putin

O império norte-americano, em toda a sua plenitude balofa e tentacular cujas ventosas, agarradas a meio planeta, vão sugando e destruindo tudo o que as suas ainda mais obesas corporações lhe vão exigindo, da América Central à Latina, passando pelo Médio Oriente e pela superioridade hierárquica exercida sobre a Europa, não admite comportamentos similares aos seus. Financiamento de golpes de Estado, treino de milícias terroristas ou violações constantes da soberania de qualquer país onde Tio Sam queira “penetrar” são acções que, pela sua complexidade ética e moral, deverão ser sempre um exclusivo dos norte-americanos, da NATO controlada pelos norte-americanos ou da ONU controlada pelos norte-americanos. Sempre que as elites norte-americanas assim o exigirem.

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Que lata!

Ver John Kerry afirmar convictamente que é inaceitável usar as armas como instrumento de política internacional é hilariante. Disse-o há dias, voltou ao tema hoje em comunicação transmitida em directo (“traduzida” em tempo real pelo locutor de serviço, com os disparates habituais, que se repetirão até as televisões descobrirem que há tradutores profissionais) em que foi comunicada a gorjeta que os EUA vão dar à Ucrânia. Só mil milhões, ó John? Isso não é lance que se apresente neste leilão. Não chega para pagar a conta do gás deste ano.

Porque será?

Um país (Rússia) invadiu outro (Ucrania).

Mas estou a estranhar uma coisa, não está a decorrer, nem  prevista, qualquer manifestação junto da embaixada russa em Lisboa, em protesto contra essa invasão.

Porque será?

 

Em directo, da Ucrânia

Via http://espreso.tv/

Atentados terroristas?

Deviam ser sempre assim. Isto sim é um bom professor!

Limpeza étnica no futebol suíço

Selecção Suiça

(Fonte: Extra3)

Ainda que por escassa diferença (50,3%), a Suiça disse este Domingo “Sim” à introdução de restrições à circulação de cidadãos da União Europeia no seu território. E enquanto a extrema-direita festeja e os dirigentes da União avisam que este uso “desregrado” da democracia terá consequências, o blog alemão Extra3 publica uma montagem daquilo que seria a selecção nacional suíça sem os seus imigrantes ou descendentes. O Mundial do Brasil estaria seriamente comprometido para o que restasse dos helvéticos. Em Portugal resolvia-se o problema com “vistos-talento”.

Ayn Rand, ou o neo-nazismo revisitado

Any Rand é a musa da extrema-direita contemporânea. Com o seu tradicional horror às artes e cultura até uma escritora de 5ª categoria serve, o que se exigem é que seja clara nos objectivos, armada em filósofa e com uma brilhante biografia.

A essência da coisa é a do costume: a afirmação do individual contra o social, algo que já tinha sido a luta de Adolfo Hitler, mas esse queimou-se. É ouvi-la:

E está certo, assumem-se ao que vêm: passar por cima de tudo e de todos para alcançar o sucessom capitalismo em estado selvaticamente puro, portanto, outra coisa não se espera de alimárias.

Que um apanhado pelo clima venha aqui vender tal peixe não me espanta: é a sua natureza, o Mein Kampf vem já a seguir.

Que farei quando tudo arde?

Tanja Ostojic, After Courbet

Lá diz o povo que até para ser cão é preciso ter sorte. A nós calhou-nos esta matilha. E neste grupo arraçado de gente todos querem phoder na Europa. Até a elite política chinesa já procura o prazer dos paraísos nas Ilhas Virgens. Isto anda tudo ligado, não anda?

As notícias dizem-nos que a Europa já só atrai 20 % do investimento feito em todo o mundo [Ler mais ...]

Take it for granted!

all-seeing-eye

Ligação à internet? Naaaaaaaa! Isso é para piratas comuns. O grande irmão não precisa dela para vasculhar a tua vida. Como não poderia deixar de ser, tudo em nome da segurança e da luta anti-terrorismo!

Mas não nos deixemos alarmar: os cowboys da NSA garantem que esta tecnologia não é utilizada em computadores de cidadãos ditos “comuns”. A menos que, claro, tal garantia se enquadre na mesma categoria de garantias que davam como garantido a existência de armas de destruição maciça no Iraque. Não deve ser por ai. Estes gajos “olham” por nós. I take that for granted!

God bless America? Yeah right…

os artistas de circo e as pedras das calçadas

Há algo de profundamente humilhante em ver-se, mesmo a décadas de distância e com um bom bocado de mar e largas léguas de permeio, os desacatos e as manigâncias e malabarismos de pessoas que se conheceram numa outra vida, pessoas que, de um modo ou de outro, fizeram parte do nosso universo pessoal.

Colegas de liceu. Colegas de faculdade. Irmãos e primos mais velhos uns, a maioria mais novos, de amigos, colegas, companheiros (e irmãs e primas, mas por qualquer motivo que me finge escapar a maioria das “elas” de então parece ter-se evaporado). Colegas das lides políticas, das lides partidárias, das lides académicas, das lides políticas académicas, das lides políticas partidárias académicas. Amigos, alguns. Outros, conhecidos apenas. Outros, mesmo, inimigos, alguns até virulentamente viscerais.

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Ontem, os *artefatos *piroténicos

Sim, ontemHoje, “o *fato de as mulheres abusarem”. Obrigado, Rui Miguel Duarte, pelo apontador.

Camarada Durão

No dia em que a China celebra os 120 anos do nascimento de Mao Tsé-Tung, vale a pena recordar esse ícone da luta revolucionária maoista que foi o camarada Durão:

medida essa que não é mais do que o reflexo da crise do sistema de ensino burguês, e medida essa que é inteiramente incorrecta, anti-operária e anti-popular

E era este o discurso do camarada Barroso há 37 anos atrás. Mao estará certamente orgulhoso dele.

OCDE: queda de custos unitários do trabalho e produtividade em Portugal

 A produtividade do trabalho é baseada no valor acrescentado e em horas ou pessoas; custos unitários do trabalho baseados na compensação do trabalho e nos resultados da produção. 

                                                                                                        (Conceitos da OCDE)

Paulo Portas, em assomo de autoridade de governante demissionário irrevogável e revogado, recorreu ao estilo demagógico em que é perito. Com virilidade e ímpeto,  foi peremptório perante a AR e os portugueses:

O governo não acredita num modelo de salários baixos… é importante que os portugueses percebam que em algumas matérias as posições do Governo são diferentes das do FMI…

Tão bem ou melhor do que o indiano do FMI, Portas sabe que o modelo económico decorrente do “plano de assistência” permitiu uma intensa, e dramática para as famílias, desvalorização de salários e de outros rendimentos (reformas e pensões).

As medidas de flexibilização da legislação laboral – facilidade e embaratecimento dos despedimentos – conjugadas com os cortes salariais na função pública e o congelamento do SMN conduziram os trabalhadores portugueses a baixos níveis de rendimento, ao desemprego e difíceis condições de vida – o desemprego de ‘longa duração’ envolve mais de 200.000 trabalhadores com idade superior a 45 anos, muitos deles sem direito a subsídio. [Ler mais ...]

O escuro é muito grande, o tempo é muito frio

Os imigrantes africanos que morreram no mar de Lampedusa, a ilha cemitério, tiveram direito à nacionalidade italiana póstuma. Os que chegam vivos vão parar a “centros de acolhimento”, onde não fazemos ideia de como estarão a ser tratados. O vídeo que agora se tornou público, gravado com um telemóvel e exibido ontem à noite na RAI, obriga-nos a lembrar o pior de que a Europa civilizada foi capaz.

Em fila, nus perante toda a gente, ao frio, os imigrantes são lavados à mangueirada, um procedimento de desinfecção alegadamente por causa da sarna. Qualquer semelhança com campos de concentração nazi será apenas porque, para nossa desgraça, é deles que nos vamos aproximando.

Nota: O seu a seu dono, o título pertence ao Fausto e a outros naufrágios.

“Ça ne va pas”, disse Schulz em ‘Avril au Portugal’

Martin Schulz, sabe-se, é membro do SPD (Partido Social-Democrata Alemão) e presidente do Parlamento Europeu. Participou no XIX Congresso do PS em Abril passado. Valeu-se, então, de uma ideia célebre de Thomas Mann e repetiu-a:

Queremos uma Alemanha europeia e não uma Europa alemã

Divagou por percurso retórico sintonizado com esta frase e a referência ao fosso económico e social entre o Centro e Norte da Europa (a Alemanha, em destaque) e os Estados periféricos.

Com jactância, proclamou um “Ça ne va pas” (“Isto não vai”). Em francês ou português, é frase de sujeito indeterminado (o pronome ‘Ça’ ou ‘Isto’) e de complemento omisso (não vai  fazer o quê, onde?…).

Quando muito, podemos esmiuçar que Schulz terá pretendido dizer: “a falta de solidariedade europeia tal como a vivemos não levará a Europa dos 28, e menos ainda os 17 da Zona Euro, à coesão socioeconómico e de desenvolvimento integrado que percursores e anteriores líderes europeus publicitaram” – de Jean Monet e Schumann a Delors, Willy Brandt, Helmut Khol, François Mitterrand e muitos outros. [Ler mais ...]

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