A inconsistência de Nuno Crato

Santana Castilho*

Não há nada como o querer do candidato autárquico Luís Filipe Menezes. Bastou o concorrente do PSD prometer que, se ganhar, todas as crianças do Porto terão Inglês no Básico, para Nuno Crato dar a pirueta da semana. O inconsistente ministro afirma agora que pretende tornar o Inglês obrigatório, incluindo-o no currículo do 1º ciclo do Ensino Básico. Num dia desvalorizou a disciplina (anulou a obrigatoriedade de inclusão nas Actividades de Enriquecimento Curricular do 1º Ciclo e reduziu-lhe a carga horária no 2º e 3º). No outro promoveu-a a fundamental. Depois disto e das mentiras que nos ofereceu na recente entrevista à SIC, alguém sensato pode confiar neste ministro catavento?

Para além da espuma da inconsistência, que produziu notícias, parece-me necessário fixar a substância da incompetência, que marca a realidade.

A incontinência conceptual caótica de Nuno Crato permite que tenhamos hoje crianças que poderão concluir o 1º ciclo do Básico com 4, 3, 2, 1 ou nenhum ano de Inglês. Tudo em nome da “livre escolha” e de uma cínica “autonomia”. E é nestas condições de “igualdade” que se prepara o percurso, a medir por mais um exame. [Read more…]

Braga: Perguntas e Ideias


Braga precisa urgentemente de respostas a muitas perguntas de resposta adiada, décadas a fio…

Sim, de fato

A verdade, porém, é que, apesar de o final do período de transição ainda se encontrar distante, ao nível do ensino, das instituições oficiais, nacionais e internacionais, e das restantes entidades públicas, o AOLP90 já foi quase plenamente aplicado, como o Estado determinou, sem problemas de maior

— ILTEC, Lisboa, 21 de Março de 2013

No entanto, passados seis meses:

  • “Discriminação do ato, fato ou contrato sujeito a liquidação”.
  • “As dívidas por taxas prescrevem no prazo de 8 (oito) anos a contar da data em que ocorreu o fato tributário”.
  • “A paragem dos processos de reclamação, impugnação e execução fiscal por prazo superior a 1 (um) ano, por fato não imputável ao sujeito passivo”.
  • “No âmbito do Capítulo VI, Seção IV do anexo I da Tabela de Taxas do presente Regulamento (…)“.

Peço desculpa pela interrupção.

Agora, já podem continuar a encolher os ombros e a achar que isto não está a acontecer.

Era Abaixo-do-Vazio

Afira-se pelos livros, portanto, pelos leitores.

Síndrome do Franganote

À medida que a informação é recolhida e se repetem nas TV as declarações martirizadas e autovitimizantes de Nuno Lobo, além do cansaço e do tédio que suscitam, percebe-se melhor e até se reforça o problema de afirmação que ali medra em gérmen. Nuno é um franganote. E não tem culpa nenhuma disso. É da sua natureza ser franganote e reagir como um franganote. Eu simplesmente sugeriria que da próxima vez que cerrar os punhos na cara do Caldeira e do Pinto da Costa a propósito de um ou dois golos irregulares de uma equipa de Lisboa, o faça devidamente ladeado por guarda-costas com papel meramente dissuasor. O que não vale é provocar insolentemente o adversário, ter resposta à altura, e depois vir choramingar para as TV e chamar em sua derradeira assistência, em modo brutamontes-capanga, a nossa já tão assoberbada Justiça. Isso é o síndrome do franganote: num primeiro momento, atrevido; num segundo, com medo e em fuga aflita. Assim se comportam as crias de muitos mamíferos. Por isso, onde se lê Lobo, dever-se-ia ler chihuahua. O chihuahua da AF Lisboa quer, mas a medo, a hegemonia da AF Lisboa no Futebol Nacional e levanta cabelo, mostrando existir lá, onde ainda não tínhamos dado por ele. O défice de afirmação física, fisiológica, vocal, e até moral de Nuno Lobo tornou-se um espectáculo deprimente a que nos deveria ter poupado. Somado ao de Jesus, barafustando a torto e a direito contra a acção legítima da polícia, em Guimarães, apenas para cair nas boas graças da Tribo Aquilina, a deprimência nessa trincheira sulista passou à categoria de lenda piolhosa e treta famigerada. Parabéns.

A voceízação toma conta da sociedade

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Confesso que estou farta, cansada de tanto «você».
E este cansaço torna-me violenta. Ainda não bati em ninguém, mas já faltou mais.
Vou a uma loja da Zon, a funcionária, simpática e solícita atende um cliente. Depois de o meu oto-radar apanhar o primeiro e o segundo «você», pus-me à coca. Comecei a contar. Durante o atendimento a um cliente, a menina tratou-o por você seis vezes. Se fosse comigo, não sei se aguentaria. «Você pode escolher os canais», «Você é que selecciona», «Claro, você faz assim na sua televisão»,…
Um dia destes enquanto fazia voluntariado, uma das pessoas responsáveis pela instituição, no mínimo licenciada, ao que percebi: «Preciso que você me dê aqui uma ajuda», «Você depois faz assim»,…
Você, Você, Você!
Não aguento!
Serei só eu?
Caros leitores, se alguma vez me encontrarem na rua e falarem comigo, a menos que sejam um negão bem jeitoso que me diga com voz rouca «eu quero você», façam o favor de me chamar Noémia ou até senhora. Na dúvida tuteiem-me.
Você nunca!

Mau Gosto e Mau Português

Aí está o condicionamento psíquico do redil eleitor provindo das hostes socialistas-bloquistas-comunistas. Será isto justo para os bons candidatos sejam de que partido forem?! Ir a jogo lealmente, isso é que o desespero segurista não pode nem o dos outros. Primeiro, foram as impugnações manhosas na secretaria, festa do PS e do BE. Agora, a tentativa do tudo ao molho contra o PSD e CDS-PP e fé em Deus, como se subjacente a uma eleição local não repousasse o princípio de escolher os melhores e mais capazes. Não se deixem enganar: dia vinte e nove, votem no melhor candidato do BE, no melhor do PS, no melhor do PSD, no melhor do CDS-PP, no melhor do PCP/PEV. Se fosse possível que nos vingássemos do Governo com eficácia, jamais poderíamos perder a oportunidade de nos vingarmos do PS igualmente, porque devastou e porque é frouxo. Infelizmente, não nos podemos vingar do BCE, da CE e do FMI, senão fazendo o que nos pedem e o que a Alemanha, por trás, exige inflexivelmente.

Imagens do Bairro de S. Sebastião

Ontem, Carlos Esperança partilhou isto na sua página de Facebook.
Copio para aqui porque retrata o que muitos de nós sentimos. Já li e reli várias vezes este texto e a teimosa da lagrimazita continua a cair.
Quem dera que fosse o governo e os interesses tão egoístas a cair. O povo, esse, creio que ainda é solidário com quem sofre.

«Imagens do bairro de S. Sebastião

Avalio o que é chegar a casa, ver a alegria dos filhos, e reprimir a lágrima de quem não sabe se mantem o emprego e a capacidade de os sustentar. Até quando a sopa e o arroz com carne de segunda, onde já falta a fruta, poderão perpetuar a dieta mínima com que se criam os filhos?

Hoje, do outro lado da rua do prédio onde moro, em frente a uma garagem, por baixo da capela, dezenas de pessoas aguardavam a distribuição de víveres que uma instituição religiosa distribui regularmente. Havia gente de todas as idades, negros e caucasianos, homens e mulheres, numa fila que cresce, em cada semana que passa.

Por pudor, quando passei, baixei os olhos, mas reconheci várias pessoas cujas carências ignorava. Até quando é possível manter a fome escondida, esta sobrevivência ameaçada e a dignidade atingida?

Nos olhos tristes de quem pede vi o reflexo de uma sociedade em fila a estender a mão à caridade, perdidos os sonhos de uma vida digna, espoliada do direito á felicidade.

Do meu bairro vi o País.»

Texto escrito por Carlos Esperança e publicado na sua página de Facebook

Qualquer semelhança com a realidade é pura sorte

Montou-se a confusão no bairro e o epicentro foi a loja do Mukta. Quando vamos à loja dele tentamos incomodar o menos possível porque ele está a falar no skype com uma multidão que se sucede a um ritmo estonteante. Homens, mulheres, crianças, quiçá parceiros de negócio, primos, irmãos, sobrinhos, antigos vizinhos, vendedores de automóveis, cobradores de impostos, velhos amantes.

Falam todos muito depressa, como se pressionados pela fila que se vai formando atrás. E apesar de não entendermos uma palavra do que dizem, não podemos deixar de sentir que viemos interromper uma conversa e intrometer-nos em assuntos onde não eramos chamados.

É capaz de ser pelas constantes interrupções que o Mukta mostra sempre um rosto tenso quando nos atende, e uma certa expressão de censura pelos nossos hábitos descomedidos. Entrega o cigarro comprado avulso como quem lhe apetece dar-nos uma descompostura por sermos viciosos. O mesmo com a cerveja, o mesmo com a embalagem de gomas reluzentes de E-226 e açúcar.

Eu tinha acabado de entrar e a miúda já lá estava, a remexer na arca dos gelados, e logo avançou para a caixa com ar enojado e uma coisa verde nas mãos. [Read more…]

À Luz Insólita Ramos-rosiana

Foi na Faculdade que em mim primeiro cintilou o encantamento pela poética ramos-rosiana. A impressão do gosto, da suavidade, da linearidade rugosa do texto, da luz insólita, ficou-me como o frutado de um bom vinho tinto algures na degustação, ficou-me como se tivesse sido eu. Desde então, o meu escopo não era bem lê-lo, mas ser-lhe similar, acumulador em palimpsesto de aromas poéticos rumo ao meu projecto de me tornar num Novo Camões, num Super-Pessoa.

AD Lousada reentra a vencer

ad lousada supertaça carlos fernandes

A Federação Portuguesa de Hóquei iniciou oficialmente a época 2013/2014 com a Supertaça, disputada entre o campeão nacional (AD Lousada) e o finalista vencido da Taça de Portugal (CF Benfica), da época transacta, e atribuiu ao troféu um significado muito especial ao homenagear uma das mais reverenciadas figuras da modalidade, o recém-falecido Carlos Fernandes, que ficará desde agora ligado com o seu nome ao troféu.

A AD Lousada, começa, assim, esta época desportiva como finalizou a anterior: a vencer. E acrescentando ao seu palmarés a segunda Supertaça da sua história, depois  da dobradinha de 2012/2013. [Read more…]

Aí estão as sondagens

As sondagens são um instrumento de acção política utilizada pelas máquinas políticas, que as usam tal como um outdoor ou um espaço nas redes sociais. Não sei se os Partidos conseguem condicionar a forma como a Comunicação Social as divulga, mas se o PSD parece conseguir condicionar a CNE…

Do ponto de vista formal obedecem a algumas regras, uma das quais exige a sua publicitação na Entidade Reguladora para a Comunicação Social.

Existe ainda uma dimensão de análise mais técnica que permite um olhar mais matemático sobre os dados disponíveis. O Pedro Magalhães ( Margem de Erro) é um dos melhores especialistas nesta área.

Vem isto a propósito da sondagem de hoje do JN sobre Matosinhos. Não sei se os dados estão martelados e por quem – não vou perder um minuto com isso. A minha pergunta é outra. Podemos ler, na publicação que “Foram efetuadas 838 tentativas de entrevistas e, destas, 123 (14,7%) não aceitaram colaborar no estudo de opinião.

Isto é, 715 pessoas poderá ser uma amostra representativa do concelho?

E o que dizer sobre “a selecção foi feita de forma aleatória na lista telefónica”?

Quem é que hoje tem telefone fixo com indicação na lista telefónica? A propósito, ainda há listas telefónicas?

Requiem pelo I Programa de Resgate?

Se houver um segundo resgate é porque a política, o jornalismo e o comentário político falharam. Não sou, jamais serei, como outros que imputam quase exclusivamente a Passos Coelho o malogro do Primeiro Programa de Resgate. Não suporto a linha discursiva ultradestrutiva de Pacheco Pereira. Estranho muito João Gonçalves cujo conhecimento privilegiado da experiência governativa recente não se traduz em qualquer expectativa favorável para Portugal, em confiança no nosso destino, ou no recato de uma lealdade básica, mas apenas no ressabiamento, justificado ou não, pela própria evacuação com a saída de um dos melhores ministros, Álvaro Santos Pereira. Não podemos alegrar-nos por Portugal cair de borco; não se pode fazer figas por que naufraguemos, dadas as desavenças com o timoneiro em plena borrasca.

Como é que há gente lucidíssima que traz para a arena pública nada mais que a incontinência dos seus maus fígados, vísceras viciosas de quem detesta outra gente por razões muitíssimo pessoais?! Em todo o caso, se este Primeiro Programa de Resgate falhar, falha por razões bem amplas, até longínquas. Falhará porque terá estado errado? Sem dúvida, especialmente na tentativa de concentrar no tempo um sofrimento esmagador sobre milhões de nós. [Read more…]

Ah-Ah! ou «Arrá, ti peguei!»

Esta gente está a revolucionar o humor em Língua Portuguesa e com recursos absolutamente pechincha. Os textos têm qualidade. Os desempenhos são artesanais, espontâneos, conseguidos.  O efeito é viral.

Portugal não é a Grécia

Repitam comigo – a Universidade em Portugal não é a Universidade na Grécia.

Eleições autárquicas

Mais um Prospector de Protagonismo

Tinha de ser. Portugal e o Mundo têm agora o privilégio de conhecer Nuno Lobo. Ora, who the fuck is Nuno Lobo? Ninguém. Ninguém que importe. Não é o Papa Francisco. Não é Nelson Mandela. Não é João José Cardoso. Não é o Palavrossavrvs Rex, não é sequer a Catarina Martins de olhos arregalados e voz flauteada. Não é nada de importante, salvo se, provocando despudoradamente os elementos convidados do meu clube, FC Porto, no último Estoril Praia vs. FC Porto, em pleno Camarote, agora se faça de vítima, arrastando a atenção dos media sobre si e mostrando de que é feito um homem: de litigância. Há problemas, um bate-boca, um arrufo, uma cena mais viril, um anda cá a ver se não bebes?! Litiga-se. Há chatices entre homens, empurra-daqui, filho-da-puta-dali?! Litiga-se. Nuno Lobo, tinha de ser, é mais um a querer mimo, atenção e festinhas, para efeitos auto-promotores e tentativa de denegrir outros, arrastando a sua nula importância e ainda mais nula existência à custa do meu FC Porto. Consta que é o Presidente da AF Lisboa. Pois. Mas what a fuck vem a ser a AF Lisboa?!

Pergunta idiota

Posso dizer do António Ramos Rosa, dele não li um poema que me fosse às ventas e logo me ajoelhasse?

Voto branco e nulo = abstenção

A dolorosa a visão do país político que as autárquicas desvendam, as estradas de repente minadas de outdoors com engenheiros anafados a prometer mais do mesmo, a criatividade bacoca, as frases-feitas e os lugares-comuns acordizados, os discursos da obra feita em que não cabe o povo que agoniza na miséria do desemprego e da carência mais abjecta: o país real. Mas há mais mundo, cidadãos por Coimbra e outros por outros lugares, e haverá sobretudo mais País se não entregarem os pontos e forem votar. Não em branco, que não serve de nada (e nem mesmo se os milhões que se abstiveram nas últimas eleições votassem em branco), mas em alternativas ao marasmo corrupto e liberalíssimo de quem pensa a política como uma escada de ascender ao poder de subjugar todos os outros. Vão votar. A vossa abstenção não pune ninguém senão vocês próprios (sois masoquistas porventura?) e premeia os que conseguirem juntar mais votos, tanto menos necessários para serem vencedores quanto mais cidadãos se abstiverem de votar – assim funciona o sistema eleitoral.

um homem morreu. mas não era só um homem. era poesia. ainda é.

O A. Pedro Correia já deu a notícia aqui, mas quando morre um poeta, é preciso escrever em toda a parte e infinitamente que a poesia não morre nunca. Morreu um homem. Chamava-se António. Era poesia. Ainda é. Está vivo. E escreve sol. 

Image

«Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever sol

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram as suas faces
e na minha língua o sol trepida

melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde»

(António Ramos Rosa, ‘estou vivo e escrevo sol’)

 

Fotografia roubada ao Artigo 21.º

Em matéria de ir ao cu

Nunca foste enrabado por um político de esquerda, Joaquim.  Não, o PS não conta, são a fingir.

António Ramos Rosa 1924/2013

Morreu um poeta. Chamado Rosa, Ramos Rosa. António.

 

Viste o cavalo varado a uma varanda?

 

Viste o cavalo varado a uma varanda?

Era verde, azul e negro e sobretudo negro.

Sem assombro, vivo da cor, arco-íris quase.

E o aroma do estábulo penetrando a noite.

Do outro lado da margem ascendia outro astro

como uma lua nua ou como um sol suave

e o cavalo varado abria a noite inteira

ao aroma de Junho, aos cravos e aos dentes.

Uma língua de sabor para ficar na sombra

de todo um verão feliz e de uma sombra de água.

Viste o cavalo varado e toda a noite ouviste

o tambor do silêncio marcar a tua força

e tudo em ti jazia na noite do cavalo.

Lista de Sócio-Enrabadores

O combate político é fodido. Vem um motociclo pela Esquerda e garante-nos que quem nos enraba é a Direita. Vem um Autocarro pela Direita e diz, não, senhor, quem nos enraba em Portugal, desde há décadas, é uma cultura de Esquerda em contraciclo com o resto do Mundo, uma cultura que petrificou a sua Constituição recozida, uma cultura de garantismo de direitos sem dinheiro para os garantir de facto, uma cultura e a sua petrificação mental. Não sei. Na minha lista de sócio-enrabadores há muitos cromos. Refuto, porém que a vocação nacional seja aturar sucessivas enrabadelas governamentais, num País onde a compita pelos orçamentos dita que muitos se comam vivos no grande balde de caranguejos. Só? É discutível. Para os mercados, o Tribunal Constitucional tem sido sado-masoquista e colocado Portugal sob risco ao obstaculizar a premência de reduzir a despesa, der por onde der, antes que as coisas piorem. Odeio a Troyka. Mas odeio ainda mais um caminho covarde e demagógico de a recambiar. O caminho dos seguros, dos semedos, das catarinas, e do diabo a quatro. Na minha lista de caramelos enrabadores cabe um Relvas, dois ou três isaltinos, mas nunca nos esqueçamos dos varas, dos sócrates, dos oliveira e costa, dos lima. A lista de enrabadores é enorme. Para que a havemos de resumir?!

Apple e Nós

Apple faz rios de dinheiro em apenas três. Nós perdemos Poetas Absolutos com 32120 dias. A Maça e a Rosa.

A praxe da praxe

Embora me tenha oposto, e muito,  à restauração da praxe (a de Coimbra, é claro, fotocópias bem ou mal tiradas não merecem nem uma linha) devo dizer que deixei de o fazer com grande empenho. Posso agora gozar com os meus amigos então praxistas, com o clássico “estás a ver o que vocês arranjaram?” de preferência quando eles e elas passam assegurando aos gritos que querem é foder. O deprimente espectáculo da Queima das Fitas também serve, para qualquer humano que tenha bebido menos de duas cervejas antes e a quem reste o mínimo de bom senso. Em segundo porque tenho coisas mais importantes para fazer.

Se calhar é altura de fazer esse história. A da ilegal restauração do que formalmente continua suspenso, do empenhamento na altura do comércio local hoje em vias de extinção, das forças vivas da direita conservadora, que hoje coram ao verem passar o vómito generalizado e a queca pública.

Há um aspecto que  não mudou na praxe, e no fundo é a sua essência: a divisão de um universo de iguais entre mais velhos e mais novos, a iniciação voluntária ou constrangida  à submissão pública, a penitência vá-se lá saber de quê pela humilhação, e o treino para um grupo, neste caso um curso, que se julga superior aos outros.  Essa é a verdadeira questão, foi isso que se criticou ao longo de séculos (sim, séculos, sempre houve por um motivo ou outro quem se opusesse a esta barbárie) e é isso que continua para mim em causa, embora pouco empenho.

Com o tempo entendi e compreendi que a vocação nacional de muitos para serem enrabados pelos governantes e outros poderes tem direito a treino. O sado-masoquismo necessita de uma certa aprendizagem. Se gostam das troikas, dos Relvas, dos isaltinos (não é por acaso, é por isto mesmo que Oeiras é o concelho com mais licenciados), merecem o meu respeito. Praxem-se uns aos outros. Mas não se queixem depois do desemprego jovem, da emigração, e outras cenas assim. Desamparem a loja e não chateiem.

Aviso à navegação: pensem bem antes de comentarem. Mentirosos serão tratados abaixo de caloiro, estado que como é sabido está uns graus abaixo do de polícia e outros tantos abaixo do de cão.

Saiu a reserva de recrutamento 2

apesar de Nuno Crato continuar a dizer que está tudo colocado. Afinal havia outra verdade

Escrita portuguesa na vertente brasileira ― não há polémica

[O] projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa (…) constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional

Resolução da Assembleia da República n.º 26/91

A exigência de ‘escrita portuguesa na vertente brasileira‘ (repito e saliento, para quem não tiver lido com atenção: escrita) impedirá qualquer candidato a director do CCBM de grafar coisas estranhas como ‘receção’, ‘aceção’, ‘confeção’, ‘interceção’, ‘perceção’, ‘perentório’ ou ‘rutura’. Isto é, um candidato a director do CCBM que tenha a ousadia de grafar, por exemplo, ‘recepção’, ‘acepção’, ‘confecção’, ‘intercepção’, ‘percepção’, ‘peremptório’ ou ‘ruptura’ demonstrará um “desejável conhecimento da escrita portuguesa na vertente brasileira”. Sim: brasileira.

Ou seja, qualquer português que adopte o AO90 encontrar-se-á automaticamente excluído do rol de candidatos a director do CCBM, independentemente das ‘ações’, dos ‘diretores’ e de grafias afins ― incluindo ‘fatos’, ‘contatos’ e ‘seções‘. Bem-vindos ao mundo da “ortografia unificada de língua portuguesa”.

Felizmente, já tudo se resolveu, uma vez que «a Embaixada do Brasil em Maputo declinou pronunciar-se sobre a matéria por entender que “não há polémica no concurso”».

Portanto, não há polémica, está tudo bem. Antes isso.

Ana ina não

ficas tu eu não.

Hoje é dia de querer inglês.

Amanhã logo se verá.

Nota: se esta merda continua assim, chamo o Jesus para resolver isto!

Diz-se na Net mas Muito a Medo

Diz-se pela net, mas pouco e muito a medo que o regresso aos mercados é mesmo hoje porque vence-se hoje uma dívida de 5,746 mil milhões de euros, a que acresce cerca de 300 milhões de juros, emitida há 15 anos: ora, pela dimensão do montante a amortizar, este é mesmo o dia do regresso de Portugal aos mercados, mas o Estado já realizou duas emissões de dívida a longo prazo, uma a 23 de Janeiro de 2013, de 2,5 mil milhões de euros em dívida a cinco anos e outra a 7 de Maio, de três mil milhões de euros em dívida a dez anos. Diz-se na net, mas muito a medo e pouco, que com a amortização da dívida hoje efectuada o montante total da dívida diminui em cerca de 3,3% do PIB, baixando dos tais 130% do PIB. Diz-se por aí, na Net, mas muito a medo. Quase não se ouve.

Votar à Esquerda

Só há um dia em que somos todos iguais – o dia das eleições. Seja o CR7, o Passos Coelho, o Belmiro de Azevdo ou o sr. Carvalho, que vive aqui na rua, todos iguais no momento do voto.

Esta marca da Democracia também nos transporta para um outro sentimento de justiça, na medida em que podemos penalizar o mau Presidente, o péssimo governo ou as políticas erradas ou, continuar a votar em quem governa bem.

Tal como o meu camarada de escrita, parece-me que a solução nas nossas terras ou no nosso país passa pela esquerda, enquanto espaço de resistência às políticas que nos têm desgraçado nos últimos dois anos. Mas, a Esquerda tem tido (sido) um problema – não consegue encontrar um espaço para o que têm em comum. PCP, Bloco e PS, tal como a CGTP, têm sido actores políticos que sublinham sempre as diferenças entre si, quando há tanto que os une.

No que diz respeito ao sistema nacional de saúde, o BE, o PC e o PS não tem mais coincidências do que divergências?

E quanto à segurança social? Ou nos apoios sociais?

E, de forma ainda mais clara – a Escola Pública?  É ou não parte comum do património das Esquerdas? Será que o PS, o BE e o PCP não conseguem encontrar pontos comuns em torno deste pilar da nossa Democracia?

Tem que ser possível e aqui em Gaia há práticas nesse sentido.