Olhemos para os resultados

Desde que a crise financeira nos bateu com toda a sua força, a partir de 2010, a maioria dos cidadãos viu os seus rendimentos diminuírem, tanto cá, como na generalidade dos países. Foram cortados salários, pensões e reformas, os impostos aumentaram em catadupa e os serviços públicos viram a sua operacionalidade reduzia. Assim o exigiu a política seguida, chamada de austeridade, através da qual se pagou a dívida privada do sistema financeiro em ruínas e os juros galopantes da dívida pública.

A austeridade funciona? Certamente que sim, dependendo dos objectivos, pelo que olhemos para os resultados. [Read more…]

Postcards from Greece #54 to #56 (Kavála)

«I have to put the flag out»

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atirou-me o senhor da receção do Old Town Inn, em Kavála (um hotel muito simpático, centralíssimo e escrupulosamente limpo) depois de ter dito ‘Ah, you are from Portugal’. Fiquei a olhar para ele sem compreender e perguntei o que significava colocar a bandeira lá fora. ‘A bandeira de Portugal, ora essa’, disse-me ele como se fosse uma evidência e como se em todos os hotéis colocassem a bandeira nacional de cada hóspede. Eu confesso, já dormi em tantos e nunca dei por que hasteassem a bandeira portuguesa por mim. De maneira que quando regressei do meu passeio pela pitoresca e cheia de charme cidade, lá estava ela, a minha bandeira, ou melhor, a bandeira portuguesa, a ondular levemente ao vento, juntamente com uma bandeira turca, outra alemã e ainda outra inglesa. O hotel é pequeno. É o que lhe vale. Pois se hasteiam uma bandeira por cada nacionalidade dos hóspedes não haveria fachada que chegasse! Quando a vi, ao regressar, senti uma pontinha de alegria. Já se sabe que não sofro de patriotismo, como digo frequentemente podia ser de qualquer parte e, por isso, para quê amor desmesurado a uma pátria que nos calhou apenas por acaso? Mas apesar disto, senti então uma pontinha de alegria ao ver a bandeira portuguesa hasteada na fachada do hotel. Saudades de casa ou apenas, quer eu queira quer eu não queira, o reconhecimento de que, afinal, sempre terei algum prazer (não digo orgulho, vá, que seria demais) em ser portuguesa.

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Supernanny

Bruno Nogueira sintetizou a coisa há dias.

Este programa teve origem no Reino Unido, emitido pela primeira vez pelo Channel 4. É de notar que um país onde os assistentes sociais têm um enorme poder, tendo-o exercido com polémica para retirar crianças às famílias (exemplo; ver também Grã-Bretanha: As Crianças Roubadas), permitiu a emissão de um reality show onde crianças são treinadas como se fossem cães e onde estas, sendo a parte fraca, não têm voto na matéria.

O esgoto chamado SIC  está a emitir isto, em versão nacional. Como diz Bruno Nogueira, se um dia uma destas crianças se matar, lá irá Marcelo dar abracinhos de consolo, com a SIC a transmitir o velório para gáudio dos voyers que se alimentam da vida alheia.

Renovo o pensamento inicial quando, em 1992, foi  anunciado o nome da estação. Na altura, SIC fazia-me lembrar you make me sick. Parece que adivinhava.

Abaixo Donald Trump! Viva a Monsanto!

Não que a mensagem contida no novo tema e vídeo dos U2 não seja actual e relevante. É claro que é. Mas, corrijam-me se estiver errado, estes são os mesmos U2 que têm como vocalista Bono Vox, o multimilionário activista que defende o capitalismo como meio de acabar com a pobreza, apesar das desigualdades e da exploração que gera, e que anda de mãos dadas com os agro-terroristas da Monsanto, o Daesh que envenena a nossa comida, certo? Infelizmente, não há registo de cantigas de pseudo-intervenção com a mira apontada aos Trumps das sementes geneticamente modificadas. Só paleio de saco humanitário.

Não consigo imaginar porquê

DT

via Expresso

Portas elogia papel da Europa como farol da humanidade

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Ao afirmar que “a cultura de direitos adquiridos só existe na Europa”, Portas estava a realçar o papel da Europa como exemplo para o mundo, certo?  Ou então estava simplesmente a usar o pasquim direitola para ser o habitual cretino.

Sérgio Azevedo, o deputado que usa o email do Parlamento para informar comentadores do Benfica

Fotografia@Mário Cruz/Lusa@ECO

Causou polémica o recente caso dos bilhetes pedidos por Mário Centeno ao SL Benfica, com insinuações à mistura que apontavam para um alegado favorecimento dos filhos de Luís Filipe Vieira por parte do Ministério das Finanças. O tema não passou despercebido e foi alvo de várias manchetes nos principais órgãos de comunicação social do país.

Posteriormente, veio à tona um conjunto de emails, que demonstram que um deputado da nação, Sérgio Azevedo (PSD), usa o seu email parlamentar para informar personalidades ligadas ao Benfica, como o comentador Pedro Guerra e o jornalista Hélder Conduto, sobre temas como a transladação do corpo de Eusébio para o Panteão Nacional, um relatório dos delegados da LPF do jogo Sporting – Gil Vicente, que deu origem a um processo disciplinar contra o presidente do Sporting, ou a isenção de taxas municipais ao clube da Luz (Sérgio Azevedo é também deputado municipal em Lisboa), tema sobre o qual partilhou o parecer de Helena Roseta e se comprometeu a enviar o parecer jurídico da CM de Lisboa para Pedro Guerra. Importa referir que o Benfica acabou por beneficiar de uma isenção no valor de 1,8 milhões de euros. [Read more…]

Postcards from Greece #50 & #51 (Lagkadás)

It is all Greek to me

 

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é o que penso hoje, durante uma parte da manhã. Que para mim é tudo grego, literalmente, porque não percebo nada do que diz o meu segundo entrevistado. É uma sensação estranha esta, fazer perguntas numa língua e responderem-nos noutra, absolutamente diferente e incompreensível para mim. É difícil a conversa fluir, desta maneira como é evidente, mais a mais porque as respostas do entrevistado são depois traduzidas pela R, não em inglês, mas em francês. Ou seja, eu coloco as questões em inglês, a R. traduz quase todas para grego (porque ele percebe um bocadinho de inglês e algumas não é preciso traduzir) e a R. traduz as respostas depois para francês, porque apesar de entender bem o inglês não se sente tão à vontade para falar. Portanto, aqui estou em Lagkadás, uma pequena cidade a noroeste de Salónica, completamente perdida na tradução. Antes tínhamos feito outra entrevista em Salónica, em que praticamente se dispensou a tradução, porque a senhora falava inglês razoavelmente. Mas agora, agora é mesmo tudo grego para mim.

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O Diabo responde

“O PSD deve vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua” (Manuela Ferreira Leite).
Tendo diligenciado contactos com fontes ligadas ao Diabo, venho esclarecer que o dito não está interessado na compra da alma do PSD. Mais informam esses mediadores que o Mafarrico conta obter de borla esse insignificante bem – tão insignificante que bem difícil é de encontrar.
Finalmente, pede que não o macem mais com tolices, pensando ter deixado bem claro o seu desinteresse por tráficos com tal gente ao ter faltado às repetidas evocações feitas pelo anterior líder laranja.

Depois do BPN, BPP, BES e BANIF, supõe-se que exista um forte controlo sobre os produtos bancários, certo?

Errado.

Tal como explica Helena Garrido na Antena 1, aos balcões da Caixa Económica do Montepio Geral está a ser vendido um produto chamado “Capital Certo”, o qual de certo apenas tem o risco associado.

Com efeito, o produto em causa não é do banco, mas sim da Associação Mutualista, estando a ser publicitado no banco como tendo retorno  de investimento garantido. Acontece que as letras miudinhas referem que é preciso ler as condições e estas, depois de uma vastidão de páginas (cerca de 40), com complicadas condições, dizem que o retorno, afinal, não é garantido.

Mas ainda pior é o Banco de Portugal ter proibido a venda deste tipo de produtos  aos balcões dos bancos e este continuar a ser vendido. E, igualmente inacreditável, é o produto não estar sujeito a nenhuma fiscalização.

Será que não se aprende nada neste país? E admite-se que a lei, tão escrupulosamente aplicada aos cidadãos, seja apenas uma linha de orientação para a banca, ainda para mais depois das fraudes por ela praticadas?

A revista Proteste já recentemente tinha alertado os clientes para se manterem afastados deste produto. Apesar de, em 2013, ter afirmado que o “Montepio Capital Certo é uma alternativa de poupança a considerar“. Sendo o mesmo produto, é caso para, novamente, se questionarem as recomendações desta revista.

Aqui fica o podcast com os detalhes do caso.

Leitura adicional:

– Montepio vende produtos da mutualista sem distinção clara face a depósitos (Público)

– Qual é coisa, qual é ela, parece o Montepio, mas não é o Montepio? (Eco)

EDITADO (corrigida gralha no título)

Postcards from Greece #48 & #49 (Edessa)

A Cidade das Águas

 

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É assim que é conhecida esta pequena cidade a nordeste de Salónica, distante desta 95 quilómetros e, de autocarro ou comboio, aproximadamente uma hora e meia. Edessa é a capital da região de Pella, naturalmente localizada na Macedónia central. É uma cidade extremamente sossegada, com aproximadamente 18 mil habitantes e onde se concentra uma boa parte dos serviços administrativos da região. Atualmente Edessa vive essencialmente do turismo mas foi, até meados do século XX, um importante centro industrial, com muitas fábricas de têxteis, aproveitando a abundância de água.
Antiga capital da Macedónia central, Edessa foi uma cidade sempre disputada, devido à sua localização geográfica, por Búlgaros, Sérvios, Bizantinos e Otomanos. Tal como toda a Macedónia, a cidade esteve sob ocupação Otomana mais de 400 anos, tendo sido anexada pela Grécia em outubro de 1912 durante a primeira guerra dos Balcãs. Edessa era, na época, como é ainda hoje (explica-me o D. durante as viagens de carro de sábado entre as aldeias dos arredores) uma cidade multicultural. A cidade esteve sob ocupação alemã durante a segunda guerra mundial. Foram, aliás, os alemães que construíram grande parte do que é hoje o Museu da Água e os jardins perto das cataratas de Edessa, para fins turísticos. Conta-me o D. que no final da guerra, os ocupantes queriam destruir as construções, mas tiveram a oposição, bem sucedida dos habitantes da cidade. E os canais e canaizinhos que abundam pela cidade, os jardins e as infraestruturas associadas à grande queda de água (Karanos, com 70 metros de altura) e às cataratas mais pequenas que a rodeiam, alimentadas todas pelo rio Edessaios, ali permanecem, sendo hoje uma das maiores atrações da cidade e da região de Pella.

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Clima: do negacionismo a Trump

Publicado no Esquerda.net

Dados National Centers for Environmental Information

O ano 2017 foi o quinto mais quente desde que se regista a temperatura global. O mais quente foi o ano de 2015, seguido de 2013, de 2010 e de 2004. Durante os 10 anos precedentes, em 7 destes registaram-se temperaturas médias globais que os colocam no top ten dos anos mais quentes (ver figura). O mês de dezembro de 2017 foi o 396.º mês consecutivo cuja temperatura média foi superior à média de temperaturas registadas durante o século XX. Obviamente, a temperatura global está sempre sujeita a oscilações à escala anual. A este período de acentuado aquecimento, poderá seguir-se um período de temperaturas globais mais baixas. No entanto, à escala de décadas, a tendência da evolução da temperatura global não engana. Nas últimas quatro décadas registou-se um período de acentuada subida da temperatura média global.

Durante anos assistimos a discursos em que se negava o aquecimento global pelas mais variadas razões. Em 2008, João Corte-Real, professor catedrático da Universidade de Évora acusava os modelos de simulação do clima de estarem a “ser forçados para aquecer”. Na mesma altura, Delgado Domingos, professor catedrático do IST, assegurava que a temperatura não subia desde 1998 e que os cientistas não conseguiam explicar a descida de temperatura da Terra… Outros produziam discursos mais enviesados pela fé no ultra-liberalismo. Em 2014, Alexandre Homem Cristo garantia no Observador que “o aquecimento global estagnou” que se tratava de “uma derrota política da corrente ideológica que usou a ciência para legitimar o seu radicalismo contra o capitalismo”. Ainda em 2014, Henrique Raposo ia mais longe e afirmava no Expresso que o “aquecimento global está parado desde 2000”. O deputado do PCP Miguel Tiago, ilustrando o desnorte da CDU sobre questões ambientais, apoiava no Avante o discurso negacionista. [Read more…]

PSDiabo

Apesar da minha inclinação esquerdista, não vivo entusiasmado com um governo ainda demasiado inclinado para uma direita austeritária, pouco amiga dos direitos laborais e nada defensora dos desprotegidos. O PS, na realidade, tem aplicado alguma cosmética de cedências ao BE e ao PCP, que, por sua vez, cedem ao PS em nome do mal ainda maior representado pela aliança Passos e Portas, que se limitaram, por sua vez, a aproveitar servilmente a oportunidade concedida pela troika bancos/agências de notação/multinacionais, que se babam por salários baixos e pela extinção de políticas sociais.

O engraçado, no entanto, está no facto de que Passos Coelho, que se julga demasiado bom para ser deputado, andou, nos últimos dois anos, a dizer que vinha aí o diabo e que isto iria de mal a pior, de cavalo para burro, do paraíso para as caldeiras infernais. O problema é que, com base nos mesmos indicadores endeusados pela PAF, o país melhorou, causando mossa nas bancadas de direita, que, depois de garantirem Satanás, chegaram a declarar que a Boa Nova de Costa era mérito absoluto de Coelho.

Agora, com a vitória de Rui Rio, o diabo deixou de ser a possibilidade de os indicadores económicos piorarem e passou a ser uma entidade virtuosa que poderá retirar o PS das garras da esquerda. Efectivamente, Manuela Ferreira Leite declarou, em concordância com o novo presidente do PSD, que o partido deverá “vender a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua”. Depreende-se, até, que o próprio PS poderá ser o demónio e conclui-se que a esquerda é ainda mais diabólica que Lúcifer, o que, teologicamente, não deixa de ser interessante: quem é de Esquerda não pode ser filho de Deus.

Cristas a aprender a Constituição

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A propósito da vitória de Rio, Cristas deixou cair a tese da usurpação, defendendo agora que o que importa é ter uma maioria de deputados a suportar o governo.

Este facto tem dois aspectos notáveis. O primeiro é que, por fim, Cristas descobriu a letra da Constituição, deitando por terra um argumento que alimentou a PAF desde 2015. Importa agora, segundo a líder do CDS, chegar ao poder, ganhando ou não a eleição. Há que fazer pela vida.

A segunda curiosidade deste golpe de costas é que apenas foi noticiado pela Rádio Renascença – ou então o Google anda distraído. Os outros órgãos de comunicação social limitaram-se a citar a parte insonsa da declaração, nomeadamente a importância de os dois partidos terem uma maioria de deputados – de preferência graças ao CDS, subentende-se. Eis o estado da tal comunicação social supostamente dominada pela Esquerda.

Hugo Soares

Com um título criativo, o jornal i sumariza a situação da ala passista perante a nova liderança do PSD. Se, por um lado, dois vice-presidentes que apoiaram Santana Lopes colocaram o lugar à disposição, Hugo Soares, também apoiante de Santana Lopes, contactado pela Antena 1 hoje de manhã, recusou prestar declarações sobre o assunto. Ao mesmo tempo, Paula Teixeira da Cruz veio afirmar que este tem todas as condições para continuar por ter sido eleito líder parlamentar por larga maioria dos deputados do PSD.  Deve haver muito suor frio ao longo destes dias.

Imobiliária Cacique

Fotografia: Rui Duarte Silva@Expresso

Paulo Morais, antigo vereador de Rui Rio e candidato presidencial, defendeu recentemente, num artigo publicado no jornal Público, que as directas do PSD deviam ser invalidadas por estarem viciadas:

O novo presidente do PSD será escolhido por dois tipos de militantes: os genuínos, que aderiram livremente ao PSD e se preocupam com o seu destino; e um imenso grupo de milhares de cidadãos que foram artificialmente inscritos no PSD por caciques. Estes, de forma organizada e sistemática, pagam convenientemente as quotas e controlam as listas como quem tutela um rebanho. No dia das eleições, em grupo, em manada, milhares serão transportados em carrinhas e camionetas até às sedes, votando em Rio ou Santana, dependendo de quem os arrebanhou. Esta prática ilegítima, que envergonha a democracia, assenta numa ilegalidade maior e que só é possível através da violação da informação confidencial dos dados dos militantes constantes da base de dados do PSD.

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A pós-verdade e o admirável mundo fake

Serviço público de elevada qualidade. O meu sentido agradecimento às pessoas que fizeram este documentário, que merece ser aplaudido e divulgado. A RTP devia ser isto mais vezes.

Postcards from Greece #46 & #47 (Edessa, Aridaia, Nótia, Foústani, Perikleia, Archaggelos)

As cerejeiras de Archaggelos, dentro de uma nuvem e a verdadeira Macedónia

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Ontem ao princípio da tarde viajei com a S., uma muito jovem estudante de Agronomia, entre Salónica e Edessa. A viagem é curta (uma hora e meia) e a rapariga é uma excelente companhia, apesar de ter apenas 18 anos. Responsável, prestável e extraordinariamente simpática. A S. é filha do D., um antigo estudante de doutoramento da AUTH, com quem a M. me põe em contacto para encontrar pessoas que tenham regressado às aldeias desta parte da Grécia nos últimos anos. Como seguramente quase nenhuma destas pessoas falará inglês muito bem e o meu grego é inexistente, a S. ofereceu-se gentil e entusiasticamente para me ajudar a traduzir a conversa. Sinto-me um pouco estranha porque as entrevistas anteriores foram feitas em inglês e agora as pessoas falam e eu não percebo nada do que me dizem. Se não fosse a jovem estudante estaria completamente perdida. É de facto estranho. Embora tenha feito entrevistas noutras línguas na minha vida, incluindo, como disse ali atrás, aqui mesmo na Grécia, foi sempre em línguas que conhecia razoavelmente. Assim, vi-me naturalmente grega. Ou ter-me-ia visto se não fosse, uma vez mais, a jovem e entusiasmada S.

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Caledonia 

PPD-PSD

Imagem via Daily Cristina

A forma como ele o entoa, como nunca ousa deixar o PSD órfão do PPD, é algo que me fascina. Isso e a insistência em esbarrar-se eleitoralmente. Mas ainda há esperança, caso Rui Rio ganhe as próximas Legislativas e seja chamado para servir em Bruxelas a meio do mandato. E poucas coisas seriam tão belas como ver Marcelo dissolver a Assembleia da República. Karma can be a bitch. O problema é se sai dali outro Sócrates. E outro Passos a seguir.

Santana Lopes perdeu as eleições

E agora? «Agora facto é igual a fato (de roupa)».

A tempestade, perdão, a bonança perfeita do Salgado

img_818x455$2017_09_15_22_13_10_668135Depois do Marcelo a PR, do Costa a PM, Rio a líder da oposição é, claramente, a vitória do, efectivamente, DDT.

 

Luis Delgado está nas instalações do grupo Impresa

mas desta vez não foi lá comprar nada. Foi comentar as directas do PSD. Um homem multifacetado.

A primeira medida de Mário Centeno como líder do Eurogrupo

Pedir 2 bilhetes a Nasser Al-Khelaïfi para o PSG – Dijon do dia 17 de Janeiro. Afinal, o homem vê futebol há 45 anos.

O PSD já retirou a confiança política a Sérgio Azevedo?

Sérgio Azevedo, o espião do Benfica na Assembleia da República.

Rosebud

G.K. Chesterton (Lafayette Ltd)

Foram precisos muitos dias, semanas, meses para que a pessoa que eu era aos 6 anos visse, enfim, ser-lhe dada razão. 

Aos 6 anos, com efeito, iniciei uma colecção de bicos de lápis de cor, aqueles que se partiam por serem empurradocom demasiada força contra o papel, e que eu era incapaz de deitar fora pois pareciam-me objectos de evidente valor. Forrei de algodão a velha caixa de um relógio e aí fui dispondo os bicos, certa de que o contraste entre os azuis, verdes, vermelhose o branco do algodão constituíam uma peça de invulgar beleza e que seriam a decoração perfeita para o Natal que se aproximava. Quando chegou, porém, o momento de apresentar o meu projecto decorativo aos adultos, estes não foram da mesma opinião e a minha colecção de bicos de lápis foi considerada, ainda que por outras palavras, uma estupidez 

Claro está que não fiquei nada convencida do acerto dessa decisão. Reconhecia que os bicos de lápis não eram tão bonitos quanto o lápis-mãe (ou lápis-pai?) de onde tinham saído, que talvez parecessem insignificantes no mar de algodão em que eu os lançara, mas havia uma verdade naquela colecção  que me parecia notória e uma ética em não desprezar o que fora capaz de colorir que era para mim inquestionável. Porque valeria mais um candelabro, uma coroa natalícia, uma jarra, do que os meus bicos de lápis? Infelizmente, a maioria detentora do poder estava contra mim, situação, aliás, que sumariza muitas infâncias, e os bicos acabaram no lixo.   [Read more…]

Postcards from Greece #44 & #45 (Thessaloniki)

«Como me tornei sociólogo» ou «My first job»

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É o título, respetivamente, em Português (do livro ‘Histórias de Verão, Contos de Inverno’, editado pela Asa) e em Inglês (do livro ‘The Man who wouldn’t get up & Other stories’, editado pela Vintage) de um conto de David Lodge, de quem nada leio há imenso tempo, embora tenha lido quase tudo (exceto os ensaios sobre estudos literários e a sua autobiografia saída mais recentemente). O conto é sobre um sociólogo marxista que recorda o seu primeiro emprego, ainda estudante, como vendedor de jornais na estação de Waterloo e a competição pela venda de mais jornais com dois colegas da classe trabalhadora. O aumento da venda de jornais, por causa da competição entre os três, apenas fez com que o patrão aumentasse os seus lucros, sem que os vendedores tivessem tido qualquer compensação. Quando o verão acaba, o estudante deixa o seu trabalho como vendedor de jornais, deixando aos colegas a tarefa interminável de aumentar as vendas. Nessa altura, ele reconhece, como se tivesse tido uma revelação: «eu vi como o capitalismo explora os trabalhadores» e decide tornar-se sociólogo e professor universitário, tomando a decisão com base no facto de a universidade ser um contexto menos afetado «pela ética protestante e pelo espírito do capitalismo», para usar o título de um livro que todos os estudantes de sociologia do mundo lêem, de Max Weber. Mal sabia o estudante ficcional de que algumas décadas mais tarde já não é bem assim… mas adiante.
 

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Para o bailinho, sff

Did this stability come at the expense of economic growth?
Paul Krugman

Do you think—now that you know a true account of lightning striking tall trees—that you have a greater wisdom in advising kings on military matters than did Artabanus 2400 years ago? Do not exalt yourself. You could only do it less poetically.
Richard Feynman

Spotting hidden patterns, extracting deep gists, forming high abstractions, making subtle analogies – these to me define the crux of the mental; they are what we do best of all creatures, natural and artificial, on the surface of this tiny huge green ball spinning its way through vast empty chasms of space.
— Douglas HofstadterJust Who Will Be We, in 2493?

***

Em meados de 2008, algures na cidade de Lisboa, eu e António Emiliano conversávamos sobre o pára/para, discutindo exemplos que simultaneamente mostrassem o ridículo e a nulidade científica do Acordo Ortográfico de 1990. Muito antes de me ter surgido o “Mourinho pára Portugal” e de me ter aparecido o “Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio” (exposto quer em comunicações, lisboeta e atenienense, quer na própria fonte, i.e., no Público), apareceu-nos o

Alto, e para o baile.

Para onde? Para o baile.

Para o baile? Para o baile.

Entretanto, anteontem, 10 de Janeiro de 2018, comme si de rien n’était, Ferreira Fernandes escreveu o seguinte

Não, não vou. Vá para o baile, mas sem mim, sff.

Já agora, essa *perspetiva é muito pouco unificadora e merece que acerca dela se reflicta.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

E Portugal, Passos? Já não está à frente?

Fotografia: Luís Barra@Expresso

Pedro Passos Coelho, como tantos outros políticos que caem do seu pedestal, decidiu renunciar ao seu mandato de deputado, como é seu direito. Muito poderia ser dito a este respeito, sobre uma decisão que é absolutamente legítima, mas a mim causa-me sempre alguma perplexidade, ver um tipo que andou em campanha para eleições legislativas a declarar o seu amor à pátria e à causa pública, e que agora renuncia ao mandato para o qual se propôs e foi eleito (para exercer as funções de deputado e não de primeiro-ministro, que ao contrário do que defendem hoje alguns fanáticos negacionistas da democracia representativa, não existem, neste país, eleições para eleger directamente governos ou primeiros-ministros) apenas porque deixou de ser o alfa da São Caetano.

Ser um mero deputado, um simples representante do povo, não parece ser função que agrade ao mais recente barão do PSD. Com certeza que surgirão novas oportunidades no sector privado, onde Passos tem fama de indivíduo hábil a abrir portas, pelo que passar a ser um autómato que levanta a mão quando o próximo líder assim lhe ordenar não é hipótese a considerar. Eis o líder que põe Portugal à frente, que põe o país primeiro e que alegadamente o leva a sério a virar-lhe as costas mal cai do poleiro. Não surpreende.

Finalmente assumiu-se!

Ora aí está o verdadeiro fanático ditador do Porto!