A arte de subir na vida

bes

Como o indivíduo na imagem, muitos foram os que subiram na vida pela outrora farta escadaria do BES. Hoje, mil esquemas a falcatruas depois, o BES já não existe. Existe um Novo Banco, onde foram despejados quase 4000 milhões de euros dos nossos parcos impostos para limpar o rasto de porcaria que os donos disto tudo deixaram para trás, que não vê solução à vista. Um buraco, mais um, nas aspirações deste país em sair do buraco. Quanto aos tipos que subiram na vida, muitas vezes montados nas costas de políticos servis e corruptos, nada de particularmente grave lhes aconteceu. Estão todos em liberdade, vivem desafogadamente, apesar da maçada que foi passar o património para o nome da esposa ou dos filhos, e continuam a pavonear-se pelo pútrido circuito social de tias e botox, entre a ocasional caridadezinha e os fins-de-semana na Comporta, onde brincam aos pobrezinhos. Podiam estar todos presos sem um tostão furado no bolso? Podiam, mas não era a mesma coisa. O que é uma pena.

Assunção Cristas decide chafurdar na lama

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Assunção Cristas quer mostrar serviço e, na falta de alternativas viáveis entre os órfãos de Portas, atirou-se de cabeça para a corrida eleitoral à câmara de Lisboa. Das duas, uma: ou consegue um resultado melhor que o conseguido por Portas em 2001 (7,59%), ficando automaticamente elegível para canonização, ou esbardalha-se com violência e regressa à base, enfraquecida mas sem grande risco de perder a liderança do partido que, a julgar pelas últimas internas, mais ninguém quer. Existe ainda a possibilidade de obter o apoio de Passos Coelho, que sem um candidato de peso para apresentar à capital, parece agora refém da líder do CDS-PP. E, com o apoio do PSD, não será muito difícil conseguir um resultado melhor que a humilhação a que a Pàf lisboeta foi submetida em 2013. [Read more…]

Ainda sobre a teia de propaganda na rede

Além dos aspectos que o João oportunamente indicou, há, ainda, uma questão muito pertinente. Quem é que pagou a rede de perfis falsos “Maria da Luz”?

Já se sabia há muito que Miguel Abrantes era um pseudónimo. Se era realmente avençado do governo de Sócrates, isso não sei, apesar de me parecer plausível.

Era óbvio que a informação publicada no blog Câmara Corporativa, com dados que não estavam acessíveis ao comum dos mortais, tinha o cunho de fontes privilegiadas. Mas deixemos o cinismo de lado. Os tipos do PSD e do CDS fizeram a campanha de 2015 com um forte suporte no Facebook, usando perfis falsos, um dos quais desmascarámos no Aventar, uma tal “Maria da Luz“, que serviu para inundar essa plataforma com soundbites, manipulações e ataques ad hominem aos adversários.

Enfim, poderíamos aqui tentar estabelecer uma escala sobre que tipo de manipulação é mais condenável, mas não é esse o tópico. Em causa está a forte suspeita de que também esta rede de propaganda pafiana teve a sua avença paga com dinheiro público, seja por pagamento directo, seja por nomeação de boys para cargos que lhes proporcionassem os meios materiais e financeiros. Ou alguém acredita que uma redes destas, que dá trabalho a montar e a manter, é coisa de carolas?

CETA: Ponto da situação

Primeiro, os tops da UE anunciaram que os governos europeus se tinham MESMO que pôr de acordo sobre a assinatura do CETA durante a cimeira da UE na sexta-feira passada; como a pressão não funcionou, Chrystia Freeland declarou o abandono das conversações pelo Canadá; como mais uma vez não funcionou, atiraram com um ultimíssimo ultimato dirigido a Magnette, que terminaria hoje à noite. Acontece que Magnette não se deixa nem intimidar (as interpretações acusatórias sobre os seus motivos raiam o foro psicanalítico) nem comprar (já lhe ofereceram muitos bombons para a sua região assolada pelo desemprego e cujos habitantes sabem muito bem que terim a perder com o CETA), mas hoje à noite Donald Tusk, presidente do concelho europeu, anuncia via Twitter:

tuskO suspence continua.

A hora da verdade para o CETA

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Na sequência da recusa de assinatura do CETA pela Valónia, Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, fez um ultimato à Bélgica para tomar uma decisão a esse respeito até hoje à noite (segunda-feira). Magnette já respondeu, através do seu porta-voz, que a imposição de tal prazo é “incompatível com o processo democrático” e que não se sujeitará a ele.

Referindo-se à pressão de que tem estado a ser alvo por parte da UE desde que Chrystia Freeland, ministra do comércio canadense, abandonou as conversações na sexta-feira passada, Magnette comentou ontem (domingo) no Twitter: “É pena que a UE não exerça uma pressão igualmente intensa sobre aqueles que bloqueiam a luta contra a fraude fiscal”. [Read more…]

Redes tentaculares na blogosfera

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O semanário SOL, esse baluarte do jornalismo imparcial, fez manchete com uma história que, nesta casa, já em 2010 tinha sido devidamente esmiuçada pelo Ricardo Ferreira Pinto. Seis anos depois, o jornal do arquitecto que gosta de devassar a vida privada dos políticos com quem priva, descobriu que o governo Sócrates tinha uma rede de propaganda na blogosfera. Um aplauso para o SOL. [Read more…]

Refém de Assunção Cristas?

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Ainda falta um ano para as eleições nos 308 municípios portugueses, mas a contagem de espingardas já começou. Por muito que os líderes partidários teimem em afirmar que não fazem leituras nacionais dos resultados das eleições Autárquicas, a verdade é que essa leitura é feita e não raras são as vezes em que os resultados têm reflexo directo nas lideranças dos dois maiores partidos.

Em 2001, o PSD esmagou o PS nas urnas, levando António Guterres a demitir-se do cargo de primeiro-ministro e a abandonar a liderança do PS, e Durão Barroso ganhou as Legislativas do ano seguinte. Em 2013, poucos meses após a irrevogável crise governamental causada por Paulo Portas, e com os níveis de popularidade da coligação em queda livre, o PS passava a controlar praticamente metade do mapa autárquico, incluindo três dos quatro maiores municípios portugueses, com António Costa a assegurar maioria absoluta em Lisboa – tornando-se líder do partido um ano depois – enquanto Basílio Horta e Eduardo Vítor Rodrigues afastavam o PSD da governação de Sintra e Gaia. Em 2017, diga o que disser Pedro Passos Coelho, uma derrota autárquica será o fim da linha para o líder do PSD. [Read more…]

O sr. Feliz e o sr. (des)Contente

Rui Naldinho

No Outono de 2013 li um texto de Henrique Monteiro no Expresso, com o título: “O irrevogável populismo de Paulo Portas

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Concordo que Paulo Portas usa e abusa do populismo, com um discurso demagógico que por vezes até se torna patético. Dos feirantes aos contribuintes, passando pelas famílias numerosas, o Paulinho não se deixa de vender promessas vãs a quem se cruze com ele. A irrevogabilidade da sua demissão em 2013 não foge à regra.

Há no entanto um pormenor a salientar no percurso político e no comportamento de Paulo Portas. Talvez por ser líder de um partido político que estará sempre num segundo plano de qualquer governo onde entre, ele tem demonstrado um certo desapego ao Poder, o que mostra maturidade. Sabe ler os acontecimentos com alguma clareza de raciocínio. Vendo bem, isso é uma vantagem para ele. Assim, não sofre tanto, pois uma derrota deixa sempre sequelas. Não amua, passando a vida a lamentar-se, e acima de tudo evita o revanchismo para com os adversários.

Poucas horas depois do desfecho eleitoral de Outubro de 2015, sabendo que a maioria absoluta escapava à PAF, se é que ela alguma vez esteve em cima da mesa, Paulo Portas demitiu-se da liderança do partido sugerindo um novo rosto para presidir aos destinos do CDS. Semanas depois, perante a evidência de uma maioria de esquerda sustentar um governo minoritário do PS afirmou sem quaisquer pruridos: “O centro direita em Portugal só voltará a ser governo com uma maioria absoluta”.  [Read more…]

Postcards from Wageningen #3 (2016)

Just another ordinary day at the ‘office’

2016-10-20-14-08-09
Já ontem disse que os holandeses são um povo organizado. Contam o tempo das intervenções e das reuniões ao minuto e andamos todos num virote o dia inteiro. Foi mais um dia em que me levantei extraordinariamente cedo. Às sete da manhã mais concretamente. É uma violência para uma noctívaga como eu, convenhamos.
 
O dia de trabalho – embora andemos num virote – corre bem. As apresentações dos investigadores são geralmente boas e estão já bem encaminhadas. As reuniões são rápidas e sucedem-se (um virote, pois, já disse). As sessões e reuniões de hoje são no campus da WUR – Wageningen University and Research. O campus é muito bonito. Menos que o da Universidade de Aveiro (mas eu sou suspeita, obviamente) mas ainda assim bonito. Muito verde, salpicado de vermelho e de castanho aqui e ali. É outono. Absolutamente outono em Wageningen. Um outono que equivale a um inverno em Portugal. Está frio e chove de vez em quando. O costume, portanto.

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Sinais…. de que tempo?

halloween3Ontem, no centro de uma cidadezinha do norte da Alemanha, deparamos com as lojas já cheias de enfeites de Natal.

  • Já estou toda baralhada, diz a minha filha, ainda quero divertir-me com as minhas amigas no Halloween – outra festa do comércio – e já me fazem pensar no Natal… Recuso-me!

Digo só “pois é”, mas interiormente fico contente pelo acrescento dela sobre a festa do comércio e dou-lhe toda a razão, no que toca a baralhação e comércio…

Postcards from Wageningen #2 (2016)

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 A Holanda é, provavelmente, o país mais organizado do mundo

Penso isto desde que, há muitos anos, vim pela primeira vez aqui. É tarde e não tenho muito tempo para elaborar. Amanhã o despertar será igualmente às 7 da manhã e, depois de um dia inteiro a falar inglês, a ser organizada, a não ter um momento de solidão, estou prestes a desfalecer.
Mas foi um bom dia. A organização é quase sempre uma boa coisa, acho eu, que tenho também a mania da ordem. Fomos a Nijmegen, que – apesar de ser a quinta vez que venho à Holanda – não conhecia. Vimos um rio a que foi dado mais espaço. Estivemos numa espécie de Lx factory, mas sem Lisboa. Conversámos bastante. Rimos alguma coisa. Observámos, da janela do autocarro, as paisagens ordenadas e muito verdes. E a àgua, claro, sempre a àgua. Também ela ordenada nos canais.
Ao fim da noite bebemos um vinho tinto chamado ‘just fucking good wine’. A Holanda é, provavelmente o país mais organizado do mundo. Mas os holandeses têm sentido de humor e isso salva-(n)os.

Braga, a Cidade Desapessoada

braga_automovel_passadeirasBraga, já o disse aqui, é uma cidade sem árvores, com poucas árvores, com cada vez menos árvores. Não me lembro da última vez que se plantaram árvores na cidade, ou porque não veio nos jornais, ou porque não era importar vir nos jornais ou, pior ainda, não se plantam árvores em Braga há décadas. Pelo contrário, cortam-se árvores maduras para dar lugar a painéis de publicidade.
A cidade cujos destinos tiveram à frente Mesquita Machado entre 1976 e 2013, e no que à fruição (ou não) do espaço público diz respeito, está agora igual a ontem. Se algo mudou na percepção e gestão do espaço público, é claramente pouco e muito pouco visível.
O executivo agora liderado por Ricardo Rio assinala agora três anos de mandato.
Já se terá questionado o jovem autarca sobre o que realmente mudou na cidade?
E o que continua igual?
E o que se agravou?

Nota: não sou proprietário de um veículo Citroen.
Nem nunca comprarei um carro ao Filinto Mota… 
[foto via]

Um presidente mediocre

Rui Naldinho

Quando me falam das crises dos Partidos Socialistas e Sociais Democratas da Europa lembro-me sempre de uma entrevista recente dada pela politóloga e filósofa francesa, Chantal Mouffe, e cito apenas um pequeno excerto da entrevista:

Como sabe, hoje em dia, a classe operária vota maioritariamente na Marine Le Pen, e vota nela porque se sentiu completamente abandonada pelos socialistas. Os eleitores socialistas são a classe média e os imigrantes. Há um think tank, que se chama Terra Nova [próximo dos socialistas franceses], que afirma que a classe operária está perdida para os socialistas. É por isso que se concentram na classe média e nos imigrantes, que julgam que nunca votarão na Frente Nacional. Os governos socialistas ofereceram a classe operária a Marine Le Pen. Um problema fundamental é que a classe operária é também aqueles que são os perdedores do processo de globalização. E os socialistas interessam-se mais pela classe média, que ganhou com esse projecto. [Chantal Mouffe, em entrevista a Nuno Ramos Almeida, no i de 3/10/2016]

Discordo apenas da última afirmação de Chantal Mouffe. Para mim, uma boa parte da classe média também está a perder com a globalização. A única classe média que ainda se mantém à “tona da água”, corresponde a um sector intelectual ligado à ciência e às novas tecnologias, com profissões ainda bem remuneradas dada escassez no mercado europeu deste tipo de mão de obra qualificada, mas que a breve prazo se tende a massificar. Basta recordarmos que hoje a profissão de médico não tem emprego garantido, coisa que outrora não acontecia. [Read more…]

Uma questão de prioridades

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O jornal PÚBLICO mantém há dois dias a entrevista a PPC em destaque. Nos entretantos, aconteceram coisas, como uma entrevista do primeiro-ministro e a questão da DBRS. Coisitas, afinal, a não merecerem destaque na filial do Povo Livre.

Postcards from Wageningen #1 (2016)

Do not walk outside this area

Há um ano, mais ou menos, também estava em Wageningen. O João tinha morrido há uns dias. Todos os postais de então foram para ele. Hoje, mais ou menos um ano depois, o João continua morto. Vim a pensar nisso – de há um ano mais ou menos estar aqui e do que senti nessa altura com a morte do meu amigo – no avião para Amsterdão.
A Sandra e o Luís, que vieram pelo Porto, estavam já no aeroporto de Schiphol quando aterrei. O Luís ajudou-me com a mala grande até ao comboio. Encontrámos o Talis na plataforma 3 e viemos os 4 para Wageningen. Pouco a pouco foram chegando outros colegas ao hotel no meio do bosque. Um hotel moderno, clean, muito confortável onde vou ficar 3 noites. Amanhã começamos cedo, às 8h30 da manhã. Tenho de dormir e não me apetece. Na verdade, nunca me apetece dormir e resisto até o sono me vencer sem dar por isso. Custa-me entrar dentro do sono, aqui como em qualquer outro lugar.
Passei a tarde toda em viagem. Há pouco para contar. A Holanda é, mais a mais, um país tranquilo, de casas com janelas sem cortinas, de casas transparentes. Isso agrada-me, confesso. Gosto de espreitar para dentro das casas das pessoas. Aqui nem é preciso espreitar. Elas mostram-se. Já eu fechei as cortinas da grande janela do quarto. Hábitos.

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Paga o que deves, Benfica

Dizem os adeptos do Vasteras, que exigem ao Benfica o pagamento de uma dívida de 250 mil euros, referentes à compra do central Lindelöf. Vai daí, fizeram este vídeo, onde apelam aos encarnados que cumpram com os seus compromissos, o que, dada a recém-anunciada saúde financeira de ferro do clube, não deve ser muito difícil. Vá, paguem o que devem e deixem o Vasteras viver o sonho!

A aldrabice do dia

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Denunciada por João Semedo, trata-se de uma aldrabice muito simples. O Bloco apresentou um projecto de lei para impedir os salários à moda da direita na CGD, que foi chumbado, pelo que não tem nem a faca, nem o queijo não mão. Já David Dinis, com a faca e o queijo do Público na mão, em processo acelerado de observadorização, pode debitar estas coisas – é livre de o fazer – mas o verdadeiro objectivo por trás delas mais não é que uma nova tentativa de criar instabilidade o seio do acordo entre os partidos de esquerda.  [Read more…]

“Uma vergonha para a Europa”? Não, para os governos socialistas em Bruxelas

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Chrystia Freeland, ministra do comércio canadense, abandonou hoje as conversações na Cimeira da UE à beira das lágrimas, dizendo que a UE “não tem capacidade” para assinar um acordo comercial nem mesmo com o Canadá (CETA), um país tão próximo dos valores europeus! “Que vergonha para a Europa”, bramam os media europeus e desacreditam o homem que conseguiu esta proeza – Paul Magnette, presidente do governo da Valónia – acusando-o de defender interesses internos e de bloquear a União Europeia despropositadamente.

Viva Magnette! Tu sim, és um chefe socialista a valer, que defende os interesses dos cidadãos e não os vende às multinacionais, como fazem Gabriel e Hollande e Costa e por aí fora. Estão fulos contigo porque, ao invés de todos eles, tu conduziste um processo de consulta, profundo, aberto e democrático, ao longo de 18 meses, ouvindo vozes de todos os quadrantes e sectores, incluindo também business lobbyists e representantes canadenses. E porque nessa base, o parlamento da Valónia aprovou uma resolução que aponta, com competência e conhecimento de causa, as armadilhas do CETA para os cidadãos. [Read more…]

E o Diabo não veio, confirma a DBRS

Falhanço em toda a linha para os esganiçados que asseguravam, não necessariamente por esta ordem, que a execução orçamental iria falhar, que um novo resgate estava a caminho, que a DBRS iria meter Portugal no lixo, que não seria possível aprovar os orçamentos para 2016 e, muito menos, para 2017, que o objectivo do défice iria falhar e que o Diabo chegava em Setembro.

Uns derrotistas, com amplo palco na comunicação social, que tiveram como única aposta a desgraça de todos para regressarem ao poder.

Afinal, foi possível não cortar nos salários e nas pensões, aumentando-os até, pouco, sim, mas não os cortando, como fizeram os pafiosos, o que passa a ser muito. E sem trazer o Diabo, ao mesmo tempo que se acabou com o discurso bafiento do sair da zona de conforto, do desemprego que era oportunidade e do viveram acima das possibilidades. A quem não chegar, olhem, que emigrem.

É tempo de engolirem sapos e que o PAN os perdoe.

Nada mau para um país governado por comunistas e bloquistas

aplauso

Enquanto o veredicto da agência de terrorismo financeiro canadiana não chega, falemos sobre a mais recente aparição do Diabo no paraíso à beira-mar plantado. Apesar do silêncio dos devotos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias, Portugal foi em peregrinação aos mercados internacionais na passada Quarta-feira, em busca de perdão, salvação e financiamento, e colocou 1250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a 3 a 11 meses, tendo conseguido um juro de -0,012% no prazo mais baixo e 0,006% nos títulos que vencem em Setembro de 2017. Nada mau para um país a braços com um novo PREC, em processo acelerado de sovietização.

Foto: José Coelho/Lusa@RTP

A ditadura do rating

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As agências de rating não andam nesta vida para serem responsáveis, honestas ou sequer imparciais. São um negócio privado, que gera muitos milhões em proveitos, e que tem como accionistas pessoas que, entre outras coisas, lucram com a especulação, o que inclui ganhar dinheiro com a manipulação dos mercados e com a desgraça de terceiros. A tal liberdade defendida pela direita neoliberal. [Read more…]

Progressos notáveis

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Mêmo, mêmo dos bons. Portugal é dos países mais pobres e desiguais da OCDE [RTP, 21 de Maio de 2015].

«We have some bad hombres here»

jn20102016

We have some bad hombres here

Donald J. Trump

Light the match to ignite the wrath

Eminem

***

Depois de O Jogo e o Expresso terem abandonado o Acordo Ortográfico de 1990 (no que diz respeito a esta prática, o Expresso é useiro e vezeiro), chegou a vez do Jornal de Notícias.

Agradeço a um excelente leitor do Aventar o envio desta primeira página do JN. Efectivamente, mais uma prova de que o AO90 apenas está a ser aplicado em certas cabeças — aliás, como acontece com a guerra, naquela canção do grupo do Muir (do Mike e não do Nathan).

“Nós levamos a sério a política. Nós levamos a sério o país.”

Rui Naldinho

O BE, o PCP e os Verdes andaram anos a zurzir nos partidos do chamado arco da governação sobre o denominado “tráfico de Influências”, ou na, “porta giratória entre interesses do Estado e os interesses económicos e financeiros”, ou em “ facilitadores e lobistas que saem da política e plantam-se no grandes grupos económicos muitos deles monopolistas”, criando “parcerias público privadas com rendas excessivas”, …

O tempo urge, daí haver necessidade nesta legislatura de se mudar quase tudo aquilo que eles próprios afirmaram como uma das chagas que levaram ao atraso o país. Nessa matéria estou de acordo convosco, “camaradas”!
Já se fez alguma coisa? Talvez, mas ainda assim é pouco.

Na passada terça-feira assistimos a um despudorado comportamento no parlamento, dos muitos que têm ocorrido da parte do PSD. Com os votos da bancada socialista chumbou uma proposta do PCP que visava limitar os vencimentos dos gestores públicos a 90% do ordenado do Presidente da República. A iniciativa contou com os votos favoráveis de PCP, BE e CDS, mas os votos contra de PS e PSD puseram um ponto final na discussão.

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Cimeira cidadã contra o Ceta reunida hoje no Parlamento Europeu

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Para elevar a nossa voz que está presa pelo fiínho da Valónia

Bilhete do Canadá – A vindima americana

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Vai atirar para Novembro, até ao lavar dos cestos é aposta. Talvez venha a dar a primeira água-pé no Natal. Só depois do Ano Novo o mosto assentará de vez e haverá vinho, talvez bom, talvez assim assim. Para já, está fechado o tempo da vindima. Segundo as sondagens, depois do terceiro debate em Las Vegas, que é terra de incerteza e jogo, Hillary ficou à frente com 52% e Trump levou 32% e foi um pau.  Debate metido em baias pelo moderador: não houve palmas nem assobios, bravos ou pateada. O auditório esteve sempre de trela curta e açaime. Apesar disso, Trump estendeu-se ao comprido mais duma vez.  Voltou às baixarias que são o seu natural.  Ontem, com ressonância mundial, o director da poderosa Harpers Magazine, de New York, John Rick MacArthur, afirmou displicente que considera Trump “um vadio milionário”. Eu, que não sou nada, penso que o Trump se pôs a jeito para ouvir destas.  Por isso, e porque a experiência aliada à inteligência faz boa mistura, Hillary brilhou. Nem sei se Trump ter dito que não aceitará os resultados eleitorais, se lhe forem adversos, terá mais importância do que o “irrevogável” dum caixeiro viajante que andou a brincar de ministro no governo de Passos Coelho.  Calhando, é só garganta. O pior é o mundo e os Estados Unidos com ele estarem cobertos de nuvens negras.  Tudo parece prometer borrasca. Não é garantido que Hillary, apesar de ter nos bastidores dois homens de peso, Obama e Bill Clinton, tenha altura para um sarilho destes. Mas nunca se sabe e como dizem os cauteleiros, “há horas de sorte”.  Oxalá que assim seja.

Schiaparelli, um sucesso amargo

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Schiaparelli com o pára-quedas aberto

A missão ExoMars (Exobiology on Mars) conseguiu colocar na órbita de Marte a sua sonda atmosférica e realizou com sucesso, ao longo dos previstos seis minutos, “quase todas” as etapas de descida, na atmosfera marciana, do módulo de superfície. No entanto, quando o contacto com a superfície estava próximo, o centro de operações da ESA deixou de receber telemetria, sendo incerto o que terá acontecido. Mais detalhes no comunicado da ESA (em inglês).

Políticas de esquerda, salários de direita

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Se o critério que norteia o enquadramento dos salários dos gestores da CGD não permite reduzir a factura – ou pelo menos não a aumentar – do custo que o seu conselho de administração tem para o erário público, existe, a meu ver, uma solução: alterar o critério. Existem, inclusive, propostas do PCP e do BE para limitar os salários dos gestores públicos ao salário do primeiro-ministro ou do presidente da República. Se existem, aqui vai uma lapalissada: é porque pode ser mudado. [Read more…]

Transcrição completa do terceiro debate presidencial Clinton-Trump

Depois de o Armindo de Vasconcelos ter trazido os dois primeiros debates, eis o terceiro.

Os novos lesados bancários do rectângulo

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O Deutsche Bank, alemão que é, tem que ser, nem podia ser de outra maneira, magistralmente gerido. Se ultimamente tem dado problemas, tal encontra explicação nos focos de sovietização que se acendem um pouco por toda a Europa, e que, como se sabe, são nocivos para a saúde financeira de bancos responsáveis e plenos de valores éticos como o Deutsche, que ainda por cima é deutsche. Brincar aos especuladores não teve nada que ver com este assunto. É desígnio divino e não merece castigo. [Read more…]