48%

Dos 50 deputados do Chega, 23 têm problemas com a justiça. A lista negra, retirada do Reddit:

André Ventura.
Imagem retirada do site do Diário de Notícias.

 

“1. A informática: Cristina Rodrigues (eleita pelo Porto) Constituída arguida pelo MP em 2022, e sujeita a termo de identidade e residência por suspeitas de ter acedido indevidamente e eliminado milhares de emails do PAN quando se desvinculou do partido. Evita prestar declarações sobre o caso.

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/cristina-rodrigues-constituida-arguida-por-apagao-informatico

2. O omnipresente: Eduardo Teixeira (eleito por Viana do Castelo) Acusado por falsas presenças como deputado do PSD. Em causa, crimes de falsificação de docs ou falsidade informática. Conseguiu estar presente, em simultâneo, em reuniões em Viana do Castelo, e no Palácio de São Bento, em Lisboa.

https://observador.pt/2019/10/07/ministerio-publico-investiga-alegadas-falsas-presencas-de-deputado-do-psd-por-viana-do-castelo/

3. O penhorado: Filipe Melo (eleito por Braga) Condenado a pagar uma dívida de 15.000€ + juros à Assoc. que pagou consultas e tratamentos do seu filho. Não pagou, teve o salário penhorado. Mesmo antes deste caso, surgiu na lista pública de execuções por valores que ultrapassavam os 80.000€.

https://visao.pt/atualidade/politica/2023-06-23-salario-de-deputado-do-chega-penhorado-por-colegio-catolico-de-braga/

4. O “desconizado”: Pedro Frazão (eleito por Santarém) Condenado pelo Tribunal de Cascais a retratar-se das declarações falsas que proferiu sobre Francisco Louçã. Condenado a pagar 100€ por cada dia em atraso da rectificação. Recorreu para o Tribunal da Relação. Perdeu novamente.

https://sicnoticias.pt/pais/2023-01-27-Deputado-do-Chega-podera-ter-de-pagar-3.700-euros-ao-Estado-e-a-Francisco-Louca-39b9f4ac

5. O heterónimo: Ricardo Dias Pinto (eleito por Lisboa) Surge na lista pública de execuções com uma dívida de quase 15.000€. Ricardo Dias Pinto (ou Ricardo Regalla Dias, ou Ricardo Moreira Regalla Dias-Pinto) não tem, contudo, bens penhoráveis para cobrir esse valor.

https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/chega-elegeu-deputado-com-divida-de-quase-15-mil-euros-na-lista-publica-de-execucoes

6. O virulento: Rui Paulo Sousa (eleito por Lisboa) Acusado pelo MP em 2022 pelo crime de desobediência (jantar comício com 170 pessoas em pleno estado de emergência COVID-19). Após mentir sobre autorização da DG Saúde, argumentou que não tinha consciência de que estava a violar as regras.

https://www.publico.pt/2022/02/05/politica/noticia/dois-deputados-chega-recemeleitos-acusados-mp-crime-desobediencia-1994413

7. O acólito: João Esteves da Silva Vice da distrital de Castelo Branco e conselheiro nacional, condenado em 2002 pelo Supremo Tribunal a 3 anos de prisão por um acumulado de pequenos furtos e burlas (roubava o conteúdo de caixas de esmolas, assaltou casas, veículos, lojas e restaurantes).

https://rcb-radiocovadabeira.pt/candidato-a-deputado-do-chega-pelo-distrito-tem-antecedentes-criminais/

8. O sueco: Vítor Ramalho, empresário agrícola, candidato (Póvoa de São Miguel, Moura) Detido por homicídio qualificado. Acusado pelo MP de tentar matar a tiro um casal de imigrantes, tendo-lhe sido apreendidas 13 armas. Relatório da PJ aponta para 9 crimes de homicídio na forma tentada.

https://rr.sapo.pt/noticia/politica/2021/10/19/renunciou-ao-mandato-eleito-do-chega-suspeito-de-disparos-contra-familia-sueca/257470/

9. O Tupac: Fábio Lemos, militante Actualmente detido a aguardar julgamento por agredir imigrante, já fora indiciado por outra agressão a um outro casal em 2023. Preso em 2021 no âmbito de uma guerra de gangs com “evidentes traços de ódio racial”. Suspeito de homicídio qualificado.

https://www.iscte-iul.pt/assets/files/2024/02/26/1708946789019_109773152.pdf

10. O mãos-de-fada: Pedro Alves, líder do Chega-Aveiro Condenado, em 2020, por violência doméstica, a um ano e seis meses de pena suspensa, a pagar 600 euros de indemnização, e a frequentar um programa especial para condenados por violência doméstica.

https://sicnoticias.pt/programas/jornais-10—15—20/jornal-da-noite-10/2024-02-26-10-minutos-lider-do-Chega-Aveiro-condenado-por-violencia-domestica-PS-e-AD-admitem-pacto-na-Justica-dc3574af

11. O saudável: Eduardo Cassiano Nogueira Pinto Miranda, n.º 3 da lista pelo círculo de Vila Real Condenado em 2019 (2 anos) do crime de burla ao Serviço Nacional de Saúde num esquema de falsificação de receitas comparticipadas que segundo o MP lesou o SNS em mais de 300 mil euros.

https://www.dn.pt/lusa/perfil-dois-rostos-de-um-burla-ao-servico-nacional-de-saude-10955382.html/

12. O segurança: Hélio Filipe, segurança de André Ventura, delegado eleito por Lisboa Acusado pelo MP (Julho de 2021) de 16 crimes, entre os quais ofensas à integridade física qualificada, sequestro, extorsão, falsificação de documentos e roubo. Aguarda em liberdade a marcação do julgamento.

https://www.iscte-iul.pt/assets/files/2024/02/26/1708946789019_109773152.pdf

13. e 14. Os jornalistas freelancers: Luc Mombito (dirigente nacional do Chega) e Nuno Pontes (dirigente, autarca e assessor do Chega) Acusação pelos crimes de ameaça agravada (ao jornalista Pedro Coelho), atentado à liberdade de imprensa e posse de arma proibida (no caso de Nuno Pontes).

https://expresso.pt/sociedade/2023-06-06-Chega-PJ-faz-buscas-as-casas-de-Luc-Mombito-e-Nuno-Pontes-que-foi-detido-por-posse-de-arma-ilegal-c06c75a4

15. O municipal: José Manuel Pombinho Barreira Soares, deputado eleito por Lisboa Acusado de agressão na forma tentada, de um deputado municipal do PSD (Rui Rei), durante a Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira

https://www.publico.pt/2022/07/27/politica/noticia/tentativas-agressao-chega-psd-vila-franca-xira-obriga-intervencao-psp-2015196

16. O escolhas-múltiplas: António Pinto Pereira, deputado eleito por Coimbra Alvo de acção disciplinar em 2018 por ter manipulado testes de escolha múltipla. Alunos confirmam, e o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa não desmente.

https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/a-nova-estrela-do-chega-suspeito-de-alterar-notas

17. O árbitro: Pedro Pinto, deputado eleito por Faro Acusado de insultar e agredir árbitros/adversários durante um torneio de futebol Sub-13 no Crato. O deputado terá ainda impedido situações de ataque da equipa adversária. Acusado igualmente de ameaçar assessor do PS nos corredores da AR.

https://expresso.pt/politica/partidos/2023-06-26-Pai-isto-e-uma-vergonha-deputado-do-Chega-agrediu-arbitro-de-18-anos-em-jogo-de-futebol-be58a563

18. O coronel: Luís M. P. Lopes (“Simpson”), militante Detido em 2021 pela PJ por tráfico de armas de guerra, na posse de dezenas de armas proibidas de diversos calibres e géneros (pistolas, revólveres, carabinas, caçadeiras, facas e soqueiras), além de detonadores e milhares de munições.

https://ominho.pt/detidos-por-trafico-de-armas-em-braga-pagam-200-mil-euros-para-sair-em-liberdade/

19. A sucateira: Milena Alexandra Boto e Castro, vereadora eleita na Câmara Municipal de Benavente Condenada pelo crime de receptação num processo em que o tribunal deu como provado que comprou sucata roubada a um grupo criminoso liderado por um militar da GNR de Samora Correia

https://observador.pt/especiais/vereadora-do-chega-em-benavente-foi-condenada-por-comprar-sucata-roubada-a-grupo-criminoso-liderado-por-militar-da-gnr/

20. A espírita: Maria Manuela Pereira Tender, deputada eleita por Vila Real Ex-deputada do PSD, acusada de falsear presenças na AR na polémica das “presenças-fantasma” de 2018. Afirmou estar simultaneamente em reuniões da CM de Chaves e em reuniões plenárias da Assembleia da República.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuela_Tender

21. O talhante: António Laranjo (“Toni”), número 3 da lista em Viana do Castelo Empresário de “negócios da noite” na praia da Amorosa, ligados à exploração sexual de jovens sul americanas. Irmão detido em rede organizada de tráfico de brasileiras para prostituição em Portugal → Luxemburgo.

https://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/numero-tres-da-lista-de-candidatos-pelo-chega-de-viana-do-castelo-e-empresario-da-noite

22. O traficante: Sérgio Júnior (“Sérgio Chorão”), deputado municipal em Braga Detido em Outubro de 2023 pela PSP por tráfico de droga e posse ilegal de armas. Na operação da PSP foram apreendidas várias armas, 38.105 € em numerário, inúmeros comprimidos e substâncias dopantes

https://www.jn.pt/4169326603/deputado-municipal-do-chega-detido-diz-tratar-se-tudo-de-grande-equivoco/

23. O táxi: Mário Monteiro, líder do Chega em Ovar Denunciado por entregas de dinheiro ao presidente da CM Ovar em troca da adjudicação de uma obra. Dirigente assume ter sido correio de suborno, entregando vários envelopes com dinheiro, num total de 120 mil euros.

https://www.rtp.pt/noticias/politica/polemica-em-ovar-dirigente-do-chega-diz-ter-sido-correio-de-suborno_v1551312”

São 23 deputados em 50, 48%. É obra. Andamos a sustentar quem não quer fazer nada.

Os donos da democracia

A Democracia é o que nós dissermos que é. 

Os resultados são o que nós quisermos que sejam. 

Fascistas são os que nós dissermos que são.

Progresso é o que nós quisermos que seja.

 

Só os nossos podem ter opinião. 

Só os nossos podem ter liberdade. 

Só as nossas lutas são justas. 

Só nós sabemos o que é melhor para vocês. 

E não se pode criticar os eleitores?

Quando alguém, como é o meu caso, não fica satisfeito com o resultado das eleições, aparecem umas acusações que não me parecem menos estranhas por serem frequentes.
1 – é preciso respeitar a vontade do povo.
Tanto haveria a dizer.
Em primeiro lugar, ó alminhas, criticar não é faltar ao respeito. Depois, criticar não altera votação nenhuma nem manda os criticados para o calabouço da minha prisão política particular gerida por barbudos que torturam os prisioneiros com canções revolucionárias e outras crueldades. Finalmente, em democracia, um cidadão, se lhe apetecer, pode criticar os outros cidadãos todos, incluindo os próprios pais.
Quando critico os outros, posso estar convencido de que sou melhor do que outros? Sim, é possível e, diria, recíproco. Se eu considerar que as minhas opiniões são melhores do que as de outra pessoa, corro o risco de ser atacado por algum complexo de superioridade, mas isso não tira nenhum bocado a ninguém. Curiosamente, as pessoas que consideram que as minhas ideias são um disparate também se julgarão superiores a mim. Entretanto, enquanto andamos nestas discordâncias, enquanto nos julgamos superiores uns aos outros, não nos cai nenhum membro e o mundo pula e avança.

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A Bolha

Antes de falar do que realmente pretendo, 5 pormenores que me chamaram a atenção:

– o definhamento justo e implacável do PCP;

– a perversão ADN que foi, na minha convicção pessoal, deliberadamente permitida pela CNE e desleixadamente menosprezada pela própria AD; 

– a constatação que a decisão da IL de não integrar a AD foi anti-patriótica;

– a quase impossível vitória da AD porque ao contrário do que se quer fazer crer, é notável conseguir ganhar ao PS quando à sua direita ou no seu espaço tem 2 partidos que totalizam 23% e à esquerda do PS, só foram contabilizados 12% dos votos;

– depois da desgraça que foi a governação socialista, ainda haver quase 30% de pessoas que votaram PS.

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A lucidez de Ricardo Paes Mamede

O melhor texto de reacção aos resultados das eleições do passado Domingo está no jornal Público. Escreveu-o o sempre sóbrio e implacável nas ideias, Ricardo Paes Mamede.

E a frase que fecha o texto é chave-de-ouro e resume bem o crescimento da extrema-direita. Cito:

“(…) A generosidade com que pessoas e instituições endinheiradas financiam organizações políticas que apostam na crispação, sugere que uma parte dos ricos em Portugal já não tolera as opções de quem governou o país nos últimos anos, por muito moderadas que fossem. Não há aqui nada de novo: quando acham que a democracia lhes retira privilégios — sob a forma de impostos ou de direitos laborais que consideram excessivos —, alguns poderosos financiam o caos, dando poder a quem oferece ordem e “moderação”. Esperam com isso manter os seus benefícios. O problema, como a história mostrou muitas vezes, é que se arriscam a perder o controlo sobre o monstro que criaram.”

Na mouche. Parabéns pela clareza, Ricardo.

A derrota do social-liberalismo

O Partido Socialista (PS) perdeu as eleições que ninguém ganhou, excluindo a agremiação onde se arrolam mil e um interesses obscuros.

Em relação a 2022, o PS perde quase meio milhão de votos. A “grande” Aliança Democrática (AD), coligação entre três partidos – uns mais moribundos do que outros -, conseguiu a proeza de, em relação a 2022 e ao PSD de Rui Rio, só ter ganho 259 224 votos. Já a terceira força política, arregimentou os votos daqueles que no seu extremismo se vêem representados mas, sobretudo, dos descontentes; se, por um lado, nos congratulamos porque a abstenção baixou, também saberemos ver que esses, os cordeiros inocentes, saíram para votar no lobo que lhes esfolará a pele mal tenha oportunidade. É, de todos, o mal menor, pois hoje, se a gente adulta estiver atenta e se galvanizar, será o primeiro dia do fim da vida da extrema-direita como a conhecemos na Assembleia da República. Com tantos deputados quantos os anos que durou o Estado Novo, a cooperativa de interesses de colarinho branco chamada Chega terá, agora, a difícil tarefa de transformar os votos que teve em propostas concretas e realistas, para lá da gritaria, do insulto e da mentira reles e facilmente desmontável, o que, convenhamos, será quase tarefa impossível para quem entrou na política apenas e só a reboque dos caciques milionários que comandam o país. [Read more…]

A herança de Durão nos 20 anos do 11M

O 11M, como é conhecido em Espanha, foi há 20 anos.

Com epicentro na estação de Atocha, Madrid foi abalada pelo rebentamento de 10 bombas, que causaram a morte de 193 pessoas e ferimentos a mais de 2000.

Uma tragédia de proporções aterradoras, que produziu traumas que ficaram para sempre.

Nesse dia, descobrimos, da pior maneira, que a invasão do Iraque colocou os lacaios de Bush na linha de mira da Al-Qaeda.

Seguiu-se Londres, em 2005.

Sorte a nossa, Portugal escapou. Talvez porque os terroristas não viram em Durão Barroso mais do que aquilo que ele foi: o mordomo da Cimeira das Lajes. [Read more…]

Notas aleatórias sobre os resultados eleitorais – uma thread de Pedro Magalhães

que pode acompanhar neste link. As primeiras notas, inevitavelmente, dizem respeito ao crescimento da extrema-direita.

Não há corruptos contra a corrupção

A AD, enquanto marca eleitoral, perdeu as eleições, em votos e em mandatos, e só pode propor governo com os deputados emprestados da oligarquia madeirense. Não deixa de ser uma ironia rebeliana que a direita festeje umas eleições convocadas por suspeitas de corrupção, à boleia de 3 deputados da Madeira eleitos por partidos embrulhados em suspeitas de corrupção, e que a extrema-direita, que tanta demagogia propala contra a corrupção, queira ser chamada a governar a reboque deste dominó de corruptos. O próximo governo não vai ser um governo, vai ser uma quadrilha em cadeia.

O fascismo metastizou

Com mandatos em todos os círculos eleitorais à excepção de Bragança, o fascismo metastizou o país nos 50 anos do 25 de Abril. São 48 deputados, tantos quantos os anos vividos em ditadura. Se somarmos a esse dado o pior resultado da esquerda na era democrática, estamos nas piores condições possíveis para defender os direitos de quem trabalha. Para salvar o país do cancro da extrema-direita vai ser preciso, porém, mais do que lamentos. É preciso uma esquerda mais capaz, menos deslumbrada e consciente que o tempo que temos pela frente não se enfrenta com a brandura com que nos têm brindado. Que os líderes da oposição sejam uma nova resistência. No parlamento e nas ruas. No boletim de voto e em todas as frentes onde o fascismo mostre os dentes. Cá estaremos, com tudo o que precisarmos. Só assim podemos voltar a virar o jogo como tão bem o soubemos fazer há 50 anos.

Que passou-se, Montenegro?

O facto mais extraordinário desta eleição foi a vitória de pirro de Luís Montenegro. Esteve dois anos em campanha e, ainda assim, foi incapaz de capitalizar com os problemas estruturais no SNS, na Educação, na Justiça e na generalidade da Administração Pública. Não foi além de uma vitória tangencial, apesar dos casos e casinhos que enfraqueceram o PS. E permitiu que o CH ocupasse parte do seu território natural. Quando se exigia uma vitória expressiva, não foi além dos 30%. Como diria o amigo de Ventura, “que passou-se”?

PSD: O Fraco Rei….

Oito anos de governo PS. Um governo PS com maioria absoluta que não conseguiu terminar a legislatura. Uma coligação com o CDS (coisa que não fizeram nas anteriores e que teria evitado a maioria absoluta). Um PS em frangalhos. Melhor cenário era impossível. No mínimo exigia-se uma vitória robusta e, com alguma sorte, uma maioria absoluta.
A esta hora ou dá empate ou uma vitória de pirro. Pior era quase impossível. A clubite da militância dos partidos acrescida de lideranças que vivem numa bolha dão nisto. Já dizia o outro: fraco Rei faz fraca a forte gente….

Resultados Legislativas 2024 – “too close to call”?

Mantendo a tradição, o Aventar vai antecipando os resultados das sondagens à boca das urnas. A tradição ainda é o que era.

Dados de sondagens “à boca das urnas” pelas 16h de Portugal continental:

AD 30,07% ; PS 28,5% ; CHG 18,7%; ; IL 4,4%; CDU 4%; BE 3,8%; LV 3%; PAN 1,5% e ADN 1%
Nenhuma televisão estará em condições de dizer às 20.00 que há um vencedor.

Foi você que perdeu um cérebro?

Pensei que fosse gozo, mas é mesmo verdade: no Twitter, André Ventura garante que a sede do CH foi atacada por activistas climáticos, sem apresentar uma única prova, acusando-os de atacarem o seu gato. O tweet vem acompanhado com uma foto do gato com uma mancha verde de meio centímetro de diâmetro.
Pior: há pessoas, com cérebros, que acreditaram nisto.

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Mulheres: um voto em André Ventura é um voto contra os vossos direitos

Dia Internacional da Mulher.

O dia perfeito para recordar que o partido de André Ventura tem militantes que defendem a remoção dos ovários das mulheres que recorrem à IVG.

Entre outras ideias que visam reduzir a mulher ao papel que teve durante o Estado Novo: uma subalterna do marido ou do pai, submissa, na cozinha, sem carreira profissional, de pernas abertas sempre que o homem quiser.

Sem levantar ondas.

Calada e obediente.

Ou, regressando ao léxico fascista do Estado Novo, “recatada e do lar”.

Mulheres: um voto em André Ventura é um voto contra os vossos direitos. [Read more…]

Em 2019, o exército de perfis falsos do CHEGA foi financiado ilegalmente?

Em 2019, aquando da candidatura de André Ventura às presidenciais, do nada surgiram centenas de páginas facebook oficiais e não oficiais do CHEGA. Enquanto as páginas oficiais revelavam uma baixíssima atividade, comparável aos restantes partidos pequenos/novos, já os sites oficiosos do CHEGA pareciam inundados de apoiantes e imensamente profícuos em comentários. Como foi denunciado na altura em reportagem jornalística, o CHEGA teria criado cerca de 20 mil perfis falsos. E era nestas páginas oficiosas do CHEGA que eles faziam o seu trabalho, e aqui sublinho a palavra trabalho, porque era evidente que havia perfis que dedicaram meses de trabalho a tempo inteiro à criação de páginas, de conteúdos, de perfis falsos e à escrita de comentários das 8h às 24h. Um desses perfis, era esta Sophia Vilaverde ou “Vani para os amigos”. Era evidente que a Vani estava a fazer um trabalho remunerado, como é que se pode explicar que geria a página “CHEGA Portugal – Força Nacional” (encerrada entretanto pelo facebook) que produzia conteúdos da manhã à noite e tinha centenas de comentários em cada post. Quanto mais racista fosse o post mais comentários atraía. A Vani passava o dia a responder aos comentários dessa página bem como de outras páginas oficiosas do CHEGA.

Como foi paga a Vani? Quem pagou a Vani?

Esta é a grande questão. Mais do que analisar aqui os milhares de comentários de incitamento ao ódio racial, ao genocídio ou ainda aqueles em que se faziam ameaças explicitas à integridade física de minorias, de mulheres e de portugueses racializados. Quem e como pagou à Vani e às restantes dezenas de gestores de páginas oficiosas do CHEGA que se escondiam por trás de perfis falsos , quem pagou aos criadores de conteúdos e aos gestores dos tais 20 mil perfis falsos, que surgiram do nada de um dia para o outro, num partido pequeno e acabado de criar? [Read more…]

Breaking: André Ventura recruta cabeça de lista num prostíbulo

Rui Cristina, o político sorridente que surge nesta foto com André Ventura, é o cabeça de lista do CH por Évora. Em Janeiro, era deputado do PSD, o partido “do sistema” que Ventura apelidou recentemente de “prostituta”. Quer isto dizer que Ventura recruta cabeças de lista em prostíbulos?

Who’s the whore now?

Admitam: os imigrantes fazem mais falta que o partido de André Ventura

Raro é o dia em que não lido com indianos, nepaleses, brasileiros e pessoas de outras nacionalidades que chegaram à Trofa nos últimos anos, em busca de uma vida melhor.

Vamos sublinhar já esta parte: em busca de uma vida melhor.

Como aqueles portugueses que começaram a sair daqui quando Portugal era uma ditadura fascista. Fugiam de um regime opressor, fugiam da guerra e da miséria. Os mesmos motivos que levam indianos, nepaleses e brasileiros a fugir.

Ao contrário daquilo que afirma a extrema-direita e a direita radical, coro ao qual se juntou recentemente Pedro Passos Coelho, não se registou qualquer aumento de insegurança, ou mesmo da criminalidade, decorrente da chegada destas pessoas ao nosso país.

É falso e é uma canalhice usar este pretexto para atacar os imigrantes.

E é xenofobia também. [Read more…]

Groucha

Ou por outras palavras:

Por apoiar a AD, Goucha passou num instante de membro de uma “minoria privilegiada” a elemento de uma maioria livre e esclarecida. Além disso, a posição de Goucha é assaz incoerente: não faz sentido votar em partidos que, descaradamente, votaram contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo (e que, descaradamente, apoiaram a guerra no Iraque) para em 2018 se ir casar com uma pessoa do mesmo sexo.

There, I fixed it, Berto.

André Ventura e as forças vivas do PSD

Do Volksvargas.

André Ventura, o grau zero da credibilidade

Diz-se anti-sistema, mas acobarda-se contra os donos disto tudo.

Diz-se contra as elites, mas é financiado por algumas das maiores fortunas do país.

Diz-se contra corrupção, mas enche o peito para anunciar um vídeo de apoio de Viktor Orbán, um dos políticos mais corruptos da Europa.

Diz-se implacável contra os criminosos, mas tem vários condenados nas suas listas.

Diz-se um homem do povo, mas passou a campanha fechado em salões, longe da rua. [Read more…]

Quem financiou o partido de André Ventura?

O partido de André Ventura, que se propõe limpar Portugal com criminosos condenados nas suas listas, foi notícia por suspeitas fundadas de financiamento ilegal, devido a milhares de euros de donativos cuja origem não é conhecida ou explicada pelo partido.

Querem ver que é desta que se descobrem lá alguns rublos do Putin?

Os herdeiros de Salazar querem um país de analfabetos

Perante o cheiro a mofo das personagens sinistras que, por estes dias, saem do armário do para tentar iludir os descontentes, afirmando barbaridades como “isto está pior que no tempo do Salazar”, nada como dados objectivos para reduzir a propaganda do retrocesso ao lixo que ela é.

Fascismo nunca mais.

Ventura e o orgulho de ter Miguel Relvas como aliado

Mesmo que não se confirme, o facto de André Ventura apresentar o nome de Miguel Relvas como aliado diz-nos tudo sobre a farsa anti-sistema que o seu partido tenta vender.

De Tavira para o 25 de Abril de 1974

Foi um acaso, sim. Mas não é a História feita, também, de acasos? Um acaso que, quase 50 anos depois, é ainda um facto praticamente desconhecido: muitos dos cravos que marcaram as imagens do 25 de Abril de 1974 foram criados no Posto Agrário de Tavira.

Esta recente informação – também obtida por acaso, através de uma investigação sobre o Posto agrário de Tavira -, deu asas à ideia de recriar a viagem dos cravos que são o símbolo da liberdade de Abril. Aliás, também isso, por acaso. Segundo testemunho da Eng. Guilhermina Madeira, que à data trabalhava no Posto Agrário, os cravos seguiam de Tavira para Lisboa à consignação para um distribuidor, a firma Laranjeiras e irmãos, e era ao sr. Laranjeira que as senhoras que vendiam no Rossio e na Praça da Figueira compravam as flores. “Tanto quanto me apercebi, foram as mulheres que distribuíram os cravos, era o que tinham, se calhar se tivessem tulipas ou gladíolos em abundância, teriam dado também…”. [Read more…]

Quem financiou os outdoors do Chega em 2019?

Todos se recordam das dezenas de outdoors que foram colocados por todo o país em que o CHEGA se manifestava contra o serviço público de saúde, de educação, de transporte, etc. Assim que começou a pandemia e era o serviço público a cuidar da população com COVID, André Ventura ficou entalado e negou o conteúdo destes cartazes, explicando que afinal estes outdoors queriam dizer que ele não tinha preconceitos ideológicos contra a saúde privada. Mas o que é certo que foram gastos mais de 75 mil euros em outdoors (assumindo 50 outdoors a 1500€ cada) que afinal não queriam dizer o que diziam. 75 mil euros para um novo partido é uma imensidão de massa, sobretudo quando é para dizer o que não queriam dizer. Mas a profusão de sucessivos novos outdoors com variadíssimas outras mensagens foi uma constante do CHEGA durante 2019. Quanto gastou o CHEGA no total em outdoors em 2019? Certamente bem acima de 200 mil euros. De onde veio tanto dinheiro para um novo partido? Veio do contumaz César de Paço? Veio de milionários nacionais? Ou veio de fora de Le Pen ou de Putin através de algum esquema indireto?

É fundamental que as autoridades, em particular a judiciaria, investiguem a fundo as transferências escondidas do CHEGA de 2019. Em França não houve medo e já houve condenações no caso de financiamento ilegal da campanha de Sarkozy. Aqui queremos investigação e queremos ver resultados.

48 anos de alterne…

Passar a imagem que o PS governou mal, enquanto o PSD salvou sempre o país parece ser a estratégia na campanha da AD, para a qual têm sido chamados os antigos líderes do partido. A mensagem pode vir embrulhada em romantismo, apelando ao saudosismo, mas é falsa. Lembro-me bem como terminou o governo liderado por Francisco Pinto de Balsemão, com maioria absoluta que lhe permitiria ter permanecido no cargo até 1984, mas após implosão da Aliança Democrática original, durou apenas até 1983, eleições vencidas pelo PS, que governou com o PSD liderado por Mota Pinto, o célebre bloco central, foi Ministro das Finanças que tinha por missão colocar em ordem as contas que a AD havia deixado e preparar a adesão à então CEE, que era à época o desígnio nacional. [Read more…]

Padronizados e Pobres

Standard & Poor`s sobe `rating` de Portugal que alcança nível `A` em todas as principais agências

Bem sei que esta coisa dos ratings não passa de velhos e novos-ricos, muito bem engravatados, a medirem pilinhas, mas estou a estranhar que quem tanto admira ratings ou rankings não esteja a festejar peremptoriamente esta tão magnífica vitória económica para Portugal.

Sei lá, se era para trazer os Passos, as Assunções e os Durões, ao menos que mantivessem a mesma tesão por números que mostravam ter quando governavam o país. Nem precisavam de inventar novos discursos; bastava dizerem, por exemplo, o que já disseram: as pessoas não estão bem, mas o país está melhor.

A herança da 1ª AD foi a bancarrota de 83. A desta poderá ser pior

Durão Barroso apareceu ontem num comício da AD – e não saiu a meio, espantem-se – para nos recordar que foi o PS que nos atirou para a última bancarrota.

É verdade.

Como é verdade que foi precisamente essa a herança da AD anterior, que rebentou com as contas públicas do país e o atirou para a bancarrota e para o segundo resgate do FMI, em 1983.

Foi esse o legado da AD que agora se reedita.

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A escolha de Pedro Passos Coelho

Pedro Passos Coelho entrou na campanha da pior maneira.

No Algarve, região do país que, de forma literal, não sobrevive economicamente sem os imigrantes que chegam ao país, o antigo primeiro-ministro escolheu a demagogia, associando a imigração ao aumento da insegurança em Portugal, sem um único dado ou facto que sustente a sua insinuação.

E, de uma assentada, o discurso de Passos Coelho teve 3 efeitos imediatos:

  1. Revelou a permeabilidade do espaço político da AD a uma das mais perigosas ideias populistas defendidas pelo partido de André Ventura, o que nos dá indicações preocupantes sobre o futuro.
  2. Demonstrou que o PSD está disponível para combater o CH no lamaçal da demagogia. Um erro já tentado noutros países, sempre com o mesmo resultado: com a derrota da direita moderada.
  3. Fez mais pela mobilização do eleitorado à esquerda que qualquer aprendiz de fascista. Um erro táctico.

Dir-me-ão que Passos estava só de passagem. Mas eu sou céptico e não acredito em coincidências na política. E elas começam a ser muitas.

Como a proposta de Paulo Núncio para referendar o direito ao aborto.

Caminhamos sobre gelo fino.