… e moviam as suas patéticas manobras cá por casa, Paulo Portas quer convencer-nos de que pediu encarecidamente à Comissão Europeia que fosse condescendente para com o governo português. Asco! Mas alguém ainda acredita neste tartufo?
Os milionários que ganham 2000 euros por mês
A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.
Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.
O DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”
Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.
Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.
Deixo-vos a citação completa da resposta, porque uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais. [Read more…]
Um bom dia para tirar a máscara…
Europa

Miguel Szymanski
Como europeu dos quatro costados (avô português + avó meia catalã meia alemã; avô austríaco de ascendência polaca + avó da comunidade alemã checa) esta Europa começa, outra vez, a meter-me medo. Claro que a Europa dos meus quatro costados já passou por pior. A minha avó paterna dizia-me que tinha mudado três vezes de país à força das armas sem sair da cidade onde nasceu (Pilsen/ actual República Checa). O meu avô paterno, médico, passou anos a trabalhar com serras de ossos num hospital militar em Viena. A minha outra avó tomava conta das crianças no jardim de casa com uma arma automática em cima da mesa, para se defender em caso de ataque, enquanto o meu avô comandava uma companhia de soldados famélicos.
A Europa já esteve pior. Depois formou-se como cartel industrial para carvão e aço e é sobre esse cartel que assentam as actuais instituições da UE. [Read more…]
Resíduos de botas nas línguas dos jotas
O jota do centrão é uma mutação produzida em laboratório. Por fora, parece uma pessoa; por dentro, é um híbrido obediente, entre o porco e o lobo, que vota caninamente no que lhe mandam em vez de dar a pata e que diz o que lhe ditam, atacando uma jugular retórica à ordem do dono.
Os laboratórios em que produzem os jotas têm escrito na fachada “Sede do Partido Coiso”. Lá dentro, os chefes estendem a bota e o jota, como em qualquer praxe universitária, lambe até ficar dependente. De tanto lamber, dá-se a mutação.
No fundo, lamber a bota é um sucedâneo da célebre “água do cu lavado” com que, diz a tradição, as mulheres seduziam os futuros maridos. Como é que isto se compagina com a teoria de que os homens se prendem pelo estômago não sei, mas o mundo está cheio de mistérios. [Read more…]
Gestão de carreiras

Flanava por aí a pensar remotamente se aos portugueses também faltaria uma palavra para entreprender e eis senão quando este cartaz:
“Código Penal
Artigo 160.º
Tráfico de pessoas!
1 – Quem oferecer, entregar, recrutar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração, incluindo (…) a exploração do trabalho (…):
c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, económica, de trabalho ou familiar;
é punido com pena de prisão de três a dez anos!”
O anúncio aparecia assim, com pontos de exclamação e tudo, a transpirar desafio, incredulidade, loucura…
Ainda pestanejei, por momentos, “porque não?”, mas logo o tédio, “não vá a coisa desmerecer até os portes de devolução”, me arrastou no seu enjoo paliativo…
Alberto João Jardim enfrenta a justiça pela primeira vez

Foi preciso esperar 22 anos para que António Loja pudesse ver chegar ao tribunal o processo por injúrias de que acusa o rei-sol do Funchal. Terminada a era da imunidade, Alberto João Jardim vai mesmo sentar-se no banco dos réus e responder pela chacota pública a que remeteu o ofendido, através do Jornal da Madeira, onde publicou artigos em que usava vocabulário que ilustra bem a pessoa que é, e que incluía termos como “ordinarote” ou expressões como “o homenzinho, ao ler isto, caem-lhe mais três dentes, dois de raiva e um de senilidade“.
Estando o teor deste processo longe das mais elevadas tropelias do jardinismo, entre casos gritantes de despesismo e férias de luxo patrocinadas pelos contribuintes, a verdade é que é absolutamente refrescante ver Alberto João Jardim em tribunal. Cheguei sinceramente a pensar que tal nunca seria possível. Ficará por aqui? Ou será este o primeiro episódio de uma fabulosa série em que o regime do compadrio madeirense começará a responder perante a justiça? Uma sugestão: que tal começarem pelo Banif?
Foto@O Jogo
Porque nunca me conseguirão calar
“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.”
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Orçamento de Estado visto por um leigo

Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, tenho muitas dificuldades em perceber as linhas com que se cose um orçamento de Estado. Recebo informação através da imprensa, dos actores políticos e dos vários grupos de interesses que gravitam em torno dos cofres do Estado, dos funcionários públicos às clientelas partidárias, e tento juntar as peças. E a primeira conclusão a que chego é que nós, portugueses, nos encontramos numa posição perto da irrelevância no que toca a esta matéria. A nossa soberania está hoje nas mãos de Bruxelas e a tendência, tanto quanto me é dado a entender, é para piorar. Claro que, perante o poder do regime europeu, existem duas abordagens possíveis: a abordagem Pedro Passos Coelho, que consiste em aceitar toda e qualquer imposição sem contestação, e a abordagem que defino como patriótica, que consiste em negociar e defender o interesse nacional, que me parece ter sido aquilo que António Costa fez. Manuela Ferreira Leite defendeu mesmo que o governo saiu vitorioso da negociação. Estes sociais-democratas… [Read more…]
A namorada difícil
Merkel elogiou Passos Coelho numa conferência de imprensa conjunta com António Costa. Antes, quando se encontrou com Passos Coelho pela primeira vez, Merkel elogiara Sócrates. Suspeita-se que a Bundeskanzlerin é como as namoradas difíceis, que só dizem bem do anterior namorado. (O crédito da piada vai para Pedro Mexia, no último programa Governo Sombra).
São de fato uma pechincha

© David Rogers/Getty Images (http://bit.ly/1UXLZh3)
Depois de um fim-de-semana extremamente agradável e tranquilo, eis o caldo entornado quer no sítio do costume,

quer alhures.

Desejo-vos uma óptima semana, sem estrangulamentos e sem constrangimentos.
Liberdade para decidir
O direito à vida é inviolável, mas não uma obrigação ou fatalidade e muito menos provação ou vontade divina. Viver ou decidir morrer faz parte da liberdade individual, devendo ser respeitada a vontade de qualquer pessoa que solicite uma morte medicamente assistida, desde que na posse das suas faculdades. Vou mais longe, nem deveria ser um caso aplicável apenas a doentes terminais, mas a todos os que incapazes de se suicidarem o solicitassem. Dito isto, admito que os médicos possam ser objectores de consciência e que o acto médico deve ser cobrado ao requerente e não pago por todos os cidadãos. Ao que parece várias figuras publicas pretendem introduzir a discussão da eutanásia na sociedade portuguesa. Seja por via do referendo ou aprovação parlamentar, estarei a favor.
Pluralismo
Bruno Santos
Mentir, truncar, manipular, omitir ou silenciar, não são exercícios intelectuais ou éticos que possam configurar o conceito de pluralismo.
O pluralismo é a qualidade do que é plural, múltiplo, do que admite a existência do que é diferente, diverso, discordante.
O pluralismo é um dos mais exigentes desafios da Democracia, mas não cabe na sua definição a mentira voluntária, a manipulação, a omissão ou o silenciamento. Não cabe o crime. Não é pluralismo admitir que se possa, por exemplo, assassinar, roubar, falsear os factos. Duas testemunhas podem ter sobre um acidente de trânsito visões plurais, que este travou ou não travou a tempo, que aquele buzinou antes de bater, que ambos tinham prioridade à luz do código da estrada. Isso é pluralismo. Mas nenhuma pode dizer que eram três carros em vez de dois (quando, de facto, eram dois), ou que uma nave extraterrestre desceu sobre o cruzamento e desviou, com um feixe de positrões, um dos veículos, fazendo-o chocar com um holograma e desviando a sua trajectória. Quer dizer, poder, pode, no caso de o acidente se ter dado no Entroncamento.
Mas o Pluralismo depende, a priori, de uma Ética.
Pangu, o mito chinês da Criação
Bruno Santos
No Princípio havia só trevas e o Caos reinava. Mas no seio da escuridão formava-se um Ovo e dentro desse Ovo crescia Pangu.
Durante muito tempo Pangu apenas dormiu e cresceu. Mas quando se tornou num gigante, acordou e espreguiçou-se e, ao fazê-lo, partiu o Ovo.
As partes leves e puras do Ovo subiram então para formar o Céu.
As partes densas, impuras e pesadas desceram para formar a Terra.
Pangu viu o que acontecia em consequência do seu gesto e ficou feliz, mas de imediato temeu que Céu e Terra se voltassem a misturar, posto o que se colocou entre eles. Com a cabeça susteve o Céu e com os pés empurrou firmemente a Terra. Ficou assim entre eles, impedindo que a sua atracção os confundisse de novo.
Depois, já um gigante, continuou a crescer a uma cadência de 3 metros por dia, durante 18 mil anos, aumentando assim, constantemente, a distância que separava o Céu da Terra até que estes lhe parecessem fixos e seguros nos seus lugares, a 50 mil quilómetros de distância um do outro.
Exausto do seu esforço, Pangu caiu e adormeceu para nunca mais acordar.
Do seu corpo saíram então os elementos que viriam a compor o mundo. A sua respiração formou o Vento e as Nuvens. A sua voz fez o Trovão e o Relâmpago. Os seus olhos tornaram-se Sol e Lua, masculino e feminino, direita e esquerda. Os seus membros formaram os quatro pontos cardeais e o seu tronco as Montanhas. A Carne criou o solo e os pêlos as árvores e ervas que nele crescem. Do seu sangue formaram-se os Rios e das veias os Caminhos e as Estradas. A cabeça e o cabelo criaram o Céu e a transpiração transformou-se em Orvalho. Os dentes e os ossos formaram as pedras e os metais.
Assim Pangu criou o Universo.
TAP uma sociedade a 50% em que ninguém manda

foto@expresso
O Estado, conforme o negócio político feito entre o PS, BE e PCP que sustenta o actual governo, voltou a ter 50 por cento da TAP, sendo que a gestão da empresa vai continuar a ser efectuada pelo consórcio Atlantic Gateway.
Esta reversão do negócio polémico feito pelo anterior governo, no final da legislatura, vai custar agora quase dois milhões de euros .
Mas este negócio pode vir a tornar-se ruinoso porque a factura a pagar nos próximos anos pode vir a ser muito pesada, podendo vir a custar muitos milhões de euros ao País.
A isto acresce ainda que estamos agora numa sociedade a 50% em ninguém manda!
O BE, mas sobretudo o PCP, não aprovam o negócio por razões político/ideológicas, que pode vir a ter repercussões ao nível da CGTP. Por outro lado Passos Coelho pede esclarecimentos.
Agora a palavra é de António Costa e do seu governo.
Longe vão os tempos
em que o primeiro-ministro nos exortava a não sermos piegas, a emigrar e a sermos poupadinhos. Mudam-se os tempos, mudam-se os conselhos, não é mesmo António?
Pela defesa da tortura
Donald Trump compromete-se a trazer de volta as simulações de afogamento e “fazer bem pior que isso“, num discurso em que acusa os terroristas de práticas medievais. Se falhar nos EUA, Trump bem pode tentar suceder o rei da Arábia Saudita.
O inferno na Terra
Eis o que resta da cidade de Homs, na Síria, uma cidade fantasma feita de escombros e cadáveres onde apenas aqueles que não conseguiram fugir ficaram. Forças governamentais, rebeldes e Daesh fizeram deste reduto de oposição ao regime de Bashar al-Assad um cenário de guerra apocalíptico. As bombas russas fizeram o resto. O inferno na Terra.
Milhares de habitantes desta cidade pegaram no que puderam e fugiram. A maioria encontra-se hoje em campos de refugiados no Líbano e na Jordânia, outros arriscaram a sua sorte na Europa. A Europa da paz e da tolerância que agora quer deportar a maioria dos sobreviventes desta carnificina da volta para a Síria. Para os escombros e para a violência.
Solidariedade entre os povos?
Fora da lei
A Presidência da República anda há anos a esconder onde gasta o dinheiro. Esta situação tem sido denunciada muitas vezes, mas sem qualquer resultado. Esperemos que o próximo Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, cumpra e faça cumprir a lei. Apenas isso.












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