Hoje é dia de barrela

Passos recebeu mas eram despesas de representação e cartões de crédito. Não tinham de ir para o IRS. Não estava em exclusividade, estava em exclusividadezinha.

Portugal Surreal – Passos, Tecnoforma e trafulhice

Quem se sente surpreendido com o recente chafurdar na lama de Pedro Passos Coelho só pode estar a dormir há coisa de 3 anos. Quanto à honestidade do indivíduo já há muito que estávamos esclarecidos e sobre esse lodo chamado Tecnoforma só não viu até agora quem não quis. O que se compreende dada a apelativa oferta de lixo televisivo que vai prendendo tantas mentes neste país. Um tuga tem que ter as suas prioridades, se há cus, parolada e vacaria com força na TV, o país e o futuro podem sempre esperar.

Têm sido dias interessantes no desmascarar desse discípulo de uma longa linhagem de Cavacos e Sócrates. Que o Pedro abria muitas portas já todos sabíamos (leiam a entrevista do Fernando Madeira à Sábado, é reveladora). Que se relacionava com malta suspeita também. Que montou um esquema na blogosfera para destruir Sócrates e chegar ao poder o Fernando Moreira de Sá fez o favor do nos contar. Que deu à luz milhares de boys, mais até que a sua alma gémea Sócrates também não é novidade. O que aparentemente ninguém sabia, tirando aqueles que sabiam, é que este profissional do embuste poderá ter andado a receber umas coroas por fora enquanto deputado em regime de exclusividade. E quem lhe terá fornecido esses trocos? A Tecnoforma pois claro!

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António, recebi a tua carta.

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Fui encontrá-la no chão da entrada, onde aterram até que alguém os apanhe os envelopes que o carteiro enfia por debaixo da porta da rua. Havia outra, imaginas de quem, não é? Lá dentro estava um texto em Português acordizado, razão bastante, caso não houvesse outras, para não passar das primeiras linhas. Não aguento ver assim tratada a única pátria que conheço, compreendes?

No verso do teu envelope, lá estava aquela frase a afirmar na sua importância maiúscula que «PORTUGAL PRECISA DE SI.» Quando, depois das viagens formadoras da juventude, voltei para Portugal, fi-lo a achar isso mesmo: que Portugal, onde estava tudo por fazer, precisava de mim, mesmo se na justa medida em que também eu precisava de Portugal, pelas razões de superlativo mistério que fizeram com que uma imigrante (ou estrangeirada, chama-lhe o que quiseres António) se ligasse a este lugar mental ainda tão novinha, e desafiando as mais avisadas advertências que me exortavam a abraçar outra pátria.

Volto à tua carta: abri-a, lá te descobri na imagem de cabeçalho junto a uma réplica dessa frase: «PORTUGAL PRECISA DE SI». Pronto, afinal sempre era verdade. [Read more…]

O Iphone 6 a Lamber as Botas

samsung_iphone_6_bendA publicidade imita a realidade.

E nos analfabetos, também?

Por outras palavras, gera-se desemprego, especialmente da população menos qualificada e mais jovem, que agora terão mais dificuldade em entrar no mercado de trabalho.

Metro de Lisboa para todo o dia

metro

Aparentemente, segundo este título, o metro de Lisboa passará a funcionar 24 horas por dia. Lembrei-me imediatamente de uma notícia recente acerca do metro da minha terra: “O metro do Porto começa na sexta-feira, dia 11 de Julho, a funcionar 24 horas diárias nos fins-de-semana”.

Contudo, algo de extremamente grave terá acontecido entre o momento da redacção do título e o primeiro parágrafo do texto. Afinal, depois de nos darem a entender que o metro funcionaria durante todo o dia, agora dizem-nos que “O Metropolitano de Lisboa tem o seu serviço suspenso entre as 23h00 de ontem e as 00h15 do dia 26 de setembro [sic], sexta-feira“. Entendamo-nos: é para todo o dia ou está suspenso?

Ainda por cima, no Diário da República, a enxurrada de contatos e fatos não pára. Efectivamente: pára. Sim, hoje, no sítio do costume:

Na apresentação dos documentos comprovativos dos requisitos referidos nas alíneas a), b), c), d) e e) do n.º 9 do presente aviso, devem os candidatos declarar no requerimento, sob compromisso de honra e em alíneas separadas, a situação precisa em que se encontram, relativamente a cada um dos requisitos, bem como aos demais fatos constantes na candidatura.

(….)

Domicílio ou sede do requerente e contatos

(…)

Identificação completa, domicílio do requerente e contatos

(…)

A identificação completa, a residência do requerente e contatos

O azul não tem qualquer conotação clubística

Diz Eduardo Aires. Pois, sim, está bem. “Os típicos azulejos azuis e brancos que cobrem tantas igrejas da cidade”? Como escreveu o Krugman: “yuk-yuk-yuk (…) hahaha“.

O elogio

O porta voz do governo – um tal Luís Marques Guedes, se não erro – hoje, em conferência de imprensa, verberou severamente a CGTP por não querer assinar o “acordo” do salário mínimo e, pertencendo à “concertação social”, criticar sistematicamente os amorosos entendimentos entre patrões, governo e UGT.

Ena! Começar o dia recebendo um elogio destes, Arménio! Boa continuação.

E agora sr. Primeiro-Ministro? – II

-Já não existem dúvidas que v. exa recebeu o subsídio de reintegração por ter desempenhado funções de deputado na A.R. entre 1995 e 1999. A única pergunta que Portugal quer ver respondida é, auferiu ou não vencimentos ao serviço da Tecnoforma ou qualquer outra empresa durante o período? Admito que durante os primeiros dias, apanhado de surpresa até possa não se ter lembrado das datas exactas, mas não lhe será seguramente difícil passados alguns dias após breve consulta às suas contas bancárias ou recibos de vencimento, responder de forma cabal e dissipar qualquer dúvida. Permitir que paire no ar uma nebulosa onde se vai resguardando à espera que o episódio fique esquecido é um péssimo serviço ao país, ao seu partido e um desrespeito a todos, incluindo vários militantes do partido a que v. exa preside, alguns até exercem hoje funções como deputados ou assessores, que em legislaturas anteriores exigiram transparência e explicações ao seu antecessor, que era useiro e vezeiro neste tipo de manobras evazivas ao estilo do pior chico-espertismo nacional. De si não espero menos que um discurso à nação refutando todas as suspeitas que neste momento existam, ou em alternativa, caso não o possa fazer, que se inspire neste vídeo. Não custa nada. É a vida. Ao líder do partido seu parceiro de coligação, lembro que sempre clamou por transparência política e certamente estará atento aos factos, pelo que não deixará caso seja coerente de retirar consequências políticas da explicação ou falta dela que o senhor Primeiro-Ministra irá dar ao país.

Qual piropo?

Parece-me que anda por aí uma certa confusão, não exclusivamente masculina, quanto ao que significam “piropo” e “assédio sexual verbal”. Um piropo pode ser poético, pode arrancar um sorriso, porventura até pode ser o princípio de uma bela história de amor.

“Fodia-te toda”, babujado por um desconhecido aos ouvidos da mulher com quem se cruza na rua, não é um piropo, é uma agressão.

Dito isto, e quanto à criminalização do “assédio sexual verbal”, a minha mãezinha ensinou-me, através do seu enérgico exemplo, que duas chapadas bem dadas sabem muito melhor do que uma queixa na polícia.

Breve manual de instruções para um novo político

1. Inscreva-se num partido político. Nas fichas para novos militantes, costuma haver uma caixa de texto para inscrever o nome do padrinho que o propõe. Tente preencher essa caixa com o proponente com maiores redes e maior poder da sua localidade.
2. Vá aparecendo na sede do partido. Não deverá falar muito nesta fase. Deverá apenas acenar positivamente quando alguém com poder no partido usar da palavra. Acene quantas vezes puder. No final, gabe-lhe a opinião com a melhor adjectivação que souber. Corteje-o que nem um pavão. Você tem que o fazer crer que ele é mesmo o maior do partido.
3. Escolha o seu elevador social. Deverá auscultar de forma informal os seus colegas de partido de forma a tirar uma opinião sobre qual deve ser a sua âncora de ascenção dentro do partido. Escolha sempre aquele que lhe parecer mais forte e mais capaz de ir longe a longo prazo.
4. Nunca demonstre a sua opinião pessoal sobre uma temática sob discussão numa reunião do partido. A melhor receita para ir longe é deixar que os outros se queimem com as suas opiniões e como diz o povão ir andando e vendo.

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Contas à moda do Porto

A câmara paga, o presidente cala, La Féria assobia para o ar.

Pergunta de retórica

Alguém viu o Cavaco?

SG, UGT (II)

Carlos Silva, secretário geral da UGT, garantiu-nos a todos que o aumento do salário mínimo “era pouco, mas era um sinal”. Um sinal?! Fiquei em pulgas para saber se o líder sindical tinha tido, em êxtase místico, uma revelação, se era mais um vislumbre obtido nas artes de bruxaria, se se trata de uma complexa operação de física quântica ou se, mais prosaicamente, o sinal é coisa do foro dermatológico.. Por favor, Carlos Silva, não nos deixe nesta dúvida!…

Portugal em Directo

Portugal_secret_storyNuma tubisão perto de si.

SG, UGT

O secretário geral da UGT veio esclarecer-nos do feliz facto de um trabalhador brindado com o aumento de salário mínimo poder agora pagar uma explicação ao seu filho. Uma. É mais ou menos o mesmo que dizer-lhe que pode comprar uma colcha de chita para a sua cama estilo Luís XIV

Mínimo, mesmo

É sempre a tal história: vem um e do seu optimismo retira que o copo está meio cheio; outro dirá, a partir do seu pessimismo, que o copo está meio vazio. Raramente se dá a merecida consideração ao que, usando a sua razão, diz que o problema é o copo ter o tamanho desadequado. É o que se está a passar com o salário mínimo. Uns dizem que um pequeno aumento é uma festa e um grande favor do patronato (raramente o reclamam com vitória). Outros reafirmam que isto é demais e as empresas não aguentam. E ambos atacam agressivamente os que, quanto a mim com razão e bons argumentos, defendem que o aumento é desadequado, por ser insuficiente.

Piropos (II)

Ó João, de que loja de brinquedos saíste, boneco?

Piropos (I)

Ó Catarina,  o teu pai devia ter a régua torta para te fazer com curvas assim.

Carlos Costa e os frequentadores de centros de saúde

carlos costaCarlos Costa propôs hoje que os trabalhadores que tenham uma longa carreira contributiva e que não se tenham adaptado às “novas condições de trabalho” sejam encaminhados para a pré-reforma. Talvez seja melhor traduzir: “novas condições de trabalho” corresponde a ‘trabalhar mais horas e ganhar menos’; “pré-reforma” significa ‘despedimento disfarçado de reforma, com indemnização muito reduzida’.

Esta linguagem cifrada faz parte do código dos senhores do mundo, os mesmos que chamam “colaboradores” aos trabalhadores e “redimensionamento” a despedimentos. Como se isso não bastasse, Carlos Costa acrescenta a estas suaves sacanices um arremesso indiscriminado de lodo:

Seria necessário pensar (…) em como encontrar formas adequadas de ‘pré-pensionamento’ destes trabalhadores que, por razões ligadas à sua formação, à sua longa história de trabalho e até por razões ligadas à própria inadequação às novas condições [de trabalho], hoje frequentam sobretudo centros de saúde para obter licenças médicas e outros mecanismos de ausência temporária.

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“Contribuintes, vocês são o elo mais fraco”

banco bom banco mau

“Começou a ser escrito há mais de um ano e teve uma recta final alucinante porque, qual novela, não paravam (não param!) de acontecer coisas aos seus protagonistas. Chegou hoje às livrarias. E eu ainda estou num certo estado de estupefacção. Espero que gostem.” Rute Sousa Vasco

O fato da ata

einstein malk

© Arthur Sasse/ AFP (http://bit.ly/1nr6nXc)/© Sandro Miller courtesy Catherine Edelman Gallery, Chicago (http://bit.ly/1C21BaE)

O Dario Silva decidiu trazer-nos o Guevara/Malkovich. Por razões óbvias, prefiro a do Einstein. Graças ao fotógrafo Sandro Miller, o Malkovich e o Einstein regressam ao Aventar, num dia sem grandes surpresas, no sítio do costume:

De tudo o que ocorrer nas reuniões será lavrada ata que contenha um resumo do que de essencial nela se tiver passado, indicando, designadamente, a hora, a data e o local da reunião, os membros presentes e ausentes, os assuntos apreciados, as decisões e deliberações tomadas e a forma e o resultado das respetivas votações, bem assim, o fato da ata ter sido lida e aprovada.

(…)

A Câmara Municipal de Porto Moniz em colaboração com a Escola Básica e Secundária do Porto Moniz, promoverá o apuramento de todos e quaisquer fatos que requeiram esclarecimento no ato de análise das candidaturas.

 

Dizem que é um governo liberal – III

-O governo mais liberal incompetente de sempre anunciou uma redução no défice, apesar do aumento da despesa na administração central, graças ao brutal crescimento da receita fiscal. No mesmo dia em que aumenta o salário mínimo, começando assim a campanha eleitoral…

Passos Coelho foi deputado em exclusividade

Passos Coelho assinou pelo seu punho declaração de que estava em exclusividade

Dificuldade do conceito

homem salsicha

O Sr. ministro explica a problemática da salsicha educativa, sublinhando a dificuldade do conceito e o facto de os indivíduos atingidos pelo fenómeno não terem, normalmente, consciência do que consigo ocorreu.

É-lhes opaco, por assim dizer.

O pântano, sempre o pântano

É uma das nossas tradições, esta dos governos terminarem manchados não apenas pela incompetência governativa, traduzida na incapacidade de sanar aquilo que eles mesmos começaram por definir como sendo os males do país”, mas igualmente pela suspeita de corrupção, tráfico de influências, abuso de poder, peculato. É o pântano e dele não saímos.

Os nossos governantes têm sido moralistas grasnantes, do alto dos seus pés de barro mal cozido, aparelhados com um discurso inchado de presunções de ética irrepreensível e integridade. As flagrantes traições às promessas eleitorais são sempre justificadas pelos números até aí debaixo dos panos, as conjunturas imprevistas. E já nem os preocupa a necessidade de camuflar a mentira, tal a fé na fraqueza de memória dos eleitores. No melhor dos casos, terminam os seus mandatos tingidos pela suspeita de serem coniventes com a corrupção instalada. Acabam invariavelmente apanhados pela contradição entre o seu discurso e as suspeitas nunca inteiramente provadas do que foi a sua prática. São criaturas formadas pelos partidos, pequenos “golem” amassados no barro do carreirismo nas juventudes partidárias, da vida profissional à sombra do partido, do parlamentarismo guiado pela obediência servil e pelo cálculo. [Read more…]

Há alunos sem aulas. Muitos!

O país tem acompanhado com particular apreensão o processo de colocação de professores. É verdade que tem dado mais atenção à casa dos segredos, mas talvez a certeza de que ainda há uns milhares de alunos sem aulas ajude a perceber que deve haver um conjunto bem significativo de famílias que percebe o alcance do que está a acontecer.

Se por um lado, Nuno Crato causou prejuízos aos Professores, as consequências que todo o processo está a ter na escolas e nos alunos é difícil de quantificar. Há, por todo o país, uns milhares largos de alunos sem professor, enquanto estes continuam, desempregados e desesperados, em casa sem alunos.

E, ao contrário do que diz o Marques Mendes ou quem se coloca ao nível dele, o problema não está na existência de um concurso nacional para todos os docentes. Aliás, mesmo este ano, enquanto o concurso foi nacional, nada de tecnicamente errado aconteceu. A incompetência do Sr. Ministro só se manifestou quando tentou destruir o concurso nacional e multiplicar por cada escola um processo que seria muito mais fácil de concretizar e claramente mais transparente se continuasse a ser nacional.
Neste momento o ponto de situação é simples: com o modelo criado, Nuno Crato não vai conseguir terminar o processo.
Dito isto, importa agora avançar com soluções para o problema, uma vez que os dias passam e o MEC continua sem conseguir desatar o nó.

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Secret Story 5

João Sérgio Reis

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Ontem tentei (juro que tentei e vi) ver uns 15-20 minutos da xaropada da TVI que se chama Secret Story 5. Epá, eu peço desculpa a todos/as os que gostam de ver isto (incluindo aqueles milhares que dizem que não vem, mas sabem os nomes daquela Gente toda..) mas eu não aguento mesmo.. Descobri que há licenciados na casa e sabem tanto da vida e tem tanto nível que me deixam siderado. Ouvi pérolas que pensava não serem possíveis a gente de tal “gabarito”. Como disse uma amiga: “ao menos ainda conseguem escrever, já não é mau”. É mau, aquilo é tudo muito mau. Tinha de ver com os meus próprios olhos para tirar as minhas conclusões. [Read more…]

Pedro Passos Salsicha

pedro passos salsicha

O homem da chamada “salsicha educativa”, esse mesmo que andou a encher tecno-chouriços na Tecnoforma enquanto era exclusivo deputado. E agora, tadinho, sofre de Alzheimer. Vejam só, não se recorda se recebeu 150 mil euros, ninharias, especialmente no dinheiro de há 15 anos atrás, está visto. “Emigrem”, era o que ele recomendava, não era? Pois.

Cheque-enchido para Passos Coelho

paioPassos Coelho acredita ter explicado, ontem, que os problemas do ensino em Portugal se deveram ao aumento da “chamada salsicha educativa”, expressão cuja origem anda a mobilizar os meios de comunicação social, a blogosfera e as redes sociais. Tenho, ainda, a certeza de que a indústria pornográfica não desperdiçará a oportunidade e estará para breve a estreia do filme “Quero a tua salsicha educativa toda!”

As metáforas que inventamos ou copiamos dizem muito acerca de nós e da nossa visão de mundo. Passos Coelho escolheu a salsicha.

O que é a salsicha para o primeiro-ministro? É a Educação. E o que é a Educação para o mesmo primeiro-ministro? É uma salsicha, ou seja, o pior dos enchidos. [Read more…]