Carta do Canadá: Respeitinho é bonito

Charles Angelil

Charles Angelil, a dicursar no funeral do pai

Para compreenderem melhor o que vos vou contar, digo-vos que a cantora Celine Dion é para o Canadá o que Amália Rodrigues é para Portugal: um ícone.  O que se compreende porque, desde muito nova a bela voz de Celine prendeu este povo, que passou a seguir atentamente o crescer da menina que é conhecida em todos os continentes. Viu-a casar com o seu empresário, René, viu nascer-lhe os filhos, acompanhou-a na longa e tremenda luta do marido contra o cancro.

Quando René morreu e se soube que a cantora desejava sepultá-lo no Quebeque, a província que a viu nascer, o governo dessa província imediatamente a informou que oferecia um funeral de estado. Convenhamos que foi um exagero, porque não se tratava do funeral da artista mas do seu empresário e marido, ambos impecáveis, é certo, mas sem estatuto para cerimónias de estado. Os governos às vezes são assim desgovernados.  Seja como for, a cantora aceitou sensibilizada e ficou a saber que agência funerária tinha sido escolhida. [Read more…]

Como a Casa da Moeda dificulta o acesso ao DRE

drept-02

Ver adenda no final deste post!

No dia 24 de Março o Diário da República Electrónico colocou mais um entrave ao acesso dos cidadãos aos documentos publicados em DR. Eu mantenho uma cópia do DRE num site próprio que tenta colmatar as deficiências do site original que vê agora o seu trabalho bastante dificultado.

Vou tentar mostrar neste post de que forma da Casa da Moeda não só não cumpre o desígnio da lei – acesso universal e gratuito às leis do país – como tudo faz para dificultar esse acesso.

[Read more…]

Verdadeiro artista…

10409726_1073808736020204_6969597735270021948_n

Contribuinte, o Novo Banco precisa do seu dinheiro. Outra vez.

As medidas de reforço de solidez que o Novo Banco propõe ao BCE pretendem gerar mais capital do que os 1.400 milhões detectados nos testes de stress. A folga serve para fazer face a outras exigências e a perdas futuras.
O plano de capital do Novo Banco prevê medidas destinadas a reforçar a solidez da instituição num valor acima dos 1.400 milhões de insuficiências detectadas nos testes de stress do Banco Central Europeu (BCE).

 

E as boas notícias não terminam aqui. O mesmo Jornal de Negócios revelou ontem que o Novo Banco registou prejuízos de 552 milhões de euros na operação bancária em Portugal. Resta-nos saber até quando durará esta mentira e quando chega a factura. E você, também acredita que o prejuízo da venda do Novo Banco não sairá do seu bolso?

Isto não é liberalismo, é proxenetismo…

É o que me ocorre dizer a propósito deste post. Se o Hospital necessita contratar a mão de obra dos enfermeiros e está disposto a pagar 1200 Euros por 40 horas de trabalho semanais, não precisa contratar intermediários. Abre contratação e resolve o assunto. Caso a necessidade não seja permanente, existem soluções previstas na legislação, como a prestação de serviços. E provavelmente ainda reduzirá custos, pois se existem profissionais dispostos a trabalhar por 510 Euros, seguramente poderiam ser contratados abaixo dos 1200 Euros com ganhos reais para todas as partes, eliminando o intermediário. Nem vou entrar na discussão do valor, 510, 1200, poderia ser outra função e estarmos a falar de 5000, aqui importa sobretudo discutir o princípio. Este tipo de concursos é propício ao favorecimento de clientelas e desperdício de dinheiro público. Se averiguarmos bem estas empresas, acabamos por descobrir que pertencem a algum amigo do político X ou Y, têm ao seu serviço colaboradores ligados aos partidos… Isto nada tem a ver com liberalismo ou capitalismo, isto é outra coisa, bem mais feia de adjectivar!

O Estado, a Cultura e o Património

“…a função do Estado na Cultura tem de sair da mera dicotomia entre a preservação do património e o apoio à criação artística: o Estado tem de ser, cada vez mais, facilitador na relação com a referência e a experiência cultural, na fruição e acesso de cada cidadão à cultura. Este papel acrescido significa responder à procura com mais informação, com mais parcerias, com uma maior descentralização, com a colaboração – sem sobreposição, dirigismo ou substituição – com as autarquias, empresas e sociedade civil; com o apoio à criação e produção cultural e à internacionalização; e continuar a encontrar novos públicos em conjunto com as indústrias criativas, o turismo e a educação….”

Pois é.  A esta citação voltaremos.

Qual é o propósito de um governo?

A questão aqui colocada merece muitas respostas, dependendo da concepção de Estado que se tenha. Olhando para os extremos, para os liberais este abster-se-á de interferir na economia e na vida das pessoas. No outro extremo, o Estado socialista controla a economia e regula fortemente a sociedade. Nenhuma destas visões tem lugar no Portugal de hoje, mais virado para pseudo-liberais, os neoliberais, que advogam que o Estado deve ser mínimo mas, na prática, apenas o fazem no que respeita a prestação de serviços à sociedade (educação, saúde, …), aumentando continuamente o peso dos negócios que vivem apenas do Estado (educação privada mas paga pelo orçamento; saúde privada mas a viver em boa parte da ADSE; monopólios privados na energia, águas, transportes, ….).
[Read more…]

É a Economia, Estúpido!

camilo_lourencoUma análise que até o Camilo percebe!

Diz Passos Coelho, acompanhado pelo Coro de vozes dos principais responsáveis Europeus, que “o que está a acontecer em Portugal é consequência do que se passa na Europa”. É na diminuição do crescimento das exportações que o Governo encontra a tíbia explicação que dá para o fracasso das suas políticas.

Mas, não seria este abrandamento previsível? Era! Mais que previsível era mesmo uma consequência inevitável e uma “tragédia anunciada”. Senão vejamos:

O Plano (em Teoria) [Read more…]

Discutir o golpe de estado

Chega de cantigas: este governo não quer reformar coisa alguma, quer derrubar o regime constitucional. Direitalhos golpistas, rendidos à impossibilidade de uma alteração constitucional por via democrática e sabedores que historicamente a sua ideologia neoliberal só consegue os seus desígnios oitocentistas em ditadura, tendo fracassado todas as experiências de a implantar onde haja um mínimo de democracia, andam a cultivar o pavor que permita aplicar a doutrina do choque.

O que sucedeu ontem na conferência Pensar o futuro – um Golpe de Estado para arrasar a sociedade com uma santanete a dar tiros nos pés do Moedas e o Moedas a disparar sobre os pés da santanete tem uma explicação muito simples: sabem perfeitamente que entre os seus pode, na excitação da conversa, fugir a boquinha para a verdade, como por vezes ocorre escrevendo a insurgentes e blasfemos, por exemplo. E como toda a gente sabe os golpes de estado que se anunciam não se concretizam.

O resto é conversa, e uma agência de comunicação aos saltinhos atrás do prejuízo. A música da Chatham House  deve ser para surdos, porque uma regra assim (tradução oficial):

Quando uma reunião (ou uma parte da reunião), é governada pela a regra da Chatham House, os participantes são livres de usar a informação recebida, mas não podem divulgar a identidade e a afiliação dos oradores e dos participantes.

não tem absolutamente nada que ver com isto. Inventem mentiras novas.

Portugal digital 2013

escravidao-moderna_19-103941

Fui uma das primeiras pessoas em Portugal a usar a Internet, nos comecinhos da chegada da Rede mundial às casas dos portugueses. Fui também uma das primeiras jornalistas a escrever sobre o que isso representava em termos de mudança de sociedade – na web, na imprensa, e também na rádio: fui autora de um programa chamado Cibéria, nome com que acordei certa manhã, juntamente com a convicção de que tinha de fazê-lo nessa altura. Foi em 1997, estreou nas antenas da extinta e saudosa XFM, e depois transferiu-se para a TSF. A fazer esse programa de rádio, andei pelas escolas a falar com as crianças sobre a modernidade e o progresso, a tecnologia electrónica e o futuro da Era digital – o mundo que nesse exacto momento emergia, substituindo-se à já longa Era analógica, à mecânica dos átomos, e que transportava consigo utopias espantosas, como por exemplo o teletransporte – a minha preferida, espécie de excentricidade futurística, embora bastante menos importante do que a dimensão inclusiva, que assim a pensava eu no meu optimismo ainda um pouco juvenil. Esse mundo nascente seria inexoravelmente o dessas crianças que então andavam na escola, e ia ser uma coisa bestial (outra vez o meu entusiasmo pateta). [Read more…]

Caminhada do Movimento Revolução Branca: um testemunho

José Mário Cachada
Dirigente do Movimento Revolução Branca

Genericamente poderemos afirmar que a teoria é a visão abstrata das coisas e que a realidade é aquilo que existe, que é.

Ora, quanto maior for o afastamento da construção teórica em relação à realidade, mais vincadamente será possível estabelecer a distância a que se está do objetivo (do real) e, com maior clarividência, se identificarão os caminhos a percorrer para o atingir.

Elementar é que o observador visualize claramente a situação, pois só a partir dela poderá inequivocamente saber onde termina a construção teórica e começa a realidade. E, para uma identificação correta o “sujeito” deverá conhecer o assunto, estar atento e pautar a sua análise pelo rigor e isenção, evitando “ver” o valor das coisas pelo seu tamanho ou pelo local onde se encontram. Estes “valores” poderão constituir pontos de referência e não devem ser absolutizados.

Vem tudo isto a propósito de uma caminhada, realizada ao longo de 12 dias, por mim e pelos meus companheiros e Amigos, dirigentes do Movimento Revolução Branca, procurando contribuir para “REFUNDAR Portugal”. 12 dias, em que 5 cidadãos, nos quais me incluo, se encontram a caminhar do Porto até Lisboa, ao longo de 80 etapas e de 330 quilómetros, na busca da (devolução da) dignidade, na busca de um “Estado ao serviço dos Cidadãos”. [Read more…]

Mais Estado e pior Estado

Santana Castilho *

1. A portaria nº292-A/2012 cria “cursos vocacionais” no ensino básico. Formalmente, caiu a intenção arrepiante de obrigar crianças de tenra idade a aprender um ofício. Mas tudo está ordenado para produzir o mesmo efeito. O diploma está abaixo do medíocre: redigido em Português pobre, tecnicamente deplorável quanto à substância, pejado de intenções de parcerias e protocolos indefinidos, não passa de uma nova versão dos Cursos de Educação e Formação, de má memória. O alvo confessado são os que chumbam mais que duas vezes. A razão por que chumbam não interessa. O cinismo não se disfarça quando se fala de crianças de 13 anos a “optarem” por um destino de vida. O acto falhado radica na qualificação de “regular” para o outro ensino, o intelectual, deixando a este, por antinomia óbvia, a condição de “irregular”. Que diria Crato, do “Plano Inclinado”, dos disparates que Crato, ministro, escreveu no artigo 9º da portaria? Que será “avaliação modular”? A que título, quando estatui sobre avaliação, confunde com ela considerações metodológicas e didácticas? Que brincadeira é aquela de quatro relatórios finais, a serem redigidos por crianças do ensino básico, que chumbaram duas ou três vezes, certamente a Português, como instrumento central de uma presumível classificação, a que ministro chama avaliação? Onde fica o seu rigor, com a trapalhada que consagra nos artigos 10º e 11º? Se o aluno se contentar em ficar por ali, o que fez “habilita”. Se quiser ir para o tal ensino “regular”, o que fez já não habilita?   [Read more…]

Estado, pessoa de mal

Há meses que o PÚBLICO tenta aceder ao relatório da IGF, mas o gabinete do secretário de Estado impede esse acesso.(Público)

Se tivesse personalidade era dupla

António Borges, o privatizador-mor, quer

 um novo modelo económico, com menos Estado e maior concorrência entre as empresas

RTP: sempre a diabolização do Estado

A febre de privatizar que atacou os governantes portugueses tem, aparentemente, origem no princípio básico e respeitável de que é necessário poupar. A verdade, no entanto, é que, escavando um bocadinho, descobre-se que o desperdício do dinheiro que é preciso, agora, poupar foi da responsabilidade de muitos amigos e conhecidos desses mesmos governantes. Diante destes factos, o governante esquece-se das pessoas e ataca o Estado, considerando-o um mau gestor, porque é mais fácil culpar abstracções do que companheiros de partido. [Read more…]

Portugal, que estado?

A identificação ideológica do actual governo é das mais claras desde o 25 de abril. Quer nas decisões, quer nas declarações são várias as marcas muito identificadoras de uma visão nunca antes vista por estas bandas.

Seria importante, num momento em que parece que tudo tem um preço de mercado, definir com clareza o que se pretende do Estado. Os incompetentes que nos gerem usam a máxima “menos estado, melhor estado”.

Mas isso significa o quê?

O serviço público de saúde deverá ser um exclusivo do serviço nacional de saúde ou os privados e a igreja devem também ter um papel?

E na Educação? A Escola Pública deve ser para todos ou ” o TODO” deve ser assegurado, em parte pelo privado? E que parte?

E na comunicação social? Deve ou não haver canais públicos e rádios públicas asseguradas pelo estado?

E na justiça ou na segurança? Que papel para o privado?

Cada um dos laranjinhas que rapidamente surgem a defender qualquer estupidez dos amigos do Relvas poderia aproveitar o desafio e responder a estas perguntas. Talvez assim se ficasse a saber melhor o que pretendem.

E não me custa nada adivinhar que o povo é capaz de não gostar do que aí vem…

Lento Manguito às Fundas Fornicações

Não percebo como é que em devido tempo não se havia actuado nas sinecuras e privilégios de algumas fundações públicas. No tempo do Parvalhão de Paris, por exemplo, parecia que não havia mais onde se procedesse a cortes até se chegar a esse totem de possíveis, que foi o redentor PECIV.

Finalmente, [mas só agora!] o resultado de uma auditoria governamental às fundações para se poder sanear os salários dourados dos seus administradores, especialmente nos casos onde o financiamento destas instituições é exclusivamente público. Mas até quero ver se há músculo para exigir tectos salariais ou, na falta deles, proceder-se ao prometido corte de financiamento.

Mas alguma dia tivemos País para que o administrador delegado da Casa da Música, Nuno Azevedo, receba 11.192 euros mensais?! Ou o presidente da Fundação Cidade de Guimarães, João Bonifácio Serra, aufira 10.300 euros?! Ou o presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Alberto Amaral, mame 9.985 euros?! Ou Miguel Lobo Antunes, receba, na Culturgest, 8.550 euros?! [Read more…]

E que tal perguntarem à Wikipédia como é que eles se financiam?

“Ciberdúvidas poderá encerrar se ficar sem apoios até setembro”, lê-se no JN. Neste país não há vida para além do estado.

Para NÃO Acabar de Vez com a Cultura

Nem sempre concordo com Daniel Oliveira. Esta é uma das vezes em que concordo absolutamente e assino por baixo.

Não há indústria do calçado, do têxtil ou do mobiliário que sobreviva sem bons designers. E não há bons designers sem bons artistas plásticos. Não há desenvolvimento das telecomunicações, dos novos media e do entretenimento sem conteúdos. E não há conteúdos sem desenvolvimento das artes. Não há turismo competitivo sem atividades culturais. E não há atividades culturais, incluindo as do puro entretenimento, sem cinemateatroliteratura. Não há cinema comercial sem o experimentalismo do cinema de autor. Não há marketing sem publicidade, não há publicidade sem realizadores e guionistas.

Escola Pública e serviço público de educação – livre escolha é uma mentira

Portugal tem tido ao longo dos anos uma política algo errante em relação à Escola Pública. Errante porque a cada nova (velha!) equipa no Ministério da Educação, temos velhas mudanças.

Governos do PS e do PSD, aparentemente com mais semelhanças do que diferenças, em muitos momentos, actuam como se não houvesse uma Lei de Bases do Sistema Educativo.

No entanto, nem tudo é assim tão igual, na desgraça partidária que tem governado a Educação e nem sequer equaciono as pessoas que nos lideraram sob pena de perder o apetite.

Com todas as malfeitoria que José Sócrates e Maria de Lurdes trouxeram aos professores, culpando-os por todas as desgraças, inclusive pelo terramoto de 1755, houve algumas apostas na Escola Pública que mostram uma diferença significativa entre um partido que entende a Escola Pública como algo bem diferente do serviço público de educação. Quais? [Read more…]

Miopia

Por vamoslevantarportugal@gmail.com

Miopia: 1. Imperfeição ocular que só deixa ver os objetos a pequena distância do olho. 2. [Figurado] Falta de inteligência. (Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

A falta de visão e o marasmo da “elite”, por vezes mais interessada em prosseguir objetivos individuais em detrimento dos comuns, num tempo onde prosperam os pseudointelectuais comentadores político-económicos e a qualidade da intervenção pública dá lugar ao mediatismo fácil, justifica a forma superficial como são, por vezes, tratadas as sucessivamente reformas e medidas estruturais que têm vindo a ser anunciadas. A confusão generalizada entre aquilo que diz respeito à economia e aquilo que diz respeito às finanças, aliada ao crescente distanciamento das pessoas e instituições do conhecimento, tem-nos impedido alterar o rumo quase certo em direção ao eminente descalabro económico e social.

Aquilo que alguns referem como “crise profunda” apontando a “conjuntura internacional” como causa, não é mais do que o reflexo do acumular de um conjunto de debilidades de natureza estrutural. A manutenção de elevados níveis de endividamento associados à excessiva dependência do exterior deixou a economia portuguesa extremamente vulnerável, acontecendo mesmo que, em abril de 2011, o país veio a solicitar assistência financeira à Comissão Europeia.

Na génese do problema está o desmantelamento de sectores estratégicos, como sejam os casos da agricultura, das pescas, ou das indústrias pesadas, a aplicação inconsequente dos fundos comunitários e o acesso ao crédito fácil por parte das famílias, maioritariamente destinado ao financiamento de bens de consumo imediato e produzidos externamente. [Read more…]

Preços de bens e serviços vão aumentar após privatizações

Durante anos, a ofensiva ideológica neo-liberal foi passando a sua cartilha baseada em algumas “verdades” salvadoras. Repetiu-se até à exaustão que o estado era o papão e os privados, coitados, as vítimas. Entre os argumentos mais usados, havia dois que fluíam sempre na boca  dos novos evangelizadores:

– O estado faz mal, os privados fazem melhor.

– A presença do estado no mercado impede a concorrência e a livre concorrência faz baixar os preços.

Apesar dos factos desmentirem estas “verdades”, apesar de nunca termos visto uma descida sustentada dos preços após uma privatização, estes argumentos, de tão repetidos, passaram para o senso comum. O Provedor de Justiça vem agora dizer que teme uma subida de custos para o consumidor nos serviços públicos que vão ser privatizados e frisou que

a privatização de serviços como os CTT, EDP, Águas de Portugal e empresas de transporte vai reflectir-se num aumento dos preços

Da próxima vez que falar num estado-papão e em privados-santinhos, pense duas vezes antes de dizer asneiras e ampliar uma mentira que não passa a verdade só porque é dita por gente aparentemente séria. Como o meu avô me ensinou, o estado somos nós. Quando algo que é nosso passa para a posse de outrém, quem perde somos nós.

Funcionários públicos? Era fuzilá-los a todos!

António Pires de Lima é um dos muitos iluminados que conhece todas as soluções para resolver os problemas do país. Como lídimo membro de toda a pandilha vagamente neoliberal que vê nos métodos de gestão empresarial uma religião universal, defende que o problema está sempre no Estado e, mais concretamente, nos funcionários públicos.

Segundo as suas doutas palavras, tudo se resolverá se, dentro de três anos, houver menos 50 000 a 100 000 funcionários públicos, entre outros cortes.

Nestas cabecinhas contabilistóides, está constantemente presente o único verso que restou do poeta grego Pitermo: “Nada interessa, a não ser o dinheiro.”

Não há vida para além do défice e as pessoas são peões que podem sacrificados. Não interessa debater como deve ser o Estado e interessa menos ainda saber quantos funcionários públicos são, efectivamente, necessários para que o país funcione. No campo da Educação, por exemplo, está-se a cometer um verdadeiro desperdício de recursos humanos e a comprometer a qualidade do Ensino para os próximos anos, afastando das escolas muitos professores cujo contributo é absolutamente necessário. Para a mente brilhante que comanda a Unicer, professores e médicos são apenas despesa.

Entretanto, Pires de Lima não tem uma palavra para o modo como os partidos do arco do poder têm gerido os orçamentos de Estado em benefício de empresas e de bancos administradas por correligionários, amigos e compadres.

Não sei se há funcionários públicos a mais ou a menos. Sei que é muito fácil arrotar umas postas de pescada do alto de um gabinete donde as pessoas parecem formigas e em que o país é, apenas, um tabuleiro do Monopólio. O problema, no entanto, não é esse: o problema é que estamos a ser governados por quem pensa como esta luminária.

 

Quem vai para o mar e já morreu na terra

Depois de ter ouvido ao longo da tarde a palavra milagre, o meu lado mais jacobino renasceu.

Confiem na santa e vão vendo o trambolhão que levam.

A gente que desde pequenino aprendi valer um bocadinho mais do que todos nós, os pescadores e suas sempre antecipadas viúvas, volte ao tempo em que se cantou: quem não teme o mar não teme os patrões. Ou vão todos jogar à bola, caxineiros do caralho.

L’État c’est moi

Como é que se separa o Estado das pessoas que personificam o Estado? Eu posso conceber um Estado hipotético onde todos contribuem conforme as suas possibilidades e onde a riqueza é proporcionalmente distribuída. Mas depois há os que,  pelas suas razões, preferem trabalhar menos e os que são mais ambiciosos. Há os que se contentam com pouco e aqueles para quem o céu não tem limite. As pessoas são diferentes e têm diferentes objectivos, pelo que as perspectivas igualitárias logo me arrepiam.

Mas voltando à minha questão inicial e indo ao detalhe, como é que se distingue o ministro das obras públicas das obras que são públicas? Por exemplo, o ministro decide fazer uma autoestrada; é o Estado que decide fazer uma autoestrada? O Estado não existe mas as pessoas que o personificam são concretas. Os governantes tomam decisões em função dos poderes que detêm. E um governante com mais poder é aquele que têm capacidade para decidir os rumos do dinheiro, ou da economia, como eufemisticamente se diz.

É nesta dicotomia que o diabo se esconde. [Read more…]

O estado gordo

Transparência das contas públicas

Os cidadãos, mais do que o direito, têm o dever de exigir dos políticos uma gestão rigorosa dos dinheiros públicos. Como sabemos, e com graves consequências financeiras, sociais e económicas, o dinheiro público não tem sido gerido da melhor forma nos últimos anos. É necessário que os cidadãos se consciencializem da responsabilidade que têm em exigir dos governantes informação rigorosa e transparente das contas públicas. Só com informação clara é que os cidadãos podem escolher os melhores governantes. A sonegação da informação devia ser um crime público. Nenhum povo pode fazer escolhas claras e conscientes se não conhecer a realidade, se não tiver acesso ao antes e depois.

[Read more…]

Cuidado com as poupanças

São cerca de 30 milhões de Euros, a dívida do Ministério da Justiça aos advogados que prestam apoio judiciário a quem não tem dinheiro para pagar custas judiciais ou honorários.

Além da questão da dívida em si – que só reforça a mentalidade caloteira enraizada no nosso país, da qual o Estado é o maior responsável pelo exemplo que dá -, está em causa saber qual o modelo que o presente Governo quer implementar? Qual o sistema de protecção jurídica para salvaguardar os mais desfavorecidos, num país onde as custas judicias são próprias de um serviço de luxo?

A criação da figura de Defensor Público em detrimento do pagamento dos serviços prestados por advogado, representaria um perigoso retrocesso em sede de cidadania: o cidadão mais desfavorecido deixaria de poder contra com os serviços de um profissional liberal, independente, sujeito a disciplina ética e deontológica, para passar a ser servido numa lógica de funcionalismo público, com os clássicos horários de atendimento e sem quaisquer garantias de totais independência e responsabilidade. [Read more…]

Assim se delapida um país

Infelizmente neste país não faltam exemplos de delapidação do erário público no interesse de grupos privados. O caso do BPN é apenas mais um, mas possivelmente um dos mais escandalosos de sempre, sendo um dos melhores exemplos da maior degenerescência da nossa democracia: a promiscuidade entre a política e os negócios privados.

Um grupo económico cria um banco por onde passam muitos milhões de Euros em negócios ruinosos para a própria instituição bancária. Dir-se-ia que o banco se assaltou a si mesmo. O que não é difícil pois a história já provou que os maiores assaltos não se fazem de arma de fogo em punho, mas sim com uma simples caneta. [Read more…]

Irá o Estado finalmente emagrecer?

-Até agora o governo apenas anunciou medidas de agravamento fiscal, colocando o já asfixiado contribuinte ainda mais à mercê do proxeneta Estado. Esperemos pois que amanhã sejam apresentadas medidas que possam contribuir para começar a desmantelar o peso brutal, que condiciona a vida de todos os portugueses. Além de ser possível obter ganhos de eficiência e reduzir a despesa em muitos serviços, começando pelas mordomias, nos boys, institutos, fundações e afins, há muito por onde cortar…