Oxfam garante que taxar paraísos fiscais daria para acabar com pobreza extrema no mundo
Não pode ser!
Passos Coelho a Nobel da Economia?
Muito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.
É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.
Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. [Read more…]
Indignação
Ando, desde que li sobre a última «pérola» eructada por antónio broche,s para escrever algo sobre o assunto.
Furiosa, danada, revoltada, usei a minha página pessoal do Facebook para o insultar livremente e sem qualquer tipo de pudor, mesmo sabendo que alguns dos meus «amigos» são meus antigos alunos e actuais formandas ou familiares já com alguma idade e pouco habituados a palavrões.
Mas até agora não encontrei palavras para mostrar a minha indignação aqui. Sei que o assunto já foi por cá abordado, mas preciso, ainda assim, de reflectir sobre isto. Sobre o significado de tamanha pouca vergonha.
Sendo, desde que me conheço, defensora dos direitos de todos (ou de quase todos, que neste momento não reconheço grandes direitos a certas «mentes-com-quantos-dentes-tens brilhantes»), as declarações do dito cujo, de quem não se espera nada de útil, calaram fundo na minha alma. Senti ondas de revolta, senti uma fúria pouco habitual. Se aquele ser ignominioso estivesse perto de mim, acho que seria desta que eu, uma pessoa pacífica, pacifista e pacificadora, apertaria o gasganete a alguém, tirando-lhe a tosse sem dó nem piedade.
Pensar sequer na hipótese de cortar no salário de quem ganha a côdea de 485 euros mensais com o pretexto de que assim se diminuiria o desemprego é uma ideia tão absurda que, sinceramente, não sei como a apelidar. E isto vindo de quem ganha o que ganha por ser Conselheiro do Governo.
Cada vez são maiores e mais frequentes os insultos que estes fulanos fazem ao povo que lhes paga os salários, as casas, os carros, as mordomias. Já não há decoro ou respeito. Acham-se no direito de tudo dizer, de verbalizar todo o lixo que lhes passa pelas mentes enegrecidas com tanto pensamento inútil. [Read more…]
Hoje Greve geral na Grécia
©AFP
Contra a continuação das políticas de austeridade exigidas pela troika. Mais aqui.
Mais portugueses que não voltarão aos mercados
A luz do comboio é o que o Coelho vê da toca
Confesso que a escrita nem sempre é uma companhia fiel e de tempos a tempos o síndrome da folha em branco passa por
aqui. E foi preciso uma luz para me devolver o prazer de escrever.
Descobri ontem o significado da palavra Láparo. E percebi o que o pai do Láparo está a ver.
Se fosse um pouquinho maior e nem sequer estou a pensar no tamanho, talvez visse fome, miséria, despedimentos, empresas falidas, bancos geridos por ladrões, boys a tomarem conta de tudo o que dá lucro…
Mas é um ser vivo menor! É um simples pai de um láparo, escondido na sua toca que levantando as orelhas pensa que consegue ouvir um comboio, mas não percebe que a luz ao fundo do túnel não é a da saída, mas a do comboio que vem em sentido contrário.
Será que teremos força, quer para descarrilar este comboio da desgraça que alguém colocou no nosso caminho, quer para colocar o pai do láparo bem na frente do bicho?
Grécia, Portugal, Espanha
Por esta ordem. Campeões no empobrecimento rápido em 2013. Com Portugal à frente da Síria.
Sinais preocupantes de um país a desnascer
Entre os anos 30 e 50 do século passado, a minha avó Maria teve 13 filhos. Três deles morreram à nascença ou nos dias seguintes, apesar de tanta experiência acumulada nela, à conta dos seus e dos partos das outras mulheres da terra. Um pouco mais tarde, na aldeia vizinha, a minha avó Leontina deu à luz dez crianças, sendo que a penúltima engrossou a monstruosa taxa de mortalidade infantil que, naquele tempo, não (se) contava. Mas a mim contaram-me elas as histórias das outras mulheres que perderam tantos filhos, num tempo em que o médico ainda se deslocava a cavalo entre as aldeias. Sem assistência alguma durante a gravidez e os partos, as mulheres experimentavam a fé e a sorte na sobrevivência familiar.
Depois veio o Serviço Nacional de Saúde, os avanços da medicina, o progresso possível num Portugal que, aos poucos, foi sendo ligado entre si por vias diversas de comunicação. E as reduzidas taxas de mortalidade infantil iam orgulhando o mesmo SNS, equilibrando assim, na balança dos números, os sinais preocupantes da demografia e da taxa de natalidade. [Read more…]
Ele diz coisas elementares e contudo…
O homem pouco formal, guarda-roupa descuidado para o evento, subiu ao estrado, colocou os óculos e começou por proferiu o seu discurso, pausadamente, gestos lentos, palavras sensatas – seria dos seus setenta e sete anos?- como se mastigasse cada uma delas, revestindo-as de importância e beleza, antes de as fazer ouvir a si mesmo e aos ouvintes na Rio+20, junho de 2012.
Ouvi duas vezes o seu discurso, tirando apontamentos, admirando esse homem uruguaio, agricultor e presidente do seu pequeno país. Sim, Pepe é esse presidente que doa 90% do seu salário para pessoas carenciadas e ONG’s:
“(…) deixem-me fazer algumas perguntas em voz alta. (…) falamos sobre desenvolvimento sustentável. De como eliminar o imenso problema da pobreza. Que se passa em nossas cabeças? (…) o que aconteceria com este planeta se todos os habitantes da Índia tivessem a mesma proporção de carros que os alemães possuem? Quanto oxigénio teríamos para respirar? (…) Porque nós criámos esta civilização (…) filha do mercado, da competição que se deparou com o progresso material enfático e explosivo. (…)
Estamos governando a globalização, ou é a globalização que nos governa? [Read more…]
Uma portuguesa (que) faz toda a diferença
Isabel Fernandes, 24 anos, Famalicão, Licenciada em Psicologia e no desemprego, recebeu ontem o prémio europeu na categoria de Melhor Voluntário, atribuído pela Active Citizens of Europe.
Isabel não necessita de prémios, “porque esses tenho-os sempre no terreno, nos sorrisos e abraços que recebo ao final do dia”, no terreno. Esteve um ano em Moçambique em trabalho comunitário de ajuda a 900 pessoas. Procurou “combater a pobreza extrema de crianças entre os dois e os 18 anos”.
Disse ao PÚBLICO: “Se todos dessem um pouco, às vezes um euro por dia, quase o valor de um café, já faria toda a diferença (…) todas as doações chegam àquelas crianças e vemos os resultados.”
“Morre lentamente, quem não troca o certo pelo incerto, em busca de um sonho” (Pablo Neruda), escreveu Isabel no blogue da Ataca (ONG).
Parabéns!
Dia internacional da erradicação da pobreza
Tenho comentado em vários dos meus ensaios de faltar dias no calendário para comemorar os dias internacionais da mãe, do pai, dos avôs, da avó, do amigo, da solidariedade e outros que, por ser muitos, não vou denominar. Mas, o dia internacional da erradicação da pobreza, é um dia para comemorar como um dia de féria para visitar e recolher fundos para os mais carenciados: alimentos, roupa de abrigo, medicinas, especialmente dinheiro para colaborar com Caritas Internacional, com a Cruz Vermelha que sabem trabalhar nos assuntos elementares para a erradicação da pobreza. Ou coletar dádiva para criar indústrias artesanais em que se produção bens para serem vendidos e assim os mais carenciados ter uma entrada que beneficie a sua família e o seu grupo doméstico. Nunca pensaria, como tenho dito para os outros dias internacionais, de que este é um dia comercial.
Manifestante pegou fogo a si próprio
Hoje há bandarilhas – Canadá
Em nome do governo, que de resto ficou mudo como um penedo, Passos Coelho prometeu empobrecer Portugal, cortar a eito entre os mais modestos custasse o que custasse. Cumpriu a promessa e disse, orgulhoso, que ia “além da troika”.
Temos mais de um milhão de desempregados, um número impressionante de falências e de empresas fechadas, há largas bolsas de fome no país, as instituições de beneficência estão a ter a maior dificuldade em acudir a todos os necessitados, muitos estudantes tiveram de renunciar aos seus estudos por falta de meios, é escandaloso o número de professores atirados ao desemprego, é lancinante o número de pessoas que perderam a casa, o rio para e emigração vai caudaloso,etc.etc. etc. Tudo isto foi feito por um governo que se diz português contra Portugal.
E vai agora, a troika faz saber aos parceiros sociais que o memorando não é responsabilidade dela, mas sim do governo, que o mesmo é dizer que não se sente culpada pelo total fracasso deste pouco mais de um ano de governação neoliberal e ignorante.
Das duas uma: ou Passos mentiu (o que não aconteceria pela primeira vez) ou a troika (esperta, batida) adopta teatralmente aquela tirada romana que nos diz respeito por via do Viriato: “Roma não paga a traidores”.
153 mil pessoas ganham até 310 euros/mês
“O número de portugueses com salário abaixo de 310 euros aumentou 9,4% face a 2011”.
O Diário de Notícias lembra que o limiar da pobreza, calculada pelo INE para 2010, foi colocado nos 421 euros por mês.
São 153 mil pessoas que trabalham, mas são pobres. Ganham bastante abaixo daquele valor limite. Mas há muitos mais trabalhadores nesta situação…
Oásis Lixados
Objectivamente, estamos cada vez mais pobres, nós, cidadãos desempregados ou chulados e lixados de pura exploração. Nós, que não somos assessores governamentais. Nós, que não temos vinte e quatro anos de idade, portanto uma ‘enorme’ experiência, que justifiquem vencimentos mensais brutos a roçar os 5069,34 euros, no Ministério da Economia. Mas, vá lá, no meio deste fosso, há algumas empresas públicas, e mesmo a Galp do Amorim, que estão a comportar-se maravilhosamente, com resultados operacionais positivos, fazendo justiça ao princípio exigido externamente [Troyka] e pelo Governo de que tais empresas têm de ser equilibradas. Claro que estas boas notícias não vão salvar-nos da cruz dívida, madeiro a que a política, essa rameira [amiguista, dos tachos, das cunhas, dos jeitinhos, dos favores], nos pregou por muito e bom tempo, como no-lo recorda Pedro Santos Guerreiro: «Os casos de resultados operacionais positivos têm sido aqui amiúde destacados, como o da Carris e o dos STCP. O problema é a dívida. Porque foi com dívida que, ano após ano, se tapou o desequilíbrio operacional e o fluxo de investimento, muitas vezes desnecessário ou ruinoso na sua execução, com derrapagens intoleráveis, mas toleradas. A dívida “em armazém” é gigante e é um problema do Estado. A dívida alegremente contraída será tristemente paga por nós.»
Em busca do salário perdido
Penso nesse homem ou nessa mulher que, a esta hora, se sente ainda mais pobre e mais desesperado. Imagino o pior dos cenários.
Não deve viver muito longe da minha casa. A crise, se ainda não entrou na minha (sou afortunada), anda por perto: na minha rua, na escola dos meus filhos, etc.
No estabelecimento onde costumo tomar café reparei, certa vez, numa criatura com o jornal aberto nos anúncios de Emprego. Apontou um contacto num guardanapo. Talvez tenha conseguido o desejado emprego. Espero que sim.
É tão difícil «arranjar» trabalho nos dias que correm. A falta que faz o merecido e tão necessário salário…
Aberrações
Há mundos totalmente discrepantes dentro do mesmo país. Refiro-me ao mundo do homem mais rico da Índia, um empresário que construiu uma habitação com 27 pisos para a sua família de apenas 4 pessoas; que «precisa» de 3 plataformas para helicópteros; de um parque de estacionamento para 160 automóveis e de 600 empregados domésticos. Estes números são, por si só, escandalosos. Mais ainda se tornam quando associados a uma habitação. Depois, porque esta está situada em Bombaim, onde é maior o flagelo da pobreza na Índia. Ficamos ainda mais boquiabertos se pensarmos que foi aí que madre Teresa de Calcutá trabalhou. E, em contraste, penso na vida dos mais de 410 milhões de conterrâneos do empresário indiano (uma criatura do “outro mundo”), seus vizinhos, pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (1,25 dólar por dia) e que constituem um terço dos pobres de todo o mundo, num país com uma situação pior que a da África. [Read more…]
Tarrafal está de volta?
Em tempos conheci por dentro o Bairro S. João de Deus, o Tarrafal! Lembro-me de uma conversa com o Cardoso, responsável máximo pela rede de tráfico de droga no bairro. Dizia-me ele:
– “Professor, esta é única forma que esta gente tem de viver. Se chega a algum lado, é cigano e diz que é do Tarrafal, ninguém lhe dá emprego”. [Read more…]
Irresponsabilidade
Eu, que gosto muito de ler o chileno Luis Sepúlveda, não resisto a citá-lo:
Estamos a viver, em muitos países da Europa, uma pobreza que queríamos esquecer, superar. Estamos a chegar a níveis de pobreza do pós-guerra, e não houve nenhuma guerra. Houve, sim, uma enorme irresponsabilidade dos ricos e dos nossos representantes.
(Jornal de Negócios,2 março 2012)
Porque não te calas?
Quando querem dar uma de pobrezinhos, estes senhores mostram a distância que vai entre eles e os portugueses que fazem realmente sacrifícios, além de, invariavelmente, lhes fugir a boca para a mentira (e será que não vai nunca usufruir as mordomias decorrentes de ter sido Presidente da República ?).
Eis a última tirada do “precário” Cavaco Silva:
50% dos alimentos na UE vão para o lixo
Tecnocratas, higienistas, grossistas, retalhistas & outros istas andaram anos a construir um “maravilhoso mundo novo” no que toca aos padrões de consumo, distribuição e ao que chamam de segurança alimentar.
O resultado está à vista. Desequilíbrios em toda a linha, da produção ao consumo, excesso de resíduos, abandono progressivo da ideia de reutilização, favorecimento das grandes cadeias de distribuição, normalização de produtos, desaparecimento quase total da venda a granel, criação de mentalidades com níveis absurdos de “exigência”.
Agora, o Parlamento Europeu chega a uma infeliz conclusão: 50% dos alimentos na Europa – onde existem 79 milhões de pobres – acabam desperdiçados, no lixo. Criado este cenário de desbragamento e de falta de respeito pelos recursos e alimentos, nós, consumidores domésticos, somos os que mais desperdiçam.
Trata-se de um paradoxo cultural que atravessa as sociedades contemporâneas e que necessita de ser posto rapidamente em causa: quanto mais civilizados nos julgamos, mais incivilizadamente nos portamos.
Um país de políticos merdosos cheio de gentes medrosas
Já nem me apetece comentar, basta-me o título, a citação, os sublinhados e, se fosse mais jovem, um bilhete de avião para um sítio mais bem frequentado:
As medidas de austeridade tomadas pelo Governo português, para além de estarem distribuídas de forma desigual entre ricos e pobres, fizeram subir o risco de pobreza, particularmente entre idosos e jovens.
O relatório de Bruxelas revela que Portugal “é o único país com uma distribuição claramente regressiva“, ou seja, em que os pobres estão a pagar mais do que os ricos quando se aplica a austeridade. Exemplo disso é o rendimento disponível das famílias. Nos escalões mais pobres, o orçamento de uma família com crianças sofreu um corte de 9%, ao passo que uma família rica nas mesmas condições perdeu 3% do rendimento disponível.
Os dados mostram que Portugal é o único país analisado em que “a percentagem do corte [devido às medidas de austeridade] é maior nos dois escalões mais pobres da sociedade do que nos restantes”.
E a mim, quem me defende?

Para nuestros hermanos de Atocha e para nós, governados por uma Troika…
Escrevo ao correr da pena. Da pena a tingir a folha branca de preto, da pena a tingir o meu coração de luto. Hoje não consigo acudir aos meus santos padroeiros habituais,
Os ricos que paguem a crise
A expressão que dá título a este pequeno texto está muito em voga nos dias de hoje, como sempre acontece em qualquer período de crise financeira.
Tal como a faca de dois gumes, ela dá jeito para cortar em qualquer sentido que seja útil, à Esquerda e à Direita.
Ultimamente tem sido a Direita a capitalizar – algo que lhe é naturalmente intrínseco – com a dita expressão, colocando os ricos e suas fortunas numa espécie de limbo entre o paraíso do virtuoso capital e o inferno da ruína financeira.
Nesse limbo ser rico é bom enquanto não significar que pode pagar mais. Se significar, então passa-se de rico a trabalhador, como tão bem ilustrou Américo Amorim.
Não entendo que devem ser os ricos a pagar a crise, mas, outrossim, que sejam também eles a pagar a crise. Se tem de haver esforço de todos, que ele seja proporcional às capacidades de cada um.
Depois do PREC e da visita de Olof Palm a Portugal, parece-me que se continua mais preocupado em acabar com os ricos do que acabar com os pobres.
Tenho a convicção de que um dia que se elimine a pobreza, não teremos ricos para nos preocuparmos.
comida de lixo

A indignidade causada ao povo, pelos depositários da nossa Soberania.
COMIDA DE LIXO
É um caixote de lixo. É o prato desses que nada têm para comer. É o sítio onde todo o povo que não tem dinheiro procura a sua alimentação, pessoas que, ainda que tivessem alimentos, não têm dispensas onde os guardar. É o caixote de lixo. O armário do desamparado. Comida podre que ajuda a manter a vida em solidariedade com os solitários sem trabalho, sem amparo, sem cunha para procurar alternativas de criar bens ou lugares para trabalhar e ganhar a sua vida. Lugares tão divididos entre a população, que ninguém tem oportunidade de uma vaga para laborar. [Read more…]
Os obscenos dinheiros do futebol
Sou um apreciador de futebol em final de processo de desintoxicação. Diversas e substantivas razões levam a alhear-me do dito “desporto-rei”. Cheguei ao ponto de, pela TV do café mais próximo, me dispensar de assistir a um jogo daqueles que há tempos considerava imperdível – por exemplo, um ‘Barcelona-Real Madrid’, dito assim, em respeito pela ordem alfabética.
A violência, sobretudo entre as claques dos ‘dois grandes’, e todo esse espectáculo degradante de confrontos entre uns e outros e a polícia a tirotear, mostrados nos telejornais, constituem motivos de sobra para a minha repulsa.
Todavia, também dão forte contributo notícias como esta, da saída Villas-Boas poder representar a receita de 15 milhões de euros para o FCP; ou então esta, em que é contado que Ronaldo ganhou 71 mil euros diários, em 2010.
Tais casos, e ainda é mais grave, são meras gotas de água de vastíssimos mares. Nos quais também navega a construção do ambientalista Sócrates de 10 estádios de futebol e de outras infra-estruturas que entram – e de que maneira! – na contabilização do défice público, assim como do défice externo total. Os tais défices que trouxeram até nós a troika e tudo o mais que se vai seguir na caminhada, de cada vez mais portugueses, na direcção da pobreza ou mesmo da miséria.
Não é, obviamente, redutível a Portugal o fenómeno da obscenidade dos dinheiros futebolísticos. É impossível ignorar os mais de 4,5 milhões de desempregados em Espanha; ou, em síntese, as percentagens da população em risco pobreza publicadas pela EUROSTAT para 2009 (últimas estatísticas publicadas). Observe-se as elevadas percentagens da Itália e do Reino Unido, destinos eventuais apontados para Villas-Boas.
É o futebol e o mundo, como diria Rodrigo Guedes de Carvalho. Triste, muito triste, acrescento eu.










Recent Comments