Trapézio nos cornos do teu velhote

Não sou o Toni! E acho que não é só uma questão de bigode.

Mas confesso que há um outro momento em que a costela tripeira aparece com toda a sua energia.

Fui à procura de um dicionário de palavrões para ver, do menu existente o que melhor se aplicaria ao Borges, mas nenhum me satisfez.

Depois de uma reflexão profunda consegui recordar os tempos em que ia ver os jogos do campeonato de amadores do Porto. E aí, na minha memória associei o Borges aos árbitros e encontrei.

Borges: “Já fiz trapézio nos cornos do teu velhote

 

Manifestação CGTP Terreiro do Paço

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Lisboa, 29.Set.2012
© Sandra Bernardo

Meu Coração Desiludido e Amargo

Portugal, como eu te amo! Na minha loucura por ti cheguei a pensar que quem quer que viesse a ser Governo depois de Governos de Festa e Saque, faria as coisas diferentemente e mesmo quem no passado te devastou não teria vida fácil. Mas não. Nenhuma das esperanças se fez Verdade. O próximo ano será o ano da nossa catástrofe porque quer este Governo-Máfia quer a Oposição-Máfia não imaginam outras saídas senão impostos sobre impostos, condenando-nos à retracção e depressão económicas. Não há coragem para se romper com as Fundações Estado-Dependentes e isentas em Fisco, mas há coragem para nos assassinar devagarinho. Do ponto de vista político, da sensibilidade e da visão meramente humanas, Relvas está para o míldio como o Borges para o carcinoma: falham clamorosamente no plano humano, desumanizam a política, tal como Sócrates fizera com o mesmo brilhozinho sacana nos olhos. O Povo Português está absolutamente só. Olha e não vê senão capatazes ao serviço dos que já têm dinheiro, dos que muito podem, dos que há muito mandam. A desfaçatez de um Governo é não querer passar de capataz zeloso que vai além-obediência à Troyka e ao Diabo, se o Diabo for credor. Em face de tudo isto, as ruas terão de encher-se sempre, todos os dias, a todas as horas, mas não só para contestar o circunstancialismo falhado em que consiste o Governo Passos, mas para mudar os fundamentos mesmos deste Regime. O Regime é anti-cidadão e contumaz nessa sanha. O Regime é a quinta rendosa que os Rendeiro, os Dias Loureiro, os Soares e os Cavaco, os Mexia, os Alegre, os beneficiários das PPP e todo o friso de repetidos, useiros e vezeiros, frequentam vagamente, ignorando o pardieiro Portugal onde os outros, nós, agonizam. Estou desiludido porque ousei iludir-me. Sofro. Amargo. Não há responsabilização. Não há equidade. Só há corrupção e a níveis astronómicos. Não se pode tolerar mais um Regime menos digno que uma tirania africana qualquer.

Como vai ser

Esperamos ter muita gente na concentração que convocámos para o dia 2 de Outubro.

Mas vai ser mais do que uma concentração.

Vai ser uma vigília. Uma vigília a sério. [Read more…]

O nosso maior medo

«Betinho», não me parece, pelo menos nesta fase. MEC não era o meu género. Mas, ultimamente,  tenho apreciado os textos de Miguel Esteves Cardoso, sentimentais, amorosos, falando de outras realidades, no meio, no fim ou no princípio daquela que faz os jornais. Hoje, no Público, em «O meu maior medo», revela o medo de perder Maria João, no momento em que celebram 12 anos de casamento. É uma carta de amor.

O amor em todo o coração e em toda a parte se procura. Já anima a possibilidade de ser encontrado e a incerteza de não passar o resto da vida sem poder amar e sem poder ser amado. O que custa é acreditar naquilo que se tem, quando todos os dias, ao longo de longos anos, se consegue encontrar esse amor que se procura, na pessoa que se ama e no lugar e no tempo — aqui, agora, daqui a bocadinho — em que mais gostamos de encontrá-lo. [Read more…]

Antão Ramos – Voto de pesar da Assembleia da República

Já cá falei acerca do meu Patrono, Fernando Antão de Oliveira Ramos.

Entretanto, aqui fica o mais do que merecido voto de pesar da A.R., para memória futura:

Hoje, às 3!

No Terreiro do Paço!

A vida num Mini

Hoje, no caminho para o trabalho, seguia à minha frente um Mini branco, modelo antigo. Ri sozinha ao imaginar-me dentro daquele carro pequenino, baixinho, gracioso em seus movimentos e deliciosamente lento.

Mais adiante, reparo que meia dúzia deles aguardavam na berma da estrada antes de chegar a Albergaria (Curval). Uma concentração de Mini’s novos e velhos? O Mini branco não encostou: seguiu a sua vida. Teria conhecimento do evento?

Fiquei com estes pensamentos: «A vida ao ritmo do Mini Austin (do antigo), ao ritmo humorístico de Mr. Bean, ao ritmo do caracol, numa escolha pelo modo slow food, num slow life…».

«Difícil». O meu ritmo é mais o alucinante. É mais o querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo para nada perder. Mas aspiro ao slow life… O meu sonho é viver devagar, vagarosamente.

Talvez um destes sábados encontre por aí um daqueles Mini com mais de trinta anos, estimado, invejado.

É que ao sábado os Mini’s saiem à rua em paz!!

Convites

Não foi convidado?

Mas quem é que ia cometer esse erro?

Ainda aparecia com os amigos!

E já agora, alguma malta do PS que anda tão preocupada com o Mário Nogueira podiam começar por olhar para dentro…

 

Galego do Sul ou Português do Norte?

Hoje, na Universidade de Vigo, explicava a um dos meus professores que um dos meus amigos e parceiro me denominava, enquanto perigoso regionalista nortenho, habitante da Galiza Sul. Ao que ripostou, com sonora gargalhada tão típica de galego, que ele se sentia um português do Norte.

 

Nem todos percebem esta relação verdadeiramente especial entre nós, as gentes do Norte de Portugal e as gentes da Galiza, sobretudo do Sul da Galiza – Tui, Vigo, Ourense, Pontevedra e mesmo, independentemente das rivalidades com Braga, Santiago de Compostela.

 

O Minho sempre foi uma ponte entre estes dois territórios, nunca uma fronteira ou um separador. As margens do Minho ou os montes que unem as duas regiões sempre foram pontos de passagem. Mais recentemente, no século XX, serviram de refúgio da Guerra Civil de Espanha ou de fuga/regresso, conforme as perspectivas políticas, nos primeiros tempos da nossa democracia.

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Ensino vocacional: pôr portaria na ventoinha

O ministério da Educação criou o projecto-piloto do agora chamado ensino vocacional. Como poderão ler no portal do governo ou na portaria, se tiverem paciência, o projecto é dirigido, segundo parece, a alunos que “queiram optar por uma vertente de ensino mais prática.” Para isso, os referidos alunos – que já queriam optar pela referida vertente de ensino – serão sujeitos a “um processo de avaliação vocacional que demonstre ser nesse momento a via mais adequada às necessidades de formação dos alunos.” Faz-me um bocado de confusão que os alunos queiram optar por uma via e que, para poderem optar por essa via, tenham de ser sujeitos a um processo que poderá permitir-lhes enveredar pela via que… tinham escolhido. [Read more…]

O blasfemo e o herege

Vamos lá ver se eu percebo isto…

No próximo dia 30, pelos vistos, alguns ou muitos irão reclamar o direito à blasfémia.

Um deles é, seguramente, Salman Rushdie, “homem sem fé, blasfemo aos olhos do Islão, reclama para si o «direito à blasfémia»”. Volta a entrar em cena com o lançamento do seu novo livro, autobiográfico, Joseph Anton.

O blasfemo diz blasfémias. A blasfémia, por seu turno, é “toda a palavra ou atitude injuriosa contra Deus, a Santíssima Trindade ou os Santos; atribuição de defeitos a Deus ou negação de qualquer dos Seus atributos”.

Algumas blasfémias para o Islão: representar o profeta, associar o profeta ao demónio, tornando-o seu emissário, “como acontece em Os Versículos Satânicos“, entre outras.

Ora o herege é “o cristão baptizado que, de modo pertinaz, nega ou põe em dúvida algumas das verdades da fé católica”.

Ora o meu dicionário de Sinónimos diz que blasfemo e herege são sinónimos… Estou a ficar confusa.

Na minha humilde opinião, o herege – teimoso, obstinado, tenaz – parece-me (parece-me) mais confiável. Digo isto pensando em Nicolau Copérnico, por exemplo. [Read more…]

Olha a vida, ó freguesa! Tão baratinha!

Os alegados socialistas, os putativos sociais-democratas e os democratas-que-se-dizem-cristãos, esses parasitas da Democracia, andam, há mais de trinta anos, a cevarem-se uns aos outros à custa dos nossos melhores pedaços. Como é natural, e para confirmar o adágio, estão, agora, a roer-nos os ossos.

Depois de terem, portanto, desperdiçado todos os recursos que lhes pusemos nas mãos sapudas, dizem-nos, com o descaramento dos criminosos sem consciência, que é preciso fazer cortes, que o Estado tal como o conhecemos já não faz sentido, entre outras agressões. Tem sido assim na Educação e é assim na Saúde.

O parecer pedido pelo Ministério da Saúde ao Conselho Nacional da Ética para as Ciências da Vida (CNECV) para se descobrir maneiras de se poupar nos tratamentos do cancro é, só por existir, meio caminho andado para a obscenidade. As declarações do presidente do dito Conselho são tão pornográficas que não deviam passar na televisão sem bolinha vermelha no canto:

 “Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo. Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”

Vivemos, portanto, numa sociedade tão atrasada que “não é possível em termos de cuidados de saúde todos terem acesso a tudo”? Se não podem ser todos, como escolher os que terão direito a tudo? Se não é legítimo gastar 50 mil euros para se ter mais dois meses de vida, quer isto dizer que dois meses de vida valem menos que 50 mil euros? Para quando a publicação das tabelas com o preço da vida? E quem não puder comprar mais vida? Quanto faltará para que o ministério dito da Saúde peça ao Conselho-Nacional-alegadamente-da-Ética-para-as-Ciências-parece-que-da-Vida um parecer sobre a possibilidade de legalizar o infanticídio das crianças que revelem tendência para adoecer? Isso é que era poupar!

O presidente do CNEVC chama-se Miguel Oliveira da Silva e diz-se que é médico.

O Acordo Ortográfico através do monóculo

Ega entalara vivamente o monóculo para examinar esse lendário tio do Dâmaso…

– Eça, Os Maias

A edição de Outubro da revista internacional Monocle foi amplamente divulgada pela comunicação social portuguesa. Segundo a Fugas, trata-se duma “publicação mensal de culto para muitos e a marcar tendências em todo o mundo desde 2007 “. Confesso que nunca tinha comprado esta revista e só o tema de capa me levaria a adquiri-la. Como esta edição estava à venda no quiosque do Parlamento Europeu, acabou por vir para casa.

Vejamos com atenção aquilo que nesta publicação a marcar tendências em todo o mundo desde 2007 se pensa sobre Portugal, no contexto da língua portuguesa e do Acordo Ortográfico de 1990.

Aguardemos igualmente por uma reacção de Carlos Reis, pois é evidente que o senhor Steve Bloomfield, além de  “uma concepção da Língua Portuguesa como património exclusivo dos portugueses”, tem “um complexo”, “traumas por resolver” e “o medo das ‘cedências’”. Obviamente que as leituras de artigos do Dr. Santana Lopes e de entrevistas do Dr. Pinto Ribeiro terão ajudado ao arranque em falso. O Dr. Carlos Reis que explique, quando reagir ao artigo.

Once upon a time, the Portuguese spelt the word “fact” F-A-C-T-O. The Brazilian spelt it F-A-T-O. It was one of many words that had changed in the journey across the Atlantic.
Yet the influence of Brazilian popular culture has become so pervasive from Porto to Lisbon that most young people use some form of Brazilian Portuguese – and now it has become formalized. An orthographic agreement between the two countries has seen Portugal accept a whole raft of Brazilian spellings.
There are many ways to highlight Portugal’s relative decline and the meteoric rise of Brazil and, to a certain extent, Angola. Hundreds of thousands of Portuguese have moved to to other Lusophone countries (see page 037); Angola is now investing billions of oil-fuelled dollars in Portugal. But few factors sum it up as perfectly as the language changes. Imagine the UK agreeing to spell “centre” the American way

– Steve Bloomfield, “Something in common”, Monocle, Issue 57 , volume 06 , October 2012, p. 33

A Europa e a Publicidade Infanto-Juvenil

Um cafezinho, por favor!

«Um cafezinho, por favor!» – disse o homem que entrou apressado no estabelecimento onde costumo beber o meu, antes de começar o meu dia de trabalho. Uma rotina imprescindível!

Não nos limitem, nem inventem um imposto sobre este vício que, afinal, está provado, faz bem à saúde.

Não se acanhe – beba mais café“, aconselha um especialista na prevenção de cancro. “Bem, acorde e cheire o café: «É extraordinário»”, assevera um especialista hepático. «O café é de facto um medicamento milagroso que salva vidas.» Apesar de se considerar ser ainda um «mistério cientifico» o efeito no organismo de uma simples chávena de café, estudos epidemiológicos alargados demonstram repetidamente os seus espantosos benefícios.

O cafezinho é ainda pretexto para o encontro, para «pôr a conversa em dia», para um encontro com alguém que ainda não se conhece pessoalmente, para fazer um intervalo no trabalho que não rende, é um acompanhador óptimo quando se lê um livro ou o jornal, ou se escreve aqui para o Aventar! Etc., etc. 

Um cafezinho é um pequeno prazer que ainda nos podemos dar ao luxo de ter! É um mimo!

O «etc.» é para si, leitor. Continue a lista!

Dia Internacional da Blasfémia – 30 de Setembro

(por Amadeu)

«A religião de uma época é o entretenimento literário da época seguinte.»

Ralph Waldo Emerson

No dia 30 de Setembro todos somos encorajados a exprimir abertamente o criticismo ou mesmo o desdém para com qualquer religião. Assinala-se assim o dia em que foram publicados no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, as caricaturas sobre Maomé de que resultaram uma enorme polémica, distúrbios e tumultos em que morreram 137 pessoas.  Pode-se pensar que cá na Europa há tolerância para estas coisas, mas analise-se em maior detalhe o que se passa. Existem ainda leis anti blasfémia na Áustria, Dinamarca, Finlândia, Grécia, Itália, Holanda e Islândia.  Existem também leis contra os “insultos religiosos” 21 países Europeus.
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Fotógrafos portugueses

André Boto (Facebook; site). [Aceitam-se sugestões]

Só posso achar bem

RTP1 reduz Telejornal para 45 minutos. O formato que tem sido emitido pelas televisões já há muito que deixou de ser noticiário para ser telenovela noticiosa.

A escola mortuária

A transformação de uma antiga escola primária em capela mortuária é o retrato de Portugal, pintado pela própria realidade, com o contributo inestimável de todos os artistas que têm passado pela política portuguesa.

Nuno Crato, na sua qualidade de coveiro, deverá rejubilar com esta confirmação de que, nas escolas, há professores a mais e agentes funerários a menos. Para além disso, com tantos mortos nas salas de aulas, será possível aumentar ainda mais o número de alunos por turma, porque é da natureza do cadáver ser sossegado. Esperemos, ainda assim, que não se caia no facilitismo humorístico de chamar ignorantes aos defuntos, por não terem levantado o braço no afã de responder a uma pergunta simples. [Read more…]

ocupam o passeio

O passeio é estreito. A mulher desce a rua com as crianças, três meninas. As crianças chalreiam, riem alto. A mulher não diz nada, tem os olhos postos nalgum ponto distante, no fim da rua. A mulher vai cansada. As crianças e a mulher ocupam o passeio todo. A rua é antiga, o passeio é estreito. A mulher e as três crianças são negras e ocupam o passeio.

O homem está parado à porta da mercearia. Tem à mão apoiada na parede e fala lá para dentro, para um merceeiro oculto nas sombras da mercearia antiga. Na outra mão leva um saco de plástico com uma lata de salsichas. O homem vira-se no pior momento e embate na mulher. A mulher espanta-se porque vai a pensar noutra coisa. O homem enfurece-se.

– Então, é assim?!

A mulher não diz nada, sustém-lhe o olhar. Ele repete, agora mais alto:

– É assim?! [Read more…]

Já o sentimos na pele, Sr. PM

Um português ou uma portuguesa dorme agora menos horas, mas estraga mais o colchão de tantas voltas que dá na cama. O sono não chega, não obstante o cansaço de mais horas de trabalho (para ganhar menos). É a ansiedade, a pressão, o stress, a insegurança, o futuro dos filhos, o futuro dos filhos, o futuro dos filhos.

Ontem tive mais três motivos que me tiraram o sono: o restaurante onde costumo almoçar (cada vez menos) está a trespassar (depois de reduzir o preço da diária há cerca de um ano); o testemunho na primeira pessoa de uma mulher com dois filhos que se vê desempregada; e o pedido de uma aluna na casa dos vinte («Professora, se souber de algum trabalho…»).

É a crise e o desemprego a tocar-nos na pele. Sentimos os seus cheiros.

Recordo, a este propósito, as palavras do jurista Paulo Marcelo (Económico, 29/5): “O desemprego está a tornar-se um lugar-comum; que o digam as mais de 819 mil pessoas que não encontram trabalho. O desemprego espalha-se como um cancro, atingindo 14,9% da população activa). Este valor foi ultrapassado no espaço de apenas 4 meses, estando a passos largos dos 16%, sendo Portugal o terceiro país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o desemprego mais cresceu desde julho de 2011.

Como prevenir esta doença? Não há ninguém imune.

Mas temos que seguir em frente. Levar com a nossa vida adiante!

(Dn online )

O Nariz Vermelho

Os nossos doutoresJá lá vão 10 anos…

Parabéns Operação Nariz Vermelho!

Hoje, no Jornal de Notícias, Beatriz Quintella fala deste projeto que deu à luz e que teve como ponto de partida um artigo que leu em 1993 sobre o trabalho dos Doutores Palhaços que visitavam crianças hospitalizadas nos Estados Unidos.

Já foram muitos sorrisos, muitas crianças que, por instantes, esqueceram a dor e o medo. O trabalho destes doutores palhaços é fundamental, mesmo que demore a chegar aquele sorriso no menino calado, de ar carrancudo e que se coloca sozinho a um canto. (Pode apoiar este projeto aqui).

Penso também nos outros meninos e meninas que, não estando doentes, já sofrem que chegue. Possamos nós, gente comum, dar-lhes um pouco de alegria, tornar-lhes a vida um pouco mais fácil. No nosso dia-a-dia, no nosso trabalho…

Às vezes passa-me pela cabeça, mas não concretizo, tenho vergonha, poderão pensar que endoideci de vez: «e porque não trazer um nariz vermelho no bolso e colocá-lo no momento certo para aquele aluno que não há maneira de sorrir?». « – Não é Carnaval…».

O riso falta também na sala de aula…

A felicidade também faz um jornal

Hoje, Miguel Esteves Cardoso (Público) sacia-nos com estas palavras, poesia perdida (?), poesia que não é um engano nos dias que correm, poesia que é a nossa maior necessidade. As suas palavras – intencionalmente encaixadas entre notícias de austeridade, troika, dívidas, TSU, pobreza, desaparecimento da classe média, etc.- que, com amor se casam uma às outras, como MEC e Maria João, falam do que verdadeiramente interessa na vida, ofuscado pela miséria que nos aparece mais visível:

O futuro contém a nossa morte e, depois dela, o infinito de nadas, chato como o ferro do cosmos, que antecedeu os nossos nascimentos.

A felicidade, se calhar, é desejar que as coisas não piorem muito, de dia para dia, para não se notarem tanto.

O presenteaquilo que ainda se tem, a começar por estar vivo e lembrarmo-nos de termos estado pior — é a felicidade maior, somada às memórias de felicidades que continuam vivas e que nos fazem sorrir, pertencer e desejar bem aos outros que ainda não as tiveram. Se não nos lembrarmos de termos estado pior ou não tivermos a esperança de ficarmos melhor, já não conta como felicidade; já não conta como presente. Não é só dizer “eu ainda consigo”: é preciso também haver a consciência de ter prazer, não em conseguir, mas nas coisas que se fazem.

Todos sabemos o que nos espera. Interessa apenas decidir não tanto o que fazer enquanto esperamos como descobrir as formas que ainda nos restam de nos distrairmos. A distracção é a forma mais exaltante da vida. Quem se pode distrair — amando, lendo, pintando, trabalhando, coleccionando, politicando — não pode ser inteiramente triste, não por não estar apenas simplesmente não-morto e vivo, mas por ter encontrado a maneira de fazer pouco do presente, em atenção ao passado ou ao futuro lembrado ou desejado, como momento e movimento em direcção a eles.

Restam as consolações.

Quando é ser momento ou movimento a única coisa, para se ser feliz, que se quer.

Quando Não Há Dinheiro Para Torrar em Luxos

Tamel Aborim é uma pequena freguesia do concelho de Barcelos; tem cerca de 900 habitantes e aconteceu em Tamel, como em Tadim, passar o comboio.
No caso de Tamel (ao Ponto Kilométrico 60 da Linha do Minho), em direcção a Viana do Castelo e à Galiza; no caso de Tadim (ao Ponto Kilométrico 47,4 do Ramal de Braga), em direcção a Braga.
Mercê as alterações profundas no modo de exploração ferroviária na Europa e em Portugal ocorridas nas últimas décadas, acontece em Tamel o mesmo que acontece em Tadim: o(s) edifício(s) da estação deixou de ser necessário do ponto de vista operacional.
No caso de Tadim, o edifício secular que o povo chama de “a estação” perdeu mesmo qualquer utilidade ferroviária a 5 de Outubro de 2001, data do encerramento do Ramal de Braga para as profundas obras de remodelação que demorariam cerca de 18 meses a concluir-se.
No caso de Tamel, e dado que a Linha do Minho, a montante de Nine, segue sendo explorada no regime de cantonamento telefónico, a mesma encontra-se guarnecida (com trabalhadores, portanto) na maior parte das horas do dia. Isto no edifício “da estação”. O “edifício de passageiros”, para ser mais concreto.
Sucede em Tamel que outros dois edifícios contíguos, outrora para alojamento de trabalhadores, perderam há já longos anos a sua utilidade, deixaram de ser necessários ao sistema ferroviário. Desde aí até há cerca de dois anos, os edifícios estavam sós, à espera.
Entretanto, surgiu em Tamel (Aborim) a necessidade de dar uma casa à nobre instituição Junta de Freguesia. Como Tamel não aparenta ter a facilidade de acesso ao dinheiro público, proveniente dos impostos pagos pelos portugueses, em Tamel não se optou por construir um edifício de raiz para albergar a Junta de Freguesia. Em Tamel… reciclou-se um edifício secular para que a população, como anteriormente, pudesse beneficiar da sua existência.
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Acorrei que matam a Cultura

Vai haver «peixeirada» ou insulto, porque é este o estado a que a Cultura chegou em Portugal, dizem os organizadores desta semana que se pretende de luta pelo sector.

Destinar 1% do Orçamento de Estado para a Cultura é um insulto e isso não se percebe num país civilizado, ou que se espera civilizado, disse Pedro Penilo à Antena 2 esta manhã.

O Manifesto em Defesa da Cultura, redigido pelo Movimento em Defesa da Cultura, é um documento contra  as medidas impostas pela “troika” e para exigir aumento do investimento público no sector.

Não aceitam o discurso da crise. Vão fazer uma semana de luta pela cultura, a Cultura que em Portugal já nem merece Ministro nem lugar na mesa das decisões políticas.

Continuar a roubar os mesmos

Agora em fundo azul, com ar triste, mas as trapalhadas são as de sempre. O roubo organizado vai continuar.

bright side of life, mas atenção

A edição de hoje do jornal “Público” explica-nos, decerto contando que, num domingo de Outono, estejamos todos um pouco ensonados e remelentos, que “os desempregados têm mais tempo para os filhos, mas isso nem sempre é bom”.

Parece-me esta abordagem um extraordinário serviço público, já que o artigo não se limita a alardear as vantagens evidentes do desemprego no seio de uma família, mas esforça-se por ir mais longe e prevenir-nos de que – atenção, não enviem já a vossa carta de demissão – “isso nem sempre é bom”.

Na linha deste importante contributo, humildemente sugiro ao Público alguns temas que creio que, bem desenvolvidos, poderiam dar origem a artigos de grande interesse público: [Read more…]

Fundações ou como fugir aos impostos e obter dinheiro do estado

Houve tempos em que as fundações eram a forma adoptada por pessoas de posses para devolver à sociedade alguma da riqueza acumulada ao longo das suas vidas. Já não é assim. Os governos das últimas décadas transformaram as fundações em veículos de fuga aos impostos e, ainda por cima, em vez de contarem com o seu próprio património muitas delas são financiadas pelo estado (mil milhões em três anos). Para além disto as fundações públicas ou financiadas com dinheiros públicos são lugares óptimos para arranjar “tachos” para os amigos (ver o caso da fundação Cidade de Guimarães)

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A Cristiano Ronaldo só falta ser humano

 A capa da revista 2 do jornal Público de hoje é «A tristeza de Cristiano». É a tradução dum artigo do jornalista do El País, John Calin.

Não basta a CR ser rico, giro e um grande jogador…

O dinheiro não traz felicidade, o dinheiro não é tudo, etc., são expressões que fazem todo o sentido aplicadas ao jogador que se “arrisca a ficar alheado da realidade (…) precisa de alguém que iniba a egolatria”.

São muitos os que enganam o rapaz: «Lembra-te que és deus!».

Maradona também era um deus e … a história é conhecida: drogas.

Digam-lhe a verdade: «CR, és apenas humano!»

E ser humano tem muito que se lhe diga!!! É, por exemplo, sentirmo-nos derrubados, sem força para nos levantarmos do «relvado» da vida.