Pão e vinho

Lembrei-me de escrever este artigo, a propósito da “missa do galo”.

Sou membro da igreja católica, baptizado, comungado e crismado por opção própria, coisa que nem qualquer católico se pode gabar.

Embora nunca tenha sido muito dado a missas – porque raro é o padre que consegue cativar a minha atenção com o seu discurso -, o certo é que tenho desde há muito um complicado sentimento contraditório quanto aos rituais da missa.

Por um lado aprecio o modo cuidadoso com os padres tratam das questões de “menage”. O modo como limpam o cálice do vinho e o prato da hóstia no fim de cada comunhão cuidando das migalhas e do asseio dos utensílios.

É, sem dúvida, um bom exemplo até mesmo para os homens casados e que, estou certo, as mulheres apreciam.

Por outro lado, quanto aos modos como se realiza a comunhão, acho, com o devido respeito, que não são os melhores. Entendo mesmo que violam o princípio da igualdade apregoado pelo ideal cristão, e acaba por ser um entrave á participação de mais gente nas missas e á concretização de uma das mais importantes missões da Igreja, além da evangelização.

Primeiro porque só o padre bebe, o que acho mal pois a hóstia não se pega só no céu-da-boca dos padres, mas sim de toda a gente. Além de que o vinho é produto nacional e há todo o interesse em promover o seu consumo, desde que com moderação.

Em segundo lugar, porque a distribuição daquela película que é a hóstia, não satisfaz o paladar e muito menos o estômago. Obviamente que a hóstia tem um valor simbólico, e deverá ser encarada numa perspectiva litúrgica. Mas se Cristo dividiu pão, deveria ser o pão, e não aquela coisa que se cola na boca, e, pior, nas próteses dentárias dos crentes.

Pão e vinho, sempre com moderação, deveriam ser os elementos da comunhão. Porque essa é a raiz histórica, e essa é uma das missões maiores do cristianismo: matar a sede e a fome ao próximo.

A tal história

A tal história

 A tal história é muito simples, Carlos. Verdadeira em tudo até nos nomes. É tão real e conhecida na aldeia que não afecta ninguém, se a contar. E conta-se em duas palitadas. Trata-se de um sujeito da minha terra que foi meu doente durante anos e cuja vida conheci, quase do princípio ao fim.

Tinha como alcunha o “palheira”. Era porqueiro, andava com uma carroça a vender e a comprar porcos. Um dia resolveu ir até África, de onde regressou anos depois com uma pequena fortuna, muito grande se comparada com os parcos haveres da nossa aldeia. Vestia bem e comprou um volvo, vermelho e branco, estou mesmo a vê-lo, coisa rara pelas redondezas, e passou a ser o Sr. Tavares, criando em seu redor imensos amigos que o bajulavam e o acompanhavam para onde quer que fosse.

Alguns anos passaram e entre o não fazer nada e o jogo, a fortuna foi-se esvaindo até dar o último suspiro. O Sr. Tavares voltou lenta e insidiosamente a ser “o palheira”, e os amigos sorrateiramente foram debandando, até não restar um único. Só não voltou a carregar porcos na carroça porque, entretanto, a morte, bondosa como é, para não o humilhar com a miséria, se encarregou de o levar para a vida eterna, como “palheira” e não como Sr. Tavares.

A opinião de Luis de Camões sobre o acordo ortográfico

Como em qualquer polémica há argumentos para todos os gostos. Os argumentos idiotas, de um lado ou do outro, irritam-me. Na imagem temos a ortografia de Luís de Camões, ou para ser exacto das primeiras edições impressas da sua obra que o manuscrito não chegou aos nossos dias, demonstrando o ridículo deste argumento:

Uma banda de infiéis à obra-prima que possuímos, a nossa bela língua portuguesa, tal como a praticavam Eça, Camões, Pessoa, Camilo, Aquilino, Miguel Torga e tantos e tantos outros, (…)

E não é  que de todos os autores citados apenas o otorrinolaringologista terá publicado em vida com as actuais normas ortográficas?  Chama-se desonestidade, a invocação da nossa língua como sendo o que sempre foi neste caso no capítulo da grafia, mas também se pode chamar ignorância, ou nacional-parvoísmo, que é a mesma coisa.

Suícidas sem experiência…

…é por isso que morrem, se tivessem experiência safavam-se. Quem tambem morre por falta de experiência são as vítimas dos atentados. Quem não morre mesmo são os experientes, que cheios de patriotismo e de braço dado com os deuses, vão mandando para a morte , um após outro, inocentes e inexperientes!

Os Muçulmanos são mandados para a morte ao abrigo das delícias do paraíso, os Americanos caminham para a morte à espera de uma renda vitalícia.

A única maneira de sair disto é, aos primeiros , mostrar-lhes que não há deus nenhum que exija o seu sangue e, aos segundos, que não há conforto nenhum que mereça o seu sacrifício. E, de um lado e outro, acabarem com os “vendedores de promessas”.

Sempre que eu abordava o meu pai no sentido de fugir à tropa e à guerra, o meu pai chorava, como se fugir para França equivalesse a perder-me…

Um dia, com uma grave depressão, ainda na tropa, consultei um médico civil que me  ouviu calmamente e me disse serenamente : “tenho três filhos que estão em Paris, eu próprio os levei lá. Filho meu não veste fardas nem vai para guerras.”

Só a cultura faz homens livres!

Língua

A contribuição de Caetano Veloso para o debate.

Língua

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
Fala Mangueira! Fala! [Read more…]

Uma Cozinha no Douro

Os meus companheiros(as) do Aventar já sabem da minha paixão pelo Douro. Eu, um menino da cidade, nado e criado no Porto (Areosa) casei com uma duriense e mal pus a vista em cima do Douro Vinhateiro fiquei como aqueles senhores da UESCO: perdidamente apaixonado.

Uma das minhas perdições no Douro é o famoso D.O.C. e o seu genial Rui Paula. Não tenho por hábito, fruto de um certo pudor adquirido em casa, falar sobre este ou aquele restaurante, hotel ou outra qualquer extravagância pessoal. É reserva mínima de intimidade e um certo horror a uma qualquer cedência ao novo-riquismo tão típico dos dias de hoje. Dou um exemplo: muitos amigos tecem loas ao bife do cafeína (restaurante ainda da moda no Porto) e eu, típico labrego da Areosa, lá fui qual carneirinho experimentar o naco. Absolutamente banal, excepto no preço. O Aleixo (Campanhã-Porto) ou o Rodrigo (Maia) por metade do preço fazem a festa, deitam os foguetes e apanham as canas. Enfim, modas. E foi com esta ideia pré concebida que entrei, pela primeira vez e de pé atrás, no D.O.C.

O espanto que se apoderou de mim ao longo da refeição (provavelmente deglutida sempre de boca aberta para horror dos restantes comensais) transformou-se em êxtase absoluto no término da mesma. E sempre que regresso já não fico espantado, podendo assim comer de boca educadamente fechada, mas permanece o arrebatamento. O D.O.C. é, tal qual os patamares de vinha que nos fazem companhia ao longo da refeição, um verdadeiro Património da Humanidade e o melhor restaurante de todo o Douro e Duero, de Soria à Foz. O Rui Paula é um génio e aos génios tudo se perdoa, até os devaneios mais recentes: vai abrir um novo poiso gastronómico no Porto, no velho burgo. Um desvario. O D.O.C. não é só a comida, a excelência da dita, nem o primor do serviço ou a revolução que desencadeou, gastronomicamente falando, na região ou a partilha da carta com o próprio Rui Paula e a sua maravilhosa companhia. O D.O.C. é tudo isto por junto mas misturado com a paisagem em seu redor. Depois, depois é o Douro, provavelmente o único lugar do mundo capaz de transformar a minha Areosa, o meu Porto, a minha Maia em mero local de fugaz poiso de fim-de-semana ou de uma ou outra escapadela de férias ou de peregrinação ao Dragão – a melhor sala de espectáculos do país. Sim, sim que o Ano é novo e o final de 2010 será, espero, o princípio dessa mudança. Daí não aceitar que o Rui Paula me troque as voltas à “cantina duriense”.

[Read more…]

Lusitana gente

 

Este texto não é meu, é de um grande amigo meu, Dr. José Maria Soares, oftalmologista, que gentilmente mo enviou. Espero que não levem a mal o facto de eu aqui o colocar, mas achei que tinha piada e oportunidade.

Lusitana gente

 Deu-me hoje para pensar no título camoniano deste artigo, e também no porquê de através dos séculos nos considerarmos descendentes destes aguerridos habitantes da península ibérica. Quanto a mim, nada de mais falso impregna esta descendência.

No tempo da moca e do silex passaram por cá os iberos seguidos pelos os celtas, já mais civilizados, que os venceram, e aos quais se associaram sob o nome de celtiberos.

 Dado estarem no fim do continente europeu, os vencidos não poderiam deslocar-se mais para ocidente. Ou eram exterminados ou se juntavam aos vencedores, debaixo das condições por estes impostas. Seguiram-se os lusitanos que ocuparam uma faixa de território que ia um pouco acima do Douro, se prolongava até Évora (?), abaixo do Tejo e se continuava pelo que é hoje território espanhol: Andaluzia e Castela. [Read more…]

O acordo pode ser mais ou menos?

Esta questão coloca-se muitas vezes na nossa vida corrente. Mantenho a minha vida confortável, o cantinho, os livros, os filmes, as viagens, enfim, o que conheço, ou largo tudo e vou atrás de uma paixão ?

No acordo, deixo-me estar a fazer o que conheço, mal ou bem, assim-assim, escrevo como sempre escrevi ou largo essa segurança e lanço-me na aventura de conhecer, analisar, escolher, descobrir?

Peço desculpa por não estar no tom solene que o assunto exige, mas a verdade é que cá para mim, este acordo serve, mais ou menos, para pôr algum padrão, alguma ordem, nas muitas e diversas formas que a vida, a real das pessoas, foi introduzindo na escrita e na fala e que vai continuar a pôr, quer os senhores doutores queiram ou não.

Mas se há palavras que apetece mesmo mudar, torná-las mais simples, há outras que não dá jeito nenhum andar a mudá-las. Por exemplo, Baptista! Dá mesmo vontade fazer desaparecer de vez com o “p” e tornar a coisa num Batista, bem mais legível. Mas, ao contrário, o que se fará com “facto” ? Passa a “fato” ? Eu apontei esse “fato” como importante para a discussão ! Qual, o azul?

Pelas razões apontadas ando muito desorientado e ansioso à espera dos conselhos ( o concelho também muda? estão a ver a confusão) dos “experts” (pecado! ) “connaisseurs ” (pior), académicos para me dizerem o que o povo deverá falar e escrever.

E voltando à imagem inicial, não é possível manter os cantinhos todos e arranjar uma namorada ?

Isto é, um acordo mais ou menos?

Poesia & etc. – Gira, gira…

Às vezes não vejo os vídeos que acompanham os textos e, portanto, compreendo que, relativamente aos vídeos que coloco, haja leitores que façam o mesmo. No caso de hoje, peço o favor de escutarem esta interpretação do tango «Yira, Yira» por Carlos Gardel, pois é importante ouvi-lo para compreender o que quero dizer:

Num texto de uma outra série, contei-vos os trabalhos que passei para traduzir um livro do grande escritor argentino Ernesto Sábato, («Heróis e Túmulos»). Estudara língua e literatura castelhana, mas a cada passo surgiam vocábulos que desconhecia e que os dicionários, incluindo o da Real Academia, não registavam. Escrevi então ao Sábato dando-lhe conta da minha dificuldade e ele, muito amavelmente, enviou-me um extenso glossário com termos argentinos e, inclusivamente com modismos «porteños», ou seja, bueno-airenses.

Na letra do tango cantado pelo Gardel, existem casos desses. A começar pelo título, Yira, Yira (pronunciado de forma semelhante á do português) – em castelhano dir-se-ia «Gira, gira», pronunciando-se como fonema fricativo velar surdo – velar, por ser articulado junto do véu palatino (os portugueses quando querem falar portunhol, resolvem o problema, transformando o «g» ou o «j» em «r» – exemplo – rúlio iglésias). [Read more…]

A língua portuguesa e os acordos ortográficos

1 de Janeiro deste ano de 2010 era a data prevista para a entrada em vigor do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. No entanto, nada de concreto foi ainda avançado. Isabel Alçada, ministra da Educação, limitou-se a dizer que, no sistema de Ensino, o Acordo vigoraria no «início de um ano lectivo». Em que ano? Adiantou também que há adaptações a fazer, no plano técnico e no humano. Que adaptações? Reina, pois a indecisão. Enquanto esperamos, falemos um pouco sobre a fixação do idioma e na história dos Acordos Ortográficos.

O único documento que nos ficou do português proto-histórico, no que se refere à linguagem não literária, é um texto notarial, a «notícia de torto». Mais ou menos pela mesma época, em 1214, foi redigido o testamento de D. Afonso II que utilizou pela primeira vez o português em detrimento do habitual latim. No que respeita à linguagem literária, existem mais pistas. Carolina de Michaëlis datou de 1199 a cantiga «Ay eu, coitada, como vivo» que a investigadora atribuiu a D. Sancho I (1185.1211). No entanto, não existe consenso quanto a esta atribuição, há quem indique como autor Afonso IX de Leão (1188-1230) ou mesmo Afonso X, o Sábio, de Leão e Castela (1252-1284). Como se sabe, a língua literária, por excelência, da corte leonesa era o galego-português. [Read more…]

Para o que dá uma reforma de 35 000

em moeda europeia, fora os 10 milhões que recebeu à cabeça? para demonstrar o espírito muito católico do esbanjamento, neste caso provando por arrasto que o acesso à Justiça além de ser um privilégio ainda pode ser um entretenimento supérfluo e aristocrático:

Paulo Teixeira Pinto apresentou uma queixa-crime contra o coordenador do Bloco de Esquerda por este ter comentado, no dia 5 de Outubro de 2009, que uma iniciativa da Causa Real – o desembarque no Terreiro do Paço e um cortejo nocturno aos gritos de “Viva a Monarquia” – era uma acção “patusca” promovida por “um banqueiro milionário” associado ao período do colapso da liderança do BCP

Nem discuto o conteúdo da queixa, basta ser óbvio que está perdida e ainda beneficia a imagem de Francisco Louçã.

Há quem tenha dinheiro para não ter mesmo mais nada que fazer.

Se lhe picou a mosca que transmite a processomania e se mete a processar críticos de arte ou de poesia, tomando o gosto ao processozinho que se mandou fazer ao adversário político, está o caldo entornado. É que a processomania quando dá nos pobres é doença, mas nos ricos, nos ricos não sei se tá a ver mas é um tiquezinho sem importância. Então processar comunas tá muito na moda, não sabia?

1262480263406_af9b3

Apontamentos de Inverno (9)

Ponte da Barca

(Rio Lima, Ponte da Barca)

Um jogo desentretido

O jogo tinha um interesse: meter a jogar os reforços de Inverno, nem que fosse um bocadinho.  Não teve. Jesualdo deu algum tempo a Orlando Sá, o suficiente para tirar uma grande penalidade, insuficiente para ter a descontracção necessária para o concretizar.  Pouco portanto.

Uma equipa que vai jogar 8 jogos 8 este mês devia meter os putos. Digo eu. Resta o vago gozo de ganhar ao Oliveira de Azemeis. E quem é o Presidente da câmara lá do sítio, quem é?

Não tenham medo!

Não tenham medo! Ouvi esta frase da boca de João Paulo ll e fiquei impressionado, havia qualquer coisa que só ele sabia, e esta emoção que me transmitiu, não a coloquei em dúvida. Soube-me bem, apaziguou-me.

Mas que pensar desta coisa extraordinária que é sabermos que quer a Irlanda, quer a Grécia, souberam que estavam na bancarrota pelo Financial Times? E isto em dois países em que a democracia está instalada, onde a comunicação social deveria ser livre, onde os governos deveriam falar verdade .

Na comunicação do Presidente da República os perigos apontados, a situação caracterizada, é de tal forma diferente da apresentada pelo governo, que um deles está a mentir. O que temos certo é que há instituições internacionais que nos andam a avisar, sabemos que há a velha máxima : “se há alguma coisa que possa correr mal, corre mesmo ” , há mesmo quem desconfie que ainda há grandes “buracos negros” não descobertos, que 2010 será um manancial de más notícias…

E agora ? Tenho medo ou não?

E se tiver medo faço o quê? O governo anda a anunciar o fim da crise desde o dia em que ela começou, os partidos da oposição estão à espera que tudo corra mal para então, conversarem com o PS, sem Sócrates. E nós, lemos o Financial Times?

Não sai aí mais um “escândalo socrático” para que possamos ter direito à verdade? O homem ía à vida e nós podíamos dormir descansados!

Uma cantiga de assobiar num andar qualquer

Clã: sexto andar

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar

E o Irão, como poderá evoluir?

Não são só os aguerridos movimentos de oposição democrática que representam uma ameaça para o regime, os movimentos separatistas de regiões multi-étnicas, Curdos, balúchis,Azerbaijanas e Árabes que constituem 44% da população do país, dominado pelos Persas, são uma ameaça maior.

Trabalhando em conjunto, movimento democrático e movimentos separatistas poderão constituir uma alternativa muito séria, mas que até agora têm sido dominados pelas elites religiosas, militares e comerciais Persas que  têm negado o apoio às exigências das minorias.

Um dos objecticos é a autonomia regional sob a Constituição existente, outro é uma confederação de estados e, por último, a independência. São estes movimentos separatistas que os US estão a alimentar com armas e dinheiro “os americanos estão ocupados a construir uma conspiração.”

O pano de fundo desta situação é um regime totalitário, dominado pelos extremistas religiosos e com um plano militar nuclear de que todos têm medo. Se os movimentos de oposição interna mantiverem a pressão, organizando-se e juntando-se, é muito possível que se abra uma janela de oportunidade que leve Israel e os US a atacarem e destruírem as zonas de  desenvolvimento nuclear. Isto seria o fim do regime!

A repressão parece ser o único caminho que resta ao regime para sobreviver, já que a negociação é praticamente impossível e a revolução vai intensificar-se o que poderá levar a um estado de “rebelião generalizada.”

PS: Selig S.Harrison no i

Concurso: as escutas Vara/Sócrates feitas por vocês mesmos

escutas2Lançámos o desafio, e os nossos leitores corresponderam. Nos próximos dias iniciaremos a publicação dos textos que nos chegaram. De acordo com a regras do concurso, o vencedor será conhecido no final pelo método de adjudicação directa. Como é sabido este método ainda permite a entrada de concorrentes fora do prazo, caso alguém se sinta tardiamente inspirado.

Não perca as revelações, os segredos, os dramas, o pavor, e ria-se à vontade.

O Acordo Ortográfico discute-se aqui

acordo_ortograficoDizem que entrou ontem em vigor, mas nem parece. Apenas um jornal e a Agência Lusa afirmam começar desde já a utilizá-lo.

Discutido ao longo dos anos pelos profissionais do ramo, abrimos a porta para que avente a sua opinião, nós iremos deixando aqui a nossa.

Ao longo dos próximos dias os aventadores  explicarão se aderem, e porque o fazem.

Tentaremos igualmente deixar sugestões de páginas na net que possam ser úteis a quem queira escrever de acordo com as novas regras, e não sabe como fazê-lo.

Pode participar através de comentários, ou deixando a sua opinião no sítio do costume.

Todos os textos serão publicados, desde que respeitem as regras da casa, é claro.

Vinhas-me ao pau!

Uma festa minhota de família, dificilmente não tem no seu programa uma sueca. Refiro-me, obviamente, ao jogo de cartas.

Trata-se de uma prática desportiva altamente sofisticada, contando, inclusive, com sinais codificados para que os parceiros troquem informações durante o jogo sem que se quebre a regra de que não se fala durante a partida.

O melhor de tudo, são os comentários no fim de cada jogo, quer entre os jogadores quer entre a assistência que vai circundando a mesa de jogo e fazendo comentários em surdina. Tais comentários em cada final de partida quase sempre se reportam ao modo como determinada jogada foi feita e como deveria ter sido, as más opções de um jogador ou de parceiros e qual seria a opção certa.

É neste momento que se assiste às mais bizarras afirmações e conversas, do género:

“- Vinhas-me ao pau! Eu baldava a copa no teu pau e ficava ao corte.”

“- Se ele vinha ao pau eu cortava-lho, que eu estou seco.”

“- Metias o pau na copa, e ficavas ao corte.”

Ver chefes de família a ter conversas deste tipo, ainda para mais em ambiente familiar, onde muitas vezes o diálogo é entabulado entre pais e filhos, fez-me sempre alguma confusão. Fui-me habituando a estas coisas, mas, confesso, que ainda hoje acho um pouco estranho. E esta passagem de ano, passada com família e amigos, não foi excepção.

O meu primeiro quadro de 2010

                          (adão cruz)

(adão cruz)

Este é o meu primeiro quadro de 2010. Já não pintava há un meses, depois da minha última exposição. Dedico-o ao amigo Luis Moreira, que não indo muito à minha “liturgia” de pensamento, é, tanto quanto me parece, um ser humano de excelência.
Quando escrevemos um poema ou pintamos um quadro, fazêmo-lo, convencidos de que vai nascer uma obra-prima. Não nasce, nunca nasce a obra-prima que sonhamos. Da próxima vez, sim, chegaremos à obra-prima. Mas a próxima vez nunca é a vez da obra-prima. Há-de ser outra, provavelmente aquela que fica para lá do pensamento.
O quadro mais lindo da minha vida ainda não nasceu. O poema mais lindo da minha vida ainda não nasceu. Eles estão dentro de mim mas não têm asas nem olhos nem sentimento.
Vagueiam no deserto entre as dunas e o sol como um grão de areia ao sabor do vento.
Ninguém os conhece, nem eu, amputados e ateus, assilabados na amargura, escondidos na sombra da ternura que passa ao lado, sem olhos, nem asas nem sentimento.
Que os leve o vento para além do deserto. Que me reste a saudade de por aqui terem passado tão perto.

Uma gaveta que seja sua

Ko Sasaki (The New York Times)

Recorda os ambientes angustiantes de alguma ficção científica. Homens que vagueiam como zombies, num cenário pós-moderno. Um antigo hotel que se vai transformando em edifício de habitação. Pequenas celas, todas iguais, com as mesmas comodidades: uma luz, uma televisão pequena com auscultadores, dois cabides de parede, um cobertor fininho, uma almofada dura.

De refúgio de uma noite para homens de negócios que perdiam o comboio para casa depois de beber uns copos a mais, o Capsule Hotel Shinjuku tornou-se na casa permanente de desempregados incapazes de pagar o que custa um apartamento em Tóquio. O aluguer de uma cápsula custa 59 mil ienes, pouco mais de 440 euros. E com este dado, já podem imaginar quanto custará um apartamento com um quarto. [Read more…]

Repor a família tradicional

Repor a família no centro da política social, sem motivos morais, mas porque é a melhor forma de proteger crianças e adultos.

A maior preocupação, não é a forma de relação dos pais, mas a que mais e melhor estabilidade e qualidade der às crianças e aos adolescentes.

E daqui se parte para políticas concretas e que o Estado deve promover: a) apoiar activamente o papel do pai e as responsabilidades partilhadas entre ele e a mãe. b) substituir incentivos fiscais por apoio público à família nos momentos chave c) construir redes de apoio para ajudar adultos e crianças a ultrapassar situações de divórcio ou de rupturas .

É desta forma séria que se discutem os problemas inerentes à família, na velha e democrática Inglaterra. À direita, não se resiste à tentação de se ver na família tradicional e no casamento um superior princípio moral, à esquerda, não se resiste à tentação de desvalorizar em absoluto esta forma de vida.

A verdade é que famílias intactas produzem excelentes resultados no futuro das crianças (quando comparados com os resultados de crianças criadas em outros ambientes) e não interessa se há ou não casamento, o que interessa é que exista família intacta: pai, mãe e filhos.

Não há, nestas propostas, qualquer sentido moralista, mas sim porque é na família tradicional que as crianças e adultos concretizam o seu maior potencial.

PS: ver Martim Avilez Figueiredo no i “Politics for a new generation,the progressive moment” de 2007 e “The progressive manifest” de 2004 -livros de Antony Giddens.

Ópera no Mercado

E se de repente por entre as hortaliças os queijos e as frutas soassem outras vozes que não a dos pregões, outras escalas que não as dos preços, outro tilintar que não o dos trocos, outra verdura, a de Verdi?

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7726069&server=vimeo.com&show_title=1&show_byline=0&show_portrait=1&color=00ADEF&fullscreen=1

Ópera no Mercado, Flash mob de La Ópera para principiantes onde cheguei por via d’ A Terceira Noite, num contexto de votos para o futuro que também subscrevo.

http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7599850&server=vimeo.com&show_title=0&show_byline=0&show_portrait=1&color=00ADEF&fullscreen=1

Poesia & etc. – Manuel da Fonseca

Esta série que hoje inicio tem um formato diferente das que anteriormente dediquei à poesia – neste espaço vão conviver poetas famosos, poetas populares, poetas menos conhecidos… Não será apenas gente já falecida – em alguns casos falarei de poetas vivos. E, de vez enquando, meterei um poema meu.. Para começar escolhi o Manuel da Fonseca, grande poeta e ficcionista.

Falei com Manuel da Fonseca por duas vezes. A primeira, faz hoje (precisamente) 50 anos, foi na noite de 2 de Janeiro de 1960. Como é posso referir com precisão, a data? Porque sei que foi no Inverno de 1960, no dia do aniversário do Mário Henrique Leiria (foi só ver em que dia tinha nascido – 2 de Janeiro de 1923).

Um grupo numeroso – o António José Forte, o Virgílio Martinho, o Saldanha da Gama, o Henrique Tavares e mais alguns de que não me recordo, fomos convidados para a festa de aniversário do Mário Henrique. Quando chegámos à Vivenda Maria Xavier, em Carcavelos, residência do Mário, uma das pessoas que já lá estavam, era o Manuel da Fonseca. [Read more…]

Apontamentos de Inverno (8)

Arcos de Valdevez

(Rio Vez, Arcos de Valdevez (4))

Ano novo, situação explosiva nova

Podemos estar a caminhar para uma situação explosiva”, disse o sr. Silva.

É sempre mais fácil prever o fim dos outros que foi ter pensado a tempo no seu.

Ou terá tido a intuição de perceber que o desemprego pode levar a uma revolta contra o sistema de governar a dois, por vezes com a ajuda de um terceiro?

Procurar imagens

Depois de o Bing ter aparecido com algumas novidades na forma de pesquisar imagens (permitindo a busca por imagens semelhantes a uma que escolhemos), o Google, que respondeu primeiro usando uma técnica semelhante, está a testar um brinquedo no mínimo engraçado, por onde dei um agradável passeio. Experimentem o Image Swirl.

E já agora, se tem uma imagem no seu computador e quer encontrar outras semelhantes (como por exemplo a original), tem o GazoPa à sua disposição.

Orthographia ou Ortografia?

Já no século XVIII não havia acordo, ou mesmo acôrdo.

ORTHOGRAPHIA , f.f. arte , que enfina a reprefentar bem com letras os fons, e as modificações, delles, nas vozes , ou palavras de que ufamos. § A arte do defenho; o defenho feito, § Perfil, t. de Fortif.

ORTOGRAFIA, f.f. João de Barros na fua Grammatica diz que affim devemos efcrever efta palavra , não objtante pedir a etymologia qüe fe efcreva orthographia, porque havemos de efcrever como pronunciamos, veja-fe o Difcurfo da Lingua Portuguesa de Severim porque na ultima edição da Grammatica de Barros p. 184 linha 23. erradamente fe imprimiu Orthographia.


Diccionario da lingua portugueza composto pelo padre D. Rafael Bluteau, reformado, e accrescentado por Antonio de Moraes Silva natural do Rio de Janeiro, 1789

Todos de acordo com Cavaco!

Os partidos estão todos de acordo com o que o Presidente disse na sua declaração de Ano Novo.

E o que é que ele disse?

-Economia baseada na produção de bens transaccionáveis e competitivos com os produtos estrangeiros.

-Finanças Públicas equilibradas, especialmente a dívida externa e o déficite

-Apoios sociais numa situação de tão alto desemprego

E então?

O “cassete” Assis jurou a pés juntos que os investimentos no TGV não prejudicam em nada a dívida, e tornam altamente competitivos os bens transaccionáveis que não temos.

O “eterno” Guedes diz que é exactamente o que o PSD anda a dizer desde que se conhece e, é por isso, que não cumpriram o acordo sobre a Justiça (sem o que não há desenvolvimento)

O “medicinal” Semedo observa e bem, que é por estarem atentos que dão prioridade ao casamento gay.

O “obscuro” Macedo diz que o Dr. Portas depois fala sobre o assunto

O deputado ? do PCP que eu nunca vi antes, diz que sim mas só se for como eles querem.

Claro que o Presidente, aproveitou a oportunidade para colocar o comboio nos carris, é preciso chamar para o centro do debate os verdadeiros problemas, que são muito dificeis e, é por isso, que nós assistimos a manobras de diversão todos os dias.

O Orçamento, peça essencial da política a implementar, está no segredo dos deuses, vem aí borrasca e da grande, é preciso garantir que nos próximos anos os grandes negócios não tenham margem para voltar para trás, mesmo com alteração da cor política do governo.

Cavaco tem agora uma tarefa fácil, já marcou o terreno, na verdade, o caminho é muito estreito e não há margem para invenções.

E as instituições internacionais tambem já começaram a empurrar na mesma direcção.

Desejo para 2010

101209a