“A paz, o pão, habitação, saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir…” – Sérgio Godinho
Ainda a luta dos professores, pois que a angústia entrou em muitas casas
é por isso que os tascos têm as janelas tapadas
O tasco ainda tem uma dessas portas de vai-e-vem que nos recordam os saloons, essas portas que dão vontade de empurrá-las, imaginamo-nos a aproximar-nos delas com passos sonoros, pausados, projectando sobre a sala uma sombra que fará com que todos voltem a cabeça na nossa direcção, para apenas descortinarem umas pernas, talvez um chapéu de abas largas, se o tivéssemos. E então poderemos empurrar as portas com firmeza mas sem demasiada força (porque nos lembramos de que as portas que vão também acabarão por vir) e avançar para o balcão, ou ficar por uma das mesas e pedir um pratinho de moelas ou de tripas enfarinhadas.
Mas não foi isso que aconteceu, eu não cheguei a entrar, passei à porta do tasco e só me detive brevemente à janela. Não sei se já repararam que as janelas dos tascos costumam estar tapadas? Não permitem que olhos indiscretos espreitem esse momento silencioso e solene em que um homem leva o copo à boca, acercando os lábios para que os dedos trémulos não derrubem o vinho, bebe-o com a máxima seriedade, todo concentrado nesse acto, e pousa-o finalmente sobre a mesa, com o gesto já preciso e firme, um movimento rápido, e o olhar de súbito brilhante e mais entristecido. Na janela dos tascos encontramos tantas vezes um cortinado com rendas escurecidas, um estore de lâminas imundas, um simples trapo estendido, mas, para suavizar essa recusa aos olhos de quem passa, a dona do tasco deixa à janela um vaso de begónias ou um lírio-da-paz.
A janela deste tasco, porém, estava desimpedida e deixava ver o único cliente àquela hora, um homem de idade difícil de determinar (cinquenta e muitos, quarentas, recém-entrado nos sessenta?), sentado à mesa mais próxima da janela, absorto nos seus afazeres. [Read more…]
O poder dos sem-poder
Concursos de professores: a angústia em forma electrónica
Concursos. Concorrer. Plataforma. Mobilidade. DACL. DCA.DEGRE.DGAE…
A loucura total em forma de aplicação electrónica. Está a concurso (sem colocação) gente que não concorre desde os tempos em que só o Bill Gates sabia o que era um computador. Com todas as condicionantes emocionais que estão em cima da mesa são mais que muitas as dúvidas e nem sempre a legislação disponível ou o aviso de abertura ajudam a esclarecer. Há gente a tentar ajudar, mas na véspera do concurso começar há ainda algumas coisas pouco claras, que se esperam ver resolvidas ainda antes do concurso terminar (decorre de 2ª a 6ª).
E muita gente pergunta: no meu lugar o que é que fazias?
Mas, infelizmente, a pergunta fica sem resposta – o momento, profissionalmente falando, é tão delicado que nem me atrevo a fazer sugestões. A ajuda é técnica, mas nunca opinativa… Infelizmente, estamos assim!
E ainda me custa mais saber que a 6 de junho, aqui no Aventar, fiz as contas que só agora todos entenderam!
Quem disse que ter razão antes do tempo era bom, enganou-me!
Fartos de Sujeira
Fernanda Leitão
Algumas vezes tenho ouvido e lido pessoas com responsabilidades na vida pública inquietas com o que lhes parece a aversão dos portugueses aos políticos e à política. Nem sempre o que parece é e por isso discordo dessa opinião. E explico porquê.
Os portugueses apreciam a política quanto baste e, em algumas ocasiões,têm mostrado discernimento e maturidade. Uma dessas ocasiões foi quando, nas primeiras eleições livres, rejeitaram a maioria que o PC ambicionava: perceberam que não era inteligente, nem sensato, substituir uma ditadura de 48 anos por outra ditadura que, na altura, já escravizava há dezenas de anos vários países no mundo. Na sua grande maioria, os portugueses apreciam o centro-esquerda e por isso o CDS só tem chegado ao poder como atrelado do PS ou do PSD, para fazer número e negociatas, ao passo que o PC e a extrema esquerda se mantêm numa marginalidade ruidosa mas de utilidade. Reviram-se em Francisco Sá Carneiro e os fundadores do PSD,todos eles de centro esquerda, homens que se pautaram por honestidade e mãos limpas de quem, com verdade, não se pode dizer que usaram a política para encherem os bolsos. E deram o seu apoio eleitoral ao PS sempre que este enfrentou os comunistas ou simplesmente era alternativa de poder.
O perfume das revoluções
Tivemos a Revolução dos Cravos há quase quarenta anos. Que ideia bonita buscar cravos aos jardins para baptizar esta revolução da liberdade.
Penso que nos falta uma revolução ou uma revolta neste intervalo de anos. Aquela que devíamos ter levado a cabo, com lírios na mão, sei lá, quando se começaram a fazer investimentos megalómanos e que nos deixaram nesta miséria.
Agora não há dinheiro para se viver decentemente, sem medos, sem depressões, sem o afastamento daqueles que nos são queridos. Há gente a sair do país e da sua cidade para poder viver.
O português migrante (professores) e emigrante para sempre.
Falta-nos o perfume dessa revolução!
Com Duarte Marques o futuro do PSD está assegurado
O PSD é uma agremiação cujo principal objectivo é o de garantir que Portugal continuará a ser governado pela mesma raça de políticos medíocres que já apareciam, pelo menos, nas páginas de Eça. O facto de alternar no poder com o PS serve para que se possa proceder à passagem dos ministros para os negócios privados, ao mesmo tempo que cria a ilusão de uma diferença, sempre útil em tempos eleitorais.
Para se ir longe na estrutura de qualquer uma destas agremiações, é necessário, alardear, desde a mais tenra idade, uma total ausência de originalidade, evitando, a todo o custo, exprimir um pensamento próprio ou, até, um pensamento. Ao mesmo tempo que cola cartazes, agita bandeiras e lambe botas, o futuro político grita frases do líder, tornando-as tão aparentemente suas que alguém acabará por reparar nele e pensará: “Este rapaz é tão destituído que poderá chegar a ministro.” [Read more…]
Saiam lá do armário
Porque o presidente do Tribunal Constitucional disse o óbvio (se é para pagar que se divida o esforço entre o trabalho e o capital) a direita bufa, histérica, contra a Constituição. Compreende-se, cada um defende o que eu seu, e os blogues andam cheios de gente que queria ver a pimenta a arder apenas no orifício alheio.
Têm duas soluções: a primeira é fácil, arranjam uma maioria de dois terços no parlamento e mudam a Constituição.
A segunda é mais complicada: fazem um golpe de estado, instalam uma ditadura, e queimam a Constituição.
Acredito que esta gentinha podre e gananciosa prefere a segunda.
Relvas é que devia ser ministro das finanças
Nunca ninguém conseguiu tantos créditos num tão curto espaço de tempo.
Mais fraudes e incompetência do estado
O estado português recorre ao arrendamento de imóveis por dois motivos conhecidos:
Evita, através do arrendamento, fazer grandes investimento na construção ou recuperação de instalações para os serviços, ficando, em vez disso, com um custo mensal diluído no tempo. Esta prática, em certas circunstâncias, é uma boa opção de gestão.
Os 12 na Estrada
O retrato social, político e económico de um dos mais difíceis anos do pós-25 de Abril é a proposta de um grupo de fotógrafos portugueses, que se encontra a percorrer todo o país, incluindo ilhas, para registar em imagens o ano de 2012. O projeto leva o nome de ’12.12.12’ e reúne duas gerações de profissionais da área do jornalismo e documental, que se propõem a fazer a sua própria leitura da crise portuguesa.
Adriana Morais, Adriano Miranda, Duarte Sá, José António Rodrigues, José Carlos Carvalho, José Manuel Ribeiro, Lara Jacinto, Nuno Fox, Nuno Veiga, Ricardo Meireles, Rodrigo Cabrita e Vasco Célio, todos profissionais da imprensa nacional e internacional, juntaram-se para documentar o ano de 2012 num projeto sem paralelo no nosso país.
No final do ano, as imagens recolhidas e selecionadas serão objeto da interpretação de várias individualidades da sociedade portuguesa, que aceitaram associar-se a este projeto, compondo uma narrativa para o trabalho de cada um dos fotógrafos. [Read more…]
Demasiado grandes para falharem, demasiado grandes para mudarem
![By M.Minderhoud (Own work) [GFDL (http://www.gnu.org/copyleft/fdl.html), CC-BY-SA-3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/) or CC-BY-SA-2.5-2.0-1.0 (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5-2.0-1.0)], via Wikimedia Commons](https://i0.wp.com/aventar.eu/wp-content/uploads/2012/07/450px-ecb_frankfurt.jpg?resize=225%2C300)
Permitam-me que emita e controle o dinheiro de uma nação e não me importo com quem faz as suas leis ~ Mayer Anselm Rothschild Banqueiro
Depois da Grande Depressão, a actividade dos bancos foi dividida, isolada. Passou a haver bancos dedicados apenas a actividades de comerciais e, completamente separados destes, existiam os bancos de investimento. Com a desregulação essa diferença esbateu-se e com ela surgiram os conflitos de interesses, no fim a ganância ganhou e os cidadãos pagaram a factura.
Portas, o judas, insiste na falácia
Paulo Portas no seu especial momento “ópramim a demarcar-me das medidas impopulares do meu governo, que tenho aqui uma oportunidade de marcar pontos eleitorais”:
“Não será comigo que Portugal vai diabolizar a função pública”, garantiu Paulo Portas, considerando, no entanto: “Temos de saber e entender que, se o problema de Portugal é défice do Estado, não é justo pretender que o sector privado tem a mesma responsabilidade de ajudar”. [Público]
Como recentemente demonstrei, nem o BPN era público quando faliu nem a restante banca é pública e, no entanto, absorvem metade – é melhor repetir: metade, do dinheiro que cá chega pela troika.
Conscientemente, Portas tenta ludibriar os portugueses com a sua falácia. Dizendo não fazer o que de facto está a fazer, acusa a função pública de ser a causa dos problemas do estado. Mas desta vez, ao contrário do que tinha feito no debate da nação, nem se deu ao trabalho de dizer que o buraco era culpa do estado. Foi bem mais directo a apontar o dedo, deixando de fora aqueles que personalizaram o estado quando governaram e que, com as suas decisões, foram de facto a causa da falência: os governantes do PS, PSD e CDS. Quem nacionalizou o BPN? Quem ainda não cortou nas PPP? Quem é que negociou um memorando onde metade do dinheiro é dado à banca? E quem é que continua sem questionar essa decisão.
Tenha vergonha, sr. Portas, ninguém precisa de ministros assim. Nem o seu governo.
Lucília
Lucília, posso contar a tua história? Tinha sido um dia longo, a fechar uma ainda mais longa semana e, mesmo assim, nos teus olhos escuros vi réstias de esperança no lugar da revolta que, justamente, de ti se poderia ter apossado. Podes, mas publica só à noite. Não quero que o meu marido saiba pelo Aventar.
Estes génios não previram isto!?
Ou estão a actuar cegamente, seguindo dogmas que não compreendem? – Riscos de incumprimento do défice “são hoje maiores”, diz Passos Coelho. Pois, pois…
Sexta-feira 13 dos Professores, mas ainda mais das Escolas e dos alunos
Estou há horas para começar este post, mas os dedos teimaram em não responder.
Hoje, vi as escolas como nunca tinha visto
Depois de um dia fantástico, o de ontem, nas ruas da Lisboa antiga, do Rossio ao Parlamento,eu não merecia um dia assim. Nós, os resistentes, não merecíamos um dia assim!
E nem falo por mim.
Tenho dificuldade em colocar em palavras o que aconteceu.
Há de tudo: diretores que chamam os professores, tipo centro de saúde com o povo todo na sala de espera.
Há quem mande por correio, quem ordene um telefonema. Também há quem recorra ao mail e, é verdade, por SMS:” Caro colega, ao abrigo da Legislação em vigor, venho a informar que não temos componente letiva para si”.
Eu já tinha ouvido falar em despedimentos por mail, agora por sms!!!
Queria conseguir explicar isto aos leitores do Aventar que não são Professores, mas não é fácil – acham normal que professores “efectivos” há mais de vinte anos estejam sem horário para o próximo ano? E aos milhares?!!
São Directores de Turma e Coordenadores, professores do 1ºciclo, do secundário, educadores de infância e professores do básico. São de matemática e de línguas, de expressões e de história. No litoral e no interior…
Não há post algum que possa receber a raiva que se viveu hoje nas escolas públicas portuguesas.
Foi, de facto, uma verdadeira 6ªfeira 13 para a Escola Pública.
E Nós só queremos que nos DEIXEM ser Professores!
Só isso!
perigosa manifestante detida em Madrid
Ao ser detida, terá dito a um polícia:
“Quando os vossos filhos vos perguntarem que fizeram por eles, respondam-lhes que me bateram.”
Passos Coelho repõe porcaria na ventoinha
Apresentação
Lançamento dos livros de Adão Cruz e de Eva Cruz (texto de Augusta Clara)
(Fotografias de Elisabete Silveira)
(da esquerda para a direita Carla Romualdo, Augusta Clara, Adão Cruz, Susana Fernando e Marcos Cruz) [Read more…]
Relvas: Inimigo Público
Depois de um post «depressivo» como o que escrevi atrás, rir é o melhor remédio…
O Inimigo Público é um suplemento genial daquele jornal.
Hoje, apetece-me fazer «copy/paste» de algumas piadas:
1. “Clube dos distritais muda de nome para Relvas Futebol Clube para subir à primeira divisão num ano” (JH);
2. “Bloggers do PSD pagos a €3, 96/ hora pelo Governo para não dizerem nada sobre o Relvas” (JH)
3.” Licenciados da Lusófona em Ciência Política que foram obrigados a estudar 4 anos estão a assistir ao caso Relvas no ‘call center’ com enorme consternação” (JH)
4. “Relvas já foi apagado do Orçamento de Estado para 2013” (MB)
5. ” Ciganos vendem piadas do Relvas para usar nas redes sociais a 1 euro” (JH)
(JH-João Henrique; MB- Mário Botequilha)
Duas Pombas Assassinadas na sua Honra
A grande pomba perseguida Relvas e a grande pomba-abutre ou papagaio-pomba-corvo Filho da Puta. Só nós, os que se licenciaram ou pós-graduaram a sério e a doer, é que não podemos defender a nossa honra e dignidade maltratadas. Após décadas de precariedade, extinguem-nos o trabalho e inviabilizam remunerações dignas dos filhos que fizemos, das famílias que constituímos. Andam estes políticos em regime de excepção, décadas acalentando a sua estufa privativa de milagres homologantes, décadas a abrir a anilha ao capital e aos donos fáticos de Portugal, e ainda lhes sobra lata para defenderem uma coisa, neles extinta ou exilada, chamada honra e bom nome. Quanto mais, por exemplo, o Filho da Puta desde Paris fala ou manda falar da sua honra e do seu bom nome, mais vontade dá de o chibatar sem dó nem piedade. Quanto ao perseguido Relvas, aprenderá cedo pelo menos a calar o bico matraqueante de pomba tagarela?!
A depressão entre os professores
Passos Coelho no debate sobre o Estado da Nação, esta semana, disse que não queria assustar os portugueses.














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