Poemas do ser e não ser

Mãos de ausência

 

As mãos grudadas de ausência

fincam dedos na argila dos lençóis

e abrem sulcos no ventre da noite.

Mãos sem poder nem domínio

sem rigor nem justiça

mãos impermanentes

demasiado abertas

para os punhos fechados que encerram.

Mãos secas

pegadas à idade das pedras

a cabeça de ontem

nas grades ferrugentas de hoje.

Olhos molhados

um olhar mendigo a tempos de outro tempo.

Dentro da quinta em ruínas

no meio de silvados

urtigas e ervas daninhas

anos e lustros a caminho de séculos.

Os olhos de minha mãe

cheios de outroras e lágrimas

mostram-me todas as lágrimas do mundo

nas lágrimas de tudo o que se verte em lágrimas

por dentro e por fora do tempo.

Restos de um lago seco

entulhos e restos

esqueletos de cameleiras

escadas sem fins nem degraus

portas e janelas esventradas

de foras e sombras.

Mãe

que o sol se lembre de nascer

onde o carinho é poema

onde o amor e o mar se tocam

dentro de uma gota de orvalho.

 

Natal à porta

Parece que hoje houve taça de Portugal. Também parece que havia algumas dificuldades em compreender a essência do jogo. E a essência do jogo é… entradas de leão (neste caso de ave de rapina), saídas de sendeiro. Para já sairam da taça. Para a semana há mais.

Amordaçar os jornais…

Na Sábado desta última 5 ª feira, vem um texto sobre a publicidade colocada e paga em diversos jornais pelas empresas controladas pelo governo.

 

"Quando o jornal SOL publicou a primeira notícia a revelar a existência de uma investigação britânica ao caso Freeport, em Janeiro de 2009, um dos directores do semanário recebeu um telefonema que podia livrar o jornal da falência….

 

O jornal preparava a segunda notícia com o DVD que refria o nome Sócrates.O telefonema pretendia travar a notícia.

 

" Uma pessoa do círculo próximo do primeiro-ministro e que conhecia muito bem a situação do jornal e a nossa relação com o banco BCP disse-nos que os nossos problemas ficariam resolvidos se não publicássemos a segunda notícia do Freeport" assume à Sábado o director do SOL José António Saraiva.

 

"É evidente que Armando Vara era a pessoa que tinha o pelouro do SOL no BCP e que todos os assuntos relacionados com o SOL passavam directamente por ele, e isso nós sabíamos! acrescenta José António Saraiva.

 

Há mais. Vem nas páginas 75,76 e 77.

A criança e a sua mente cultural

 

 

Após falar de educação, ontem, falemos das crenças da mente que deve ser educada.. Conhecido é que o autor do presente texto não tem sentimentos de fé. Conhecido é, também, que foi educado dentro das ideias ocidentais que, por acaso histórico, são cristãs. Ideias que são partilhadas, não apenas pelos cristãos romanos, armenos, ortodoxos gregos ou russos, libaneses, maronitas ou de outros países orientais, em paz e convívio com os muçulmanos, essa grande maioria com quem o Ocidente comunga a mesma Bíblia. Bíblia designada pelos Muçulmanos El – al – Corão, texto

 

ditado, por desconhecimento da escrita, pelo Patriarca Maomé a sua filha Fátima. Entre os cristãos romanos, anglicanos e presbiterianos, a Bíblia usada foi sendo escrita pelos reis da Palestiniana, por mulheres corajosas que lutaram pela sua liberdade, como Judite, e por sacerdotes ou reis que sabiam da História Palestiniana e ditaram as suas leis.

Quem quer que tenha sido o(s) autor(es) destes textos, como o Livro Êxodo, atribuído a Moisés ou, da mesma Bíblia, o denominado Génesis, dito ser uma verdade revelada pela divindade a Abraham, escrito pela sua filha Séfora. Digo, fosse quem fosse o autor dos textos, uma verdade é certa, as crianças devem aprender os princípios, leis, ideias, orações, rituais e pensamentos de interacção social, a partir de textos como os mencionados, aos quais devem-se, ainda, acrescentar as Carta de Paulo de Tarso  que lhe foram ditadas pelo irmão de Jesus, Tiago o Menor.

Formas de entender e interpretar a realidade por mim designadas, em diversos trabalhos, por mente cultural, conceito organizado após análise de mais de trezentas

 

 

 

 

crianças do mundo inteiro, especialmente na Galiza, Portugal, Picunche da Cordilheira dos Andes na América Latina, Escócia, Inglaterra, França e, hoje em dia, na Holanda. Povos que fazem das suas crianças devotos de dogmas, incutidos nas suas ideias para os orientar através dos afazeres da vida e da interacção social, das hierarquias e de relação entre classes sociais, como foi definido por Karl Marx, devoto luterano (casado com uma mulher profundamente católica), que Bento XVI, Joseph Ratzinger, louva no seu livro de Abril de 2007 em italiano, de Outubro de 2007 em Português, editado por A Esfera dos Livros, Lisboa.

A mente cultural é esse conceito que guarda as ideias da interacção não apenas na vida social, mas também na denominada vida no mais além, como no respeito pelos adultos e pelos colegas e amigos de escola ou brincadeiras. Conceito que todo o educador e analista da infância deve conhecer, para ser capaz de entender medo, arrebato, subordinação, obediência, livre arbítrio e outras actividades e pensamentos que nos acompanham até à morte, queiramos acreditar ou não.

Eu diria aos Educadores da Infância que ou se sabe bem a catequese ou é impossível educar, como o tenho referido a médicos, psicanalistas e docentes de vários graus de ensino, para serem capazes de saber orientar. Ninguém, por este facto, está obrigado a ter sentimentos de fé, mas aqueles que os têm devem-se abster de os “pregar”, respeitando assim a procura insaciável dessa pequena, muita vazia por um tempo, mente cultural.

Não é porque eu o diga: são quarenta anos de experiência entre crianças e os “seus” adultos, que me têm mostrado que, apesar do abandono de crenças na idade adulta, o comportamento continua a ser pactuado em paz, serenidade e solidariedade, que os cristãos denominam caridade, feio nome para quem deve conviver com outros: parece esmola, enquanto solidariedade é a mente cultural em actividade com respeito pelos outros.

Para educar, é preciso conhecer as bases da cultura que é a religião, e a religião orienta a cultura, na base do conceito que dá título a este texto.

 

 

 

 

 

 

 

Recibos verdes, uma vergonha que continua

Assistimos à generalização da contratualização a prazo para funções permanentes, à vulgarização dos recibos verdes, ao crescimento do negócio das empresas de trabalho temporário, à transformação dos/as trabalhadores/as em colaboradores/as, sempre disponíveis e descartáveis.

O trabalho a recibos verdes é disso um bom exemplo: estima-se que existam hoje em Portugal cerca de 900 mil falsos recibos verdes, a desempenhar funções permanentes, com horário, local de trabalho e hierarquia reconhecíveis, mas sem qualquer contrato ou reconhecimento de direitos.

 

Assinem a Petição à Assembleia da República solicitando a regularização das situações injustas nas contribuições singulares para o sistema de Segurança Social, decorrentes da existência do falso trabalho autónomo. Não é preciso estar a recibos verdes para o fazer. Basta ser solidário.

 

 

 

 

 

 

Os mortos têm dono?

Não é por acaso que temos a expressão  deve estar às voltas no túmulo,  usada quando entendemos que uma determinada homenagem póstuma não honra o homenageado, seja pela sua natureza, seja pela dos seus intervenientes.

Também tenho umas irritações deste género. Em particular chateia-me que os que mandaram Ernesto Che Guevara para o suicídio bolivariano, nomeadamente Fidel Castro às ordens do Politburo que então governava a URSS e estava farto das heterodoxias do revolucionário sul-americano, apareçam ainda hoje como fiéis herdeiros do seu pensamento.

Se Che não tivesse embarcado na armadilha que lhe montaram, como teria reagido ao evoluir da política cubana? Teria continuado em rota de colisão com o pseudo-socialismo soviético?

O facto é que ninguém sabe. Os mortos fazem-nos falta, mas não são nossos.

 

Ninguém é dono dos ses que podemos construir sobre o que acharia hoje Fulano ou Sicrano sobre o estado a que chegou a democracia portuguesa.

É que se muitos se preocupam com as más companhias de José Sócrates, eu digo que é ele a má companhia, sempre o foi, exemplo de arrivista sempre metido em trapalhadas obscuras, pisando quem for preciso para satisfazer uma ambição pessoal desmedida, político de uma geração que se fez em busca da carreira e cuja única causa sempre foi a sua. Não consigo defender um estado de direito onde os governantes passam incólumes a despeito de ser pública e notória a forma como se usam do estado em proveito próprio.

O que pensaria sobre isto Salgueiro Maia? Ninguém sabe, nem os que dele estiveram mais próximos, nem os que nunca o conheceram pessoalmente.

Ninguém é dono do pensamento dos outros, mesmo tendo sido seu camarada, nem das homenagens que quem o entende lhe queira fazer. Muito menos quem não é capaz de entender que num blogue se podem expressar ideias contrárias,e que mesmo com alguns abusos de linguagem consigamos coexistir pacificamente.

A terra é de quem a trabalha como os filhos de quem os ama, lembrava Brecht referindo-se a Salomão. E os mortos de quem os homenageia, acrescento eu, mesmo que tal por vezes nos traga amargos à boca.

 

Esperteza Saloia

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GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA

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O Ministro Teixeira dos Santos é tudo menos incompetente, digo eu.

Desde 2007 que o governo do nosso país se confronta com um processo que a Comissão Europeia abriu contra Portugal, por haver uma dupla tributação, quando se aplicava o IVA sobre o ISV, no preço dos automóveis. Com a excepção da Polónia, nenhum outro País praticava tal acção, e o preço dos carros nesses Países era menor.

Apertado pela Comissão, já há muito tempo, e pela opinião pública do nosso País, o governo, pela mão do Ministro das Finanças, resolveu actuar. Demorou um bocado de tempo, pois que, na anterior legislatura, nunca sentiu necessidade de o fazer, já que podia, queria e mandava. Agora, as coisas mudaram, e a maioria relativa obriga a fazer algumas coisas.

Ora, como disse no início desta crónica, o Ministro Teixeira dos Santos, será tudo, menos incompetente, e com algum esforço, pôs-se a pensar no assunto. Pensou, pensou, pensou tanto que a cabeça lhe ficou ainda mais branca, e descobriu o ovo de Colombo.

Faria desaparecer o IVA sobre o ISV, e aumentava o ISV no mesmo valor. O homem é mesmo um mestre no seu trabalho, e assim, no próximo orçamento para 2010, já esta «coisa» estará devidamente implementada.

A falsa notícia de acabar com o IVA sobre o ISV, é um gato escondido com o rabo de fora, uma esperteza saloia, digna deste governo, a exemplo de muitas outras a que nos foram habituando.

O ACP, tinha-se congratulado com a notícia do fim do IVA sobre o ISV, em comunicado e tudo. Nesta altura já deve estar a preparar um outro.

Os preços dos automóveis vão manter-se com o mesmos níveis de impostos, as vendas dos carros vão continuar a cair, os Portugueses vão continuar a sofrer, e o governo de Sócrates II, O Dialogador, para além de continuar com, pensam eles erradamente, as mesmas receitas, vai deixar de ter aborrecimentos com a Comissão Europeia.

Com amigos desta jaez no governo de Portugal, porque precisamos de nos queixar da crise mundial?

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As AEC's e os seus escravos

As Áreas de Enriquecimento Curricular (AECs) são uma medida criada pelo Governo que prolonga o horário das actividades nas escolas, nomeadamente através da promoção do ensino do inglês e da música. Sendo uma política do Ministério da Educação, as responsabilidades de contratação dos profissionais que assegurem estas áreas são da responsabilidade das autarquias. O Ministério transfere uma verba por aluno por ano para as autarquias, que depois asseguram a existência das AECs. Dada a ausência de regras claras, as AECs têm resultado em situações muitas vezes delicadas para as escolas, as crianças e os profissionais. 

No que a estes últimos diz respeito, as AECs são, em muitos casos, asseguradas por trabalhadores precários com reduzidos direitos e reduzido salário. Muitos destes profissionais trabalham para empresas que os angariam através de falsos recibos verdes e que se apropriam de uma parte da verba que o Ministério transfere, ou trabalham em condições de precariedade para empresas municipais que acumulam à custa destes trabalhadores, os quais vêem negados os direitos básicos que qualquer trabalhador deveria ter, quer ao nível do reconhecimento, quer em termos de protecção social (na doença, no desemprego, na segurança em relação ao emprego). 

No caso específico do Porto, a política educativa implementada este ano lectivo de 2009/2010, pela Câmara Municipal é polémica e imoral, pois lançou a instabilidade entre os professores das AEC´s e nas EB1 do Porto, em consequência do concurso público internacional para a entidade gestora.

 

Deste modo, em vez de melhorarem as condições de trabalho dos professores (tal como estipula o decreto-lei 212/2009 de 3 de Setembro) pioraram a condição já precária dos falsos recibos verdes. 

É urgente que pais, educadores, coordenadores e professores tenham conhecimento de toda esta situação.

 

É urgente que saibam que as autarquias recebem 100 euros por ano, por aluno, para cada disciplina. Isto significa que se estimarmos o número anual de aulas em 50, isso corresponde a 2€ por aluno, por hora. Isto corresponde, numa turma de 20 alunos a 40 euros por hora que a autarquia recebe. Ou seja, paga 11 e guarda 29 Euros. Este valor é variável em função do número de alunos por turma. Em 50 aulas corresponde a um lucro de 1 450 €, em cada disciplina e em cada turma. Se multiplicarmos este valor pelo número de turmas e de disciplinas, estamos a falar de um negócio simpático, sobretudo porque não há nenhum investimento em materiais didácticos, nem em instalações.

 

É urgente que saibam que os professores deixaram de ser pagos para fazer as planificações, articulação entre as disciplinas, presença nas reuniões e quaisquer outras situações normais provenientes da docência, que obrigam um professor a estar na escola, pois a nova entidade gestora apenas paga em função da hora leccionada retirando do seu vencimento a componente não lectiva, (reuniões, planificações, participações em festividades, actividades, etc.). 

Porque é urgente partilhar informação sobre esta situação e juntar as pessoas que se encontram nesta condição, porque é urgente juntar a solidariedade dos pais e dos encarregados de educação, porque é urgente juntar todos aqueles que não querem que os seus impostos sirvam para este enriquecimento ilícito de autarquias e/ou empresas angariadoras de profissionais que é feito à custa da precariedade dos professores, porque é urgente tornar esta situação visível e reagirmos a ela, vai realizar-se no dia 5 de Dezembro uma reunião aberta que visa debater a situação precária que se vive actualmente nas Escolas Básicas de todo País e pensar acções a levar a cabo a partir do caso que se vive no concelho do Porto

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A Cena do Ódio

Há horas felizes. Este poema de Mestre Almada tem um recanto muito particular nas minhas devoções. Acabo de o encontrar youtubado na versão dita e aqui também teatralizada do Mestre Viegas.

Obrigado a um tal pf67 que ali os colocou, juntamente com mais umas tantas coisas que ainda aqui virão parar.

 

 

 

 

 

 

Clube dos Poetas Imortais: Manuel María (1929-2004)

 

Se há poeta que se justifique figurar neste clube, é o galego Manuel María. Tenho evitado, no que se refere aos portugueses e aos brasileiros, incluir gente muito famosa, muito estudada por críticos literários e objecto de teses académicas. Gente que será imortal sem a minha modesta ajuda. Porém, africanos lusófonos e, sobretudo, galegos (porque há quem hesite em os considerar lusófonos), mesmo famosos nos seus países, são pouco ou nada conhecidos entre nós. Manuel María é uma das vozes mais emblemáticas do ressurgimento do galego como língua literária. Grande poeta, escreveu obras como «Mar maior» (1963), «Os sonhos na gaiola» (1968), «Remol» (1970), «Cantos rodados para alheados e colonizados» (1973), «O livro das badaladas» (1977), «O caminho é uma nostalgia» (1985), «As lúcidas luas do Outono» (1988), «Os longes do solpor» (1993) e tantos outros – cerca de três dezenas de obras.

 

 

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Manuel María, nasceu em Outeiro de Rei, em 6 de Outubro de 1929 e faleceu na Corunha, em 8 de Setembro de 2004. Filho de camponeses, exaltou na sua obra o labor dos trabalhadores do campo, dos labregos. Foi um homem que não fugiu ao compromisso político, mas sem esquecer a dimensão humana no seu todo, incluindo o amor e a fraterna amizade. Da obra «99 Poemas de Manuel María» (Razão Actual, Porto, 1972), seleccionei «O labrego». De notar que a palavra «labrego», que para os portugueses pode ter uma conotação levemente pejorativa, para os galegos é o vocábulo usado para «camponês»:

            O Labrego

            Un labrego tan só é unha cousa

            que case non repousa.

           

            Da sementeira a seitura,

            pasando pela cava,

            a súa vida é moi dura

            e moi escrava.

 

            Sempre trafegando,

            arando,

            sachando,

            malhando,

            gadanhando,

            percurando o gando.

 

            Sempre a olhar pró ceo

            com medo e com receo.

            Sempre a sementar ilusión

            ponhendo na semente o corazón

            pra colheitar probeza e mais tristura.

 

            Dilhe ao labrego da beleza

            da campía,

            da súa fermosura

            e poesia.

 

            Dírache que sí,

que a beleza pra tí.

 

Pró labrego é o trabalho

o andar tocado do caralho,

o pan mouro i o toucinho.

 

(Múdanse de calzado ou de traxe

cando van de viaxe,

de feira ou de romaxe

 

e xantan, eses días, pulpo e vinho);

 

os eidos ciscados, minifundiados

que quér decir atomizados);

o matarse sachar de sol a sol

pra lograr seis patacas

com furacas,

catro grãos de centeo i unha col;

o dobregarse sobor dos sucos

pra pagar gabelas e trabucos;

o vivir entre esterco i animales

en chouzas case inhabitabeles.

 

I aguantar, aguanta e aguantar,

Agardando morrer pra descansar.

 

 

 

Portugal é mais corrupto do que a Itália, ou o nojo de ser português

via 5 Dias

 

Pode o «ranking» da corrupção percebida dizer que não, mas a verdade é que Portugal é mais corrupto, muito mais, do que a Itália. Eles têm a Máfia, mas não lhe dão tréguas. Quanto à Justiça, não tem qualquer problema em levar à barra do tribunal o próprio primeiro-ministro e acusá-lo de corrupção.

Em Portugal, temos uma outra Máfia organizada, a do poder político. A diferença é que, no nosso país, a Justiça é a guarda avançada desses poderosos que sabem que, quando são apanhados nas malhas de escutas ou de outros indícios, têm quem os protega. Arquive-se! Anule-se! Destrua-se!

Não falo dos Juizes e Magistrados de primeira instância, aqueles que têm coragem de extrair certidões e de dizer que o primeiro-ministro incorreu em crime contra o Estado de Direito. Falo das instâncias superiores, da Relação para cima – todos sabemos que só existem para guardar as costas dos poderosos. Entram em acção quando o resto falhou. Fazem parte, por acção e omissão, desta corrupção generalizada, desta parelha Política – Justiça que me faz ter nojo, ter asco de ser português, ter vergonha de ter nascido neste país de merda.

As escutas passaram pela Polícia Judiciária, pelo Ministério Público, pelo Tribunal de Primeira Instância, pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo Tribunal de Justiça. No total, terá passado por dezenas de pessoas. Não haverá um filho da puta que seja que pegue nas putas das escutas e as ponha escarrapachadas na merda da comunicação social?

Para que se veja, de uma vez por todas, de que massa é feita esta escumalha?

Arquivar é diferente de destruir

Arquivar é proteger, manter em lugar seguro e conhecido, sustar o prolongamento do processo, bem diferente de destruir, que é desfazer, arruinar .

 

Tentou-se destruir as escutas mas face às vozes avisadas e com peso que se fizeram ouvir, arrepiou-se caminho, não vá perder-se de vez a pouca credibilidade de quem decide.

 

E, a sustentação, "é que não há causas probatórias suficientes", isto é, há provas, falou-se nos assuntos , não são é suficientes.

 

É mais ou menos a diferença entre "oficialmente" e "oficiosamente", anda sempre tudo nas "bordinhas", não conhece, mas o tio conhece e os primos tambem, o antigo professor das notas ao Domingo, tambem anda envolvido, e os amigos telefonam…

 

O juiz de instrução de Aveiro é que pode começar a arrumar as malas, o Dr. Eurico Reis não falando no assunto em concreto, já veio dizer " que se não faz o que o seu superior hierárquico diz, rompe a relação de confiança " como quem diz, " os juízes são independentes podem e devem fazer o que a Lei manda, mas não fazendo…"

 

Isto é tudo como o "fogo de artíficio", começa com música e estrondo e acaba em lágrimas…

 

 

O que é educação

 

 

A questão parece simples. Ou, melhor, a pergunta. No entanto, ela sempre foi complexa e heterogénea. Há vários tipos definições de educação. A mais simples é dizer que educação vem do latim[1] e significa o que está na nota de rodapé de esta página. No entanto, tem significado para discutir, como esse o de domesticar. Não tenho esquecido três definições fornecidas por mím, em vários textos meus. Um desses textos, é um livro meu que cito ao pé de página[2], livro no qual, após ter analisado com uma larga equipa mais de 40 crianças da aldeia de Vila Ruiva em Portugal, Concelho de Nelas, concluí que educar era formar cidadãos para os subordinar às formas e costumes de ser do nosso país. Aliás, para fazer de eles pessoas impingidas de saber social. Nunca esqueço esses anos de 1988-1989, dias em que imensas crianças nos acordavam às seis da manhã para começar os nossos trabalhos entre as 9 e as 12 horas da manhã dos verões escaldantes do lugar. Eram  crianças entre os cinco e dez anos, hoje em dia todos profissionais de alguma parte do saber cívico ou com profissões que eu denomino doutorais. Doutorais, por haver dois tipos de saberes, o da mente cultural, definida no texto citado, conceito sobre o qual tenho um direito de autor oferecido a mim pela Sociedade Portuguesa de Autores ou SPA, conceito deduzido da minha observação de ver como os pais ensinavam as suas crianças: “pega no livro, vai ao quarto e lê, caraças”. Os pais mais nada podiam dizer, eles próprios nunca tinha ido à escola, ou se tiverem estado, era para se distrair a pensar no que mais amavam, semear batatas. O convite ao estudo não era por isso pouco amável, era a ambição de progenitores a quererem ver aos seus descendentes angariar a vida, impingindo o seu saber na interacção social. Objectivo bom, mas mal entendido para que os pudesse orientar dentro das avenidas do saber doutoral, esse saber pretenso de ser conhecido por poucos mas solicitado a todos. Especialmente hoje em dia, ao ser mandado aos docentes de qualquer grau de ensino, avaliar a sua actividade, um dia após outro. Esta avaliação que acaba por esmorecer a actividade dos docentes: preparar aulas, estudar para saber o quê dizer, escrever ideias novas de academia, explicar cada palavra da sua aula e, no fim de um dia bem ganho com a canseira de falar o dia todo no intuito de fazer dos mais novos cidadãos sábios, ou pelo menos submetidos ao braço da lei, reunir todos eles para, como hoje está mandado, avaliar o desempenho do dia. Dia que começam às 8 da manhã e acabam tarde, quase noite, pelas 20 horas. É este modelo que tenho auscultado ao analisar crianças Picunche, no Concelho de Pencahue, Província de Talca, no Chile do falecido ditador. E é este mesmo modelo que manda aos municípios, homens de política, orientar as escolas primárias e secundarias de sua jurisdição, o que em Portugal, seria uma Freguesia. Parece-me que o conceito freguês é adequado: obediência, disciplina, ver, ouvir e calar. Formas ditatoriais de definir a transferência de saberes de uma geração a outra, sem um carinho que arrebite o cansaço dos mais novos ou premeie com mais um dúzia de tostões, o deboche imerecido da exaustão desse desmerecido fim de dia. Especialmente entre os docentes de ensino especial, que reúnem sempre, dia após dia, para comparar a metodologia de João de Deus, trazida para nós por essa grande minha amiga, antiga subsecretária da educação,


[1] Do lat educare v.educarev. Tr., desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais a; instruir; doutrinar; domesticar; em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx

 

 

[2] A construção social insucesso escolar. Memória e aprendizagem em Vila Ruiva, 111 páginas, especialmente página do livro em formato de papel: p.87, Capítulo 8: “A sabedoria das crianças”, Escher (antes) Fim de Século hoje, 1990 a, em várias entradas Internet de: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+constru%C3%A7%C3%A3o+social+do+insucesso+escolar&spell=1 

Ana Maria Toscano de Bénard da Costa[1], que nem por isso tem sido ouvida. Ou a opinião dos que trabalham com os que sofrem do espectro de autismo, imensos em Portugal, o meu antigo orientado de doutoramento, José Manuel Pombeiro Cravo Filipe[2], educador especial.

Uma segunda ideia que aparece no meu pensar, é que educar é a ternura de transferir saber dos adultos aos mais novos. Um saber que não está em livro nenhum, que reside na mente do educador e que, por acaso, se pode encontrar na vida social e natural. Os textos estudados por mim para entender o processo de ensino-aprendizagem, têm-me ensinado esta ideia. Essa grande dúvida de todo o educador, que entende que ao ensinar, aprende com as perguntas colocadas pelos mais novos, questões com emotividade, racionalidade e erudição retirada da vida social e do saber histórico pragmático do sítio onde os mais novos moram. Todo o bairro, vila ou aldeia nos países do mundo, têm dois mapas: o que está no saber dos estudantes que andam pelo seu desenho de corta mato, desconhecido pelos docentes que têm a delicadeza de andar pelos passeios, pelas ruas e as cruzar por passadeiras. Passadeiras que muitos de nós nem respeitamos na infantilidade que fica sempre dentro de nós ao desafiar, de forma parva, aos carros que vêm de longe, a alta velocidade, mais outro adulto infantil que faz das ruas, estradas….Não é por acaso que, ainda sem carros mecânicos, os sábios gregos definiam educação como processo que leva à democracia[3].

Estas são ideias que usamos com Paulo Freire, asilado no Chile ao ser perseguido pelo Ministério da Educação. A sua pedagogia é simples e a aprendi com ele na acção: todo o mundo sabe; é preciso retirar esse conhecimento e fazer razoar a mente que pensa. As escolas apenas precisam levar aos estudantes aos sítios materiais dos quais o saber é retirado, sem o indivíduo saber que sabe. Na segurança lógica do conhecimento, esta é a educação. É por isso que a denomino processo de ensino-aprendizagem. A cultura doutoral não é superior à prática pragmática de saber entender a vida natural. Aliás, digo eu, a cultura doutoral perverte os professores e as suas autoridades, que mandam avaliar o que se faz cada dia. Os mais novos precisam de adultos que os amem e descansados, para poder raciocinar e assim ensinar. Toda outra actividade não é apenas ilegal, bem como anti pedagógica. É a consciência do professor o que o faz saber o que, como e quando dizer e não a burocracia. Essa ministerial mata o necessário amor ao ensino, pois quem nunca ensinou, nem faz ideia do que é o processo de ensino-aprendizagem. Esse processo é vivido, não decretado. Os decretos são os assassínios do saber, especialmente ao serem ditados pela afamada Sociologia Industrial, que, por vezes, nas suas práticas, dão cabo do saber das crianças, os proletários do saber, com a burguesia a possuir os meios de produção pedagógico nas suas mãos inexperientes. Educar é saber com amor sem perseguições e controlos quotidianos que matam a quem sabe.

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[1] A sua biografia e opinião sobre o que eu denomino processo educativo, pode ser lido em: http://sinistraministra.blogspot.com/2008/03/entrevista-ana-maria-bnard-da-costa.html

[3] Aristóteles, 330 antes da nossa era, no seu texto: Ética a Nicómaco, diz, em síntese:A educação deveria inculcar o amor às leis – elaboradas com a participação dos cidadãos –, mas a lei perderia sua função pedagógica se não se enraizasse na virtude e nos costumes: "a lei torna-se simples convenção, uma espécie de fiança, que garante as relações convencionais de justiça entre os homens, mas é impotente para tornar os cidadãos justos e bons". Livro escrito para o seu filho Nicómaco, especialmente Livro I, capítulo X, em: http://www.analitica.com/bitblioteca/Aristoteles/nicomaco01.asp#l1c2, sítio para ler o texto inteiro. É assim que o livro e também denominado “…o da Educação”. Ideias usadas por Émile Durkheim para os seus textos de pedagogia.

 

 

 

 

 

Juiz de Aveiro não destrói escutas

O Juiz de Aveiro é o titular do processo "Face Oculta" e o que acontece em Lisboa nada tem a ver com a instrução que corre no local.

 

O Juiz já informou que não irá destruir as escutas que fazem parte integrante do processo e que são relevantes para o apuramento da verdade. E que podem servir de prova aos arguidos no processo.

 

As escutas foram autorizadas para seguir Vara, são da inteira responsabilidade e da competência do Juiz titular local. E todos os indícios que apontem para comportamentos criminais, sejam de quem for, têm que ser investigados. Não pode ser de outra maneira, como está bem à vista de quem quer ver.

 

Se e só se a escuta  tivesse como objecto o PM é que seria necessária uma autorização prévia do STJ. Índicios  encontrados nas escutas, envolva quem quer que seja , são da competência do Juiz de instrução local. Claro, que em Lisboa podem sempre destruir as escutas, até podem destruir a verdade, não podem é escondê-la !

 

Com esta posição do Juiz, com o interesse de Manuela Moura Guedes se constituir como assistente do processo e com os advogados dos arguídos a mandarem recados públicos, para o processo ser extinto, tudo se conjuga para termos aqui uma bela caldeirada.

 

Alguma vez "as cabalas", "as campanhas negras" ou "a espionagem política" se transformarão em acções resultantes do Estado de Direito em que supostamente vivemos.

No Centenário (5): direitinho ao dr. A. Santos Silva

 

Aqui está o tipo de "democracia" que os do Centenário querem fazer-nos comemorar!

 

 "Hontem, por volta das 9 horas menos um quarto da noite, o sr. José Pereira de Sampaio (1) descia, só, tranquilo e socegadamente a rua Sá da Bandeira, desta cidade.  Atravessou a rua, vindo da tabacaria Gonçalves, o dr. Affonso Costa, acompanhado de vinte indivíduos, aproximadamente. Subito, o dr. Affonso Costa, dirigindo-se ao sr. José Sampaio, berrou-lhe: – Ah, seu canalha! E, levantando a mão armada de um "box de ferro", assentou-lhe uma forte pancada na cabeça. Logo, os indivíduos que acompanhavam o dr, mettendo-se na contenda, agarraram os dois, mas permittindo que o dr. Costa continuasse aggredindo violentamente o sr. José Sampaio. (…)"

 

Jornal Voz Pública, 12 de Janeiro de 1902

 

(1) (Sampaio Bruno, que entretanto se desfiliara do Partido Republicano) 

Maria de Lurdes Rodrigues nunca existiu

Atirado para o caixote do lixo da história o tão defendido modelo de avaliação de professores e abolida a obtusa divisão da carreira entre professor e professor titular, em breve se poderá dizer que Maria de Lurdes Rodrigues nunca existiu.

Ou melhor, existiu em forma de nódoa. Estas nódoas saem com terebentina. E ontem, no Parlamento, já começou a sair.

Como se inventam notícias

Hoje os jornais e televisões arranjaram uma notícia que diz tudo dos métodos a que estes senhores da Comunicação Social, recorrem, para vender .

 

O José Godinho, o preso, esse, ganhou seis concursos públicos lançados pelo exército.

 

É óbvio que estes concursos públicos para terem resultados agora, foram lançados há vários meses atrás, quando não havia "Face Oculta" nem o Godinho estava arguido, nem acusado e muito menos preso. Depois, quem concorre, são as empresas e não o sr. José Godinho, entidades distintas. Como lembra, aí em baixo o José Magalhães, as empresas sucateiras continuam a precisar de fazer negócios, pois têm vencimentos para pagar.

 

Mas, os senhores jornalistas, usam mais crimes para fazer notícias do que os crimes que supostamente noticiam. É que agora já aí temos os gentios a dizerem que até o exército…

 

No entanto, esta falsa notícia não tem castigo e percebe-se bem porquê. Alguns agentes da Justiça precisam dos jornalistas e estes precisam de vender papel para ganhar a vidinha, e portanto, tudo isto é um círculo mafioso em que notícia encobre o que importa e lança suspeitas. O sr Godinho ganhou? ah! aí está mais uma "Face Oculta"!

 

Difamações que deviam envergonhar estes senhores que se dizem jornalistas, que se humilham, diariamente, a fazer fretes.

 

Bastava falar, previamente, com um representante do exército, não era?

 

O Regresso A Um Certo Passado

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MARCELO DEIXA ANTEVER UM REGRESSO

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A ala caquética do PSD anda contente. O Professor Marcelo deixa, nas entrelinhas e em privado, perceber, que em Janeiro, quando a actual líder marcar as directas, avança para lutar pela liderança.

Passos Coelho, não vai ter vida fácil nessa luta.

Não estou convencido de que Rebelo de Sousa seja o melhor para o partido, e muito menos para o País, do mesmo modo que me parece que Passos Coelho, também o não é. Mas pelo que se vai vendo, não aparece ninguém, com perfil e capacidades para se candidatar, e mudar radicalmente o PSD. Este partido tem de deixar de seguir, para ser seguido, ou corre o perigo de, aos poucos, passar a ser um partido marginal. E nem um nem outro dos candidatos, parecem ter o necessário para o conseguir.

Com o sr Professor Marcelo, regressamos a um certo passado que não tem muita glória. Com o sr dr Pedro, avançamos sem a força e o carisma necessários para fazer a diferença.

Os deuses nos ajudem, antes que o céu nos caia em cima da cabeça.

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O negócio dos telemóveis na Somália

 A Somália vive há anos mergulhada no caos. Assolada por terríveis  secas, dilacerada pela guerra civil, dividida entre as forças que apoiam o governo interino e a União das Cortes Islâmicas, sem um governo central, sem uma força policial organizada que actue em todo o território, com uma esperança média de vida que não chega aos 50 anos, uma economia tão esfrangalhada que 3 milhões de xelim somalis só valem 100 dólares americanos, considerada pela ONG “Transparência Internacional” como o país com a governação mais corrupta do mundo, e com as águas ao largo do Corno de África pejadas de piratas, a Somália é um dos infernos na Terra.


Mas apesar de todos estes entraves, a Somália acolhe hoje um florescente negócio de telecomunicações, centrado em três grandes operadoras que expulsaram as pequenas empresas do negócio e fizeram crescer o mercado até ao impressionante número de 1.8 milhões de utilizadores de telemóvel. E uma delas está mesmo a tentar estender a sua rede aos portos costeiros usados pelos piratas que, pobre gente, têm estado até agora condenados a usar os caríssimos telefones por satélite.

 

As operadoras garantem que este negócio é fundamental num país em que ninguém sabe se os familiares e amigos ainda estão vivos. Não dizem quanto estão a ganhar mas lembram que, ainda que lucrativo, este negócio é arriscado já que muitos funcionários faltam por razões de segurança e, digo eu, os clientes são pobres e morrem muito.

Mas o negócio está a atrair investidores e já se pensa avançar para as redes 3G brevemente.

 

Li esta notícia tão optimista para os mercados aqui e fiquei a pensar nas assombrosas virtudes do capitalismo que permite que um país tenha condições para gerar um negócio de telecomunicações lucrativo mas não para assegurar comida, trabalho, educação, cuidados de saúde, segurança, justiça, liberdade de circulação, ou protecção da maternidade e da infância aos seus cidadãos. Em compensação, por 0,10 dólares americanos por minuto podem falar para qualquer cidade do país. Sempre, naturalmente, que do outro lado haja ainda alguém para atender. 

Face Oculta

A "vox populi" pensa que a montanha vai parir um rato.

Até pode ser verdade.

No entanto, sente-se já no terreno um efeito muito positivo: basta falar em Ministério Público para as entidades adjudicantes começarem a tremer e recearem as costumeiras ilegalidades, tendo abandonado a postura do quero, posso e mando, para algo mais parecido com o " deixa ver se passa". O que é um avanço poderoso no combate à corrupção e ao tráfico de influências.

A mão de Henry é a mão do diabo

Não é a mão de Deus. A mão de Maradona foi um prodígio de classe, "apenas" deu o que faltava ao "génio" de Maradona. Altura!

 

Dois jogadores a disputarem uma bola, a sós, em plena área onde o inglês podia ir com as mãos acima do seu 1,90 m de altura. A mão de Deus foi necessária para dar sentido à disputa.

 

Ainda hoje é dificil ver se anda, ou não, ali a mão de Deus. É tudo bonito, como de um bailado se tratasse.

 

A mão de Henry é a mão do "diabo", não é mão subtil, é mão, braço e ombro "sucateiros", arrebanha ganancioso uma e outra vez, face oculta de um querer vencer de qualquer jeito.

 

A mão de Maradona faz-nos sonhar,como tambem o teatro é fingimento, que nós perdoamos por ser tão belo e sonhamos. É o segredo do poeta esse "fingidor" criador de beleza a partir do nada.

 

E entre os dois há a mão de Vata a dar sentido humano a Deus e ao diabo, uma mão humana, receosa, envergonhada.

 

Foi o vento…

 

 

Será Que Querem Que As Empresas Fechem?

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FOMENTA-SE MAIS DESEMPREGO?

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Segundo a notícia dos jornais, uma das empresas do sr Godinho, ganhou mais um concurso.

Segundo os mesmos jornais, até parece que a dita empresa, a O2, nem deveria concorrer, ou concorrendo, não deveria ganhar.

Que querem estes senhores? Que pelo facto de o gestor da empresa estar com processos em tribunal, e indiciado pela prática de crimes, a empresa feche? E quem lá trabalha, não importa o que lhes acontece?

Será que já não há mais limites ao que se deixa entreler nas notícias?

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Poemas com história: Falemos de paisagem

 

Novamente, com este poema de 1968, coloco a questão da forma e do conteúdo, neste caso incidindo sobre o «tema» do «conteúdo». Numa altura em que até poetas de insuspeito cariz democrático poetavam em torno de temas inócuos, transmitidos através de uma linguagem gongórica que, trocando as voltas à polícia e à vigilância censória, as trocavam também aos leitores que não fossem «do meio», tornava-se necessário, com todos os riscos que isso envolvia, falar dos problemas concretos que nos afectavam – a fome, a miséria, a guerra colonial, a emigração, a falta de liberdade – e deixar essas temáticas mais elevadas para quando o essencial tivesse sido conquistado. Exaltar a beleza da paisagem era inútil, se o poeta se esquecesse de que nessa paisagem maravilhosa havia pessoas trabalhando de sol a sol a troco de soldos de miséria.

No seu livro «Remol», publicado em 1970, o poeta galego Manuel María publicou um poema de sentido muito semelhante – «A paisaxe é fermosa», na minha opinião com uma qualidade poética muito superior à do meu poema, mas com um sentido geral muito semelhante. Não se pondo sequer a hipótese de ele se ter inspirado no meu tema, a coincidência leva-nos à conclusão de que, submetidos a condições semelhantes, os homens, neste caso os escritores, reagem de forma também similar. Este meu poema foi publicado em 1968 no livro «A Voz e o Sangue». Foi lido em numerosas sessões pelo actor e declamador Armando Caldas ao qual aproveito para agradecer a atenção que, nesses tempos difíceis, dispensou à minha poesia.

Falemos de paisagem

Mas, como podíamos cantar

Com o pé estrangeiro sobre o coração?

Salvatore Quasímodo

(Giorno dopo giorno)

 

           

       Como queres, amigo, que haja flores nos meus versos,  

            como queres grinaldas e primavera no meu poema?

            Em meu redor há homens humilhados, crianças

            descalças e com fome, mulheres grávidas

            trabalhando a terra. Como queres, amigo,

            que eu veja esse tal céu azul de que tu falas,

            esse sol eterno, que cante a beleza da paisagem,

            se o sofrimento humano altera a cor das coisas?

            É cinzenta a paisagem, é cor de cinza o céu,

            por isso os meus poemas são cinzentos e sem beleza

            (acaso tem beleza a fome?).

            Sim, eu sei, poesia não é bem economia política

            e humildemente sei que após os meus versos

            tudo continuará cinzento – o dealbar

            não será erigido pelos meus poemas

            nem por quaisquer outros – mas sei também

            que a poesia deve ser a verdade do poeta,

            a sua maneira de explicar o mundo

            e de o tentar transformar. Por isso digo

            – um de nós está enganado e creio bem que és tu,

            pois me pedes uma poesia que não pode nascer

            de um homem que queira ser fiel ao seu povo.

            Quando o céu for azul, prometo-te, amigo,

            os meus versos o dirão e o meu poema será lírio,

            deixará esta cor de lama e de sangue.

            Quando o céu for azul, amigo meu  

            – antes, não!

 

 

Os inactivos ultrapassaram os activos…

Pela primeira vez o número de pessoas que não trabalham em Portugal ultrapassou as que trabalham!

 

Infelizmente, vitória atrás de vitória, o PS e o seu governo vêm caminhando, apressadamente, para a derrota final do país.

 

Maior desemprego de há 23 anos a esta parte, (10%) ; Déficite 8% ( não contando com a desorçamentação ); Dívida pública , acima dos 100% do PIB;

 

Ontem, na SIC -N , o Prof João Duque, admitia a hipótese de o governo não ter dinheiro para pagar o subsídio de Natal.

 

A UE aponta para um período de 8 anos, de estagnação da nossa economia, em que o PIB não vai crescer, o que quer dizer que não haverá criação de emprego. Haverá jovens entre os 30 e 40 anos que não mais terão emprego, a não ser que saiam do país.

 

A seita (oculta) que nos desgoverna ainda não está saciada. Estão desde 1996 no poder com uma interrupção de 2,5 anos, em que para nossa desgraça, esteve lá outro pândego, que ajudou ao afundanço.

 

E o Presidente da República, não diz nada sobre a má moeda afastar a boa moeda?

 

 

 

 

 

Recado ao Ricardo, João Paulo e outros professores do Aventar

Como sabem cá o "je" frequenta lugares selectos onde se encontram pessoas selectas com quem se têm conversas selectas. Se não sabiam deviam saber e como tal, tudo o que vem aí a seguir não é da minha responsabilidade.

 

Poie é, hoje estive à conversa com a Dra Maria de Lurdes Rodrigues. Ela na mesa dela e eu na minha, mas ao lado um do outro. Ela não falou para mim e eu tambem não falava para ela, mas ouvíamos o que eu estava a dizer aos meus amigos conservadores (todos querem que os professores deêm ao pedal para chegarem ao topo) e eu ouvia o que ela estava a dizer aos seus amigos.

 

E às tantas estavamos num estranho diálogo, tendo como fundo a bela parede que está coberta pela arte de Keil do Amaral.( quem não sabe onde é, fica por aqui, porque se nunca bebeu um café a olhar para aquela maravilha, bem, estamos conversados) eu a falar para os meus colegas mas a responder ao que a ex-ministra dizia aos (dela) colegas de mesa.

 

Os meus amigos diziam tão mal dos professores que ela às tantas já olhava para a nossa mesa a ver se a ideia era mesmo estragar-lhe o fim de tarde, ou se teria ali encontrado os únicos apoiantes da "sua" avaliação. Uma das minhas amigas, até é professora, e dizia que não, a profissão é do pior, ter que aturar meninos que não têm educação nenhuma, etc e tal, o habitual, e os outros todos a dizerem que isso são os ossos do ofício…

 

Bem, adiante que é preciso ir ao que interessa. , e o que é que interessa, perguntam vocês, o que interessa é que eu às tantas com este meu feitio de comerciante, antevi logo ali melhorar as audiências do Aventar e vá de dizer alto e bom som que aqui escrevem alguns dos mais empernidos anti-Prof Lurdes , escrevem coisas que eu nem me atrevia a repetir tal era a falta de bom senso que grassa por este blogue, no que à Educação se refere.

 

Com nomes! Por isso não é de estranhar que entre os nossos leitores alguem esteja muito atento ao que hoje aqui se escreve. E esta história do "calendário" não abona em nada os "nossos" professores…

 

Abibe Tal (mais um conto da Guiné)

Abibe Tal

 

O abibe era muito feio. Negro como um tição. A única coisa que no seu corpo branqueava eram os dentes, inseridos à distância da boca. Mas tinha um coração grande, muito maior que a feiura. Não o coração de carne que lhe batia no peito, mas o irmão gémeo, o coração dos sentimentos e dos afectos.

 

O Abibe pertencia à milícia e era nosso empregado, ajudando na cozinha e na limpeza. Fez-se por sua livre vontade meu impedido, afeiçoado e amigo. Limpava o quarto, fazia a cama, conseguia arranjar uns mangos e umas bananas e tratava de tudo o que eu lhe pedia.

 

A densidade de incidentes bélicos no pequeno território da Guiné era muito maior do que nas outras colónias. A terrível fama da sua guerra alastrou como fogo. Comparada à do Vietname. Ser destacado para a Guiné constituía uma condenação ao apodrecimento e ao risco de regressar encaixotado. Os aquartelamentos eram rodeados de arame farpado e troncos de palmeira, com abrigos subterrâneos, frequentemente flagelados. Eu próprio ajudei a cavar trincheiras, ligando os nossos quartos às casernas e a uma enfermaria subterrânea, onde guardava soros e medicamentos de urgência, indispensáveis em situações de ataque. Em tais condições de vida, era grande o valor de um companheiro e amigo como o Abibe Tal.

 

 

Mas não era só a guerra o mal que se temia. As doenças constituíam outro flagelo que a ninguém poupava. Nem ao médico. Por isso adoeci com paludismo. Mais do que uma vez. Para quem não sabe, contrair o paludismo ou malária é uma coisa terrível. A doença mais espalhada no mundo, uma das mais frequentes nos trópicos, e terrivelmente penosa nos acessos agudos. Mais de 250 milhões de pessoas afectadas em todo o planeta. De características clínicas particularmente graves nas regiões tropicais. O surto febril é indescritível. Arrepio súbito e violento, grandes picos de febre, mal-estar do outro mundo, astenia intensa, machadadas na cabeça, palpitações, contracções, sufocação, sede de toda a água, fenómenos sensoriais indefiníveis, corpo derretido em suores por dentro e por fora. O tremor generalizado mais parece uma terramoto com epicentro no peito. O vómito não mede distâncias.

 

Neste estado o Abibe me encontrou.

– ché dotô, tu tá memo lixado, mim ter que dar mezinha, mim ter que ser dotô de dotô!

– Meu caro Abibe, preciso que me descubras sem falta uma galinha, custe o que custar, não consigo comer nada, e uma canja sabia de mais.

– Mim fala no Seco, dotô manga de favor a Seco, dotô sempre trata filho de ele, mulher de ele, dotô sempre dá mezinha todo família, ele tem que arranja galinha.

 

Pouco tempo depois o Abibe entra no quarto com a cara do avesso. Os dentes pareciam mais salientes e uns laivos de espuma apontavam os cantos da boca. Os olhos faiscavam de raiva.

– dotô, aquele fideputa diz ca tem galinha, manga de ingrato, mim sabe que ele tem galinha, ele escunde galinha mas eu mato ele.

– Deixa lá Abibe, tudo se há-de arranjar.

 

A noite caíra, mansa e quente, noite da Guiné. O meu corpo sossegara, trégua das sezões e da acção dos remédios. Novas réplicas do terramoto seriam de esperar, mas o que contava era o momento. Estava eu ruminando a fraqueza quando entra o Abibe sorridente, com todos os dentes de fora, segurando entre as mãos um prato de canja fumegante.

– dotô aqui tem canja, toma ela.

– Onde encontraste a galinha?

– Munto fácil, dotô, mim espera noite, Seco vai na reza, mim faz emboscada e fana dois galinha, pa hoje, manhã e outro dia.

 

O Abibe era solteiro e mais tarde ou mais cedo haveria de casar. Por isso precisava de quinhentos pesos e duas vacas, o preço da noiva. Eu disse que lhe daria tantos quinhentos pesos quantas as mulheres que ele comprasse, mas vacas é que não tinha. Quando me vim embora o Abibe continuava solteiro. Choramos os dois num abraço eterno de despedida onde cabia o mundo. Sei que ele faria feliz quem dele se achegasse.

 

Escreveu-me há uns anos, dizendo que tinha duas mulheres e oito filhos. Soube há pouco tempo que estava quase cego. Se fosse mais perto levava-lhe um prato de canja.

 

 

A magnífica cultura da diferença

Como o Ricardo Pinto recomenda que não escrevamos textos que não sejam apenas da nossa autoria, interrompo o que vinha a transcrever. Limitar-me-ei a textos meus que não ultrapassem as 20 ou 30 linhas.

Assim sendo, aqui vai uma pequena reflexão, após ter lido o bonito texto da Carla.

 

A avaliação de um ser humano, em todas as vertentes da sua vida, a sua natureza, o seu humanismo, o seu comportamento, a sua ética de vida, a sua actividade profissional, a sua relação com os outros, as suas capacidades, profissionais, literárias, artísticas etc. é uma avaliação profundamente subjectiva. Com efeito, cada um de nós é fruto de uma estruturação completamente diferente. Os caminhos da vida de cada um de nós foram e são diferentes, as emoções, os sentimentos e as vivências de cada um de nós nem sempre levam a que a nossa visão do mundo e das coisas seja idêntica. Há virtudes para uns que o não são para outros. Há verdades para uns que o não são para outros. E a vida é, ao fim e ao cabo, toda esta magnífica cultura da diferença.

 

Calendário (II)

O e-mail do Aventar foi inundado por críticas e insultos logo após a publicação deste «post» do aventador José Freitas. A mulher como simples bocado de carne posto à venda no mercado, a pornografia pura num blogue que se julgava sério, o «voyeurismo» de quem, no fundo, não percebe nada de mulheres. Os homens que gostam destas imagens são, afinal, os mesmos que vão às putas.

Estes foram alguns dos mimos com que nos atingiram. Sei que não era objectivo do José Freitas ofender espíritos hiper-sensíveis. No entanto, o Aventar sabe que leitor satisfeito é leitor que regressa. E como tal, aqui deixamos o nosso pedido de desculpas, com uma outra imagem para um calendário de 2010. Homenageamos sobretudo aqueles que não gostam de pássaras – porque no fundo, é disto mesmo que tratam todas aquelas críticas.

O novo rosto da política externa da União Europeia

Catherine Ashton, Baronesa de  Ashton of Upholland

Eu sei sei sei mas não resisti…

 

Pemas do ser e não ser

Traz-me aquela flor do fim da tarde

Subindo as escadas até mim

Traz-me a rosa a glicínia o girassol

Para que eu me iluda e me engane

Traz-me o alecrim e a alfazema

Deixa que pense que é assim

Que se faz um poema.

Não me venham dizer

Que é bom ser velho

Ser velho é uma merda

Que a gente embrulha conforme calha

Em palavras que nada dizem

Em gestos onde tudo falha.

Traz-me aquela flor do fim da tarde

Entre alecrim e alfazema

Traz-me as duas almas de um dilema

Para que eu abrace a ilusão

De criar um poema.