A islamofobia cheira a merda

 Aprendi uma palavra, islamofobia. Tenho algum hábito, quase condescendência, em co-habitar com a imbecibilidade humana, o tanto aperto a mão a um branco como o pescoço a um preto, as mariquices contra e pró, a inferioridade atávica das gajas, etc. e etc. O convívio é tanto que dou por mim a passear pelo lado das piadas racistas, homófobas e machistas, o que não é o fim do mundo mas é feito em ameno convívio com os filhosdaputa, coisa sempre desagradável a partir do nariz. Tenho um olfacto sensível que já sofre com os neo-cruzados, só me faltava uma guerra de religiões para empestar os ares, a pestilência dos cagões num regresso aos anos 30 em todo o seu esplendor, onde estava judeu troquem por islão e lá se levantam os cobardes à procura de um expiatório, bode ou cabra tanto se lhes faz.

O filhodaputa tem de ter medo, porque o medo é uma condição estimável para lhe dar ânimo à fanfarronice. Tem medo de si bate nos outros. Os filhosdaputa são cagões por natureza. E cheiram mal, cheiram a merda

Leiam o excelente destaque da edição de hoje do Público Online, "Discriminação contra muçulmanos está a aumentar em toda a Europa", passem os olhos pelos comentários e percebem logo do que falo e porque tenho a pituitária cheia de esterco mesmo sem ter chegado a fuçar.

GRIPE A

Quando ouvimos na TV que morreram quase 8 mil pessoas de Gripe A em todo o mundo, não temos sensações diferentes do que quando víamos o João Baião e o Macaco Adriano na SIC.

Trata-se apenas de um número e entra quase na definição de entretenimento… Só assim se percebe que um país como o nosso tenha a capacidade de ter três canais de TV com notícias nacionais. 24h.

Voltando ao tema, Gripe A.

Quando o vírus  bate à parte, deixamos o campo da TV e é a realidade crua e dura que nos entra em casa.

Hospital, linha 24, linha saúde pública – as perguntas que fazemos, sem respostas.

As dúvidas são SEMPRE mais que as certezas. O conforto que sentimos é zero.

E no meio disto tudo um pai, de uma criança asmática, com pneumonia… em fase de tratamento, com tamiflu já terminado e sem ver grandes melhoras… faz  o quê?

Vamos lá ver se isto é perceptível

Caro Charles Dickens

Eu sei que é estranho estar a escrever a um escritor que já morreu. Para já, põe-se o problema de como é que vai ler esta carta. Eu sinceramente não faço ideia a quem mandar. Para resolver isto, inspirei-me numa frase que uma vez li: “os grandes homens só morrem quando são esquecidos pelas pessoas”. Era qualquer coisa deste género. E o Mr. Dickens, sendo escritor, ainda mais imortal deve ser. Por isso, penso que vou deixar esta carta num sítio visível para que possa ver. Talvez no parapeito na janela. E decentemente traduzida. [Read more…]

Clube dos Poetas Imortais: António Maria Lisboa (1928-1953)

Poucos escritores portugueses, como aconteceu com o poeta surrealista António Maria Lisboa, que morreu tuberculoso e louco com 25 anos, terão num percurso tão curto como dele, marcado tão indelevelmente a literatura do seu tempo . Em «O senhor cágado e o menino», auto-retrata-se nestas palavras: «O Menino de bronze repousa na solidão da lua nasceu-lhe um olho de chacal que é o animal que só passa nos caminhos livres e são todos – os lobos é que andam à espreita – e o coração é de Leão. E esta é a sua Lealdade e o seu Amor como o Destino e o seu Sentido que tem e chama-se António Maria Lisboa.»

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Os bólides Estatais e a espionagem

Acelerar muito acima dos 50 kms/hora a que sou obrigado por causa dos radares, dá-me o direito de perguntar a que título é que os pópós do Estado são de grande cilindrada. Para andarem a 180/kms/h nas autoestradas ? Não é preciso serem carros de 150 000 euros. Acelerarem para não chegarem atrasados à tomada de posse do Governadores Civis? Não faziam lá falta nenhuma, não é razão para descerem a Avenida da Liberdade a 200kms/hora.

 

Não sei se já foram alguma vez a uma destas cerimónias de Estado. Aparecem lá as altas figuras, que aparecem em todas as cerimónias, fazem plateia, cumprimentam-se muito, mostram-se, grandes abraços ou então muito circunspectos, de grande cerimónia.

 

Estive nuns quantos mas nunca percebi bem ao que ía, bem, quando era o ministro ou o secretário de Estado aí, tudo bem, percebia, era como ir acompanhar a nossa equipa de futebol, mas quando aterrava numa cerimónia onde não conhecia ninguem é que cismava, "isto deve ter um objectivo". E tem!

 

Se está o chefe todo o pessoal tem que se perfilar, ai de quem falta, e então é uma correria, as cadeiras da frente, não chegar atrasado para os cumprimentos, não chegar depois do chefe, fazem a festa deitam foguetes, tudo acaba, com os bólides na rua a impressionar que há ali grandes segredos e grandes cabeças.

 

Ora como quem ía a acelerar eram os chefes dos espiões palpita-me que ou havia espionagem, ou está demonstrado que os espiões obedecem ao chefe !

 

E no meio de milhares de carros civis os dois bólides estatais têm que bater um no outro? Ou isto foi uma manobra digna de espiões para impedir que alguem chegasse a tempo de se mostrar?

 

Está bem, está…

 

 

Cavaco Silva, não tem nada a dizer ?

Face à situação economico-financeira do país, maior preocupação devemos ter com a situação política que ameaça tornar-se parte do problema.

 

O que se espera é que em vez de uma guerrilha os partidos, governo e oposição, encontrem soluções em conjunto para fazer face aos graves problemas que já estão aí e para os que se adivinham.

 

O FMI, apesar da sua "cartilha" que levada à letra configurava problemas sociais a curto prazo, não pode nem deve ser ignorado. A verdade, é que só saímos deste atoleiro onde governo após governo nos enterraram, se criarmos riqueza, sem isso só podemos empobrecer, e as medidas a tomar vão "varrer para debaixo do tapete" os problemas estruturais que há muito nos ensombram.

 

É uma "ideia" para o país que é necessária e que não se conhece, e não existe. o Presidente da República não pode olhar para este momento muito grave da vida nacional, sem usar todos os meios constitucionalmente reconhecidos, para conseguir juntar as condições necessárias às melhores soluções para o país.

 

Muito antes da "bomba atómica" da dissolução, o Presidente tem outros meios para influenciar decisões, quer ao nível da Assembleia da República quer ao nível do governo.

 

O país não pode ser governado "à vista" pelas sondagens!

Milho transgénico, histerias de verão, e "terrorismo"

A 17 de Agosto de 2007, cerca de 150 pessoas dirigiram-se para a Herdade da Lameira, perto de Silves, na região livre de transgénicos do Algarve, para fazer um protesto contra o cultivo de transgénicos. Na acção teve lugar uma ceifagem simbólica de menos de 1 hectare de milho transgénico.

O Algarve foi a primeira região portuguesa a declarar-se uma Zona Livre de Transgénicos. Esta propriedade, a primeira da região a cultivar milho transgénico da variedade MON810, violou a declaração e desrespeitou a vontade dos cidadãos.

Os activistas ofereceram publicamente para recultivar os 51 hectares de milho transgénico com milho biológico. A proposta foi rejeitada pelo dono da propriedade, que continua a cultivar milho transgénico.

Nos dias que seguiram a acção, a vasta atenção mediática que o MVE recebeu, instigou uma grande polémica, com ressonância em camadas do público em geral, do próprio movimento ambientalista, do governo e dos meios académicos. Nunca uma acção ambientalista recebeu tanta atenção na história recente em Portugal. Os destaques iniciais dos media não foram tanto sobre o tema da acção – a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em Portugal – mas antes na sua natureza espectacular e na sua componente ilegal. No entanto, numa segunda fase a atenção voltou-se também para o debate sobre OGM e os seus perigos. Por essa razão em particular, a acção do MVE foi considerada por muitas pessoas com preocupações ambientais como um grande sucesso.

Devido a esse sucesso, o actual governo, responsável por uma política favorável aos OGM, reagiu com agressividade, numa tentativa de isolar os activistas do MVE através de uma estratégia de criminalização. Esta estratégia chegou ao ponto de rotular a acção como um acto terrorista (Europol EU Terrorism Situation and Trend Report 2008). Algumas pessoas que foram relacionadas com o caso pela polícia, correm agora o risco de ser acusadas. Em geral, tornou-se mais difícil agir contra os OGM em Portugal. Os indivíduos ou organizações que o fazem, correm um grande risco de ficar sob suspeita e vigilância das autoridades.

Texto retirado da petição que pode ser assinada aqui.

O ser da mulher que amo e me saiba amar

 

 

 

 

 Falar de mulheres para os homens que gostamos delas, é um problema complexo. Especialmente, por causa da passagem do tempo. Não há apenas uma mulher na nossa vida, há várias, conforme a passagem do tempo. Sempre há a primeira, estou certo. Essa primeira namorada na nossa idade da puberdade. Idade de puberdade que me faz lembrar nos pré púberes, esses que apenas têm amigos para brincar a bola, andar de bicicleta, no meu caso, de cavalo, e pescar e caçar. Os anos são curtos, são um pestanejar. Ora temos 8 anos, ora somos púberes e, sem darmos por isso, uma manhã acordamos todos molhados, os famosos sonhos "húmidos" ou polução que nos deliciam no começo da puberdade…. enquanto durmimos.Donde,emissão espermática involuntária durante o sono. Essas primeiras ejaculações são sem lembranças de caras, de pessoas, de corpos: não temos experiência, a imagem falta. Um dia qualquer, descobrimos que o prazer sexual pode ser auto estimulado durante o dia e começa a masturbação. Até o ano 1991, a masturbação era definida como pecado ou ofensa a divindade que nos dera esperma para a procriação, definida pelos catecismos das várias confissões religiosas, especialmente a judaica e as cristãs, mal que derivava da ejaculação fora do corpo de uma mulher para não ter filhos com ela, começado pelo israelita Onã, e a masturbação passou a ser chamada onanismo ,coito interrompido antes da ejaculação.

Onã, ou Onan, é um personagem bíblico do Antigo Testamento, mencionado no livro de Gênesis</SPAN> href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%AAnesis"&gt;Gênesis como o segundo filho de Judá e, portanto, um dos netos do patriarca Jacó.

Er (personagem bíblico)" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Er_(personagem_b%C3%ADblico)">Er, o primogénito de Judá, segundo a Bíblia, era mau e teria sido executado por Deus por um motivo não mencionado.

Como Er não tinha deixado descendência, Judá mandou que Onã, seu segundo filho, realizasse o casamento de cunhado (também chamado de casamento levirato) com Tamar, viúva de Er (Gênesis 38:6-8). Assim, se tivessem um filho, a herança de primogénito lhe pertenceria como herdeiro legal de Er. Porém, se não tivesse um herdeiro, Onã ficaria com a herança de primogénito.

Ao ter relações sexuais com Tamar, a Bíblia diz que Onã "desperdiçou o seu esperma na terra,ou seja, não a inseminou, jogando dessa forma fora seu esperma , conduta essa que aborreceu a Deus que tirou sua vida (Génesis 38:9-10).Os anos não ficam parados. Aparece a nossa primeira namorada, beijamo-la com paixão e esfregamos o nosso corpo contra o corpo dela, e, enquanto a beijamos, um líquido quente corre entra as nossas pernas e as calças, as vezes estimulado pela própria rapariga que obtinha o seu próprio prazer aos seus catorze anos, ao sentir o prazer do rapaz. Pelo menos, na infância de nós, Aventares, época na qual havia dois tipos de mulheres: mulheres para se deitar com elas; e mulheres para casar que apenas podiam ser tocados, conforme a classe social ou as solicitações dos namorados. Vulgares eram na nossa juventude, matrimónios apressados pela gravidez da noiva; vulgares eram matrimónios burgueses com uma noiva vestida de fato de boda branco, largo,com imensos veus bordados a cubrir o corpo da cabeça aos pés e esconder uma pequena barriga. É suficiente lêr Isabel Allende, 1982, La Casa de los Espiritus, Plaza e Janés, Barcelona, para sabermos do casamento de uma mulher grávida que, por aristocracia, devia ocultar a sua falta de castidade, esse horror ao qual nos condenara o Concílio de Trento no Século XVIHoje em dia, a recuar no tempo-antes o ritual era apenas para a aristocracia-, os namorados começam a viver jntos desde os primeiro dia e casam apenas a mulher fica embaraçada, caso casarem!

Se eu casar outra vez, qual é o ser que procuro para essa união? Mulher que fique em casa a ser atendida?Mulher académica?

Ou mulher que saiba amar e dar paz e calma ao machismo de nós, homens?Este foi, é e será a imagem eterna da minha vida amorosa. Mulher que saiba aceitar o amor e os desvarios do seu homem, que entenda a sua luta pela vida, que fique sempre a nossa espera, cansada ou não, como nós fazemos por ela. Mulher que saiba sentir o nosso profundo amor, quase servil e tome conta connosco de uma imensa criançada, saiba rir, seja recatada, não impinja em nós a sua intelectualidade superior, comente as nosssa leituras e saiba acolher com encantamento essas carícias prévias a nossa penetração, com um amor que olha nos olhos e saiba suspirar no minuto final do nosso encontro íntimo, até adormecer nos nossos braços, protegida por nós e nós por ela! Que sou machista? Longe de mim!, esse sentimento, nunca o viví. Que sou um romântico….? Quem me leia julgará. Mas, tenho amado desde o princípio até o fim da minha vida essa mulher que é o meu romance, jovem, adulto ou velho, como esse amor que nos disenha García Márquez no seu Amor nos tempos do cólera. Tenho amado profundamente esse ser

 

 

 

FMI – a falta de liderança em Portugal

O relatório do FMI para além de arrasar a visão ídilica do governo, e de propor uma série de medidas que pouco ou nada têm a ver com a política do governo, termina com uma recomendação "letal". Portugal precisa de liderança!

 

O que devemos entender aqui por liderança? Que Sócrates não é um líder ?

 

Na minha opinião Sócrates não é um líder, é um guerrilheiro, isso sim, mas líder nem pouco mais ou menos. Mas no que ao FMI diz respeito, julgo que o que está subentendido é não haver uma "ideia" para o país.

 

Portugal, após o grande desígnio nacional de se juntar à UE, quer ser o quê enquanto país?

O país injusto e pobre que é, após os muitos milhões que vieram da UE ? Viver do turismo, dos campos de golf, das autoestradas e das pontes?

 

Qual é a política para o mar, sendo nós o país que maior área  tem de água salgada sob sua supervisão? Retomamos as pescas, desenvolvemos a piscicultura, melhoramos os estaleiros, colocamos o país no mapa mundial no que aos portos diz respeito ?

 

Na agricultura, somos capazes de desenvolver "fileiras" no azeite, no vinho, na fruticultura, na floricultura, encontrar novas aplicações para a cortiça ?

 

Nas energias renováveis, em vez de uma empresa pública andar a investir milhões nos USA, somos capazes de aproveitar as milhares de horas de Sol que mais ninguem tem na UE, as magníficas condições de vento em off-shore e territoriais, apoiar engenheiros e cientistas que se dedicam com mérito ao desenvolvimento de novas aplicações?

 

Apoiar os investigadores na área da saúde e de novas tecnologias, juntar-lhe  empresas capazes de colocar no mercado os novos conceitos e transformá-los em negócios exportáveis? Ou vamos continuar a deixar morrer grandes descobertas, como aconteceu com a dos novos transistores feitos a partir da celulose, e que uma empresa Brasileira está a desenvolver industrialmente por ninguem se ter interessado, neste país de betão?

 

Construir autoestradas, pontes, e aeroportos é uma ter uma "ideia" para o país? Andar de braço dado com a Banca, as grandes empresas públicas e os grandes grupos económicos, que são "absorsores" de  riqueza, é ter uma "ideia" para o país?

 

O FMI diz que não!

No Largo do Carmo – Largo Salgueiro Maia

Para o Quartel do Carmo está lá o Marcelo! Era a palavra de ordem na Baixa de Lisboa. A multidão, a maioria gente jovem, subia o Chiado em direcção ao Largo.

 

Quando lá cheguei o Quartel já estava cercado pelas forças do 25 de Abril. O que chamava de imediato a atenção era a idade imberbe dos soldados, G3 a tiracolo. Foi para mim um choque, tinha saído da vida militar há 3 anos ainda me lembrava das técnicas de segurança para quem usa uma arma de guerra. Não passavam por ali.

 

Procurei o comandante, estava no centro de um espaço livre junto à  porta do quartel .Impressionava a serenidade, a ideia que passava é que a missão era para cumprir . A serenidade de quem estava preparado para morrer. Em cima de um chaimite, o Dr. Francisco Sousa Tavares gritava palavras de ordem, "belo alvo" pensei para comigo.

 

Depois o ultimato, as rajadas de G3 contra a parede do quartel, a entrada de dois civis, que ninguem sabia quem eram e que depois se soube serem os intermediários. A entrada do carro que transportava Spínola, o chaimite que foi lá dentro buscar os presos, a gritaria, os murros no carro que transportava Marcelo.

 

Na Baixa ainda havia movimentações de tropas da GNR, cozidas às paredes da estação do Rossio. A fragata que ameaçara bombardear o Terreiro do Paço, face à cobertura do fogo de artilharia instalado no Cristo Rei, já abandonara o Tejo.

 

Salgueiro Maia, dever cumprido, recolhia ao quartel em Santarém à sua vida profissional e familiar. Morreu como viveu. Digno e sereno!

Maria Monteiro – Salgueiro Maia: Um sonho que continua inacabado

 

Casa de Salgueiro Maia em Castelo de Vide, objecto da Petição que lançámos para a sua preservação

E no fim do dia descansou… – Breve biografia de Salgueiro Maia (II)

continuação de aqui) A coluna é composta por 240 homens, um esquadrão de reconhecimento com dez viaturas blindadas e um outro esquadrão de atiradores com doze viaturas de transporte de pessoal, duas ambulâncias e um jipe. Às três horas e vinte minutos, dá-se a partida de Santarém. A viagem decorre sem qualquer problema e às seis da manhã a revolução já está na praça do Comércio. O aeroporto, a RTP, a Rádio Marconi, a Emissora Nacional e o Rádio Clube Português já tinham sido tomados sem resistência. «Aqui, posto de comando do Movimento das Forças Armadas» – ouve-se aos microfones do RCP pouco depois das quatro horas. Um dos trunfos do êxito da revolução foi a rapidez com que Salgueiro Maia percorreu a distância entre Santarém e Lisboa. Duas horas apenas, sem ser interceptado nem ser obrigado a dar nenhum tiro. Uma lição que aprendera com o fracasso do 16 de Março. A cidade de Lisboa começa a acordar e a população sai de casa para a labuta do dia-a-dia. Com calma e tranquilidade, Salgueiro Maia dirige-se a quem demonstra a vontade de ir trabalhar. «Ó minha senhora, hoje não se trabalha. Amanhã, talvez… mas hoje não! Nem hoje, nem nos dias 25 de Abril que vierem, porque esta data passará a ser feriado!» O episódio mais complexo daquela manhã ocorre cerca das nove horas. Quatro carros de combate, uma companhia do Regimento de Infantaria n.º 1 e alguns pelotões da polícia militar, todos fiéis ao regime, aparecem dos Cais do Sodré, progredindo pela rua Ribeira das Naus e rua do Arsenal. O brigadeiro responsável exige que Maia se desloque para trás das suas tropas, mas, não sendo obedecido, dá ordens para disparar. Um a um, os seus homens desobedecem e passam para a facção contrária. A facção da liberdade. Na objectiva de Alfredo Cunha, ficou imortalizado o momento em que Salgueiro Maia se encontrava sozinho, no meio da rua, com os canhões à sua frente em posição de disparar, e apenas com um lenço branco na mão. O apoio popular à causa revolucionária agora já é evidente. A caminho do quartel do Carmo, onde Marcello Caetano está refugiado, Salgueiro Maia segue numa espécie de «cortejo» triunfal. A cumplicidade do povo, nesses momentos de enorme tensão, foi então decisiva.  

Com o megafone na mão, por volta das três da tarde, Salgueiro Maia pede que o quartel se renda no espaço de dez minutos, período após o qual dará ordem de disparar. O prazo esgota-se sem haver qualquer resposta e a primeira rajada de tiros não se faz esperar. A ansiedade atinge níveis indescritíveis. «Militares, populares e jornalistas são por uma vez testemunhas e protagonistas da história. Há já milhares de cravos vermelhos. Canta-se a marcha do MFA e Grândola Vila Morena. Entoam-se palavras de ordem. Mas do meio da turba uma voz de comando destaca-se e o passo decidido de Salgueiro Maia cadencia o ritmo dos acontecimentos.» (António de Sousa Duarte)

No momento em que se preparava para dar ordem de disparar maciçamente sobre o quartel, chega uma carta de Spínola dirigida a Marcello Caetano. Às perguntas dos mensageiros – quem manda aqui e quem é o oficial mais graduado – Salgueiro Maia responde da mesma forma. «Mandamos todos! Somos todos capitães!» Às cinco da tarde, porque a situação não se desenvolve, o capitão, temerário, entra no quartel para falar directamente com o presidente do Conselho. Na breve conversa com Marcello, Salgueiro Maia mostra toda a enormidade do seu carácter, das suas intenções e dos objectivos que o levaram a sair de Santarém para acabar «com o Estado a que chegámos». Assegura a protecção do chefe do Governo, diz que programas políticos não são consigo e coloca todos os membros do MFA no mesmo plano. Salgueiro Maia, primeiro, e Francisco Sousa Tavares, depois, apelam à calma e tranquilidade dos presentes. Spínola já chegou e Marcello Caetano acaba de lhe entregar o poder. Ao capitão, ainda lhe estava reservada uma última missão: conduzir Caetano ao comando do MFA, na Pontinha. A revolução estava consumada, o nosso herói podia tranquilamente voltar para a sua Escola Prática de Cavalaria, para a sua Santarém, como se nada tivesse acontecido. «Era um militar de bravura inigualável, mas também extremamente sensato e um homem de coração. Maia era um chefe nato e dele emanava a força serena dos homens habituados a dominarem-se e, sendo preciso, a dominar os outros. Foi assim que Salgueiro Maia, com os seus homens, dos quais a maioria sem qualquer experiência e praticamente sem instrução de tiro, venceu na revolução e virou a página da história de Portugal. Dominou calmamente, no Terreiro do Paço, o tenente-coronel Ferrand de Almeida, dominou o brigadeiro que se lhe quis opor e, pela calma fixa do seu olhar, dominou um a um os homens que receberam ordem para disparar sobre ele. No Carmo dominou tudo e todos: dominou a guarda, dominou o Governo, dominou os ministros que choravam, dominou a multidão e dominou o ódio colectivo dos que gritavam vingança. E dominou o tempo e a vitória que veio ter com ele, obediente e fascinada.» (Francisco Sousa Tavares) Nos anos seguintes, recusou ser comandante da Escola Prática de Cavalaria, membro do Conselho de Revolução, adido militar numa embaixada, governador civil de Santarém e membro da Casa Militar da Presidência da República. Tudo recusou, porque a única ambição que tinha era de continuar em Santarém com o posto que ocupava. Aos que constantemente lhe lembravam os actos heróicos que protagonizara, respondia apenas: «O que lá vai, lá vai.» Entre 1977 e 1984, foi completamente ostracizado. Como que punido por ter feito a revolução. Aconteceu-lhe a ele como a muitos outros dos militares de Abril. «Até já poderemos ser acusados e presos por implicação no 25 de Abril» – chegou a confessar a João Paulo Guerra. Desalentado, tentou um último reconhecimento da hierarquia militar. Em 1988, já doente, solicita uma irrisória pensão por «serviços excepcionais ou relevantes» prestados ao país. Foi-lhe recusada a pensão, ao mesmo tempo que era atribuída a dois antigos inspectores da PIDE. Morreu em 3 de Abril de 1992, depois de quatro anos de sofrimento, nos quais se incluíram quatro operações cirúrgicas. Ao funeral, realizado em Castelo de Vide ao som da «Grândola», como era seu desejo, ocorreram as mais altas instâncias, passadas e presentes, da governação. Confirmando o que alguém disse nesse exacto momento: «Mesmo depois de morrer, o Maia continua a servir sem se servir.»

Por tudo o que fez ao longo de 47 anos de vida, Fernando José Salgueiro Maia é uma das maiores figuras da história de Portugal no século XX, à qual não foi dada, ainda, a importância devida. Um dos poucos heróis portugueses do século, capaz de fazer uma revolução com 240 homens mal treinados e um conjunto de obsoleto material militar. É provavelmente a única personalidade portuguesa do século XX que mereceria a distinção, sem a ter tido até ao momento, de descansar eternamente no Panteão Nacional. Por quê? Porque Salgueiro Maia deu-nos tudo. Quem ainda não o percebeu, não terá apreendido ainda o significado e o valor da palavra liberdade.

 

Aquele que na hora da vitória respe
it
ou o vencido

Aquele que deu tudo e não pediu a paga

Aquele que na hora da ganância perdeu o apetite

Aquele que amou os outros e por isso não colaborou com a sua ignorância ou vício

Aquele que foi Fiel à palavra dada e à ideia tida

Como antes dele mas também por ele Pessoa disse.

(Sophia de Mello Breyner)

350 000 bloggers esperados

 

   Começa daqui a pouco a manifestação organizada por bloggers italianos contra Sílvio Berlusconi. A organização espera 350 000 manifestantes apenas em Roma. Muitos mais devem acorrer noutras cidades italianas. Uma prova de força da sociedade civil que contraria o adormecimento dos partidos de esquerda em Itália.

 

 

 

"Não vás correr para a rua…"

Posso ser eu a armar-me em esquisito mas acho um tanto ou quanto parvo colocar mais de meia centena de marmanjos a correr, juntinhos, por uma estrada comum, onde circulam automóveis comuns, ainda para mais em horas de fraca visibilidade. Resultado: 16 feridos.

 

Não sei o que os senhores responsáveis pelo batalhão pretendiam com este exercício mas convinha alguém lembrar que fazer uma coisa daquelas não é inteligente. Aliás, deve ser dos primeiros ensinamentos que qualquer pai ou mãe dá aos filhos pequeninos. "Não vás correr para a rua, senão vem um carro e pode atropelar-te".

 

O Ministério da Defesa já abriu o inevitável inquérito. Por mim, devem colocar uma associação de pais a dirigi-lo.

E no fim do dia descansou… – Breve biografia de Salgueiro Maia (I)

Foi de Santarém que, na madrugada do dia 25 de Abril de 1974, partiram as forças do Exército destinadas a ocupar Lisboa e os principais pontos de apoio do regime. Comandados pelo capitão Salgueiro Maia, um dos membros do clandestino Movimento das Forças Armadas, os heróis da revolução saíram da Escola Prática de Cavalaria e em pouco tempo estavam na capital. Um dia intenso, fértil em emoções e em acontecimentos, que culminou, ao fim da tarde, com a rendição de Marcello Caetano e a sua saída para o exílio. Nasceu Fernando José Salgueiro Maia em 1944 em Castelo de Vide, filho de um ferroviário, que devido à sua profissão era obrigado a mudar frequentemente de residência. Andou assim pelo país todo, passando grande parte da infância e adolescência entre a terra natal, Tomar e Pombal. Desde cedo que começou a evidenciar as características que o celebrizaram: forte determinação, grande frontalidade, enorme coragem, propensão para a liderança. Resistente do ponto de vista físico, inteligente a nível psicológico. Em 1964, com vinte anos, ingressa na Academia Militar. Ainda não tem consciência política do país, do regime que o governa e da situação colonial que em breve o espera. Mais de dois anos de estudos na Amadora e a chegada a Santarém e à Escola Prática de Cavalaria. A revolução começa aqui. Ele não o sabia, ninguém sequer o imaginava, mas foi aqui que tudo começou. A Guerra Colonial estava no auge e o alferes Salgueiro Maia é enviado para Moçambique, onde chega a Dezembro de 1967. Com vinte e três anos, cheio de ilusões, acredita profundamente na missão que vai encetar. «A guerra era também a possibilidade de combater pela dignidade de uma sociedade pluriracial e pluricontinental em que acreditava. De resto, não vi dezenas de colegas de cor que estudavam comigo no colégio Nun’Álvares, de Tomar, e na própria Academia? Não havia, pois, motivos para descrer dos intuitos da guerra e dos propósitos do exército.» – viria a dizer anos mais tarde em relação ao pensamento que o norteava.

 

 

As capacidades de comando, que já revelara nas ingénuas brincadeiras de criança e adolescente, revelam-se de novo na guerra, mas aqui com outro grau de importância. Quando regressa à metrópole, um ano depois, já como tenente, é um homem totalmente diferente. Pelo meio, ficou a adopção de uma criança moçambicana pela Companhia de Comandos, a visão clara daquilo que, afinal, era a guerra e, mais importante do que tudo, a percepção clara do regime corrupto e decadente que governava Portugal. No fundo, a desilusão completa. A tal consciência política que antes lhe faltava. «Havia de ser bonito… Eu pela Avenida da Liberdade abaixo até ao Terreiro do Paço…», chega a referir em plena guerra, como que prevendo o futuro. É então cometida uma das primeiras injustiças em relação à sua acção: a recusa da medalha de Comando, apenas pelo facto de não ter feito o curso de Comandos em Portugal. Outras injustiças se seguiriam.

Regressado a Santarém, é colocado na instrução da Escola Prática de Cavalaria. Aos subordinados, conta as «estórias» da guerra e da sua experiência pessoal. A partir de certa altura, faz mesmo gala de não esconder a repulsa em relação ao actual estado do regime. Com os superiores, arranja problemas exactamente por essa razão. A despeito disso, é promovido ao posto de capitão em 1970 e no ano seguinte embarca para a Guiné, com a missão de comandar a Companhia de Cavalaria 3420. A desilusão em relação ao regime acentua-se e a revolta em relação à guerra atinge um ponto limite. Ainda na Guiné, começa a participar nas reuniões embrionárias daquele que viria a ser conhecido como o MFA – Movimento das Forças Armadas. Em Julho de 1973, conhece Otelo Saraiva de Carvalho. Em plena messe dos oficiais, lê a «Seara Nova» e até os livros de Karl Marx. Regressa ao continente em Outubro de 1973, com as sementes da revolta a fervilhar no seu ânimo. As reuniões tendentes a organizar um golpe de estado são cada vez mais frequentes. «Portugal e o Futuro», de António de Spínola, é publicado em Fevereiro de 1972 e vai concorrer de forma marcante para o fim do regime. «Este livro surge, além do mais, como um imperativo moral de quem não pode conter-se.» – refere o autor na introdução da obra. A 16 de Março, dá-se a primeira tentativa de golpe. Golpe preparado «em cima dos joelhos», com fraca adesão militar, sem grandes possibilidades de êxito. Salgueiro Maia é um dos que se mostra contra a iniciativa e, por isso mesmo, se recusa a participar. A coluna do Regimento de Infantaria n.º 5 sai das Caldas da Rainha em direcção a Lisboa, mas não chega à capital, pois os seus principais responsáveis são presos ainda antes da partida. Mas, agora mais do que nunca, a revolução é uma questão de tempo. O MFA marca novas tentativa para daí a um mês, entre 20 e 29 de Abril, e Otelo assume a liderança do plano de operações. A 17 de Abril, entrega a Salgueiro Maia o comando da missão operacional e dá-lhe a entender que há generais envolvidos no golpe, quando tudo não passava, afinal, de um movimento de capitães. No dia 22, todas as unidades entram estado de alerta. A hora H fica desde logo marcada para as três da madrugada do dia 25 de Abril. Pelas 22 horas e trinta minutos do dia anterior, João Paulo Dinis, aos microfones da rádio, anunciara a música «E Depois do Adeus», de Paulo de Carvalho. Era a primeira senha, o início das movimentações militares. À meia noite e meia, Leite de Vasconcelos lê no programa «Limite», da Rádio Renascença, a primeira quadra de «Grândola, Vila Morena», de Zeca Afonso. «Grândola, Vila Morena / Terra da fraternidade / O povo é quem mais ordena / Dentro de ti / Ó cidade». É a senha definitiva e o aviso para a saída dos quartéis. É então que, em plena Escola Prática de Cavalaria, Salgueiro Maia entra em acção. Assume as capacidades de liderança que já manifestava desde criança e dirige-se aos seus subordinados. «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os sociais, os corporativos e o Estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o Estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser, fica aqui.» Um discurso forte, vibrante, motivador, que poderia ter sido resumido a uma única frase. A tal que Salgueiro Maia também disse. «Há alturas em que é preciso desobedecer!»

I Tertúlia do Aventar – Salgueiro Maia e a Memória da Revolução

 

Tertúlia do Aventar – «Salgueiro Maia e a Memória da Revolução». Hoje, 5 de Dezembro, 18 horas. Com Carlos Abreu Amorim e João Teixeira Lopes. Clube Literário do Porto (à Ribeira).

 

Poemas com história: Pedreira dos Húngaros

Na sequência da Revolução de Abril, o projecto SAAL tentou resolver o problema dos bairros de lata que enxameavam as cinturas industriais de Lisboa, Porto e Setúbal, principalmente. Hoje, os bairros de lata foram em parte erradicados, mas substituídos por outra dramática tipologia – a dos bairros degradados. Há, entre uma coisa e outra, diferenças quantitativas e qualitativas. Porém, a questão central mantém-se, porque se é verdade que, tal como acontecia nos bairros de lata, os bairros degradados abrigam muita marginalidade (roubo organizado, tráfico de droga, prostituição…), paredes meias com essa marginalidade, convivem pessoas honestas, que trabalham ou estão desempregadas, e que vêem os seus filhos crescer num ambiente que pode, à partida, condicionar negativamente o trajecto das suas vidas.

 

Este poema foi inspirado no trabalho  voluntário, de levantamento, sobretudo, que, prévio ao projecto SAAL, desenvolvi em bairros da periferia da grande Lisboa – Pedreira dos Italianos, Pedreira dos Húngaros (que chegou a ter 30 mil habitantes), Fim do Mundo, Marianas… Ali arranjei grandes amigos e como feito de que me orgulho consegui, num desses bairros, no do Fim do Mundo, perto do Estoril, sentar à mesma mesa, à volta de umas cervejas e de um qualquer petisco, os líderes das comunidades cigana e cabo-verdiana (em guerra permanente). Desconfiados, preconceituosos, o convívio não começou bem, pois desataram a desfiar recriminações, mas diversas imperiais depois, já se estavam a tratar por tu e a falar normalmente.

Um dia um amigo da Pedreira dos Húngaros, onde hoje se ergue o bairro de Miraflores, um cabo-verdiano que gostava muito de ler (sobretudo boa literatura policial), levou-me à sua barraca. Chovia torrencialmente e, indiferentes à chuva, as crianças brincavam alegremente esparrinhando a água nas poças. O Miguel apresentou-me a mulher e os filhos pequenos e, depois de eu ter visto as terríveis condições em que viviam, teve este desabafo: – Estás a ver, Carlos, sou pedreiro, faço casas para os outros e moro, com a mulher e os filhos, numa barraca. De facto ele era operário da construção civil e esta frase tão simples, além de desencadear mais um dos meus poemas panfletários (escrito em 1975, inédito até hoje), valeu-me por mil lições de economia política.

Pedreira dos Húngaros

A pedreira é chaga que te arde na cintura,

cidade plantada a ocidente, em carne viva,

mar de lama, rosa de pus,  gaivota esquiva –

pedreira – adaga que apunhala a noite escura.

 

É uma face turva, a faca curva que perdura,

em ti, urbe prisioneira, da negra luz  cativa.

É  bandeira da morte que drapeja altiva

a norte da verdade, em ti, cidade-desventura.

 

Sinto vidro moído à deriva num pulmão:

num labirinto percorrido por fera à solta.

procuro em vão saída para a claridade.

 

Morde-me a memória a malsã recordação

da realidade que em ti arde á nossa volta.

Pedreira, morte em flor na cintura da cidade.

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A célebre canção do Zeca, «Os Índios da Meia Praia», baseia-se também num episódio do projecto SAAL. Vamos ouvir mais, uma vez:

 

 

As compras do Estado e as contrapartidas

A magnifica investigação da SIC sobre as compras do Estado de armamento militar, ultrapassa tudo o que podia pensar. Milhões de euros ao desbarato, sem controlo, como se nada acontecesse, sem responsáveis, atravessando diversos governos.

 

O total aproxima-se dos 4.000 milhões de euros de contrapartidas, cuja taxa de realização não atinge os 30%, o que quer dizer que o Estado está a ver "submarinos" na ordem dos 2.400 milhões de euros. Submarinos, helicópteros e outras coisas menos visíveis…

 

As empresas portuguesas foram chamadas a envolverem-se nas negociaçõs, mas logo que a compra se tornou efectiva, foram pura e simplesmente ignoradas. O presidente da Autosil, diz que não facturou um tostão furado e o mesmo diz Henrique Neto da Iberomoldes, que até gastou dinheiro em viagens de negócios. Zero!!!!

 

Entretanto, há uma comissão ( o que é que havia de ser?) cujo presidente é um diplomata, que sabe tanto de material militar como eu sei de lagares de azeite, mais uns quantos vogais, que à sua conta, só em vencimentos, levam o orçamento todo da comissão que, obviamente, não controla nem fiscaliza nada.

 

Para que este saboroso caso seja completo, temos uma empresa do Grupo Espírito Santo, a ESCOM, a quem o Estado delegou a responsabilidade de intermediar o negócio, e que após os contratos assinados nunca mais se interessou pelo seu cumprimento. O mesmo Espírito Santo que se senta ao lado dos representantes do Estado na PT, e em outras empresas muito nossas e todas a favor do povo.

 

Claro que é o Estado que tem que tratar dos seus interesses e não quem anda na vida a ganhar dinheiro, isto é como dar o código ao assaltante do cofre forte. Ultrapassa tudo, é uma vergonha, a ponto de Henrique Neto dizer que a Ibermoldes foi contactada diversas vezes, pelas empresas vendedoras, a "fazer de conta" que tinha facturado muito, utilizando facturas de outros negócios, para assim darem as contrapartidas como realizadas.

 

O Estado está nas mãos de um gang de malfeitores!

 

 

 

Poemas do Ser não Ser

Diz-me onde tens a alma

gostava tanto de saber

gostava tanto de beber

um cálice de vodka

ou de porto

à saúde da tua alma…

Ou de fel

não importa.

 

Excelente grupo no sorteio para o mundial da África do Sul

Dados os 1700 metros de altitude de Joanesburgo onde jogará o primeiro classificado do nosso grupo 3 equipas vão lutar pelo 2º lugar, e pela honra de eliminar a Espanha. O Brasil é um adversário conhecido, com quem temos contas recentes a ajustar, incluindo  as piadas de Dunga,  que só motivam os nossos 3 ex-brasileiros. Uma boa oportunidade para Deco regressar ao seu golo de estreia pela selecção.

A Costa do Marfim é perigosa, e talvez fique em primeiro lugar.

A Coreia dá-nos sorte, que também precisamos.

De resto anda meio mundo a lastimar o sorteio, incluindo os meus colegas aventadores. É um facto que devemos encarar com tranquilidade, ainda não se refizeram do apuramento que achavam muito difícil ou já impossível, não entendendo que o gozo destas coisas está no sofrimentozinho de deixar tudo para o fim. À portuguesa, como a nossa selecção deve ser, é claro.

Nem nos seminários?

Investigadores da Universidade de Montreal tentaram fazer um estudo sobre a relação dos homens com a pornografia, mas chegaram à conclusão de que era impossível levar a cabo a primeira fase da investigação. Porquê? Simplesmente porque não conseguiram encontrar um único homem que nunca tivesse visto vídeos com conteúdos mais picantes

 

Acredite, vem no Expresso

Hominídeos somos, Homens nem tanto

Desde há vários anos que eu tenho vindo a expor a ideia de que há na natureza humana, no ser humano, uma espécie de interface, entre a força, digamos, antropocêntrica, a força que o prende e o arrasta para a sua condição meramente biológica, ainda que com direito a uma cúpula ou abóbada espiritual envolvente, uma espécie de pequeno céu, e a força que tende a projectá-lo para a sua dimensão universal, ou seja para um céu de infinito.

 

Sem qualquer tipo de presunção, reconheço todos os dias, na vivência do meu dia-a-dia, que os homens e mulheres, na sua grande maioria, nem sequer vislumbram a hipótese de que haja, para além da sua estreita, primária e escassa visão do mundo e das coisas, uma fronteira para além da qual há outro ser humano, o que pensa, o que sonha, o que procura e o que se aventura na arrojada projecção da mente pelos céus do infinito.

 

Vem isto a propósito, pelo facto de me encontrar no café, a ler “O Espectáculo da Vida” de Richard Dawkins, no meio de uma algazarra copofónica e futebolística, que não me desconcentrando, me dava o gozo espectacular, ainda que amargo, de medir a abissal distância que há entre os seres humanos. Alguém me disse um dia que a distância entre um primata superior e um ser humano primário era menor do que a distância entre um ser humano primário e um ser humano da estatura intelectual de muitos homens. Como tinha entre mãos este maravilhoso livro de Richard Dawkins, lembrei-me disso. Recomendo-o vivamente, a quem quer que sinta a necessidade de saber onde se encontra, o que o traz por cá, até onde chega a capacidade de procura da verdade, e a quem sinta essa necessidade como vital exercício de sobrevivência mental.

 

Uma família Portuguesa…

E não me estou a referir aos Penedos…

 

 

Despacho n.º 25916/2009

Nos termos e ao abrigo do n.º 1 do artigo 3.º do Decreto -Lei n.º 322/88,

de 23 de Setembro, nomeio o licenciado Artur Rodrigues Pereira dos

Penedos para exercer funções de assessor do meu Gabinete, em regime

de comissão de serviço.

Este despacho produz efeitos a 26 de Outubro de 2009.

12 de Novembro de 2009. — O Primeiro -Ministro,

Carvalho Pinto de Sousa

Pior, Era Impossível

.GRUPO MUITO DIFÍCIL

.

Como se sabe, eu não acredito neste treinador. Como se sabe eu não acredito nestas vedetas, orientados desta forma. Mas, este é o treinador que temos, e estas, são as vedetas com que jogamos.

O grupo que nos calhou, é mesmo muito difícill. A Costa do Marfim vai ser um osso duro de roer, se não mesmo indigesto, para não falar dos outros dois. Para não falar, que nem vale a pena, a Coreia do Norte é uma muito boa equipa, e o Brasil, é tão bom (lembram-se da goleada?)que até nos envia três jogadores para a nossa selecção. Lá, ninguém lhes ligava, eram considerados refugo. Cá são mais três das «nossas» vedetas.

Mas, deixemo-nos de dizer mal, Portugal está no Mundial da África do Sul, e temos todos de torcer pela nossa equipa.

 

Até os comemos…..

 

Viva Portugal!

.

Mudou alguma coisa? O quê?

   Lembro-me exactamente de onde e com quem estava, faz hoje vinte e nove anos, quando o pivot da tv anunciou a morte de Francisco Sá Carneiro.

   Não vou aqui especular – até porque não passaria disso mesmo – o que poderia – ou não – ter sido diferente na democracia portuguesa se tal não tivesse acontecido.

   Mas agora, quando todas as conversas terminam infalivelmente na inoperância da justiça portuguesa, ocorre-me que este caso é paradigmático  quanto à capacidade da mesma levar a bom porto os processos e investigações que envolvem figuras destacadas.

   Como morreu Sá Carneiro? Acidente ou atentado? E, na segunda hipótese, quem foram os mandantes? E o julgamento? Efectuou-se? Houve acusados? E condenações?

   Não sei se, como é voz corrente, as coisas pioraram desde então. Mas não tenho dúvidas de que não melhoraram. 

Assim deve ser fácil vender livros

Maurice Gee é, consta, um dos mais significativos escritores da Nova Zelândia. Tem publicadas diversas novelas e contos. Não conheço a obra de Gee, nem sequer “Going West”. Mas provavelmente vou conhecer.

 

E tudo por causa de um spot publicitário animado pela Andersen M Studio através da ‘stop motion’, um género de animação utilizado em filmes como A Fuga das Galinhas, A Noiva Cadáver, Wallace and Gromit, entre outros.

 

O mínimo que se pode dizer é que o spot (concebido pela BBDO) é genial.

 

 

FUTaventar: África Minha

Aí está o sorteio da Copa!

 

Brasil, Coreia do Norte e Costa do Marfim.

 

Aqui e de momento só me ocorrem os tracadilhos fáceis entre a nacionalidade do Liedson, as dificuldades do Luisão e a angústia nas marcações do Carvalho ao Drogba…

Mas, deixo isso para o Twitter.

Por agora um pedido aos senhores da Comunicação Social:

não me venham com as referências a 66, ao Brasil, a lesão do Pelé, os 3-5 contra os coreanos… Please… não há paciência, ok?

 

Nota de rodapé: os fãs da Democrática República da Coreia do Norte, tão presentes na Soeiro Pereira Gomes vão torcer pelo Lula ou por esse ENORME líder, o Pai KIM!

O sarilho afegão

 

Sob o resignado olhar de M. Zahir Xá, Karzai é empossado da presidência

 

Quando após a queda do regime talibã, Mohammed Zahir Xá convocou a Loya Jirga, parecia iminente a tentativa de regresso ao almejado, mas para sempre perdido status quo de 1973. Avessos a tudo aquilo que respeite a costumes e tradições de outrem, os norte-americanos opuseram-se terminantemente à devolução da chefia do Estado afegão ao espoliado monarca. Preferiram atribuir uma novel presidência a Karzai, um homem de confiança e que é susceptível de defender os pontos de vista das empresas energéticas que procuram estabelecer-se firmemente na Ásia Central.

 

Contrariando aquilo que já era consensual entre os chefes tribais, os EUA negaram a possibilidade da restauração de uma monarquia que antes de tudo o mais, garantiu quatro ininterruptas décadas de paz no Afeganistão e a tranquilidade do sistema tribal.

 

 

situação actual é catastrófica. Além do deteriorar das relações inter-tribais que encorajam a recruta de novos combatentes talibã, a fastidiosa guerra eleitoral que conduziu Obama à Casa Branca, enviou sinais contraditórios a todos aqueles que no terreno lutam pela hegemonia. Além de um Paquistão visivelmente assolado pela subversão e dissidência, os americanos pouco podem contar com os países vizinhos que a norte, ainda se encontram numa fase de consolidação da situação criada pelo desaparecimento da União Soviética. Sem a cooperação russa, chinesa ou indiana, os EUA dependem uma vez mais dos sempre secundarizados aliados que na Europa enfrentam uma opinião pública hostil, porque conhecedora da realidade no terreno. Obama pede auxílio para um regime que obedeceu desde a sua instauração, aos seus critérios de avaliação que antes de tudo, vão encontro dos interesses económicos dos EUA. Se no terreno parecem existir desinteligências com contingentes aliados – o exército britânico, por exemplo -, um obstáculo ainda maior é a opinião pública que na Europa não parece disposta a investir numa aventura de indefiníveis contornos.

 

Obama mobiliza mais 30.000 efectivos e simultaneamente, marca a data de retirada. Política errática, ao sabor dos noticiários e do politicamente conveniente, consistiu este anúncio de fuga prevista,  num erro fatal e capaz de afastar ainda mais, qualquer tipo de vontade de auxílio substancial por parte dos aliados da NATO. 

 

Resta apenas saber, o que verdadeiramente decidirá a administração invisível e permanente que ao longo de sucessivos mandatos presidênciais, acaba por conformar a política do departamento de Estado.

 

 

 

O que é que separa o FMI do Governo ?

Entre as medidas propostas pelo FMI e o governo há uma realidade. Eleições antecipadas!

 

O que o FMI diz é que é preciso conter a despesa já em 2010 e aumentar os impostos. O governo aumenta o salário mínimo, propõe investimentos gigantes e jura que não aumenta os impostos.

 

As propostas do FMI :

Redução da massa salarial do sector público ( o governo em 2009 aumentou a massa salarial nuns  impossíveis 5% )

Diminuição das transferências sociais, ( o que o governo não pode fazer, sem um aumento de  pobreza que pode trazer conflitos sociais)

Redução da despesa fiscal

Aumento da taxa do IVA

Maior envolvimento nas parcerias público/privadas ( retirar espaço aos privados)

Reconsiderar o aumento do salário mínimo ( a promessa quinzenal de Sócrates)

 

Esta guerra tem como pano de fundo o próximo Orçamento. O governo assenta a sua estratégia no relançamento da economia com as célebres obras públicas, em que ninguem acredita, e principalmente, evita que as medidas de contenção comecem já em 2010. Ganhar tempo, empurrar para a frente, é a estratégia do governo, varrer para debaixo do tapete, é o que melhor serve ao governo à espera de um milagre, ou que a Espanha e a Alemanha, levantem vôo.

 

Há propostas intermédias como as do Prof José Reis da Faculdade de Economia de Coimbra, que passam por rever os contratos feitos pelo Estado com os privados (ai,ai José…) em áreas como a saúde e os transportes ou corrigir o papel do sistema financeiro como "absorsor" de riqueza social ( os célebres cinco milhões de Euros /dia ).

 

Enfim, tudo o que Sócrates nunca quiz fazer convencido que levava a bom porto, o país, juntando-se aos que sempre foram os "comedores de serviço"! O que temos pela frente, é preciso dizê-lo, é o resultado esperado da política do governo de Sócrates.

 

E já não há espaço para promessas demagógicas, nem autos de fé, as coisas são como são, o FMI está aí frio como sempre!

 

 

 

Obrigado Carlos Queirós

É hoje o sorteio da fase final do Campeonato do Mundo da África do Sul. Com quem vamos jogar? Não interessa.

Para já, devemos agradecer a Carlos Queirós. Porque vamos ao Mundial.

Sem a fantochada das bandeiras nas casas e nos carros.

Sem a palhaçada das Nossas Senhoras dos Caravaggios, das rezas e dos santinhos.

Sem precisar de atiçar contra um clube toda uma nação.

Sem precisar de hostilizar símbolos do nosso futebol.

Sem precisar de «inventar» outros jogadores para a mesma posição dos hostilizados.

Sem precisar de idolatrar quem sai e regressa quando lhe apetece.

Sem precisar de andar ao murro aos adversários.

Sem precisar da parolada do discurso e do fato de treino.

Estamos onde queremos sem ter precisado de nada disso. É por isso que hoje, dia do sorteio para a fase final, só me ocorre mesmo dizer «Obrigado Carlos Queirós».