As contas mal feitas do Passos não contaram com a memória

Catroga disse  que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal “foi essencialmente influenciada” pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV. [daqui]

Resistir ao totalitarismo económico [o discurso da Presidente do Parlamento grego]

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«A dívida grega não é um fenómeno meteorológico, antes foi criada pelos governos precedentes, mediante contratos manchados pela corrupção, por comissões, luvas, cláusulas leoninas e juros astronómicos, de que bancos e empresas estrangeiras beneficiaram, fazendo de uma dívida privada uma dívida pública, e assim salvando bancos franceses e alemães, bem como bancos privados gregos, e condenando o povo grego a viver nas actuais condições de crise humanitária, enquanto mobilizando e gratificando os órgãos da corrupção mediática encarregues de aterrorizar e de enganar os cidadãos. Esta dívida, que nem o povo nem o Governo actual criaram ou fizeram aumentar, é desde há cinco anos usada como instrumento de subjugação do povo por forças que agem a partir do interior da Europa, no quadro de um totalitarismo económico.

A Alemanha comporta-se como se a História e o povo grego tivessem contraído dívidas junto dela, como se pretendesse um ajustamento de contas, realizando a sua vingança histórica pelas suas próprias atrocidades, aplicando e impondo uma política que constitui um crime não apenas relativamente ao povo grego mas também contra a própria Humanidade – no sentido penal do termo, pois trata-se aqui de uma agressão sistemática e de grande escala contra uma população, com o objectivo premeditado de produzir a sua destruição parcial ou total.» | Zoe Constantopoulou, ontem [13 de Julho de 2015] no Parlamento grego

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«Minhas senhoras e senhores, caros colegas,

Nos momentos como este, devemos agir e falar com sinceridade institucional e coragem política. Devemos assumir, cada um, a responsabilidade que nos cabe.
Protegendo, como a nossa consciência nos obriga, as causas justas e os direitos sagrados, invioláveis e não negociáveis do nosso povo e da nossa sociedade.
Salvaguardando a herança legada por aqueles que deram a sua vida e a sua liberdade para que hoje possamos ser livres.
Preservando a herança das novas gerações e das vindouras, bem como a civilização humana, o mesmo acontecendo com os valores inalienáveis que caracterizam e dão sentido à nossa existência individual e colectiva.
O modo como cada um opta por decidir e agir pode variar, mas ninguém tem o direito de zombar, degradar, denegrir ou usar com uma finalidade política as decisões emanadas de um processo e de uma decisão difícil e consciente, intimamente ligados ao cerne da nossa existência. [Read more…]

Os esquecidos

No meio de todos os debates cá e lá, das tempestades noticiosas, dos ruído dos predadores tentando dilacerar as presas, não se ouvem novas desta singela e nobilíssima realidade: na hecatombe trágica dos salvos e mortos do Mediterrâneo, muitos deles vítimas das “primaveras” patrocinadas pela gula imperial, quase todos os náufragos são recebidos pela Grécia e pelo Sul de Itália, áreas de que sabemos bem as carências e o desespero, mas também uma capacidade de solidariedade que é uma lição para as fortalezas do Norte, cujos navios chegam a recolher refugiados que, em vez de serem conduzidos para o país “salvador”, são imediatamente entregues a estes dois países e esquecidos, melhor, recalcados. Assim, Grécia e o Sul de Itália vão acumulando um número gigantesco de refugiados, enquanto a Europa finória vai garantindo que pensará no assunto. Quando tiver tempo e uns trocos nos bolsos.

Ou meios para construir muros, que é sempre um recurso dos imbecis. Enquanto sangram a vitalidade dos acolhedores em operações da mais vil chantagem.

Dos nobres valores alardeados pela Europa, vai sobrando só o da moeda que – ironia do destino – foi inventada pelos gregos ancestrais. Entretanto “os tiranos fazem planos para mil anos”, como dizia o poeta. Sem ver que o fim pode estar para muito mais cedo. Se deixarmos.

Eles comem tudo e não deixam nada

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Para além do domínio absoluto que vai cimentando sobre esta cada vez mais frágil União Europeia em eminente risco de desintegração, com direito a uns quantos gatinhos que se vão roçando freneticamente nas suas pernas, ronronando para si o conseguimento de soluções para o problema grego, os senhores do Reich querem sempre mais. Como se a destruição que os seus antecessores causaram no continente, os calotes que deixaram por pagar e o lucro que o seu país está a ter com esta crise não fosse já suficiente, existe quem, no seio do governo de Angela Merkel, esteja a procurar facturar de formas tão hábeis quanto descaradas. O Jorge já falou sobre o assunto mas não resisti e pegar-lhe de novo porque isto é daquelas coisas que deve ser esmiuçada até à exaustão.

Então não é que o fanático moralista do Schäuble e o seu comparsa governamental tentaram literalmente pôr a mão em 50 mil milhões de euros em activos da Grécia com o alto patrocínio de umas quantas marionetas do Eurogrupo? É verdade. Schäuble e Sigmar Gabriel são respectivamente chairman e vice-chairman do banco alemão KfW, que por sua vez controla o Instituto do Luxemburgo para o Crescimento, onde o Eurogrupo exigiu que fossem colocados 50 mil milhões de euros em activos detidos pelos contribuintes gregos para iniciar conversações para o terceiro resgate.

Felizmente, a coisa parece ter sido revertida. Seria o cúmulo da pirataria, depois de tudo o que se tem passado ao longo destes meses, se estes Barbas Negras tivessem efectivamente açambarcado mais dinheiro dos contribuintes europeus para o gerirem a partir da Tortuga das maroscas fiscais. Já chegou o que nos roubaram.

Foto@Le Monde

#poracasofoiideiaminha

PPC

 

O hashtag do momento e a compilação possível de uma série de outras ideias dele para o político profissional que procura refinar a arte de aldrabar os seus eleitores.

 
Imagem@Algures no Twitter

Ui que facada no milagre das exportações!

Repsol deixa de comprar gasóleo em Sines” [Expresso]

Ja, Führerin!

Merkel diz que países do euro devem estar preparados para ceder soberania. Peça-se comentário aos gestores do protectorado.

Está farto de telenovelas vendidas como notícias às 20h?

terceiro resgate grego

É tempo de mudar de canal. Euronews, também em português.

O acordo é meu! Não, é meu!

patoConfesso: não gosto de humor inteligente. O humor inteligente obriga as pessoas a esperar demasiado tempo para se poderem rir, porque é preciso ouvir a piada, pensar sobre a piada, debater a piada com os amigos em tertúlias demoradas e, dois dias depois, rir da piada, já sem muita vontade, porque quem muito pensa ri pouco.

Por isso, uma das minhas anedotas preferidas é uma daquelas que qualquer cidadão de qualquer país pode usar para fingir que é superior ao de uma nação vizinha. Reza assim: um  espanhol e um português andavam à caça e dispararam, simultaneamente, contra o mesmo pato. Discussão, caído o bicho, o pato é meu, el pato es mío, e é meu, es mío, e torna e deixa. O português propõe: “Sodomizemo-nos um ao outro. Quem gemer perde o pato!” (Não tem piada nenhuma contar anedotas por escrito, especialmente em blogues respeitáveis, com crianças ainda acordadas. Como devem calcular, nunca ouvi nem utilizei o verbo “sodomizar” em anedota nenhuma.) O espanhol aceita e, com valentia, suporta sem um ai. Quando se preparava para exercer o contraditório, o português afastou-se, dizendo: “Ó pá, eu nem gosto de pato!” [Read more…]

Jar Jar Binks, o estadista que teve uma ideia

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“Quer dizer que até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema”, disse Passos Coelho. Todos os que já fizeram noitadas de trabalho sabem que há a hora siga!, aquela onde interessa mais despachar o assunto do que nele propriamente pensar. Não sei se terá sido o caso, mas não vejo onde esteja o motivo de orgulho quando é aceite uma sugestão de enterrar na banca metade dos 50 mil milhões de euros de um fundo.

Depois do bloqueador activo, eis o suposto desbloqueador.

Assim de repente lembra-me a personagem Jar Jar Binks no filme “O Ataque dos Clones”, quando, ao procurar as luzes da ribalta no Senado Galáctico, toma como sua uma conversa que ouvira, dela fazendo o discurso que daria ao Chanceler Palpatine vastos poderes de emergência, os quais ultimariam o domínio deste sobre o Império Galáctico.

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Alex Tsipras resumiu numa frase, “a situação é má, mas a alternativa seria pior”. Isto é um aviso à navegação, o referendo acabou por ser uma vitória de Pirro que retirou qualquer margem negocial ao governo grego, após recusar as propostas da U.E., acabou por ser obrigado a apresentar propostas e ceder em toda a linha. Importa agora acompanhar os próximos dias em Atenas, havendo já quem avance com a possibilidade de antecipar eleições. A conclusão a retirar é que a melhor alternativa à austeridade é manter as contas em dia, evitando políticas economicamente expansionistas que levem ao endividamento excessivo.

Referendo, grexit e orthographexit

Βρισκόμαστε σε μια κρίσιμη καμπή που αφορά το μέλλον του τόπου.

Αλέξης Τσίπρας

***

Aqui em Bruxelas, há reuniões que duram 17 horas e nas quais se procura encontrar uma solução para resolver um problema.

Aí em Portugal, nem 17 minutos são dedicados à resolução de um problema denunciado há muito tempo e criado pelo poder político.

A solução, neste caso, é mesmo a saída.

Post scriptum: Curiosamente, lembrei-me de orthographexit, no mesmo dia em que Jérôme Godefroy cunhou o termo. Há dias assim.

dre 13072015

Portugal não é a Alemanha

Porque teima, então, o governo a ela se colar?

Com que então era uma questão de confiança

“Eurogrupo quer transferir activos gregos para banco de Schäuble e Gabriel”, lê-se no ionline. Soma-se a ganância à sede de poder que imaginei.

O que é que quer a Alemanha?

Grécia cadente

Há um novo ponto de bloqueio para que se encontre uma solução para a Grécia. Depois do quase acordo antes do referendo, Tsipras apresentou basicamente a mesma proposta na passada sexta-feira. O optimismo instalou-se e, seguramente, muitos europeus deram um suspiro. No entanto, ontem voltou-se à estaca zero depois de a Alemanha, pela voz de Schäuble, ter tornado público que o acordo não servia. Porquê? Porque as pesadas medidas pré-oxi estavam ausentes? Não, a capitulação grega foi clara. Porque os gregos se preparam para um volte-face depois da Europa dizer que sim ao acordo? Não, o acordo tem o aval do parlamento grego e de quase todos os partidos gregos.

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Estou confuso, pronto!

Os jornais não se calam com a famosa proposta elaborada pelo ministro das finanças alemã, o viperino Shäuble, embora omitida, por agora, nas discussões das instituições europeias. Segundo tal documento, o inteligente Wolfgang propõe, para resolver o problema grego, que a Grécia saia do euro por, pelo menos, 5 anos, durante os quais recuperaria a saúde da sua economia e, uma vez superadas as suas dificuldades, poderia regressar. E é aqui que se me agita o espanto. Então sair o euro permite recuperar a saúde da economia e prosperar?! E se isto é verdade, porque raio havia um país querer regressar depois? A Europa é governada por loucos?
Os Antigos diziam que a economia tinha, como alicerce fundamental, a ética e a moral. Pois.

Os alunos que não lêem

semigrejaUm estudo da Universidade do Minho revela que 10% dos alunos do secundário nunca leram um livro até ao fim. Outros dados: 14% das famílias dos alunos participantes no inquérito não têm livros em casa, um quarto dos alunos não gostava de ler em criança porque tinha dificuldades em compreender o que lia e o professor como estimulador de leitura aparece em último lugar nas motivações dos alunos para lerem.

A responsável pelo estudo, Leopoldina Viana, fez algumas declarações a propósito destes dados. Sobre a pouca importância que os alunos dão aos professores como fonte de motivação para a leitura, afirmou o seguinte: “Dá-nos a entender que há trabalho a fazer e que o professor tem de ter um papel mais activo nesta área.”

De repente, numa breve viagem pela memória, descobri que não me lembro de ter lido um livro graças ao incentivo de um professor, o que não é necessariamente um elogio para mim ou para os meus professores. Por outro lado, tive vários professores que me ajudaram a perceber e a gostar de livros que fui obrigado a ler. [Read more…]

Paulo, Paulo, porque os persegues?

No Parlamento Europeu e dirigindo-se a Tsipras, Paulo Rangel, qual cachorro abrigado entre os pés do dono, voltou a vociferar, naquela postura que ele julga ser a de um grande tribuno, as propostas que ele pensa devem ser seguidas pelo governo grego. Entre elas – e mais uma vez! – uma das descobertas argumentativas que fez há tempos: a Igreja Ortodoxa tem de pagar impostos na Grécia! Por mim, tudo bem; mas fico à espera que o fogoso deputado proponha o mesmo para a Igreja Católica em Portugal. Ou tem medo de ficar com a alma chamuscada?

Grécia: a Europa a brincar aos festivais da canção

Horas e horas de reunião. As divisões no seio dos ministros das Finanças da Zona Euro sobressaem depois da longa reunião do Eurogrupo. A Alemanha e a França apresentam-se em posições divergentes, com Paris a apoiar Atenas e a rejeitar de forma veemente um eventual Grexit. Itália e Finlândia sobressaem também: Roma deu um murro na mesa para que se chegue a acordo, enquanto que Helsínquia promete inviabilizar um terceiro resgate e está já mandatada para negociar a saída da Grécia do euro. A reunião é retomada este domingo. [RTP]

France, dix points.
Deutschland, null Punkte.
Portugal, zero pontos.

Eis a europa que já foi Europa.

Efectivamente: equação − ‘e’ = quação

Em Julho de 2013 e em Fevereiro de 2014, debrucei-me sobre a possibilidade de “ocorrências de *excessão em vez de exceção (sic)” e semelhantes aumentarem, devido à supressão da letra consonântica ‘p’ em ‘excepção’ e similares.

Anos antes, em estudo sobre a “função diacrítica da letra c, enquanto elemento do grafema complexo (dígrafo) ‹ac›” e acerca, por exemplo, de ‘coacção’ e ‘coação’, sublinhara indirectamente “a criação de homografias” e mencionara quer o “carácter polissémico”, quer a “ambiguidade fonética”. Sim, há cinco anos. Exactamente, “há muito, muito tempo“, “ambiguidade” e “fonética”: porque sobre a superfície agora nos concentramos.

Ao ligar o computador, antes da minha rotina de sábado de manhã, no melhor mercado de Bruxelas, reparei na *quação do Jornal 2 de ontem — os meus agradecimentos a José António Pimenta de França e a Catarina Portas.

Efectivamente, se ‘equação’ [ikwɐˈsɐ̃ũ̯] e ‘coação’ [kwɐˈsɐ̃ũ̯] — como coalescência e qualidade ou até, em determinados contextos, Cuadrado em vez de quadrado —, logo, a selecção da hipótese *quação para [kwɐˈsɐ̃ũ̯] é possível. Desde ontem, aliás, passou de possível a existente — mais concretamente, durante mais de um minuto na RTP2 .

Foi você que pediu um Porto Ferreira? Não? Foi você que pediu um estalo na cara? Também não? Foi você que aceitou um Acordo Ortográfico de 1990? Sim? Logo, foi você que tacitamente adoptou o “critério fonético (ou da pronúncia)”. Então, parabéns. Salvo prova em contrário (se houver, venha ela), esta *quação também é sua.

Continuação de um óptimo fim-de-semana.

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Política reles…

Discuta-se Passos no plano político: na minha opinião, é responsável pela degradação do país. Insinuar que utiliza a sua tragédia pessoal é injusto, miserável e revelador de uma falta de inteligência e de compaixão assinaláveis.

É irrelevante discutir se existe ou não qualquer intenção política na imagem da cidadã Laura Ferreira, esposa de Pedro Passos Coelho. Acreditar que os portugueses possam votar por qualquer sentimento de piedade ou simpatia, seria demasiado básico para os estrategas do principal partido da coligação governamental. Mas a girl Estela Serrano, personificando o que de pior existe na política, logo tratou de mobilizar a tralha, com argumentos demasiado reles, muito bem descritos pela insuspeita Ana Sá Lopes… Convém no entanto lembrar que o miserabilismo reles não começou agora, lembremos Sá Carneiro e Snu Abecassis, nem é um exclusivo do PS, há muita gente com responsabilidades, próxima do actual governo que agora se indigna com razão, mas que não hesita em utilizar a mesma mesquinhez na luta política…

Já não há fantasmas

Aqui no bairro há um palacete que está há tempos para ser convertido em qualquer coisa ao serviço dos turistas mas não há meio de isso acontecer porque é preciso muito dinheiro para recuperar aquelas velhas paredes e o lugar é pouco apetecível para camones. É uma casa bastante feia, construída ao gosto novo-rico da época, e foi abandonada há mais de uma década. As portadas já não cerram e deixam esvoaçar cortinados negros e há vultos a assomar-se às janelas em noites de luar.

Não há crianças a pular o muro para ir explorar a casa porque as crianças já não fazem essas coisas, têm o tempo tomado por actividades extracurriculares, mas é uma casa claramente assombrada, a pedir que crianças com tempo livre vão lá assustar-se. E é precisamente neste ponto que começa o diferendo entre mim e o bairro. Espantosamente, já ninguém acredita em casas assombradas. Na mercearia olham para mim como se eu tivesse acabado de defender que é o sol a girar à nossa volta. [Read more…]

Guy Verhofstadt, o conflito de interesses e as críticas a Tsipras no PE

Os alinhados da troika em Portugal deram grande destaque a um discurso de Verhofstadt na sessão do Parlamento Europeu onde Tsipras participou. Escreveu-se que empolgou, encostou Tsipras, e foi memorável. Uau, jornalismo de primeira linha, sem dúvida, só pecando no pequeno detalhe de não referir quem é este Verhofstadt. Ora, como se pode ler mais abaixo, este belga tem ligação ao consórcio que concorreu à privatização da água na Grécia, a qual deu um passo atrás com o OXI grego.

Quem é que falou no PE ao longo de oito minutos, o deputado europeu ou o membro da administração do fundo belga bilionário Sofina? Foram os mais de 10 mil euros por mês que ganha na Sofina (ver declaração de interesses no PE) ou foi o seu salário de eurodeputado que ali o levaram?

Foram questões que não importaram a Edgar Caetano, o jornalista do Observador mais rápido a adjectivar do que a sombra.

Verhofstadt

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TTIP: Parlamento Europeu deu o sim. Sabia?

El Parlamento Europeo respalda el TTIP con el apoyo dividido de los socialdemócratas. Por cá, silênci0.

Ao cuidado de Pedro Correia, João Ferreira do Amaral e de mais uns quantos

Talvez não tenham notado, mas esses pobres jornalistas agora tão injustamente perseguidos parece que manipularam imagens de forma barata. É isso mesmo, velhos tiques.

Os seguranças das forças de segurança

Há instalações militares cuja segurança e vigilância são da responsabilidade de empresas privadas. Numa pequena pesquisa, não consegui aceder directamente ao exclusivo do Correio da Manhã, uma notícia de Agosto de 2014. Vale a pena realçar, entre as várias críticas, que as empresas de segurança contratadas pertencem a “ex-militares e [a] ex-políticos.”

Ontem, ficou a saber-se que o Ministério da Administração Interna contratou empresas de segurança para vigiar, entre outras, instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e dos Serviços Sociais da PSP. É ler, com atenção, a notícia. Seria interessante que se soubesse os nomes dos proprietários destas empresas, só para termos a certeza de que os dinheiros do Estado não estão a cair nas mãos erradas.

A brincadeira a que me dediquei há menos de um ano não faz sentido: a solução que aí apontava era ainda demasiado estatizante. Reformulo: no futuro, as super-esquadras-mega-agrupamentos serão controladas por empresas privadas cujos funcionários serão professores-seguranças contratados pelo Ministério das Finanças e da Administração Interna da Educação.

A entrevista

Comecei, com toda a boa vontade, a ver a entrevista de António Costa. As primeiras perguntas andaram à volta de um “não ser”, a última sondagem. Independentemente da discussão que mereçam os resultados dessas operações, elas não podem ser discutidas como se representassem o ser, a realidade ela mesma. As sondagens – e não quero maçar-vos mais sobre o tema – reflectem apenas e muito vagamente uma sombra da realidade. Elas não têm estatuto ontológico. Estas perguntas atiram-nos para um lugar vazio e as que se lhe seguiram – malabarismos sobre números eleitorais – não são muito melhores. Já vi por onde isto vai e a presença de supostos representantes “do povo” não augura nada de bom. Assim, desliga-se a televisão e liga-se a música. Já está.

A tabloidização do jornalismo

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Em política (para dizer o poder político), nada é inocente. O facto de a mulher do actual primeiro-ministro ter optado por não esconder a sua doença é claramente um statement. Resta saber qual, ou quais. Que eu saiba, e até ao momento, nenhuma figura pública feminina portuguesa havia tomado tal audaz decisão. Não há, na cultura portuguesa, esse hábito. A doença esconde-se, tal como se escondem as suas marcas. As mulheres põem lenços, e procuram manter – tanto quanto possível – a sua aparência habitual. Nessa medida, que a mulher do actual primeiro-ministro apareça publicamente sem cabelo (ela que o tinha farto e bonito) significa qualquer coisa.

Ana Sá Lopes (ASL) pensa que essa coisa – mesmo se concordando que constitui uma «opção radical» – não tem significado político algum, e insurge-se contra alegados aproveitamentos por parte do PS e dos seus simpatizantes. Visando Estrela Serrano com especial agressividade, por causa de um seu texto sobre a tabloidização da doença, ASL não se esqueceu de referir que Estrela Serrano foi assessora «do Presidente da República Mário Soares, para além de professora na Escola Superior de Comunicação Social, um centro de formação das novas gerações de jornalistas.» O que significam essas escolhas, para além da continuação do combate ao PS que ASL tem protagonizado?

Tal como se me apresentam os factos, significa que o que está em cima da mesa não é a doença de Laura Ferreira, tão pouco um suposto aproveitamento político por parte de Pedro Passos Coelho. O que Estrela Serrano levou a debate é o que Ana Sá Lopes agora contesta (reeditando, aliás, o que fez há uns meses relativamente ao opaco processo contra Sócrates), mesmo se com recurso aos habituais esconderijos discursivos que põem em primeiro plano tergiversões sem sentido (e até muito questionáveis, como é o caso da que pretende escrutinar moralmente Estrela Serrano enquanto professora de jornalismo): a tabloidização do jornalismo.

Atenas, 9 de Julho de 2015

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© Louisa Gouliamaki/AFP/Getty Images

Sujeito Vírgula Verbo

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Em Braga, o número de alerta de fogo na floresta não é o 117, é o 112.