MAGA Civil War

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Há algo inédito a acontecer. Começou com o genocídio em Gaza e intensificou-se com o ataque ao Irão. E um dos culpados para que tenha ganho tracção, ironicamente, foi Donald Trump, que construiu o movimento MAGA em cima de uma visão isolacionista do mundo. America First. E o que está a acontecer, em Gaza e no Irão, é Israel First. Melhor: Zionism First. Porque nem o regime Netanyahu é aclamado pela população, parte significativa da qual protesta frequentemente nas ruas contra ele, nem o que se está a passar é no interesse da generalidade dos israelitas, sob fogo iraniano e prestes a sofrer as mesmas consequências económicas que vamos sofrer aqui.

O que está a acontecer é que figuras com impacto global, de uma direita que apoiou Donald Trump em ambas as corridas, reconhecidas e respeitadas por uma parte muito considerável do eleitorado republicano e muito em particular do movimento MAGA, estão a expor a fraude. Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson, Candace Owens, Andrew Schulz ou Piers Morgan são os mais sonantes. O próprio Charlie Kirk foi muito crítico do regime Netanyahu, nos últimos vídeos que publicou antes de ser assassinado. E isso levantou questões sobre a morte de Kirk, sobretudo entre a direita ultraconservadora e pouco adepta da relação clientelar entre Washington e Telavive.

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Sociopatas no comando

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Donald Trump começou uma guerra desnecessária e devastadora para a economia mundial, sem consultar os aliados europeus.
Agora, que percebeu que não controla a situação, exige a sua presença no Estreito de Ormuz e ameaça com o fim da NATO, que de resto está moribunda, graças a uma administração de fanáticos que é dúbia em relação às suas responsabilidades na organização, ameaça ocupar a Gronelândia, intimida aliados que não obedecem caninamente e estende o tapete vermelho a Putin, por quem demonstra mais simpatia do que por qualquer líder europeu. Excepto por Viktor Orbán, um corrupto que dirige uma oligarquia semelhante à sua e à russa, em ponto pequeno.
Repara que todo este novo caos é obra do presidente que há poucos meses afirmou ter “obliterado” o programa nuclear iraniano. E que lançou esta guerra sob pretexto da ameaça nuclear que o Irão, cujo programa foi por ele obliterado, pelos vistos ainda representa. E que garantia que o ataque ao Irão iria ajoelhar o regime dos ayatollahs em poucos dias.
Se isto parece conversa de um tipo que tem um plano?
Não, não parece.
E parece ainda menos de quem está efectivamente a ganhar o conflito, nos termos que o próprio inicialmente propôs. Nem a capacidade de resposta do Irão foi neutralizada, nem o regime caiu. O que cai a pique é o stock de mísseis Patriot que, como o dos iranianos, não dura para sempre. E cai também a economia mundial, que nunca esteve tão perto de reeditar 1929.
Claro que os EUA têm a capacidade de terraplanar o Irão, se decidirem fazê-lo. Pode implicar consequências inimagináveis, mas é exequível. Mas o recurso, por exemplo, ao nuclear, não afectaria apenas o Irão. Seria o fim do paraíso instagramável das monarquias absolutas do Golfo. Até Israel sofreria duras consequências dessa decisão. Decisão que, convenhamos, Israel pode tomar por conta própria, recorrendo à sua própria capacidade nuclear.
Felizmente, julgo que nenhum dos malucos com botões nucleares está disposto a usá-los. Excepto em caso de ameaça existencial. Vamos acreditar com muita força que nunca chegaremos aí.
Mas voltando ao plano, Trump não tem um. Tem gut feeling. E como podes ver, na TV, na internet e na tua carteira, está a correr muito bem.
Também não tem noção, e essa ausência vai ter um preço, quando os americanos começarem a sentir, nas suas vidas, o efeito da guerra. Se não começaram já. E tanto sacrifício para deixar tudo como está, com o regime iraniano mais acossado, logo mais repressivo, um Médio Oriente em permanente sobressalto bélico, e a incerteza que daí resulta a crashar tudo o que é mercado e, por conseguinte, a vida das pessoas.
É possível que Trump não perceba os efeitos da sua decisão. Ou que se esteja verdadeiramente nas tintas para eles. Porque vive numa bolha ultra-exclusiva, rodeado pelo topo da cadeia alimentar da finança, da defesa, da tech ou do petróleo. Uma bolha que, ironicamente, se identifica como anti-sistema. Gender issues.
O América First No More Forever Wars Affortable Groceries está a ser um enorme sucesso. De facto, a extrema-direita tem excelentes ideias para aqueles que apreciam pobreza, fome, destruição e morte. Primeiro Putin, agora Trump, sempre Netanyahu.
Eu, no lugar do Bezos, mandava já fazer um documentário.
Já tu – e eu também – vais continuar a pagar a factura de incerteza, das tarifas, das guerras e do aumento do preço do petróleo, que faz aumentar tudo à sua volta, enquanto a elite trumpista aumenta os seus lucros. Tão anti-sistema como Guerra ser Paz, Liberdade ser Servidão ou Ignorância ser Força. O Orwell era um génio, mas deu ideias terríveis a esta quadrilha de sociopatas. Seria bom que os americanos não vacilassem em Novembro.

Giorgia Meloni, esquerdalha antisemita

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "> CONFLITO NO MÉDIO ORIENTE Meloni, primeira ministra italiana, acusa EUA e Israel de terem violado direito internacional ao atacar o Irão: "Itália não participa e não tenciona participar" E"

Quando Pedro Sanchéz constatou o óbvio e recusou envolver Espanha na guerra ilegal que Israel decidiu lançar contra o Irão, coadjuvado pelo cão laranja de Netanyahu, os marretas do costume vieram para a praça rasgar as vestes e acusar toda a esquerda de ser anti-semita/iPhone/vuvuzela, de gelado devidamente espetado na testa.

Agora, que a sua heroína Meloni constata o mesmo, e recusa envolver Itália numa guerra que tem vários objectivos, nenhum do quais libertar o povo iraniano, dos marretas nem um pio.

Nada que surpreenda. De idiotas úteis não se pode esperar pensamento crítico. É aí que reside a sua utilidade.

Alguém disse “Orwell”?

Com o mundo de olhos postos no Irão, Trump e a sua quadrilha deram mais uma machadada na democracia americana e na livre iniciativa privada, trave-mestra do capitalismo do qual os EUA (ainda) são o poder-director.

Segundo Pete Hegseth, o alcoólico comentador da Fox News que Trump promoveu a ministro da guerra e líder do Pentágono, a Anthropic é uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

Para quem não está familiarizado com a Anthropic, trata-se de uma tecnológica do sector da inteligência artificial, conhecida pelo seu LLM Claude, concorrente directo do ChapGPT da empresa OpenAI.

A Anthropic era fornecedora do Pentágono, e aceitou todos os termos impostos por esta administração, excepto dois: recusou que a sua tecnologia fosse usada para vigilância em massa dos norte-americanos ou aplicada ao desenvolvimento de armas autónomas.

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Irão, China e Jeffrey Epstein entram num bar israelo-americano

Why did US and Israel attack Iran and how long could the war last? - BBC News

Não choro a morte de Ali Khamenei. Um fanático totalitário a menos causa-me zero comoção. E já foi tarde.

Digo mais: por mim arranjava-se uma daquelas bombas do Gajo de Alfama, que fosse lá pelo cheiro a fundamentalista religioso, e antecipava-se o encontro com o Criador a todas as criaturas sedentas de o encontrar e de nos levar com elas. Independentemente da religião. Win-win.

O regime iraniano é execrável. E é também um produto directo da política externa norte-americana, parido pelo mesmo golpe de Estado que, em 1953, derrubou Mohammed Mossadegh. Seja como for, o fim do regime dos ayatollahs seria uma excelente notícia para qualquer pessoa que tenha a Liberdade como valor inalienável, mas a morte de Ali Khamenei não o garante.

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No meio da tempestade, André Ventura levou um banho de realidade

Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e texto que diz "OBSERVADOR "Eu só queria aqui salientar, falar um pouco do tema, que é muito atual consigo, da mão de obra. Temos 80 colaboradores. Só temos um português, que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente" PAULO MARIA, EMPRESÁRIO"

Na localidade de A-dos-Cunhados, em Torres Vedras, André Ventura levou um banho de realidade quando Paulo Maria, proprietário de uma exploração agrícola afectada pela tempestade Kristin, lhe explicou o óbvio:
Só queria salientar um pouco do tema que é muito atual, que é o tema da mão-de-obra. Nós dependemos de mão-de-obra estrangeira a 100%. Na minha empresa, temos 80 colaboradores e só temos um português que é o técnico, o engenheiro. Se hoje os trabalhadores estrangeiros fossem embora, eu fechava a empresa imediatamente.
No fundo, aquilo que Paulo Maria explicou a André Ventura foi o que qualquer empresário francês da construção civil poderia ter explicado a outro populista autoritário nos anos 60: se os portugueses não viessem para cá, não havia ninguém para trabalhar.

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Come brioches, Portugal!

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Sábado fui ao mercado semanal da Trofa, como vou todos os Sábados. Encontrei as pessoas do costume, conversei com elas e fiz as minhas compras, tranquilamente. Uma manhã de Sábado normal na minha vida normal.

Numa dessas conversas, uma pessoa amiga disse:

  • Este tempo está uma loucura. Nem dá para sair de casa.
  • Mas estás aqui, não estás?
  • Estou, mas olha que estive para não vir.
  • A sério? Mas nem a chover está!
  • Não está agora. Tu achas isto normal?
  • Claro que acho. É o normal para esta altura do ano.

150km a sul, porém, a vida de milhares de pessoas estava tudo menos normal. Estava suspensa. Milhares de pessoas sem electricidade, sem comunicações, sem água. Pessoas com as casas sem telhado, carros destruídos e negócios arrasados. Pessoas em desespero, a quem o Estado falhou. Falhou na prontidão, na qualidade da resposta e no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas, enquanto altos responsáveis do governo, como o ministro Leitão Amaro, apostavam em promover a sua própria vaidade, como um parolo deslumbrado, no timing perfeito. Brioches digitais.

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A multiplicação dos tachos no Chega

André Ventura e Bruno Mascarenhas, candidato do Chega à Câmara de Lisboa. Foto: António Cotrim/Lusa

Foto: António Cotrim/Lusa
Vou tentar escrever isto no idioma comum da extrema-direita portuguesa: de há uns tempos para cá, não há um dia que não surja um novo tacho com a chancela do partido de André Ventura.
Na semana passada escrevi aqui sobre a nomeação da irmã de Rui Cristina, autarca eleito pelo CH para a CM de Albufeira, para um cargo na autarquia dirigida pelo irmão.
Dias depois foi a vez de Hugo Aires, militante do CH eleito para a Assembleia Municipal de Albufeira, ser nomeado diretor do Departamento de Projetos e Edifícios Municipais da autarquia.
E no final da passada semana, ficamos a saber que Rui Cristina, autarca que André Ventura foi recrutar ao “sistema”, nomeou mais uma militante do CH, Andreia Cópio, para o cargo de Chefe da Divisão de Águas e Saneamento.
Mas a distribuição de tachos a militantes e familiares de militantes do CH não se esgota em Albufeira.

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Mama do Bem

Rui Cristina, antigo deputado do PSD que o partido de André Ventura foi recrutar ao “sistema”, foi eleito presidente da CM de Albufeira em Outubro. E como prometido, acabou com a mama.

Como?

Garantindo uma boa nomeação para a própria irmã, outrora candidata do sistema pelo PSD, nos quadros da autarquia.

Dir-me-ão: mas os partidos do sistema não fazem o mesmo?

Fazem.

O que vem provar que, a este nível, a nível da tal mama, e do compadrio em geral, nada distingue o CH de PS ou PSD. Com a diferença que Ventura deseja 3 salazares para o país, desejo que, no geral, equivale a encerrar a democracia, instaurar uma ditadura, impor a miséria à maioria, torturar os dissidentes, matar os mais audíveis e entregar o monopólio dos negócios do Estado à elite económica e financeira do país. Em triplicado. Porque, por muitas voltas que se queiram dar, o regresso de Salazar seria igualmente o regresso do regime mais corrupto da história da República.

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Uma réstia de esperança

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No início era o almirante.
À primeira volta.

Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.

Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.

André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.

Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.

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Pela democracia liberal, contra o autoritarismo populista

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Daqui para a frente já não é sobre socialismo, liberalismo, conservadorismo ou social-democracia. É sobre democracia liberal ou autoritarismo populista.
É entre um político moderado com a rara característica de não se lhe conhecerem telhados de vidro e um extremista que os tem com fartura, que faz da mentira uma arma, do ódio estratégia e do medo o meio privilegiado para atingir o fim que sempre o moveu: poder absoluto.
É entre um democrata que respeita a constituição, a liberdade e as instituições e um protofascista que as pretende destruir e abrir espaço ao regresso da miséria, da fome, da censura, das prisões arbitrárias, da tortura, da guerra, do analfabetismo e da corrupção salazarista. Em triplicado.

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Prémio Nobel da Cinologia

Maria Corina Machado prestou-se ao triste papel de se deslocar à Casa Branca para oferecer o Nobel da Paz a Donald Trump, o delinquente que lidera a Gestapo americana e que tudo tem feito para abafar o maior escândalo de pedofilia da história moderna. Só por isto, já merecia que o prémio lhe fosse retirado. Mas, a julgar pela quantidade de delinquentes que já o receberam, conclui-se que foi business as usual.

Não sei o que Corina Machado esperava deste acto de vassalagem canina, para além do sabor dos sapatos de Trump na sua língua, mas nada mudou. Trump não declarou o seu apoio à senhora, não se comprometeu com eleições livres na Venezuela e vai continuar a trabalhar com o regime, que mantém o exacto mesmo poder interno que detinha antes do sequestro de Maduro. Além da remoção de Maduro, nada mudou. Rigorosamente nada.

Compreende-se este estado de coisas: um delinquente entende-se melhor com os seus pares, e a escumalha que lidera o regime venezuelano não é assim tão diferente da escumalha trumpista. É natural que Trump escolha falar e negociar com os autocratas de Caracas. Ou será que já nos esquecemos que este é mesmo Trump que ataca as democracias ocidentais, ameaça invadir o Canadá e a Dinamarca, e estende a passadeira vermelha a Putin, MBS e Netanyahu?

Qual é a dúvida?

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Nova Ordem Maquinal

Bill Gates says these are his superpowers

Gustavo Santos, o Cristiano Ronaldo da chalupice nacional, foi ao podcast de um indivíduo que fala com uma máquina que desmascara o sistema, ou seja, propaga teorias absurdas sobre vacinas, novas ordens mundiais e restantes talking points do manual de instruções da extrema-direita.
Fun fact: durante a conversa, que não ouvi na íntegra, a bem da minha sanidade mental – mas da qual ouvi partes no Extremamente Desagradável de hoje e da passada Sexta, que vos aconselho vivamente – fiquei a saber que a tal máquina é, afinal, o ChatGPT. O ChatGPT da empresa OpenAI, que tem como principal acionista a Microsoft de Bill Gates, que segundo pessoas como Gustavo Santos e outros utilizadores de chapéus de alumínio é o anti-Cristo que nos quer todos escravos.
Como é que tanta gente come esta narrativa absolutamente alucinada é algo que nunca vou perceber. Se alguém me conseguir explicar, agradeço.

O triunfo do bordel neofascista

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Trump foi, de facto, a melhor coisa que aconteceu a Putin. Aliás, foi revelado esta semana que o Kremlin foi alertado pelos amigos de Mar-a-Lago sobre o que acabaria por acontecer na Venezuela no passado fim-de-semana, e mandou retirar todos os seus diplomatas e respectivas famílias do país.

E se o sequestro de Maduro foi um convite a abdução de Zelensky (ou de Cho Jung-tai), a ameaça de invasão e ocupação do território dinamarquês da Gronelândia é para levar muito a sério. E vai acontecer. Será o fim da NATO, ou pelo menos da encenação multilateral, e um convite à entrada dos exércitos russos pela Europa de Leste adentro. Seremos um quintal com dois donos.

Importa sublinhar que quem defende esta a nova estratégia de Trump está, a partir de agora, na mesma barricada que Putin, Lukashenko e Ali Khamenei, por muito que se esforce por provar o contrário. É, aliás, um traidor no contexto nacional e europeu. Claro que tal não irá afectar minimamente os trumpistas. Os membros de um culto fundamentalista nunca foram conhecidos por valorizar a lógica ou a razão. São fanáticos, idiotas úteis, à espera de migalhas. O mais certo é terem destino idêntico ao do marido da cantora cubana pró-Trump que actuou num dos seus comícios, detido pelo ICE para deportação. [Read more…]

Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

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Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

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Nova Ordem Mundial

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Ainda sou do tempo em que Donald Trump era diferente dos outros, garantiam milhares de trumpettes no país e no mundo.

Ia acabar com a guerra na Ucrânia da noite para o dia, até se tornar mordomo de Vladimir Putin.

Ia denunciar pedófilos e revelar os ficheiros Epstein, até perceber que o seu nome aparecia muitas vezes nos documentos sobre o maior escândalo de pedofilia da história.

Ia defender os valores cristãos até transformar o velório de Charlie Kirk no Super Bowl neofascista.

Ia drenar o pântano até perceber que podia transformar os EUA numa oligarquia onde o nepotismo e as suas amizades pessoais seriam critério de selecção. E assim foi.

Ia acabar com a corrupção, mas depois percebeu que podia lucrar com ela e optou antes por normalizar o suborno e a usar a presidência para corromper e ser corrompido.

Ia combater as elites, mas mudou de alvo e decidiu combater a sobrevivência do americano médio para dar borlas fiscais aos mais ricos entre os mais ricos.

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Isto não é Portugal

Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.

Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.

Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.

Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.

A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.

Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.

André, a greve e a espinha

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Em Novembro, André Ventura estava preparado para ser o parceiro do governo Montenegro na aprovação da contrarreforma laboral.

Sobre a greve geral de ontem, que criticou de forma veemente, Ventura garantiu tratar-se de “um erro em que só a extrema-esquerda e os partidos a ela ligados conseguem ver qualquer benefício”.

Ontem, dia da greve geral, o mesmo Ventura criticou o governo, que acusou de arrastar o país para aquele desfecho, arvorou-se em defensor dos direitos dos trabalhadores (que obviamente não é), quase quase a filiar-se na CGTP, e disse esta coisa fantástica, que cito: “[O governo] optou por uma espécie de linha liberal, que dá ideia a quem trabalha de que pode ser despedido a qualquer altura, que vai perder direitos e que só interessa quem manda e não quem trabalha, e isso é errado.”

Num mês é uma tramoia da extrema-esquerda, no outro é vil ataque neoliberal do governo aos trabalhadores.

Porquê?

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Os portugueses não comem rankings

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Portugal estar como primeiro classificado do ranking da The Economist é melhor que estar em segundo, ou em último. E é giro porque rebenta com a narrativa de que este país está muito mal porque nos aconteceu o “socialismo”.

Mas fica por aí.

Porque feitas as contas, sobressai uma verdade.

Uma não: várias.

É que os portugueses não comem rankings.

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Prémio Nobel da Paz da Wish 2026

Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.

Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.

Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.

Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.

Bajulação, suborno, corrupção.

Waste, fraud and abuse.

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Jornalixo Nacional

Julgo que descobri, finalmente, um bom uso para um dos termos favoritos dos novos fascistas, dos populistas, dos nacionalistas que veneram alemães, dos adolescentes que odeiam mulheres, porque nenhuma está para os aturar, e dos extremistas de direita em geral.

Falo-vos, claro, do termo “jornalixo”.

E se há caso em que o termo faz realmente sentido, esse caso é esta capa do jornalixo do CH, que dá pelo nome de Folha Nacional.

Todos conhecemos vários casos de mentiras descaradas, manipulação de dados e estatísticas ou sondagens marteladas – mais um dia no escritório lá do sítio – mas fico-me por esta capa que, em boa verdade, resume muito bem o que é a propaganda do CH: um contínuo de aldrabices e de insultos à inteligência de qualquer ser humano. [Read more…]

Era uma vez uma consulta que se atrasou num hospital privado

Fui hoje com o meu filho a uma consulta num hospital privado. Não interessa qual, porque o que vou agora relatar já me aconteceu no Trofa Saúde, na CUF e nos Lusíadas. Várias vezes. E só não aconteceu na Luz Saúde porque nunca lá fui.

Tínhamos a consulta marcada para 09:45h. Chegamos a tempo e horas, só para descobrir que o médico ainda não tinha chegado. Fomos recebidos às 11:30h. E, com isto, o meu filho perdeu toda a manhã de aulas, eu e a minha mulher perdemos uma manhã de trabalho.

Não me entendam mal: não descarto a possibilidade de ter acontecido algo inesperado e fora do controlo daquele médico que tenha conduzido a este desfecho. O alvo deste texto não é o médico, que foi impecável na consulta, como não é o estabelecimento privado de saúde que escolhemos para este acto médico.

O meu alvo são os oligarcas e os plutocratas que financiam a propaganda anti-SNS.

Aqueles que, por quererem colher os benefícios de uma privatização feita à medida dos seus interesses mesquinhos, apostam todas as suas fichas em descredibilizar o funcionamento e a importância nuclear que o SNS tem na vida da maioria dos portugueses, sobretudo daqueles que não podem pagar para serem atendidos no privado.

Para essas pessoas, o lucro sobrepõe-se à vida do desgraçado que não pode pagar.

O que não deixa de ser curioso, por serem, regra geral, as mesmas pessoas que financiam os movimentos “pró-vida”, eufemismo comum para o fundamentalismo ultraconservadorismo que quer impedir abortos para salvar vidas, mas que sonha com um sistema em que quem não paga pode ir morrer longe. Uma das muitas hipocrisias da extrema-direita e dos idiotas úteis que a servem ou se tentam servir dela.

Os atrasos existem no público e no privado. Mas é estranho vê-los acontecer no privado, que, alegadamente, representa a excelência da gestão eficiente. A verdade é que nem o SNS é tão mau como os avençados dos privatizadores nos vendem, nem a gestão privada é tão excelente assim.

Mas há algo que não depende da minha ou da tua opinião. É que, sem dinheiro, não há privado para ninguém. E o SNS, com ou sem atrasos, não deixa ninguém por tratar. E é por isso que o devemos defender com unhas e dentes. Sempre.

Viva o SNS!

Cristiano Ronaldo e os seus amigos tiranos

Sim, eu sei que não se pode criticar Cristiano Ronaldo. Ronaldo, para muitas pessoas, é um semi-deus acima da crítica e do comum mortal. E quem o critica só o pode fazer por inveja, azia ou qualquer uma das justificações patéticas que quem não tem argumentos válidos costuma usar. Uma das melhores ilustrações, parece-me, do atraso do nosso país.

Não me recordo, confesso, de criticar Ronaldo. Nunca pedi a cabeça dele, nunca pedi o afastamento da selecção e sempre elogiei os seus feitos futebolísticos. Mesmo depois de se ter transformado numa espécie de embaixador de um dos regimes mais totalitários e assassinos do mundo, o saudita. Um regime que mata por apedrejamento e manda esquartejar opositores. Se quisesse, Ronaldo poderia trabalhar para Vladimir Putin, e elogiá-lo publicamente como faz com o assassino e financiador de terroristas, Mohammed bin Salman, e a maioria assobiaria para o lado. E, convenhamos, pouco distingue o carniceiro russo do “boss” de Cristiano Ronaldo.

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Os homens que odeiam as mulheres

As mulheres no geral não são muito racionais, nem sequer têm a capacidade de compreender o bem comum, o bem da nação.

Mas isso não é necessariamente mau, eu não estou a fazer um ataque às mulheres, é importante perceber isto. Isto é da natureza da mulher.

Não há problema em a mulher ser assim. Eu não quero dar a decisão do futuro do meu país às mulheres. Eu acho que elas não têm essa responsabilidade. Porque estão biologicamente desenhadas para ter um filho, para agarrar num filho, para cuidar de um filho, não é para tomar decisões importantes para o futuro de um país.

É bastante consensual que os homens são geralmente mais inteligentes que as mulheres, por isso é que eu acho que só os homens mais inteligentes é que devia votar, como acontecia na Grécia Antiga.

 

Já estiveste em alguma sala com 15 mulheres para ver se acabavam as guerras? Elas fazem guerras entre elas naturalmente. Se eu tiver aqui com 15 homens não há guerra nenhuma nem conflito nenhum. Se tiverem aqui 15 mulheres sozinhas, uma é porque tem o cabelo de uma cor, a outra pintou as unhas, a outra passou à frente na fila, a outra anda com um namorado qualquer. Elas criam conflitos por tudo, as mulheres. Para se entreterem.

 

O voto universal não faz sentido. Eu acho que só deviam votar homens portugueses com propriedades. E mulheres não. Eu acho que mulheres não faz sentido que votem. Desde que demos o voto às mulheres, foi a pior coisa que fizemos nos últimos 100 anos na civilização ocidental. Eu não tenho problema nenhum e dizer isto, julguem-me à vontade, eu sei que estou certo.

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Isto não é Portugal

Imagina seres um emigrante português em Genebra, na Suíça.
Nem precisas de ser um daqueles imigrantes que fugiu à ditadura. Imagina que foste um dos que emigrou para lá durante a crise financeira da década passada.
Mas não és assim tão diferente dos emigrantes dos anos 60 e 70.
Também tu foste para lá com uma mão à frente e outra atrás, fazer o trabalho que os suíços já não queriam fazer. E continuam a não querer. Na agricultura, na construção, a limpar hotéis ou a descarregar contentores. Sempre de forma honesta e empenhada.
Apesar de trabalhares no duro, de pagares os teus impostos e de teres uma postura irrepreensível, levaste com propaganda da extrema-direita suíça, que te retrata como uma ovelha negra e quer que “voltes para a tua terra”.
(Soa-te familiar?)

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A iniciativa iliberal de Cotrim de Figueiredo

Cotrim de Figueiredo podia ter escolhido qualquer um para seu mandatário.

Podia ter escolhido um liberal.
Podia ter escolhido um moderado.

Escolheu José Miguel Júdice, um radical ligado ao MDLP, a organização de extrema-direita que deu respaldo a assassinatos políticos e atentados terroristas na década de 70.

É uma opção legítima, esta de Cotrim e da IL. Só não é lá muito liberal. Algo que, infelizmente, surpreende cada vez menos.

Burcas e outros adereços performativos

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Acho que já podemos parar de fingir que esta decisão de proibir as burcas tem alguma coisa a ver com o bem-estar das mulheres muçulmanas.

Porque isto partiu dos mesmos que querem a mulher recatada, obediente e do lar.

Dos que enchem a boca para falar de segurança e a seguir assobiam para o lado quando são confrontados com os números da violência doméstica.

E foi parida no mesmo partido onde há quem defenda a remoção dos ovários das mulheres que decidam abortar, a ponto de levar a proposta a congresso e receber o apoio de 15% dos delegados.

O mesmo partido que construiu um altar ao abusador e possivelmente pedófilo Donald J. Trump, cujo regime autoritário em construção acelerada abafou o caso Epstein.

E porque, se estas mulheres forem casadas com fanáticos, deixarão simplesmente de sair de casa.

Podemos parar a encenação, não acham?

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Guerra Fria 2.0

Pode ser uma imagem de mapa e a texto que diz "All data centers combined use as much power as some of the world's largest economies Electricity demand 2023; thousands of terawatt-hours China United States India Data centers (2030e) Russia EVs (2030e) Japan Brazil Korea Data centers already use usemoreelectricity more electricity than France- and demand may triple by 2030 Canada Germany Datacenters Data centers France 2 8 Sources: International Energy Agency: Organization of Petroleum Exporting Countries: and staff calculations, Note: Electricity demand data centers compares with that in ท biggest national useTS as o of 2023. EVs Electric vehides. 10 IMF"

A nova guerra fria não será uma corrida convencional ao armamento entre dois blocos, mas uma competição multipolar pelo desenvolvimento da Inteligência Artificial, que a fará evoluir para outros patamares.

Este novo paradigma levará – já está a levar – a uma procura cada vez maior por energia, que eventualmente acabará por fazer aumentar os preços exponencialmente, afectando, sobretudo, a vida das famílias e das comunidades mais frágeis e desprotegidas. Algo que já está a acontecer nos EUA.

Esta corrida poderá levar a uma situação de pânico nos mercados em torno do abastecimento de energia. Estima-se que os novos data centers que as tecnológicas estão a construir consumirão a energia de uma pequena cidade. E continuarão a multiplicar-se e a aumentar o consumo, à medida que a IA se expande. A Microsoft já comprou 20 anos de produção de uma central nuclear nos EUA. Outras parecem querer seguir o mesmo caminho. O cidadão comum não tem a mínima hipótese nesta disputa. [Read more…]

Cessar-fogo em Gaza?

Parece que há acordo para um cessar-fogo imediato em Gaza. Trump está mesmo a dar tudo pelo Nobel da Paz.

E se for esse o preço a pagar para parar o genocídio, que seja.

Não seria o primeiro execrável a vencê-lo. Se um war monger como Henry Kissinger pode ganhar um prémio dedicado à paz, qualquer incendiário é elegível.

Mas o cessar-fogo não chega.

É preciso auxiliar milhares de pessoas.
É preciso reconstruir Gaza.
É preciso acabar com a fome.
É preciso libertar todos os reféns.
E é fundamental que o cessar-fogo dure para lá dessa libertação.

Também é preciso libertar a Palestina, não apenas Gaza, mas toda a Cisjordânia ocupada por colonatos ilegais. Libertar a Palestina de colonos terroristas e de terroristas do Hamas, e de outras organizações de fundamentalistas islâmicos que por ali andam. Deixar aquelas pessoas respirar e ter uma vida minimamente normal.

Será desta?

Espero que sim.

Mas, à cautela, vou festejar moderadamente. Com estes protagonistas, convém refrear as expectativas.

André Ventura ESMAGA-SE a si próprio

Apoiantes do Chega divididos entre a liberdade de expressão desbragada de André  Ventura e o 'respeitinho é muito bonito' dos seus detratores - Expresso

Cartoon: Nuno Saraiva

André Ventura, como populista que é, usa tudo o que pode para pôr as redes sociais a arder. Porque é, politicamente, um incendiário e um completo irresponsável, que não olha às consequências da sua demagogia, prejudique quem prejudicar. Todos os meios justificam o único fim que lhe interessa: poder absoluto.

Sendo o extremista que é, não será de admirar a figura absolutamente ridícula que ontem fez, e que agora transcrevo para vocês. Disse Ventura:

“Pessoal, vocês não vão acreditar, eu acho que ninguém vai acreditar, eu próprio tenho dificuldade de acreditar que isto que eu tenho aqui é verdade. Vocês sabem que o Parlamento português aprovou hoje uma deslocação do Presidente da República – pá, eu tenho que olhar para isto bem que eu tenho que ter a certeza disto – para ir com os nossos impostos e o nosso dinheiro à Alemanha a um Burgerfest. A um festival de hambúrgueres. O CH votou contra, como é evidente, isto é uma bandalheira, mas sabem porque é que isto passa, porque é que estas coisas passam? Porque vocês não sabem disto, vocês não se revoltam com isto porque não sabem. Então eu vou-vos dizer isto: o Parlamento aprovou hoje a ida do nosso Presidente da República, a nossas expensas, às vossas expensas, à Alemanha, a um festival de hambúrgueres. Agora digam o quão ridículo isto é. O quão estúpido isto é.”

Marcelo foi convidado para estar no Bürgerfest 2025, um evento anual realizado na residência oficial do presidente alemão, que celebra o trabalho voluntário e o envolvimento cívico dos cidadãos. E Portugal é o país homenageado na edição deste ano. Bürgerfest significa, literalmente, Festa do Cidadão. Numa coisa, Ventura tem razão: isto é mesmo ridículo. E estúpido. Mas só porque Ventura não conseguiu evitar a diarreia mental.

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