Não merecemos os atletas que temos

Até ontem, poucos sabiam quem era Iuri Leitão. Ser campeão do mundo e triplo campeão europeu não chegou para fazer capa de jornal ou estar nas trends no Twitter. Até hoje.

O mesmo acontece com outros atletas, como a medalhada Patrícia Sampaio, a ginasta Filipa Martins, os canoístas João Ribeiro e Messias Baptista, a nadadora Angélica André ou os triatletas Vasco Vilaça e Ricardo Batista, agora mais conhecidos após participações de excelência nestes Jogos.

Dir-me-ão que o negócio é quem mais ordena e que as outras modalidades, para lá do futebol, não vendem.

Enquanto argumento estritamente económico, é legítimo. Enquanto statement de uma nação que as ignora durante 4 anos, com raras excepções, para depois exigir medalhas e considerar um quarto ou quinto lugar “fraco” não. É a prova de que não merecemos os atletas que temos. Mas temos e devemos ter muito orgulho neles. E exigir que tenham melhores condições para representar o país. O desporto português não pode ser só futebol.

Criptomoedas, uma das maiores fraudes da história

gerou perdas de 5,1 mil milhões na passada Segunda-feira.

Jogos Olímpicos? Criem os Jogos Transolímpicos…

Já temos os Jogos Olímpicos e já yemos os Paraolímpicos. Para manter a disputa de forma justa e leal criem os Transolímpicos. Não façam é merdas como esta que a atleta italiana sofreu. Uma vergonha.

Wokes de Direita

Até tu PC venezuelano…

Venezuela: as eleições fraudulentas e as fraudes democráticas

É claro que as eleições de ontem na Venezuela foram fraudulentas. Não existem eleições livres em ditadura. Nem na Venezuela, nem no Irão, nem noutros regimes ainda mais violentos, mas muito estimados pelo status quo ocidental, como o saudita ou o chinês. Eleições livres são um luxo de europeus e pouco mais. E mesmo na Europa não sabemos se por muito mais tempo.

Constatado o óbvio, vamos ao tema quente da semana passada. Se um político estrangeiro se apresenta em território venezuelano na qualidade de observador eleitoral, sem que para isso tenha visto para entrar no país ou convite oficial das autoridades locais para ser observador do acto eleitoral, é claro que pode ficar à porta. Seja na Venezuela ou nos EUA. [Read more…]

CH, um partido pró-vida que discrimina bebés

Que o CH é um partido dado às mais variadas punições e crueldades, já se sabia. A sua natureza autoritária e iliberal não dá para camuflar.

Que propôs, na Assembleia Regional dos Açores, que crianças caiam para o fundo da lista de espera de acesso à creche gratuita, caso os pais estejam no desemprego, não surpreende. Punir os mais fracos está no ADN de um partido financiado por multimilionários.

Que o PSD alinhe nisto, diz tudo sobre o fim trágico que espera o partido na barriga da extrema-direita. Como de resto tem acontecido a outros PSDs por essa Europa fora. [Read more…]

Entrada a pés juntos de Kamala Harris a Donald Trump

That Little Girl Was Me

Aquando das primárias do partido democrata em 2020, Kamala – munida de uma vulva e tez bronzeada, valiosos trunfos que a fizeram legitimamente sonhar com o cargo – teceu graves acusações direccionadas ao futuro presidente Bidé:

  • que acreditava nas mulheres que o acusaram de crimes sexuais;
  • e que, nos idos 1970’s, Bidé promovera políticas racistas que visavam impedir crianças pretas de frequentar a escola. Para adicionar carga dramática à acusação, usou o seu próprio exemplo, procurando torná-lo até um slogan: “That little girl was me”, que até chegou a colocar em t-shirts.

Reforço, sem embelezamentos ou cognomes jocosos, para que seja claro: antes de aceitar ser sua vice, Kamala acusou Joe Biden de ser um criminoso sexual e um racista activo que usava a sua influência política para segregar crianças pretas como ela própria.

Sendo Bidé o ungido pelo Deus dos warlords Barack Obama, isto valeu naturalmente a Kamala a perda de apoios, o que – a juntar ao seu caricaturalmente detestável e vil carácter, que fez com que nem sequer lograsse mil votos populares, num resultado absolutamente humilhante – a obrigou a largar precocemente a corrida.

Ressuscitada pelas referidas vulva e tez, é ver agora o partido que a rejeitou – bem como o comentariado americano mainstream, que os nossos Marques Lopes, a quem basta acenar uma cenoura apetitosa, adoram plagiar – a anunciá-la como a grande Candidata.

Que Bidé é um racista perverso não é propriamente informação fresca; muito menos o é a escandalosa hipocrisia e descaramento destes montes de merda que enxameiam o universo político – e, claro, a conveniente memória píscea dos agenda setters. Mas os poucos de nós que se recordam destas coisas têm obrigação de relembrar os outros, porque as massas só sabem o que lhes dizem os media das elites bem-pensantes e eu não estou a ver Marques Lopes a falar disto tão cedo.

Tarde demais, Biden. A menos que…

Biden demorou tempo demais a tomar a decisão inevitável. Travar Trump era já uma missão quase impossível, sobretudo após um atentado que, sendo o resultado directo da sociedade armada que defende, teve o expectável efeito de o transformar num mártir aos olhos do seu eleitorado e de reforçar a propaganda com imagens fortes de punho fechado, sangue na cara e bandeira a esvoaçar atrás.

Agora, parece-me, entramos no território da impossibilidade.

Porque confirma as acusações, até há dias ridicularizadas, de Biden não estar mentalmente apto para disputar a eleição. Ou para governar o país.

Porque faltam apenas 4 meses para as eleições.

Porque as sondagens indicam que Kamala Harris não tem hipótese. [Read more…]

O preço civilizacional

Nos últimos dias, tem sido notícia que a população portuguesa está a crescer.

Mas, passaram os casais portugueses a ter mais filhos?

Sim, houve um ligeiro aumento da natalidade. Mas, a razão principal foi que importou-se gente.

O aumento dos imigrantes trouxe o tão badalado crescimento da população, que tanto tem excitado alguns dos que, há pouco tempo – e bem -, alertavam para os perigos do decréscimo demográfico e do envelhecimento da população portuguesa.

Na verdade, não se fez nada de relevante para os casais se darem ao luxo de ter mais filhos. Ou sequer ter filhos. Aliás, nem sequer a garantia de coisas básicas como salários dignos e acesso à habitação, foi objecto de real preocupação política de quem tem governado o país ao longo de décadas.

Faltam salários, faltam habitações, faltam médicos de família, faltam enfermeiros, faltam professores, faltam funcionários, etc.

Em suma, falta cumprir uma Constituição que está a caminho dos 50 anos.

Talvez porque saia mais barato, preferiu-se importar gente.

Se essa importação vai ter consequências culturais e religiosas de fundo nas próximas décadas, quer para Portugal quer para a Europa em geral, é algo que, pelos vistos, não importa avaliar. [Read more…]

O Deus de Frazão

Pedro dos Santos Frazão, deputado do Chega, escreveu no X aquilo que podemos ler na imagem mais abaixo. Segundo Pedro, que conhece bem a divindade – ou não se atreveria a escrever o que escreveu –, foi a mão de Deus que protegeu Donald Trump do caminho das balas.

Não sei quantas mãos tem o Deus de Frazão, mas, se forem duas, ainda ficou com uma desocupada. Talvez por já ter uma provecta idade, tal como Biden, o Deus de Frazão não conseguiu evitar a morte do pai que protegeu a mulher e a filha no mesmo comício em que Trump foi alvejado. Era muita coisa para fazer ao mesmo tempo e o velhinho de barbas brancas (Frazão deve ter um retrato em casa) teve de escolher. Ou então, assim como tem planos maiores para Trump, o Deus de Frazão tinha planos menores para Corey Comperatore. Também há a possibilidade de o Deus de Frazão não ter tido tempo para pensar em planos para o morto, abandonando-o à sua sorte, enquanto, no último segundo, desviou a cabeça de Trump. Fico, ainda, a saber que o Deus de Frazão não teve tempo ou planos para todas as crianças mortas em tiroteios nas escolas americanas. [Read more…]

Nico Williams, o egoísmo e a falta de memória

Nico Williams, a estrela do Atlético de Bilbau que se sagrou campeão da Europa no Domingo passado, nasceu em Pamplona.

Os seus pais, contudo, atravessaram o Saara a pé, em busca de uma vida melhor. Caminhando desde o Gana, chegaram a Marrocos e entraram em Espanha por Melilla. Aí, tendo chegado com uma mão à frente e outra atrás, beneficiaram de apoios sociais para se estabelecerem e sobreviverem.

Passados 22 anos, Nico Williams foi um dos craques que conduziu Espanha ao quarto título europeu, para grande desgosto da extrema-direita espanhola.

Com um salário anual de 8,8 milhões de euros, o jovem jogador é já dono de uma fortuna que garantirá uma reforma tranquila aos pais, que tanto sofreram para que nada faltasse aos seus filhos. [Read more…]

Os super atletas dos colégios privados

Sabem o que está de regresso?

Os rankings escolares.

E, com eles, todo um novo universo de super atletas com 19 e 20 a Desporto.

Gordo ou magro, marreco ou coxo, os colégios privados portugueses recebem crianças normais e devolvem-nas transformadas em Phelps, Bolts e Comănecis.

Não falha um.

Se eu mandasse nisto tudo, substituía os incompetentes do Comité Olímpico Português por directores de colégios privados deste país. Voltávamos para casa com mais medalhas que os americanos.

O dia 8 e as duas vitórias de Putin

Foi ontem, dia 8 de Julho, mas quase passou entre os pingos da chuva: Putin tem um novo grupo parlamentar na União Europeia e vai, assim, corroendo aos poucos o Titanic europeu, qual icebergue pronto a receber este barco que se afunda ainda antes de embater.

O novo grupo de extrema-direita, liderado pelo amigo húngaro e que acolhe partidos proto-fascistas como a União Nacional francesa, o Vox espanhol, os Nacionalistas-Liberais da Áustria ou a agremiação de pategos chamada Chega, será o porta-estandarte dos valores do putinismo na Europa. [Read more…]

A rebelião de Gonçalo da Câmara Pereira

aconteceu na Assembleia Municipal de Lisboa. Antes das eleições, queriam-no na campanha todos os dias. Vencidas as eleições, deixaram de lhe atender o telefone. Dramático.

 

Tamara Volokhova, agente de influência

Na mesma semana em que o partido de Marine Le Pen anunciou a intenção de vedar o acesso a certos cargos públicos a cidadãos franceses com dupla nacionalidade, veio a público este fabuloso “olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço”. A fazer lembrar os grandes sucessos do Bolsonaro da Wish que temos por cá.

O que sucede?

Sucede que o RN tem cidadãos com dupla nacionalidade que foram candidatos às eleições de Domingo, entre eles Tamara Volokhova.

Quem?

Isso: Tamara Volokhova.

Sim, também nunca ouvi falar. [Read more…]

Craques

 

O primeiro debate Biden/Trump de 2024

(Transcr.)

CNN — 

President Joe Biden and former President Donald Trump participated in their first debate of the 2024 election season on CNN Thursday.

Read the rush transcript of the debate here: [Read more…]

TotoTories

Alister Jack, ministro dos Assuntos Escoceses, é um dos envolvidos no escândalo de apostas relacionado com a data das eleições gerais no UK. A implosão do Partido Conservador segue dentro de momentos.

USA, land of inequality

What?

The land of the free?

 

Assange livre da prisão e da extradição

Não se conhecem ainda as vírgulas do acordo, mas ter Julian Assange livre da prisão e da extradição, 14 anos depois da publicação dos documentos que deixaram claro o papel que jogam os EUA, e 5 anos depois de detido em Londres, é uma vitória muito importante. Saem humilhados a CIA e a Scotland Yard, que acumularam ilícitos para ofereceram aos seus patrões uma das mais significativas derrotas dos últimos anos.

O patriota português que fala alemão

Rui Fonseca e Castro, o tristemente célebre ex-juiz, é uma figura ridícula e perigosa, tal como era Hitler, que inspirou Chaplin e provocou milhões de mortos.

Nas redes sociais, Fonseca e Castro publica os habituais conteúdos dos fachos obcecados com invasores estrangeiros, pedófilos e homossexuais, tendo boicotado há poucos dias o lançamento de um livro.

Num discurso paupérrimo, em frente à Assembleia da República, gritou umas coisas identitárias, vociferou o seu patriotismo e terminou com um “Ausländer raus” (“Estrangeiros, fora!”, em alemão), porque ser português é menos importante do que ser nazi.

Não é um caso de política, é um caso de polícia.

 

Escutas

Era uma vez um primeiro-ministro muito fraquinho a que chamavam socialista e que ficou muito aborrecido por ter conseguido uma maioria absoluta, quando estava desejoso de ir para a Europa, essa região distante de Portugal, não em quilómetros mas em euros.

Era uma vez um presidente da República que vivia obcecado com a popularidade, tão carregado de opiniões, que se tornou incontinente, desejoso de estar dos dois lados da política, comentador-político ou político-comentador. Este mesmo presidente da República tinha sido constitucionalista e declarou, apesar disso, que a demissão do primeiro-ministro implicaria a queda do governo, com base num argumento próprio de um comentador e impróprio de um constitucionalista.

Era uma vez uma investigação inconsistente que deu ao primeiro-ministro a oportunidade de se demitir em direcção à Europa, demissão aproveitada pelo presidente que deu ouvidos ao comentador e ignorou completamente o constitucionalista, que uma pessoa não é obrigada a ouvir as vozes todas que tem dentro de si.

Pelo meio, um antigo ministro, que já tinha procurado emprego como comentador, voltou muito depressa à política para ser primeiro-ministro e acabou na oposição e um antigo chefe parlamentar que estava na oposição chegou a primeiro-ministro.

No ano em que o 25 de Abril comemora cinquenta anos, cinquenta amantes do 24 de Abril chafurdam na Assembleia da República.

Continuemos à escuta.

Omertà à portuguesa

O padrinho nem precisa dar uma ordem, basta expressar a vontade que alguém se presta a satisfazer. Existe um código de silêncio, Omertà, que a todos protege para que a verdade não seja do conhecimento geral e crimes passem impunes.
Lembrei-me da máfia siciliana a propósito das buscas no Ministério da Saúde e Hospital de Santa Maria, o antigo Secretário de Estado Lacerda Sales constituído arguido e anúncio que o Dr. Nuno também o seria, a propósito do caso das gémeas. [Read more…]

Incoerências

O processo alongou-se porque foi muito difícil perceber, de entre as pessoas com “um discurso não coerente” presentes na sede, qual o bombista e quais os dirigentes do partido.

A farsa do cancelamento woke, explicada em 7 minutos

Jon Stewart expõe aquilo que é óbvio para muitas pessoas, entre as quais me incluo: que o choro incessante da direita radical e da extrema-direita, alegadamente oprimidas pela cultura de cancelamento, não passa de um barrete enfiado da cabeça aos pés.

Mas Stewart vai mais longe, demonstrando factual e igualmente a pulsão canceladora da direita trumpista, que persegue os opositores de Trump e até faz com que sejam expulsos de órgãos do Partido Republicano, como foi o caso de Liz Cheney.

Fazia-lhes bem passar umas férias no Estado unipessoal do amigo de Trump, Kim Jong-un. Podia ser que aprendessem uma coisa ou duas sobre cancelamento da liberdade de expressão. Mas talvez se sentissem em casa, a julgar pelo apreço que revelam pelo culto fanático do líder.

Proposta aos canais noticiosos

Sou muito favorável a um modelo televisivo em que haja uma equipa que atribui notas aos comentadores que acabaram de atribuir notas aos candidatos. Não só introduziria mais justiça neste sistema de avaliação de desempenho, como permitiria um elevado grau de especialização no comentário informativo, abrindo caminho até a que surgisse uma espécie de “governo sombra” do comentário político. Por exemplo: para cada Pedro Marques Lopes, um Pedro Marques Lopes Sombra, conhecedor das suas virtudes e limitações, capaz de avaliar as suas oscilações de humores, simpatias e enfados.

Pensai nisso.

Cobardes e canalhas como o monstro de Santa Comba

O caso da criança nepalesa de 9 anos, agredida por várias outras crianças no recreio da escola, que o insultavam e lhe dirigiam o clássico pregão fascista “vai para a tua terra”, enquanto a espancavam, é todo um tratado sobre consequências do crescimento da extrema-direita.

O caso tem, aliás, autores morais muito concretos. E vocês sabem quem são.

A criança, essa, vive em sobressalto desde então. Acorda durante a noite com pesadelos e tem medo de ir para a escola. Eis a vítima dos descendentes de Salazar: uma criança de 9 anos. Tão cobardes e canalhas como o monstro de Santa Comba.

Os pais, que com a criança chegaram a Portugal em contexto de asilo político, estão integrados na sociedade, têm emprego e rendimento fixo, pagam os seus impostos e trabalham na restauração, onde os portugueses não querem trabalhar.

Esta família, como a esmagadora maioria das famílias que chegaram a Portugal nos últimos anos, representa risco nenhum para a nossa comunidade. [Read more…]

Cristina Ferreira, Manuel Luís Goucha e Suzana Garcia entram num bar extremamente desagradável

Todos os dias, sem excepção, ouço o Extremamente Desagradável.

E raro é o dia que, terminadas as gargalhadas, não fico perplexo com o país em que vivo.

Um país onde charlatões declarados são tratados como autoridades em programas da manhã, onde gold diggers se apresentam como empreendedores de sucesso e onde milhares de pessoas são diariamente aldrabadas com bolas de cristal, amigos imaginários e pirâmides de autoajuda.

Se esta corja de trafulhas fosse sujeita a um décimo do escrutínio a que estão sujeitos os políticos, metade já estaria na cadeia. Ao invés disso, são credibilizados por estações de televisão, alegadamente sérias. [Read more…]