A Grande Mesa da Exclusão

Vejo imperdoável permanecer vivo neste desmoronamento da esperança, trazer todos os dias as carnes laceradas de uma incerteza asfixiante para mim e para os meus próximos, observando que a espécie a que pertencemos parece sensível à hubris da palavra transgredida, mas indiferente à clandestina normalidade de um amor proclamado, que até se possa viver dele, sorrir na própria nudez e indigência, o que nem merece comentários. Eis-me de novo à mesa, à grande mesa da exclusão. Parece que a coutada que os políticos reservaram para si permitiu caçadas excepcionais, prodigiosas. Servos da gleba, para nós nem os restos – ficou estipulado.

O Princípio da Igualdade


Constitucionalista e catedrático da Universidade do Porto, o Prof. Doutor Paulo Ferreira da Cunha lembra neste vídeo que alguns não estão a ver toda a dimensão do principio da igualdade.
Igualdade não é tratar a todos de forma aritmeticamente igual, ainda que seja tratar a todos mal, e promovendo desigualdades. Se tirar apenas a um grupo é desigualdade, tirar a todos o que lhes é devido, atingindo o limite da dignidade pelo menos de alguns, não o seria menos.

Não resisto, adoro a música:

Não há uma partícula de Deus

Não é para chatear que escrevo este post!

Mas esta expressão, ‘partícula de Deus’, atrai-me desde que ouvi falar nela há cerca de um ano.

Hoje, é capa dos jornais. O JN escreve: “Estamos mais perto de conhecer a origem do Universo”.

É que, afinal, essa partícula dita de Deus, existe.

A “partícula de Deus” tem ainda outro nome: «o bosão de Higgs», ou seja, a partícula das partículas, que dá massa às outras partículas. “O bosão de Higgs foi teorizado para explicar por que é que a matéria existe. Acontece que o chamado Modelo-Padrão, actualmente a melhor descrição das partículas subatómicas e das forças que as unem, exige que uma partícula confira massa às outras. Sem ela, o universo que hoje observamos, com as suas galáxias, planetas — e nós —, nunca teria surgido.”

Tolentino de Mendonça, padre e teólogo, comenta sobre o assunto do seguinte modo: “A Teologia explica o porquê da criação, a Ciência o como. O «como» é do domínio da Ciência. Não há uma partícula de Deus. Não há um segredo de Deus na Física. O segredo e a partícula de Deus são mais do domínio espiritual, do sentido da vida e da finalidade da criação do que a causa física do Universo”.

É interessante a ideia de que existe uma partícula que confere massa às outras!

E que, sem ela, nós não teríamos surgido!

E, mais curioso ainda, que essa “partícula” seja, justamente, atribuída ou designada como «de Deus»!!

E, finalmente, ocorre-me ver-nos como partículas, «coisas» minúsculas, pequeninas, grãos de areia fazendo parte de um Universo infinito (ou finito), imenso. E, no entanto, somos tão importantes!

Uma partícula subatómica a fazer falta, faz uma diferença do «caraças»!! Pode um puzzle estar completo sem uma peça? Até irrita, incomoda, quando nos falta logo uma e apenas uma peça e não há meio de saber onde está… o puzzle deixa de fazer sentido. Não está terminado…

P.S.- Por outro lado (e isto só para quem acredita), não seremos partículas de Deus? Ups…

Profissão de Futuro?

Professor? Enfermeira? Arquitecto? – a ganhar 4 euritos à hora?
A sério, qualquer puta barata ganha mais enquanto come um brioche.

Em defesa da liberdade de expressão – Protesto contra os poderes soberanos

Sempre que ouço falar no crime de difamação, sou invadido por uma alergia mental. A repressão penal das palavras é algo que não consigo conceber num Estado Democrático, sendo este facto, no nosso país, , agravado por uma magistratura que, a espaços, demonstra não conseguir compatibilizar de forma adequada o direito à honra com o minimo de liberdade de expressão que se exige a uma democracia.

É evidente que o direito à honra merece protecção. Não é disso que se discorda. A discordância surge apenas e só quando alguém tem que responder criminalmente por palavras que proferiu.

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As lágrimas do Euro 2012

O Euro 2012 tem dado que falar, mesmo depois do derradeiro jogo.

Muito se chorou nos estádios onde decorreu. Dentro e fora do campo foram derramadas lágrimas por derrota, vitória, orgulho, etc.

O outro lado do Euro 2012…

É caso para dizer que há lágrimas e lágrimas: elas não são todas iguais, embora o poema de António Gedeão diga que todas são, sem distinção, constituídas de “água (quase tudo) e cloreto de sódio”!! Há que respeitar quem chora, por que chora e o momento em que o faz, involuntariamente, espontaneamente, no meio da multidão e sem esperar ser filmado!

Que o diga a adepta alemã cujas lágrimas de orgulho e felicidade pela sua seleção foram interpretadas e manipuladas erradamente.

As suas “lágrimas foram choradas na execução do hino alemão, antes de a bola rolar, e que a realização televisiva da UEFA tinha gravado, descomposto e diferido a realidade para o final do jogo”. Mas foram usadas para ilustrar a derrota da Alemanha contra a Itália. Ela não gostou da brincadeira e, com razão, vai processar a UEFA. Isso não se faz! O outro lado da UEFA…

Apetece-me acabar este post dizendo aos fotógrafos e aos operadores de câmara: as lágrimas não são para se registarem. Talvez o riso… não sei… Mas as lágrimas são só para quem as chora. Por que as evitamos, disfarçamos, escondemos, negamos? Por que há tantos e tantas que não vemos chorar em público ou à frente de outros? Porque é coisa muito íntima.

Há muito que se lhe diga para se deixar cair (ou não deixar cair) uma lágrima!

O Ouro da Ana

A Ana Dulce Félix trouxe ouro para Portugal! Ou melhor, conquistou uma medalha de ouro na 21ª edição dos Campeonatos Europeus de Atletismo. A sua primeira medalha internacional “e logo de ouro”!

Ofuscada pelo Euro 2012 e pela derrota da seleção nacional frente à fortíssima Espanha – que veio a sagrar-se campeã da Europa -, esta edição dos campeonatos de Atletismo europeus foi, porém, muito positiva para Portugal:” previsão lusa de três medalhas acabou por se confirmar”.

Não podemos esquecer o Ouro dos nossos atletas, a qualidade dos nossos desportistas nesta àrea, que tem sido relegada para lugares secundários, muito injustamente. Há que apoiar mais o Atletismo nacional.

 Parabéns Ana Félix e boa sorte na maratona dos jogos Olímpicos!!

A Infâmia…

… a selvajaria e a barbárie nunca desgrudaram da pele do ser humano, apesar dos séculos, dos museus, da “cultura” e da tecnologia.

Agora encontraram uma nova frente, este parvalhão é o seu arauto e merece o mais veemente e claro dos repúdios.

Mas condenemo-lo com cuidado e alguma auto-critica enquanto povo e país. É que, se o homem e seus seguidores não deixam de ser uns obscuros idiotas fundamentalistas, nós, por cá, também não respeitamos lá muito o património colectivo e até da humanidade.

E isso, queiramos ou não, correndo o risco de parecer forçar a analogia, não abona grande coisa a favor da nossa imagenzinha civilizada e assim tão distinta da barbárie.

Privatizar a enfermagem, um excelente negócio

Ainda mais escandaloso do que pagar 3,96€ por hora a um enfermeiro, é o que acabo de ouvir numa rádio: na realidade o estado paga 5€ por hora a uma empresa, esta por sua vez é que fica a ganhar 1,04€ pelo trabalho alheio. Pior ainda, segundo um dirigente sindical o gamanço pode atingir 50% do que é pago pelo estado.

É o capitalismo em todo o seu esplendor. Uns vendem a sua força de trabalho a preço de saldo, outros apropriam-se de uma mais-valia completamente absurda, limitando-se a seleccionar candidatos e a tratar da contabilidade.

Temos por exemplo uma tal de Medicsearch, citada na notícia. Vai-se a ver é pertence à Fly2doc, uma multinacional deste ramo do esclavagismo moderno, pomposamente baptizado de “serviços de consultoria de recursos humanos para a área da Saúde“.

Claro que perante isto só podemos repetir que o nosso mal é estado a mais e privado a menos, que andávamos a viver acima das nossas possibilidades e urge cortar nas gorduras do estado. Haja mais privado, alguém lucrará com isso sem sujar as mãos num único doente.

Jotinhas que nunca trabalharam

O colega aqui do quarto direito, atirou-se, no Forte Apache a um sindicalista que, segundo ele não trabalha desde 1979. Como li o texto um bocadinho depois da hora, ainda pensei que se tratava de um trocadilho sobre o espantoso currículo do Pedro Passos Coelho nas empresas dos amigos, isto é, na Jota do Ângelo Correia.

Li, depois, com mais atenção e percebi, com umas trocas de comentários, que a sátira era sobre uma questão bem mais delicada – a dificuldade de renovação do movimento sindical, algo comum a todas as estruturas coletivas da nossa sociedade.

O que me dizem os responsáveis da igreja, não é diferente do que se passa nas associações de pais, nos clubes, nos partidos e, claro, nos sindicatos.

As jotinhas dos Partidos (PS, PSD e CDS) são um fantástico mecanismo de promoção social – todos o sabem. Também sabemos todos e eu já o escrevi no Aventar, o que significa o movimento sindical para o PCP.

Mas, estas são duas dimensões apenas duma realidade bem mais complexa. Tem havido baixa rotatividade no mundo sindical? Se calhar.

Mas, nas outras organizações tem sido diferente? Ao nível local, quem manda no PS e no PSD não têm sido os mesmos desde sempre?

Respondem-me que, então estão bem uns para os outros, ou antes, estão mal uns para nós! Sim. Claro. E daí o problema!

A questão central é mesmo esta, porque é que as dimensões coletivas da nossa sociedade estão a falhar? E como é que se consegue dar a volta a isto?

A Nossa História em Dois Minutos

É um vídeo que acabei de receber, enviado por uma amiga. Chama-se A Nossa História em Dois Minutos e é uma compilação de imagens muito rápidas. Necessariamente incompleto e com critérios de edição questionáveis (como não poderia deixar de ser) é um exercício curioso que (re)lembra alguns momentos marcantes, esquecendo outros. Mas, em dois minutos, não se pode pedir muito melhor.

 

Um minuto com 61 segundos

Quantos segundos tem um minuto? A resposta é sabida: 60 segundos. Até uma criança sabe isso!

Mas hoje, esta noite, apenas esta noite, desde 2008 e pela 25ª vez desde 1972, haverá um minuto que terá 61 segundos.

Há que aproveitá-lo!! (O que se faz num segundo???LOL!)

Li no Público de hoje que esta noite será o momento de atrasar um segundo nos 200 relógios atómicos de todo o mundo, que precisam de ser acertados periodicamente.

Vamos poder dormir mais um segundo! E eu que ando tão cansada, vai dar um jeitaço dormir mais um segundinho.

Serão os açorianos os primeiros a viver esse desajeitado minuto com um segundo a mais que a natureza nos está a dar! Depois, será no Continente e na Madeira: acontecerá entre as 00h59m59s e as 01h00m00s.

Não sei se vou dormir ou ficar acordada para ver esse segundo passar?!

Afinal é um minuto defeituoso de uma hora defeituosa deste admirável mundo nosso!

Herança Magna – o melhor do turismo em Gaia

Vila Nova de Gaia é um Concelho com uma enorme taxa de desemprego, onde os problemas sociais parecem ser proporcionais à qualidade da frente marítima – grandes!

Mas, para que não me acusem de só escrever sobre o lado mau da vida, abro hoje a porta a um Projeto que conheci ontem.

Ali, na zona histórica, junto ao cais de Gaia, na singular rua de Serpa Pinto, nasceu um conceito que junta o melhor de Gaia com a necessidade que todos sentem de mais emprego, de mais investimento, de mais saídas para  a situação atual do país.

Ontem à noite, Dia de S. Pedro, estive na abertura da Herança Magna, um evento que junta música tradicional, fado, teatro e… A  comida… uau… As pataniscas, o bacalhau e as tripas,…

Da parte dos vinhos não falo porque seria quase um pleonasmo – é uma casa na “casa” do melhor vinho do mundo!

É um “acontecimento para turista ver”, mas que é perfeito para qualquer tuginha, até pelo preço, condição bem importante nos dias que correm.

Fiquei surpreendido e por isso arrisquei escrever um post no Aventar, numa área que não é a minha. Já na noite de S. João tinha experimentado uma outra visão do fogo, muito bem instalado num barco no meio do Douro.

Também agora, o meu estatuto de turista local, dá-me a independência de sugerir que aproveitem esta oportunidade.

Suicídios

Um farmacêutico grego de 77 anos deu um tiro na cabeça: preferiu morrer a ter de procurar comida no lixo.

No mês passado, um homem de 60 anos e a mãe atiraram-se da janela de um sexto andar em Atenas. Não conseguiam sobreviver com os 340 euros da reforma dela, única fonte de rendimento.

Estes são apenas dois casos…

O que estão os Governos a fazer na prevenção destas situações? Não se protegem os idosos. Não se pensa nas crianças. Eles não constam dos discursos políticos. Estes casos não os preocupam. Nunca ouvi nenhum político referir-se a este problema nem a lamentar-se, sequer («coisa pouca, irrelevante, não é motivo para alarme», pensam logo dizem). É preciso agir, urgentemente!!

Foi na Grécia, mas em Portugal a crise económica também já está a fazer das suas, pela calada, em silêncio. Nem imaginamos o que por aí anda e bem perto…

Há gente a sofrer porque não tem dinheiro nem emprego, ano após ano. Os problemas aumentam na casa dos gregos e dos portugueses. Há famílias ameaçadas. O divórcio também é uma consequência da crise, para além do suicídio.

Isto é que é importante resolver, assim como ajudar, educar, preparar as pessoas para enfrentar problemas desta natureza. Há tantos cursos e cursinhos e acções de formação que só servem para encher pneus. Ninguém está preparado para o pior. Ninguém nos ensinou e continuamos a não estar capazes nem a preparar para a vida, enquanto pais e professores.

Somos todos gregos

Vandana Shiva

Passou há pouco, na RTP2,  um maravilho documentário com um monólogo de Vandana Shiva. São pessoas assim que às vezes me levam a acreditar na humanidade.

Abordou
– a apropriação de sementes pelas grandes cooporações,
– a impossibilidade do modelo de crescimento ocidental,
– a necessidade de a humanidade se assumir como parte integrante do planeta.

As aventuras de um inglês por causa de meia dúzia de km numa ex-scut

Ontem, no semanário de língua inglesa publicado em Portugal The Portugal News (edição em papel, pág. 20), deparei com esta carta ao director, que traduzo:

Sir,

Passei recentemente uma férias no vosso adorável país e tudo correu bem excepto um fiasco ainda em curso.

Como visitante, achei a questão das portagens na A22 confusa e pouco amigável. Acho que, numa ocasião, fui excessivamente cobrado (cobraram-me 6.42€ por um troço de Lagos a Carvoeiro – num só sentido!). Queixei-me na loja de pagamentos e mandaram-me para os CTT. Queixei-me nos CTT e mandaram-me para a ViaLivre. Acabo de receber um e-mail da ViaLivre e mandaram-me falar com a agência de aluguer de automóveis!!

Estarão as autoridades portuguesas a tentar mandar os visitantes e o seu dinheiro embora?

Bem-vindo à realidade portuguesa, Sir. Isto é apenas a pontinha do iceberg. Para quem cá vive, o pesadelo é bem pior.

Num instante tudo muda

Ao folhear o Público de hoje, fui atraída pela frase “O futebol como coreografia da vida” do deputado do PS, Francisco Assis, que escreve às quintas naquele diário. “Gosto de futebol como jogo, paixão, estratégia, coreografia e vida. Está lá quase tudo”.

Refere-se, sobretudo, ao desempate por grandes penalidades, comentando de forma curiosa e muito interessante (parabéns): “Já não há mais jogo, só penáltis. O estádio pára. O tempo desaparece. Estamos perante a tirania da geometria pura. De um lado um marcador, de outro um guarda-redes. Esquecemo-nos que são homens, de certa forma deixaram de o ser. Solidão absoluta envolta numa multidão muda e expectante. Não é imaginável uma situação mais cruel. Pura existência individual confrontada com o destino. (…) Curiosa metáfora de tantas vidas. Contudo, num instante tudo mudou. (…) Um “golo é muito mais do que um golo. É arte, paradoxalmente imprevisibilidade e dir-se-á que foi feita justiça. Provavelmente foi o génio que triunfou. Seria reconfortante pensar que as duas coisas andam a par. Fiquemos satisfeitos por admitir que por vezes elas não se contrariam. Já não é pouca coisa.(…)”

A vida feita de instantes de arte, justiça, injustiça, génio, crueldade, azar… Feita de instantes de glória e de falhanços.

Também penso que há muitos momentos em que estamos completamente sós: nós e o problema, «o marcador» e o «guarda-redes». Não podemos contar com mais ninguém. E ninguém pode resolver «a coisa» por nós. «A multidão» não pode fazer nada. Tudo está nas nossas mãos. É também o «agora ou nunca» do instante.

Abolir as grandes penalidades? Há quem defenda isso. Afinal já «não é jogo»…

Tal como a selecção portuguesa, ganhamos umas, perdemos outras. Olhemos para a frente, chegará outra oportunidade!

Em Portugal? Impossível!

 

Por vezes somos levados a pensar que Portugal é um país de terceiro mundo. Que só aqui acontecem coisas inacreditáveis. É preciso estar com terceiros, com não portugueses e a nossa alma fica um pouco mais…alegre.

 

Um velho amigo de outras paragens esteve, por estes dias, de visita a Portugal. Entre algumas valentes patuscadas e a folia própria do S. João, contou-me uma história de bradar aos céus que lhe aconteceu no seu país.

 

Este meu amigo trabalha como Consultor de Comunicação. Nos finais da década de noventa, depois de muitos anos a virar frangos, criou uma empresa. Recentemente, um cliente seu, no final de uma palestra onde foi orador um importante administrador (ou director, não percebi bem) da televisão pública do seu país, virou-se para quem o convidou, o tal cliente do meu amigo, tecendo críticas ao facto da escolha de media partner ter recaído num concorrente privado de TV. Não satisfeito, atirou-lhe:

 

“Eu bem lhe disse para escolher outra empresa de consultoria, a que escolheu é uma merda. Devia ter escolhido a que lhe indiquei e sempre garantia um forte apoio da minha televisão”.

 

O inacreditável é que a tal empresa de comunicação a que se referia esse administrador (ou director) era…da mulher (ou amante, ainda ninguém percebeu bem).

No final só tive tempo para lhe explicar que, em Portugal, era impossível um administrador/director da RTP fazer coisa semelhante. Impossível, repeti. Onde já se viu semelhante? Imaginem um Administrador/Director da RTP criticar a um organizador de um determinado evento por ele escolher a SIC em detrimento da RTP e logo a seguir aproveitar para tentar vender os serviços de consultoria da sua mulher (ou amante) garantindo, pelo caminho, os seus bons ofícios no canal que administra/dirige. Nem consigo imaginar.

 

Realmente, não lembra a ninguém, pois não???

4’33”

No silêncio da noite, ocorre-me escrever sobre ele.

Já fez, seguramente, um minuto de silêncio.

Os adeptos de futebol já estão habituados a fazê-lo… Os deputados também. Os cidadãos, mais raramente.

Agora imagine comprar bilhete para ouvir uma orquestra famosa ou um solista de renome e ter no programa uma obra chamada 4’33”. Quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio. Ouviu bem: de silêncio!

Só alguém genial como o compositor americano John Cage para se lembrar duma coisa destas! Uma obra em 3 andamentos em que os únicos sons são os do próprio ambiente e os produzidos pelas pessoas que assistem ao concerto. Claro que pode respirar (como diria Sérgio Godinho)! E sim, entre os andamentos, sentir-se-à mais à-vontade para tossir e fazer outros ruídos!

Se a obra nos deixa boquiabertos em pleno século XXI, imagine a reação dos primeiros ouvintes há precisamente sessenta anos.

O silêncio não é fácil: experimente esta obra.

A Música também é silêncio!!

Quando o PS voltar ao poder ainda lhe vão dar um lugarzinho na ERC

Ricardo Rodrigues foi condenado por atentado à liberdade de imprensa e atentado à liberdade de informação.

Depois de Ricardo Rodrigues ter ficado com os gravadores, foi nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários, e integra, actualmente, a Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação.

 

Sou o que faço

No livro Memórias do Livro de Geraldine Brooks  descobri uma frase muito bela de Gerard Manley Hopkins (1844-89) que, naquela edição portuguesa (casa das letras), Ângelo Pereira traduziu como “Sou o que faço, foi para isso que nasci.” Fui à procura do poema. Partilho com todos: Chispeia o papa-peixe

Chispeia o papa-peixe, brilha a libelinha;
Tombado sobre a borda de um tanque redondo
O seixo soa; a um toque a corda ecoa; e o som do
Badalo é língua e brada longe o nome – é assim a
Ação que sempre é feita: o ser que em nós se aninha
Cada coisa mortal o distribui de todo;
Vem-a-si, trilha a si; “eu” exclama, escande, estronda o
Eu sou o que faço: tal era a missão que eu tinha.

(…)

(tradução de Alípio C. de F. Neto)

Há dois anos à espera de resposta da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária

Eu, que não sou polícia nem profissional do ramo automóvel, sei o que é um seguro de carta. Os agentes da PSP do Cartaxo, Alcochete ou Vila Franca de Xira parecem não saber e nunca ter ouvido falar em tal coisa.

Por causa desse seu desconhecimento multaram por três vezes um mecânico de Alenquer, apreenderam três carros que pertenciam a clientes seus e, por fim, apreenderam-lhe também a carta de condução.

Como resultado desta acumulação de erros o mecânico ficou sem poder trabalhar e espera resposta da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária para que a justiça seja reposta. O problema é que a primeira destas multas (e consequente reclamação para a ANSR) aconteceu há dois anos e a resposta da dita autoridade ainda não chegou.

Contactada pelo jornal i, a ANSR limitou-se a dizer que:

“existem condicionalismos que dificultam a rapidez da tramitação processual das decisões administrativas”

Perante isto, suponho que também “existem condicionalismos que dificultam a rapidez da tramitação processual das decisões administrativas” para pôr esta gente no lugar onde ela devia estar: no olho da rua!

Tutu: o cuidado pelo outro

O Nobel da Paz 1984, Desmond Tutu, esteve em Portugal para uma conferência na Gulbenkian. Disse, entre outras coisas:

«Os seres humanos só têm uma casa, que estão a destruir, e ainda não perceberam que são ‘da mesma família’» ; realçou que uma das «lições de deus» é a de que «não podemos ser humanos em isolamento, precisamos dos outros para nos complementar». Acredita que os seres humanos são originalmente bons e que é «um incrível privilégio fazer deste o nosso mundo»; Desmond Tutu falou do «cuidado pelo outro», que «é da mesma família».

Comparou os «escandalosos orçamentos» gastos em defesa e armamento à pequena parte canalizada para «dar água limpa e comida suficiente às crianças do mundo».

Acredita que é possível ter um mundo diferente.

 

 

Carta do Canadá: Umas boas férias

Parafraseando Steinbeck, bem podemos dizer que este é o verão do nosso descontentamento. E porque o inverno que aí vem não se afigura mais prazenteiro, aconselha o senso prático que nos ofereçamos as férias que nos carregarão as baterias de que tanto vamos precisar. Férias simples, modestas, como as de antigamente, no campo, cheias de silêncio e ar puro, sem jornais, rádios  ou televisões. Um tempo de completo pousio e contemplação, rodeado de gente que à terra tem dado a vida por gerações e que tem sempre um jeito saboroso de enfrentar a adversidade. Acrescente-se uma alimentação saudável e uma sesta bem dormida, um longo passeio a pé depois do jantar, que podemos aproveitar para rezar ou meditar, e teremos a receita de que precisa o nosso cansaço e desalento.
E, já se sabe, senso de humor, rir o mais possível. Para o que, sem pretensões, venho contribuir.
No meu tempo de Colégio de Nun´Álvares, em Tomar, tive o privilégio de conhecer João Santos Simões, engenheiro têxtil porque a isso obrigava uma empresa de família que vinha do seculo XVIII, uma fábrica de fiação, mas homem de nata vocação artística. Veio ele a ser o maior especialista de azulejaria portuguesa, devendo-lhe o país e a cultura, entre outras coisas, o levantamento completo do azulejo luso em terras brasileiras. Conversador admirável, generoso e alegre, de uma simpatia irresistível, guardou de rapaz um jeito desligado e boémio que era uma delícia. Porque em jovem pintou a manta. [Read more…]

Social Media Day :: Portugal 2012 :: V.N.Gaia

Citando:

 

O Social Media Day foi assinalado pela primeira vez a 30 de Junho de 2010, numa iniciativa do Mashable, espaço exclusivamente dedicado a notícias sobre a web 2.0 e redes sociais.
O grande objectivo da data é celebrar à escala global a revolução que transformou os media num ambiente eminentemente social. Logo no ano inaugural, mais de 340 encontros em 76 países do mundo assinalaram a data. Em 2011, o número de encontros subiu para os 1422, com as cidades de Nova Iorque e São Paulo a acolherem os eventos com maior número de participantes. Portugal associou-se ao Social Media Day desde o primeiro momento, com a cidade do Porto como palco para a comemoração.

Em 2012 vai ser em Gaia, no convento Corpus Christi, no próximo dia 30 de Junho (Sábado). Podem ver todo o programa AQUI. Lá estarei para falar sobre “Redes Sociais, as cidades e o turismo”.

Há sogras e sogras

Os pais trabalham demasiado. E, ultimamente, ainda mais.

O trabalho tira tempo à família. «Tira-nos» a família, é o que é.

Sobra muito pouco para ela: tempo e paciência como gostaríamos. “Educar exige tempo e paciência, e isso é algo que falta aos pais nesta conjuntura”, leio no Público (23 de junho).

E não há muito a fazer: “o emprego precário e o medo de perder o emprego sujeitam os pais e as mães a uma disciplina e a um envolvimento no local de trabalho (…) que tira tempo à família”.

Os filhos estão mais com os outros que connosco.

Acabaram as aulas. A coisa complica-se: «Onde deixar os filhos?»

Que sorte é ter uma sogra disponível que toma conta deles.

Há sogras que são umas «pestinhas», segundo ouço dizer, mas também as há que são umas santas!

Obrigada a estas! São a nossa salvação!!

Eternamente grata, sogrinha.

Like a virgin

Original, sem dúvida, a abertura das festas da cidade de Coimbra, sob a invocação da sua padroeira Rainha Santa Isabel, com um concerto de Madona Madonna.

imagem do Fliscorno

Parabéns, Lionel Messi

Hoje faz anos (25) o outro grande jogador do mundo.

Dois jogadores desta craveira ao mesmo tempo num só planeta é coisa rara. Em vez de discussões da treta sobre o melhor  (uns dias é um, outros é o outro), o melhor mesmo é desfrutar o seu futebol.

Hoje Messi faz anos e está de parabéns.

Eu, se me chamasse Cristiano Ronaldo, mandava-lhe uma mensagem de felicitações, desejava-lhe muita saúde, força e combinava um jantarzinho secreto durante as férias num lugar à escolha do aniversariante, onde nos riríamos das paixões assolapadas de alguns e do desprezo de outros.

Depois disso voltávamos ambos à rivalidade para público ver.

É que qualquer deles precisa do outro para ser ainda melhor do que já é.

O São João em Bastuço de São João

Em Barcelos, o maior concelho português.