Um “blogger” nas nuvens

Maquete do Data Center da Portugal Telecom

Ontem, em representação do Aventar, tive a oportunidade de participar no “Bloggers on the Cloud”. Não foi sem alguma apreensão que aceitei o convite: se, por um lado, sentia a natural curiosidade de conhecer pessoalmente outros bloggers, o ambiente parecia-me demasiado empresarial, por assim dizer, para que um homem de Letras não se sentisse deslocado. [Read more…]

Ao Abocanhador Astucioso Duarte

Meu Deus, Duarte, tu eras um animal de sacristia. Bem sei que te torceu as sinapses a leucemia, mas mesmo essa prova passaste e era gratidão e exemplo o que se te pedia. Tu, que eras organista nos coros altos e grandes naves e cuja verve era veloz e articulada como a máquina de fazer salsichas, fizeste o quê da pureza e da graça, abocanhador de heranças a viúvas, amantes e artistas?! Meu Deus, Duarte, em que bicho de irreconhecível avidez te converteste!? Preciso de uns óculos para a filhinha e umas hastes. Ela também ouve mal, troca os olhinhos de anjo, não lhe basto nem a mulher porque ganhamos só a paga do caminho e do gasto diário para a servidão-trabalho inútil e execrando. Faz-te um favor que nos dês, a dádiva-dom de um donativo. Alguns trocos hás-de ter para nós entre tanto papel de arder de que te fizeste cativo. Para cada Duarte que se faz à vida há milhares como eu que a têm sempre fodida.

Má língua

A atriz de 83 anos, Eunice Munõz, afirma ter sido «maldade ou inconsciência» o rumor que se espalhou ontem.

Quer trabalhar: voltará ao palco com a peça As Árvores Morrem de Pé de Alejandro Casona. E foi a trabalhar em O Comboio da Madrugada (T. Williams) que sofreu o acidente. Ainda a recuperar e recebe uma notícia como esta: um boato pelo Facebook sobre a sua morte…

Por quê? Por que se faz uma coisas destas? Não merece ela respeito de todos os portugueses? (Ela ou qualquer outra pessoa?) Ou só nos inclinamos perante o «Super-Ronaldo? Hoje , CR foi capa dos jornais. O DN dedicou um Especial de 15 páginas praticamente só ao jogador. E ainda não ganhamos nada. (Foguetes antes da festa). Mas Eunice estava na última página…

Nem de propósito… «as árvores morrem de pé». Assim será com ela, quando a morte (a verdadeira) chegar.

Grande e sábia como é, Eunice, depressa esquecerá este triste episódio.

Devia ter vergonha e ser responsabilizada a criatura que criou o boato.

Eu tenho um livrinho que se chama De Pé, Como as Árvores. E entre as suas folhas, pode ler-se esta frase:

A língua fala da abundância do coração.

E eu acrescento: a má língua fala da pobreza de espírito.

Com palas nos olhos

Bem, se é um professor de história do secundário, não posso pedir que conheça contributos como os de Solow, Kondratiev ou Mises, não é? Por isso, só lhe peço o seguinte: antes de comentar este tipo de tópicos, pelo menos faça um esforço por conhecer as variáveis para ler o post e compreendê-lo. Se quiser acrescentar conhecimento, leia aqueles e outros autores ou então abstenha-se de escrever trivialidades ou de ser ofensivo.


Entre outras há três razões que me levam a abandonar uma discussão:

– não discuto as convicções religiosas alheias, sobretudo quando funcionam em regime de seita;

– não se discute com crianças, embora se deva ensiná-las

– sendo verdade que presunção e água benta cada um toma a que quer, quando passa à presunção do que o outro sabe ou desconhece e se invocam teólogos, misturando Kondratiev com Mises, ultrapassa-se o limite do razoável.

O Ricardo Campelo de Magalhães, além da incapacidade de distinguir ciência de religião, conseguiu acumular as três razões. É obra.

Estamos à Vossa espera:

Nesta altura o Norte de Portugal prepara o verão. As festas populares são o pontapé de saída. Por isso, aqui fica o convite através de um vídeo que procura mostrar uma parte do Norte de Portugal em apenas cinco minutos. Foi o vídeo de apresentação da primeira Loja Interactiva de Turismo da Europa inaugurada ontem no Aeroporto Internacional do Porto – Francisco Sá Carneiro:

 

Grande Mulher (em tudo!)

A artista Joana Vasconcelos é a primeira mulher a expor no palácio de Versalhes!!

Em véspera do jogo Portugal-República Checa, passa despercebida esta vitória portuguesa! E ainda para mais, a de uma mulher!

Joana não é apenas a primeira, mas “a mais jovem artista contemporânea a ter o privilégio de se apresentar em Versalhes”, leio no DN do dia 18.

“As mulheres e a condição da mulher estão no centro do trabalho” desta artista que será a representante oficial na Bienal de Veneza em 2013!

Leva Portugal para Versalhes, leva mais que 11:  a ouriversaria do Minho, o fado de Amália, as tapeçarias de Portalegre, crochet do Pico, as cerâmicas de Rafael Bordalo Pinheiro, a escrita de Valter Hugo Mãe, as fotografias do pai, o design de Henrique Cayatte, a cozinha portuguesa e a louça da Vista Alegre.

Parabéns Joana. Uma salva de palmas para si, que é portuguesa da cabeça aos pés!!

O Diário de Notícias e o jornalismo de adivinhação

Todos os recordes do “jornalismo” de subserviência política e manipulação dos factos acabam de serem batidos pelo Diário de Notícias.

Publicando de véspera o que o fascista Rui Rio lhes ofereceu, em mais acção demonstrativa do seu esforço de exemplo para figurar como o autarca português mais inculto de sempre, sai a notícia antes de ter acontecido sem um aviso de que a ideia foi concorrer com o Inimigo Público.

Quem manda? o entaipador da invicta. Leia também a notícia num jornal a sério, ou veja os factos no blogue da Biblioteca Popular do Marquês.

imagem Gui Castro Felgas

Ateísmo

(Adão Cruz)

Correm por aí vários posts e muitos comentários sobre ateísmo e religiões, nos quais não tenho intervindo, por razões que se depreendem do pequeno texto que se segue.

No entanto, gostaria de deixar aqui a minha posição e a minha visão muito geral sobre o tema.

Sou ateu, racionalmente ateu há quase meio século. Até essa altura, foi dura a luta que travei para me libertar das peias e das grilhetas com que a igreja católica aprisionou a minha infância e a minha juventude, quase destruindo o meu cérebro, a minha mente, o meu pensamento e o que de mais precioso a vida me deu, a minha razão. O dia em que me virei para dentro de mim mesmo e senti, honestamente, um magnífico cheiro a lavado, foi o dia mais feliz da minha vida. [Read more…]

Avantos, Linha do Tua

Avantos, Linha do Tua, [Read more…]

O assalto ao subsídio de férias já começou

A história da democracia portuguesa é feita, entre várias hecatombes, da destruição do tecido produtivo em nome da obsessão de se ser considerado bom aluno, de desperdício de dinheiros europeus e da apropriação do Estado por dois ou três partidos para benefício dos filiados e amigos.

Os anos de Sócrates conseguiram aprofundar todos esses males, graças à total ausência de vergonha de um conjunto de figuras sinistras que empobreceu o país em todos os aspectos, nomeadamente através da multiplicação de Parcerias Público-Privadas, numa perspectiva de protecção contínua aos privados, esses amigos que estão sempre do lado certo do cartão partidário. Este é o país em que a culpa não morre solteira, é certo: entrega-se à prostituição.

O bando socrático explorou e aprofundou a má fama e a má imprensa dos funcionários públicos. Para pagar os calotes que criou em consequência de ter metido a mão na caixa registadora, culpou, exactamente, os funcionários públicos, ou seja, aqueles que eram obrigados a pôr dinheiro na caixa.

Inventaram, então, a generalização da improdutividade e publicaram, com a ajuda de meretrizes com cartão de jornalista, a ideia do parasitismo e dos salários excessivos. Depois, foi congelar as progressões na carreira, cortar nos salários, aumentar os impostos, para não falar no resto do assalto fiscal, ainda que disfarçado de taxas moderadoras, por exemplo.

Entre Passos Coelho e Sócrates existe uma única e verdadeira diferença: o primeiro não está em Paris. De resto, o actual primeiro-ministro respira de alívio porque o anterior abriu à catanada o caminho para a liquidação do Estado.

Por estes dias, os funcionários públicos experimentarão, pela primeira vez em vários anos, o retrocesso de não receber o erradamente chamado subsídio de férias. Trata-se de mais um roubo que não esquecerei, como não me esquecerei de nunca mais votar em gente que já deu provas suficientes de um latrocínio essencial.

Quando um filho morre primeiro…

Penso neste assunto muitas vezes…

Hoje, ao ler o DN de 7 de junho, que andava perdido no balcão da receção da minha escola, uma notícia de última página chamou-me à atenção: a filha do tão conhecido arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer morreu na passada quarta-feira, aos 82 anos. O seu pai já vai com 104 e, no mês passado, esteve internado 15 dias no hospital. Estava ansioso por voltar a trabalhar!

Este homem tem mais de um século de vida. Não é comum alguém atingir a sua idade. Viu morrer muitos amigos e muitas pessoas de família. Está mais só. Muito mais só agora, sem a filha, a única. Saberá Niemeyer enfrentar duma forma mais sábia a morte dum filho? Será para ele a morte algo mais «natural» que para o resto dos mortais?

O trabalho poderá ser a sua grande companhia.

Lamento imenso a morte de Anna Maria.

(Lamento imenso a morte dos filhos de quem quer que seja ainda vivo).

Espero que a criação de Niemeyer não termine por aqui…

Albino Cleto, Bispo Amável

JN, 17 de Junho, 2012

Custa-me saber de coisas destas: a morte, inesperada para mim, de um homem que me tenha acontecido admirar profundamente ao longo de décadas. Pelo menos desde os anos oitenta, comecei a apreciar imenso a sabedoria e o suave humanismo cristão de Albino Cleto, professor e pastor da minha Santa Igreja Católica em Portugal. Empatias são empatias. Ano após ano, nos sublimes Encontros Nacionais de Pastoral Litúrgica, em Fátima, nunca perdia palavra sua, por ser sábia, por estar embebida em Cristo, e por me contagiar de serena solidez neste peregrinar até à meta cósmica única que é Ele. Amei sinceramente este homem simples e eloquente, acabado de partir para o Inefável Abraço do Pai. Nunca o esquecerei.

Que giro! Tão pequeno e já fala chinês!

Vinte e três meninos entre os 4 e os 5 anos do Colégio Saint Daniel Brottier ainda não sabem ler nem escrever (português), mas já reconhecem caracteres chineses, o que já começa a ser «natural»!?

Tão moderno e com visão de futuro quer ser este Colégio, criando um projeto pioneiro, que relega para segundo plano a língua portuguesa…

Penso que esta situação é bem mais preocupante que o cumprimento ou não do novo Acordo Ortográfico, assunto que tem vindo a preencher páginas e páginas de artigos e criando divisão entre aqueles que de um lado ou do outro amam a nossa língua.

Etty

Um nome tão pequenino para se chamar a alguém tão grande…

Etty foi uma judia holandesa que, tal como Anne Frank, escreveu um Diário durante a ocupação nazi. Morreu em Auschwitz. Tinha apenas 28 anos.

Soube de Etty ontem, ao ler a crónica de Frei Bento Domingues no Público.

O Diário (1941-1943) de Etty Hillesum está traduzido para português e publicado pela Assírio e Alvim. Transcrevo algumas passagens desse texto incómodo e inquietante:

Podem tornar-nos as coisas algo complicadas,

podem roubar-nos alguns bens materiais, alguma aparente liberdade de movimentos,

mas somos nós que cometemos o maior roubo a nós próprios,

roubamo-nos as nossas melhores forças através da nossa mentalidade errada.

Através de nos sentirmos perseguidos, humilhados e oprimidos. Através do nosso ódio. Através de fanfarronice que esconde o medo. Bem podemos, às vezes, sentirmo-nos tristes e abatidos por causa daquilo que nos fazem, isso é humano e compreensível. Porém, o maior roubo que nos é feito somos nós mesmo que o fazemos.

Eu acho a vida bela e sinto-me livre. Os céus dentro de mim são tão vastos como os que estão por cima de mim. Creio em Deus e creio na humanidade, e aos poucos vou-me atrevendo a dizê-lo sem falsa vergonha.

A vida é difícil, mas isso não faz mal. Uma pessoa deve começar a levar-se a sério e o resto segue por si mesmo. E ‘trabalhar a própria personalidade’ não é certamente um individualismo doentio. E uma paz só pode ser verdadeiramente uma paz mais tarde, depois de cada indivíduo criar paz dentro de si e banir o ódio contra o seu semelhante, seja ele de que raça ou povo for, e o vença e o mude em algo que deixede ser ódio, talvez até em amor ao fim de um tempo, ou será isto pedir demasiado? Contudo é a única solução.

Apesar de todo o sofrimento, Etty acreditou na humanidade…

Perante o seu testemunho, tornam-se fúteis os nossos queixumes.

 

Obrigada COMANDANTE Cristiano Ronaldo!

O dinheiro não compra tudo!“, dizem por aí. _ Tal como a INTELIGÊNCIA desaparece de quem está dominado pelo sentimento de Inveja, digo, convictamente, depois de tanta coisa que li de 13 de Junho até hoje.

O ódio económico existe, é mais um mal que pode destruir pessoas, nações (a Líbia, p. exemplo) Y o seu portador só encontra consolo com aniquilação do seu objecto alvo. Não sei se há cura para esta infestação humana, mas os seus portadores são facilmente identificados.  A inteligência, por mais bela que seja a prosa: desaparece; o ridículo, o patético,  o mesquinho, o etc. secundário ganha lastro. Dá pena ler. Dá dó descobri-los assim. Qualquer um que tenha mais dinheiro que educação, formação, “cultura” parecerá sempre um belo príncipe – por mais “bronco” que o seja  – face a tais portadores de ódio económico. Não há nem inteligência, nem educação, nem formação, nem “cultura”,  nem belo verso que os salve de tão triste condição digna de dó Y lástima. É! Mais valia terem só dinheiro y serem gente de legenda: “O dinheiro não compra tudo!“.

Pensem nisso, digo.

PS.: Obrigada COMANDANTE Cristiano Ronaldo!

*Há mais no F-Se! 

O homem que fugia ao destino

Rodney King, o homem cujo espancamento por membros da polícia de Los Angeles indignou os EUA e o mundo, e deu origem a seis dias de motins sangrentos, em 1991, morreu hoje, aos 47 anos.

O seu corpo foi encontrado numa piscina, pela sua namorada, e as primeiras declarações da polícia afastam a hipótese de crime.

A vida de Rodney parece, agora que a vemos alinhada numa cronologia de acidentes, infortúnios e reviravoltas, uma extraordinária fábula de queda e redenção.

Quando foi detido e espancado pela polícia, Rodney já tinha cumprido pena por assalto à mão armada. Filho de um pai alcoólico e violento, começou cedo a reproduzir o mesmo padrão de comportamento. Na noite da detenção, não acatou a ordem de um polícia, provavelmente por estar a conduzir com excesso de álcool, e lançou-se numa fuga a alta velocidade. Quando foi detido, agentes da polícia atingiram-no com disparos de armas taser, pontapearam-no e bateram-lhe dezenas de vezes com cassetetes. [Read more…]

A TDT e o fim do mito do Portugal tecnológico e inovador

“A imagem parada, a olhar para nós sem dizer nada” diz uma pessoa do Sardoal. São retratos de quem foi aconselhado pela PT a comprar o descodificador mas que não funcionou, acabando por comprar o conjunto de recepção por satélite. Testemunhos de quem quer ver a televisão para a qual paga mensalmente uma taxa mas que, à noite, não funciona.

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Martha Payne’s Food-o-meter

Não sei bem o que os meus alunos comem. Mas presumo que parte dos seus recursos para alimentação se destinem a matrecos, sumos e croissants. Sublinhe-se que por mais suculento seja o menu proporcionado pelas escolas, comer mal fora da escola, comer vento fora da escola, frequentar o McDonald’s da esquina, são opções que hão-de ganhar aos pontos todas as vezes que é possível fugir às refeições escolares, o que em todo o caso parece ser raro. A ideia de avaliar o que se come ali não deveria atemorizar absolutamente ninguém, mas constituir um desafio congregador no sentido do aperfeiçoamento desse tipo de serviços. Não foi o que pensaram os que determinaram proibir fotografias num blogue tão útil e bem sucedido para o conhecimento íntimo e aperfeiçoamento da comida escolar, como o NeverSeconds, [Read more…]

O fosso que todos ajudamos a cavar

O fosso de que se trata neste post é aquele que “se cava” entre a política e a vida.

Não somos apenas nós, cidadãos comuns, que o dizemos (sobretudo sentimos). São também, pelos vistos, alguns políticos como o deputado do PS Francisco Assis, que escreveu ontem no Público: “Quando entre a política e a vida se cava um fosso, tudo pode acontecer”.

Eu quero e preciso acreditar que ele, enquanto agente político, está a ser sincero e a trabalhar no bom sentido ou de boa fé para o bem comum.

Ele reconhece a “profunda distância que separa o discurso prevalecente na política do mundo concreto da vida”.

Ele sabe, ou finge saber, ou isso lhe interessa (maquiavelicamente) que, para nós, homens e mulheres comuns,  os discursos políticos já não significam nada, que são «montados» de “palavras ocas”. Assis refere-se sobretudo aos homens e mulheres “que se limitam a viver uma vida sem esperança, sem futuro, sem projecto, quase sem dignidade”.

“Tudo pode acontecer”. Tudo pode acontecer quando se cava um fosso entre a política e a vida. Já conhecemos muitos exemplos disso mesmo.

O fosso está cada vez mais profundo.

Mas nós, às vezes, damos uma ajudinha e não é só pelo voto…

Um exemplo: foram criados 1008 movimentos na sequência da iniciativa do governo «O Meu Movimento». Ideias boas e reveladoras de um interesse genuíno dos portugueses em melhorar este país. 

Um apenas foi recebido pelo PM (eles a cavar com toda a força): o movimento denominado «Abolição das Corridas de Touros». Teve mais de 8000 apoiantes (a nossa ajudinha). Não havia causas mais importantes a apoiar? Porque ganhou esta? O que se passa connosco? De que estamos à espera?

Não sou contra os touros, mas os portugueses estão a precisar mais de serem ouvidos e atendidos… Foi desperdiçada uma grande oportunidade.  Mais de 1000 pessoas registaram as suas preocupações através da criação do «seu» movimento, para depois ser selecionado apenas 1. Entre os 4 primeiros com mais apoiantes, 2 manifestam preocupação pelos animais…

Para quando uma audiência com os graves problemas das pessoas?

Uma vergonha.

Um templo para ateus

A Fundação Saramago inaugurou ontem. A presidenta Pilar (assim li no Público) marcou bem ou mal o dia? É que Saramago era um declarado e acérrimo ateu, mas a Fundação com o seu nome abre as portas, precisamente e logo, no Dia de Santo António! Pilar esqueceu-se deste grande pormenor. Saramago não ia gostar…Claro que a simbologia não é importante… Foi uma coincidência.  O que aconteceu foi que a Fundação abriu no dia de aniversário de Fernando Pessoa, issi sim.  Nem se notou nada que fosse dia do santo padroeiro de Lisboa, feriado municipal…

E por falar em ateus e santos…  

Está de passagem pela capital portuguesa, justamente, o filósofo suiço Alain Botton (1969), criado numa família «profundamente ateia» e autor do livro Religião para Ateus (D. Quixote).

Não é que ele anda a falar num templo para ateus?

Mas afinal… Um templo não é casa de Deus / deuses, lugar sagrado, estrutura arquitetónica destinada ao serviço religioso? Será que o ateísmo pretende comparar-se a uma religião, igualar-se a uma? Há aqui uma apropriação de termos e sentidos religiosos que não associamos, de todo, ao ateísmo. O próprio título do seu livro mistura naturezas opostas. Mas não há dúvida-. Ele conseguiu um golpe de marketing: crentes e ateus são atraídos pelo título. 

Pelo pouco que ainda sei sobre o assunto, Botton considera que o ateísmo pode aprender com a religião (“há coisas na religião que o mundo secular devia incorporar“). Talvez seja essa a justificação para a escolha daquele tema.

Talvez eu venha a espreitar o livro. Como crente.

Lei das Garantias: É devido o pagamento?

Santo António é Lisboa…

… e o resto é paisagem. Neste orgasmo antonino das estações de televisão nos últimos dois dias, em que, pelos vistos, só em Lisboa se comemora o Santo António. Curiosamente, quando chega o S. João, já se lembram que também é de Braga. É a chamada “regionalidade selectiva”.

Breve Apontamento-Foda-se Sobre a Crise

Há razões objectivas por que o nosso heroísmo cívico e capacidade de encaixe não tenham tamanho. Somos tímidos. Somos individualistas. Individualistas no sucesso. Individualistas no sofrimento extremo, no suportar a insuportável carência que roça ou transpassa a miséria.

Basta pensar na dieta extrema do anacoreta e meu amigo Jorge, estóico entre os estóicos, cenobita entre os cenobitas, sem filhos pela graça de Deus ou pela desgraça do diabo. Tudo bem que, há seis anos, tenha perdido muito dinheiro em noitadas pueris e depois, náufrago dessa procela de erros, assumido aqueles créditos imediatos, libertos em vinte e quatro horas, pelos quais um Banco empresta um chouriço para ganhar porco e meio, tudo à custa da ingenuidade e do cerco de desespero trucidante a acossar o cidadão! [Read more…]

Vivo num país falhado

Num estado a sério, podemos confiar que o estado não muda de opinião como quem muda de cuecas. Por isso se podem tomar decisões a longo prazo, fazer investimentos, contar com uma reforma, fazer opções reflectidas. Num país falhado, obriga-se ao investimento em maquinaria e obras para se terem espaços de fumadores e depois, passados nem 5 anos, mudam-se as regras e diz-se que esses equipamentos e essas obras são para mandar para o lixo.

Num estado a sério, o estado abstém-se de intervir no espaço privado de cada um. Num país falhado, o estado entra pelo pão a dentro para controlar o sal, salta para o carro para ver se há fumo ilegal e está a um passo de entrar casa dentro para decidir como se vive saudavelmente.

Num estado a sério, o estado procura educar as pessoas para que estas se tornem responsáveis e tomem as melhores decisões. Num país falhado, o estado toma os cidadãos por imbecis e faz de papá-galinha.

Infelizmente, mesmo sendo não fumador, vivo num país falhado.

Ser ateu é que é bom

O mundo seria muito mais pacífico se todos fôssemos ateus.

O DN apresenta hoje esta frase de José Saramago na primeira página da edição em papel, onde também se dá a notícia da abertura, amanhã, da Fundação Saramago (Lisboa).

Não me parece muito inteligente e reveladora de tolerância religiosa esta afirmação do Nobel da Literatura, que mais parece um convite ao ateísmo como o melhor caminho a seguir. Revela, na minha humilde opinião, egocentrismo: «eu é que estou certo». Está a pedir que sejamos todos iguais, que escolhamos todos do mesmo («se todos fôssemos»). E isso não é possível.

Assim como também não é de bom tom tentar convencer os ateus a converter-se a uma qualquer religião.

A fé em Deus ou a sua ausência é algo muito pessoal. Não se escolhe ser isto ou aquilo, acreditar ou não, sentir ou não a transcendência. Aceitar Deus na nossa vida é uma descoberta que acontece ou não a cada um, num dado momento, mais cedo ou mais tarde. Ou nem sequer acontece. OK! Não dá para ser crente ou ateu à força, penso eu.

Mas podemos aprender uns com os outros, mantendo-nos o que somos com autenticidade e verdade.

Primeiro-Ministro esquece-se da filha

O primeiro-ministro britânico saiu de um bar com a mulher deixando para trás a filha pequena.

Nós já sabíamos que os políticos perdem a noção da realidade e do que é mais importante: as pessoas e os valores humanos essenciais. Calculamos que a família de um primeiro-ministro fique relegada para segundo e terceiro planos. Mas não passava pela cabeça de ninguém até hoje, que fossem esquecer um filho num pub, ainda mais uma criança de 8 anos. A segurança do PM não funcionou num episódio doméstico e simples como este.

Todos os políticos sofrem de uma espécie de amnésia que afeta, sobretudo, a família. Essa amnésia é ainda mais aguda se o político fôr PM ou PR. A família só vai aparecendo para a fotografia.

O PM britânico não só se esqueceu da filha no pub, como é natural que se esqueça dela diariamente desde que assumiu o cargo…

Político que é político esquece-se de tudo o que é importante e que vale a pena investir.

uma mulher roubou caramelos

Em Milão, no último fim-de-semana, numa cadeia de supermercados, uma mulher de 76 anos foi apanhada pelo gerente a roubar um saco de caramelos. Os caramelos custavam 78 cêntimos. O gerente é um homem de 37 anos e imagina-se que não teve dificuldade em apanhar a mulher. A polícia foi chamada. O gerente denunciou o roubo e a ladra, apanhada em flagrante. A mulher confessou e, humilhada (diz quem escreveu a notícia), admitiu que lhe apeteceu um caramelo mas que não tinha os 78 cêntimos.  O agente da polícia, comovido (também diz quem escreveu a notícia), pagou os 78 cêntimos do seu bolso, a mulher foi embora e alguns clientes aplaudiram. [Read more…]

Em busca do salário perdido

O pároco da minha freguesia leu um aviso que deixou a assembleia a murmurar, reagindo. Alguém perdeu a carteira onde trazia todo o salário. 

Penso nesse homem ou nessa mulher que, a esta hora, se sente ainda mais pobre e mais desesperado. Imagino o pior dos cenários.

Não deve viver muito longe da minha casa. A crise,  se ainda não entrou na minha (sou afortunada), anda por perto: na minha rua, na escola dos meus filhos, etc.

No estabelecimento onde costumo tomar café reparei, certa vez, numa criatura com o jornal aberto nos anúncios de Emprego. Apontou um contacto num guardanapo. Talvez tenha conseguido o desejado emprego. Espero que sim.

É tão difícil «arranjar» trabalho nos dias que correm. A falta que faz o merecido e tão necessário salário…

Acredito que esse homem ou essa mulher vai encontrar o seu dinheiro, mais cedo ou mais tarde. Os portugueses são, na sua maioria, gente de confiança e compaixão.

Contra Uma Reforma Administrativa Cujas Vantagens Ninguém Conhece

Viver o 10 de Junho em Barcelos, 10 de Junho, o “dia da raça“.

«La ostentosa Portugal»

Quero agradecer à nossa leitora Alexandra a informação dada sobre a seleção portuguesa através do seu comentário ao post «Já ganhámos!». Ela escreveu “Desde cá, vê-se assim:…”. Ou seja, como estamos a ser vistos pelos nossos vizinhos espanhóis, também eles em crise e a pedir ajuda internacional.

Alexandra enviou-nos o link para o jornal El País online de ontem, dia do jogo com a Alemanha. Pode ler-se, por exemplo, e tento traduzir: “O conjunto luso hospedou-se no hotel mais caro do torneio, desatando a indignação de um país sumido numa grave crise económica. (…) gastaram o dobro de Espanha, mais austera. (…) Portugal nunca ganhou nada como seleção”. Vale a pena ler a notícia.

No Dia de Portugal, há que refletir sobre este defeito do português: a mania do exibicionismo (ou ostentação). Fica-nos mal. É uma mentira que se conta…