Trump, Chomsky e as línguas

Quem quer ouvir pintar em inglês do Mali?
— GNR

I’ll tell you what I want, what I really, really want
So tell me what you want, what you really, really want
I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha) I wanna, (ha)
I wanna really, really, really wanna zigazig ah
— Elijah Wood (o original é este e eis um bónus)

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Segundo a versão do Politico («Without the US, the French would be speaking German»), Donald Trump terá escrito que, sem a intervenção dos EUA na Segunda Guerra Mundial, hoje em dia, os franceses estariam a falar alemão — como língua dominante no território francês, entenda-se. Já agora, fica aqui uma nótula informativa a indicar que a paisagem linguística do hexágono é extremamente complexa e interessante e, já agora, há vida francófona além do hexágono.

Adiante.

Com esta asserção do presidente dos EUA (a veiculada pelo Politico, a original encontra-se no chilreio), depreende-se que Trump não lê, não escuta, não ouve (ou — existe sempre esta hipótese — não concorda linguisticamente com) Chomsky. Há uns anos, perante a pergunta de  Al Page “porque é que a língua francesa é tão diferente da alemã?”, Chomsky criticou implicitamente o ‘tão’, retorquindo que Page estava a partir do princípio de que a língua francesa era diferente da alemã.

Além desta pequena provocação, deixo-vos uma linda imagem do sítio do costume, desta vez, sem fatos, sem contatos, mas com um belíssimo panorama de um aspecto que só tenho difundido em dias de Orçamento do Estado. Tradutores Contra o Acordo Ortográfico, obrigado pelo mote.

Efectivamente, ontem, no sítio do costume.

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Assim vai o PSD, e Portugal não lhe fica atrás…

É natural que em alturas como esta se recorde uma velha e instrutiva história de Churchil, o velho estadista inglês. Conta-se que certo dia recebeu, na bancada conservadora de Westminster, um jovem deputado do seu partido que tinha acabado de ser eleito pela primeira vez. Virando-se para a bancada oposta, onde se sentam os trabalhistas, o jovem deputado comentou: “é então ali que estão os nossos inimigos”. Churchil, com a sua imensa sabedoria, corrigiu-o de imediato: “ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, nesta mesma bancada”. [Read more…]

Fabricated news

Há mais um epíteto a juntar à definição de fake news. Já aqui tinha sido referido que boatos, assassínios de carácter e campanhas negras são sinónimos de um certo tipo de peças com presença na comunicação social. São, frequentemente, ataques ad hominem, com objectivo de desacreditar alguém, matar o mensageiro ou, simplesmente, condicionar alguma acção.

A acrescentar a esta lista, a desonestidade intelectual consiste na propositada deturpação de argumentos com o objectivo de se fazer valer um ponto de vista. Chamar-lhe fake news não seria exacto, pois em causa não está uma notícia, apesar de esta expressão já ter evoluído para adjectivar tudo o que não se aprecie no mundo jornalístico. Esta forma de manipulação consiste em ignorar outros lados do tema, descontextualizar ou fabricar dados, ou não aplicar o mesmo padrão a situações comparáveis.

Atente-se, por exemplo, no editorial de Manuel Carvalho, hoje no Público.

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Escolas: Rigor máximo para quem não cumpre as regras

O Jorge manda o professor de História à merda? O Nuno avisa a professora de Ciências de que sabe onde é que ela mora? A Fátima atira com a cadeira que por um centímetro não acerta na professora de Matemática? E nunca nada acontece?
Muito grave. Actualizou já não tem c. A acta ata tem de ir para trás. Por isso e por causa da formatação – ali aquele espaço duplo, não se vê tão bem que está a mais!
E é isto. Rigor máximo nas escolas… para quem não cumpre as regras das actas atas.
O resto? Bem-vindos ao paraíso!

Miguel Sousa Tavares, o criador de fake news

Antigamente, dizia-se boato, desinformação ou mentira, conforme o emissor ou o emissário; agora, em pleno trumpismo, parece que é fake news. Seja.

Miguel Sousa Tavares (MST), que olha para as redes sociais e para os blogues como a Inquisição olhava para os judeus, escreveu, a propósito da greve dos professores e no último Expresso, o seguinte:

(…) nenhum professor trabalha mais de 35 horas: teoricamente, têm 22 horas de horário ‘lectivo’ (mas só alguns e algumas vezes) e 13 horas ocupadas em coisas de definição ampla, como ‘reuniões’, ‘preparação de aulas’ e ‘formação’

Outra coisa que MST odeia: professores. Está no seu direito. O facto de ser cronista num semanário – segundo dizem – de referência e de ter sido jornalista deveria levá-lo a investigar e a provar aquilo que afirma. Por exemplo:

1 – como é que sabe que nenhum professor trabalha mais de 35 horas? Ou menos? Ou só 35? Como é que sabe?

2 – se alguns têm 22 horas lectivas, quantos são e porquê?

3 – os que têm 22 horas lectivas só têm essas horas “algumas vezes”? E nas outras vezes, quantas horas terão?

4 – um homem tão frontal como MST terá usado um eufemismo? A expressão “definição ampla” quererá dizer “mentira”? Os professores não passarão tempo a reunir, a preparar aulas ou a receber formação ou outras actividades de “definição ampla” como ‘corrigir testes’? MST será daqueles que faz aspas com as mãos, abrindo muito os olhos para explicar que está a ser irónico? E como provará, então, que os professores estão a mentir? [Read more…]

A ortografia e a autenticidade

De voorspelling is dan dat er in riem meer alveolaire fricatieven zullen voorkomen (het meest waarschijnlijke resultaat van het mislukken van tongpunttrilling).
— K. Sebregts

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O Polígrafo estudou a matéria e divulgou que uma declaração atribuída a Catarina Martins não é autêntica. Convém ao Polígrafo debruçar-se também sobre a convenção ortográfica adoptada nas suas deliberações e comunicações. Um conselho aos redactores do Polígrafo: adoptai a ortografia de 1945, a autêntica, a verdadeira, a legítima, a da Bayer. Efectivamente, evitai contatos.

Quanto ao sítio do costume, pouco há a acrescentar.

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A que sector da sociedade portuguesa se destinam as fake news?

As fake news em Portugal vivem do Facebook e não de blogues. Estes, quando muito, servem apenas de muleta para a página do Face. E desculpem a crueza, nem podia ser de outra forma.
As páginas de fake news têm como alvo um sector específico da sociedade e que não é de distinção tradicional. As fake news não são nem para a classe baixa nem para a média (se é que esta ainda existe em Portugal) nem para a alta.
É para um vasto sector: os pouco informados. Que se encontram em todas as tradicionais classes. E, por isso mesmo, é o Facebook o seu pasto e não os blogues. Por isso, é um erro (na minha opinião) confundir as fake news com os “Corporações”.
O único ponto em comum é a manipulação.
Mas as páginas de fake news são para manipular através dos utilizadores de Facebook que, por opção (seja ela de que teor for) não estão informados e, como tal, acreditam em tudo o que lhes for apresentado da forma mais inverosímil. Pessoas que não consomem imprensa (escrita ou digital), que não gostam de política, que não gostam de pensar para além do natural da sua vida e do seu círculo. Essas pessoas são facilmente manipuláveis – basta apimentar a coisa da maneira mais….inacreditável.
Por exemplo: reparem no elevado número de pessoas que acreditam e partilham como verdadeiras peças de humor do “Imprensa Falsa” ou do “Inimigo Público” como se as mesmas fossem verdadeiras. Reparem no elevado número de pessoas que partilham como verdadeiras “notícias” sobre a morte de famosos. Antigamente, no tempo dos meus pais, compravam o “Incrível” pela diversão, pelo gozo. Se fosse hoje, compravam como se fosse o único jornal com notícias verdadeiras. Mais, as páginas de fake news, seja em Portugal, seja nos EUA, aproveitam este enorme mercado para transmitir a mensagem que pretendem e usam a plataforma que melhor se adapta em cada país. Nos EUA, é melhor o Twitter, como em Espanha. Já em Portugal, é o Facebook.
Ora, um jornalista que pretende fazer uma peça jornalística sobre o tema e escolhe como ponto de vista os blogues demonstra um total analfabetismo sobre o tema. Demonstra que ainda está no passado. Demonstra que não percebe nada do tema a investigar. [Read more…]

A FAPAG e o estacionamento para deficientes


A FAPAG – Federação das Associações de Pais de Gondomar – acabou de lançar uma petição pública para a existência de estacionamentos de deficientes em todas as escolas do país.
Não vale a pena. Já existem em muitas escolas e, a exemplo do que acontece por todo o lado, de hospitais a supermercados, estão quase sempre ocupados. Não por deficientes, mas por filhos da puta cidadãos cuja único problema é a nível da falta de escrúpulos, de valores de cidadania e de respeito pelo próximo.
Pois, não sei… A petição até é meritória, mas se calhar o melhor é perguntar a opinião do presidente da República.

O Aventar não é de Esquerda

Há dois dias, saiu na SIC uma peça sobre Fake News. Não nos pronunciando sobre o conteúdo da peça, algo que apenas faz sentido em publicações individuais, dada a inexistência de uma linha editorial no blog, não podemos deixar passar em branco uma imprecisão jornalística, nomeadamente a afirmação sobre o Aventar ser “um blog de esquerda“.

O Aventar é, desde o seu início, um blog pluralista, com autores de todos os quadrantes, políticos e não só. Quem lê o Aventar com continuidade, poderá constatar que assim é. Cada autor publica sobre os temas que bem entende e quando acha oportuno. Daí poderá resultar um maior número de posts considerados “de esquerda” – tanto quanto estas categorias ainda sejam referenciais válidos. Apenas artigos assinados pelo autor Aventar constituem posições colectivas de comum acordo.

O Aventar é, há 9 anos, um espaço pluralista, de controvérsia e de saudável debate. E assim continuará a ser.

Se dúvidas houvesse sobre o tipo de políticas deste Governo e a quem elas interessam…

A CIP quer maioria absoluta para o PS.

Que país?

 

“Se o governo estivesse mais liberto do peso da esquerda o país ganharia.” – António Saraiva, presidente da CIP (2018)

“A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor.” – Luís Montenegro, PSD (2014)

O que dizer deste livro?

Para comemorar os cem anos da Revolução Russa, decidi-me a ler um livro que, segundo um amigo marxista, era o preferido da CIA. A responsabilidade desta leitura não deve ser atribuída apenas à Revolução, mas também a George Steiner que me despertou a curiosidade pela figura de Pasternak quando nos conta a história que relato neste texto que escrevi, após um simpático convite do Pedro Correia.

Yuri Andreevitch Jivago é nos apresentado em criança a chorar a morte da mãe. Abandonado pelo pai, o rapaz é entregue a um tio e a amigos que o sustentam e educam. A facilidade com que ele escapa à pobreza contrasta com a vida difícil de Larissa após a morte do pai. Apesar dos avisos sobre a quantidade de personagens que romances russos contêm, Doutor Jivago centra-se sobretudo nestas duas personagens. Ligados, desde a juventude, por uma série de coincidências lamentáveis, Larissa e Yuri vivem paralelamente numa Rússia dividida por extremas desigualdades sociais, até que se encontram na Primeira Guerra Mundial, onde a igualdade da situação – a morte num campo de batalha é para todos – os une.

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Tauromaquia e Civilização

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Cartoon@No Limiar das Palavras

A propósito das declarações da nova ministra da Cultura, que muito incomodaram o barão socialista Manuel Alegre, um aficionado dos “eventos” dedicados à tortura animal que dão pelo nome de “tourada”, o poeta afirmou que, por vezes, sente a sua liberdade pessoal ameaçada. Imagino que, caso um qualquer governo decidisse decretar a abolição da sangria tauromáquica, Alegre cuidaria estar perante a ressurreição do nazismo.

Se vamos por este caminho, qualquer dia ainda nos aparece por aí uma seita pagã a exigir o regresso do sacrifício de cordeiros em nome de uma qualquer divindade. Porquê não? Quem somos nós para condicionar a sua liberdade de sacrificar um animal para honrar as suas tradições? Ou então a malta da magia negra, a exigir o sacrifício de galinhas pretas em praça pública. Ou ainda, quem sabe, um qualquer grupo católico extremista a exigir o regresso da Inquisição. Que direito temos nós de impedir um fiel devoto de punir um herege no pelourinho? [Read more…]

Em causa: a honestidade no Parlamento

Se no caso Silvano se trata de uma campanha para queimar Rui Rio ou não, tanto faz. É coisa para o PSD se ocupar, se quiser, não para interessar a maioria dos cidadãos. Os Portugueses têm direito a terem representantes que cumpram as regras, tal como lhes é exigido que as cumpram e como faz parte do Estado de Direito. Do alto do seu privilégio de fazedores de regras, os deputados têm uma obrigação redobrada de as cumprir. Para os cidadãos, o que está em causa é o que muito bem coloca neste artigo Paulo Ferreira, analisando a questão nas suas diversas vertentes:

“Uma é “atirar” a quem expõe ou critica estas práticas esquecendo os factos concretos, a sua legitimidade e decência. É a lógica de “matar o mensageiro”, de acusar genericamente a plateia de “virgens ofendidas”, de defender que o problema não está nos actos mas sim no seu conhecimento público. Nesta abordagem, a única solução para o problema é a censura. [Read more…]

Rebentar com o partido, tal como fizeram com o país

Ou há eleições no país, ou há eleições no PSD“, terá afirmado Marco António Costa numa Comissão Política do PSD, por alturas da votação do famoso PEC IV. Como se sabe, houve eleições e levámos com a troika com a sua força máxima. Não sabemos se o PEC IV teria sido mais suave do que a troika, mas sabemos uma coisa. Atendendo às palavras do MAC, o mote para o chumbo desse Pacto de Estabilidade e Crescimento foi a pressa de chegar ao poder.

Chegado à liderança do PSD, Rui Rio logo fez saber que uns quantos dos actuais deputados não fariam parte das próximas listas, o que se traduz numa clara ameaça ao emprego dos visados. Temos observado, desde então, uma sucessão de casos que não beneficiam o PSD e que, tudo para aí aponta, têm tido divulgação activa por parte do próprio PSD. O caso do deputado ubíquo é um deles. Foi dado a conhecer com um nível de detalhe que cheira a inside job à distância. Olhando para o fastio do Presidente da AR e de outros deputados perante a fraude, este caso só não se ficou por uma simples questiúncula porque, certamente, valores mais altos se levantaram.

O que a aparência nos diz é que há quem esteja empenhado em fazer com que Rio não chegue a ter hipótese de fazer as próximas listas para as legislativas. Nem que isso rebente com o partido. Mas, lá está, poderá ser apenas uma questão de aparência e haver, de facto, uma onda de preocupação quanto à assiduidade dos deputados.

O dedo numa chaga chamada corrupção

colocado com coragem, mais uma vez, por Ana Gomes. Porque não está Ricardo Salgado na prisão?

Carta aberta a Jorge Nuno Pinto da Costa

Caro Presidente,

Anunciava um destes dias o Jornal de Notícias que já está em marcha a sua Comissão de Recandidatura, liderada pelo habitual Fernando Cerqueira, e que no início de 2019 começa a recolha de assinaturas. 
Tem sido um espectáculo habitual nas últimas décadas: de quatro em quatro anos, os pedidos para que fique multiplicam-se à medida que as eleições se vão aproximando. E o Presidente, que promete de cada vez ser o último mandato, acaba sempre por ficar. Já vi esta narrativa várias vezes e imagino como vai acabar.
Desta vez, no entanto, o Presidente não pode esquecer que no final do próximo mandato, em 2024, terá 87 anos. Não é justo que faça mais este esforço. Nem para si nem para o clube.
Penso que chegou a hora, pois, que todos nós sabíamos que um dia iria chegar: a hora de lhe agradecer por tudo o que fez pelo clube. Por si e pelo FC Porto, peço-lhe: anuncie desde já que este é MESMO o seu último mandato e que não vai recandidatar-se. Deixe que apareçam alternativas. Deixe o FC Porto viver sem si.
Sei que não é o momento ideal para esta minha carta. É fácil apoiar quando a bola entra na baliza. Afinal, somos os actuais Campeões Nacionais, no final de um campeonato marcado por uma vergonha como há muito não se via a nível de arbitragens e no auge do caso dos emails e de todos os outros casos que o grande Francisco J. Marques soube denunciar.
Ao mesmo tempo, felizmente, as coisas estão a correr bem para a nossa equipa de futebol e mal para os nossos adversários directos – um já despediu o treinador e o outro está na iminência de fazer o mesmo.
Mas contrariando o que escrevi antes, não seria mesmo este o momento ideal? Com o barco a navegar placidamente, sem ventos nem marés, um anúncio desta importância não provocaria qualquer tormenta. O Presidente teria quase dois anos pela frente para terminar o seu trabalho enquanto a equipa de futebol desenvolvia normalmente a sua actividade. Ao mesmo tempo, eventuais candidatos às eleições de 2020 saberiam com o que contar e poderiam começar desde já a contar espingardas. Fazer pontes. Unir.
Respondo à pergunta que fiz. Não, este não seria o momento ideal. O Presidente, perdoe-me a franqueza, já devia ter saído em 2004.  [Read more…]

A campanha contra Rui Rio no caso José Silvano

Parece-me óbvio que todas estas notícias sobre o deputado José Silvano têm como objectivo último atingir Rui Rio. Uma campanha laboriosa que começou no momento exacto em que ele foi eleito líder do PSD. Não sei se por não ser aquele que os barões do Partido queriam, não sei se por vir do Porto, mas por algum motivo pouco nobre é de certeza…
O facto de não gostar de Rui Rio, nem dos seus tiques de pequeno ditador, não me impede de ver a realidade. Claro que ele se pôs a jeito. E a reacção que teve a mais um caso demonstra que a sua tão propalada seriedade e verticalidade ficou nas calendas gregas. Mais concretamente no primeiro mandato como presidente da Câmara do Porto, onde, por não ter maioria absoluta, teve de governar com o PCP.
Quanto ao resto, alguém acredita que o caso José Silvano, um dos coveiros do Vale do Tua, não acontece amiúde em todas as bancadas parlamentares? Acredito que não aconteça no PCP (não me falem do Partido de Ricardo Robles) e sei que o deputado do PAN não tem ninguém com quem partilhar a password. Os outros, parafraseando o linguajar refinado de António Oliveira, é tudo o mesmo putedo. No CDS, no PS, no PSD – onde o escolhido foi Silvano por ser o braço-direito de Rui Rio.
No meio disto tudo, vamos fingir que Ferro Rodrigues não sabia. Que não é conivente e não pactua com esta prática generalizada.
Um presidente da Assembleia da República digno, com um pingo de sentido de Estado, tinha enviado de imediato todo o processo para o Ministério Público. Mas como sabemos, ele está a cagar-se tanto para o sentido de Estado como se esteve a cagar em tempos para o segredo de Justiça.

Brasil do caos e ódio mundial

Nas duas primeiras semanas após a eleição o presidente eleito Jair Bolsonaro já causou varias reações negativas. As mais recentes são; declarar que vai acabar com o Ministério do Trabalho, escolher uma defensora dos agrotóxicos para a Agricultura, prometer cobrar mensalidades nas universidades federais, exterminar as secretarias de Cultura e o Esporte, e não podemos esquecer da defesa ao aumento do judiciário que incidirá bilhões nos cofres públicos e das declarações de sua equipe como do “economista” Guedes que versou sobre a “pouca” importância do Mercosul para o Brasil.

O topo da lista das declarações infelizes proferidas por um homem na posição de represente de uma nação foi a desastrosa sobre Jerusalém que acabou colocado o Brasil na lista de desafetos do mundo árabe.

Vale lembrar que há no Brasil muitos árabes e parcerias comerciais.

Cada palavra proferida pelo próximo presidente é uma calamidade. Obviamente não há atos sem consequências então elas já surgiriam em manifestações e editoriais mundo a fora e outras estão a caminho. Não adiantará culpar o PT.

Incompetência ou fraude? Você decide.

Chegámos ao ponto de se estar perante a escolha do mal menor.

Imagem: Público

“Não só eu tenho [a password] mas eu também tenho”, disse, referindo que há “necessidade de consultar documentos da primeira comissão” de que ambos fazem parte. [P]

Será possível que, no Parlamento, é preciso entrar na conta de outra pessoa para se aceder a documentos partilhados?! É o sistema informático do Parlamento assim tão fraco? Ao menos, espero que este tenha sido barato. Deixo uma dica: Dropbox. [Read more…]

Um dia histórico

Quando o povo alemão saiu à rua e derrubou o muro da vergonha. Foi a 9 de Novembro de 1989. O agonizante regime comunista cairia pouco depois…

“Quem não deve não teme” – mas evita responder a questões?

Declarações do deputado ubíquo:

  • “Não registei a minha presença, não mandei registar, não auferi qualquer vantagem monetária”
  • “Não pedi a ninguém para me registar tal como estou convencido que nenhum deputado terá feito mesmo quando no exercício de cargos partidários ao longo dos anos”
  • “Sou um homem honrado, com mais de 30 anos de vida pública e nunca ninguém me apontou qualquer irregularidade”
  • “Dada a dimensão mediática que este caso atingiu, todos deverão perceber que sou eu o primeiro a querer que tudo seja devida e rapidamente esclarecido”

O deputado mostra-se surpreendido pela dimensão mediática do caso. E que caso é este? Trata-se, apenas, da fraude quanto à sua participação num plenário do Parlamento. José Silvano não ver porque é relevante uma questão de ética, ocorrida numa casa onde se deve dar o exemplo, revela tudo sobre si mesmo. Não teme mas recusa-se a responder a uma questão muito simples: como é que alguém usou a sua password? Só falta vir a brigada do spin dizer que foi um ataque dos hackers russos. [Read more…]

E tu, camarada, apoias a fome e a opressão na Venezuela?

Na Venezuela, onde a este javardo inchado nada falta, incluindo a famosa “empanada” escondida debaixo da mesa, dados da FAO indicam que existem 3,7 milhões de pessoas subalimentadas, o que equivale a mais de 10% da população daquele país.

Sim, existem na crise venezuelana outras variáveis que o mainstream tende a abafar. Mas é inaceitável haver quem à esquerda se bata por um regime que escolheu oprimir, como se o que se passa na Venezuela fosse assim tão diferente daquilo a que assistimos nos reinos totalitários do Médio Oriente.

Não é.

Este sim, é um artista tal como definido na nomenclatura cavácula

Silvano assina presença, mas não assiste a reunião da Comissão da Transparência“. Parece que ainda tem a confiança do líder do PSD.

Viva a ministra da Cultura e morte às touradas

Para começar, o argumento de que os comedores de carne não podem criticar as touradas não pega. É totalmente diferente matar animais para a alimentação ou matar para o divertimento do ser humano.
Dizer que ninguém é obrigado a ver – «quem não gosta, não veja!» – também é descabido. Posso não ver, mas vai acontecer na mesma. É isso que está em causa – o que está a acontecer e não se eu gosto ou não, se vejo ou não.
É, pois, uma questão de civilização, como muito bem diz a ministra da Cultura. E como as touradas não são cultura nem são nada, não deviam ser taxadas a 13% mas sim à taxa máxima do IVA.
De resto, nem sequer sou a favor da proibição. As touradas vão morrer a médio prazo, sim, mas de forma natural. Sem ataques, sem proibições. Apenas porque os valores civilizacionais vão falar cada vez mais alto. [Read more…]

A onda azul que não foi um tsunami

“House” democrata e senado republicano. Trump reforçado onde fez campanha. Mentira clara, medo e racismo vencem.

Na política, um bocadinho acima de ligar à aldrabice é que se está bem?

“O caso não é agradável, como é evidente, não é um caso positivo, mas acha que ter uma proposta para o país, discutir o país, debater o país pode ser anulado pelas pequenas questiúnculas que estão constantemente a surgir neste partido e nos outros partidos. Não pode ser, temos de estar um bocadinho acima disso, declarou Rui Rio sobre o caso do deputado e secretário-geral do PSD, José Silvano.

Por acaso não era suposto os dirigentes políticos do país serem exemplares e rigorosos no cumprimento da legislação?

Belo indicador do estado de impunidade que vigora entre os seres especiais que têm “uma proposta para o país”. A promoção da aldrabice.

Eleições “amaricanas”

Quem quiser acompanhar os resultados da eleição que decidirá quem controla o Senado e a Câmara dos EUA, pode fazê-lo, por exemplo, aqui:

 

E as unhas estavam pintadas?

O deputado e secretário-geral do PSD José Silvano tem o dom da ubiquidade, mas por interposto dedo.

a password do Senhor deputado José Silvano terá sido utilizada por pessoa diferente do Senhor deputado, enquanto este se encontrava ausente do plenário

A questão central é saber se os dedos que digitaram a password em causa tinham ou não unhas pintadas. Como se sabe, a manicure é um tema central quanto ao respeito institucional no Parlamento.

Já agora, aquela conversa pró-privado, tão popular na direita dos colégios privados, da saúde privada, dos seguros como alternativa à segurança social, do estado mínimo e por aí fora, dizia, esse amor ao que é privado também é para servir de modelo nesta situação? A questão coloca-se porque, no privado, uma situação de fraude como esta é motivo para despedimento com justa causa.

Uma preguiça transcendental

Convocaram-me para ir convencer o Professor Castelo a cumprir o plano. Como habitualmente, a sua posição era irredutível. Tentei explicar-lhes que nunca tinha existido uma verdadeira amizade entre nós, apenas um fascínio juvenil da minha parte, que ele retribuiu com uma cortesia excessiva e não isenta de vaidade. E muitos anos haviam passado sem que voltássemos a ver-nos. Responderam-me que isso pouco importava porque já não restava ninguém que lhe fosse mais próximo.

Resignei-me, então, a voltar ao casarão fracamente iluminado e mal aquecido, onde numerosas vezes tropeçara em pilhas de livros e onde sucessivos gatos, que nunca cheguei a distinguir uns dos outros, bufavam à minha passagem como se chamassem “invasora!”. Mas não encontrei nada disso. A casa estava vazia, à excepção de meia dúzia de móveis essenciais, e de uns quantos caixotes que estavam a ser levados para um camião parado à porta.

É o vigésimo quinto camião que enchemos – esclareceu-me o jovem que me recebeu, de rosto meio escondido atrás de um dossier de capa negra, e que se apresentou como “o inventariador”. – Está praticamente tudo. Só falta o homem. Ou melhor, o cérebro. [Read more…]