Rui Moreira, Tango e Governabilidade

Os partidos, os partidos, e os partidos. As lições aos partidos. A moralização dos partidos. É espantoso que o dr. Rui Moreira, nesta entrevista, revele demasiada permeabilidade a uma aliança com o Partido Socialista, vendo nela uma solução natural para a câmara do Porto, o que na verdade equivale a tresdizer [tresleitura dos eleitores!] o que se disse dos partidos e das dinâmicas partidárias no poder local ao longo de toda a campanha.

Para que serviu o terror caça-hereges do dr. Lobo Xavier, o pudor eremita do dr. Pacheco Pereira e os pruridos preferencialistas do dr. Costa, tudo e todos contra a putativa perigosíssima eleição do dr. Menezes, se a eleição do dr. Rui Moreira, ao que parece, já redunda nisto, nesta forma de capitulação?! Dentre todo o tipo de alianças possíveis arquitectáveis para a governabilidade do Porto, alugar agora a barriga aflita de independente inexperiente ao PS de Pizarro para que o PS cresça, lidere, federe, no Porto, não lembrava ao careca. Na prática, quem dança o Tango com o PS, leva um pontapé no cu, não tarda, secundarizando-se naturalmente.

Depois de ter ganho a autarquia sem maioria absoluta, o independente Rui Moreira, apoiado por um certo CDS e um certo PSD enrustido, entrega afinal a sua independência, o seu projecto, as suas ideias, à caução determinante de um partido, o PS?! Se um tango não se dança sozinho, ao dr. Moreira já não importa a governabilidade proporcionada por quem votou nele, por quem confiou nele e por quem o pode apoiar nas causas e batalhas da cidade?! Será preciso chamar o António, que por acaso se chama Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro?!

Não percebo como é que os eleitores do PSD-Porto interpretarão esta rendição. Nem percebo o que os eleitores do CDS-Porto ganham com isto. Do que tenho a certeza é que o tal ethos do Porto que aparentemente rechaçou Menezes, os seus porcos assados, as suas bailarinas pimba e os seus interesses nebulosos, também não suporta fraqueza ou demasiado azar na rifa. Como será, dr. Moreira?! Se não é político, vai ter de se tornar num, quer queira quer não queira.

TSU das viúvas

A Dona Maria vive ali perto e limpa escadas. Também passa a ferro na casa dos Professores. O António é o marido e ganha o salário mínimo numa empresa da baixa.

Algures ali pelo fim da juventude, no arranque da década dos quarenta, o coração não aguentou e a Dona Maria ficou sozinha com as duas filhas, uma delas na Faculdade. Continuou a passar a ferro, a limpar escadas e outras coisas mais. O dinheiro, sempre muito esticado, foi chegando. Os bifes eram para as meninas porque a Dona Maria não tinha fome e a sopa até lhe chegava.

A pensão de sobrevivência foi parte importante da vida da família do António, depois da sua morte. Sem ela, a Filha não teria acabado o curso e se calhar nem poderia escrever no Aventar.

É por estas e por outras que não aguento esta gente que nos governa e lutarei com todas as minhas forças para que morram com um pinheiro bem atravessado no recto!

É possível acordar melhor?

A Comissão de Educação do Senado brasileiro resolveu “criar um grupo de trabalho destinado a estudar e apresentar proposta para aperfeiçoar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado em 1990 por todos os países de língua portuguesa.”

Desse grupo de trabalho fará parte Ernâni Pimentel, criador do movimento Acordar Melhor, que visa “propor uma simplificação na ortografia para que todos a dominem e se libertem de dicionários e manuais, na hora de escrever x/ch, j/g, s/z, s/ss/sc/sç/x/xc.” O mesmo movimento combate o recurso à memorização e defende que a simplificação ortográfica dará origem à inclusão social.

Já tinha exprimido a minha opinião sobre os pressupostos deste movimento. Insisto: a aprendizagem, tal como qualquer outro processo, deve estar a salvo de obstáculos artificiais ou escusados, mas partir do princípio de que se deve facilitar para que todos possam aprender ou de que o treino da memória deva ser excluído é, antes de mais, antipedagógico e, portanto, censurável. Para além disso, sempre encarei os dicionários e os manuais como instrumentos de libertação.

Relembre-se que o senador Cyro Miranda, presidente da Comissão acima referida, já havia defendido que o início da vigência do acordo ortográfico deveria passar para 2018 e não para 2016, de modo a serem feitas alterações.

Face a isto, não me espantará que venham a surgir alguns linguistas portugueses a defender que verbos como “axar” ou “puchar” fazem todo o sentido. Vai ser o “mássimo”! Basta que haja pressões nesse sentido.

Talvez por aqui apareçam alguns iluminados a fazer referência ao meu antibrasileirismo por atacar esta coisa a que chamam acordo ortográfico ou porque me atrevo a discordar de opiniões de brasileiros, pecado capital para os seguidores da Lusofonia, cujos fiéis vociferam “nacionalista” ou “colonialista”, sempre que um português tem o atrevimento de criticar qualquer cidadão de outro país de língua portuguesa. Não me espantaria, aliás, que Millôr Fernandes viesse a ser queimado em efígie. Ou em esfinge.

Quando a Europa salva os bancos, quem paga?

Documentário do canal Arte com Harald Schumann, jornalista de investigação num diário berlinense, demonstrando quem foram os beneficiários dos resgates bancários na Europa; não foram os países, nem sequer os cidadãos que, com os seus impostos, pagam estes resgates.

Documentário extremamente sóbrio e objectivo, contêm entrevistas a vários ministros das finanças europeus (incluindo o alemão), ex-administradores de bancos, a activistas, etc. Mostra quem realmente beneficiou dos resgates e demonstra as profundas consequências destes resgates.

Toda esta informação não é novidade. Interroguemo-nos sobre os motivos de, sendo conhecida e estando bem documentada, não fazer todos os dias as primeiras páginas dos jornais. Desde o inicio da crise que é evidente o que se está a passar, pelo menos para quem acompanha estes assuntos. Em 2010 falávamos disto mesmo aqui no Aventar. Os próprios conselheiros da Sra. Merkel admitem em público que os resgates dos bancos dos países em dificuldades servem para salvar os próprios bancos alemães.

A legendagem foi feita por vários autores e leitores do Aventar. Se encontrar erros não hesite em contactar-nos.

Respectivamente, sim, mas só para alguns

Diário de Notícias entrevistou José Carlos — futebolista que, como se depreende e bem, nunca representou a selecção brasileira.

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Pois, segundo o ILTEC, ‘respectivamente’ “não é usado em Portugal”.

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Contudo, se a Folha de São Paulo tivesse entrevistado José Carlos, em vez de *respetivamente, teríamos ‘respectivamente’.

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Bem-vindos, de novo, ao fabuloso mundo da “unidade essencial da língua portuguesa“.

A FLAD de Rui Machete

contada pelos norte-americanos em 2008 (via Wikileaks). Em Julho passado o Expresso pegou na história.

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Rui Machete, Junho de 1985

12junho1985_assinatura_tratado_adesao_pt(c) Parlamento Europeu
Mário Soares, Rui Machete, Jaime Gama e Ernâni Lopes assinam o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeiaum negócio arriscado, consideraram então os franceses e os alemães. Hoje sabemos que até nem lhes correu assim tão mal, muito pelo contrário.

O assalto às viúvas e orfãos

Corte de 100 milhões de euros nas pensões de sobrevivência.

Viva a República, seu feriado e heróis

 A fama dos dois homens enchera as bocas e as almas; à porta da necrópole, durante alguns domingos, vendiam-se postais com os seus bustos e os garotos gritavam: “Olha o retrato do Costa e do Buiça… Olha o retrato dos mártires!”

Rocha Martins, O Regicídio

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manuel Buiça 1908

O discurso de Cavaco pelo dia da República

ou o País oficial “democrático, desenvolvido e justo” que o site da Presidência da República Portuguesa vai deixar para a posteridade.

Golpes de Machete

Em declarações à Rádio Nacional de Angola, Rui Machete pediu “diplomaticamente” desculpas por haver figuras do regime angolano a serem investigadas pela justiça portuguesa. Se, algum dia, vier a ser investigado, apesar de, por enquanto, não fazer parte do regime angolano, espero merecer o mesmo tratamento de um qualquer membro do governo português. Pela minha parte, estão, desde já, desculpados, mas que não volte a repetir-se.

Nessas mesmas declarações, Machete acrescenta às desculpas a declaração de impotência, lembrando que o governo português não pode intervir nas investigações. Resumidamente, o ministro pede desculpa a um país estrangeiro por haver um entidade pública portuguesa que, tanto quanto se sabe, está a cumprir o seu dever. Não deixa de ser uma novidade refrescante pedir desculpa por se cumprir um dever.

Para complementar o seu pedido de desculpas, Machete afirma que pediu informações à Procuradora-Geral da República. Posteriormente, veio desmentir as suas próprias declarações, explicando que se baseou num comunicado do DCIAP. Talvez alguém devesse explicar ao ministro que pedir informações a uma pessoa ou ler um comunicado não são a mesma coisa. Talvez não valha a pena explicar ao mesmo ministro que proferir incorrecções factuais é feio, porque já lá vai o tempo em que devia ter torcido o pepino. [Read more…]

Por baixo da mesa

Segundo resgate “não está em cima da mesa”, diz Durão

“ Quem fez mal à República?”

E à Escola pública, a maior realização da República? Alberto Nogueira Pinto, na passagem do 5 de Outubro, dia da Instauração da República (foi numa quarta-feira, em 1910).
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André Almeida e Cédric vão jogar na selecção brasileira

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Segundo estes títulos do jornal A Bola, André Almeida e Cédric terão sido convocados para a ‘seleção’. Assim sendo, Felipão está de parabéns: trata-se de dois jovens muito promissores e que, obviamente, não podendo jogar na selecção, merecem uma oportunidade alhures. 

Desconhece-se o que terá levado A Bola a abandonar a excelente prática de pôr entre aspas palavras criadas pelo AO90.

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Aliás, para quem andar distraído, talvez valha a pena indicar que ‘dececionado’ não existe em português do Brasil.

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Bem-vindos ao fabuloso mundo da “unidade essencial da língua portuguesa“.

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

Novos cortes: “É na Educação

que é feita a maior poupança.” Bem digo que as palavras da política não prestam para nada.

RIP, Vo Nguyen Giap

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Faleceu o  professor de História que derrotou os generais de West Point. Adeus, caro colega.

Triunfo de Eros

O 24 de Abril católicocastrado, hipócrita e assexuado, chumbou no Supremo Tribunal Administrativo. A luta continua.

Bravo António Costa

A linguagem da política já não serve. As palavras da política não prestam. Não basta dizer transparência a torto e a direito para que tudo fique visível – muito pelo contrário, pois a palavra transparência, que significa a verdade límpida, é um manto grosso de opacidade lançado sobre tudo o que a acção política esconde, ou aquilo em que é omissa. Não chega escrever transparência, ou honestidade, ou competência nos cartazes para sê-lo. É que já não basta parecê-lo. Talvez a palavra mais urgente seja clareza, a palavra clareza tornada claríssima por quem a pratica por intermédio de enunciados e acções claras. Nos cartazes que mandou imprimir para a campanha autárquica, António Costa foi bastante claro: “Preciso do seu voto”, disse sem mais rodeios nem transparências. [Read more…]

Apagar o BPN

a ver se pega. Mais um caso, embora o assessor de Passos Coelho tenha trabalhado doze (12) anos para o banco dirigido por Oliveira e Costa.

Taxas Apeiam-se

Verifica-se uma descida generalizada nas taxas de juro dos títulos de dívida pública portuguesa.

Portuenses Desterrados e Descartados

Não votaram, no passado dia 29, pelo menos os 9,7% da população portuense autóctone perdida para os concelhos limítrofes ao longo dos últimos dez anos. Também duvido que o reumatismo do envelhecimento portuense, cujo índice é de 189,9 face à Região Norte, pudesse exercer plenamente o seu direito, entre queixas de artrite, falta de ar, e sobretudo a maldita solidão. 9,7% de exilados mais uma escandalosa abstenção de 47,4%, mais os votos nulos 1,9%, somados aos votos em branco 2,5%, determinam uma vergonhosa e questionadora maioria de não exercentes do direito de votar, no Porto: 61,5%. Perante isto, não pode haver triunfos de pacotilha nem regozijos parolos. Humildade. Somente humildade.

É este, só pode ser este, o grande ponto de partida para Moreira cumprir bem o seu desígnio, inicialmente a contragosto, mais empurrado que voluntário, o que não tem mal nenhum se pensarmos no Mestre de Avis, o qual parece não estava lá muito pelos ajustes para assumir o fardo de liderar aquela etapa capital rumo à nossa admirável emancipação ibérica. Atiraram-no em frente e deu plena conta do recado.

Não espero outra coisa de Rui Moreira.

PSD, Purgas e Caça às Bruxas

Sou formal e explicitamente contra a qualquer espécie de punição sobre militantes que não foram seguidistas quanto às escolhas para estas Autárquicas 2013. Rui Rio pode ter muitos defeitos, inclusive a falta de agilidade e visão integrada para potenciar os milhões de turistas que a Ryanair deposita no Porto, mês após mês, mas jamais deverá ser sancionado, irradiado, punido pelas posições que assumiu. Nem ele, nem Pacheco Pereira, nem Capucho, nem ninguém. Ninguém de valor, no PSD, se é que o PSD merece regenerar-se, aprender e progredir, pode ser punido apenas por conceber um PSD diferente deste apascentado por Passos, por discordar frontalmente desta liderança e criticá-la, pondo em causa o chamado PSD Sistémico. Criticar é ajudar. Dou graças a Deus pelos que me criticam, mesmo quando se apressam nos seus julgamentos aos meus posts. Com isso, tal como com a indiferença, só me impulsionam para diante.

Pessoalmente, nem sempre gosto de Pacheco, nem sempre suporto Rio, mas estou muito longe de deixar de reconhecer a um e a outro, por exemplo, qualidades úteis ao PSD, necessárias ao País, bem como ideias incómodas sempre urgentes ao debate de ideias. Há muitos caminhos para se alcançar um País mais arejado de vícios políticos e mais regenerado de hábitos caducos. Goste-se ou não, quer Rio, quer Pacheco têm ajudado a essa missa. Já no que toca a Capucho tenho dificuldade em vislumbrar algo mais fecundo que um mero ressabiamento prebendista, ou não tivesse falhado clamorosamente o seu tirocínio à presidência do Parlamento. Ele e o Criador lá saberão.

Espanha: um exemplo para o Mundo, diz Rajoy

Milhões de postos de trabalho destruídos e a correspondente queda nas cotizações para a Segurança Social espanhola desde a sua subida ao poder: eram 19,4 milhões de contribuintes em 2008, desceram aos 16,2 já em 2013. Olé!

Germinal

ficha IMDb

Cique na imagem para  para ver

Sobre os contrastes e antagonismos sociais provocados pelo advento da industrialização, um grande filme hoje na net: Germinal, longa metragem de 1993 dirigida por Claude Berri a partir do romance oitocentista de Émile Zola. Com Gérard Depardieu no papel principal, o filme retrata as duras condições de trabalho dos mineiros em França e a exploração de que eram alvo. As condições nas minas – a humidade, o calor – os baixos salários, as primeiras greves e a formação dos movimentos sindicais. Vale a pena ver o filme todo.
Quanto à obra Germinal, fielmente transposta para o cinema, de notar que Zola viveu junto dos mineiros durante alguns meses para melhor compor o seu romance. O livro é hoje do domínio público e algumas das suas passagens são de leitura obrigatória nas aulas de História. [Read more…]

O combate

combate“É grande expectativa para o confronto de amanhã entre os líderes do PS e do PSD!!”- afirmou, ansioso, o telejornalista. E eu antecipei esse momento grande entre os grandes. Estou a ver tudo: no canto laranja Paaaaassos Coelho, 80 kilos, vencedor de um dos combates que travou, perdendo o outro! No canto rosa Antóóóóónio José Seguro, 56 kilos, vencedor do único combate que travou. Começa Passos! Levanta as mãos até ao peito, inclina-se obsequiosamente para esquerda; faz o mesmo para a direita, enquanto começa o seu discurso. A assistência está excitada! E Passos fala, atacando pela direita; e fala, fala, faaalaaaaaa…faaaa..ZZZZZZZZZZZZ.

O ano lectivo continua a começar

Nuno Crato continua a exercer o seu mandato com a tranquilidade dos assassinos contratados. Só assim é possível continuar a não resolver o problema da falta de funcionários nas escolas, graças à aplicação descontraída de uma lei desactualizada: assim, não há condições que as bibliotecas, as secretarias, as cozinhas e a vigilância dos alunos funcionem. Se juntarmos a isso as turmas com alunos a mais e as escolas com professores a menos, é fácil perceber que a Escola Pública está mergulhada num caos, com prejuízos graves para a parte mais frágil, os alunos.

A propósito do aumento do número de alunos por sala, qualquer profissional sabe que se trata de uma medida antipedagógica. Sabe-se, agora, que pode ser prejudicial à saúde.

Como se tudo isto não bastasse, é ainda graças a uma estrutura desumana que há alunos com deficiências sem direito ao apoio que uma sociedade civilizada deveria conceder-lhes. É assim que alunos surdos do Tâmega e Sousa continuam sem aulas por falta de transporte e é assim que nove técnicos de apoio a crianças autistas estão afastados das suas funções.

Entretanto, há alunos de cursos profissionais ainda sem aulas, porque continua a haver professores e técnicos por colocar.

O ano lectivo, com Nuno Crato, continuará a começar. Nada que o incomode: para isso, teria de ter vergonha ou consciência.

A directora do Agrupamento de Escolas Clara de Resende, no Porto, decidiu que a escola-sede será encerrada, enquanto não houver funcionários em número suficiente. Louve-se uma atitude que deveria, muito provavelmente, alastrar a muitas escolas do país, em que a virtude de querer compensar os disparates de Nuno Crato constitui, no fundo, um defeito, porque acaba por corresponder à aceitação de decisões que acabarão por prejudicar os alunos.

O comentador Rui Lima, neste texto do João Paulo, expele a opinião típica de quem pensa que os problemas são para suportar e não para resolver. É apenas mais um caso de ignorância atrevida e representante do estereótipo do portuguesinho que pensa que os professores, como não têm nada para fazer, servem para tapar qualquer buraco. Se o portuguesinho se começasse a preocupar verdadeiramente com a Educação em Portugal, estaria do lado das escolas contra o seu maior problema: o Ministério da Educação. Quando isso acontecer, não voltará a ser possível o cargo de ministro ser ocupado por vendedores de banha da cobra.

Muito bem, João Semedo!

DANIEL ROCHA

© Daniel Rocha/PÚBLICO (http://bit.ly/1dYfCKr)

Ao contrário da Portugal Telecom, o coordenador do Bloco de Esquerda não brinca em serviço e escreve impecavelmente expectativas e percepção, demonstrando que a ortografia portuguesa europeia é imune a expedientes desagregadores.

semedo 3102013

 

Cúmulo do sadismo revisitado

sadomasoquismo

A versão clássica era conhecida:

O masoquista diz para o sádico:

– Bate-me.

Ao que ele responde:

– Não.

Paulo Portas acaba de inventar outra:

O sádico avisa o masoquista pela comunicação social:

– Vou-te bater.

O masoquista aguarda. O sádico fala fala fala e termina assim:

– Hoje não, mas não perdes um orçamento pela demora.

Duas Bandeiras Esfrangalhadas

?????????Calma, portugueses. Há angústia, mas não estamos sós no terror de falir. Nós, de falir novamente. Eles, os norte-americanos, de falir finalmente. Também eles engolem em seco e muitos nem sempre têm o que comer. A vida é isto. Não vale a pena capturar somente para nós toda a symbologia sinédoque de uma bandeira tratada abaixo de cão pela intempérie.

Professores em Sofrimento

O nosso sofrimento é duro. O modo como nos dois últimos anos o Sistema Cratoniano comprimiu as condições na sala de aula e inventou desemprego docente em larga escala ficará nos anais do maquiavelismo moderno, em estados particularmente falidos. Em todo o caso, o Estado Português tem de sobreviver e seguir adiante, der por onde der. Por isso atira borda fora lastro, víveres, alma, cérebros, doentes e especiais. A Barca Nacional navega à bolina e é uma casca de noz perante a procela da dívida. Não há muito a fazer senão cada qual inventar um caminho nunca dantes percorrido, ter uma bóia e agarrar-se a ela. Hoje, os desempregados do Ensino amargamente pedem meças ao impotente Ministério. Amanhã cotizar-se-ão para um bilhete dos One Direction e procurarão esquecer esta sina triste de ser utilizados e deitados ao lixo, sobretudo professores que escrevem de mais em blogues e não poupam aselhas sejam eles do PS, do PSD, do CDS-PP, do BE ou do PCP. Ser franco-atirador da palavra vale a pena. É pena esta fome, este desperdício humano, esta sensação de não-pertença, de não-inscrição. É no que dá ter-se governado com os pés. É no que dá aceitar a corrupção enraizada e transversal no Regime dos soares e dos cavacos, dos sócrates e dos passos.