De pé, ó vítimas da fome!

Há qualquer coisa de estranho nestes dias de Novembro, nas notícias que se cruzam como dentes de garfo em bifes do lombo. Primeiro vem o PSD anunciar a aurora – como aconteceu ontem – pois que, lá no país deles, “os dados começam a ser favoráveis e os esforços valem a pena“. Depois, a realidade de um outro país, que (pelos vistos) desconhecem.

Uma professora partilhou um estado de desânimo numa rede social de hoje: “Doente.Depois da desistência de dois alunos porque não têm dinheiro para o passe, hoje um aluno desmaiou na aula por fome. Num 11º ano. Em Lisboa. Portugal. 2012″. Afinal isto já não se passa só com as crianças, cujos pais o Governo empobrece mas a quem há-de mandar uma assistente social para verificar a situação e, quiçá, institucionalizar (linda, a palavra). Afinal a fome começa a ser transversal. Afinal a minha amiga A existe, e sempre é verdade: deixou de pagar a água durante vários meses para poder continuar a comer massa e atum, ao jantar, mais as duas filhas. Tantos anos a viver acima das possibilidades havia de dar nisto.

Há alguma coisa de estranho nestes dias de Novembro. E nós bem sabemos o que é. Será que alguém pode contar à tia Isabel?

Ouvir a terra

Os portugueses expatriados não são melhores nem piores portugueses do que os que não precisaram de emigrar. São apenas portugueses e é o que basta para os identificar. Embora vivam longe, alguns até muito longe, “no peito vai-lhes um país”, no certeiro resumo de Pedro Barroso.  Mesmo que, por razões práticas, tenham outra nacionalidade alem da portuguesa. Porque mãe há só uma e ninguém a esquece nem lhe é indiferente. É por isso que devoram o que de Portugal se conta nas televisões e rádios, nos telefonemas e e-mails da família e dos amigos. [Read more…]

Vai ser passada a quem?

Mas está tudo tolo?

O Secretário de Estado do Nuno Crato vai passar a informação a quem?

Qual é o objectivo?

Dar bifes aos putos?

O Bife e o Nestum

Confesso que muitas vezes como a comida que me cai no prato, que é mais ou menos o mesmo que dizer, que em muitos casos vejo parte de notícias, citações do que alguém disse, excertos de declarações. Sim. Cometo, muitas vezes esse crime.

No entanto, não é esse o caso das declarações da senhora, que ouvi integralmente – não aceito, por isso, o pseudo-esclarecimento, em forma de leitura de texto, que fez a uma rádio.

E continuo a pensar que as declarações são um erro, quer na forma, quer no conteúdo.

Em pequeno, ouvi muitas vezes a minha mãe dizer que não lhe apetecia uma costeleta ou uma febra. Havia para os filhos, para o marido, mas à mãe nunca apetecia.

Com dez anos a gente não pensa, não questiona. Hoje, sou pai, olho para trás e entendo. Percebo.

E não quero voltar atrás no tempo! Não quero.

E não quero, simplesmente, porque o tempo não volta para trás! Não pode voltar. Não podemos continuar a assistir ao aumento de vendas de Nestum e fazer de conta que um peditório à porta de um supermercado resolve tudo – não resolve.

E o erro é ainda maior pelo facto da senhora ser quem é. Não é uma pessoa qualquer. E estas declarações poderão ter um efeito mediático desastroso para a organização, que não é dela –  é do país.

A liberdade de opinião é uma condição da nossa sociedade, mas a responsabilidade é também algo que nos deve acompanhar em cada momento.

A senhora foi irresponsável.

 

 

No meio do Nada, Eu e o Meu Vírus da Felicidade

Já me deprimi. Já me envenenei de ressentimento. Pelas desventuras nacionais e minhas, já culpei Sócrates, Cavaco, a mim mesmo, o Diabo a Quatro, mas há actores e responsáveis de quem não gosto, os quais, pelo seu egoísmo, hipocrisia e dormência, tenho de verberar e verbero mesmo. Hoje, entendo a escrita quotidiana no PALAVROSSAVRVS REX e no Aventar como a minha luta por um novo Portugal. Progrido por tentativa e erro. Erro muito, mas não é possível que erre sempre.

Tenho 42 anos. Laboralmente, desde 1996, nunca tive paz. Nunca tive certezas. Nunca fui sendo senão precário e pontualmente desempregado. Correr todos os dias os meus dez quilómetros bordejando a minha praia, ajuda. Ler ajuda. Viver da família, para a família, ajuda. Estar de alma e coração com a Mulher e as Filhas, Irmãs, Cunhados, Sobrinhos, e os Pais Amados, ajuda, todos, aliás, cada vez mais amados, cada vez mais solidários e, se isso é possível, mais próximos. Estar em casa pressupõe não gastar dinheiro. Nada. Pressupõe privilegiar muitas vezes uma ou duas boas sopas e nada mais. Acho que correr como um cavalo ou um galgo ou uma avestruz a qualquer hora do dia ou da noite os meus cinco mais cinco quilómetros, decisão tomada há três meses e fielmente mantida, devolveu-me um vírus que inconscientemente havia recalcado desde os meus catorze anos, como se camadas e crostas de rotina e habitualidade se soltassem do meu couro: o vírus de um certo messianismo relacional, coisa benigna, fonte inesgotável de comunhão com a Humanidade e concretizada coração a coração. [Read more…]

Estes tipos não são homens, são monstros

Como é que podem defender que os pobres e os miseráveis paguem uma crise que não criaram enquanto não têm uma palavra que seja para os verdadeiros culpados?
Como é que podem defender, sabendo que vamos a caminho dos 3 milhões de pobres e que as desigualdades entre ricos e pobres não param de aumentar, que os pobres e miseráveis devem ser ainda mais espezinhados?
Como é que podem defender que a solução para a crise é juntar fome à fome e miséria à miséria?
Como é que podem acordar de manhã e olhar os seus filhos nos olhos?
Que nunca passem fome, eles e os seus. Mesmo sabendo que não são homens, são monstros.

A lambreta do Pedrinho

Parece que tem marcha atrás.

Sou Contra a Justiça Popular

… mas sou permissivo à abertura de excepções.

A directora Conceição Bernardes é um tumor do ensino em Portugal

A directora do Agrupamento Dr.ª Laura Ayres, Quarteira, decidiu cobrar o pagamento de refeições em atraso suspendendo o almoço de crianças e deixando-as assistir ao almoço dos colegas. Por uma dívida de 30 euros falamos da completa violação de tudo a que um professor está obrigado pelos seus deveres profissionais, já não falando nos mínimos da cidadania.

Se ainda existe Ministério da Educação (o que com os cortes reais no orçamento é duvidoso), ainda hoje Conceição Bernardes terá um processo disciplinar e em breve engrossará a fila dos desempregados. Não me peçam razões jurídicas para o fazer, é um dos casos em que se não as há que se inventem, as pedagógicas chegam-me perfeitamente. Um país que tem uma Conceição Bernardes à frente de estabelecimentos de ensino bateu no fundo.

Hoje há bandarilhas – Canadá

Em nome do governo, que de resto ficou mudo como um penedo, Passos Coelho prometeu empobrecer Portugal, cortar a eito entre os mais modestos custasse o que custasse. Cumpriu a promessa e disse, orgulhoso, que ia “além da troika”.

Temos mais de um milhão de desempregados, um número impressionante de falências e de empresas fechadas, há largas bolsas de fome no país, as instituições de beneficência estão a ter a maior dificuldade em acudir a todos os necessitados, muitos estudantes tiveram de renunciar aos seus estudos por falta de meios, é escandaloso o número de professores atirados ao desemprego, é lancinante o número de pessoas que perderam a casa, o rio para e emigração vai caudaloso,etc.etc. etc. Tudo isto foi feito por um governo que se diz português contra Portugal.

E vai agora, a troika faz saber aos parceiros sociais que o memorando não é responsabilidade dela, mas sim do governo, que o mesmo é dizer que não se sente culpada pelo total fracasso deste pouco mais de um ano de governação neoliberal e ignorante.

Das duas uma: ou Passos mentiu (o que não aconteceria pela primeira vez) ou a troika (esperta, batida) adopta teatralmente aquela tirada romana que nos diz respeito por via do Viriato: “Roma não paga a traidores”.

Tapar os olhos ao povo

Os números conhecidos não enganam ninguém – o Governo está a falhar em toda a linha e apesar da miséria imposta a quem vive do trabalho, o país está cada vez pior. Como sempre escrevi, este não podia ser o caminho.

Admiram-se agora que o IRS tenha baixado? Claro, sem os descontos dos subsídios de férias dos funcionários públicos estavam à espera de milagres? O IVA e o IRC estão como se sabe…

Mas, o governo do licenciado Relva, não satisfeito, ainda tenta lançar umas cortinas de fumo para tapar os olhos ao povo – por um lado Pedrinho e o RSI e por outro a magia da RTP, que afinal, quem sabe ainda vai encher os bolsos de alguém.

Este triunvirato que nos governa, entre o Pedro-Gaspar-Paulo poderia ter o mesmo destino do Romano, mas com uma solução tipo António alargada a todos – seria o milagre da TROIKA!

E a salvação do povo!

 

António Borges, os salários, e os crimes sem castigo

“Diminuir salários não é uma política, é uma urgência”  – António Borges

“A opinião pública sente-se enganada e pressionada pela austeridade imposta, em parte, para pagar os erros da banca e ainda nenhum banqueiro pagou pelos erros. Quando ponho a questão aos banqueiros eles respondem que a imoralidade e a falta de ética não são crime. Por isso, às vezes, calcam o risco amarelo da imoralidade mas não ultrapassam a linha vermelha da legalidade. Temos de começar a pensar em julgar a imoralidade”  Marc Roche, autor do livro “O Banco – Como o Goldman Sachs dirige o mundo”

António Borges decidiu seguir as pisadas de Madame Lagaffe. Ambos têm em comum o estatuto de isenção de IRS enquanto funcionários do FMI. Ambos têm responsabilidades nesta crise, uma enquanto ministra de Sarkozy, Borges enquanto homem da Goldman Sachs. Ambos ficarão impunes.

Ou talvez não. Nunca escrevam certezas sobre o vosso futuro com a mesma displicência com que falam sobre a vida dos que pagam IRS, viram os seus salários reduzidos e não têm pão para a boca dos filhos. Em determinadas situações os seres humanos são levados a actos espontâneos e irreflectidos, e tornam-se violentos. Uma dessas circunstâncias é a fome, coisa que para os filhosdaputa deste mundo é uma palavra mas para cada vez mais gente é um aperto no estômago que se mitiga com água, enquanto não a privatizarem. A fome faz milagres, António Borges; Marx deixou umas dicas sobre o assunto mas a simples lei da sobrevivência também serve. A fome faz do cobarde um herói, do amansado um rebelde, do cordeiro um bode selvagem.  E os bodes selvagens quando acossados perdem o medo, marram a direito, levam tudo em frente, incluindo os Borges e as Lagardes deste mundo. Chegará a vossa vez de terem medo, muito medo, e nessa altura não haverá paraíso fiscal que vos valha. A imoralidade não se paga com os portões do céu encerrados mas muitas vezes conduz directamente ao inferno, na terra. Fujam já, ou pensem nisso.

Aberrações

Há mundos totalmente discrepantes dentro do mesmo país. Refiro-me ao mundo do homem mais rico da Índia, um empresário que construiu uma habitação com 27 pisos para a sua família de apenas 4 pessoas; que «precisa» de 3 plataformas para helicópteros; de um parque de estacionamento para 160 automóveis e de 600 empregados domésticos. Estes números são, por si só, escandalosos. Mais ainda se tornam quando associados a uma habitação. Depois, porque esta está situada em Bombaim, onde é maior o flagelo da pobreza na Índia. Ficamos ainda mais boquiabertos se pensarmos que foi aí que madre Teresa de Calcutá trabalhou. E, em contraste, penso na vida dos mais de 410 milhões de conterrâneos do empresário indiano (uma criatura do “outro mundo”), seus vizinhos, pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza (1,25 dólar por dia) e que constituem um terço dos pobres de todo o mundo, num país com uma situação pior que a da África. [Read more…]

Mundo ao contrário 2x

Uma inglesa lembrou-se de ganhar dinheiro com casamentos de animais de estimação. Há donos que gastam centenas de euros para que o seu bichinho tenha um dia especial “com serviço de catering, fotógrafos profissionais e até limusinas”. Há quem desperdice 25.000 euros no casamento dos seus cães, com direito a harpa e fonte de chocolate de dois metros.

Please!! Isto mete-me nojo. Revolta-me sobremaneira.

A inglesa providencia que, no dia do casamento, os convidados humanos tenham “direito a um pequeno-almoço com champanhe, enquanto os convidados dos noivos e os próprios desfrutam de uma festa com leite e água”.

Entretanto, na Birmânia e noutros países, há crianças que procuram e competem entre si nas lixeiras por alimento e outros objectos que possam ser úteis…

A Fome*

Enquanto Helena Matos se indigna com o pequeno-almoço gratuito nas escolas (e demonstra não ter visto o Feios, Porcos e Maus), há pais que dão bons conselhos aos filhos.

*sim, com maiúscula, quem já experimentou perceberá porquê.

25 poemas de Abril (V)

 
O Viandante
 
Trago notícias da fome
que corre nos campos tristes:
soltou-se a fúria do vento
e tu,miséria, persistes.
Tristes notícias vos dou:
caíram espigas da haste,
foi-se o galope do vento
e tu, miséria, ficaste.
Foi-se a noite,foi-se o dia,
fugiu a cor às estrelas:
e, estrela nos campos tristes,
só tu, miséria, nos velas.
 

Carlos de Oliveira

Alguém tira este pé de cima da nossa cabeça?

Portugal está a ir ao fundo, ou antes, os portugueses estão a ir ao fundo e o Gaspar & Companhia ainda têm o descaramento de empurrar mais e mais… Será que não é claro que isto assim não pode ser?

“Segundo a UTAO, a execução orçamental de Janeiro mostra uma queda de 2,3% na receita fiscal da administração central e segurança social. No Orçamento do Estado (OE) de 2012, o Governo prevê um crescimento anual de 3,8%.”

Sem Tustos para o Utilizador

O utilizador do país, vulgo cidadão, é visto, na maior parte dos casos, como um mero contribuinte, isto é, como alguém cuja função é contribuir, alguém que deve pagar o que deve, a que se juntou uma outra obrigação: pagar o que não deve. Resultado: o utilizador não tem um tusto de seu.

Se o utilizador do país fosse visto como um trabalhador, um Américo Amorim, por exemplo, talvez tivesse direito também a receber, não só a contribuir. Porque o trabalhador, tradicionalmente, é visto como alguém que merece ser respeitado, alguém que está protegido da exploração, dos abusos.

Neste momento, o mercado de retalho alimentar está em contracção. Quer isto dizer que mensagem governamental de que é necessário cortar nas gorduras está a ser levada a sério pelos contribuintes?

As contas relativas às chamadas SCUTs levantam, também, algumas questões. Em primeiro lugar, estamos perante uma sigla sádica, a não ser que, agora, signifique “Sem Custos para o Trabalhador”. Depois, é sempre bom confirmar que o Estado pode aumentar os contributos dos contribuintes, aliviando-os de subsídios e outros excessos, mas nem pensar em renegociar os benefícios que os contratos garantem às concessionárias. Finalmente, vai ser engraçado descobrir que, com a introdução das portagens, o dinheiro que o Estado vai gastar com as SCUTs será o mesmo que já gastava, porque o utilizador, que não tem dinheiro para comer, dificilmente poderá pagar portagens ou combustíveis, a não ser que, por dever patriótico, comece a empurrar os carros em direcção aos pórticos.

e agora algo completamente diferente (ou não)

Bandex: Fome

Os Bandex têm brincado, e gozado, com a política à portuguesa. Desta vez, com o auxílio do grande Futre, é a sério e a doer. Como a fome.

Bob Marley e Zé Pedro

Is this love, Bob Marley

Duas figuras da música são hoje notícia; curiosamente, dois defensores da liberdade, da paz e da justiça social. Um, Marley, faleceu há 30 anos, com apenas 36 de idade. Outro, Zé Pedro, dos Xutos, vai ser submetido a um transplante do fígado.

O desaparecimento ou sofrimento de quem admiramos dói sempre. Nestes casos, dói-me absoluta e justificadamente. Tive o privilégio de viajar, lado a lado, em vôo Londres-Lisboa, com Bob Marley. Ia para África. Duas horas de conversa inesquecíveis. Foi na 2.ª metade da década de 1970. Aprendi que Marley era um inconformado lutador contra a fome, a miséria e as desgraças que ainda hoje castigam os povos de África, em especial os subsarianos. Marley era jamaicano de nascimento, mas africano de alma e coração. Como o tempo voa! Hoje, completam-se 30 anos desde a sua morte. Para mim, o rei do Reggae será sempre um símbolo vivo e digno de homenagem.

Zé Pedro, fora dos palcos, a última vez que o encontrei foi no Museu do Arroz, na Comporta. Festejava com familiares e amigos a recuperação de um caso complexo de saúde, de que havia sido acometido em Portimão tempos antes. Agora, está confrontado com a necessidade de se submeter a um transplante de fígado. No limite da capacidade humana, aquém e além dos médicos, dou-lhe publicamente o meu estímulo para que vença mais esta etapa. Força Zé Pedro! Os meus votos são sentidos e sonorizados, por “Is This Love” de Bob Marley. Uma canção com letra à feição de Zé Pedro, penso.

guerra santa

guerra santa

É-me impossível não comentar, ainda que em poucas palavras, esta ideia da guerra santa. A imagem revela a visão apocalíptica do livro do Apóstolo João, o amigo de Xristos. Os Quatro Cavaleiros de Revelação são personagens descritos na terceira visão profética do Apóstolo João no livro bíblico de Revelação ou Apocalipse. São geralmente representados pelos símbolos relacionados na narrativa: Conquista (ou às vezes “O anti – Cristo“), Guerra, Fome e Morte, embora somente o cavaleiro da morte seja identificado por nome.

Porque esta pequena nota? Não há jornal, imagem televisiva, comentários radiofónicos, que mão comemore a morte de Osama Bin Laden, nem os mesmos meios da média, não louvem ao governador do mundo, o Presidente dos Estados Unidos de América. Três deles entraram em terras sagradas das confissões sunitas, chita, sauditas, talibãs, e outras muçulmanas. Faz dez anos antes, o ocidente chorava as mortes causadas pelos ataques sauditas contra o ocidente cristão, de diversas igrejas. Era uma alegria ter encontrado e assassinado ao chefe sunita que tinha por missão aterrorizar países que antes os tinham

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o dia do trabalhador

o dia do trebalhador

O Trabalhador, escultura em bronze de Auguste Rodin, 1875-1876

No dia em que escrevi este texto, nunca imaginei que nem a grave servia para aliviar a nossa miséria, a nossa falência, a nossa fome, falta de trabalho, as lutas políticas e os gastos desnecessários. Pensava que éramos bem governados. Enganei-me redondamente. Em frente de nós, temos uma luta política que desactiva os investimentos e cada dia ficamos mais pobres. Nem a greve ajuda para o bom governo e desafiar aos que nos tratam mal. [Read more…]

Do Poder Político e da Fome

O Banco Mundial  há dias denunciou o crescimento exponencial da pobreza. Cerca de 44 milhões de seres humanos, informava, é o acréscimo de pobres. A causa é atribuída ao aumento de preços de matérias-primas necessárias à produção de bens essenciais. O preço do trigo, de Junho de 2010 a Janeiro de 2011, duplicou – 100% de aumento – . O milho passou a custar mais 73% no final do mesmo período. O fenómeno em si já é preocupante, mas é aterrador e desumano, densamente desumano deparar com a indiferença de meios de comunicação, a nível mundial. Silenciaram a notícia. [Read more…]

A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias. A Câmara Municipal de Matosinhos não.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, devido à crise que actualmente o país atravessa, vai passar a oferecer quatro refeições por dia aos alunos mais necessitados – pequeno-almoço, almoço, lanche e uma espécie de antecipação do jantar.
A Câmara Municipal do Porto vai abrir as cantinas escolares durante as férias de Natal para que os alunos mais necessitados tenham pelo menos uma refeição quente – o almoço – durante o dia.
A Câmara Municipal de Matosinhos vai comprar o Estádio do Leixões e do Leça para oferecê-los às respectivas colectividades.

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude. [Read more…]

Guerra!- uma carta para os meus descendentes

a realidade que os ricos,os senhores do mundo,organizam para nós, o povo pobre

Um dia, faz já muitos anos, o meu pai escreveu-me uma carta, que eu transcrevo:

Meu querido puto,

Andas a brincar na tua bicicleta de duas rodas, pelas ruas do bairro. Ris e pareces muito feliz e contente. Até largaste as fraldas, por pensares ser adulto ao manipulares a tua bicicleta. Corres e não só ris, como atacas. Atacas qual carga de cavalaria, perante um inimigo imaginário, esse que é desenhado pela tua ideia da guerra. Para ti, a guerra passa por ser uma brincadeira. E ainda bem. Porque, meu puto, seria bom que a guerra fosse uma brincadeira e não essa realidade espantosa, dura e terrível, que vês reflectida na cara dos teus pais. Uma cara de tristeza e de depressão. Palavras que nem entendes, como não deves entender a palavra guerra.

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Descubra as Diferenças (2)

Vá, eu dou uma ajudinha:

À ESQUERDA:

1) o deputado goza de imunidade parlamentar;

2) abre a boca para dizer o que quiser – continuará a garantir a sua reforma dourada por serviços prestados à Ditosa Pátria que tais filhos tem;

3) chama-se Ricardo Gonçalves, é um deputado “da província“.

À DIREITA:

1) o peixe à direita vive num mundo só dele, não tem que trabalhar para comer;

2) abre a boca apenas para coisas estritamente necessárias;

3) chama-se Nemo, é um peixe-palhaço.

Descubra as Diferenças

A propósito desta imagem, descubra as diferenças!

Eu dou uma ajuda.

O palhaço da esquerda é o Tiririca, recentemente eleito Deputado Federal no Brasil, o mais votado numa eleição nominal em que 1,35 milhões de eleitores brasileiros entenderam que ele, mais que qualquer outro isoladamente, é o melhor representante das suas vontades colectivas. Tiririca talvez não saiba ler o que não faz dele um analfabeto. Tiririca é um cidadão do mundo.

O pal.. senhor da direita é o Deputado à Assembleia da República de Portugal Ricardo Gonçalves, democraticamente escolhido de entre uma lista não-nominal na qual se incluem algumas outras dezenas de pessoas igualmente anónimas, não-nomeadas. Desconheço quantas pessoas escolheram este senhor Deputado para seu efectivo e nomeado representante. Este licenciado em Filosofia certamente sabe ler o que não faz dele automaticamente um alfabetizado funcional porque tem dado provas repetidas de que desconhece que 20% da população portuguesa vive no limiar da pobreza e muitas auferem não mais que o equivalente a 10 dias das suas ajudas de custo (60 euros por dia). Ricardo Gonçalves é um provinciano, assim se assume. Talvez seja o tempo de apanhar o autocarro p’ra Melgaço, regressar ao ensino da Filosofia e governar-se com 1000 euritos por mês, sem ajudas ou outras mordomias pagas, por enquanto,  por aqueles que insulta…

Cuba – 147 presos políticos e 26 a morrer!

O  jornalista e dissidente Guilhermo Fariñas, está em greve da fome, reivindincando a libertação de 26 colegas seus que jazem doentes nas prisões cubanas. O único crime é não pensarem da mesma maneira que esse regime apodrecido que os irmãos Castro só deixarão viver em liberdade quando desaparecerem fisicamente.

Já em Junho morreu outro dissidente Orlando Zapata Tamayo, morto aos 42 anos no fim de uma greve de fome de 85 dias. Estes lutadores pela liberdade preferem morrer a ceder perante um regime tirano. A pressão internacional adensa-se e o ministro Espanhol Moratinos foi lá tentar pessoalmente convencer Castro. Ao menos que dos 147 presos políticos, libertem os 26 cuja vida corre perigo.

Não há humanismo nestes regimes de partido único, onde não há democracia, nem estado de direito. Cuba é uma imensa tragédia que nada desculpa, mesmo que todos nós já tenhamos estado do seu lado, por esta ou aquela razão, a verdade é que o regime é uma imensa prisão, onde a miséria é o denominador comum. 

Cuba é o exemplo, que não há alternativa à democracia! Por muitos erros e injustiças que a democracia origine, nada se compara a regimes que deixam apodrecer na prisão cidadãos que cometem o terrível pecado de terem opinião própria!

Até siempre comandante!