Há qualquer coisa de estranho nestes dias de Novembro, nas notícias que se cruzam como dentes de garfo em bifes do lombo. Primeiro vem o PSD anunciar a aurora – como aconteceu ontem – pois que, lá no país deles, “os dados começam a ser favoráveis e os esforços valem a pena“. Depois, a realidade de um outro país, que (pelos vistos) desconhecem.
Uma professora partilhou um estado de desânimo numa rede social de hoje: “Doente.Depois da desistência de dois alunos porque não têm dinheiro para o passe, hoje um aluno desmaiou na aula por fome. Num 11º ano. Em Lisboa. Portugal. 2012″. Afinal isto já não se passa só com as crianças, cujos pais o Governo empobrece mas a quem há-de mandar uma assistente social para verificar a situação e, quiçá, institucionalizar (linda, a palavra). Afinal a fome começa a ser transversal. Afinal a minha amiga A existe, e sempre é verdade: deixou de pagar a água durante vários meses para poder continuar a comer massa e atum, ao jantar, mais as duas filhas. Tantos anos a viver acima das possibilidades havia de dar nisto.
Há alguma coisa de estranho nestes dias de Novembro. E nós bem sabemos o que é. Será que alguém pode contar à tia Isabel?

















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