aquele que sabe que vai morrer
Quando se olha um homem que sabe que vai morrer – não num qualquer dia incerto, mas em breve e inexoravelmente – não é a morte que contemplamos, mas a vida que nele resiste, essa vida que nos desconcerta porque a achávamos impossível quando o futuro, a redentora ideia de futuro, desaparece. Um homem que sabe que vai morrer já só tem o presente e tudo o que a ele conduziu, tem o tempo – contado, escasso, precioso –, tem um corpo que talvez já não domine, tem fé ou não a tem, tem gente à sua volta ou está sozinho, tem-se a si mesmo – inteiro, desmascarado, definitivo. [Read more…]
Reviver o passado relendo Eduardo Catroga
A 3 de Maio do ano da desgraça de 2011 o maratonista Eduardo Catroga falava assim:
O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal «foi essencialmente influenciada» pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.
Numa declaração aos jornalistas, em nome do PSD, Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma «grande vitória» dos sociais-democratas.
Congratulou-se também com o facto de o programa de ajuda externa a Portugal não afectar as «pensões de sobrevivência e de invalidez de cerca de um milhão de pensionistas com menos de 200 euros mensais» que, disse, eram «atacadas» pelo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) chumbado em Março pela oposição no Parlamento.
Airmou ainda que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais «medidas penalizadoras para os portugueses» do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objectivos.
Hóquei em Campo: uma foto para a história
Armindo de Vasconcelos
Os médicos
Desde a última greve dos médicos que estes passaram a ser notícia. Ouvi-as ontem e hoje também sobre duplicação de vencimentos. Há, possivelmente, médicos que estejam a furar o esquema. Falta de vergonha deles mas também do próprio ministério que é incapaz de fazer o que lhe compete – controlar – e agora descarta responsabilidades espalhando sobre todos os médicos o manto do descaramento.
Esta estratégia não é nova.
A alma lusa tem muita tusa

Um finlandês chamado Tatu Westling descobriu que a economia cresce mais quando o pénis é mais pequeno. A notícia é velha, podem ver a prelecção do Tatu no Vímeo, mas o Verão não perdoa a arqueologia noticiosa e o Rui Rocha muito menos.
E foi bem desenterrada. Perante a ameaça de novos cortes, cientificamente dirigidos para o coiso, se bem conheço a pátria e seus indígenas é desta que homens e mulheres de Portugal saem à rua e vai tudo raso. Qual Grécia: atreve-te Gaspar, afoita-te Coelho, e ides ver de que massa é feita a revolta em Portugal.
Até já estou a ver o operariado cerâmico das Caldas da Rainha, logo a meio da manhã:
– Ai ele é isso? pois não faço nem mais cortado.
Ganhar duas vezes
“Inspecção de Saúde dá conta de acumulações de remunerações no relatório de actividades de 2011. Há 374 médicos a ganhar duas vezes num mesmo hospital. Há hospitais que continuam a pagar 60 euros à hora a médicos contratados à tarefa, o dobro do máximo estipulado há um ano pelo secretário de Estado da Saúde.” (Público, 25/7).
Enquanto a maioria dos portugueses vê o seu salário alterado para baixo e outros perdem o emprego há, contudo, quem receba a dobrar…
Austeridade para uns, acumulação para outros.
O seu a seu dono!
Reconheceram-na pelo sorriso
Acordo Ortográfico: um vídeo penoso de Fernando Cristóvão
Neste vídeo, Fernando Cristóvão, eminente estudioso da língua e da literatura portuguesas, faz uma defesa penosa do chamado acordo ortográfico (AO90).
Um dos primeiros argumentos usados consiste no facto de ser uma lei. Para além de haver muitas dúvidas acerca da legalidade do AO90, as leis podem ser revogadas, a não ser que estejamos diante de algum fenómeno religioso e o dito acordo tenha descido do Monte Sinai pelas mãos de algum iluminado. [Read more…]
Vida = fórmula (?)
Continuo a transcrever o Diário de Etty Hillesum para este espaço. Etty, uma escritora judia que morreu em Auschwitz em 1943.
Na quarta-feira 22 de Outubro de 1941, poucos dias após ter iniciado a Batalha de Moscovo – uma das mais importantes e mais longas da Segunda Guerra Mundial e em que morreu cerca de um milhão de pessoas – Etty, com 27 anos na altura, escreveu isto:
A vida não se apanha em meia dúzia de fórmulas. No final de contas é com isso que te ocupas constantemente e que te obriga a pensar de mais. Tentas capturar a vida em algumas fórmulas, mas tal não é possível, a vida tem infinitas nuances e não se deixa apanhar nem simplificar. Mas por isso mesmo, tu podes ser simples.
S. Francisco de Assis
Longa-metragem sobre S. Francisco de Assis e uma das principais Ordens Mendicantes da Idade Média. Não legendado.
ficha IMdB
Da série Filmes para o 7.º ano de História
Tema 4 – Portugal no contexto europeu dos séculos XII a XIV
Unidade 4.2. – A cultura portuguesa face aos modelos europeus
Crato inclinou-se tanto que abriu um buraco
São quase três da manhã e a plataforma continua em baixo. Os Professores continuam a não poder concorrer.
É perfeitamente estúpido que o Mestre da exigência se preste a este papel. Não há adiamento que resista a tanta incompetência.
E reparem, não se trata de estar ou não estar de acordo com as políticas: para lutar pela Escola Pública, fomos, no Porto, outra vez para a rua!
Não é essa a questão.
O ponto é mesmo a incompetência desta gente em gerir uma coisa tão simples como um concurso de professores. Nos anos 80, quando eram em papel, tudo era possível. Agora com computadores e fibra óptica e sei lá mais o quê, não conseguem? Ou são incompetentes ou querem acabar com os concursos nacionais?
Será que sobre isto, a FNE terá algo a dizer? É que à hora em que uns estavam nas ruas do Porto a lutar pela escola pública, outros estavam a Despachar serviço no gabinete do Ministro.
Nota de rodapé: passaram 11 minutos e a plataforma continua como o Crato! Um zero!
É pecado não ser feliz
Passos Coelho recebe lições de Jorge Jesus
Passos Coelho tem revelado uma inusitada capacidade de usar a gíria e o calão, o que tem espantado os observadores políticos. O Aventar revela, hoje, o segredo: o chefe do governo tem andando a receber lições de Jorge Jesus.
Tudo começou com a célebre frase “Ainda não é a altura de ir ao pote”, passando pela escolha do adjectivo “piegas”, tendo atingido o auge com “As eleições que se lixem”. Fontes próximas do gabinete do primeiro-ministro declararam que, nos comentários à execução orçamental, Passos Coelho irá afirmar “Tivemos munta fortes.” Entretanto, irá aprender a mastigar pastilha elástica com a boca aberta, durante os debates na Assembleia da República, enquanto grita instruções para o grupo parlamentar.
Outra vez os concursos de professores
Há por aí uma lei da vida de um tal de Murphy que diz qualquer coisa como ” Quando uma coisa tem que correr mal, vai
mesmo correr mal”.
Crato merecia esta confusão! Sim, já estou na fase do quanto pior melhor!
O que estes boys estão a fazer à classe num ano é algo que se aproxima do reinado de quem sabemos, mas temos até medo de falar. Mas o monstro acordou e não vai dar para parar…
Esta semana mais de 50 mil almas têm uma aplicação informática para manifestarem as suas preferências. Tem acontecido de tudo:
– mudam a lei depois do concurso ter começado;
– horas e horas a tentar aceder e nada;
– 15 minutos para guardar um número na aplicação;
– servidor em baixo depois de duas horas a meter códigos;
– limites para coisas que não estavam previstas…
Enfim, um exemplo perfeito do que não pode ser uma aplicação informática. Um exemplo ainda melhor do que não pode ser uma prática governativa. Confesso que estou surpreendido com a capacidade de Nuno Crato. Não pensei que fosse tão mau!
Sabia que era um duque num naipe sem valor, mas não estava à espera que fosse o que está a ser: um gerador de saudades da Maria de Lurdes.
Ai! Escrevi! Cruzes! Canhoto!
Vou para a rua! Às cinco em frente à DREN!
“Que se lixem as eleições”
“Que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal”, disse o nosso PM, Passos Coelho que, desenganem-se, não está doente, só está a fazer dieta para não ficar barrigudo.
Esta frase vai dar pano para mangas, ou muito me engano!
“Que se lixem as eleições”? Ah?
“O que interessa é Portugal”- sim, concordo plenamente.
E o que fazemos às eleições? (Elas já estão «lixadas» há muito….). Não vamos votar? Como foi «parar» a PM?
O que sugere como substituto às eleições? E o que melhorar no processo de escolha dos nossos representantes? Pelo vistos não está satisfeito, tal como não está o cidadão comum. Andamos preocupados com este assunto. É que não há meio de encontrarmos as pessoas certas através das eleições ?!
Fiquei confusa, sr. PM!
Horários zero: o desnorte do Ministério da Educação
Primeiro, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) quis obrigar as escolas a indicar, até dia 6 de Julho, quantos horários-zero iriam ter, antes de terem a certeza de quantos horários-zero iriam ter, com ameaças aos directores, obrigando-os, no fundo, a indicar horários-zero em excesso. Depois, o MEC adiou o prazo da informação para dia 13, porque assim as escolas poderiam ter mais uma semana para continuarem a não ter a certeza do número de horários-zero que iriam ter. As escolas foram, portanto, obrigadas a indicar um tipo de horário que poderia ser designado por horário-zero-eventualmente-um. Pelo meio, os professores com esses horários-zero-eventualmente-um seriam obrigados a concorrer para sair da escola, embora pudessem, a qualquer momento, ser repescados, caso as escolas viessem a confirmar que, afinal, havia horário para esses mesmos professores, que passariam de um horário-zero-eventualmente-um para um horário-efectivamente-um. Depois disto tudo, o MEC ter-se-á lembrado de pedir às escolas que indicassem o mínimo de horários-zero possível, para além de, aparentemente, permitir que sejam abertas turmas de ensino profissional que estavam, até aqui, fechadas. [Read more…]
Cenas do Meu Olho-da-Rua
O meu Olho-da-Rua é horrível, um ano lectivo inteiro a ensinar e a reunir em salas de aula-nave-espaciais, Escola intervencionada pela Parque Chular, quinze horas lectivas, um ano inteiro a deslocar-me fundamentalmente por minhas pernas. De autocarro. De Metro. Porém, a nenhum Olho-da-Rua poderei consentir me destrua, por isso determinei-me a transformá-lo num prado aprazível, moldável por minha mão. Conscientemente, sei que o meu Olho-da-Rua está sempre lá, mesmo quando trabalho e me entrego. Ele impede-me à partida alguns movimentos despreocupados, mínimas e médias despesas associadas à vida normal de um quarentão ou, vá!, de um europeu do sul: não fumo, não bebo, pelo que não há qualquer sofrimento por não poder comprar itens desses. Em que pensar? Tanto. O que fazer? Tanto. Aonde ir? Nem mais. Rua! Escritas aqui umas coisas muito livres e muito comentadas mas quase sempre e só no sentido de abater este escriba, rua, pois. O meu Olho-da-Rua inspirou-me a ir para a rua concreta. A minha rua. As ruas onde eu nasci e cresci.
É só transpor a porta de casa dos meus pais, nosso lar comum, e seguir. Acompanho-me das minhas filhas. Levo-as comigo porque passear é bom, porque querem imenso essa aventura em aberto e tão pura, porque há passeios seguros que nos preservam, apesar das tangentes dos carros e camiões que passam, porque há milhentas coisas novas para ver e saborear, treinados olhos olhando o Céu, olhando o Chão, olhando o Mar. Ontem, efectivamente, após um almoço muito leve, fomos pela primeira vez e foi inteiramente desprogramado. Aconteceu. O sol abrira. Acariciava-nos uma brisa húmida. Árvores gigantes, arbustos, flores, sorriem-nos, surdindo dos jardins e muros da minha terra. [Read more…]
Momento “Porreiro, Pá”
Encerramento das escolas, fecho do país
Em vários jornais, foi ontem notícia o encerramento de 239 escolas do Primeiro Ciclo. Como é habitual no discurso dos ministros da Educação, Nuno Crato afirmou que a importância dessa medida está relacionada com as vantagens educativas, considerando que, em comparação, a poupança alcançada é pouco importante, embora não tenha revelado o valor dessa mesma poupança.
Tal como os anteriores detentores da pasta, Nuno Crato afirma que todo este processo decorre com a anuência das autarquias, embora uma rápida incursão pela internet pareça desmentir tal asserção, quando passamos por Leiria, Gouveia, Estremoz, Odemira ou Elvas. [Read more…]
Fazedores de milagres
Francisco Vieira de Almeida, de 20 anos, foi o jogador mais jovem da equipa portuguesa de râguebi que conquistou o Algarve Sevens, ao derrotar a Espanha na final, por 7-5. Estão apurados para o Mundial 2013. Parabéns.
O seu comentário tem que se lhe diga: “Com as condições que temos, continuamos a fazer milagres”.
Não é só no desporto que se continuam a fazer milagres em Portugal. Somos «milagreiros» em muitas àreas.
Penso no Ensino: o professor é quase um «fazedor de milagres». Quem é professor percebe bem o que estou a dizer (no meio de tanta papelada ainda arranja tempo para preparar aulas).
Mas penso, sobretudo, nos reformados a viver com miseráveis pensões e nas famílias em que pai ou mãe ou ambos estão desempregados. Como se pode viver sem saber fazer milagres?
«Omoletas sem ovos», uma das especialidades da gastronomia portuguesa (sugiro candidatura a Património Nacional).















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