Acordo Ortográfico: e quando um brasileiro procurar a recepção de um hotel…

 

Graças à uniformização ortográfica alegadamente proporcionada pelo chamado acordo ortográfico (AO90), será cada vez mais provável que os turistas brasileiros, ao procurarem a recepção de um hotel em Portugal, deparem com a “receção do hotel“.  Efectivamente, por obra e graça do AO90, a palavra em causa passa a ter grafias diferentes: a primeira mantém-se no Brasil, a segunda é novidade em Portugal.

Imagine-se que o turista em causa sabe que Portugal já adoptou o AO90. Imagine-se, ainda, que o mesmo turista, à semelhança de muitas pessoas, iludido por publicidade enganosa, ficou a pensar que portugueses e brasileiros utilizavam, agora, a mesma grafia para todas as palavras. O surpreendido turista poderá imaginar que o hotel ainda não adoptou a nova ortografia ou poderá chegar à conclusão de que, afinal, o chamado acordo ortográfico será, com certeza, ortográfico, mas dificilmente será um acordo.

É claro que a cereja no bolo desta confusão estará visível na chapa que a recepcionista poderá ostentar na lapela: aí poderá ler-se “Fulana. Rececionista“.

Zorrinho ou o Franciscanismo Argumentário

Que se passa com Zorrinho? Por que motivo não foi capaz de elogiar uma frase de desprendimento político do Poder e de um cargo, vinculando o Primeiro-Ministro a essa espécie de compromisso com as suas próprias palavras: que se lixem as eleições?! Em vez disso, com uma falta de imaginação terrível, sem rasgo e sem estilo, desatou a construir inferências abusivas: se disse o que disse, o que quis dizer foi «que se lixem os eleitores», quando tudo o que transpôs os dentes de Passos é saudável, raro, e foi só isto: «Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições.» Zorrinho tinha a obrigação de reconhecer que nada há, nesta governação, que seja populista e eleitoraleiro. Muito pelo contrário. O que há é amargo. Sacrificial. Duro.

Porque Zorrinho conviveu demasiado perto com a mais infecta desmesura gananciosa do Poder como chave de corrupção e oportunismo, com a hubris mais ostensiva contra os interesses de Portugal, e com os excessos mais onanistas da imagem pela imagem, deveria confirmar que é o interesse do País acima de qualquer tentação eleitoralista o que move, e ai dele!, o líder deste Governo. Por isso é vaiado por uma minoria que se tem especializado na vaia ordinária. Por isso Passos é contestado em surdina e desespero por quem legitimamente desespera. Eu ficaria aliviado quando enfim um Governo se estivesse realmente, como treslê Zorrinho, «a lixar para os eleitores» desde que deixasse de lixar os contribuintes mais indefesos, as famílias mais desesperadas, os funcionários públicos, grande bombo fácil de todas as desleais correcções do défice.

Há por aí quem tente e deseje odiar Passos Coelho de todo o coração, com toda a mente e toda a alma, da mesma maneira que, espontânea e intuitivamente, milhões de Portugueses abominaram e abominam Sócrates por todas as boas razões do asco natural a patéticas peneiras e ao que é politicamente maligno e todas as más razões de tanto mal perpetrado contra nós. Tentam. Desejam. Mas não conseguem. É fácil perceber porquê.

A abertura dos jogos olímpicos é o maior espectáculo do mundo?

Desde quando? Veja como abriram os jogos olímpicos desde 1960, responda a esta pergunta e habilite-se a um prémio inteiramente grátis:

Pequim, ou Beijing como se escreve agora, 2008

Atenas 2004 (na Grécia, essa mesma)
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Império do Sol

Extraordinário filme de Spielberg, com uma notável interpretação de Christian Bale, o actual Batman, na altura com 13 anos. A acção decorre em 1941, na China, durante a invasão japonesa. Legendado.

O sentido de Britishness

As aberturas dos Jogos Olímpicos foram sempre uma celebração de alguma coisa, nomeadamente do país que os organiza. Não há duvida que este ano foram uma celebração daquele sentido de Britishness. Do que é ser britânico. Estava, sinceramente, à espera de algo muito mais nacionalista com armadas espanholas e Henriques V. Mas afinal não. Os britânicos, espertos, celebraram o que têm de melhor. O humor, o fair play, a literatura, a fantasia, a diversidade. Sim, o Reino Unido que se mostra nestes Jogos não é o Reino Unido que o BNP (British National Party) gostaria que fosse. O que sópode ser uma coisa boa. É uma entidade que mais do que nunca celebra a junção entre o tradicional e o moderno. Entre o antigo e o novo. E mais nenhum país no mundo consegue fazê-lo com tanta mestria e com tanto sucesso, independentemente das tensões que surgem.

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Irritações

 

É tarde e na televisão passa a repetição de um programa de discussão política, emitido umas boas horas antes. Os personagens são conhecidos, demasiado conhecidos. Têm o seu passado de inutilidades e equívocos branqueado por isso mesmo, por ser passado. Ouço-os, e à natural falta de paciência causada pelo cansaço de quem precisa, mas não consegue dormir, junta-se uma estranha irritação. Os sorrisos sobranceiros que decoram as palavras, não ajudam. A discussão que esconde mal, mesmo muito mal, um pacto tácito entre todos, azeda-me o fígado. A sabujice de quem modera (?) revelada nas lambedelas que substituem as perguntas, é suficiente para tirar do sério o mais fleumático dos mortais. Mas há ali qualquer coisa mais. Qualquer coisa que eles tentam, mansamente, encobrir. Qualquer coisa que, a pouco e pouco, se vai tornando perceptível, quase palpável. E de repente, “voilá”. Finalmente percebo e também percebo que, afinal, a descoberta nada tem de notável. Aquelas aventesmas não vão para ali dizer o que pensam. Vão para ali dizer o que lhes dá jeito e apenas dizem o que serve os seus interesses pessoais.

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Abertura dos jogos olímpicos: uma mixórdia de temáticas

Percebe-se o objectivo nacionalista mas podia ter interesse. Uma mixórdia de temas encaixados como um pé direito no sapato esquerdo.
Abertura dos jogos olímpicos - Londres 2012

Foto: BBC Sport

Plataforma pela Educação

Afinal foi hoje que a Escola Pública mudou…

Oásis Lixados

Objectivamente, estamos cada vez mais pobres, nós, cidadãos desempregados ou chulados e lixados de pura exploração. Nós, que não somos assessores governamentais. Nós, que não temos vinte e quatro anos de idade, portanto uma ‘enorme’ experiência, que justifiquem vencimentos mensais brutos a roçar os 5069,34 euros, no Ministério da Economia. Mas, vá lá, no meio deste fosso, há algumas empresas públicas, e mesmo a Galp do Amorim, que estão a comportar-se maravilhosamente, com resultados operacionais positivos, fazendo justiça ao princípio exigido externamente [Troyka] e pelo Governo de que tais empresas têm de ser equilibradas. Claro que estas boas notícias não vão salvar-nos da cruz dívida, madeiro a que a política, essa rameira [amiguista, dos tachos, das cunhas, dos jeitinhos, dos favores], nos pregou por muito e bom tempo, como no-lo recorda Pedro Santos Guerreiro«Os casos de resultados operacionais positivos têm sido aqui amiúde destacados, como o da Carris e o dos STCP. O problema é a dívida. Porque foi com dívida que, ano após ano, se tapou o desequilíbrio operacional e o fluxo de investimento, muitas vezes desnecessário ou ruinoso na sua execução, com derrapagens intoleráveis, mas toleradas. A dívida “em armazém” é gigante e é um problema do Estado. A dívida alegremente contraída será tristemente paga por nós.»

elogio de Humphrey Bogart

Foto: Yousuf Karsh

Cada vez gosto mais do Bogie. E olhem que pode ser complicado a gente gostar dele. Quando se cresce a levar com Tom Cruise a fazer coquetéis (é assim que se escreve?) não é fácil afirmar a preferência por tipos de tez acinzentada pelo tabaco e mortos há mais de 30 anos. Tipos que, reparem bem, nasceram em 1899 (!), coisa espantosa para um galã de cinema. Não é por ele fumar como um carroceiro e não ser o Tom Cruise que eu gosto dele, embora ambas sejam características que me podem levar a simpatizar com uma pessoa, mas porque o Bogart tinha aquela aura (conquistada em grande medida, mas não em exclusivo, com o seu Rick Blaine) de tipo generoso, incapaz de virar a cara ao sofrimento alheio, mas sem pachorra nenhuma para as lamechices. E eu acho que o mundo está a precisar urgentemente de gente dessas.

Já não há sais de frutos suficientes para tantas criaturas que querem dar-nos abraços grátis (como se habitualmente eu pagasse por eles), que nos entopem as caixas de correio electrónico com imagens de cãezinhos, gatinhos e outros bichinhos em poses Walt Disney, ou de criancinhas angelicais,  ou que nos dedicam chi-corações (é assim que se escreve?) e “beijos no coração” (argh!), ou que acreditam que a existência dos pobrezinhos é necessária para que possamos exercer a cristandade, e nos saturam com a descrição inflamada da sua própria generosidade, e outras coisas abomináveis. Por mim, a regra é simples: se tenho dúvidas quanto à lamechice de alguma coisa, basta perguntar-me: “O Bogart faria isto?” [Read more…]

Sem notícias

Mais uma ideia maluca, à Céu Mota. E se, de um dia para o outro, optar por não ouvir, ler ou querer saber o que se passa no meu país e no mundo? Não comprar o jornal, mudar de emissora de rádio quando viajo de carro, não ver as notícias na TV, etc.?

Nas férias não é difícil, mas prolongar essa escolha para o resto do ano?

Será alienação? Indiferença? Como será viver sem tanta informação?

Por todos os lados ela nos chega. Tanta, que ficamos imobilizados… sem saber para onde nos virar, sem conseguir filtrar e assimilar. Ficamos loucos. Não agimos.

Provavelmente, escreveria menos no Aventar…

Não há como experimentar!

A palavra iniciada por F

Enquanto tomo o café, leio uma entrevista à professora Helena Marujo, especialista em Psicologia Positiva:

“A felicidade também se aprende e também se treina.

A felicidade e o optimismo têm impactos profundos nas nossas vidas:

1- melhoram a saúde;

2- potenciam as capacidades cognitivas;

3- aumentam a longevidade; entre outras vantagens”.

Helena Marujo diz-se uma pessoa feliz, mas num trabalho diário de construção da felicidade. Não é algo natural nela, antes algo que busca. Uma sugestão que deixa: apaixonar-nos por aquilo em que acreditamos.

«E em que é que eu acredito?» – pago o café e vou trabalhar.

Bem vindos ao século XIX

Porque não ter uma base de dados central com todos os acórdãos, disponível on-line!? Acórdão do caso Freeport não ficará disponível antes de Setembro. Os senhores meritíssimos(?) juízes estão de férias…

A atracção de Henrique Raposo pela mentira é imparável

Henrique Raposo veio a Coimbra e escreveu uma crónica que subscrevo. Não porque tínhamos 4000 jovens estrangeiros num festival de ginástica mas porque não faz sentido o comércio de um centro histórico fechar ao sábado. Não tenho a mínima dúvida que essa é uma causa da decadência do comércio na Baixa de Coimbra: encerrar aos sábados à tarde, mantendo-se aberto e às moscas à 2ª feira, foi e é não perceber que o mundo mudou.

Ficar-me-ia pela analogia de que tal como os relógios analógicos parados Henrique Raposo acerta duas vezes por dia (ou duas crónicas por ano), não fosse um detalhe: afirma Raposo que se encaminhou para uma loja que vende sapatilhas Sanjo e música alternativa. Ora por estes lados sobra uma loja que vende música alternativa, mas não tem sapatilhas (excepto no primeiro plano do vídeo abaixo). Temos outra onde de tudo se mistura um pouco, mas a música é mais Quim Barreiros. Mentir em Henrique Raposo é fatal como o destino.

Acordo Ortográfico: sabor a pacto

Encontrei, no repositório do costume, mais uma prova de que o chamado acordo ortográfico (AO90) é uma fonte de problemas, o que não é de admirar, se tivermos em conta que o alegado acordo está carregado de incoerências. Ora, num país em que o ensino da língua materna tem sido bombardeado por quintalórios universitários aliados a gabinetes cheios de reformistas instintivos, o acrescento do AO90 constituiu a gota de água que fez transbordar o balde. [Read more…]

Intervalo

Depois da excelente série do Ricardo sobre Filmes para o 7º ano de História, é tempo de um intervalo. Mas curto. Amanhã mais coisas darão na net e, se nos deixar uma sugestão nos comentários, até poderá ser a sua escolha.

[youtube http://youtu.be/qLYdlZWrBRQ?w=290]

O regresso da Corporativa

Tem feito falta, obriga-me a ler mais coisas indigentes; não sei quem são mas acabaram as aulas e voltaram.

Também gosto de humor negro, com cheiro a queimado

João Miranda em churrasco lento e já, para amortizar eventuais dívidas.

Que se lixem as crianças!

Leiam esta notícia, com atenção: no concelho de Paredes, há um menino que vai entrar para o Primeiro Ciclo do Ensino Básico e que, graças ao encerramento da escola para onde iria, terá de se levantar duas horas antes do início das aulas, devido ao horário dos transportes; no concelho da Figueira, uma mãe não tem 50 euros para pagar o passe, agora que a filha será obrigada a ir para uma escola mais distante; alguns presidentes das câmaras estão muito preocupados com o aumento da despesa com transportes.

Nuno Crato, a propósito do encerramento das escolas, mente o mais que pode, afirmando que tudo nasce de um consenso sereno. Os presidentes das câmaras preocupam-se com o dinheirinho ou com as fidelidades partidárias. Confirma-se, portanto, que, entre ministros e autarcas, há uma disputa renhida para ver quem consegue prejudicar mais as crianças do país. Terrível campeonato! Tristes espectadores!

Sem rosto

Já há muito que queria ter Elogio da Loucura nas minhas mãos, sopesá-lo. Um livro com 500 anos é «pesado», embora esta edição que tenho seja uma «coisinha» de 141 páginas num formato A5.

Esta obra de Erasmo de Roterdão faz doer as costas!!

Logo na página 16, eu me fico:

” (…) já que o rosto não mente porque é o espelho da alma. Não dissimulo no rosto o que sinto dentro do peito. Sou sempre idêntica a mim própria (…)

José Mestre foi, durante muito tempo, um homem sem rosto. Nunca o vi. Deambulava pelo Rossio e pelos Restauradores em Lisboa… Conquistou um rosto depois da operação ao tumor que lhe pesava mais de 5 quilos no corpo e na alma. Como espelhava ele a sua alma antes de ter este rosto?

Claro, sr. Erasmo, há outras maneiras, outros veículos para reflectir o que vai na alma.

O rosto é apenas um dos muitos espelhos que ela tem!

Se não, o que seria de nós aventadores e de vós, leitores do Aventar, gente sem rosto?!!

Privatizações em família

Pavilhão Atlântico vendido a consórcio de Luís Montez. Na ausência do BPN, quem financia?

(respondido nos comentários)

Factos de “Anda Comigo Ver os Aviões”

Toda a gente se apaixona pelo poema e pela música «Anda Comigo Ver os Aviões» e a coisa é, talvez, de meados de 2011. A menina de três aninhos canta-os escaroladamente. A adolescente, com os ouvidos sempre preenchidos pelo verdadeiro alter audio, com todos os sucessos musicais-universais em Inglês, também os canta e articula, com arte, cada verso, como se os mastigasse. A avó interessa-se por eles, música e poema, e pede que os netos lhos expliquem com pormenor. Mesmo o avô, que ouve mal, e o pai, de bela voz, cantam aqui e ali os primeiros versos entre sorrisos de incontido embevecimento. Os casais entreolham-se, de olhar húmido, ao ouvi-la na Rádio ou no PC, coisa a que também não resistem imigrantes brasileiros e brasileiras ainda resistentes por cá. A Porto Canal usa-a num gingle autopromocional, promotor simultâneo das belezas ímpares da nossa cidade. De que é que está à espera o Brasil inteiro para se apaixonar por ela também?! Tenho enviado e-mails com o vídeo para os meus Amigos de Lá, numa tentativa, até agora sem retorno, de seduzi-los para ele, poemúsica. Adoraria que a América fosse trazida até cá e a Os Azeitonas, mesmo extinta, dissolvida ou transformada a banda, só por causa desse naco de sublime, sacado por um evidente e inspirado talento que toca toda a gente.

Parar de amar

 Miguel Esteves Cardoso é, às vezes, irresistível. Como hoje!

O título do seu texto no Público: «Ser amado». O homem «põe-se» a dizer aquelas coisas sobre o seu amor a Maria João e vice-versa e eu não lhe resisto. Transcrevo a passagem que considero mais interessante:

Às vezes, é preciso conseguirmos o que não se consegue: parar de amar por um momento, para se ser amado por quem se ama. Seria bom podermos parar para nos sentirmos amados sem ser de volta, na confusão de duas pessoas a amarem-se.

Parar de amar não se consegue!

Fazer um «stop», uma «pausa» em amar.

Amar é movimento? É uma canção? Amar o que é para se poder parar «por um momento»?

Desliga. Liga.

Carrega no botão: põe o amor em andamento!

festa na rua das putas

Na rua das putas há duas instituições: o infantário da segurança social e a pensão das putas. Também há cafés, garagens, marcos do correio, buracos na estrada, uma mercearia, mas tudo isso se secundariza perante o infantário e, mais ainda, perante a pensão das putas. Aliás, toda a gente a conhece como rua das putas, e não a rua do infantário, ou a rua da garagem. Porque são as putas, nos seus sucessivos turnos, que patrulham a rua, vigiam a casa de quem vai de férias, devolvem a bola aos miúdos do outro lado da cerca, convidam os homens solitários a subir com elas, e seguem os casais com um olhar onde jogam, às escondidas, a discrição e a insolência.

Por estes dias, acaba o ano escolar no infantário e faz-se uma festa. A festa é no pátio, semioculto por um portão, e para espreitar lá para dentro há que ter saltos bem altos. Na festa, o director fala ao microfone, e a rua toda ouve o que ele diz, e também apresenta os cantores, que não são as crianças nem os professores mas uns artistas convidados que costumam cantar muito mal. [Read more…]

Uma Ingenuidade de Corrupção Divertida

É o que acontece quando falamos de mulheres, entre amigos, tantas vezes. Hoje, falar de Portugal dói e massacra para além de todas as medidas. Ainda acredito que Passos Coelho na maioria das medidas esteja a decidir aquilo para que não há alternativa e tem de ser feito em Portugal, apesar de decidir contra os meus interesses imediatos, as minhas necessidades prementes, apesar de assediar os meus nulos recursos, [o Fisco, por exemplo, parece uma vaca doida que me inventa sucessivas questões e vem com cartas ameaçadoras ou chover no molhado ou sobressaltar-me com supostas dívidas em que é impossível eu ter incorrido], apesar de esmagar a minha tranquilidade de cidadão cumpridor e pobre. A sensação de justiça nas medidas, essa é que teria e terá de ser incomparavelmente maior tanto para a minoritária centena dos que o vaiam profissional e metodicamente como para os milhões que ficam calados, mais apostados em olhar por si e em correr os riscos necessários para não cair no abismo da miséria. Reconheçamos que em demasiados casos os Portugueses teriam de se vaiar a si mesmos por cada ano desta semi-democracia até ficarem roucos. Uma vaia monumental, para começar, à má qualidade do seu voto. Uma vaia interminável, para terminar, ao individualismo explorador do próximo em situações de poder económico ou político. Onde está a tua solidariedade, Portugal?! Que é feito do teu sentido do outro?! E autocrítica, não temos?!

Universo pluralístico

Li Não Matem o Bebé de Kenzaburo Oë, Nobel da Literatura, há dezoito anos. Uma passagem não me saiu da cabeça desde então: um diálogo entre Himiko e Passarinho. Falam do «universo pluralístico» nestes termos:

– Neste preciso momento tu e eu estamos sentados e a falar um com o outro num quarto que faz parte daquilo a que chamamos o mundo real – principiou Himiko. (…) Ora sucede que tu e eu existimos também sob formas completamente diferentes num mundo incontável de outros universos. Aí tens! Ambos nos recordamos de tempos passados em que as probabilidades de viver ou morrer eram de cinquenta por cento. Por exemplo, quando eu era criança apanhei febre tifóide e quase morri. E lembro-me ainda perfeitamente do instante em que cheguei à encruzilhada; ou descia para a morte ou subia a ladeira da convalescença. Naturalmente, a Himiko que se encontra sentada contigo neste quarto escolheu o caminho da convalescença. Mas, no mesmo instante, outra Himiko escolheu a morte! (…)”

Eu concordo com esta visão. Decidir, que acontece a cada momento da nossa vida, é isto mesmo! Há muitos caminhos que deixamos de fazer… por um.

Agora imaginem este «universo pluralístico» na cena política! E se Portugal tivesse enveredado por um outro caminho que não este em que nos encontramos e que já não há retorno? Ainda teremos outra oportunidade para escolher «a ladeira da convalescença»?

p.s.: o poema de Frost foi sugestão da Celeste Ramos!

Que se lixe

Que se lixe aqui no Porto seria escrito de outro modo, mas atendendo à época carnavalesca em curso admito como plausível o acesso de menores ao Aventar – vou, por isso, evitar escrever Que se foda!

Caro leitor, nas linhas que se seguem, penso de um modo, mas escrevo de outro. Sou uma pessoa complicada, sim, admito. Uma pessoa complicada daquelas que gosta de chatear o Primeiro-ministro. Aliás, estou de licença sem vencimento, porque ninguém me pagou o subsídio de férias e no último mês, confesso, estive em quatro manifestações. Sou decididamente uma pessoa complicada e por isso não entendo o Miguel Relvas.

São pessoas complicadas os médicos e os professores, os enfermeiros, os funcionários públicos…

Todos um bando de ladrões que tirou licenciaturas na Lusófona  e tudo gente que subiu na vida à custa das equivalências ou dos cargos nas empresas dos amigos. [Read more…]

Os bancos devem ser desmembrados

É o que diz um ex-presidente executivo do Citigroup. – É claro que vamos continuar a endividar-nos para salvar bancos falidos.

Acordo Ortográfico prejudica Futebol Clube do Porto

O labor incansável do João Roque Dias permite-me, todos os dias, confirmar que o chamado acordo ortográfico (AO90) é uma fonte de ruído e não me estou a referir ao debate entre os defensores e os críticos. [Read more…]

Filmes para o 7.º ano de História – Fim

A última unidade do programa do 7.º ano de História, Crises e Revolução no séc. XIV, é na prática uma unidade do 8.º ano, pois nunca é leccionada, por falta de tempo, no 7.º. Assim, ficará para outras núpcias.
Quanto à série que hoje termina, relembrar que não quis fazer uma listagem exaustiva dos filmes existentes na net sobre os conteúdos do programa do 7.º ano de História, mas seleccionar aqueles que tinham mais interesse do ponto de vista da aula e dos alunos.
Como escrevi no primeiro post desta série, é de evitar a utilização de filmes completos. O facto de existirem na net é excelente, mas só se o professor souber aproveitá-los para os seus objectivos. Ou seja, retirar determinada cena ou determinado episódio pode ser muito importante, muito mais do que mil palavras que o professor diga. E aí, os inúmeros programas gratuitos de edição de som e de imagem, de legendagem, etc, são seus aliados fundamentais.
Pode dar muito mais trabalho do que estar ali a debitar a matéria do costume, mas os alunos agradecem. Ou não.

Da série Filmes completos para o 7.º ano de História