O mar é o nosso berço

(adão cruz)

 

 

O mar é o nosso berço

Segundo Richard Dawkins, se recuarmos bastante no tempo, encontramos toda a vida no mar. Em vários pontos da história evolutiva os animais mudaram-se para terra, atingindo por vezes os desertos mais áridos e levando no sangue a água do mar.

Os estágios de transição do êxodo destes nossos pais, isto é, os nossos antepassados peixes, estão amplamente documentados nos registos fósseis. Toda a evolução inicial dos vertebrados decorreu na água, pelo que a maioria dos ramos sobreviventes dos vertebrados continua no mar.

Compreendo agora porque gostamos tanto do mar. Não deve ser fácil encontrar alguém que não goste do mar. Fazer poemas sobre a terra, à beira-mar, ou fazer poemas na terra, sobre o mar, é quase inevitável em qualquer poeta. Não há poeta que não fale em algas e areia, em ondas e maresia. [Read more…]

Avatar, um prodígio visual sem história

“Avatar” é um bom filme. Começa por ser um prodígio visual. É das mais impressionantes e belas coisas que o cinema já construiu. Só por isso, já vale a pena o preço do bilhete. Onde falha é na história. Simples mas fraquinha, cheia de clichés e ideias feitas. Mas, sejamos realistas, “Avatar” não existe por causa da história, que não passa de artifício, um veículo para os belos delírios visuais de um realizador que mostrou querer entrar para a história da sétima arte.

Francis Ford Coppola entrou na história do cinema na década de 70, dirigindo filmes que vão ficar no patamar da glória da sétima arte. Para ele, o cinema e a magia estavam associados de uma forma muito próxima. “As primeiras pessoas que fizeram filmes eram mágicos”, disse. As imagens em movimento eram, no final do século XIX, encaradas como magia. Para muitos, hoje, o cinema continua a ser pura magia. Para esses, entre os quais me incluo, James Cameron é um excelente mágico.

Avatar

Recuando ainda um pouco, a outra era faceta desta arte, recordo um dos criadores da Nouvelle Vague do cinema francês. Jean Luc Goddard apresentou há mais de vinte anos o que ainda hoje é uma premissa com grande fundo de verdade: “É uma pena que o cinema francês não tenha dinheiro e é uma pena que o cinema americano não tenha ideias”.

Em “Avatar”, que se deve tornar em breve o filme com melhor receita de bilheteira de sempre, houve dinheiro e houve ideias, muitas ideias. Não houve foi história para encher as ideias.

James Cameron sonhou com “Avatar” ao longo de 14 anos longos anos. Teve tempo para tudo. Para criar toda a sua magia, limar as ideias da maquinaria bélica, estabelecer as linhas detalhadas de um magnífico planeta, da fauna e da flora e, sobretudo, para deixar a tecnologia desenvolver-se a ponto de estarem reunidas as condições que considerava necessárias para realizar a película que imaginou. Não teve tempo apenas para construir uma história melhor.

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Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte IV

(Parte I, II, III)

3- Avaliação

Sempre defendi que a questão central da nossa luta era a divisão na carreira (impossibilidade de chegar ao topo) e não a avaliação. Neste aspecto, o acordo resolve.
Entendo as dúvidas dos professores – que são também as minhas. Muito em particular no que diz respeito à avaliação.

Maria de Lurdes construiu um modelo IMPOSSÍVEL de aplicar – só isso explica o aparecimento dos SIMPLEX’s que lhe seguiram. Pois bem, este acordo, o que garante é a continuidade do SIMPLEX, mais coisa menos coisa e isso é muito mau para as escolas, e por isso, péssimo para os alunos.
Ciclos de avaliação de dois anos é um absurdo (“pelo menos duas por ano lectivo” é uma formulação infeliz que tem de ser clarificada em sede de regulamentação). Não vamos fazer mais nada na escola e isso vai condicionar as práticas e com isso prejudicar os alunos.
A introdução de uma lógica de competição na escola também não ajuda nada, a Escola, claro. Não tenhamos dúvidas – os Professores vão competir e vão tentar ter Muito Bom e Excelente. Acontece que isso seria o mesmo que o Cristiano Ronaldo competir com o Iker Cassillas (guarda-redes do Real): precisam um do outro e o trabalho de ambos é complementar. Não faz qualquer sentido que elementos da mesma equipa tenham que competir, principalmente quando o “objecto” dessa competição é o trabalho com pessoas, neste caso com crianças e jovens.
Esta mudança conceptual nas práticas docentes vai arrebentar a curto prazo e como o António Avelãs, estou convencido que mais cedo do que tarde vamos ter que mudar este sistema de avaliação.
Ao contrário do que defendem os do costume, ele não distingue, não permite identificar os melhores e não ajuda a melhorar. Um exemplo para ilustrar: “Um colega que nas férias e fins-de-semana vai à escola tratar dos jardins, que durante um ano não deu qualquer falta, foi avaliado com BOM na assiduidade. Argumento do Director: “porque sim!”.
E há ainda uma questão central: o modelo de gestão. Reparem. No pedagógico, 13 / 14 pessoas, mais de metade são nomeadas pelo Director, que é também, à luz deste acordo o responsável principal pela avaliação.
O Paulo Guinote sugere que a formulação do acordo pode implicar a revisão do 75/2008 – porque, creio, usa a palavra eleitos. Penso, salvo melhor leitura, que isto se refere à eleição dentro do próprio pedagógico.
De qualquer modo o problema central está lá – uma só pessoa ( e reitero a opinião de que neste momento a maioria são umas bestas!) fica com o poder total sobre a vida das pessoas!
Neste aspecto o acordo é péssimo, ainda que a porta para a revisão do modelo de gestão fique aberta!
Assim, entendo porque se assinou (todos até ao topo), mas não deixo de considerar como MUITO NEGATIVA a manutenção deste modelo de avaliação que vai continuar a prejudicar os alunos porque é burocrático, sem sentido e permeável a todo o tipo de burrice, como foi possível verificar num passado recente!
Nota: tenho dúvidas se o que realmente levou as pessoas para a rua não foi a carga burocrática que a avaliação trouxe. Temo, que a manter-se o modelo, o inferno vá continuar… e a Paz longe das escolas

Kissinger- Clínton

Kissinger-Clinton

A Newsweek traz um diálogo entre Kissinger e Hillary Clinton. Tudo paleio de chacha, daquele que estamos fartos de ouvir desde Nixon e mesmo antes. A conversa de Kissinger cheira a ranço. As tretas de Clinton cheiram a requentados em micro-ondas.

Mas numa coisa, apenas, me detive. Diz Kissinger, aquele Nobel da Paz (?!), amigo de Soares, que foi um dos principais responsáveis pelo vergonhoso e sujo golpe do Chile, e pelo assassínio de tanta gente bem intencionada, boa e pacífica, que, terminar a guerra, passou a ser considerado, segundo muitos, como a retirada das forças, única estratégia de saída. Ou então, segundo este santo estratega, após a vitória pelas armas, ou a vitória decorrente da diplomacia ou da extinção da guerra a pouco e pouco.

Coitados, andam todos a tentar sair de cara lavada, desta fossa onde se enfiaram e enfiaram o mundo. Mas não há detergente capaz de limpar a merda que vão deixar nas páginas da história. [Read more…]

Apontamentos de Inverno (15)

Rio Caldo

(Rio Caldo, Terras de Bouro)

Mais um padre a vir à tona

Mais um padre a vir à tona…

Gaston Borges, nascido em Paris e filho de pais portugueses, foi detido a 27 de Dezembro, acusado de pedofilia.

Não serve de muito o Sr. Alberto Mateus, presidente da Amicale Franco-Portuguaise, de Sens, confessar que ficou perplexo. Hoje em dia já ninguém fica perplexo perante os crimes de pedofilia dentro da igreja. O que urge é puni-los.

O que interessa neste caso, como em todos os outros, é que o Sr. Gaston Borges seja entregue à justiça, julgado e condenado se assim for decidido. O Sr. Gaston Borges é um criminoso como qualquer outro que não seja padre, e a igreja não pode, pelo inadmissível poder que detém, abafar o caso, como tem sido a sua prática.

Não tem nada a ver com o caso, e digo isto a talhe de foice, mas a minha consideração e o meu apoio a Manuel Alegre estão definitivamente comprometidos, depois de saber, pela boca de Namora, que ele foi um dos que tudo fizeram para abafar o escândalo pedófilo dentro do PS. Até parece que foi ensinado pela igreja. Inadmissível!!!

Professores : perplexidades que o acordo gera…

Carta de Rui M. Alves, publicada no DN

As negociações em curso entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores sobre a respectiva carreira, estão a deixar muitos quadros superiores da função pública na mais absoluta das perplexidade, tal é a disparidade entre as condições que já vigoram para estes últimos e aquelas em discussão com a classe docente.

Em cima da mesa está uma versão light de avaliação e progressão, que, ao  invés das restantes carreiras, pretende abolir as quotas na avaliação, consagrar a contagem de tempo de serviço entre 2005 e 2007, e até, pasme-se, manter um período de permanência de 4 anos entre cada escalão, enquanto nas restantes carreiras os quadros qualificados com “bom” no seu desempenho são forçados a esperar cerca de 10 anos até poderem subir de nível remuneratório.

A serem concretizadas tais medidas aos 140 mil professores do ensino público, estes seriam detentores de um estatuto previligiado, relativamente a…outros servidores do Estado, o que seria de todo inadmissivel, pelo que teria de existir obrigatoriamente uma equiparação extensível às outras carreiras.

E isto pela simples razão de que o Ministro das Finanças declarou, aquando da implementação do PRACE, que um dos objectivos do programa consistia na uniformização da multiplicidade dos sistemas remuneratórios e de progressão, até aí existentes no sector público.

PS: que é como quem diz, nós tambem queremos ser tratados tão mal como os professores…

LAC – DIA ABERTO

Até amanhã no LAC.

                    A. Pedro Correia                                              Jorge Pereira                                     

                     Sofia Fortunato                                                   Cruzes

                             Xana                                                       Catarina Nunes

Já há manifestações de protesto

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues é a nova presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), confirmou à Lusa fonte do gabinete do primeiro-ministro.

O que se diz por aí

A afirmação de Pinto Balsemão que o PSD “está vivo”, poderá ser tranquilizadora para algumas pessoas – até mesmo para o Governo que diz que a Regionalização depende do PSD -, mas penso que é algo preocupante para qualquer social-democrata: é muito mau sinal quando é preciso vir um fundador afirmar que o partido está vivo.
Já o PS parece estar muito vivo, até demais para o gosto de José Sócrates: a alegada insconstitucionalidade (pela exclusão da adopção) do regime legal do casamento homossexual ontem aprovado, mostram, que a matéria até entre socialistas é fracturante, ao contrário da versão oficial.
Interessante é saber que a Barragem do Alqueva está no limite e não se sabe o que fazer a tanta água. Eu estava em crer que faltava água em Évora, mas deve ser imaginação minha.
Ficou-se a saber agora que o Governo vai construir 400 novas creches. José Sócrates escusava era de exagerar quando afirmou que assim ficará assegurado que os jovens casais “podem ter os filhos que quiserem”. É que para se criar filhos não basta ter quem tome conta deles…

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte III

Parte I – Dimensão político-partidária
Parte II – A duração das carreiras

Escrevi nos textos anteriores que o acordo é bom do ponto de vista político, para sindicatos, para o Ministério, para as escolas… Mas, escrevi também que a carreira me parece excessivamente longa. Acredito que será possível, em momentos mais positivos do ponto de vista económico, voltar a esta questão.

Se me permite, car@ leitor@, pretendia agora reflectir sobre o modo como se vai processar a progressão na carreira.
A questão central do acordo foi a necessidade de garantir que TODOS os professores avaliados com BOM podessem chegar ao topo da carreira. Com este acordo isso fica garantido. Na carreira Maria de Lurdes a nossa expectativa de carreira terminava no 7º escalão (índice 245 ao fim de 18 anos). Agora temos uma carreira que nos permite chegar ao índice 370, sendo que isso é muito tempo… demasiado tempo… Com o congelamento (28 meses que o ME insiste em não considerar – rouba-nos um tempo de serviço que efectivamente trabalhamos!) pode ir até aos 42, 5 anos. É muito, demasiado…
Para progredir (pt 4 do acordo) os professores deverão reunir 3 condições: tempo de serviço, avaliação de Bom / Muito Bom / Excelente e formação. Aqui, nada de novo em relação ao que temos.
Os cenários possíveis: [Read more…]

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (6) – debate com operacionais da LUAR, BR e ARA-

«Muitas pessoas de outros estratos, como os católicos, que se tinham radicalizado por via da luta anti-colonial, aderiram às Brigadas e deram um contributo importante sem que as questões ideológicas tenham contribuído para nos afastar», disse Carlos Antunes, dirigente operacional das BR.

CL – Já agora, e embora possa parecer uma pergunta um tanto provocatória, não resisto à tentação de lha colocar – se a acção directa sempre foi condenada pelo PCP, como se explica que o Partido tenha criado uma organização destinada a conduzir um tipo de luta que reprovava?

JB – As condições históricas justificam essa contradição. Desde 1962 que a luta contra a ditadura se vinha radicalizando aceleradamente. Junto da direcção do PCP cresciam as pressões para a luta armada. Pressões exteriores decorrentes do ambiente político e pressões da própria organização. Em 1964 Álvaro Cunhal mostrou-se favorável às «acções especiais» no contexto da «luta de massas» e empenhou-se, ainda que de forma cautelosa, na criação da estrutura que as pudessem desencadear sem envolver directamente as organizações do PCP. A ARA apareceu em 1970 principalmente porque o PCP não podia deixar o espaço da resistência armada nas mãos de outras organizações como a LUAR ou as BR, que entretanto surgiam. [Read more…]

Alentejanos sábios…

“Os maiores pensadores que conheci, eram precisamente no meio de todos os eruditos aqueles que menos livros tinham lido”.

Georg Christoph Lichtenberg (1742 – 1799), físico e filósofo alemão

Seria bom se também a nível da governação tivessemos um grupo de “bombeiros” temerários que devido aos travões frouxos não têm alternativa senão apagar o incêndio. O essencial é a mola do potencial de diferença entre altos louvores acompanhados por prémios avultados e a perspectiva de ficar chamuscado.

Mas estes “bombeiros” existem e esperam a sua oportunidade. Talvez sejam da Vidigueira, quem sabe?

Rolf Rohmer

BOMBÊROS DA VIDIGUÊRA

Necessidade óbvia…

Um fogo deflagra numa grande herdade Alentejana.
Os bombeiros foram imediatamente chamados para extinguir as chamas.
O fogo estava cada vez mais forte, e os bombeiros não conseguiam dominar as chamas.
A situação já estava a ficar fora de controlo, quando alguém sugeriu que se chamasse o grupo de voluntários da Vidigueira.
Apesar de alguma dúvida quanto às capacidades e equipamento dos voluntários, sempre seria mais uma forma de auxilio. Assim foi.
Os voluntários chegaram num camião velho, desgastado pelos anos e operações de combate. Passaram em grande velocidade e dirigiram-se em linha recta para o centro do incêndio! Entraram pelo fogo adentro e só pararam mesmo no meio das chamas.
Estupefacta, a população assistiu a tudo. [Read more…]

Centenário da República: a génese do movimento republicano

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Adiante explicarei porque comecei com o hino da «Maria da Fonte», interpretado pelo Vitorino, esta crónica, a primeira de uma série que, ao longo do ano, irei dedicando ao Centenário da proclamação da República em Portugal que, como sabemos, se celebra em 5 de Outubro. Sem a preocupação de ordenação cronológica, irei dedicando textos a momentos significativos no caminho para a queda do regime monárquico que vigorava desde a fundação do País. Hoje, falarei dos alvores do movimento republicano. [Read more…]

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte II

2- A duração das carreiras (cont. do Post I: Dimensão político-partidária)

Em Custóias, algures no fim do século passado, o meu colega Luís diz que a carreira de professor era muito curta. Chegava-se demasiado depressa (26 anos de serviço) ao topo e depois estávamos muitos anos no 10ºescalão. Se calhar ele teve razão antes do tempo.
Com a carreira de Maria de Lurdes, saltamos para mais de 30 anos, isto não considerando que o 7º escalão seria o limite porque 2/3 dos professores ficariam parados. Escrito de outro modo, 2/3 dos professores tinham o seu topo da carreira com 18 anos… mas 3 escalões abaixo do que tinham na carreira Pré-Lurdes.
Com o acordo agora alcançado, ficamos com uma carreira com 10 escalões: 9 de 4 anos e 1, o 5º, de 2 anos. A carreira, a correr “normalmente” fica com 38 anos.

Os 10 escalões da carreira docente
Muito bem a reflexão de António Avelãs (Coordenador do SPGL – o maior sindicato da FENPROF) no Circo Lusitano: [Read more…]

Uma cantiga

que não ponho por acaso porque tudo tem uma razão para ser.

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte I

Declaração de interesses: Car@s leitor@s, sou membro do Conselho Nacional da FENPROF, professor efectivo numa escola à porta de casa.

O Acordo entre o ME e os Sindicatos é um momento complexo, fortemente prismático porque tem um conjunto de dimensões de tal modo diversificado que não é fácil fazer a sua análise. Vou por isso procurar, durante o fim-de-semana fazer uma análise tão exaustiva quanto me for possível. Por partes, pois claro.

1. Dimensão política e partidária.
Durante a mais dura maioria absoluta da nossa democracia, uma classe, a dos professores, levantou-se e assumiu na rua, em toda a sua plenitude, o papel de líder exclusiva da oposição. Graças aos Professores, o PS perdeu a maioria. Por isto, todos perceberam a importância que temos.
Depois das eleições surgiu o acordo PS / PSD: a estratégia do PSD poderia ter sido excelente se o acordo não parecer uma vitória do PS. Ou seja, se de ontem resultar uma vitória dos professores, ganha o PSD. Se depois da espuma, resultar uma vitória do PS, então o PSD perdeu. O PC está refém do meu camarada Mário e por isso não podem dizer nada contra o acordo. O BE, estando mais livre, também não fica comprometido… Espero que não corra a dar gás a alguns movimentos só para fazer de conta…
Neste cenário, tudo concorria para um acordo. Tudo… ou nada… [Read more…]

Vamos falar de casamento?

O Valor Simbólico do Casamento discutido por Miguel Vale de Almeida e que João Miranda comentou no blasfémias coloca uma importante questão sobre a essência da coisa.

Para o João Miranda a aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo destrói o valor simbólico do casamento.

Sendo eu casado fiquei apreensivo. Será que o meu casamento está ameaçado? Será que os motivos que me levaram em 1999 a casar estão a ser violentados por esta decisão da Assembleia da República?

Eu casei com a minha mulher por ela ser de sexo diferente do meu? Não. Juntamos os trapinhos, como se costuma dizer por estas bandas, por nos entendermos, por considerarmos que gostávamos suficientemente um do outro para partilhar casa e cama, comida e roupa lavada, casa de banho e mesa de refeição, cão e gato. Ou seja, partilhar uma vida. Será que casamos para ter filhos? Não. Tivemos, até agora, uma. Quando entendemos ter chegado a hora. Será que casamos por um qualquer dever religioso? Deus nos livre. Mas então o valor simbólico deste decisão é a diferenciação do género?

A decisão de casar deriva de algum valor simbólico? Qual?. Não será que depende da vontade das partes em apreço independentemente do seu sexo, credo ou filiação partidária. Ou seja, é um acto de liberdade, o mais importante valor do liberalismo: a liberdade.

Estará o JMiranda e MVA, quando refereM o “valor simbólico”, a falar de amor? Ou a vontade das partes resume-se a uma mera questão jurídico, com maior ou menor grau de simbolismo? Fica a dúvida.

Em memória de Elvis: Long Live The King!

Um pouco por toda a parte, Elvis Presley está a ser recordado pelo seu 75º aniversário.

Não é caso para menos: foi um dos artistas mais influentes de todos os tempos.

Hoje, mantem toda a actualidade, como se pode ver pelas adaptações das suas canções, como é exemplo a do vídeo.
Long Live The King!

Irakafeganiémen

 

Irakafeganiémen, a paradisíaca trilogia dos bons e dos justos

Um velho clínico da aldeia, meu amigo, dizia-me:”antes quero que me considerem mil vezes tolo, do que uma só vez burro”. De facto é deprimente a gente sentir que algumas pessoas tentam comer as papas na nossa cabeça, considerando-nos lorpas, e rindo-se ainda por cima.

Eu li que a CIA começara há cerca de um ano a treinar comandos iemenitas, e li que o conselheiro antiterrorista John Brennan, durante as férias de Obama no Hawai, lhe transmitiu que o general Petraeus, comandante das forças americanas no Iraque e Afeganistão, tinha tido um encontro muito “produtivo” com o presidente do Iémen.

Eu li que a CIA começou há cerca de uma ano a treinar comandos iemenitas, e que Brennan e Patraeus se deslocaram várias vezes ao Iémen desde o verão.

Eu li que a ajuda militar dos EUA ao governo do Iémen era em 2006 de 4,6 milhões de dólares e em 2010 vais ser de 190 milhões.

De acordo com Sebastian Gorka, perito norte-americano em operações especiais citado pela CBS, as operações militares terrestres de 17 e 24 de Dezembro, e o bombardeamento com mísseis, foram executadas pelos EUA, com o apoio do governo iemenita.

Entretanto, um argelino, homem solitário vindo do deserto e do interior do Iémen, vence a sofisticada tecnologia da maior potência mundial e engana os serviços secretos mais poderosos do mundo, enfiando-se num avião, em pleno dia de Natal, com explosivos agarrados às cuecas, e que não explodem.

A CIA sabe tudo quando lhe interessa, mas “falha” nos momentos “apropriados”. Eu li que A CIA já estava informada do plano através da embaixada dos EU no Iémen e já tinha previamente a identidade e o curriculum do indivíduo, os quais foram divulgados imediatamente a seguir à tentativa de atentado. [Read more…]

Dicionário de Futebolês – Árbitro

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Embora seja uma entidade fundamental no futebol, a palavra raramente é utilizada na língua futebolesa. Para o adepto, o árbitro é quase sempre, entre outros mimos, filho de uma mulher de vida fácil. Para jogadores e treinadores, a avaliar pela leitura labial a que a magia da câmara lenta nos dá acesso, o árbitro é, curiosamente, filho da mesma mulher. É fácil prever que, no futuro, possamos assistir ao seguinte diálogo entre dois adeptos do mesmo clube:

– Este árbitro já nos está a roubar…

– Quem é que está a roubar?!

– O filho da puta!

– Ah, o árbitro! Tu não te sabes explicar!

Se, em Português, tratar alguém por “senhor” é sinal de respeito, em Futebolês, a mesma palavra aplicada ao árbitro é antacâmara ou substituto de palavrão. Efectivamente, nos estádios, o vocativo “ó senhor árbitro!”, normalmente, antecede, em poucos minutos, as referências à profissão mais antiga do mundo desempenhada pela mãe do juiz. Entre os frequentadores dos inúmeros painéis televisivos constituídos por adeptos comentadores, o árbitro é tanto mais tratado por “senhor” quanto mais prejuízos tenha causado ao clube de quem esteja no uso da palavra. Conclui-se, portanto, que, em futebolês, “senhor” é equivalente a “filho da puta”.

No mundo da comunicação social futebolesa, muito mais importante que as transmissões dos jogos é a quantidade de tempo que uma multidão de comentadores passa a prever e a explicar as “incidências do jogo”. Sempre que algum dos comentadores é parte interessada, o árbitro é filho da mãe porque é mãe de todas as derrotas. No caso do clube vitorioso, o próprio triunfo é alcançado apesar das aleivosias cometidas – sempre intencionalmente – pelo árbitro.

De acordo com as leis do futebol, o jogo disputa-se entre dois grupos de 11 jogadores; as leis do futebolês estipulam que o principal adversário de qualquer equipa é o árbitro.

Elvis Presley nasceu há 75 anos

Se fosse vivo, Elvis Presley faria hoje 75 anos. Não criou o rock, era um cantor pouco mais que sofrível, apesar de um registo vocal amplo, um actor medíocre. Mas sabia mexer bem as ancas. E tinha imagem. E algum carisma. Sabia do que era ou não capaz, daí ter reconhecido nada saber sobre música. No seu estilo não precisava.

Elvis Presley tinha 42 anos quando morreu. Pelo menos é o que consta.

Dicionário de Futebolês – prefácio

capa_para_pirulito_Bola_de_futebolGosto tanto de futebol que chego a gostar mais de futebol do que do Benfica, o que, tendo em conta os últimos 20-30 anos, só pode ser saudável. Não renego a necessária irracionalidade com que o clubismo deva ser vivido, mas, como em muitas outras coisas na minha vida, procuro não ceder à estupidez, especialmente se estiver em público, porque acredito que há coisas que só devemos fazer ou dizer no recato do nosso lar. É por isso que, encerrado na sala com a Sporttv, deixo escapar palavreado impróprio, especialmente nas muitas ocasiões que o meu clube me tem proporcionado para me revoltar ou para me entristecer.

Devo esta atitude quase correcta ao meu pai, que, nos inúmeros jogos a que assistimos, nunca se exaltou a não ser com a qualidade do futebol, nunca lhe tendo ouvido um insulto a nenhum dos intervenientes no espectáculo. Também por isso, nos estádios, sou de uma discrição a toda a prova, até porque, ainda por cima, a irracionalidade agressiva que aí campeia é algo que me desagrada visceralmente e, por prudência cobarde, parto sempre do princípio de que não vale a pena arriscar o palminho de cara que Deus me deu, que não é nada de especial, mas não é para estragar.

Ao longo destes anos como espectador e ocasional candidato a atleta, tenho-me deliciado com comportamentos e linguagens que, podendo ser perigosos, não deixam de ser cómicos. Nos últimos anos, aliás, partilhei essa paixão com um amigo, entretanto falecido, o jornalista Manuel Dias, que juntava à paixão pelo Futebol Clube do Porto uma imensa cultura nascida de uma vida profissional intensíssima, com destaque para os anos que passou n’ O Primeiro de Janeiro (e muito a propósito, no dia de hoje, amigo de José Maria Pedroto). Um dos nossos passatempos preferidos consistia em assistir às transmissões televisivas, comentando não só o jogo, mas também – e muito – o linguajar futebolês, cultivado por comentadores, treinadores, dirigentes e até espectadores. [Read more…]

Big Bang ou Fiat Lux?

Big Bang  ou  Fiat Lux ?

 Não sei se alguém teve a infelicidade de ouvir hoje na Antena 2 o programa Quinta Essencia, em que o amigo João Almeida entrevistou um tal Senhor Luís Archer, jesuita tido e apresentado como brilhante cientista e homem de fé.

 Deus meu!!!

Logo ao fim do primeiro rol de disparates, eu mudei de estação. Mas vocês sabem como é, quando a asneira e o disparate atingem um tal grau de estupidez, nós sentimos uma necessidade quase masoquista de ouvir, embora façamos todos os trejeitos e sintamos todos os arrepios que a situação nos causa.

 Quanto á entrevista de João Almeida, acho muito infeliz a escolha do entrevistado e acho a entrevista desumana e até cruel, por três razões principais:

 1-Com tanto cientista a sério, que daria tanto gozo e prazer ouvir, gasta tão nobre tempo de antena, enfiando-nos nesta insípida caldeirada de asneiras e disparates.

2-Penso que é desumano fazer espectáculo com a estupidez, seja em que circunstância for, e ridicularizar a este ponto o entrevistado, por mais simpático que João Almeida procurasse ser na sua argumentação.

3-Penso que é cruel o amigo João Almeida, inteligente como é, argumentar com tanta sagacidade perante uma inépcia quase total. É quase como se eu, pessoa de alguma cultura, ridicularizasse a ignorância do Sr. António lá da minha aldeia. Até faz doer a alma. Isso não se faz, João Almeida. Creia que a determinada altura eu até já tinha pena do homem. Fiquei chocado!

 Nota: Se tiverem a oportunidade e a possibilidade de ouvir a gravação, não deixem de o fazer. Por puro masoquismo.

Quantos 25 de Abril houve? (Vasco Lourenço escreve a Sousa e Castro sobre Manuel Bernardo)

continuação daqui

Carta do coronel Vasco Lourenço ao coronel Sousa e Castro sobre a carta aberta enviada pelo coronel Manuel Bernardo a Marcelo Rebelo de Sousa, que prefaciou o livro de Sousa e Castro

Caro Sousa e Castro,

O homem (com h bem pequenino) tinha de voltar a atacar. E, mais uma vez, me envolve nas suas diatribes, invenções, aldrabices e quejandos.

Faz-me rir (apesar do assunto ser sério) a nova calúnia que me dirige (desta vez, juntando-me a ti) quando afirma que “(…) pode ser imputada a estes dois militares a inveja de não terem conseguido atingir o almejado posto de general, apesar de o terem tentado mais do que uma vez, enquanto membros do Conselho da Revolução, ou quando este órgão político-militar foi extinto”.

Tu já lhe respondeste.

Por mim, lembro que estive graduado em oficial general (Novembro de 1975 a Agosto de 1976, brigadeiro; de Agosto de 1976 a Abril de 1978, general) durante dois anos e meio, desempenhando o cargo de comandante da RML e governador militar de Lisboa, em condições difíceis e com resultados que muito contribuíram para o orgulho pessoal que tenho do meu currículo. Acção essa a que, diga-se de passagem – como já te disse na crítica que fiz ao teu livro – prestas pouca atenção nesse mesmo livro. O que não invalida, como te referi, que, em termos globais, tenha gostado do mesmo. Lembro ainda que é por demais conhecido publicamente (tu estavas lá e participaste activamente nisso) que, quando terminou o Conselho da Revolução e me quiseram promover a brigadeiro, recusei liminarmente tal hipótese.

Como voltei a recusar, há pouco tempo, quando me sondaram para ser usado como “moeda de troca” na inqualificável promoção do Jaime Neves a general! [Read more…]

LAC – Dia Aberto

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Inaugura hoje e decorre até domingo o Dia Aberto do Laboratório de Actividades Criativas – LAC – em Lagos. O evento destina-se a mostrar uma seleção do trabalho dos artistas residentes no Lac durante o ano 2009.

Ainda antes da inauguração, e em exclusivo para o Aventar, mostro algumas fotos do PREC – Processo de Ratização Em Curso, a intervenção que este ano decidi efectuar, enchendo o edifício com centenas de ratos, que se passeiam pelas paredes e pelos tectos de várias divisões da casa. A ratização em curso prosseguirá nos dias seguintes com o acrescento de novos ratos noutros locais do LAC.

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Já não era sem tempo!

Com mais ou menos protestos, com gente ainda a clamar pela família e pelo casamento procriador, com quem aceita olhar para o outro lado desde que não se lhe chame “casamento”, e até com quem fica a vociferar contra a decadência de costumes, hoje avançamos um pouco mais em direcção à efectiva igualdade  de direitos entre todos os seres humanos. Que ainda falta muito? Com certeza. Mas isso não retira importância a esta conquista.

Há quem diga que a questão é de escassa importância, que o país tem problemas maiores e mais prementes. Eu digo que ninguém deve viver o amor como algo sórdido ou indigno da sociedade.

E que ninguém deve enfrentar a humilhação pública, a discriminação, quando não a violência verbal e física por amar um homem ou uma mulher. E se isto não vos parece essencial, então vemos o mundo de maneira muito diferente. [Read more…]

Apontamentos de Inverno (14)

Vila Nova de Famalicão

(Gavião, Vila Nova de Famalicão)

Noticias do dia

Ocupam hoje as capas dos jornais duas noticias.

A primeira fala-nos do casamento gay, aprovado na AR pela esquerda burguesa e decadente. É um retrocesso civilizacional e mais um pilar em que assenta a nossa civilização que é derrubado.

Sou daqueles que acreditam que a homossexualidade é uma doença, que os homossexuais não devem ser descriminados, mas que a instituição casamento serve para um homem e uma mulher e não para pessoas do mesmo sexo.

Em nome da modernidade esta esquerda fracturante, que tão longe anda da cultura operária de Marx falava, destrói muitas das estruturas que sustentam a nossa civilização, faz o jogo do capital, a quem interessa mão de obra sem valores, sem cultura e sem pátria.

“Nova Esquerda” é uma expressão informal. A par de um revolucionarismo essencialmente anedótico, que permitiu a um certo número de jovens solidarizar-se com uma “revolta da juventude” de dimensão internacional e de romper com o tédio dos anos cinquenta, um dos seus méritos foi ter feito emergir um novo tipo de reivindicações, que já não eram somente de natureza quantitativa, mas que assentavam sobre a qualidade da vida. Parece-me que o movimento de Maio de 68 viu exprimir-se simultaneamente duas tendências muito diferentes: de um lado um protesto, na minha opinião perfeitamente justificado, contra a sociedade de consumo e a sociedade do espectáculo (Guy Debord), do outro, uma aspiração de tipo mais hedonista e permissiva, muito bem resumida pelo slogan “jouir sans entraves” (gozar sem limites). Estas duas tendências eram totalmente contraditórias, como vimos nos anos que se seguiram, quando os representantes da segunda tendência começaram a perceber que era precisamente na sociedade de consumo que as suas aspirações individualistas melhor se podiam realizar. [Read more…]

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