Disciplina, Igual a Prepotência

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VOTO DISCIPLINADO
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Os representantes do povo na Assembleia da República, são uns paus mandados.
Podem pensar o que quiserem, podem comprometer-se com o que desejarem, que no final, quando a vontade deles tiver algum peso, têm de obedecer a quem manda e votar, não em consciência, mas segundo as conveniências do partido a que pertencem. De vez em quando, lá vai havendo alguns que, porque são diferentes, crê-se, não estão sujeitos a essa disciplina.
É o que se passa nesta altura com os deputados do partido do governo, que, com a excepção de sete, têm de obedecer aos interesses políticos do partido. Felizmente que ainda há, noutras bancadas, total liberdade, mas é só desta vez, já que noutras alturas fazem exactamente o mesmo que estes, obrigando os seus deputados a votar como lhes dá na real gana (aos partidos).
O que está em causa agora, é o voto sobre o casamento dos homossexuais. Sobre os diplomas apresentados, os deputados têm que votar, e acabam por só votar favoravelmente os proponentes, votando contra ou abstendo-se todos os outros.
Para mim, não está em causa se apoio ou não apoio os diplomas apresentados. Pessoalmente até nem os apoio. O que está em causa é esta ideia de que as pessoas que estão no Parlamento não têm cabeça para pensar por si mesmas e têm de ser mandadas votar de determinada forma. A isso, chama.se prepotência de quem pode para com quem tem de obedecer. Ora, isso fere os meus ideais de democracia.
Esta forma de proceder faz diminuir, a meu ver, a confiança que deveríamos ter, nas pessoas que elegemos para nos representar.
Para quando alguma mudança? Para quando círculos uninominais, onde cada deputado responda a quem o elegeu?

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A distância e o tempo

É comum encontrar-se cartazes de publicidade (agora chamam-se “outdoors”) a anunciar, por exemplo, que certo hipermercado ou certo centro comercial fica a “x” minutos.

Antigamente, as distâncias eram anunciadas em metros ou quilómetros. Agora, são em minutos. E compreende-se: á medida que a evolução tecnológica avança, as distâncias diminuem, logo o que vai contando cada vez mais é o tempo que se gasta.

Hoje falar com alguem que está do outro lado do mundo, com imagem em tempo real é mais do que normal. Ou gravar centenas de músicas num só pequeno suporte. Ou deslocarmo-nos fisicamente com todo o conforto entre pontos distantes.

O que nos interessa, mesmo, é saber quanto tempo demora a fazer a ligação, a gravação, ou a deslocação. O que interessa é o tempo que nos consome.

Será mister – no sentido de forçoso e não no sentido inglês do termo – um dia calcular-se se andaremos a investir bem esses fragmentos de tempo que se vão poupando. Em que medida essas poupanças de escala no nosso tempo têm sido aproveitada por nós, ou se estão a ser aproveitadas pelos outros.

É que á medida que vamos tendo cada vez mais sofisticadas gerigonças (agora chama-se “gadgets”) para nos poupar tempo, este vai mingando. O normal é ouvir-se da boca de quem tem Internet, iPhone e outros brinquedos, a contemporânea frase “Não tenho tempo para nada!”.

Dificilmente tiramos para nós, e para os nossos, o tempo daqueles fragmentos que vamos poupando, porque nos vai sendo exigido fazer cada vez mais em cada vez menos tempo. Porque é para isso que está orientada a evolução tecnológica: para sermos cada vez mais rápidos. Numa nova espécie de escravatura, que deita por terra mais uma das utopias da industrialização: a máquina libertará o homem.

Pelo contrário, parece, sim, que a crescente velocidade com que nos movemos, mesmo que virtualmente, é proporcionalmente igual ao tempo que afinal vamos perdendo. Porque o tempo que temos é cada vez menos nosso e cada vez mais dos outros. E no entanto, vai-se ficando cada vez mais distante daquilo que nos é próximo.

(Publicado no semanário famalicense “Opinião Pública”, em 23/12/2009)

Teatro Conspirativo

É paranoia minha certamente mas algumas expressões geográficas como “ir para o norte” ou “auto-estrada do sul” irritam-me.

Já tentei racionalizar o porquê desta irritação mas não consigo encontrar uma explicação que me satisfaça suficientemente… talvez seja o facto um termo tão genérico normalmente estar associado a alguma ignorância quanto aos sítios a que se refere ou então é simplesmente o facto de os pontos cardiais serem naturalmente relativos… excepto nos pólos, qualquer ponto que seleccionemos estamos sempre a norte ou a sul de qualquer outro ponto.

Vem isto a propósito do texto introdutório ao programa do TNSJ para este inicio de 2007.
Diz Nuno Carinhas que neste inicio de ano “prosseguimos com visitações de Companhias do Sul: Teatro da Rainha, Teatro Municipal de Almada, Teatro dos Aloés e Teatro Aberto“…

É um fait-divers claro mas se fosse dado a leituras conspirativas diria que esta frase teria um segundo sentido.

Credo, tanto Bom!

A Ministra da Educação afirmou que a inflação de “Bons” na avaliação dos professores deriva da “tradição da atribuição desta nota aos docentes por parte de quem avalia”. Depreende-se daqui que Isabel Alçada sabe que parte dessa avaliação foi mal efectuada. Conclui-se, então, que, por um lado, alguns (Isabel Alçada saberá, com certeza, quantos) desses professores não deveriam ter tido “Bom”, e, por outro, alguns avaliadores não desempenharam o seu papel com competência, pois a tradição não deve ser critério de avaliação.

A assunção destes dados tem de levar a Ministra a reagir, alterando as classificações atribuídas e chamando à pedra os avaliadores incompetentes, nos casos em que isso esteja verificado. Não vejo que se possa fazer de outro modo, uma vez que a atribuição de classificações erradas pode levar a que os professores mal avaliados se sintam dispensados de melhorar as suas práticas, com evidentes prejuízos para os alunos.

Em vez disso, Isabel Alçada aproveita o ensejo para falar… de progressão na carreira, explicando que é por causa desta tradição nefanda que o Ministério quer “distinguir os professores que obtenham Muito Bom e Excelente com uma progressão mais rápida” Perceberam? Não? Eu resumo, então: o problema – grave – de haver um grande número de professores mal avaliados com “Bom” resolve-se fazendo progredir os que tiverem “Muito Bom” ou “Excelente”. E agora? Já perceberam? Eu também não.

Estava a brincar: percebi muito bem. É fácil de perceber, porque a questão é a mesma da anterior porta-voz do governo para a Educação: cercear ao máximo a progressão na carreira. As outras questões menores como a qualidade do ensino ou as condições de trabalho ou a formação contínua e inicial dos professores ficam para os discursos de circunstância ou para os preâmbulos palavrosos dos decretos.

Prevejo que, mais logo, Isabel Alçada apareça com um sorriso sofrido a lamentar a falta de flexibilidade dos sindicatos. Será bom sinal.

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (4)

A Revolução de 25 de Abril veio provar que tinham razão aqueles que defendiam que a ditadura só cairia pela força das armas. Porém, derrubada a ditadura pelo MFA, durante alguns meses, sobretudo até ao 11 de Março de 1975, o espectro de um contragolpe de direita foi uma permanente ameaça e uma preocupação constante para os antifascistas.

Quando em 28 de Setembro de 1974, sob a inspiração do marechal Spínola, um dos membros da Junta de Salvação Nacional, o general Galvão de Melo, apelou a uma manifestação da «maioria silenciosa» – referindo-se a uma suposta maioria dos cidadãos portugueses silenciada pelo terror imposto pelas esquerdas – temeu-se que as direitas, quer as estruturas civis quer as militares, tentassem a via golpista para restaurar a ditadura.

Fizeram-se barricadas, o povo veio para as ruas armado com podia – e a montanha pariu um rato – afinal a direita não se atreveu a deitar a cabeça de fora. Só no ano seguinte, em 11 de Março, fez uma tentativa canhestra, rápida e consistentemente controlada pelo MFA, logo apoiado por manifestações populares que não deixaram dúvidas quanto ao que a maioria do povo português sentia. Aliás, como sempre acontece nestas coisas, a ameaça golpista de Spínola, deu lugar a um forte avanço das forças populares. [Read more…]

Pedro Passos Coelho: Alternativa?

O Pedro Passos Coelho foi um bom líder da JSD e um dos poucos, senão único, que foi marcante. O PSD, desde o fim do cavaquismo, vive numa profunda crise. Agora, com MFL, bateu no fundo. O PPC surge como uma alternativa. Perfeita? Certamente que não.

No passado acreditei em gente jovem como Paulo Portas (do tempo do Indy) e Manuel Monteiro. Foi uma desilusão e tanto. Considero que a Direita vive em orfandade desde essa altura (outros dirão desde o assassinato de Sá-Carneiro mas eu nem quero ir tão longe). Poderá PPC marcar a diferença? Eu sei que ele não domina todos os dossiers e nem é preciso que os domine, é antes necessário que saiba rodear-se de gente que domine as matérias em determinadas questões essenciais e que o saiba influenciar (no bom sentido) pois nenhum político nem ninguém domina todas as matérias.
O que me faz hesitar num apoio a PPC é o facto de não estar para voltar a sacrificar-me pessoalmente (pois quando apoio dou tudo por tudo) por uma fraude – como me aconteceu no passado. Os sucessivos erros de MM, nomeadamente o do PND, foram fatais. É que o PPC faz-me lembrar o MM dos primeiros tempos e receio que possa terminar como o Monteiro dos tempos do PND. Daí tanta resistência. Por isso não ter tomado, ainda, uma decisão definitiva. Ao mesmo tempo, tenho bons amigos que o estão a apoiar (e a puxar-me para o fazer) e que sei que são pessoas bastante preparadas e que dominam os seus temas, gente competente embora sem grande experiência da política. Mas continuo a resistir. E depois, claro, existe a questão da Regionalização…

O país não está para brincadeiras e nas próximas eleições legislativas, sejam elas daqui a um ou quatro anos, é fundamental que apareça uma alternativa credível, de gente séria e preparada. Estará Pedro Passos Coelho e a sua equipa à altura desse enorme desafio?

Responda quem souber…

Apontamentos de Inverno (13)

Lamas de Mouro

(Lamas de Mouro, Melgaço (2))

Casamento homossexual: Cada um pode dizer as parvoíces que quiser

“Há uma opção e cada um é livre de optar. Eu não quis casar, fiz essa opção e tenho direitos e deveres graças a ela. O mínimo que se pode pedir a quem fez uma opção é que a respeite, estamos só a pedir coerência”. A frase, com doses aceitáveis da verdade de La Palise, é de Gonçalo Portocarrero de Almada, segundo o site da TVI, na apresentação do seu livro, de parceria com Pedro Vaz Patto, “Porque Não – Casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Não li o livro e não creio que o vá ler. Costumo ser muito selectivo nas minhas leituras. Em todo o caso, pela qualidade da frase do autor, já se percebe a essência dos argumentos. Gonçalo Portocarrero de Almada, que é padre, diz que teve a opção de não casar e só pede que a respeitem. Não creio que alguém o vá contrariar.

Curioso é que quem pede respeito pela sua opção, não pretenda respeitar a opção de quem pretende casar. Para quem fala em “coerência”…

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Os bons professores

Anda meio mundo espantado porque a ministra revelou os dados da avaliação de professores referentes ao ano passado, e 83%  obtiveram Bom.

No modelo de avaliação anterior a esmagadora maioria era classificada com Satisfaz, até porque as classificações mais elevadas estavam à espera de um regulamento que não foi feito para evitar que quem as obtivesse fosse beneficiado na carreira.

Maria de Lurdes Rodrigues deve estar a autoflagelar-se por ter apenas estabelecido quotas para o Bom e o Muito Bom. Devia tê-las também imposto ao Regular e ao Insuficiente, pensará ela na sua licença sabática pós-ministerial, resolvendo assim a Curva de Gauss.

Sobre o acordo ortográfico – ao correr da pena

Das várias leituras que tenho feito sobre qualquer ortográfico, não descortinei, até hoje, nenhuma razão científica para que se tenha realizado. Talvez isso se deva ao facto de não haver nenhuma razão científica. A ortografia, quando nos metemos por acordos e discórdias, é, na minha opinião, uma questão afectiva e político-económica, uma mistura explosiva, portanto.

A maioria dos adversários do acordo cai no erro habitual de querer disfarçar o afecto com argumentos aparentemente racionais e sempre alarmistas. Na verdade, o acordo não fará desaparecer a língua de Camões ou de Eça, que, aliás, usaram ortografias diferentes um do outro e da actual, sendo que a pronúncia do nosso épico seria, com certeza, diferente da nossa. Também não é sério afirmar que o desaparecimento das consoantes mudas será a morte de alguma consciência etimológica, porque, na verdade, essa consciência está apenas ao alcance de alguns privilegiados que puderam aprender a língua materna num tempo em que o Ensino era mais exigente e que juntaram a isso o estudo do Latim. Pelo meio, ainda aparece recorrentemente o arremesso patriótico de que não devemos curvar-nos perante os brasileiros, como se a unificação ortográfica nos obrigasse a sambar ou como se o portuguesinho não vivesse já deslumbrado com tudo o que é brasileiro, facto tristemente verificável na antroponímia telenoveleira ou nas pálidas tentativas de desnudação carnavalesca, no Inverno de Fevereiro, ou, ainda, na substituição forçada da palavra “bicha” por “fila”.

A fraqueza dos argumentos com que atacam o Acordo, no entanto, não fortalece quem o defende. As declarações feitas por responsáveis da “Lusa”, do “Sol” ou do “Record” no programa “Páginas de Português” da Antena 2, no dia 3 de Janeiro (pode ouvir-se aqui), falam todas muito da importância do mercado, essa espécie de argumento único que a tudo se sobrepõe, mesmo quando se fala de Cultura e de Humanidades. De resto – e voltando, ainda, ao mercado –, não acredito que um autor português passe a vender mais no Brasil por causa da nova ortografia e vice-versa. Para além disso, entre os vários defensores, há a consciência de que as modificações serão mínimas, o que nos leva a perguntar se por tão pouco valerá a pena modificar uma ortografia, ainda para mais quando sabemos que a fonética imporá, salvo erro, uma grafia “receção” em Portugal e “recepção” no Brasil (pois, lá o “p” não é mudo). [Read more…]

O acordo ortográfico cantado

Saltar para o segundo 30. Vozes da Rádio cantam o acordo. E o galego? Cadê?

FarmVille, Facebook… redes sociais e afins

Sou um tipo dado a experiências. A algumas, pelo menos. Por exemplo, até aos 8 anos fui sócio do Atlético da ainda por construir BCI… Mas, curei-me e mudei para o Atlético da segunda circular. E isto a propósito da Web, em particular da Web 2.0.
Uso a World Wide Web desde 1996, já depois de Tim Berners Lee ter publicado a primeira página da Net.
Sou tão velho nestas coisas que me lembro do S.A.P.O ser o serviço de apontadores portugueses, do Altavista

farmville

São poucos os que distinguem Web de Internet e menos ainda os que parecem ver como isto está a mudar. Praticamente não vejo televisão e dou por mim no Google à procura de dicas, truques e cheats de todo o tipo para ver se subo mais depressa no mais famoso jogo do Facebook, o Farmville.
Há aqui qualquer coisa que não está bem. Pirei de vez.
Fiquem bem e se quiserem aparecer lá na quinta, eu agradeço… mas, só se levarem uma prendinha, ok?

É curioso como…

… num país tão pequeno, os professores e os juízes são colocados, e os médicos são incentivados.

Momentos Sport!

Um golão de um miúdo de 17 anos e, aproveitando o embalo, um vídeo com os melhores momentos do ano. Tudo tirado AQUI.

ESTE:

e mais ESTE:

No Dia de Reis: de Eça de Queiroz para o Carlos Loures

“E depois, nem tudo são tristezas: também temos as nossas festas! E para as festas tudo nos serve: o 1º de Dezembro, a outorga da Carta, o 24 de Julho, qualquer coisa contanto que celebre uma data nacional. Não em público – ainda não podemos fazer -, mas cada um em sua casa, à sua mesa. N’esses dias colocam-se mais flores nos vasos, decora-se o lustre com verduras, põe-se em evidência a linda e velha Bandeira, as Quinas de que sorrimos e que hoje nos enternecem – e depois, todos em família, cantamos em surdina, para não chamar a attenção dos espias, o velho hymno, O Himno da Carta… E faz-se uma grande saúde a um futuro melhor!”

A Catástrofe, Eça de Queiroz

Dambisa Moyo, a voz que enfrenta Bob Geldof

A “indústria” dos benfeitores crónicos da África lutará com furor para defender os seus interesses criados em muitas décadas. Até se lhe acabar o dinheiro. E depois haverá nova esperança para este continente, com microcréditos e no sentido do meu esboço estratégico New Deal.

Rolf Dohmerer


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O seu nome é Dambisa Moyo, uma jovem economista zambiana que estudou nas Universidades de Harvard e Oxford estando actualmente a trabalhar na Goldman Sachs, um dos maiores Bancos de Investimento do mundo. Ela acaba de publicar um livro intitulado Dead Aid, em contraposição ao Live Aid liderado por Bob Geldof.

Dambisa Moyo defende no seu livro o fim das ajudas financeiras dos países ricos para o continente africano. Esta posição defendida por Dambisa Moyo não é nova pois já foi defendida por outros economistas africanos porém nunca ganhou a notoriedade e o protagonismo mediático, como agora, com esta jovem economista zambiana, considerada recentemente pela “Time Magazine” como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.

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Ainda se critica Marinho e Pinto…

Relata a TVI24/IOL  que Conceição Gomes, directora executiva do Observatório Permanente da Justiça, afirmou hoje que «A Justiça é cega para os problemas sociais. O que me preocupa é que não há aqui uma multiópticas que nos ajude. Não se vislumbra como tratar esta cegueira» e que «Em vários aspectos, é verdade que há uma Justiça para ricos e outra para pobres».
Nada de novo, pois, para quem ouve os constantes alertas do Bastonário da Ordem dos Advogados. Para quem quer ouvir, obviamente…

A réplica e o original

   Na vertigem mediática e blogosférica dos tempos que correm, uma réplica mereceu recentemente mais destaque do que o original. Compreende-se, seja pelo teor da notícia, seja porque, convenhamos, seria difícil utilizar o original para perpetrar a agressão.

   Desfeita a espuma volátil do fait-divers, voltemos agora ao esplendor monumental do Duomo de Milão.

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   Nunca o tinha visto como agora, tão limpo e branco, o mármore tão aparentemente acabado de talhar. Tendo em conta os quinhentos anos que demorou a sua construção, é possível que nenhuma outra geração o tenha visto desta forma, com as suas 3400 estátuas tão inesperadamente resplandescentes, os fantásticos vitrais absolutamente recuperados, a Madonnina refulgente como nos primeiros dias. Mark Twain – e suponho que não só –  considerava o Duomo a primeira entre as obras feitas por mãos humanas.

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   Eu não digo tanto, mas não consigo ir a Milão sem o visitar, vez após vez.  No entanto, para mim, apesar de toda a sua monumentalidade, beleza e, acreditem, leveza, a obra mais impressionante presente no Duomo encontra-se, quase discretamente, no seu interior e mantém inalterada a patine do tempo. Trata-se da figura de S. Bartolomeu ( Miguel Angelo pintou-a no Juízo Final, na Capela Sistina, segurando a sua própria pele ) de Marco d’Agrate (1562 ) esfolado vivo, uma das maiores representações do sacrifício, da brutalidade e da intolerância humanas.

File:SanBartolomeoDuomo.JPG

 

 

Obrigado.

Um dia li algures: “Não expliques, os teus amigos não precisam e os teus inimigos não acreditam”. Um tipo lê tanta merda na vida que se esquece onde leu coisas realmente interessantes.

Daí ter perfeita noção que este post é desnecessário. Mas seria injusto se não partilhasse com todos o que me vai na alma sobre o apagão do Aventar. Todos nós aventadores estamos aqui por prazer, pelo gozo da partilha de ideias, pelo divertimento que o blog nos dá e pela possibilidade, quiçá utópica, de criar opinião interessante e importante para os outros. Tal como milhões de bloggers por esse Mundo, é por gosto e com gosto. Os minutos e as horas no Aventar são retiradas aos amigos, aos familiares e a tantas outras coisas que nos rodeiam. Assim se explica a nossa raiva quando ficamos offline.

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A presunção de inocência

O que vale a pena, tem sempre que ser conquistado, com determinação, com convicções, com muitas desilusões, mas há que porfiar e não desistir.

Uma delas, e esta reflexão resulta de vários comentários cruzados que temos tido aqui, é a questão da Justiça. Para além do que se pode fazer, melhorar a organização, assentar a progressão no mérito, introduzir meios modernos de gestão e informática, há algo com que temos de viver, sob pena de colocarmos em perigo a nossa liberdade.

As garantias que são dadas a todo e qualquer suspeito ou arguido de ter direito à sua defesa, de constituir advogado, de ter acesso ao processo, de se constituir assistente, gozar de tantos direitos que há quem lhe chame “garantismo”, isto é, que vai para além das garantias razoáveis, são uma uma trave mestra da Liberdade!

Mas tudo isto pode ser condensado numa frase. É preferível ter culpados livres, sem castigo, sejam quantos forem, do que ter um só inocente na prisão!

E este principio tem que ser levado até às últimas consequências, correndo o risco de favorecer quem tem mais meios para melhor se defender, ver casos de pessoas que uma e outra vez não são sequer acusados, pese embora as suspeitas, e mais que suspeitas, provas que aparecem na opinião pública, mas que não têm valor probatório em Tribunal.

No caso dos políticos, há o nível político e o nível do cidadão. Ao nível político, eu sou de opinião que um homem público não pode ficar indiferente ao que a opinião pública pensa dele, mesmo que nada esteja provado em Tribunal. Trata-se de alguem que está fragilizado perante os muitos interesses que tem que enfrentar, perde capacidade e eficácia na resolução dos problemas da governação.

Ao nível pessoal esse homem tem todos os direitos que estão consagrados na Constituição da República Portuguesa. Não pode ser considerado culpado, e goza da presunção de inocência, enquanto não transaccionar em Julgado, decisão de Tribunal competente para o condenar.

É assim  o Estado de Direito! Podemos arrancar os cabelos, podemos não acreditar, podemos zangarmo-nos uns com os outros, mas aquele principio é sagrado!

Ai, de nós se assim não fosse!

PS: sou o mesmo LM que ataca uma e outra vez Sócrates e os outros políticos. Não estão enganados. Mas nunca me leram a dizer que são culpados. Mesmo no auge do Freeport, para além dos boys de serviço, eu fui dos poucos que nunca deixou cair essa dúvida. E se não for culpado?

Como Se Fora Um Conto – Acordo Ortográfico, para que nos serve?

O ACORDO ORTOGRÁFICO E OS SMS

Hoje já ninguém sabe escrever.

Os SMS, forma de escrita usada pala maior parte da população activa, vieram empobrecer a escrita. As abreviaturas, os «kapas», e a limitação do número de caracteres passíveis de serem utilizados numa dessas mensagens, vieram desvirtuar tudo.

Antigamente, foi há bem poucos anos mas parece já ter passado uma eternidade, escreviam-se cartas, algumas, deva dizer-se, de fino trato literário. Uma declaração de amor, escrita, era por vezes um tratado de bem escrever. Uma mentira era escrita com um cuidado extremo, escolhendo muito bem as palavras empregues. O saber de novas e informar das que se sabem, obedecia a uma forma escrita correcta e agradável.

Hoje, os correios já pouco trabalham na entrega desse tipo de missivas. O telefone, primeiro, o correio electrónico, mais tarde, e depois, de novo o telefone na sua versão portátil, com a possibilidade de enviar mensagens curtas, acabaram com essa forma de comunicação.

Escrevi milhares de cartas. Aos poucos, e à medida que a idade ia avançando, escolhia com mais cuidado as palavras empregues, o papel em que as escrevia, e até a esferográfica ou a caneta de tinta permanente que utilizava.

Como toda a gente, cada vez escrevo menos cartas. O correio electrónico e a conversa pelo telefone, vieram substituir na sua maior parte a minha maneira de contactar. Mas continua a existir em mim a paixão pela escrita em papel, preferencialmente feita com caneta de tinta permanente.

Hoje já ninguém sabe escrever. Já não é preciso, dizem os mais novos que na sua maior parte têm uma caligrafia ininteligível. O vocabulário da maior parte dos Portugueses com menos de trinta e cinco anos está reduzido a um mínimo, e o ensino vigente parece apoiar essa redução e aquelas letras que mais parecem hieróglifos.

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Casamento e adopção

Recordo-me de há uns tempos ter discutido isto com um casal amigo… casamento é lá com eles, mas com outro nome. Agora, adopção, nem pensar.
E vem isto a propósito da Liberdade dos deputados que parece ser posse do sr. inginheirú, o tal, recordo, que foi primeiro antes de o ser, inginheirú!
Vejamos, estamos na área das liberdades de cada um e é muito bem feito que se possam casar. Cada um tem o que merece! Casem-se que é muito bem feito.
Agora que raio de dúvida é esta: um tipo sozinho pode adoptar. Mas, a viver em conjunto, não pode???…
E um referendo? Já o escrevi, também é simples: a mim, com a opinião acima expressa, dá muito mais jeito que o referendo não aconteça. Porque assim, sei que a minha posição sai DE CERTEZA vencedora.
Isto é, foi assim que Sócrates (e o PSD) decidiram não haver referendo europeu. E no caso da IVG, qual foi o argumento da direita qual foi: venha o referendo porque assim poderemos não perder… É por isso que eu agora não quero referendo – para ganhar!

Parece que estou a ver umas armasitas de destruição maciça

Parece que estou a ver umas armasitas de destruição maciça no Iémen!!!

 Eu até posso ser burro, mas não gosto nada que me comam as papas na cabeça e que me façam passar por lorpa. Leio eu algures, que a tentativa de atentado confirma o Iémen como a terceira frente na luta contra o terrorismo. Peritos em contraterrorismo e forças especiais dos EUA estão desde o início do ano a operar naquele país.

 Tenho a sensação de que me estou a engasgar! Batam-me nas costas, por favor!

 O Iémen é um país árabe que ocupa a extremidade sudoeste da península arábica, limitado a norte pela Arábia Saudita, a leste por Omã, a sul pelo mar da Arábia e pelo golfo de Áden, e a oeste pelo estreito de Bab el Mandeb e pelo mar Vermelho que permite ligação à Eritreia.

 Que local porreiro para fazer uma quinta! Ou um Rancho!

 Apesar de se dizer que o Iémen é um pequeno produtor, 95% das suas receitas são do petróleo. O Iémen é classificado dentro dos países que estão crescendo menos, no entanto, é considerado um país cheio de grandes recursos económicos que não têm sido explorados, em especial no domínio do petróleo, do gás, dos recursos minerais e das pescas. As reservas de petróleo, a seguir: [Read more…]

Apontamento de Inverno (12)

Lams de Mouro

(Lamas de Mouro, Melgaço)

Manual de Política do sec. XXI

In the 21st century, if you see some situation you are not happy with, it’s probably not the best idea to vote for somebody who tells you that they are going to do something about that situation if elected, because frankly they’re not. Historically, they never do. If there is something that genuinely upsets you, don’t vote for somebody who tells you that they are going to fix it. Try and fix it yourself; that’s the only way it is going to get fixed.

And it doesn’t matter if it’s on the other side of the world. This, I think, is the face of politics in the 21st century. And the face of art, and probably of spirituality and everything: It is down to the individual. If individuals do not like the world that we happen to be living in — and who could blame them? — then I suggest it is up to them to change it.

http://www.wired.com/underwire/2009/12/alan-moore-dodgem-logic/2/

Mona Lisa cheirava mal dos pés?

Mona_Lisa

Um professor italiano de Anatomia Patológica na Universidade de Palermo decidiu fazer o que milhares de outros já fizeram: estudar todos os detalhes do mais famoso quadro do mundo, Mona Lisa.

O homem observou, analisou, estudou a obra-prima de Da Vinci e graças ao seu olhar clínico deixou um diagnóstico: além do sorriso enigmático, a modelo de Da Vinci podia também sofrer de colesterol e apresentar níveis altos de triglicéridos.

Ao analisar o quadro, Vito Franco encontrou o que se designa por “xantelasma”, uma acumulação subcutânea de colesterol, na concavidade do olho esquerdo de Mona Lisa e um sinal de um linfoma numa mão.

Como não há possibilidades de concluir o diagnóstico utilizando os tradicionais exames médicos, estas possibilidades não poderão, infelizmente, ser confirmadas. A estas dúvidas juntam-se outras, como saber se Mona Lisa, ou Gioconda, cheirava mal dos pés, padecia de ataques de flatulência, depilava as axilas, cortava as unhas dos pés, tinha mau hálito, entre outros dados relevantes.

Memória descritiva: Luta armada contra a ditadura (3)

Numa reunião do comité central do PCP, realizada em Agosto de 1963, verificou-se uma grave dissidência entre a linha, estalinista, ortodoxa, a corrente maioritária, a de Álvaro Cunhal, e uma minoritária, liderada por Francisco Martins Rodrigues. Sendo insanável a divergência, este, acompanhado por outros elementos daquele órgão dirigente, abandonou o partido, acusando a linha dominante de ser «meramente eleitoralista».

Em Abril de 1964, esse dissidentes criaram a FAP- Frente de Acção Popular, através de cujo órgão de imprensa (o Luta Popular) defenderam a acção armada como única via de derrube do regime salazarista. Em 1965 os principais dirigentes e outros militantes foram presos pela PIDE. Porém seria a partir deste pressuposto, de que o regime só cairia pela violência e nunca pela luta legal, que iriam nascer organizações clandestinas como a LUAR e como as Brigadas Revolucionárias. Organizações que o PCP sempre acusou de serem «aventureiristas», «divisionistas» e «blanquistas».

Abro um parêntesis, para lembrar que «blanquismo» é um conceito proveniente do nome de Louis-Auguste Blanqui (1805-1881), político francês que defendia que a revolução socialista e a consequente tomada do poder, não seria obra das massas proletárias, mas sim de um grupo reduzido de conspiradores, bem organizados em estruturas secretas. Segundo Blanqui, a revolução seria consumada sob a forma de um golpe de estado. Na linguagem dos partidos comunistas ortodoxos, blanquismo é, portanto, um termo fortemente pejorativo. [Read more…]

António Serrano: Desta vez, quem os escutou, fui eu

Concurso Aventar: faça a sua transcrição das escutas Vara / Sócrates

S – Já almoçaste?

V- Ainda não. Estou um bocado chateado, perdi o apetite.

S- Ai, é? Então porquê?

V- Ó pá, hoje ainda só ganhei dez mil euros, uma miséria, vê lá se dás a volta à crise que isto, assim, não dá para aguentar.

S- Eh, pá, se eu acabar com a crise há outros amigos nossos que se queixam, topas? A minha posição não é fácil. Isto é muito delicado.

V- Eu sei, meu, mas dez mil euros? Quase que preferia correr uma maratona das tuas…

S- Olha lá, porque é que não te inscreves nas novas oportunidades? Fazias-te engenheiro técnico e desenhavas umas casitas nas horas vagas. Eu já fiz isso e vê lá a casa onde moro agora, compradinha com o meu dinheirinho. Tá bem que tive uma fezada, mas as oportunidades, novas e velhas, são para agarrar.

V- Era capaz de ser uma ideia, mas a Guarda já não dá, o pessoal anda a fugir todo de lá. Agora até para Espanha vão.

S-A Guarda não, pá, desenhavas para Vinhais ou, melhor ainda, para Alcochete. Conheço uns tipos que te tratavam das licenças de construção.

V- Em zonas protegidas?

S- Claro, essas é que estão a dar. Compras barato e vendes caro, não tem espinhas nenhumas, hei-de pedir ao TS que te dê umas lições de economia e finanças.

V- Não sei, pá, ainda se me arranjasses um ou dois PIN para construir uns hotéis e uns resortes. Aí, ainda pensava nas novas oportunidades. Começava já a desenhar e a construir, púnhamos as coisas à venda e, entretanto, eu tentava sacar o diploma. Para isso conheço eu uns tipos.

S- Tá bem, acho que podes começar a fazer os rabiscos. Mas aviso-te que agora, sem o Pinho, está mais difícil desenrascar uns PIN de jeito.

V- Caraças, pá, o gajo lembrou-se de fazer aquela porra dos cornos.

S- Nem me digas nada. Uma ganda tanga, foi o que foi. O gajo nem sequer estava a fazer cornos, é o que dá ser um bom ministro.

V- Ah, não?

S- Aquilo era o sinal das torres eólicas, tás a ver, aquilo era a dizer que, nas energias renováveis, estamos à cabeça do mundo. Aquela gentinha da assembleia é que não atina, ainda andam numa de energias fósseis, BMWs, aquela treta toda.

V- Grandessíssimos cretinos. Às tantas há por lá corruptos e a gente não sabe.

S- A gente não sabe, mas há quem saiba…

V- Ai, é? Porque é que dizes isso?

S- Parece que andam por aí umas escutas telefónicas.

V- Eh, pá, isso é grave. Ainda nos arriscamos a ser escutados. Desconfias de quem faz essas merdas?

S- Lá desconfiar, desconfio. Faltam-me é provas.

V- Ó pá, diz lá quem são os tipos, talvez um lugarzinho na administração de um banco os mantenha sossegados.

S- Não digas a ninguém, mas…

V- Porra, isso nem parece teu. Sabes bem que sou um túmulo.

S- E és, desculpa. Desconfio dos Gato Fedorento. Aliás, tenho quase a certeza que os gajos fazem escutas.

V- Os Gato Fedorento?

S- Claro, caraças, como é que tu achas que os palhaços arranjaram informação para esmiuçar um gajo como eu, como o Gama, como…

V- Ah ah ah, e como a velha.

S- A velha? A velha, cá por mim, podiam esmifrá-la. Estão a ouvir, ó gatos? Estão a escutar? Esmifrem a velha, porra, ataquem o sistema informático da esfinge da presidência, mas a mim, que sou humilde e até tenho sentido de humor – foram os meus filhos que mo disseram – deixem-me governar a merda deste país, ouviram?

V- Boa. E não se atrevam a passar por Vinhais, que ainda levam com um robalo nas trombas. E olhem que eu sou um gajo – para vocês é senhor – sério. Se digo que levam com um robalo nos cornos, levam mesmo, até vos arranco as fundações, não há prevenção nem rodovia que vos salve. Nem que isso me custasse dez mil euros.

S- É isso mesmo. Um robalo nas ventas. Porreiro, pá.

Referendo sobre casamento homossexual (2)

Ao contrário do que se julga, a nossa sociedade é muito mais plural e liberal do que se pode pensar. Existe um conjunto de sinais, ditos, procedimento já entre nós enraizadas, que mostram que nós, portugueses, não somos tão quadrados quanto isso.

Já me referi (texto “Vinhas-me ao pau”) à lusitana tradição dos comentários finais entre jogadores de sueca, onde abundam as expressões do tipo “baldavas a tua bisca no meu pau que estava firme” ou “metias-me o pau na copa e ficavas ao corte”, entre outras. Num país homofóbico, tal não seria possível.

Além disso, e na senda da argumentação que somos um país de mente aberta, e onde a ligeireza de linguagem é disso exemplo é cada vez mais corrente o pessoal, para ganhar a vida, oferecer o pacote: seja o pacote de chamadas, seja o pacote de férias, o pacote de mensagens, seja que pacote for. Quanto mais oferecerem do respectivo pacote, mais apelativos se tornam num mercado cada vez mais concorrencial, numa guerra de pacotes sem precedentes.

Ora, deve ter sido este tipo de sinais que levou socialistas, bloquistas e comunistas a antever uma aceitação social minimamente pacífica do casamento homossexual, e, daí, a inexistência de razões para qualquer tipo de consulta popular.

Devíamos era dar graças por ter forças políticas tão atentas aos sinais.

Nem todas as petições são entregues no mesmo clima

Pergunta o José Freitas se todas as petições ao parlamento são entregues em clima da gala, referindo-se a uma petição sobre “a verdade desportiva”.

Nem todas pá. A petição pelo referendo, por exemplo, foi entregue também ontem mas em clima de galo.

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