Nina Simone

Santa Maria da Azia

Estava a precisar deste desconfinamento da sisudísse. Vamos lá ver como fica o stock de Kompensan após as 20h. O que não há-de ser problema numa vila com tal padroeira.

25 razões para não votar André Ventura

Hey, eleitor português revoltado com o estado a que isto chegou, também és daqueles que acha que o Chega é a solução para os nossos problemas? Pois bem, então aqui fica uma lista daquilo que apoias com o teu voto, se o decidires entregar a André Ventura:

  1. Apoias o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde. Está no programa do Chega. Sim, também estás a votar nisso.
  2. Apoias o desmantelamento da Escola Pública, a privatização de escolas e universidades. Está no programa do Chega. Sim, também estás a votar nisso.
  3. Apoias um partido que quer castração química de pedófilos, apesar de ter proposto, no ano passado, a descriminalização de abusos sexuais a crianças entre os 14 e os 18. Os pedófilos podem ficar sem tesão, mas poderão sempre abusar daquela miúda de 15 anos, que parece ter 20, sem que ninguém se possa chatear por isso. Sim, também estás a votar nisso.
  4. Apoias um candidato que vê com bons olhos que se cortem as mãos aos ladrões, o que é óptimo para os apreciadores da Idade Média e dos maravilhosos regimes totalitários do Médio Oriente, aqueles que financiam terroristas com bombas e tal. Sim, também estás a votar nisso.
  5. Apoias um partido onde existe quem defenda remoção compulsiva de ovários para mulheres que decidam abortar, o que também é espectacular, porque o sexo é só para reprodução e há que castigar essas galdérias que decidem abortar. Lembra-te, contudo, que a próxima proposta poderá passar por te arrancar os tomates pelo mesmo motivo. Sim, também estás a votar nisso.
  6. Apoias um candidato financiado por César DePaço, um português que foi acusado de furto qualificado pela justiça portuguesa e fugiu para os EUA até o crime prescrever. Sim, também estás a votar nisso.
  7. Apoias um candidato que quer acabar com quem anda “a mamar”, mas que não tem tomates para abrir o bico sobre as dívidas do seu amigo Luís Filipe Vieira, top 3 dos maiores caloteiros deste país. Sim, também estás a votar nisso.
  8. Apoias um candidato que fala em 20 ou 30 pedidos anuais de asilo de migrantes do norte de África e do Médio Oriente, como se de uma invasão de milhares se tratasse, não porque seja verdade, mas porque precisa de um inimigo comum para mobilizar pelo medo. Se não forem os migrantes são os ciganos, os negros, as feministas, os gays, a esquerda ou a comunicação social. Apoias, no fundo, um candidato que recuperou a velha técnica de dividir para reinar, que, como sabes, funcionou maravilhosamente com Adolf Hitler. Sim, também estás a votar nisso.
  9. Apoias um candidato que quer confinar uma etnia, censurar o Twitter e derrubar a ordem constitucional. Lembra-te que hoje são os ciganos, o Twitter e a Constituição, amanhã és tu, o Facebook e todos os teus direitos fundamentais, que isto tem que ser uns de cada vez. Sim, também estás a votar nisso.
  10. Apoias um candidato que se diz escolhido por Deus. Se és católico, a heresia em si deveria ser suficiente para te afastares deste aldrabão. Se não és, devias fazê-lo por gozar com a tua inteligência. Sim, também estás a votar nisso.
  11. Apoias um candidato que elogia o salazarismo, que recrutou altos quadros do partido em movimentos neo-nazis, e que tem, dentro de portas, condenados por crimes violentos. Se gostas de ditaduras de extrema-direita, estás no bom caminho. Se vais dizer que também não gostas de ditaduras de extrema-esquerda, digo-te o seguinte: eu também não. Mas o teu whataboutism não vai mudar a realidade. Sim, também estás a votar nisso.
  12. Voltando à comunicação social, que foi quem deu palco a André Ventura e lhe permitiu crescer, caso contrário ainda não tinha saído do PSD, importa sublinhar que apoias um candidato cujo director de campanha classificou a imprensa de inimiga do Chega, na mesma noite em que militantes do Chega vandalizaram uma viatura da RTP. Apoias, no fundo, o regresso da censura e o controle da comunicação social pelo regime, não muito diferente daquilo que faz Nicolás Maduro. Sim, também estás a votar nisso.
  13. Apoias um candidato que tentou convencer o país que metade do país trabalha para sustentar a outra metade. E, perdoa-me a franqueza, e a incorrecção política, mas é preciso ser um bocado alheado da realidade para comer um absurdo destes. Sim, também estás a votar nisso.
  14. Apoias um candidato que ajudou milionários a fugir aos impostos, como o antigo patrão de José Sócrates, Lalanda e Castro, que, com o inestimável contributo de André Ventura, escapou ao pagamento de 1 milhão de euros de IVA. Sim, também estás a votar nisso.
  15. Apoias também um candidato que quer que os ricos paguem menos impostos e que os pobres paguem mais. Repito: mais impostos para os mais pobres, menos impostos para os mais ricos. Ou tu achas que a elite que o apoia e financia o faz porque gosta muito dos seus lindos olhos? Sim, também estás a votar nisso.
  16. Apoias um candidato que quer acabar com os sindicatos. Incluindo os afectos às forças de segurança. Se achas que isto não tem importância, perde cinco minutos da tua vida a investigar a luta que os nossos polícias tiveram pela frente para o conseguir. Ou vê o testemunho do PSP reformado que está na origem do Movimento Zero, que se ofereceu para a segurança pessoal de André Ventura, achando que o deputado o defendia, até ler o programa do Chega e descobrir que o objectivo é acabar com o sindicato pelo qual lutou. Sim, também estás a votar nisso.
  17. Ainda sobre a polícia, essa grande bandeira do Chega, importa recordar que apoias o candidato que não só quer acabar com os sindicatos das forças de segurança, como quer privatizar a Saúde e a Educação. Com os salários que recebem, como irão os policias pagar por Saúde ou pela Educação dos seus filhos, mais ainda quando André Ventura quer acabar com a organização sindical que defende os seus direitos? Sim, pessoa que está a pensar votar no Chega: o Ventura está-se a cagar para os polícias, que, para ele, não passam de um meio para atingir um fim. Sim, também estás a votar nisso.
  18. Apoias um candidato que faz do securitarismo uma bandeira, apesar de vivermos num dos paises mais seguros e com taxas de criminalidade violenta mais baixas do mundo. Lamento, uma vez mais, mas é preciso comer muito sono para engolir esta merda sem mastigar. Sim, também estás a votar nisso.
  19. Apoias um candidato que se diz anti-corrupção e anti-sistema, mas que é dos poucos deputados actualmente sob investigação da Polícia Judiciária, pela alegada contratação de um assessor fantasma. Que tem na cúpula do partido malta ligada ao escândalo BES, aos Panama Papers, a contratos milionários com o Estado, por ajuste directo, e aos mais variados esquemas de evasão fiscal. Que faz reuniões exclusivas, nos melhores hotéis do país, com a nata empresarial e financeira que vive às custas dos teus impostos. Anti-sistema é o Tino de Rans. O Ventura é o sistema, versão salazarismo evangélico. Sim, também estás a votar nisso.
  20. Apoias um candidato que passa a vida a falar sobre aqueles que andam a mamar e que tem, nada mais, nada menos que seis assessores. Seis.
  21. Apoias um candidato que, sobre a corrupção, limita o seu discurso a Sócrates e ao PS. Quantas vezes ouviste André Ventura a falar em grandes casos de corrupção, tráfico de influências ou evasão fiscal, como Monte Branco, Operação Tutti Frutti, Panama Papers ou todos os casos que envolvem o Benfica? Pois foi, ouviste zero. Sim, também estás a votar nisso.
  22. Apoias um candidato que, antes de chegar ao Parlamento, fez campanha contra os deputados que não exerciam a função em exclusividade. E que garantiu que abandonaria todas as outras funções no dia que fosse eleito. E que demorou quase dois anos a cumprir, sendo a empresa onde ajudava milionários a fugir aos impostos, com o conhecimento adquirido nos seus anos na Autoridade Tributária, foi a última que abandonou. Haverá algo mais anti-sistema que ajudar milionários a fugir aos impostos através de paraísos fiscais? Sim, também estás a votar nisso.
  23. Apoias um candidato que, no ano passado, quando o Parlamento votou propostas para agravar penas para criminalidade fiscal e financiamento ao terrorismo, se teve que ausentar do Parlamento. Muito conveniente, não achas? Sim, também estás a votar nisso.
  24. Apoias, aliás, um candidato que passa a vida a faltar ao trabalho, para andar na rua a mandar trabalhar os outros. Sim, também estás a votar nisso.
  25. Apoias um candidato que idolatra Bolsonaro e Trump, o autor moral do atentado terrorista contra o Capitólio, e cujos aliados internacionais são Marine Le Pen, do partido que odeia as centenas de milhares de emigrantes portugueses, chegando mesmo a ameaça-los de morte, e Matteo Salvini, conhecido por ser um fanboy facho de Vladimir Putin (tal como Marine) e de Santiago Abascal, o franquista espanhol. Sabem o que têm em comum todas estas pessoas, para além de beijarem o anel ao Putin? Odeiam a democracia e as instituições que fizeram da Europa o espaço mais próspero do planeta. Sim, também estás a votar nisso.

Era isto, cara pessoa que ainda pondera votar André Ventura. E, antes que digas que os outros são iguais, reflecte sobre isto: se são todos iguais, porque é que escolhes aquele com a agenda mais violenta, o que te quer tirar mais direitos e liberdades e o único determinado em reinstalar uma ditadura?

Pensa nisso. E lembra-te que hoje são os ciganos, os gays e as feministas, amanhã podes muito bem ser tu. E não te esqueças da caneta quando fores votar.

Todas as mentiras de André Ventura. Ou quase…

André Ventura, o português “de bem” que profanou uma missa fúnebre para fazer propaganda eleitoral

Esmiuçar o percurso e o modus operandi fundamentalista de André Ventura é uma missão quase impossível, na medida em que as ventiras, menturas e andrebices se sucedem, as ameaças à democracia são uma constante, o discurso renova-se diariamente de novos chavões absurdos e fanáticos, e a lavagem cerebral que a máquina de propaganda do Chega tenta impor ao país é incessante e de recursos quase ilimitados. Ser financiado pela elite do sistema tem as suas vantagens.

Podemos falar de inúmeros casos, das assinaturas falsas entregues ao Tribunal Constitucional ao programa que prevê o desmantelamento do Estado Social, passando pelas ligações a criminosos, a militantes de organizações violentas, com provas dadas em espancamentos e até assassinatos de ódio, ou à elite financeira e económica, apesar da anedótica narrativa anti-sistema e anti-elites, onde não faltam as ligações ao caso BES, aos Panamá Papers ou a contratos públicos de milhões de euros com o Estado, via ajuste directo. Podemos falar no estilo decalcado do terrorista que ontem cessou funções na Casa Branca, na hostilização de jornalistas, com viaturas vandalizadas à mistura, na normalização do ódio, do racismo, da xenofobia ou da retórica reles, grosseira e ordinária, reveladora de um André Ventura com distúrbios de personalidade, que num dia afirma que o insulto é a arma dos fracos, para no outro dia chamar “avô bêbado” a Jerónimo de Sousa ou boneca insuflável a Marisa Matias. Podemos ficar horas nisto, revistar o cigano que não é cigano, a promessa da não-acumulação de funções, a ligação a fundamentalistas evangélicos, o clima de medo, intimidação e lei da rolha no seio do seu partido ou a validação do discurso anti-científico e negacionista da pandemia ou das alterações climáticas. [Read more…]

As costas largas da Geopolítica e os meandros de Costa

Nos anos de 2014 a 2016, várias cidades europeias foram palco de expressivas manifestações contra o TTIP, o acordo de comércio e investimento entre a UE e os EUA, que implicava a conformação massiva dos padrões europeus nas mais diversas áreas, desde a ambiental e laboral até à segurança alimentar, em função dos compromissos inevitáveis para a harmonização regulatória tão própria destes “acordos de nova geração”. E que ofereceria às multinacionais uma poderosa arma para submeter os estados aos seus interesses de lucro, o ISDS – um mecanismo que as dota de direitos especiais para processarem estados em tribunais arbitrais privados e, frequentemente, secretos. Uma “justiça” paralela VIP, apenas e só disponível para as multinacionais.

À data, um dos argumentos mais içados pelos paladinos do TTIP era o das razões geopolíticas e subjacentes alianças. Até que veio Trump, e o aliado, de repente, tornou-se num aflitivo palhaço desarvorado – e o TTIP foi mandado às urtigas.

Lá se foi a Geopolítica*, quedou-se mudo quem a alardeava.

Torna hoje esse voluptuoso conceito da Geopolítica a ser a principal invocação no discurso de António Costa ao Parlamento Europeu sobre o Programa de Actividades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, em relação ao absurdo acordo UE-Mercosul.

Onde no TTIP havia Trump, temos neste acordo, entre outros, Bolsonaro. Mas, ao contrário de Trump, Bolsonaro está desejoso de finalizar este acordo que vai contribuir para acicatar a desflorestação, atacar a biodiviersidade, dizimar povos indígenas, intoxicar os solos, sufocar a pequena agricultura e arrasar o clima.

E porque a contestação ao acordo tem sido forte e diversificada, mas a Presidência Portuguesa fez dele uma prioridade sua, Costa falou da Geopolítica e lançou umas tiradas dignas da sua indiscutível argúcia negocial: [Read more…]

Fechar as escolas

Fechar as escolas é péssimo. Não fechar ainda é pior.

Exemplo a não seguir…


-Foi perguntado a António Costa, no final da apresentação das medidas de encarceramento, se no próximo domingo, por ser dia de eleições, seria aplicável a proibição de circulação entre concelhos. tendo o primeiro-ministro respondido que não, uma vez que os cidadãos têm direito de voto, mas também explicou que não poderá ser um universo significativo, uma vez que é obrigatório estar recenseado no local de residência, ainda que admita possam existir cidadãos que mudaram recentemente de residência e ainda não tenham conseguido actualizar a morada.
É do domínio público que o cidadão Marcelo Rebelo de Sousa, actual Presidente da República, habita há vários anos em Cascais, mas está recenseado em Celorico de Basto.
Até podemos considerar que este facto não tem especial gravidade, mas não deixa de ser uma irregularidade cometida por um cidadão, que até pela função que exerce, deveria ser o primeiro a dar o exemplo…

Ventura e o cigano

O Ventura contactou com uma pessoa simpática que abria muito as vogais e falava a cantar. Disse-lhe:
– Ó cigano, anda cá apoiar a minha candidatura!
Era um espanhol.

Fechar as escolas?

Os professores

(esses madraços ignorantes, como ainda recentemente demonstrei)

sabem que não há nada melhor do que o ensino presencial. Apesar de serem professores

(e, portanto, pessoas que não percebem nada de escolas, de Educação, de alunos e que têm uma visão limitadíssima da sociedade, porque não fazem a mínima ideia dos problemas familiares, sociais e pessoais dos alunos, esses números em forma de pessoa, e porque só falam com professores),

sabem que o Ministério da Educação não aproveitou o Verão para preparar os vários cenários para o ensino – as salas de aula não estão preparadas, por exemplo, para se darem aulas à distância (nos muitos casos de alunos ou turmas em isolamento); o número de alunos por turma manteve-se igual, não permitindo o distanciamento mínimo aconselhado pela DGS; os computadores para os alunos chegaram tarde e más horas.

Os professores sabem

(mas quem são eles para saber seja o que for, não é?)

que o confinamento dos alunos aprofundará as desigualdades, como tive o atrevimento de afirmar, a propósito de um agradecimento dispensável. [Read more…]

Quem não quer ser milionário?

Segundo parece, não há candidatos suficientes para preencher as vagas dos cursos orientados para o Ensino. Por outro lado, há um grande número de professores no activo que se aproximam rapidamente da idade de reforma. Não deve faltar muito, portanto, para que as escolas voltem a ser inundadas por professores com habilitação suficiente, licenciados em Direito a leccionar História ou engenheiros a ensinar Matemática.

Pode haver quem considere que essa falta de formação inicial poderá afectar a qualidade da leccionação, mas a verdade é que faz sentido: num país em que toda a gente sabe mais de Educação do que os profissionais da área, por que carga de água é que um professor, o menos entendido na matéria, haveria de dar aulas?

A falta de candidatos ao Ensino, no entanto, espanta-me, porque os vários pedagogos de sofá que explicam Educação em todas as direcções sabem perfeitamente que os professores

  • não trabalham
  • recebem salários principescos

  • fazem greve, dia sim, dia não

Notai bem: se alguém não trabalha e é pago, já recebe demasiado. Além disso, não se pode falar bem em salário, já que quem é pago para não trabalhar recebe antes um subsídio. Como se isso não bastasse, os professores, que não trabalham, ainda estão sempre em greve, o que é extraordinário – muito provavelmente, reivindicam melhores condições para não trabalhar. [Read more…]

Osama Bin Trump e os EUA em Estado de Sítio

Neste momento, o número de tropas dos EUA estacionados no Iraque, Síria, Afeganistão e Somália, todos juntos, não chega a 9 mil efectivos. Em Washington, contudo, o Pentágono prepara-se para colocar 20 mil soldados no terreno, para garantir a segurança da tomada de posse de Joe Biden, num momento em que grupos armados de terroristas de neo-nazis e supremacistas brancos, incentivados e abençoados por Donald Trump, ameaçam dar seguimento ao atentado terrorista da passada semana, contra o Capitólio. Quem diria que a maior ameaça à segurança interna dos EUA, desde o 11 de Setembro, seria protagonizado pelas milícias terroristas pró-Trump?

P.S. Por muito menos, reduzem-se escolas e hospitais a escombros no Médio Oriente.

Trumposfera meltdown: por demências nunca dantes navegadas

Jake Angeli, conhecido no submundo dos chalupas conspiracionistas neofascistas como Q Shaman, é este espécimen que, aparentemente, roubou o chapéu que Jay Kay usava no tempo do Traveling without moving, álbum de excelente memória dos Jamiroquai.

Angeli, que, qual Obélix, parece ter caído no caldeirão do LSD quando era pequenino, apresenta-se como um “ser multidimensional” e afirma ter sido escolhido e enviado pelo seu amigo imaginário Q, uma espécie de profeta da chalupósfera QAnon, para ajudar Donald Trump na luta contra a rede internacional de pedofilia globalista socialista reptiliana do Dr. Belzebu.

Na sequência do atentado terrorista contra o Capitólio, no qual esta espécie rara participou activamente, Jake Angeli foi detido e entrou em greve de fome, por não ter acesso a uma alimentação orgânica. Já tinha ouvido falar de vários tipos de facho, mas um facho que num dia é terrorista e no outro um snowflake é novidade. Pessoalmente, acho que Angeli devia ser mais criativo, como o chapéu que usa: se quer comida orgânica e não encontra na prisão, que cague no pratinho e coma. Sim, eu sei, fui um bocado javardo e demasiadamente gráfico. Não lamento. Se queriam politicamente correcto vieram so estabelecimento errado. [Read more…]

Ao cuidado do candidato Vitorino Silva (nótula suplementar)

A RTP Internacional retracta-se, mas de forma implícita, para que ninguém dê pela asneira.

Agora, sim, sete candidatos:

Continuo a não apoiar qualquer candidato.

Quando Pepe diz: «É inacreditável o Pizzi

acabar o jogo», não há um jornalista que responda: «o Pizzi não acabou o jogo, senhor Pepe, o Pizzi foi substituído ao minuto 77»?

André Ventura e Marine Le Pen, ou a arte de se afirmar defensor dos portugueses de bem e promover quem os persegue e ameaça de morte

Historicamente, França tem sido o principal ponto de chegada para centenas de milhares de emigrantes portugueses, desde a década de 60, quando fugiam da miséria imposta pelo regime salazarista. Estima-se que vivam no país cerca de meio milhão de portugueses e luso-descendentes, a maioria dos quais perfeitamente integrada, sem historial relevante de associação a problemas sociais ou criminalidade, que, não raras vezes, diz “presente” quando se trata de desempenhar as funções que os franceses não querem fazer, das limpezas à construção civil.

Estes portugueses, tão portugueses como qualquer português que habite em solo nacional, são, apesar das vicissitudes, portugueses orgulhosos e patriotas, que investem em Portugal, que constroem casa em Portugal, onde regressam após se reformarem, que geram milhões para o sector do turismo, do Algarve ao Alto Minho, e que transferem milhões de divisas para o seu pé de meia, num qualquer banco português. Apenas para dar alguns exemplos. [Read more…]

O confinamento e as escolas

Maurício Brito*
A ver se nos entendemos: o que deveria pesar mais do que qualquer outra coisa é o valor da vida humana. Não está em causa discutir o que é melhor para os alunos, para os pais ou para os professores pois é óbvio que o ensino presencial é insubstituível: para os alunos pelas mais variadas razões e em todos os planos, sejam eles pedagógicos ou sociais; para os pais por ser confortante por diversos motivos; e para os professores, porque sabem que o seu trabalho é incomparavelmente melhor se realizado presencialmente. Mas, volto a dizer, não deveria ser tudo isto a pesar mais numa decisão que, digam o que quiserem e sustentem-se nos estudos que encontrarem, não irá reduzir tão rapidamente o terrível quadro que assistimos neste momento. Irão circular cerca de, afinal, 2,5 milhões de portugueses nos próximos tempos apenas para chegar às escolas. Será necessário fazer um desenho a explicar que isto não faz sentido se o que se pretende é reduzir mais rapidamente uma propagação descontrolada, em que se desconhece a origem de 87% dos contágios e, consequentemente, evitar a perda de mais vidas? Já agora: há algum professor que considere efectivamente que a perda de 15 ou 30 dias de aulas presenciais vá provocar “danos irreversíveis” nas aprendizagens dos nossos alunos? A sério? Quantos alunos ou mesmo turmas inteiras já perderam esses dias de aulas (ou mais ainda) desde que o ano lectivo começou, devido a casos de contágios, quarentenas, outras doenças/lesões e coisas afins? Estes alunos todos estão “irremediavelmente” perdidos? Enfim.
Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Apesar de saber que assim que os “números” abaixarem e voltarem para “valores” mais aceitáveis, os mesmos que não cumpriram as promessas de providenciar meios a alunos, escolas e professores para o ensino à distância, virão cantar vitória, com os comprometidos de sempre da comunicação social a fazer eco do enorme feito. Independentemente das dezenas ou centenas de pessoas que vierem a falecer devido a uma desastrosa decisão.
*Professor

“Neste país é só artistas!”

 

@Imagem: Bryant Arnold

 

Oh, quantas vezes ouvimos o “artista” para nomear alguém pouco sério ou habilidoso para fugir aqui ou ali às responsabilidades. Concepções que criam uma ideia, no imaginário comum, do que é o artista verdadeiro, aquele que decide, muitas vezes contra o mundo, dedicar a vida à arte.

É ver miúdos com sonhos de música, de dança, de literatura, de teatro, enfim, de tanta arte ser-lhes dito que podem fazer isso, sim, mas como “hobbie”. Podem fazer isso, sim, mas depois de assegurarem a sua carreira dentro da “shortlist” de carreiras tidas por dignas e, claro, economicamente viáveis.

Porque, afinal, o problema será sempre o dinheiro que teima em ser resolvido. É ele que molda as nossas ideias e concepções. É ele que faz com que a arte não seja considerada trabalho mas ocupação de tempos livres. Se alguém se dirige à sua fábrica, à sua loja, ao seu escritório, vai trabalhar, por muito que passe 8h por dia com a cabeça na lua. Temos a percepção de que está a trabalhar e, afinal, a percepção é que interessa, não é?; pelo contrário, se alguém está sentado a escrever, a pintar um quadro, a esculpir uma peça, está a passar o tempo. Ou porque o ganho financeiro não é imediato (nem sequer garantido!), ou porque simplesmente “ninguém vive da arte”. [Read more…]

Com um desenho, ao nível da primária, para ver se se percebe (1)

De pouco vale decretar um confinamento rigoroso para depois ter as escolas a funcionarem como uma autoestrada de contágio.

Porque estarão os decisores políticos, que não serão alheios ao óbvio, em pára-arranque quanto a manter ou não as escolas abertas?

Não havendo explicações, resta-nos adivinhar, sendo a possibilidade de libertar os pais para trabalharem sem interrupções da prole uma provável explicação.

Questões mais do foro económico do que da saúde pública com que diariamente enchem as ondas hertzianas.

Ao cuidado do candidato Vitorino Silva

A RTP anuncia o debate com TODOS os candidatos. Todavia, o anúncio do debate com todos os candidatos só dá palco a seis candidatos e ao moderador. Os candidatos são sete.

Francamente, RTP, não havia necessidade.

Declaração de interesses: não apoio qualquer candidato.

A mentira e o lapso

A propósito da nomeação de José Guerra para a Procuradoria da UE, ficamos a saber que ao indicar dados falsos, com vista a fundamentar a nomeação de João Guerra em detrimento de outros candidatos, pelos vistos o Governo não mentiu: cometeu lapsos.

Ainda assim, apesar dos dados falsos invocados, o Governo continua a entender que a escolha está bem feita.

É cada vez mais notório, na sociedade coeva, que uma mentira rotulada de lapso é mais um passo para que a sociedade assimile a falsidade como normal. Ou, pior, como verdade. Tal como a administração Trump tentou implementar a lógica da verdade alternativa, para transformar a mentira em factos.

Donde se conclui que, neste aspecto, não há diferença ideológica na transformação da mentira em lapso, verdade, facto ou qualquer outra coisa que vise normalizar a falsidade e torná-la impune.

Este sinistro caminho, só serve para aumentar a descrença na governação e nas instituições. Bem como para alimentar os ódios que servem de pasto para os oportunismos mais extremistas e boçais que começam a mostrar força. Que serão mentirosos, inventores de patranhas e mestres do engano e da ilusão. Mas, jamais teriam oportunidade para vencer por tais meios, se outros antes tivessem sido, pelo menos, um pouco mais sérios.

2021 será melhor do que 2020?

I hate calling him die… It’s dice. It’s a dice!
Paul McCartney

… to be able to induce him… oh! induct!
Paul McCartney

***

A ver vamos se 2021 será melhor do que 2020. Francamente, não sei.

Pelas amostras hoje recolhidas, diria que não. O terrível ano de 2020 repercutir-se-á em 2021. E o de 2021 em 2022. E o de 2022 em 2023. E o de 2023 em 2024. E o de 2024 em 2025. E o de 2025 em 2026. E o de 2026 em 2027. E o de 2027 em 2028. E o de 2028 em 2029. Em 2030, veremos se há uma repercussão do provavelmente pavoroso ano de 2029.

Portanto, em suma e em princípio, como os culpados continuam a fingir que nada se passa, apesar de muito estar a acontecer, teremos em 2021 exactamente mais choldra igual à reinante desde Janeiro de 2012. Em princípio, repito. Pode ser que, entretanto, algum dos conhecidos culpados saia do armário onde toda a gente o viu entrar e se assuma publicamente, levando à reversão do processo.

Continuação de uma óptima semana.

Efectivamente.

***

PCP tem medo de ficar atrás de Tino de Rans?

Imagem: RTP/Renascença

Já tinha ficado com a pulga atrás da orelha quando, no debate entre ambos, Vitorino Silva pediu a João Ferreira que aceitasse o convite para debater no Porto Canal. O candidato apoiado pelo PCP não respondeu. Soou estranho.

Hoje, o director de informação do Porto Canal, Tiago Girão, deu conta no Twitter (e mais tarde no próprio canal) que a candidatura de João Ferreira fez uma participação à Comissão Nacional de Eleições sobre os debates de Vitorino Silva contra os restantes candidatos, alegando que esses debates se transformariam numa vantagem de tempo de antena, favorecendo a candidatura de Vitorino.

A CNE emitiu, então, um parecer propondo à ERC uma medida provisória que impeça os debates em questão.

[Read more…]

O verdadeiro artista (*)

André Ventura foi trazido para a lide política pela mão de Passos Coelho, ao dar-lhe palco político em Loures. Constituiu o Chega no meio de ilegalidades apontadas pelo Tribunal Constitucional e que não foram completamente esclarecidas. Viu o seu partido ser elevado ao nível da decência com a coligação dos Açores e posterior abertura ao restante território pelo líder do PSD, Rui Rio.

Porém, para Henrique Raposo, André Ventura é “um filho de José Socrates”. Cola-o a um ex-primeiro-ministro problemático (coloquemos as coisas assim) mas que, para o caso, nada tem a ver com Ventura. Diz que o faz por causa das mentiras e dos maneirismos, como se não tivesse dose igual noutras áreas.

Raposo, ao relacionar Ventura com Sócrates, faz um branqueamento da ligação do Ventura ao PSD. É de artista, como aqueles que metem um nariz vermelho no circo.

∗ título roubado daqui

Adenda: artigo do Henrique Raposo

UE-China ou a subalternidade dos Direitos Humanos

Foi considerada a cereja no topo do bolo da presidência alemã do Conselho da UE, que terminou a 31 de Dezembro passado: após 7 anos de negociações, a União Europeia e a China chegaram, no dia 30 de Dezembro de 2020, a um acordo de princípio sobre investimento (“Comprehensive Agreement on Investment”). Desta vez não se trata de um acordo de comércio livre, nem um acordo clássico de protecção do investimento, mas de um acordo que regula o acesso das empresas europeias ao mercado chinês e vice-versa.

A euforia foi grande, sendo o mercado chinês o gigante que é. Mais uma vez, fez-se jus à expressão “money makes the world go round” e demonstrou-se a sua superioridade face a valores subalternos aos do negócio, como manifestamente são os Direitos Humanos e laborais.

À revelia de tudo o que é do conhecimento geral a respeito das botas cardadas com que a China espezinha os Direitos Humanos, aqueles que nos governam, tanto a nível nacional como da EU, não têm pruridos em “fazer negócios, tolerar abusos e violações de direitos humanos, ou vender o nosso património mais valioso a uma ditadura como a chinesa.[Read more…]

Os idiotas e o debate de ideias

  O Presidente da República e candidato, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que é “no debate de ideias” que se derrota o Chega e a extrema-direita.
  Como é que se consegue debater ideias com um partido racista, xenófobo e fascista? Toda a gente sabe que foi a debater ideias com António de Oliveira Salazar, com Marcelo Caetano e com a PIDE que se derrotou o regime do Estado Novo…e também foi no debate de ideias que impedimos, depois da Restauração da República, o golpe de Estado que deu origem à Ditadura que vigorou de 1926 até 1974. O lixo põe-se no lixo.
  Diz, também, Marcelo Rebelo de Sousa, que Ana Gomes, enquanto cidadã, poderia ter pedido a ilegalização do Chega junto do Ministério Público e do Tribunal Constitucional. O que o sr. Presidente sabe, mas não diz, é que existe uma petição, com mais de 16.000 assinaturas, a pedir a ilegalização do partido de extrema-direita (assinaturas mais do que suficientes para o assunto ser debatido na Assembleia da República). O que sr. Presidente sabe, mas não diz, é que foram enviados mais de 300 e-mails para várias instituições do Estado a pedir o mesmo, e foram ignorados. O que o sr. Presidente sabe, mas não diz, é que muitas pessoas, enquanto cidadãos (como o é a cidadã Ana Gomes), foram à Provedoria da Justiça, aos partidos com assento parlamentar, ao Presidente da AR, ao Supremo Tribunal de Justiça, ao MP junto do STJ, ao Tribunal Constitucional, ao MP junto do TC, à Procuradoria Geral da República, à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias…e até ao próprio Presidente da República.
  O que o sr. Presidente sabe, mas não diz, é que o seu partido só poderá ser Governo se se juntar ao Chega. O que o sr. Presidente sabe, mas não diz, é que não quer queimar o PSD.

  Não se debate com fascistas. Ou há alguém, por aqui, que goste de se banhar em bosta?

Marine Le Pen, presidente do Frente Nacional, numa conferência de imprensa em Lisboa (Portugal), com André Ventura, líder do partido de extrema-direita Português, Chega.                                                                                      PHOTO / REUTERS / PEDRO NUNES

 

A propósito das Presidenciais

Acho curioso como há quem seja capaz de compartimentar quem vota neste ou naquele partido: no PCP votam estes, no Chega votam aqueles, no PS aqueles outros, e por aí fora.
Aquilo que fui percebendo é que os eleitorados são realidades muito mais transversais do que realidades compartimentadas.
Conheci empresários que votavam PCP e operários que votavam CDS.
Há uma mescla de gerações, de sonhos e frustrações, que torna a realidade eleitoral em algo muito mais rico do que grupos ou tendências.
No meio disto tudo, à medida que a República vai degradando-se, o chamado voto de protesto vai ganhando maior peso eleitoral.
O real e concreto perigo para a Democracia é quando o voto motivado pelo ódio e pela revolta se sobrepõe ao voto motivado pelo sonho e pela utopia.

Acordo ortográfico e consoantes: a brincar às escondidas

Com as criancinhas, há um jogo que só é possível enquanto não atingirem um mínimo de inteligência – tapamos a cara e dizemos “Não está cá!”; a seguir destapamos a cara e dizemos, com um sorriso alarve: “Está, está!” (Mais propriamente “Tá, tá!”). Nunca experimentei fazer esta brincadeira com adolescentes, mas imagino a preocupação que causaria a alunos, encarregados de educação e chefias escolares relativamente à minha sanidade mental ou ao meu evidente consumo de álcool e/ou estupefacientes.

O chamado acordo ortográfico (AO90) faz o mesmo com a sociedade. Somos tratados como crianças ou como adultos com baixíssimo quociente de inteligência. [Read more…]

A Quinta Pata

Sílvio Servente*

*Former collegiate equestrian Phd. 

Não votarei Mayan, dia 24

Não irei votar no Tiago Mayan, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, no dia 24 de Janeiro.

 

Tiago Mayan era um desconhecido dos portugueses até há umas semanas. Desde aí, deu para notar nas incoerências das pessoas. Aqueles que criticam serem sempre as mesmas caras na política foram os mesmos que criticaram o candidato liberal não ser um desses de sempre.

 

Depois de uma semana de debates, fica confirmada, perante o país, a imagem que já levava do Mayan. Num momento em que a política mundial se encontra tão polarizada, levando por arrasto o nosso país, foi necessário um liberal para combater todos os extremos, com dignidade, caráter e sem se juntar a um dos lados da barricada, quase num acordo tribal como se se tratasse de uma irmandade.

 

Tiago Mayan, tal como outras caras liberais, voltou a desfazer mitos sobre o liberalismo, mostrando que não passam de mentiras socialistas os tão famosos “querem acabar com o SNS” ou “querem acabar com a escola pública”, quando na verdade a proposta liberal é a única que não cede a preconceitos ideológicos e dá liberdade de escolha ao cidadão. Estas são as únicas maneiras da esquerda atacar um liberal: na falta de argumentos, inventa algo e combate a própria mentira que criou. É um exercício habitual em populistas. [Read more…]