Queriam que Rui Rio fizesse o quê?

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Fotografia: José Coelho/Lusa@TVI24

Depois de Maria Luís Albuquerque e Hugo Soares, foi a vez de Miguel Pinto Luz ser excluído das listas do PSD às próximas Legislativas. E, claro, surgiram imediatamente uma série de indignados, a barafustar contra o presidente do PSD. Mais ou menos os mesmos que apoiaram Santana Lopes, mas que não seguiram com ele para o Aliança, que ainda não garante lugares, cargos e tachos a ninguém. [Read more…]

Ri-te agora, Joe

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Fotografia: Pedro Catarino@Jornal de Negócios

O Jardim Tropical Monte Palace, residência fiscal de Joe Berardo, avaliada em cerca de 40 milhões de euros, foi arrestado por ordem do Tribunal do Funchal. Já só falta pagar uns 300 e tal milhões de euros e fica saldado o calote. Vai em frente, justiça portuguesa!

O racismo de Trump termina onde começa o dinheiro dos outros

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O rapper A$AP Rocky foi detido em Estocolmo, no passado dia 3, devido ao envolvimento numa rixa, tendo sido acusado pela justiça sueca de agressão. O músico norte-americano poderá apanhar até 2 anos de prisão.

Na sequência da detenção, Donald Trump decidiu intervir, e, sem surpresas, usou a sua conta no Twitter para atacar o governo e a justiça sueca, intrometendo-se, como é seu hábito, na soberania de terceiros. [Read more…]

The Weather Project

The Unilever Series 2003: Olafur Eliasson, The Weather Project.
Photocredit: Marcus Leith and Andrew Dunkley, Tate Photography ©TATE 2019

A Roménia aqui tão perto: Rosia Montana no Alentejo?

Há mais de 20 anos que o povo da pequena aldeia de Rosia Montana, na Roménia, luta contra a instalação de uma mina de ouro que iria destruir a sua aldeia, expulsando os seus habitantes e arrasando as suas casas. Essa luta corajosa passou também pela Justiça, conseguindo que um tribunal romeno tenha dado razão à população e ordenado a interrupção do projecto de exploração mineira.

Mas isso não fez desistir o maior financiador do projecto, a empresa canadense Gabriel Resources, de o levar adiante, accionando a justiça paralela exclusiva para multinacionais estrangeiras, o famigerado ISDS (Investor-State Dispute Settlement). A sua exigência: cobrar à Roménia 5,7 mil milhões de dólares como compensação por perda de lucros reais e futuros. Uma quantia tão elevada como o gasto do Governo romeno com a Educação.

Pode este caso parecer longínquo, sem relevância para Portugal. Mas não é. Ora vejamos: [Read more…]

As promessas e as realidades escondidas

[Santana Castilho*]

Ponto prévio: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? Genericamente melhor. Mas seria admissível outro cenário, depois de um governo PS ter levado o país à falência e um governo PSD/CDS ter infligido aos cidadãos sacrifícios e perdas nunca vistas?

O meu ponto é que a avaliação certa é a que resulta, não da comparação do que tínhamos com o que temos, mas do que temos com o que poderíamos ter, se as opções tivessem sido outras.

O programa com que o PS se apresentará às eleições legislativas de 6 de Outubro tem 141 páginas e muitas promessas (56% de aumento do investimento público, menos impostos para a classe média, aumentos para os funcionários públicos em 2021, vales para óculos e tratamentos dentários, combate feroz à corrupção, reforma eleitoral e muitos comboios). Na impossibilidade material de analisar o caudal de promessas em detalhe, no espaço limitado desta crónica, cinjo-me a dois comentários, a saber:

  1. O programa glosa os êxitos da governação de Costa e alimenta-se em permanência da chama milagreira de Centeno. Mas importa moderar a euforia, porque há outros ângulos de visão. Por exemplo, Mário Centeno e a imprensa em geral festejaram recentemente os números revelados pelo Instituto Nacional de Estatística: um excedente orçamental de 0,4% no fim do 1º trimestre do ano em curso. O ministro das Finanças invocou então muitos indicadores de sucesso e atribuiu o êxito à dinâmica da economia e do mercado de trabalho. Só que a alegoria do copo meio cheio ou meio vazio convoca os mais atentos para a outra realidade: o celebrado saldo orçamental consolidado das diferentes administrações públicas (cerca de 318 milhões) foi obtido por via do aumento (em cerca de 356 milhões) das dívidas ao sector privado! Por exemplo, no martirizado Serviço Nacional de Saúde, a dívida aumentou no período em apreço cerca de 150 milhões, cifrando-se na bonita soma redonda de mais de 650 milhões.

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Magia

Truque de ilusão
Em cada dia
Com o meu coração
Fazes magia”

Mais um tema.

O Extravagante Boris Johnson

[J. A. Pimenta de França]*

Desconcertante, brilhante, despenteado, amoral

 

Conheço o Boris Johnson pessoalmente, fomos colegas de trabalho no início dos anos 90 quando estive colocado durante três anos na delegação da Lusa em Bruxelas. Ele era o correspondente do Daily Telegraph na capital belga.

Por dever de ofício encontrávamo-nos todos os dias em serviço, incluindo nas muitas viagens ao estrangeiro que os jornalistas encarregados de cobrir a UE e a NATO em Bruxelas são obrigados a fazer para acompanhar os trabalhos das instituições.

É um tipo muito inteligente, culto, simpático, embora arrogante (acho que é uma característica da “British upper class” a que pertence), com um notável sentido de humor, extremamente ambicioso mas, simultaneamente, extremamente desonesto.

Não era exactamente um jornalista, mas sim um político a fazer política através do jornalismo. Mente sem remorsos, torce a verdade de forma que ela se enquadre no que lhe der jeito no momento. Inventava notícias com a maior das facilidades, sempre para pôr em causa as instituições europeias.

Nas suas notícias e crónicas no Daily Telegraph, Boris Johnson apresentava uma narrativa sobre a União Europeia na qual as medidas de Bruxelas só tinham duas leituras: umas eram exigências tresloucadas de burocratas excessivamente bem pagos e desligados da realidade obcecados com a normalização de tudo, desde o tamanho das bananas às placas de matrícula dos automóveis, desligados da realidade; as outras, que não se enquadravam nesta primeira descrição, eram medidas sinistras destinadas a tornar a União Europeia num super-estado policial anulando todas as especificidades nacionais. [Read more…]

A união de fato: o regresso

Maxine: Workin’ on your sermon for next Sunday, Rev’ rend?
Shannon: I’m writing a very important letter, Maxine. [He means don’t disturb me].
— Tennessee Williams, “The Night of the Iguana

Franchement, c’est too much.
Hélène Lecomte

Un dernier verre de sherry
De cheri mon amour, comme je m’ennuie
Sylvie Vartan

***

Segundo o sítio do costume, união de fato é um dos elementos que servem para enquadrar o conceito agregado familiar.

É o regresso da união de fato, essa nossa velha conhecida.

Efectivamente, o aspecto do Diário da República mudou: todavia, a grafia caótica mantém-se.

***

Nótula: Tive pena de não poder estar presente ontem no lançamento do Acordo Ortográfico – Um Beco com Saída, de Nuno Pacheco. Para esquecer essa tristeza, no fim do trabalho, fui dar umas voltas no velódromo dos meus vizinhos, que, segundo eles – e eu acredito e agradeço-, também é meu.

E há outra a que se chama incompetência


 
Parece que o conceito de planear é alheio à Sr.a Graça Freitas.

Sobre a lei propriamente dita, vamos ver se terá algum impacto. Não deixa de ser curioso que o uso do sal na alimentação tenha sido objecto de extensa legislação mas que o açúcar, o ingrediente mágico da indústria alimentar, tenha ficado de lado.

Preto no branco: a aposta na exportação e na globalização desatada produz pobreza e desigualdade social

Não é nada de novo: há os vencedores e há os vencidos do actual modelo de globalização. A quimera de que o “livre comércio” é bom para todos não passa disso, de uma quimera batida à exaustão para justificar a expansão do modelo dominante, que não só aumenta a desigualdade, como fomenta aberrações “compensatórias” e atentados contra o clima.

Mas não deixa de ser irónico e bombástico que, no seu último relatório sobre a Alemanha, venha o FMI atestar à campeã europeia das exportações o efeito tóxico da sua aposta desproporcionada na exportação: a Alemanha, com os seus volumosos excedentes de exportação, não só produz desequilíbrios massivos na zona do euro, como também aumenta os desequilíbrios sociais na própria Alemanha. Milhões de alemães pouco beneficiaram do aumento das exportações, enquanto os crescentes excedentes alemães das últimas duas décadas foram acompanhados por um aumento acentuado dos rendimentos de topo na Alemanha, constata o FMI. Actualmente, os 10% mais ricos possuem 60% dos activos líquidos, sendo este o valor mais elevado na zona do euro.”

Mas, mas… não era a Alemanha que detinha a “receita” para a Europa??? E vem agora o Fundo Monetário Internacional, esse galeão da economia neoliberal, puxar publicamente as orelhas à campeã??? Espantoso.

Tão espantoso quanto inconsequente. A Alemanha prossegue inabalável, ignorando o aumento da pobreza no país1 , bem como os efeitos do modelo para as “periferias” e propulsionando a globalização baseada no consumo predador de recursos naturais a nível da UE e global.

A discrepância entre as constatações de fracasso social e destruição ambiental por um lado, e a progressão triunfante da ideologia neoliberal por outro, é cada vez mais gritante. Porém, a gritaria não passa de música maviosa aos ouvidos das multinacionais e dos governantes incapazes que lhes servem de sabujos.


1 Segundo o 5º Relatório do Governo Alemão sobre Pobreza e Riqueza, referente a 2017,  15,7% da população vive abaixo ou no limiar da pobreza. Trata-se de quase 13 milhões de pessoas. Um aumento de 3% em relação a 2002.

 

Música para um domingo de manhã

Quinteto de plectro “Giuseppe Anedda” interpreta uma rapsódia de temas famosos de Ennio Morricone.

Estados Unidos das Bananas

Documentário do canal alemão DW “On Bananas and Republics” sobre o império construído pela empresa United Fruit Company (UFC), considerada a primeira grande multi-nacional. Como esta empresa dominou diversos países da América Central, tomou conta das respectivas infraestruturas e colocou os governos e militares desses países ao seu serviço. A tomada de posse dos caminhos de ferro, telégrafo e terras por parte da UFC. A estratégia do não pagamento de impostos, pioneira no agora omnipresente “planeamento fiscal”. A história de como a revolta dos trabalhadores na Guatemala foi transformada num problema político dos EUA, tendo conduzido a uma guerra civil que durou 36 anos. A forma como a UFC montou uma história sobre a Guatemala, sem paralelo com a realidade, como forma de conter a revolta aos países vizinhos onde ela operava. A dívida dos países da América Central como instrumento de consolidação de poder da UFC. A expressão”República das Bananas” cunhada por O. Henry em 1901 para descrever o regime das Honduras e países vizinhos onde empresas como a UFC podiam fazer tudo o que queriam.

Imagem do documentário “On Bananas and Republics” (clicar para ver)

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O retrato perfeito da nova extrema-direita

Negam a ciência, desprezam a democracia, vivem a religião de forma fundamentalista, cultivam vários ódios de estimação e querem perseguir, espancar e, se possível, matar quem não concorda com eles. De Trump a Bolsonaro, passando pelos novos tiranetes europeus. Felizmente, aqui em Portugal, (ainda) não passam de uma coluna de opinião num projecto de extrema-direita direita disfarçado de jornal.

A inversão completou-se

Os oprimidos passaram a opressores e os libertadores transformaram-se nos perseguidores.

Israel e Estados Unidos da América completaram a inversão dos papéis que tiveram na segunda guerra mundial.

Trump não faz estes ataques racistas por acaso. Ele tem uma forte base de apoio no seu eleitorado e nos congressistas republicanos, o que diz muito sobre a generalidade dos americanos também.

Na defesa do seu presidente, um congressista republicano, caucasiano, chega ao ponto de dizer que ele próprio é uma pessoa de cor. “I think we’re going way beyond the pale right now. They talk about people of color. I’m a person of color. I’m white. I’m an Anglo-Saxon”. A negação é, também, uma forma de perpetuação.

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Cristiano Centeno no Real Madrid?

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Fotografia: Julien Warnand/EPA

Centeno vinha de um país pobre, num contexto particularmente delicado. Treinou intensamente, deu nas vistas numa inesperada geringonça, ainda que sem grande futuro, e não demorou muito até que o seu talento despertasse o apetite de grandes emblemas estrangeiros.

Lá fora continuou a dar nas vistas. Tinha a rara habilidade de saber aproveitar os ventos favoráveis para apresentar números históricos, driblando os seus companheiros de equipa mais indisciplinados, ao mesmo tempo que iludia os sócios da instituição com o seu jogo de cintura.  [Read more…]

O sigilo bancário

Vox populi dixit, roubas um tostão e és um ladrão, roubas um milhão e és um sabichão. Inventei isto agora mas diversas variantes dizem a mesma coisa. Seja na versão do idoso que roubou uma lata de atum e viu o seu nome escarrado na comunicação social, seja no tom eufemístico com que os gestores de topo são tratados nas comissões de inquérito a cada falso ataque de amnésia.

O Banco de Portugal entrou novamente neste jogo ao não divulgar os nomes dos devedores que receberam os milhares de milhões de euros roubados aos rendimentos dos trabalhadores por conta de outrem. Segundo o seu representante máximo, Carlos Costa, tal deveu-se aos riscos de violar o sigilo bancário. Os biliões, como dizem os americanos, têm direito à proteção que o vulgar cidadão não tem. Experimente o leitor não pagar o IMI e logo verá quanto tempo decorrerá até ver o seu nome inscrito nas listas públicas de devedores ao fisco.

A incapacidade, para não adjectivar de forma mais incisiva, que os sucessivos governos têm demonstrado ao não conseguirem lidar com os parasitas do regime é o seu maior fracasso. E será, certamente, o estrume onde a extrema-direita há-de crescer.

As piadas políticas, como todas, são sempre questionáveis

Questionáveis e reversíveis.

“Todas estas dificuldades se agravaram no princípio de 1974”, lembra Balsemão, exemplificando com a obrigação de enviar as soluções das palavras cruzadas, “porque o autor, então, como hoje, Marcos Cruz (que é o pseudónimo da sua mulher, Mercedes Pinto Balsemão) usava as legendas para piadas políticas”. [Expresso, num artigo de 2009 titulado NÃO PUBLICAR]

Não custou nada. Parece que também sei fazer “piadas políticas”. A seguir vou fazer palavras cruzadas com a lista dos devedores da CGD, mas aí não tenho a certeza que haja soluções. Talvez o Expresso possa ajudar.

Qual é a entidade que mais prejudica a vida das escolas?

Continuo a defender que o Estado deve ter uma presença forte na área da Educação, de maneira a que se possa resistir a perversões que possam advir do capitalismo ou da religião.

Ainda assim, o peso do Estado não tem impedido que as escolas sejam vítimas de outras perversões. O facto de ter havido quarenta reformas nos últimos trinta anos só vem confirmar o que já escrevi há vários anos. Permita-se-me o pecado da autocitação:

Se o Ministério da Educação (MEC) tivesse algum poder sobre as salas de operações, qualquer cirurgião viveria em constante sobressalto, sem nunca ter a certeza se, no dia seguinte, sairia uma ordem de serviço que o obrigaria a operar com um talher de peixe ou se seria obrigado a substituir a anestesia por uma dose de bagaceira (em princípio, para o paciente).

As escolas são vítimas, em primeiro lugar, de uma pulsão de poupança, consequência da desvalorização da Educação. Entre tampões vários na carreira docente, que impedem a maioria de chegar ao topo de carreira, congelamentos e cortes salariais, para nos referirmos apenas aos professores, os últimos vinte anos corresponderam a um desinvestimento brutal na Educação.

Quanto ao resto, desde que não implique aumento de despesa, foram vários os poderes que puderam deixar as suas marcas na Educação, impondo alterações legislativas, curriculares, terminológicas e outras, num delírio que sobrecarrega escolas e profissionais da área.

A resposta ao título é, evidentemente, o Ministério da Educação, o que parece contradizer a minha fé no Estado, tendo como consolo utópico a frase de Churchill sobre a democracia como o pior sistema político à excepção de todos os outros. Por falar em utopias, pode ser que, um dia, os cidadãos se preocupem mais com Educação do que em invejar a nada invejável carreira dos professores e há sempre a possibilidade de que os professores comecem a lutar melhor. Nessa altura, os políticos terão de agradar ao povo, optando pela sensatez e pelo investimento consequentemente responsável. Nessa altura, o Ministério da Educação poderá deixar de ser o principal problema das escolas.

Mais uma incompetente na mais elevada posição da UE

Zensursula eleita presidente da Comissão Europeia. Com o apoio do PiS e Fidesz. Nada para admirar para um cargo que já acolheu nódoas como o Barroso.

O futuro do jornalismo

“45 Graus” é um podcast de José Maria Pimentel, “economista de formação e curioso por natureza”, onde um convidado e o próprio falam sobre temas diversos.

Na edição número 60, JMP e Gustavo Cardoso, professor catedrático e investigador de Media e Sociedade no ISCTE, falou-se do futuro do jornalismo e dos seus desafios actuais.

Conversámos, então, sobre vários aspectos deste tema: fake news e propaganda, modelo de negócio dos jornais, o papel dos privados e o papel do Estado, a importância do jornalismo para a democracia, a necessidade de reinventar o jornalismo. Falámos também das especificidades do mercado dos jornais em Portugal, como a particularidade (que a mim me parece um mau sinal) de quase todos os nossos jornais terem um posicionamento político supostamente ao centro.

Vale a pena a audição.

#60 Gustavo Cardoso – O futuro do jornalismo

«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros. [Read more…]

Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

Pare de mandar recados

‘Por que não te calas?’, perguntam uns e outros.

Haja caras que digam

Não é só três, como houve um cara que disse. (*)
… no gramado — como vocês dizem, eu digo relvado —, no gramado… (**)
— Jorge Jesus (*, **)

Pirate punk politician
I got you in a bad position
—  Perry Farrell

Blow, bugle, blow, set the wild echoes flying,
Blow, bugle; answer, echoes, dying, dying, dying.
Tennyson

***

Vida nova pára Casillas no FC Porto ou vida nova para Casillas no FC Porto? Trânsito pára em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio ou trânsito para em Lisboa esta sexta-feira à tarde para deixar passar Eusébio? Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio ou bloqueio nos fundos da UE para projeto [perdão] de milhões na área do regadio? Tribunal pára despejos num dia em que uma morte trava uma vitória ou tribunal para despejos num dia em que uma morte trava uma vitória? Ninguém pára a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto” ou ninguém para a “Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto”? No regresso para em Lourenço Marques para visitar uma irmã ou No regresso pára em Lourenço Marques para visitar uma irmã? Ninguém para o Benfica ou ninguém pára o Benfica? André Horta para um mês ou André Horta pára um mês? Ninguém para para o socorrer ou ninguém pára para o socorrer? Alto e para o baile ou alto e pára o baile? Para o bailinho ou pára o bailinho? Uma legislatura perdida para a Educação ou uma legislatura perdida pára a EducaçãoSalvio para a história ou Salvio pára a históriaMourinho para Portugal ou Mourinho pára Portugal (DDD, pp. 49-50)? Ah! O acento (e o assento). Ah! A Vida Nova. Ah! O Diário da República!

Efectivamente, no sítio do costume, é a vida velha:

Como diz Ana Cunha,

Este é um trabalho que está em curso, que continua.

De facto, está em curso, continua, não pára:

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Estamos a pagar para destruir a Natureza

 

João Vasco Gama

O património natural tem um valor instrumental estimável (cuja destruição causa danos materiais e humanos quantificáveis) e um valor intrínseco inestimável (quanto é que a extinção dos Koalas vai custar? O impacto na actividade económica pode ser reduzido, mas isso não quer dizer que não seja uma perda relevante…).

O debate racional sobre os impactos ambientais da actividade económica deveria encontrar-se entre dois extremos. Um extremo daria um valor infinito ao valor intrínseco e consideraria qualquer impacto ambiental da actividade económica inaceitável – seria voltar para as cavernas, por assim dizer. O outro extremo daria um valor nulo ao valor intrínseco e consideraria que apenas nos importa maximizar o lucro no longo prazo, considerando aceitável toda a transacção económica que produzisse uma mais valia superior ao dano ambiental na componente “instrumental”. Seria só ver cifrões à frente, e só querer saber do consumo (no longo prazo). As posições não extremistas mas racionais estariam algures entre estes dois extremos. [Read more…]

Uma legislatura perdida para a Educação

[Santana Castilho]*

O último debate da legislatura sobre o estado da Nação, que hoje terá lugar, glosará certamente a questão: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? É facilmente percepcionável o que resultou de Tancos, Pedrogão Grande, da degradação dos serviços públicos (Saúde e transportes, particularmente), da austeridade embuçada ou do nepotismo do Governo. Mas passarão anos até que se tornem evidentes os resultados dos erros cometidos em matéria de Educação e a sociedade seja confrontada com os custos de tanta ilusão e de tantos sofismas. [Read more…]

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Há festa na Comissão

A eufórica Comissária Europeia do Comércio

Já a caminho da porta de saída, pressurosa, a (ainda) actual Comissão Europeia celebrou mais dois sucessos referentes a acordos comerciais: no final de Junho, anunciou um acordo político sobre o acordo comercial com o Mercosul e assinou os acordos comerciais e de protecção do investimento com o Vietname.

O acordo EU-Mercosul é sem dúvida uma boa notícia para a indústria automóvel, sobretudo a alemã, e um amargo revés para os direitos humanos, a protecção do ambiente e do clima e para a agricultura de pequena escala. Declara-se a salvação do clima em Osaka, continuando a destruí-lo através do acordo UE-Mercosul.

Quanto ao acordo comercial com o Vietname, este país do sudeste asiático não ratificou, até à data, três das oito normas laborais fundamentais da OIT e as violações do direito do trabalho fazem parte da vida quotidiana. Por exemplo, os smartphones Samsung são produzidos no Vietname em condições de trabalho subterrâneo. Ora, tal como é regra nos acordos comerciais da UE, o Acordo UE-Vietname não contém quaisquer disposições vinculativas em matéria de protecção ambiental ou de direitos laborais.

Mas isso é, sempre que se trata de negócios, secundário; o regozijo pelo “maior acordo comercial do mundo” é enorme e nele está sempre presente a cantilena da vitória contra o proteccionismo de Trump. Acontece que “Fazer o oposto de Trump”, não é  exactamente o mesmo que continuar a assinar acordos que accionam a descida de padrões sociais e ambientais e estimulam o corrupio de produtos com ou sem sentido, à custa do descalabro climático.

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]