A vírgula que valeu 10 milhões de dólares

É um episódio envolvendo bens alimentares e política e não estamos a falar do queijo limiano.

O caso dos condutores de camiões de leite do estado norte-americano Maine que ganharam, graças a uma vírgula, um recurso contra o seu empregador, aqueceu os corações dos entusiastas da pontuação, escreve Mary Norris na The New Yorker.

Nada, mas nada – profanidade, pronomes transgénero, abuso de apóstrofes –  excita mais a paixão dos “geeks” da gramática do que a vírgula de Oxford.

Rita Carreira publicou um exemplo vívido sobre este elemento estilístico da Oxford University Press.

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Feliz Páscoa


Não esqueçam que “Deus é Humor“.
É importante.

Cristiano Ronaldo e os desacatos em Torremolinos

De todos os escritos que li por estes dias, a propósito dos acontecimentos de Torremolinos, houve um texto que me marcou de forma muito particular. Publicado no jornal ECO, o artigo de Rui Calafate (RC) é simplesmente fabuloso. Partindo do óbvio – que o CR7 é o maior – RC regista, logo no primeiro parágrafo, que o capitão da selecção nunca foi a Torremolinos em viagem de finalistas. Daqui para a frente é toda uma injecção sobre as qualidades do craque, que nasceu e cresceu num meio desfavorecido, que lutou e trabalhou muito, mais do que a maioria, para chegar onde chegou, e que continua a superar-se todos os dias. Sim, Rui, já todos sabemos o que vale Cristiano, não é preciso tentar transformar o homem numa multinacional e uma multinacional num exemplo de ética e boas práticas. [Read more…]

Os finalistas do Secundário segundo Maria João Marques

Dedicado à Maria João Marques, que nunca, nunca desilude

 

Cenário: quarto de hotel em Torremolinos. Dois finalistas perdidos de bêbedos. Fábio tenta pegar num colchão e arrastá-lo para a varanda. Tiago tenta ouvir o colega enquanto vomita.

Fábio: Man, ajuda aí a atirar com esta cena lá pa baixo!

Tiago: Pera, que tou a vomitar e não consigo ouvir.

Fábio: Mas tu vomitas pelos ouvidos, man? Na volta, ainda tens as pupilas gustativas nos olhos!

Tiago: Diz agora. Já vi que vomitei o jantar de anteontem, já deve ter acabado…

Fábio: Era para me ajudares atirar esta cena lá pa baixo, a ver se acertamos na piscina,´

Tiago: Man, não curto essa cena, porque esta cena é propriedade privada do hotel.

Fábio: Qu’é qu’isso tem a ver? Não vês que o governo  se vê, qual pasionaria em guerra civil, imbuído da missão de atacar a propriedade privada dos portugueses?

Tiago: , se o governo se vê embebido dessa cena, quessafoda o colchão!

Fábio: É isso, a malta tem ser bons alunos da geringonça, man!

Depois de atirarem o colchão, Tiago tem mais um acesso de vómito.

Fábio: Fogo, já paravas com essa merda.

Tiago: Não pode ser, sou contra a propriedade privada. O que eu tiver comigo é nosso.

Delírio em Torremolinos

Foi há 37 anos, em Abril de 1980, que no Parlamento português se falou sobre um grupo de centenas de estudantes, acompanhado por uma única professora (estagiária), que foram numa viagem de curso para Torremolinos. A então deputada do PS Teresa Ambrósio falava em quatro a seis jovens mortos em acidentes com motorizadas, duas jovens que se teriam suicidado, violência física, traumas psicológicos, acomodações vandalizadas, distúrbios nas ruas, roubos, em especial a supermercados, e esfaqueamentos em Algeciras.

Tudo isto para dizer que, houvesse por lá um smartphone, e o que estes jovens da classe de 2017 andaram por lá a fazer na semana passada seria reduzido a uma festa na garagem dos pais com 4 cervejas quentes a dividir por 30 e malta muito insana a cometer loucuras como praticar air guitar. E a diferença é mesmo essa. Não haver nenhum smartphone. Ou redes sociais para a miudagem se gabar do feito. Isso, os mortos, as facadas e os assaltos a supermercados (espero eu). É caso para dizer que já não se fazem rufias como antigamente. [Read more…]

Mais um grande artigo de opinião do Observador

O Observador publicou mais um memorável artigo de opinião, desta feita da autoria de Maria João Marques. Este é tão bom que entrou diretamente para o Top 3 de grandes artigos de opinião daquele respeitável órgão de comunicação social. Em primeiro lugar continua o artigo de João Marques de Almeida sobre o fim do Bloco de Esquerda. Em segundo está Alexandre Homem Cristo com um artigo sobre o aquecimento global datado de 2014, contudo este tem vindo a ameaçar a liderança de João Marques de Almeida à medida que os dados científicos vão saindo ano após ano. Há uma coisa comum aos artigos de Marques de Almeida e de Homem Cristo: um dia ambos terão razão. Nem que seja daqui a 5 mil milhões de anos quando o Sol terminar o seu ciclo de vida. Ah não, não vai nada terminar, Deus é que manda no Universo, que cabeça a minha, tsk, tsk.

 

Canções históricas

 

(e também por ocasião da Páscoa)

2 – Bella Ciao

È questo il fiore del partigiano
O bella ciao, bella ciao, bella ciao ciao ciao
È questo il fiore del partigiano
Morto per la libertà

Notícia? 

Quando o título, sobre a motherfucker das bombas, atravessa a comunicação social com mais eficácia do que os mísseis disparados enquanto se mordisca uma fatia de bolo de chocolate – the best, absolutely – lembramo-nos da imprensa como caixa de ressonância, em vez de fonte de informação.

Eis o processo de destrumpetização em curso. 

Impostos “à la esquerda”

Um aplauso para Assunção Cristas, que teve visão suficiente para perceber o que nos esperava e desmontou o embuste. Um “orçamento de austeridade à la esquerda“, pleno de impostos esmagadores que arruinariam o país, deixando-a à mercê do geringonçismo parasita.

Só que não. Pelo menos a julgar pela análise do Conselho de Finanças Públicas, revelada esta semana, que aponta para uma queda da carga fiscal em 2016, a primeira desde 2012. Já nem o CFP da Dra. Teodora Cardoso escapa à sovietização em curso. Mas não nos deixemos enganar: o maior assalto fiscal de sempre começou no dia 1 de Fevereiro de 2017. Portugal nunca mais será o mesmo após o brutal aumento de impostos sobre os refrigerantes.

Imagem via Uma Página Numa Rede Social

Semana Santa em Braga

A Procissão da Burrinha, e é pena, não percorre mais que umas quantas ruas da zona antiga da bimilenar cidade de Braga. E é pena porque talvez desse jeito fosse o jeito de a cidade ser mantida, de forma sistemática, limpa, arejada e digna. É pena, não é assim. Assim, os moradores das Enguardas (ali para o Feira Nova) terão que esperar que passe a “semana santa” para que os serviços da semi-municipal Agere se decidam a cumprir as promessas telefónicas.
O bidon do óleo já ali está há uma semana; o sofá também.
Pena é que sem uso e serventia, o sofá, quisesse alguém sentar-se a apreciar a cidade que não semeia um único jardim ou parque desde pelo menos 1976…

De como a perspectiva nos interpela e invoca

A lamentação de Cristo, tema que apenas surge após o sec. XI sem qualquer ligação bíblica, nunca antes nos fora mostrado como Andrea Mantegna o fez, sem ser enquadrado na sua deposição da cruz amparado por várias personagens, ou ao colo de Maria.

Andrea_Mantegna_Lamentação_de_Cristo

Mantegna oferece-nos um corpo não definhado nem débil, mas forte, apesar de já exangue, depositado sobre uma laje, evidenciando as perfurações a que foi submetido nas mãos e nos pés, com os rostos de Maria, S. João Evangelista e, possivelmente, Maria Madalena, sem aflorar seus olhos, [Read more…]

Medo

 

Não é só a comparação que assusta. É ver o porta-voz do governo mais poderoso do mundo agir como um pirómano amador, engasgado na sua própria ignorância, perante o olhar incrédulo dos jornalistas e do mundo. É perceber que nos governam tipos como Donald Trump, coadjuvados por personagens como a senhora dos factos alternativos, e que a paz podre que reina na quase totalidade do mundo poderá em breve ser substituída por sabe-se lá o quê. É o mundo que é hoje um lugar mais perigoso, e a procissão não passou sequer o adro da igreja. São muros no México, porta-aviões na Coreia do Norte, misseis na Síria, que o gajo confunde com o Iraque, e o planeta em suspenso enquanto o lunático se entretém a fazer disto o seu próprio reality show, com os botões nucleares mesmo ali à mão. E somos nós que parecemos pouco preocupados com tudo isto. E isto não está para brincadeiras.

video via Uma Página Numa Rede Social

Universidade Católica ocupada por radicais de esquerda

A Universidade Católica, home of the brave, poderá ter sido ocupada, com a violência que tal acarreta, por radicais de esquerda ao serviço da Geringonça. Só isso explica a apresentação de tais dados, aritmeticamente impossíveis, sobre o crescimento do PIB português no ano corrente. As estimativas da universidade apontam para um crescimento de 2,4% em 2017, algo que não pode ser verdade, pelo menos a julgar pelas profecias apocalípticas do culto de Belzebu, sempre rigorosas. Nem o governo consegue ser tão optimista, pelo que não podemos estar perante outra coisa que não seja um grande embuste, fabricado no lodo soviético-venezuelano em que o país se encontra aprisionado, refém de comunistas e bloquistas, onde investidor algum porá o seu dinheiro. A claustrofobia democrática é assustadora. Não demorará muito até que estejamos a lutar por sacos de arroz no corredor de um supermercado vazio. O horror.

Gráfico: INE e UCatólica via Jornal de Negócios

Deputado Leitão Amaro acusa “um governo socialista” por causa dos swaps. Fala verdade ou mentira?

O Deputado Leitão Amaro, do PSD, sacudiu a água do capote. A acusou “um governo socialista” e afirmou que os swaps “foram assinados no tempo do governo de José Sócrates”.

O governo em funções é o responsável máximo, isso é claro. Mas há muita gente com responsabilidade pelo caminho. É o PSD assim tão inocente como afirma o deputado Leitão?

É o que vamos ver neste post.

Metro do Porto (Foto: Jcornelius)

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Isso foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis

Que coisa grotesca.

“Estava sentado à mesa, tínhamos acabado de jantar, e estávamos na sobremesa”, conta. “Tínhamos o melhor pedaço de bolo de chocolate que alguma vez vi. O Presidente Xi estava a apreciar. E eu recebi as mensagens dos generais que os navios estavam carregados e preparados, o que quer fazer?”.

“E decidimos avançar”, continua Trump. “E eu disse, Sr. Presidente – isto foi durante a sobremesa – acabámos de disparar 59 mísseis (…) a caminho do Iraque”.

“A caminho da Síria?”, diz a jornalista. Trump pára por segundos e depois corrige: “Sim, a caminho da Síria”. [RTP

A ligeireza, a burrice, o ar de parvo. Tudo em Trump é asqueroso. E perigoso. Até o recursos aos mísseis para tapar a ausência de popularidade.

Obrigado Passos. Obrigado Maria Luís Swaps. A vossa contribuição para o Diabo é preciosa.

Falemos então de governos que tomaram medidas extraordinárias para maquilhar o défice.

Governo dá por perdida batalha dos swaps contra Santander Totta
Entendimento põe fim aos litígios judiciais. Empresas públicas de transportes devem mais de 500 milhões em juros por pagar.

O processo durava há alguns anos, tendo o conflito com o Santander tido início em 2013. Nesse ano, o Governo de Pedro Passos Coelho chegou a acordo com várias instituições financeiras que tinham estabelecido este tipo de contratos de swaps com as empresas públicas, mas o Santander Totta acabou por ficar de fora. A decisão de interromper o pagamento das perdas sofridas nesses contratos foi tomada pela ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. [Luís Villalobos, Público, 12/04/2017]

E quanto à Miss Swaps de Arrows:

No centro das críticas a que tem sido sujeita, está a sua passagem pela Refer, entre 2001 e 2007. Na qualidade de director do departamento de gestão financeira da empresa pública, contratou vários produtos de cobertura de risco, para proteger a dívida da empresa das oscilações das taxas de juro. Dois dos produtos que contratou foram classificados pelo IGCP e pela consultora StormHarbour – entidades que assumiram a análise deste tipo de contratos após instrução da própria secretária de Estado – como complexos e arriscados. [Pedro Ferreira Esteves, Negócios, 01/07/2013]

Arranjai uma corda, atem-na acidentalmente ao pescoço e experimentem saltar de uma árvore.

Revisão em alta do ressabiamento à direita

após revisão em baixa do valor do défice de 2016. Façam barulho para a aritmética da Dra. Maria Luís!

Mistérios

“Perro semihundido” (detalhe), de Francisco de Goya y Lucientes

 

O cão passa os dias e as noites na loja do dono. Pela manhã, ainda antes da abertura da loja, costumo vê-lo deitado ao sol, muitas vezes ainda a dormir, patas comicamente viradas para cima, uma imagem que faz sorrir quem passa e fez dele o favorito da rua. Outras vezes, segue-nos com uns pequeninos olhos negros que parecem de urso de peluche.

Hoje, porém, estava sentado e olhava a parede de granito iluminada pelo sol. Era bela a parede, de sombras rugosas suavemente esbatidas, e belo o cão. Imóvel, de perfil para nós, os que passamos na rua, que desta vez não conseguimos chamar-lhe a atenção, e atento ao percurso do sol na parede até aqui sempre fria. [Read more…]

Eles comem tudo e não deixam nada

Segundo o Expresso, “Fisco e Segurança Social levam 41,5% do salário médio dos portugueses“. A menos que, claro, tenha os recursos necessários para praticar a santíssima evasão fiscal, grito do Ipiranga da minoria multimilionária oprimida. Caso pertença a esta sofredora minoria, enclausurada neste país esquerdalho de confiscos mil, poderá ainda acumular a fuga aos impostos com financiamentos variados, custeados pelos palermas sem acesso ao liberalismo das Ilhas Caimão, bem como beneficiar de uma das muitas amnistias fiscais que os governantes do arco têm para lhe oferecer. Tudo isto à distância de um par de luvas, de uma simpática contribuição para a próxima campanha eleitoral ou de um lugar num conselho de administração perto de si. Não perca esta oportunidade e empreenda já!

Psttttt….

“Precisas de uma ajudinha para arrancar isso da lapela?”

Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

Passos Coelho e a estratégia de não levar Portugal a sério

Passos Coelho quer uma “estratégia verdadeiramente nacional que não oculte os problemas”. Saúde-se o empenho do líder do PSD, agora que o seu percurso à frente do partido se encaminha trágica e penosamente para o precipício, mas não deixemos que façam de nós parvos. Ou será que alguém se recorda de alguma “estratégia verdadeiramente nacional” do anterior governo? Seria aquela treta de reforma do Estado de Paulo Portas? Calma, não se cansem a pesquisar. Essa estratégia nunca existiu. [Read more…]

O futebol ama a dor: apontamentos humorísticos e solidários

[André Camandro]

Fala-se tão pouco do futebol amador. Quanto a mim, é injusto que mereça tão pouca atenção de todos nós, como dos média, que persistem em ignorá-lo, quase como se de certas modalidades profissionais, como o atletismo ou o hóquei em patins se tratasse. Como disse, não é justo. Todos nós, os futebolistas amadores, mereceríamos certamente mais. Se não podemos competir com os profissionais no talento, ou no ordenado (no fundo, em quase nada), resta sempre algo em que, vou imodestamente assumi-lo, somos iguais: as lesões.

É verdade. Falo de lesões tão graves que nos mantêm longos meses afastados dos relvados. É o único plano, geralmente horizontal, em que podemos competir com Maradona. Claro que é uma vantagem, quando isto acontece, não termos um contrato ou um ordenado a perder. Mas não chega. Os danos morais são enormes, e atingem famílias inteiras. É para vos falar de uma dessas lesões, e do drama que se lhe seguiu, que escrevi estas linhas. No fundo, é uma homenagem. Ao amadorismo, à falta de talento, à inépcia pura, mas também à paixão, que poderia comparar à de um qualquer Garrincha. [Read more…]

Os miúdos da rede não gostam de colchões. 

É a geração da rede, sempre ligada, no WhatsApp, Twitter, Facebook, Snapchat, com os seus feitos heróicos amplificados  com álcool e  views. Santinhos é em Fátima e colchões é oldskull, por isso, piscina com eles.

Dois tweets de um dos alunos envolvidos na tal viagem de finalistas – descaracterizados e sem link, dado o envolvido ser menor.

Não se pode tomar a parte pelo todo. Da mesma forma que não se pode enveredar por teses desculpabilizadoras quanto ao que se passou. Na televisão ouvi um responsável da CONFAP falar da necessidade de fazer alguma coisa e que, talvez até, fosse preciso mudar a lei. Uau. Outro que resolve problemas pela via legislativa. Há muitos assim. [Read more…]

Tadinho

PS: DJ B., não vás a Torremolinos. Nem ao Red Light District da tua Amesterdão.

Rodolfo tem razão

Não há contacto

– Rodolfo Reis, 2/4/2017

Sai do meu sangue, sanguessuga que só sabe sugar.

Caetano

***

Efectivamente, não há.

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Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

[André Rodrigues]

O meu primeiro ano da Faculdade foi uma espécie de pesadelo, apenas no segundo viria o gosto de estudar e aprender e, ocasionalmente, algumas notas boas, que são o menos importante, ou deveriam ser.

Nesse primeiro ano, no meio da prosa “barbaramente académica” em que nos afogávamos, havia dois livros (“Estudos de História da Cultura Clássica”, vols. I e II, da FCG), escritos numa linguagem que era, ao mesmo tempo, clara e rigorosa, simples e de uma riqueza profunda. Dava-me a entender uma relação privilegiada com a língua portuguesa, própria daqueles quem lhe conhecem a ossatura.

Maria Helena da Rocha Pereira (MHRP) levava-nos pela mão para aprendermos o que diz um vaso grego sobre a vida daqueles que o fizeram, falava do escudo de Aquiles como um passaporte para uma outra civilização. Falava para todos, alunos do primeiro ano e especialistas, com a mesma clareza cristalina. [Read more…]

Só vejo uma equipa capaz de derrotar o Benfica

Atendendo ao jogo que o Benfica tem colocado em campo, só vejo uma equipa capaz de o bater – o Canelas! E, mesmo assim, dependeria muito do árbitro.

Legendas

A legendagem de filmes – primeiro – e das emissões televisivas – depois- foi uma das raríssimas heranças positivas dos tempos “da outra senhora”. Não que a ditadura tivesse preocupações com a integridade da criação artística, como acontece hoje connosco. Longe disso. A verdade é que a legendagem funcionava – independentemente da sua qualidade – como uma última barreira de censura.

A primeira era a proibição pura e simples, a segunda os cortes – por vezes brutais – e, finalmente, a legendagem. A dois níveis: um primeiro, a adulteração das falas, um segundo decorrente da simples dificuldade, ou impossibilidade, da sua leitura dada a baixíssima literacia da maioria da população. As coisas melhoraram muito depois da queda da ditadura e chegaram a elevados níveis na qualidade de tradução. [Read more…]

Diga lá outra vez, Dr. Montenegro

Um mês depois de ter afirmado que “a bancada do PSD não está ressabiada com nada“, o partido a cuja bancada parlamentar preside o Dr. Montenegro, vem comunicar ao país que ainda não ultrapassou o trauma de viver em democracia. Luís Montenegro acusa o governo de reescrever a história, mas é precisamente o seu partido que a quer reescrever. Uma história em que a democracia representativa, esse capricho da extrema-esquerda, perde a sua legitimidade. Infelizmente, para os alegadamente não-ressabiados da direita, reescrever a história não vai chegar. Vai ser preciso reescrever a Constituição da República Portuguesa. Acontece que, pelo andar da carruagem, PSD e respectivos amiguinhos do Caldas estão cada vez mais afastados dos dois terços de parlamentares necessários para conseguir abolir a democracia representativa. Algo que, é sabido, só pode ser obra do Diabo. O drama, a tragédia e o horror do costume.

imagem via Uma Página Numa Rede Social