CETA COUNTDOWN

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A um passo daquele facto que, consumado, nos deixará mais marionetas

No forte movimento de cidadãos contra os tão eufemisticamente chamados acordos de comércio livre – mas que sobretudo produzem, comprovadamente, maior desigualdade social e contribuem para a degradação do planeta – estamos neste momento de olhos postos no próximo dia 15 de Fevereiro em Estrasburgo. É já nesse dia que o Parlamento Europeu irá votar o CETA, o acordo que, malgrado a actual divergência de princípios (o da precaução europeu e o científico americano) e de padrões (p. ex., níveis de protecção mais elevados para produtos alimentares europeus) vai impor uma harmonização entre os padrões europeus e os canadianos. A fim de garantir, também futuramente, essa concertação, o CETA prevê um mecanismo de harmonização regulatória sobre o qual muito pouco se sabe, mas que em todo o caso estará sujeito a forte pressão dos lobbies que já foram consultados durante a elaboração do acordo. Mas a maior ameaça que o CETA coloca é a criação de um tribunal arbitral especial (ICS) que permite a investidores estrangeiros processar estados por legislação que possa afectar “as suas legítimas expectativas de lucro”. O que o tratado não especifica é qual é o significado exacto desta formulação e também não assegura a imparcialidade dos árbitros que irão tomar as decisões. [Read more…]

Última hora 

Cavaco vai publicar um livro. A Academia  Sueca  está atenta.

Aníbal e as 5ª feiras – Ensaio de compreensão 

Tratemos então de coisas sérias. Brinquei aqui com o futuro livro de Aníbal Cavaco Silva sem o ter lido. E, sejamos esperançosos, pode ali estar uma obra prima a caminho. O que me leva a pensar isto? As pequenas citações que dele ouvi nos telejornais. Aníbal, com a abissal profundidade do seu pensamento, perscruta o espírito daqueles com que partilhou o poder. Mas, objectareis vós, aquilo não é um rosário de banalidades mesquinhas e completamente desinteressantes? À primeira vista assim parece. Mas tentemos olhar mais longe. Que nos diz, Aníbal, em resumo? Que as reuniões com Mário Soares eram sonolentas. Que Sócrates se atrasava muito, falava muito, mas, a dado momento, despertou-lhe a suspeita de que nem sempre dizia era verdade. Passos Coelho, por sua vez, não sabia o que dizer, optava pelo silêncio inicial, mas respondia obedientemente ao que lhe era perguntado.  [Read more…]

Debaixo dos nossos narizes

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O Aventar lançou recentemente uma iniciativa que visa analisar os famosos ajustes directos (AD), instrumento em voga nas autarquias portuguesas. Uma tarefa hercúlea que, face às condições que se nos apresentam, pouco mais nos permite que um suave scratch the surface.

Ainda assim, parece-me uma excelente iniciativa. Sei que sou suspeito para fazer considerações destas, mas a verdade, e esta é mesmo absoluta, é que por muitas vantagens que esta modalidade de contratualização pública possa ter, os ajustes directos são um convite ao compadrio e ao pequeno tráfico de influências que está presente em muitas, senão na grande maioria, das autarquias portuguesas. [Read more…]

Realidade Alternativa

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Turismo de Portugal?????

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Estou admirado? Não. Espantado? Não. Surpreendido? Também não. Mas, pelos vistos, muitos estão. O que me espanta é ver alguns admirados.

Ora vamos lá contar uma história. Aliás, os blogues também servem para contar histórias. Era uma vez um país chamado Portugal. Os seus governantes decidiram criar uma coisa chamada “Turismo de Portugal” para fazer aquilo que competia a uma Secretaria de Estado do Turismo. Os governantes desse mesmo país, não satisfeitos, decidiram criar uma espécie de “delegações” desse tal de Turismo de Portugal (TP): o Turismo do Porto e Norte de Portugal, o Turismo do Centro, o Turismo de Lisboa e Vale do Tejo (este não se entende muito bem pois já tinha o Turismo de Portugal por sua conta), o Turismo do Alentejo e o Turismo do Algarve. Sem esquecer o da Madeira e o dos Açores tutelados pelos respectivos governos regionais. Só não criaram o Turismo das Selvagens (olha o Aventar a dar ideias).

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Uma questão pertinente

Pode alguém explicar-me as diferenças entre o livro do Acabado Tabaco Silva e o livro do Arquitecto Saraiva?

Barco (laranja) ao fundo!

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A SIC e o Expresso, desse perigoso esquerdalho que é o senhor Balsemão, encomendaram mais um estudo à Eurosondagem. O resultado demonstra que o país leva cada vez menos a sério o PSD de Passos Coelho, que registou o pior resultado desde as Legislativas de 2015. Mesmo em coligação estatística com o CDS-PP, a combinação de forças não vai além dos 36,2%, bem abaixo dos 37,8% obtidos pelo PS. E o CDS-PP só escapa ao último lugar da tabela porque existe um pequeno partido, sem os recursos ou a influência dos seus pares, chamado PAN. Caso contrário seria a confortavelmente a força partidária mais irrelevante deste país. Assunção Cristas está a fazer um excelente trabalho. É deixá-la andar. [Read more…]

A insustentável permanência de Mário Centeno

Faz muito bem a oposição em não dar por encerrada a polémica em torno da CGD. Está em causa sabermos o carácter, a idoneidade, ou falta dela, de quem nos governa. Alguém no seu perfeito juízo, excepção feita às cheerleaders do costume, que passam o tempo a tecer loas à governação, acredita que o anterior presidente da CGD esteja a mentir? Que não terão sido feitas promessas? E com franqueza, contratar advogados da parte interessada para alterar uma legislação à lá carte, não será próprio de países tipo república das bananas? Para fugir ao escrutínio do parlamento os bananas da república legislaram por decreto, o Presidente promulgou e não fosse a oposição ter apresentado o caso, estariam todos comodamente instalados a tratar da vidinha, business as usual. À boa maneira tuga, quando a coisa deu para o torto, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa trataram de dizer que era necessário apresentar as declarações. Como se não tivessem sido proferidas declarações por Mourinho Félix e Mário Centeno… Como se não tivesse sido promulgado um Decreto que afinal não servia para nada… [Read more…]

Perplexidades

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O Semanário Sol anuncia na capa da edição que sairá hoje para as bancas o interesse por parte da afamada Uber em contratar um ex-ministro ou secretário de estado para lobista de serviço da empresa. Se não tivesse efectuado a minha habitual e higiénica pesquisa no google por casos análogos e não tivesse encontrado estes dois resultados (aqui na Folha de São Paulo; aqui no Diário Argentino La Nación) seria capaz de acreditar que este redondo título não passaria novamente de mais uma mentira de pinóquio da malta que consta da lista de pagamentos do Álvaro Sobrinho. Eu sei que o Marvin Zeegelaar também consta desse payroll. Paga-se um bocadinho caro mas é o que há. 

A lista de candidatos em Portugal a este tacho é longa eu sei, mas, realmente perplexo fico quando vejo que Marco António Costa não figura no topo dessa mesma lista. O facto de não ter 5 anos de experiência em funções governativas não deve ser, porém, impeditivo de ser chamado pelo menos a uma entrevista para avaliar as suas capacidades. É que MAC já conta com mais de duas décadas de experiência profissional altamente qualificada em lobismo, gangsterianismo, ilegalidades e banditismo político.

Da série: as cocas que andam por aí (2)

Aqui, na sábado. Toda a gente sabe que um português acorda louquinho por um latte de 4 dólares, tem 146,4€ diários dispensáveis aos 55 anos e bancos saudáveis para conceder taxas de juro de 12%. 

Indisciplina nas escolas: a culpa só pode ser de quem?

O Paulo Guinote já teceu alguns comentários acerca da entrevista a João Sebastião, investigador do ISCTE e antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar. Como a entrevista é curta, aproveitarei para comentar cada uma das respostas. Comecemos.

A indisciplina em sala de aula é um dos problemas da escola portuguesa?
O principal problema da escola é o insucesso escolar porque o objectivo da escola antes de tudo o mais é o de ensinar. Portanto, desviar o assunto para a indisciplina é desviar do essencial. Dito isto, lembro que a questão da disciplina é comum a todas as organizações, não é um problema específico das escolas. Trata-se de garantir que todos os indivíduos nessas instituições tenham comportamentos semelhantes e expectáveis.

João Sebastião começa por não responder à pergunta, preferindo falar daquele que considera o principal problema e não de um dos problemas.

Depois, de certa maneira, considera que a pergunta é um desvio, deixando claro que o assunto não faz parte do essencial.

Finalmente, resolve continuar a não responder, recorrendo à técnica da generalização, talvez acreditando que um problema desaparece se for comum a várias instituições, o que faz tanto sentido como, face a alguém que se queixe de uma dor, dizer-lhe que o mundo está cheio de pessoas na mesma situação. [Read more…]

Praxes académicas em Braga

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Ricardo Luís Sant’Anna

Ontem antes de ir dormir dei de caras com esta fotografia.
Nela podemos ver um grupo de estudantes de Biologia Aplicada da Universidade do Minho faz uma praxe. Até aí nada de novo; o que me deu a volta ao estômago completamente foi reparar que um dos praxados ostentava uma braçadeira do partido nazi! Não era apenas a imagem de uma suástica, utilizada por inúmeras culturas ao longo dos milénios, mas a típica braçadeira vermelha, com a suástica preta em círculo branco.
Não há possibilidade de engano.
No passado dia 27 de Janeiro celebrou-se a nível mundial o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, e ontem, dia 9 de Fevereiro, os alunos da prestigiada Universidade do Minho andavam a brincar.
Duvido que tenha partido do caloiro.
Não é admissível que isto aconteça no tempo em que vivemos, muito menos em supostos estudantes do ensino superior que tem por obrigação conhecer um mínimo de história.

Estamos a tornar-nos em bestas insensíveis?

Crónicas do Rochedo XIII – Sim, o Porto

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O Porto voltou a ser “Europe’s Best Destinations 2017“. Tive o cuidado de escrever “o Porto” e não “a cidade do Porto” porque no Porto e neste prémio entra Gaia (pelas Caves, pela Serra do Pilar, pelas vistas fabulosas para a Ribeira do Porto e pela Afurada), Matosinhos (por Matosinhos Sul, pelos seus restaurantes onde se come o melhor peixe e marisco), por Braga e Guimarães sem esquecer o Douro Vinhateiro para onde se deslocam muitos dos turistas que visitam a cidade do Porto aproveitando para conhecer um pouco mais o Norte de Portugal.

Seria o mesmo que ganhar Palma de Maiorca, a que carinhosamente chamo de “Rochedo” e não sublinhar que seria pela cidade mas também pela Tramuntana, pelas praias de Cala D’Or, pelo Parque Natural de Mondragó, por Artá ou Es Trenc. O Porto é mais do que as fronteiras administrativas da cidade. Assim como Palma.

A pergunta que alguns fazem é “Mas porquê o Porto?”. Não é a cidade portuguesa mais visitada, essa é Lisboa. Nem é um destino de sol e praia como o Algarve. Pois não. Porém, é (era) um dos segredos mais bem guardados da Europa. E quanto mais conheço a Europa, mesmo sendo ainda pouco, muito pouco, menos me espanta que o Porto seja eleito por internautas de mais de 170 países – mesmo sabendo, tenhamos todos noção, que as campanhas internas de apelo ao voto certamente ajudaram muito a este resultado, sobretudo desta vez. E já agora, se me permitem um pequeno desvio, os parabéns a quem desenvolveu a referida campanha pois estava muito bem feita.

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Gabriel Jesus e Yuya Osako: dois fenómenos a emergir no futebol europeu

Pelo que tenho visto dos últimos jogos do Manchester City, sinto-me inclinado a dizer que sim. Pelas suas características, Gabriel Jesus encaixa perfeitamente no futebol que se pratica em Inglaterra e mais concretamente na filosofia de jogo de posse que Pep Guardiola não tem conseguido trabalhar no louco futebol dos citizens.

Contratado ao Palmeiras por uma batelada de massa (27 milhões de libras), nos primeiros jogos em Manchester, o brasileiro está a valer cada cêntimo que o City pagou pelo seu passe, e está a dar um pequeno cheirinho do grande avançado que pode ser no futuro. Com um índice de trabalho fora do normal, Gabriel é um avançado que foge invulgarmente às habituais características dos avançados brasileiros: o jogador que passa grande parte do tempo do jogo no último terço à espera que a equipa lhe conceda bolas para brilhar no drible individual. Gabriel Jesus não é aquele avançado que molda a equipa em redor do seu futebol mas sim aquele avançado que se molda em função do que a equipa pretende que ele seja em cada momento do jogo. Isso é neste momento a maior característica que um avançado moderno deverá possuir para singrar no mundo do futebol.

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E se os linguistas dão o alarme? Dêem ouvidos

deemNo Público de hoje, Rui Tavares, de modo muito avisado, chama a atenção para a importância de, no mínimo e com espírito crítico, darmos ouvidos aos historiadores, tendo em conta as perigosas semelhanças entre alguns acontecimentos da actualidade e outros que, no passado, vieram a dar origem a ditaduras ou a confrontos bélicos. O título do texto é “E se os historiadores dão o alarme? Dêem ouvidos”.

Esta tendência para não ouvir precisamente os especialistas é geral. Nos mundos profissionais em que me movo, é, até, grave. Na Educação, por exemplo, as opiniões dos professores são frequentemente desvalorizadas, com a desculpa de que são parte interessada e, portanto, desinteressante, deixando o espaço público inundado por especialistas de gabinete que tudo sabem (ou julgam saber) sobre o que deve ser uma aula ou uma escola.

Acontece que Rui Tavares é um defensor do chamado acordo ortográfico (AO90), tendo-se já pronunciado sobre o assunto com a frontalidade e o voluntarismo que o caracterizam, o que o leva, em relativa coerência, a declarar que adopta o AO90 nas suas crónicas, num jornal que continua a resistir ao uso desse instrumento, numa sã convivência de diferentes visões sobre a ortografia. [Read more…]

Truques na imprensa de Braga?

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Será Braga a capital dos “factos alternativos”?
Parecem estar na moda.

No Índice de Transparência Municipal de que há dias se vem falando, Braga surge na posição 235 por entre 308 municípios – claramente, uma péssima prestação por parte da cidade onde o arcebispo convida os paroquianos a pagar propinas na sua universidade, da nanotecnologia, cidade do Desporto, dos Joões, das Malafaias e da Juventude Iberoamericana.

É possível dizer-se que Braga tem, nesta matéria, um péssimo desempenho sem o dizer? Aparentemente, sim, é possível. Basta fazer como o Correio do Minho: falar por omissão.

As classificações no Quadrilátero minhoto:
Vila Nova de Famalicão: 42
Guimarães: 61
Barcelos: 162 (±meio da tabela)
Braga: 235

Ora, onde entram os “factos alternativos”?
Precisamente no título do artigo com que o Correio do Minho brinda os seus leitores: Famalicão lidera no ranking (o que não deixa de ser verdade).

Mas não é estupidamente mais relevante BRAGA, até pela sua dimensão, Braga ter, de longe, a PIOR classificação?

Nepotismo americano

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Podia ser uma grande produção hollywoodesca mas não é. Está mesmo a acontecer. O discurso incendiário, o muro, a confrontação, o insano do Bannon, a sucessão de tweets, o Putin, o fecho selectivo de fronteiras, o inimigo árabe, com o devido regime excepcional para a Arábia Saudita, o Brexit, a Le Pen. De um momento para o outro, o mundo está virado de pernas para o ar. Em Bucareste há quem tente liberalizar a corrupção. Em Moscovo legaliza-se a violência doméstica. Vale tudo. Até arrancar olhos.

Na nova América de Trump, há algo de José Eduardo dos Santos no ar. O genro de Donald, Jared Kushner de seu nome, é um tipo que pelos vistos faz bons negócios e casou com a filha do homem mais poderoso do mundo, era ele ainda apenas um dos homens mais poderosos do mundo. Agora é conselheiro da administração norte-americana. Só pode ter sido por mérito. [Read more…]

Monsanto, Roundup e o seu molho de pesticidas

Da próxima vez que usar o molho de soja, não se esqueça de ver este vídeo a seguir. Eis a história de como na Europa, em 1990, se aumentaram os valores máximos de glifosato 0.1 para 20 mg/Kg, para que os níveis deste pesticida nos produtos agrícolas ficassem dentro dos valores legais.

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Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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Grande avanço científico!

Graças a um estudo recente, descobriu-se que ficar debaixo de uma pedra com quatro toneladas ajuda colunistas russos a deixarem de escrever alarvidades.

Cartas viciadas

Não há pois na “carta”  de António Domingues ao ministro Mário Centeno publicada pelo jornal  ECO qualquer sustentação para o lead da notícia que afirma que “António Domingues tinha um acordo com o ministro das Finanças para não entregar a declaração de rendimentos no Constitucional”. Apesar da falsidade da afirmação ela foi publicada por todos os jornais e televisões sem qualquer análise dos termos da citada carta.

No debate parlamentar desta tarde o PSD e o CDS não se coibiram de afirmar que o ministro Mário Centeno “mentiu” sem se preocuparem minimamente em analisar o que de facto está escrito na carta de António Domingues. Imprensa, rádio e televisão repetiram a acusação e cavalgaram a onda.

Estrela Serrano afirma que o  jornal ECO publicou uma notícia com afirmações que não se extraem  dos excertos apresentados. Ou seja, inventou uma notícia. Isto é, aderiu à pós-verdade.

Mas não foi uma “notícia” inútil. Serviu o propósito de dar substância ao debate parlamentar de ontem à tarde.

É isto o melhor que a oposição tem? Está ao nível de quando foi governo.

Fórum TSF: O que fazer com o Acordo Ortográfico?

Por mim, rasgar. Neste momento, ‘rasgar’ tem 73%. Obrigado.

Cada vez mais claro

Que o governo mentiu aos portugueses.

Quanto tempo deve demorar uma consulta?!

cronometro-300x300O facto de se estar a discutir quanto tempo deve demorar uma consulta médica é, só por si, um péssimo sinal, um de muitos que indicam retrocesso no que se refere aos direitos mais básicos, tudo porque o mundo está dominado pelo gestor-economista-empreendedor-consultor, esse sábio global que tudo ordena sabendo nada e sem a consciência de que nada sabe. É esta mentalidade simplista que reduz o mundo a folhas de cálculos, competitividade, estatísticas e rankings, tudo em nome de um liberalismo, no fundo, muito controlador.

Uma das grandes lutas do século consistirá em recuperar a autonomia das várias áreas de actividade. Um hospital é um hospital é um hospital, uma escola é uma escola é uma escola e uma pessoa é uma é uma pessoa. Se qualquer profissional é competente e sensato até prova em contrário, o tempo de uma consulta médica deve depender de um médico e nunca de uma besta quadrada com um cronómetro na mão.

Observador Enganador

É a melhor imagem ilustrativa da coisa. E da autoria do próprio.

Assim se apanha um liberal na curva 

João Miguel Tavares derrapou há dias numa crónica que escreveu no Público. 

O cronista tem-se definido como um  liberal, paladino do conceito de ficarmos todos melhor se tivermos menos Estado. Associadas a esta ideia costumam andar outras, como o privado é mais eficiente do que o público, ou a escolha individual não deve ser condicionada pelo interesse colectivo, ou, ainda, o melhor governo é aquele que não governa, já que o Estado deve ser mínimo mínimo e, portanto, poucas incumbências terá. 

Acontece que na frase que se destaca no seu artigo, Tavares escolheu rebaixar a “geringonça” usando como pretexto que esta nunca poderá governar o país devido a qualquer coisa que lhe passou pela cabeça. Governar o país! Que coisa tão pouco liberal. Então, não é a mão invisível que deverá conduzir a economia? Não são os cidadãos que devem ser livres de fazer as suas suas escolhas? Não deverá ser o governo um simples gabinete que faz sabe-se lá o quê, mas que deverá ser pouco? 

Pode acontecer a qualquer um. Mesmo àqueles, como João Miguel Tavares, que defendem para este governo o que o anterior não lhes deu, ao mesmo tempo que ignoram o que este  conseguiu no campo onde o outro falhou. 

Ao que isto chegou. Uma pessoa tem que passar por defensor deste governo para rejeitar a anterior abantesma.

Até tu, Brutus?

Juiz nomeado por Trump para o Supremo, critica Trump…

A pós-verdade do grande negociador?

Santana Castilho*

Se o problema fosse escolher um par, preferia Costa e Tiago a Passos e Crato. Se a questão se resumisse ao mal menor, este Governo ganhava. Mas se sairmos do preto e branco e nos libertarmos do quadro maniqueísta que por aí tem dificultado o reconhecimento do óbvio, porque o Governo é de esquerda, a conclusão é evidente: o importante não se fez e no mais são os erros que dão o tom.

Sobre esse problema primeiro e maior que é a indisciplina na Escola (de que todos evitam falar para não se exporem ao julgamento sumário das redes sociais e ao risco da má imagem mediática), sobre os alunos que chegam à Escola sem a educação mínima que os pais não puderam ou não souberam dar-lhes, a resposta foi a demagogia dos tutores, que já existiam, mas que agora atendem dez com os meios que antes tinham para quatro.

Sobre a monstruosidade dos mega-agrupamentos e a falácia da autonomia das escolas, tudo como dantes enquanto avança, de modo sub-reptício e com coniventes silêncios, a municipalização da educação, que há pouco se combatia porque vinha da direita e agora se deixa passar, porque sopra da esquerda. [Read more…]

Carlos Pinho mente! Reposição pública da verdade

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“Sabe que sou uma pessoa que também me controlo” Carlos Pinho, presidente do Arouca, ontem, em declarações à Rádio Renascença (2º ficheiro na peça; minuto 0:46)

Em primeiro lugar, voltemos a repor as imagens captadas pelas cameras de video vigilância do local do acontecimento ocorrido entre Bruno de Carvalho e Carlos Pinho nos corredores de acesso aos balneários do Estádio José de Alvalade

Momento 1: Carlos Pinho vem acompanhado do balneário do Arouca e vai direito a Bruno de Carvalho com o braço no ar. Segue-se a troca de argumentos e a tal cuspidela de que queixa o presidente do Arouca nas declarações proferidas ontem à Rádio Renascença. Até concordo que indiferentemente do acto, se foi uma cuspidela ou uma simples libertação de vapor para a cara do presidente do Arouca, o acto em si foi uma tremenda falta de educação e de bom senso do presidente do Sporting.

Momento 2: Já libertado da confusão, o presidente do Arouca, continua obviamente emocionalmente “controlado”. O controlo das suas emoções era tanto e tão visível que passa imediatamente a agredir o assistente de recinto desportivo que o tentou acalmar e afastar da confusão.

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