“Cabo de São Vicente”
A privatização do crime
José Manuel Fernandes está muito indignado porque é direito, aliás dever, de um funcionário público quando lhe é dada uma ordem ilegal exigir que tal seja feito por escrito (não é bem isto que ele cita, mas é isto que diz a lei). E pode cumpri-la sob protesto, ou mesmo recusar-se a fazê-lo, como manda o direito e os bons costumes.
A superioridade do privado em relação à função pública será então, na opinião do ilustre liberal, que um trabalhador (o que ele chamaria um “colaborador”) se lhe for dada uma ordem que infrinja a a lei a cumpra, atento, venerando e porque a tal é obrigado.
Não devo estar a ver bem a coisa, mas se isto não é uma aceitação tácita da criminalidade (que tanto pode ser fiscal como muito pior, imaginem uma empresa de segurança) é pelo menos muito parecido.
Liberdade sem cultura e sem educação?

(Foto:blog A Devida Comédia)
Malraux dizia que “a Cultura é a soma de todas as formas de arte, amor e pensamento que, ao longo dos séculos, permitiram ao homem ser menos escravizado”.
Fico a pensar no meu país, evidentemente, que já nem Ministério da Cultura tem… -conforme a promessa eleitoral do PSD.
Dei-me ao trabalho de ler o Programa deste que é o XIX Governo Constitucional. A Cultura aparece como o último item, ocupando seis das 129 páginas. Segundo o governo, ela “constitui, hoje, um universo gerador de riqueza, de emprego e de qualidade de vida”. Balelas eleitorais. [Read more…]
Vasco Graça Moura, o Acordo Ortográfico e um país de lunáticos
Vasco Graça Moura, novo presidente do Centro Cultural de Belém, mandou retirar todos os conversores ortográficos dos computadores do CCB e determinou que fosse utilizada a antiga ortografia. Se Graça Moura, o poeta e escritor, pode ter uma posição pessoal sobre o assunto, é duvidoso que Graça Moura, o funcionário, possa impor essa visão aos trabalhadores subordinados apostados em cumprir a lei.
Este aspecto, assim comentado, ignora no entanto a fundamentação exposta por VGM:
“o Acordo Ortográfico não está nem pode estar em vigor”, já que, diz, na ordem jurídica portuguesa, “a vigência de uma convenção internacional depende, antes de mais, da sua entrada em vigor na ordem jurídica internacional”. Refere-se ao facto de Angola e Moçambique ainda não terem ratificado o AO, de que são subscritores, recusando os efeitos do “segundo protocolo modificativo”, assinado em 2004, que prevê que o AO entre em vigor desde que três países o ratifiquem. O ex-eurodeputado do PSD lembra ainda que o próprio AO exige que, antes da sua entrada em vigor, os Estados signatários assegurem a elaboração de “um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa”, algo que, alega, nunca foi feito. E defende que o acordo “viola os artigos da Constituição que protegem a língua portuguesa, não apenas como factor de identidade nacional mas também enquanto valor cultural em si mesmo”.
Não sei se, à luz do direito, assim é, mas, segundo o mesmo artigo do jornal Público, esta discussão surge “num momento em que crescem, dentro do próprio PSD, as vozes que se opõem ao acordo”.
Ora, aqui é que a porca torce o rabo: [Read more…]
A luz era azul
A luz do sol era azul…lembro-me como se fosse hoje a luz azul azulava os claustros as caras e o sentir.
Imaterial pálida e fria.
As grandes janelas filtravam a luz azul que entrava dentro de nós como chuva miudinha. [Read more…]
Orquídeas II: Cattleya II
Com um pretexto cinéfilo, abrimos o Aventar às Orquídeas. Continuamos nas Cattleyas.
A Wikipédia tem informação significativa e de qualidade sobre esta Orquídea.
De forma simplista corresponde a uma das orquídeas mais familiares aos nossos olhos, nomeadamente pela forma e até pelas cores, mas esta flor representa algo que é marcante no universo das orquídeas nos dias que correm – é um híbrido.
A origem da palavra leva-nos a algo menos simpático (latim: contrário às leis da natureza), mas numa lógica mais otimista podemos pensar neste conceito como algo que resulta do cruzamento de duas espécies ou de dois géneros.
Na cattleya hoje apresentada podemos ver um híbrido que resulta do cruzamento de três géneros: Brassavola x Cattleya x Laelia.
Atreva-se! Este fim-de-semana vá conhecer melhor as Orquídeas.
A canção de Ana
Parece-me não conhecer homem nenhum que não tenha uma fada madrinha. Fada madrinha milagreira, que toma conta de nós nos piores minutos da nossa vida, trata de nós e tem a forma de uma fada, apesar de não encantar porque sim, mas por excelentes motivos.
Hoje dá na Net: Libertação Animal

Libertação Animal, livro do filósofo e professor australiano Peter Singer. O seguimento natural dos filmes apresentados anteriormente nesta rubrica, Earthlings: Terráqueos e Food, inc..
«Libertação Animal» é considerada a Bíblia dos Vegetarianos. Neste livro, a que se seguiram muitos outros, Peter Singer desenvolve o conceito do Especismo, equivalente ao Racismo mas direccionado para as Espécies. Ou seja, a discriminação contra determinados seres por causa da sua espécie é intolerável. Assim, considera, a dieta vegetariana é a única aceitável e a única que não implica sofrimento para os animais.
Para os interessados, aconselho a leitura de dois textos, «Vegeterianismo Ético», publicados no Aventar por Maria Pinto Teixeira.
O livro completo de Peter Singer, Libertação Animal, Edição Portuguesa, pode ser lido aqui.

SNS: A reforma à Macedo (I)

A equipa do Ministro Paulo Macedo está a desenvolver soluções muito inovadoras. A colaboração entre doentes e profissionais de saúde é um dos pilares essenciais, como a imagem comprova. Há partilha do trabalho, mas não da doença.
Uma pausa para Pub.:
O Partido Popular Monárquico promove esta sexta-feira um debate sobre o regime actual através de um confronto de ideias pouco usual com republicanos. A iniciativa «Tenha calma: beba um copo com o regime» tem lugar no bar Frágil, em Lisboa, pelas 22:30, e junta várias personalidades políticas pró e contra a monarquia.
Os protagonistas serão pela república o deputado socialista João Soares, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa Tomás Vasques e o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Silva. Pela monarquia estarão presentes o
ex-deputado e membro do Conselho Monárquico da Causa Real Luís Coimbra, a dirigente do PPM Aline Gallasch-Hall, o publicitário João Gomes de Almeida e o bloguer do 31 da armada Miguel Castelo Branco.
A moderação ficará a cargo do jornalista da TVI24 Filipe Caetano.
Texto palmado AQUI
ARTUR: Exposição de Arte Urbana em Coimbra

Inaugura amanhã, 3 de Fevereiro, a exposição de arte urbana ARTUR, pelas 21.30h, na Casa da Esquina em Coimbra.
Entre Maio e Junho de 2011 decorreu na cidade de Lagos uma residência artística de street art e arte urbana que reuniu nomes destacados da cena nacional e internacional nas instalações de uma antiga cadeia, a sede do Laboratório de Actividades Criativas – LAC.
Dessa residência resultaram trabalhos em muros de rua (entre eles uma das melhores cinco paredes em Portugal de 2011 segundo o jornal Público) e uma exposição que, após ter estado patente em Lagos, se apresenta agora em Coimbra, adaptada ao espaço da Casa da Esquina.
Trata-se de uma oportunidade única para ver obras de Alexandros Vasmoulakis (Grécia), Antonio Bokel (Brasil), ±MAISMENOS±, Paulo Arraiano, Fidel Évora e Jorge Pereira (Portugal). ±MAISMENOS± e Jorge Pereira, presentes na inauguração, apresentam algumas obras inéditas nesta mostra.
De 3 de Fevereiro a 16 de Março de 2012, de 3ª a 6ª entre as 15 e as 18h. Entrada grátis, oferta de catálogo durante a inauguração.
Aventar, um Blogue Plural
Tem-me acontecido, aqui e ali, ouvir dizer que o Aventar é um blogue de esquerda. Quando respondo que não, que o Aventar foi criado para ser um blogue pluralista onde cabem diferenças ideológicas, de regime, religiosas, raciais e etc., acabo por ouvir dizer: se não é, parece.
Parece quando parece, digo eu, depende da vontade dos aventadores escreverem ou não, sobre o que acharem, quando acharem. A casa tem algumas regras, claro, mas são poucas, o resto depende da liberdade e iniciativa de quem cá mora.
Os últimos dias têm, de resto, ilustrado bem o pluralismo do Aventar: o Carlos Garcês Osório acha que o direito à greve não faz sentido nos dias de hoje, o João Paulo acha que faz. O Fernando Moreira de Sá pensa que a história de Pedro Rosa Mendes está mal contada, o João José Cardoso pensa o contrário. O José Magalhães pede um rei, o João José Cardoso recorda os regicidas. O Ricardo Santos Pinto ataca a política de betão do plano nacional de barragens e atira-se a Francisco José Viegas, o José Magalhães defende a política de betão na Madeira e louva Alberto João Jardim. [Read more…]
Os árbitros azuis e verdes
Quando a conversa foi verde, os árbitros pararam.
Estou curioso para perceber como vão reagir à conversa azul!
Subsídio-nomeados pelo governo
O ministro Álvaro Santos Pereira, ao anunciar as alterações ao Código Laboral, entre o café e o pastel de nata, declarou:
Não é suposto o Estado criar emprego mas sim condições para que as empresas o possam fazer.
Trata-se de mais uma denúncia contra o “monstro”. Rebelam-se contra o Estado, o Senhor Ministro Álvaro – oh Crespo, não lhe chamei apenas Álvaro – e mais um rol de outros ministros, secretários e subsecretários de estado, deputados e gestores públicos, ex e actuais, afinados pelo diapasão de sonoridades do actual governo.
Há, de facto, uma caterva de gente, sobretudo do PSD e do CDS, a condenar sistemática e contundentemente o Estado, a despeito de, anos a fio, trem vivido sob o tecto confortável e generoso desse mesmo Estado – do poder central ao local, a lista de quem, de pelintra a remediado, beneficiou da protecção e se catapultou para um estatuto socioeconómico de casta é imensa.
Um dia de greve são 150 milhões de euros… na Mota Engil?
Ter razão antes do tempo é uma coisa que acontece com frequência no Aventar. Desta vez o JJC teve a lucidez de sugerir que Sérgio Monteiro deveria ser levado em conta…
Na altura, confesso, não lhe dei a devida atenção, mas nos últimos dias fiquei com pena do professor de matemática do senhor secretário de estado, que em tempos terá andado pela Mota Engil.
Diz ele que o dia de greve custa ao país 150 milhões de euros.
Vejamos: com 22 dias úteis por mês, temos 264 dias no ano. Isto a multiplicar por 150 milhões dá qualquer coisa como 39600 milhões de euros. Atentendo a que o nosso PIB é o que é, há aqui algo que não bate certo nas contas do governo… [Read more…]
O “Direito” à Greve
Eu sei que esta opinião vai deixar os “saudosos” do “couraçado potemkin” a pedir a minha rápida deportação para um “gulag” (espécie de resort de férias que era muito apreciado e procurado). Mas mesmo assim, aqui vai:
Não acho que o denominado “direito” à greve faça sentido nos dias de hoje! No mínimo, seguramente que não faz sentido tal como está, presentemente, tipificado.
Em primeiro lugar, nunca achei que o reconhecimento do “direito” à greve fosse, tal como apregoaram, um avanço civilizacional (aliás, esta coisa dos avanços civilizacionais tem muito que se lhe diga e dava “pano para mangas”). Alguns destes “passos em frente” da civilização (obviamente que não todos) são facciosamente entendidos à luz de concepções transitórias e, normalmente, não subsistem à passagem das gerações.
Mais, e porque na sua grande maioria, as greves destinam-se a pedir aumentos de salários ou aumento de contrapartidas económicas, não tem qualquer lógica exigir-se mais dinheiro através de uma ferramenta que elimina, pelo menos momentaneamente, fontes de receitas. [Read more…]
Passos Coelho acusa excesso de testosterona
Depois de discursar perante uma plateia constituída por militantes do PSD, Passos Coelho terá acusado uma dose de testosterona excessiva, o que o levou a confessar, corajosamente, que fará tudo o que as instâncias internacionais mandarem. Segundo amigos de infância, era habitual, nas brincadeiras de rua, revelar uma coragem fora do comum, chegando a meter golos na própria baliza, sempre que era ameaçado pelos adversários. Na sua relação com Angela Merkel, continua a revelar o mesmo carácter indómito, não hesitando em prometer obediência ainda antes de lhe ser dada alguma ordem. [Read more…]
Regresso ao passado
Parece que ontem uns assinaram pela energia nuclear e outros pela monarquia. O nuclear após Fukushima e a monarquia com aquele patusco que faz filhos e tem um bigode castiço mas não vai ao concurso do bigode do ano.
Aguardo ansiosamente um manifesto que exija às escolas a reposição da terra no seu lugar aristotélico. Quem anda é o sol, carago.
Hoje dá na Net: Food, inc.
Food, Inc. é um documentário que chegou a ser nomeado para os oscares em 2010 e que retrata a realidade americana da indústria da alimentação.
Desde a concentração num pequeno número de empresas da quase totalidade da produção alimentar, ao impacto das cadeias de fast-food, passando pela produção verdadeiramente industrializada do que comemos (seja animal ou vegetal) e não esquecendo os lobbies e as relações perigosas entre regulamentadores e empresas regulamentadas este documentário deixa-nos um cenário bastante sombrio dessa indústria.
“A indústria (da alimentação) não quer que saiba o que está a comer, porque se soubesse talvez não a quisesse comer.”
O que vale é que na europa é tudo diferente…. ou não?
Página do IMDB.Legendado em português
A saúde privada

stou numa urgência no Hospital da Luz, um desses novos núcleos empresariais da saúde, no caso disponibilizado pelo BES, a acompanhar pessoa amiga. Aguardo que um dos dois únicos médicos que estão de serviço às urgências nesta especialidade terminem uma operação que havia sido agendada previamente. Isto é, há urgências mas não há médicos alocados ao serviço de urgências, as quais terão que aguardar por uma pausa no serviço programado.
Em contrapartida, três jovens recepcionistas atendem todas as necessidades que três belos sorrisos possam atender, duas assistentes de médico vão-me informando que os doutores continuam a operar – e ainda bem para o paciente – e uma empregada de limpeza passeia continuamente o seu carrinho numa impecável azáfama higiénica. Já da enfermeira de serviço não se sabe o paradeiro mas, possivelmente, estará a dar pinças no bloco operatório.
Coisas que não se podem dizer
Porque soam mal e porque não fazem sentido.
Apareceu no Porto24 que “O ex-líder do PSD Luís Filipe Menezes pediu esta sexta-feira ao primeiro-ministro para instalar no Porto metade das sedes das empresas públicas, nomeadamente a REFER e a CP, explicando que seria uma “reforma estrutural muito importante””
Mas não faria mais sentido sugerir a descentralização pelo país todo dos serviços centrais do estado?
Porque não mover os serviços eminentemente administrativos para o interior, por exemplo ter o INE em Bragança e a DGCI na Covilhã.
Ou então mover serviços centrais para perto das regiões que mais necessitam deles, tipo agricultura em qualquer outra parte que não Lisboa e Porto…
Assim ficou só a ideia (certa?) que a única coisa que ele quer é uma fatia neste bolo ultra-gordo que é o nosso estado.
PS: As TIC não servem só para Magalhães ou Facebook… servem também para estas coisas.
Ir ao futebol e morrer
Por mais que tente, há coisas que não consigo compreender. No Egipto, morreram cerca de oitenta pessoas em confrontos no final de um jogo entre o Al-Masry e do Al-Ahly.
Aparentemente, segundo o treinador Manuel José, a equipa de arbitragem terá deixado nervosos os adeptos da casa e, após vitória do adversário, a revolta terá estalado, o que explicaria, em parte, os confrontos.
Não explica. Nada explica o inexplicável, nem o resultado desportivo, nem rivalidades antigas, nem a suspeita de aproveitamento político por parte de seguidores de Hosni Mubarak.
Nada explica que se vá assistir a um jogo de futebol e se morra por isso. Nada. Alguém morrer por ir ao futebol é tão dramático como, por exemplo, morrer de fome. Há coisas que pura e simplesmente não deviam acontecer.
Eis o video
Silêncios da DREN que incomodam – violência sobre Professores
Sou do tempo em que um Professor, de seu nome, João Grancho criou a linha S.O.S. Professor. Dizia-se na altura que “em parceria com a Universidade Lusófona do Porto e a Liberty Seguros,” a linha telefónica SOS Professor deveria servir de “apoio a docentes vítimas de agressão e indisciplina.
Sou também do tempo em que o mesmo Professor, João Grancho, exigia que o Ministério da Educação saísse à praça dizendo de sua justiça perante mais uma caso de violência contra docentes.
Podemos facilmente verificar o quanto o sr. Professor João Grancho tem em atenção esta temática.
Estamos, até por isso, todos muito curiosos por ver o que vai fazer o Sr. Professor João Grancho, agora Diretor Regional de Educação do Norte perante mais um caso de violência, desta vez, aqui em Vila Nova de Gaia.
Diz-se no site da A.N.P. que a linha fechou. Será que perante tal competência a encerrar coisas, o Ministro Nuno Crato convidou o sr. Professor João Grancho para fechar a DREN? Ou será que foi para a DREN porque é militante do PSD? Tal como são os seus adjuntos (PSD e CDS).
E o que dirá o Sr. Professor João Grancho sobre esta agressão, agora divulgada?
Cuidado com as piadas nos EUA
Depois deste exemplo, é melhor pensar duas vezes antes de fazer piadas ou escrever o que quer que seja nas redes sociais em relação aos EUA.
Se estiver nos EUA e tiver comprado um carro não diga comprei uma bomba do caraças no Facebook.
Se tiver uma banda de metal e tocar nos EUA não ponha no MySpace vamos partir aquela cena toda.
Se o FCP for jogar a Chicago, para exemplificar, livrem-se de dizer vamos pôr Chicago a arder.
Se for brasileiro e guloso não anuncie que vai comprar balas para depois do jantar.
Se pensar andar de cidade em cidade não escreva que faz um desvio de avião de tal sítio para tal parte.
Se quer umas férias tranquilas o melhor mesmo é estar caladinho, digo eu, que tenho tendência para metáforas.
À memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa
Lisboa, lambida na suavidade do seu sol de Inverno, só tinha olhos para as vitrinas, onde se mostravam os bustos dos assassinos reais craionados ou em fotografia.
Uns comerciantes arvoravam-nos por simpatia, outros pelo reclame que constituíam esses quadro, pois centenas de pessoas paravam a contemplá-los. Havia quem os afixasse por imitação. Não apareciam as manifestações de saudade para com o Rei nessas exibições: o seu rosto e o do seu filho apenas se podiam ver através dos vidros das urnas fúnebres. (…)
Por fim deixara-se livre a entrada no necrotério e a multidão era tanta que se tornara necessário, a fim de evitar as brutalidades dos empurrões, encharcá-la com agulhetas do serviço. Era assim às primeiras horas e as autoridades estavam tranquilas, diante das manifestações, não vendo o advento da República em cada uma dessas curiosidades de convictos ou de aderentes. A exaltação pela memória dos matadores tinha um ar de alucinação colectiva em certas camadas; as mulheres repeliam esse culto e choravam pelos assassinados; rezavam. (…) [Read more…]
Dêem-nos um Rei
UM REI, PRECISA-SE
Portugal, nesta crise cheia de crises em que vivemos, precisa de um Rei.
Vem aí um Frio do Caraças
Venho por este meio avisar todos os que fazem o favor de me ler que têm que ter muito cuidado.
















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