Provocações – O Essencial é Saber Ver

Sem que desejasse ou procurasse, caiu-me uma provocação nas mãos. Como um bilhete do ‘metro’, onde estou a viajar. Sentado e pensativo, fui enrolando ambos na mão esquerda. O que é minúsculo e insignificante, no fundo, reduz-se a minudências materiais ou imateriais. Facilmente destrutíveis num enrolar de dedos.

No decurso da viagem, o pensamento vazou-me um poema de Pessoa, no heterónimo Alberto Caeiro; aqui declamado por Antônio Abujamra:

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Bill Gates a favor de mais impostos para os milionários

Ocorrem-me duas perguntinhas: será que os políticos portugueses (em especial os do “arco da governação”) lêem jornais? E, se lêem, será que compreendem?

Às super-mulheres portuguesas

Sim, nós também conseguimos!

Somos «primeiras damas», super-mulheres, mães, escrevemos livros, temos uma profissão, criamos movimentos, etc. (completem a lista em comentário, eu agradeço).

Michelle Obama não faz nadinha (demais)!

Cartoon intitulado «Happy Birthday Michelle». KiCHKA, jornal Israel Channel 1 (in PÚBLICO, 24/1/2012).

A última crónica de Pedro Rosa Mendes na Antena 1

Versão remisturada. Tem uma explicação, para lá da solidariedade óbvia de qualquer democrata com este atentado relvista à pluralidade de opiniões que não cabe no que eles pensam ser o bem da sua nação.

Chama-se espírito Rádio Universidade de Coimbra, hoje possivelmente a última rádio livre em Portugal, onde conheci o Pedro e algumas vezes nos entretivemos com estas coisas de usar a voz e a música para contar que a verdade é um veneno.

Entretanto tenho reparado que a direita, à falta de argumentos, pergunta a alguns dos que se revoltam agora onde estavam o ano passado. Eu sei onde estava e onde exactamente esses não estiveram, e por aqui escrevi sobre outras censuras, mas não deixo de deixar uma ressalva: ao contrário de Mário Crespo e Manuela Moura Guedes, o Pedro Rosa Mendes é mesmo jornalista.

(feito com José Mário Branco, uma recolha de David Fanshawe no Uganda e Area)

A descapitalização dos Bancos

Por JOÃO PINTO

Este meu comentário em relação aos bancos não faz parte de qualquer análise ou fundamento científico. Nunca trabalhei na atividade bancária e por isso não a conheço minuciosamente. As conclusões baseiam-se numa pura análise empírica.

A atividade bancária exerce enorme poder sobre a atividade económica portuguesa (e mundial). O financiamento da economia depende muito dos recursos disponibilizados pela banca. Os bancos têm gerado lucros fabulosos nos últimos anos, sabendo que uma parte significativa tem sido distribuída pelos acionistas. Não conheço as exigências a que os bancos estão sujeitos, mas os lucros fabulosos que têm sido gerados pela atividade bancária não têm servido para capitalizar os bancos. Como não conheço a atividade bancária, não sei se os bancos estavam ou não obrigados a reservar uma parte dos lucros. Por ser uma atividade importantíssima no atual modelo económico, a atividade bancária deveria estar sujeita a uma percentagem bastante elevada de financiamento próprio. Se tivermos em atenção os números trazidos a público pela comunicação social, os rácios de capital dos bancos (relação entre o capital próprio e o ativo) andarão entre os 6-7%. [Read more…]

Alberto João Jardim: O Elogio a Quem o Merece

Visitei pela primeira vez a ilha da Madeira no ano de 1976, no verão, em pleno Agosto, e durante doze anos fui visita assídua do arquipélago. Várias vezes por ano lá aportava e, entre Agosto e Setembro de cada ano, lá passava eu e a minha família perto de um mês na praia, no Porto Santo, o que me permitiu conhecer como poucos a ilha dourada e razoavelmente a ilha da Madeira. Depois, e durante os vinte e poucos anos seguintes, acompanhei a vida do arquipélago através dos mesmos familiares e das notícias que lia e ouvia, mas com poucas viagens feitas. A minha última viagem foi feita em Abril do ano passado.
Durante os trinta e cinco anos que passaram desde a minha primeira vez, ouvi de tudo sobre o arquipélago, sobre as suas gentes e em especial sobre o seu Presidente. O sr Jardim, da Madeira.
Durante esses anos foi sendo construída aqui no continente uma imagem negativa do nível de vida das ilhas e da capacidade intelectual das gentes da Madeira, e acima de tudo da competência e da honestidade do Presidente do governo Regional e dos membros do seu governo.
Quando conheci as ilhas, estas tinham um nível de desenvolvimento fraco e provinciano. Vindo eu da segunda maior cidade do País, via que a esse nível pouco as diferenciava das cidades limítrofes da minha e se calhar nem mesmo da minha. Lá como cá, o País era Lisboa, a capital o Estoril, e o resto era paisagem. Naquela altura nem o Algarve tinha ainda ganho mais um “L” para o internacionalizar e por essa razão não era ainda o País anglo-germânico que hoje é.
Com o passar dos anos vi a regionalização a ser implementada, as obras públicas a acontecerem com as estradas novas e os “furados” a rasgarem a terra, o crescimento do aeroporto, a criação da Zona Franca, o incremento do turismo de qualidade, e de um modo geral o grande desenvolvimento daquela parte de Portugal.
Corrupção, compadrio, favores, cunhas, e outras coisas do género, por certo que as houve e há, mas não mais do que em todo o Portugal de uma ponta à outra. [Read more…]

Diferenças de discurso

Já aqui declarei a minha convicção de que “o cargo de presidente dos EUA depende pouco da pessoa que o exerce“.

No entanto, e no plano simbólico do discurso político, registo as palavras de Barack Obama ontem à noite perante o Congresso americano

“nenhum desafio é mais urgente” e “nenhum debate mais importante” do que a desigualdade económica, “num país onde um número cada vez menor de pessoas vive muito bem, enquanto um número crescente de americanos mal consegue subsistir”.

lançando um novo apelo ao aumento dos impostos pagos por milionários.

Em Portugal, onde que os defensores mais acérrimos do neo-ultra-liberalismo estão sempre dispostos a apontar os EUA como grande exemplo matricial, estou seguro de que estas palavras do presidente americano passarão completamente ao lado e serão levadas pelo vento.

Além disso, Obama fez o que por cá o PR também pretendeu e deu o seu próprio exemplo, mas não nos mesmos termos. Se Cavaco Silva acha que também ele é penalizado ao ponto de se queixar disso e de tentar tapar o sol com uma peneira, Obama afirmou

Precisamos de reformar o nosso código fiscal para que pessoas como eu e muitos membros do Congresso paguem a sua justa fatia de impostos

e acrescentou que [Read more…]

Desabafos de um exilado

Obrigado a permanecer em sombrio degredo na capital deste País dois terços da semana e coagido à jorna por entre políticos e seus satélites, consegui ao fim de meses e meses de árdua investigação e profundo estudo, alcançar que nestas gentes e nestes meios há uma subtil dicotomia: os que são lisboetas e os que estão lisboetas.

Os que são lisboetas, uma óbvia minoria, distinguem-se pela sua procedência, ou seja, não procedem por que já cá estavam. E já cá estavam os seus Pais. E já cá estavam os seus Avós. São poucos, porque a maior parte dos lisboetas que por castigo divino aqui nasceram, não se coíbe de falar, com os olhos lacrimejantes de saudade, da sua querida terrinha (que, evidentemente, não é Lisboa).

Já os que estão lisboetas reconhecem-se pela sua enorme argúcia pois descobriram que podem ludibriar a naturalidade e, como quem não quer a coisa, passarem por nativos desde que lhes copiem os trejeitos. Assim, incham o ego até este fazer fronteira com o Uzbequistão, ostentam os talentos que irrelevantemente podem ou não ter, efeminam o registo vocal e obliteram antigas pronúncias, encaram o próximo com a grandeza dos predestinados, etc., etc., etc.

E diga-se em abono da verdade que não deixam de ter sucesso (e razão) porque por estes lados, grassa a soberba e a presunção. É como se o Barroco se limitasse ao Rococó.

Para agravar, os que estão lisboetas, normalmente, não reconhecem as ténues linhas da impostura e ficam mais lisboetas que aqueles que são lisboetas. E isso é supinamente patético.

Deus ou outra qualquer entidade todo-poderosa me ajude a resistir e a continuar “Tripeirinho da Silva”. Porque, sinceramente, e como está tão na moda, ser Portuense é, claramente, um avanço civilizacional.

O papel actual do movimento associativo

As questões levantadas com as recentes descobertas de idosos falecidos na solidão – que vieram a público graças à capacidade inata da comunicação social de transformar o óbvio em tendências abruptas – recordaram-me as noções de vicinidade e laços sociais. Quando a humanidade passou por fases eminentemente rurais (e hoje caminhamos aceleradamente para uma situação de urbanismo global) a sobrevivência estava assegurada por recursos e espaços devidamente controlados, mas sobretudo, por uma coesão sanguínea e afinitiva que as cidades não permitem por várias razões: entre elas a composição dos novos agregados familiares. E, no caso de Portugal, um país eminentemente litoralizado, em que as relações já não se baseiam no sangue, nem na afinidade ou na vicinidade, como resolver esta solidão, estes casos de alienação social forçada? [Read more…]

Parabéns a Eusébio, o antigo jogador do Benfica, Beira-Mar e União de Tomar


O «Pantera Negra» está de Parabéns. Uma longa carreira, recheada de títulos e com participações em clubes de 4 países e 3 continentes: Sporting de Lourenço Marques (Moçambique), Benfica e Beira-Mar (I Divisão) e União de Tomar (II Divisão); Boston Minutem, Toronto Metros-Croatia, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans(Estados Unidos); e Monterrey (México).

Não Se Esqueça!

Este homem tem o poder de declarar a guerra em nome dos portugueses.

Ainda bem que ele é muito honesto. Podemos dormir descansados.

Hoje volta a dar na net: Rasganço

Uma reprise oportuna, o primeiro filme de Raquel Freire agora afastada da Antena 1 num processo de delito de opinião. Já ontem se leram, e vão insistir, todo o tipo de ataques à personalidade da realizadora, pessoa com ideias sem dúvida discutíveis, mas que agora se pretende enxovalhar.

Rasganço desmonta algumas das obscenidades coimbrãs, das praxes e outras violências mentais, a Coimbra das dôtoras encarando o corpo de um futrica, sempre com a música dos Danças Ocultas a rasgar, aproveitando um tema já existente e que estava mesmo a pedi-las.

Filme completo, ficha imbd

Instalação Tipográfica- 4000 Moedas em Barcelos

RDP e Angola – Relvas silencia vozes corajosas

O João José Cardoso já denunciou, aqui e aqui, a decisão do governo português, através do Torquemada de Tomar, Miguel Relvas, de silenciar vozes incómodas para  negócios entre Portugal e Angola – o desassombro de Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes custou-lhes o afastamento da RDP.

Conheço Angola. Sem nunca ter sido residente, obrigações profissionais levaram-me àquele país mais de uma dezena de vezes por ano. Durante duas décadas. Tenho longas histórias dos meandros dos negócios locais, grandes e pequenos, assim como de homens do poder.

Estabeleci também relações de amizade com angolanos honestos que, hoje como ontem, não puderam ou quiseram enveredar por negócios espúrios, geradores de fortunas tão céleres quanto ilegítimas. Esses amigos, no fundo, são gente sensível à pobreza extrema de milhares e milhares de compatriotas – crianças, mulheres, idosos e jovens estropiados da guerra. Uma multidão de vítimas ainda submetidas a vidas bem duras em ‘musseques’, lá para os lados de Viana e de outras zonas afastadas da ‘sala de visitas’ que é a renovada baixa luandense.

O jornalista Rafael Marques, citado por Pedro Rosa Mendes, é este homem. Em finais do último ano, teve a coragem de fazer uma queixa-crime contra diversos generais angolanos: o poderoso ‘Kopelika’, Vaal da Silva, Armando Cruz Neto, Adriano Mckenzie e os reservistas João Matos, Luís Faceira e António Faceira. França Ndalu (além do mais, representante da De Beers em Angola) também foi citado. O processo inclui crimes de assassinato e mutilações.

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Sacanas com lei #PL118

A SPA está a procurar justificar o lobby que está a fazer para assegurar a sua mama fácil com um comunicado no seu site. Acontece que não passa de um chorrilho de mentiras, como bem demonstra a Maria João. Ide ler e percebam como Rodrigo Moita de Deus está profundamente errado ao defender a deputada Canavilhas.

Nota: aqui, a lista de links sobre o projecto de lei em causa

Xerém ou Xarém de berbigão

Hoje fui à praça e comprei 1kg de berbigão. Depois de considerar várias hipóteses para dar tratamento aos bichos, lembrei-me de algo que não como há algum tempo: um xerém.

O xerém (também conhecido por xarém) é uma das mais desconhecidas receitas da cozinha algarvia, ainda que tenha entrado nas gastronomias de alguns países africanos e no Brasil. Por ser muito fácil fazer e muito saboroso, compartilho a minha receita (existem variantes) com os leitores do Aventar.

1 kg de berbigão, ameijoas ou conquilhas

2 colheres de sopa de azeite

1 cebola

1 tomate maduro (facultativo)

200g de farinha de milho grossa

cerca de dois litros de água

coentros

sal

100g de presunto (facultativo)

Deixe os bivalves cerca de duas horas em água com sal para que percam a areia e lave-os bem.

Se usar presunto, corte-o em cubos e frite-os no azeite. Retire. Com o restante azeite, refogue a cebola e o tomate, ambos picados. Deixe alourar.

Junte a água com o sal e vá acrescentando a farinha lentamente, mexendo sempre. Coze durante 15 minutos. Sem retirar o tacho do lume, deita-se o berbigão e os coentros picados. Deixa-se abrir o marisco e serve-se imediatamente. Experimente.

Convinha avisar …

… quem tem por hábito brincar às petições, que existe legislação para ler antes de lançar um manifesto e pô-lo a circular pelas redes sociais para que o maior número de incautos, inflamados pelo ódio do momento, o assinem. Que eu saiba, embora já exista a modalidade de assinatura digital, os vulgares sítios para petições não a contemplam e são vulneráveis a que qualquer um forje uma identidade e a multiplique por centenas ou milhares de formulários pelo que nada, repito, NADA, valem , em termos legais, estas petições em-linha . De resto o senso comum deveria já ter alertado para a ineficácia e até para a patetice deste método. Ao lado de assuntos minimamente sérios, como a destituição do Presidente da República portuguesa, há quem queira salvar as zebras albinas da Etiópia ou impedir a saída de um concorrente da Casa dos Segredos.

Em matéria de petições, o que conta é a assinatura legal de quem quer fazer ouvir a sua voz e não meia dúzia de cliques executados do sofá da sala, enquanto se partilha uma piadola no mural do feicebuque ou se atira duas atoardas aos artigos de opinião do Público ou do Correio da Manhã. De resto, o sítio da Assembleia da República é bem explícito quanto ao regulamento peticionário:

“A petição, a representação, a reclamação e a queixa devem, porém, ser reduzidas a escrito, podendo ser em linguagem braille, e devidamente assinadas pelos titulares, ou por outrem a seu rogo, se aqueles não souberem ou não puderem assinar”. Mais informações aqui.

Quem mandar o senhor Silva embora? Têm duas soluções. Ou esperam que o mandato acabe e nunca mais votam no senhor, nem para cantoneiro da freguesia de Boliqueime, ou organizam uma petição como deve ser: com assinaturas reconhecidas em folhas de papel. Mas como eu sei que a segunda hipótese é trabalhosa e a geração de indignados é mais laptops e ipads, bem podemos continuar a contar com o senhor Silva  a fazer o que ele sempre fez melhor. Nada.

A última crónica da Raquel Freire na Antena Relvas

Não podia ser mais adequada às circunstâncias. Expliquem ao Miguel Relvas, mas com desenhos.

Cavaco Silva fez o que devia ser feito

Aníbal Cavaco Silva condecorou a Infanta D. Maria Adelaide com a Ordem de Mérito.

Num país onde nos habituámos a assistir ao medalhar de futuros cadastrados, Cavaco Silva desta vez acertou nas obrigações implícitas ao cargo que ocupa. A Infanta D. Maria Adelaide nasceu na auspiciosa data de 31 de Janeiro, comemorativa da vitória da legalidade constitucional sobre o livre arbítrio e prepotência desordeira. Defensora abnegada da Liberdade, impiedosa crítica  daquilo que social e politicamente se passava no Portugal da II República, dedicou-se aos mais desfavorecidos e quase anonimamente durante décadas socorreu quem pôde, instando com os poderes públicos, normalmente sempre alheios a quem não tem capacidade de protesto. O seu currículo de beneficência – palavra hoje quase varrida  da nossa memória -, é impressionante. Presa pela Gestapo, condenada à morte pela justiça do III Reich, a Infanta merece o reconhecimento público.

A Infanta cumpre o seu centésimo aniversário dentro de dias. Cavaco Silva esteve bem, obliterando o vergonhoso esquecimento dos sátrapas que há mais de meio século o antecedem em Belém.

Figura Pública – Eu não clico no GOSTO!

Facebook de Cavaco Silva, Figura Pública

Facebook de Cavaco Silva, Figura Pública

Alguém sabe explicar o que se passou com os aventais? Estão todos para lavar? De um momento para o outro, puf… Foi um ar que se lhes deu…

E, depois, o cidadão zeloso quer consultar os esclarecimentos do Senhor Presidente, tenta ir ao perfil da Figura Pública Cavaco Silva e não pode!

Não pode por uma razão simples – tinha que clicar naquele botão ao lado do nome com a palavra GOSTO!

E, os meus amigos Benfiquistas vão perceber: antes ser sócio do Dínamo da BCI, carago! Ou então assinar!

Pedro Rosa Mendes, agora é ouvir a crónica de que eles não gostaram

Já se pode escutar sem ir à página da Antena 1. Sobre esta manifestação de amizade com o governo de Angola continuo a não dizer mais nada do que não disse quando se confirmou.

Cavaco e a petição como nunca se viu

Não é um “gosto” no facebook, é preciso deixar o BI, nome completo, mail. Não é um simples impulso. Mas nunca se viu nada assim, este crescer diário horário do número de portugueses que assinam uma petição.

A petição que pede a demissão de Aníbal Cavaco Silva tem todas as condições para no sábado valer politicamente tanto como uma manifestação de rua (sim, as manifes digitais existem, o que ainda há é pouca gente a dar por isso). A revolta manifesta-se com o que tem mais à mão e Cavaco merece estes dois minutos do nosso tempo. Dos que não votaram nele e dos arrependidos também.

Assinem, vão ver que vai valer a pena.

O masoquismo republicano.

Gerou-se um grande ruído à volta das declarações do professor Aníbal Cavaco Silva a propósito da difícil vida de um aposentado que decidiu ser presidente da república.  Como se tal fosse um fardo e uma obrigação cívica, depois de uma tentativa falhada, um mandato presidencial e 10 anos como primeiro-ministro. Até parece que este caminho para o calvário de Belém deixou o senhor depauperado, como se o serviço à pátria, em Portugal, tenha alguma vez levado alguém à pobreza. Como dizem os ingleses: lets cut the crap*. Que o senhor em causa é um lobo, apesar do seu beiço descaído, discurso apagado e ar de cordeiro, não tenhamos dúvida: entre raposas é preciso alguém que morda mais e melhor para escalar a pirâmide dos predadores que constitui a política nacional.
Mas sendo a 5.ª vez que o elegem vêm agora fazer petições para lhe comprarem umas pantufas?

Chega a ser mais grave a reacção dos comentadores do que a tola resposta do senhor Aníbal, o tal, filho do gasolineiro de Boliqueime, prova provada de que república funciona. O Rui Rocha, do Delito de Opinião, acha que o republicanismo funciona tão bem, que “é sempre melhor incorrer no risco de escolher mal sabendo que mais tarde poderemos tentar corrigir uma má decisão“. É pena que cidadãos republicanos tão honrados e probos escolham duas vezes o mesmo erro e só não escolham uma terceira por limitação da lei. Estes comentadores, como o João Gonçalves que para defender a honra de Cavaco cita Salazar (apropriado, mas de mau gosto), são a prova de que um significativo grupo de cidadãos deste país não tem capacidade nenhuma para eleger ou ser eleito. Porquê? Porque eleger implica responsabilidade e se há coisa que, desde 1910, a república nos demonstrou é que a estabilidade institucional ou respeito de quem ocupa os cargos não vale tanto como a repartição do poder pelos caciques.
E se como o João Gonçalves os nossos monárquicos são pobres ou se, segundo Vasco Pulido Valente, não existem, então deixem-me dizer-vos uma coisa: mais têm feito os poucos republicanos portugueses pela monarquia. E não incluo o pobre reformado, velho tecnocrata formado na escola do Estado Novo chamado Cavaco Silva. Este sim faz lembrar o velho Botas: “que, muito adequadamente, nunca quis saber da “polémica” República/Monarquia para nada“. Apenas das finanças.

Ao que parece em república a História não é apenas assustadoramente cícicla. É chata. E repleta de masoquistas.

*Deixemo-nos de dizer coisas que não são importantes

A dor vestiu-se de mulher

adão cruz

A dor vestiu-se de mulher.
A dor vestiu-se de mulher de terra e flores e voou para lá das nuvens onde mora o vento.
A vida é um lugar muito longe lá para as bandas do sonho nas margens do silêncio na arte do encontro – desencontro na alegria de ser triste.

Nesta Galiza de poetas e água e céu e solidão onde um mar de rias baixas desagua dentro de nós pinta Jordi um rosto de mulher a ocre terra-siena e carmim.
…Que os cabelos e os jardins querem-se soltos e naturais como as aves e as manhãs.

Um homem nu toca Mussorgsky ao vivo como se Jordi pintasse Quadros de Uma Exposição.
Bem perto daqui há muito foi sonhada Nostalgia mas ninguém viu a luz vermelha fendendo as águas verdes e a dor já se vestia de terra e flores e a dor já fugia para lá dos montes onde moram mulheres de vento.

A Guerra contra o Irão já começou

Mapa roubado daqui.

A luta pelo controlo dos recursos energéticos não pode parar. É por isso que a Europa faz a ameaça pueril de cortar as importações de petróleo do Irão (fundamentalmente por pressão do eixo EUA/UK). A ameaça da Europa poderia chegar a ser cómica, não estivessem em jogo a vida de milhões de pessoas.

 
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Hoje dá na net: The Corporation (A Corporação)

Documentário canadiano de 2002 que apresenta o poder das Corporações, mais forte que o poder politico.

Através de seus lobbies junto aos governos e suas ferramentas de merchandising, marketing, branding, etc, elas definem tendências de consumo de produtos electrónicos, vestuário, alimentos, entretenimento, medicamentos, etc.

Corporações farmacêuticas influenciam e até definem o que será e o que não sera ensinado nos curriculos universitários de Medicina, Farmácia e outras áreas de Saúde, para defender seus interesses mercantilistas de vendas de inúmeros medicamentos nocivos.

Versão de 2 horas (o dvd tem 7), legendado em português. Ficha imbd .

Pedro Rosa Mendes, a Antena 1 e mais 4 cronistas por tabela

António Granado, Gonçalo Cadilhe, Rita Matos, Raquel Freire e Pedro Rosa Mendes faziam a crónica Este Tempo na Antena 1. Agora já não fazem. Isto não tem nenhuma relação de causalidade com esta crónica do Pedro Rosa Mendes que desmonta a farsa relvista da RTP em Angola, ao serviço da nação, com a omnipresença desse expoente do servilismo conhecido por Fátima Campos Ferreira.

Vou indignar-me? dizer que é censura? chamar nomes ao Relvas? dantes dizia-se que uma imagem vale mais que mil palavras, velhos tempos. Hoje um vídeo pode-me poupar um milhão:

(obrigado pelo vídeo Dario, estou-te a dever uma)

Cavaco Silva: pior a emenda do que o queixume

Cavaco Silva falou hoje, por escrito, sobre a sua declaração de pobreza. Para repôr a verdade? Para dizer que se enganou nos números? Para pedir desculpa? Não,

“Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas”

Com o seu exemplo… acompanha situações… de cidadãos que atravessam dificuldades. Vejamos: Cavaco acompanha situações e dá o seu exemplo aos cidadãos que (como ele?) atravessam dificuldades.

Ocorrem-me vários qualificativos para ilustrar este tipo de afirmações mas não vou por aí. Preocupa-me, no entanto, um pormenor: ninguém tem nada a dizer quanto ao facto de, na realidade, nada nestas declarações (e nas anteriores) ser verdade?

Cavaco e a petição, talvez destituir

Tirando o caso de se manifestar doença grave na pessoa do ocupante do cargo de Presidente da República, coisa que não lhe desejo, não estou a ver como pode Cavaco Silva cair através desta petição, que assinei e vos convido a assinar. Mas estou a vê-la a crescer tanto (quando a divulguei ontem a partir do 5 Dias não estava à espera de hoje já ir nas 5000 8255 assinaturas) que serve muito bem para outra objectivo: pressionar. Encostar o homem à parede. E este homem é por natureza um cobarde, capaz de denunciar a sogra à Pide, não esquecendo que já caiu na rua, ou melhor, numa ponte, com esta cantiga em banda sonora:

Na altura acrescentou Pedro Abrunhosa, num concerto para a história: e hoje o que vão o Aníbal e a Maria fazer?

O que ele tinha feito à economia nacional. Não tivemos orgasmos. Sexo assim não vale a pena, é altura de retribuirmos.

Marcelo diz que Cavaco não quis dizer o que disse: deve ser bruxo

Marcelo Rebelo de Sousa lançou os búzios, leu as entranhas de uma galinha preta e estudou a forma das nuvens para chegar à conclusão que

o Presidente da República “quis dizer uma coisa e saiu-lhe outra.

A seguir examinou a bexiga de um bode e percebeu que

Cavaco quereria dizer aos portugueses que até ele, “um privilegiado”, tem dificuldades

Entretanto esqueceu-se de consultar os dicionários e acrescentou que

o que ficou subentendido não foi isso

Ou seja, nem Cavaco disse o que disse, nem a gente ouviu. Subentendeu. Depois de tanta macumba, acabadinho de sair do transe, Marcelo expôs a sua última revelação e

lembrou que o Presidente da Republica “ganha menos” que os de outros países europeus.

Obrigadinho pela lembrança, também a generalidade dos portugueses ganha menos do que os de outros países europeus. Estes senhores das “elites” não vivem cá de certeza. Se vivessem estavam caladinhos. Por causa das moscas.