Redução de reformas: corte de despesa, taxa ou imposto?

O percurso é uma fatalidade. Antes de analisar e criticar qualquer medida do governo, sobretudo em termos de políticas de formulação e execução orçamentais, temos de cumprir o itinerário do famigerado memorando de entendimento da ‘troika’, a que o País se vinculou junto do FMI, CE e BCE, pelas mãos do trio do ‘arco do poder’, PS, PSD e CDS.

No capítulo da Política Orçamental de 2012, e mais precisamente no ponto 1.11, o nefasto documento, de 17 de Maio passado, estabelece o seguinte:

1.11. Reduzir as pensões acima de 1.500 euros, de acordo com as taxas progressivas aplicadas às remunerações do sector público a partir de Janeiro de 2011, com o objectivo de obter poupanças de, pelo menos, 445 milhões de euros.

Utilizada a média de redução de 5% genericamente citada na imprensa, um pensionista da Função Pública ou da Segurança Social, que aufira actualmente a mensalidade bruta de 2.000,00 euros – 28.000,00 euros anuais – em 2012 receberá um valor ilíquido de pensões de 26.600,00 euros / ano; ou seja, será penalizado em 100,00 euros / mês. Ainda que não estejamos a focar o grupo de pensionistas mais desfavorecidos, a quebra de rendimento, no nível considerado, será equivalente à conta de farmácia, de consultas e exames médicos que muitos dos atingidos suportam regularmente, em função de doenças crónicas, próprias do grupo etário em que se integram.

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Quando os criminosos são polícias a coisa passa ao lado

Mário Brites foi acusado por dois polícias de algo que nunca se verificou. Como consequência passou cinco meses na prisão, perdeu o emprego e ficou com a vida destruída. Hoje dorme num carro e come graças à solidariedade de amigos. Por sorte, no meio de tanto azar, a Polícia Judiciária desconfiou da veracidade da acusação e desconfiou que algo não batia certo. Na origem de tudo estava, aparentemente, uma vingançazinha merdosa por questões de condomínio.

Os jornais, exceptuando honrosamente o Correio da Manhã, passaram ao largo desta história como se ela não tivesse acontecido, ao contrário do que fizeram no erro judiciário que motivou uma noite de prisão para Isaltino Morais. Trata-se dos mesmos jornais que, acertadamente, se mostram lestos quando denunciam as insuficiências do sistema judicial português. O problema, aqui, é que nunca passam de generalizações que o senso comum conhece e repete de cor, a menos que envolvam figuras públicas.

Casos particulares como o de Mário Brites são brevemente tratados como se o particular, o anónimo e a pessoa comum não fizessem parte e não fossem vítimas desta coisa arruinada que é a justiça portuguesa, na qual proliferam más práticas individuais que, somadas, perfazem o todo.

Denunciar a injustiça é, em qualquer sociedade, tarefa prioritária de cidadãos livres que assim se assumam.  Quando os media de um país olham para a prisão insustentada de um concidadão durante cinco meses e não lhe dedicam uma única linha, mais vale mudarem-se para a Correia do Norte. São tão bons jornalistas como os jornais que lá há.

Alô Paulo Bento

Éderzito António Macedo Lopes, 4 golos marcados na Liga. Jogador português. Como em janeiro ou para a próxima temporada já não deve estar na Académica, se nessa altura ainda fores seleccionador nacional, não te esqueças de o convocar. Agora claro que não faz falta, não precisamos de um ponta-de-lança para nada, o Postiga serve perfeitamente para andar aos papéis na grande área adversária.

Cristiano Ronaldo, o mau exemplo do costume

No final do jogo em que a selecção portuguesa foi justamente derrotada, falhando o apuramento directo para o Europeu, Cristiano Ronaldo, o capitão de equipa, não fez nenhuma declaração. É um dos casos em que o jogador é, de longe, melhor que o desportista, entendendo-se, aqui, desportista como um cultor do desportivismo, como um homem que se mostra digno na vitória e na derrota.

Desta vez, Cristiano Ronaldo não fez figuras tão tristes como nas ocasiões em que dirigiu gestos obscenos ao público ou em que cuspiu em frente às câmaras, quando Portugal foi eliminado pela Espanha, no Mundial de 2010. Seja como for, o uso de uma braçadeira de capitão e o facto de ser um ídolo de tantos jovens deveria trazer responsabilidades acrescidas a Cristiano Ronaldo e, no final do jogo de ontem, impunha-se que tivesse dado voz à tristeza e à esperança, como o fizeram Paulo Bento e Nuno Gomes. Infelizmente, o extraordinário jogador continua a não saber perder, mantendo uma imagem de menino mimado e de portuguesinho típico, com tudo o que isso contém de falta de civismo.

É certo que qualquer pessoa que goste de jogar seja o que for não pode gostar de perder, mas o caminho que deve ser percorrido pela humanidade é o de se afastar dos instintos primários. Saber perder é, portanto, mais humano do que não gostar de perder, é a diferença entre a razão e o coração.

Eusébio chorou quando Portugal não chegou à final do Campeonato do Mundo de 1966, mas esteve sempre mais preocupado com o jogo do que consigo e soube, tantas vezes, cumprimentar o adversário, o que aconteceu, por exemplo, com os guarda-redes que defrontou. Ainda hoje, é aplaudido em todo o mundo. Cristiano Ronaldo é assobiado, mas, vítima de um excesso de auto-estima, pensa que isso acontece por ser rico, bonito e um grande jogador. As qualidades inegáveis do jogador português mereciam um homem da mesma estatura, mas, até hoje, não foi possível.

O bailio* da Madeira

A conversa habitual, em democracia é, depois de contados os votos, “ganhou A, perdeu B, C ou D”. Ninguém se lembra porque é que votou ou quem não votou, as suas razões e as estratégias dos AA e dos BB para arrebanhar os papelinhos para a urna. Talvez por isso, ciclicamente, surjam uns indignados na praça que querem o regresso das ditaduras marxistas, como alternativa à democracia (a este propósito sugiro a leitura do artigo de Pedro Lomba, ontem, no Público). Mas é curioso que, uns e outros, têm sempre a palavra povo na boca. Já aqui referi esta falácia de considerar povo como algo de onde emana asalvação. Povo é, para os políticos, o Outro – prova de que a democracia só funciona à boca da urna e que política não combina com cidadania.

O que me espanta nesta balbúrdia toda é que, da Esquerda à Direita e, sobretudo, estes indignados da praça, todos, sem excepção, queiram salvar aquele povo que os repudia, que vota Alberto João Jardim, que venera Salazar, que vê e aplaude touradas, que pára em acidentes e que os provoca, que deseja ardentemente substituir cultura por futebol e centros comerciais ao domingo e que acha que o ponto mais alto do dia é saber o resumo da Casa dos Segredos. Ir para uma praça ou um parlamento falar por este “povo”, defendê-lo e invocá-lo deve compensar muito o esforço, realmente. Deve ser muito terapêutico para uns e financeiramente vantajoso para outros. Eu precisaria de um estômago novo todos os dias.

P.S. é mesmo bailio. Não é gralha. Ver o significado, aqui.

Não Há Direito!

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ISALTINO PERTO DO FIM?

O senhor Isaltino, o do sobrinho rico e taxista na Suiça, e também o que foi preso e solto em menos de 24horas, e de quem já falamos várias vezes, está a passar, coitado, um mau bocado.

Amado de todas as maneiras e feitios pelos seus munícipes, está em vias de dar com os costados na pildra por dois anos.

Claro que não vai ser bem assim, mas são as notícias que correm. O homem tem muitos e bons advogados a tratarem dos seus assuntos na justiça.

Agora, o Tribunal Constitucional rejeitou o recurso que este senhor tinha “metido”, e, apesar de ainda ter alguns dias de folga, tudo leva a crer que vai voltar aos calabouços.

Esperemos mais uns dias para ver no que isto dá, já que até há quem diga que a população de Oeiras não vai permitir que o senhor Isaltino vá preso, prevendo-se greves de fome, cortes no trânsito, manifestações mais ou menos pacíficas e, pasme-se, até há quem se proponha ir diariamente à prisão levar-lhe faisão e chouriças de sangue e alheiras e presunto e…e…e…, no caso de não conseguirem evitar que ele vá de cana.

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O grau zero da decência e a excelência do cinismo

Santana Castilho *

Os argumentos que sustentam a revogação dos prémios de mérito dos alunos ilustram a excelência do cinismo. Comecemos pela incoerência. Nuno Crato foi um arauto da meritocracia, da superioridade dos resultados, da competição e do reconhecimento dos melhores. É verdade que nunca se ocupou a reflectir sobre o que é ser melhor em Educação, nem perdeu tempo a clarificar “as poucas ideias” (a expressão é dele próprio) que tem sobre ela. Mas apontou o “eduquês”, sempre, como a antítese daqueles paradigmas doutrinários. Ora os prémios que estoiraram eram o melhor símbolo da meritocracia e da oposição ao “eduquês”. Nuno Crato implodiu, portanto, a sua coerência. Vejamos agora a forma e a legalidade dúbia. [Read more…]

Não ponha as patas em cima dos bancos!

Campanha do Metro de Lisboa

Hortênsia Bussi Soto de Allende: Uma sentida homenagem

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Tencha, porta de casa, aos 80 e vários anos, com a sua elegância habitual. Faleceu aos 95 anos.

 Hortênsia Bussi Soto de Allende nasceu a 22 de Julho de 1914, e faleceu em Junho 18, 2009. Formou-se na Universidade do Chile, em Santiago do Chile em História e Geografia. Para pagar os seus estudos, trabalhou como Bibliotecária do Gabinete Nacional de Estadísticas.

Conheceu um jovem estudante de medicina, Salvador Allende Gossens, filho de outro Médico, amigo da nossa família em Viña del Mar, cidade balnear da Província de Valparaiso. Mal conheceu ao jovem aspirante a médico da sua mesma Universidade, foi fulminada pelo encontro: amor à primeira vista.

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Portugal fica fora do Euro?

Com toda a tranquilidade, já faltou mais. Grande desvalorização à vista.

Brincar com o fogo…

Segundo algum ruído que senti, ao de leve, nalguma comunicação social, o Ministério Público prepara-se para acusar Hulk, Sapunaru e outros jogadores do F.C. Porto por um “crime” qualquer cometido num famigerado túnel. Uma moldura penal, como gostam de dizer, que pode ir até cinco anos de cadeia.

 

Um tipo ouve umas merdas destas e fica mudo de espanto. Ou talvez não. Que rica altura para o MP se lembrar de semelhante. Realmente, a malta, desculpem a linguagem, anda virada dos cornos com coisas sérias como o desemprego, os ordenados em atraso, os clientes que não pagam, os consumidores que não compram, os bancos que são sempre os que se safam mesmo quando são/foram parte significativa do problema e a justiça, a mesma que fecha os olhos à violência doméstica, a do “macho latino” e outras pérolas do género, anda entretida com os acontecimentos do famigerado túnel da bola. É brincar com o pagode.

 

Eu repito, que rica altura. Aqui a Norte, a crise é bem forte, bem mais forte e a populaça anda capaz de cometer loucuras. Basta acender o rastilho e vai ser o bom e o bonito. Quem preferir pensar que é brincadeira minha ou ameaça de teclado não percebe ou, pior, não conhece a situação que se vive por estas bandas. A famosa retrete do Catroga à beira disto é coisa de meninos, de meninos.

 

Querem brincar com o fogo? Quem avisa…

O IVA ou o fascínio do aumento de impostos

O actual governo, sempre que interrogado a propósito, reafirma a promessa de privilegiar o corte da despesa pública sobre o aumento de receitas fiscais e parafiscais. Matematicamente até se socorre de uma fórmula: no balanço final, o ajustamento das contas públicas far-se-á segundo a regra distributiva de 2/3 de corte de despesas para 1/3 de incremento das receitas.

Considerados os frequentes anúncios de aumentos de impostos, a proporção repetida pelo governo, nomeadamente pelo Ministro de Finanças, parece afastar-se, cada vez mais, do cumprimento.

Do imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal à antecipação de um trimestre na cobrança da taxa máxima, 23%, sobre a electricidade e o gás natural – fora do âmbito ou do calendário do memorando da ‘troika’ – temos tido exemplos bastantes do desenfreado ânimo governamental de lançar sobre pobres e classe média sucessivos castigos de ampliada carga fiscal. Agora, segundo o ‘Expresso’, o Conselho de Ministros, 5.ª feira próxima, deliberará a eliminação da taxa intermédia do IVA, 13%, passando a tributar com 23% a série extensa de produtos e serviços, constantes da lista II – taxa intermédia.

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Especialistas QREN (Quadros de Apoio Comunitários)

Os “especialistas QREN” são aquela gente irrequieta e metediça, que gasta o seu tempo a farejar nos sítios por onde escorre o dinheiro. Tal como o drogado faz com a droga, o especialista QREN, “chupa” o dinheiro onde o pode encontrar, não se importando se faz bem ou mal. Estes especialistas, viciados na captura de dinheiro fácil, também têm o seu “Casal Ventoso“. Só que à volta não há barracas, e maltrapillhos, mas prédios modernos de escritórios, e muita gente de fato e colarinho branco. Estes especialistas desenvolveram técnicas de saque de dinheiros públicos, à vista de toda a gente, sem o menor constrangimento. [Read more…]

A dupla vergonha das eleições da Ilha da Madeira

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LA MARSEILISE 

No dia 7 de Outubro, comentava um texto de António Fernando Nabais, que diz no fim: Alberto João Jardim já manifestou a sua indignação pelo facto de a Academia Sueca estar a querer imiscuir-se na campanha eleitoral, tendo criticado especialmente a parte em se pode ler “todos falam, fervorosos, na língua estranha”, o que terá sido entendido como uma referência menos elogiosa ao sotaque madeirense. Como retaliação, os madeirenses estão proibidos de importar móveis da IKEA. (o sublinhado é meu).

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As palavras do Presidente da República e a economia de mercado

O Presidente da República, Cavaco Silva, como é hábito no 5 de Outubro, deixou uma mensagem aos portugueses. Entre outros alertas, o Presidente da República não deixou de avisar os portugueses para os tempos difíceis que os esperam, para a indispensabilidade de disciplina orçamental e para a necessidade de crescimento económico.

“Tem de haver revitalização do tecido económico, investimento privado, aumento da produtividade e produção de bens e serviços capazes de concorrer nos mercados externos”, alertou Cavaco Silva. Se analisarem, esta frase do Presidente da República resume muito bem qual deve ser o caminho seguido por Portugal para sair deste marasmo económico. “Revitalização do tecido económico, investimento privado, aumento da produtividade e produção de bens e serviços capazes de concorrer nos mercados externos” são objetivos que, numa economia de mercado, dependem das empresas. São elas que revitalizam o tecido empresarial e económico, são elas que podem aumentar a produtividade dos seus produtos e são as empresas que podem produzir bens e serviços capazes de concorrer nos mercados internacionais. [Read more…]

15 de Outubro: horas de partida

Defesa da honra?

Isto arrastou-se durante quase uma hora, antes de começarem a trabalhar. Defesa da honra!? Qual honra?

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“Canção do Desterro”

Pocinho, Tua, rio Douro, linha do Douro

Não se importe, não fica obrigado

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Para os amigos que apresentaram os meus novos livros…e para os que ouviram a apresentação, essa, a minha família inventada…em memória desses dias em que eu tinha amigos… 

É comovente, é difícil de entender, e voltar a ser criança é uma festa que parece não ser merecida. É um presente. Esses embrulhos amados pelas crianças. Especialmente na época do Natal. Essa impaciência pela surpresa do que deve estar dentro dos pacotes/embrulhos ai. Impaciência que nem deixa dormir em paz. Impaciência do imaginário. O que será, o que há dentro do pacote? Uma carícia, um mimo, uma maré de seres humanos? [Read more…]

Porto Canal em todo o lado:

Agora já podem acompanhar em directo a emissão do Porto Canal na web, no iPhone ou no iPad. Sem esquecer a cabo. E a presença nas Redes Sociais. O Porto Canal está em todo o lado.

E a subir nas audiências. Fortemente.

 

A falácia: competitividade e custos do factor trabalho

O ‘Expresso’, na edição de Sábado, divulgou dados interessantes a respeito dos ‘custos do factor trabalho’, coligidos pela filial belga da Deloitte. O estudo integra 12 países europeus, entre os quais Portugal. Permite algumas reflexões acerca da competitividade da economia portuguesa; em especial, quanto ao impacto dos citados ‘custos do trabalho’ em comparação com outras economias europeias. Habilita também a desmistificar a tese dos efeitos decisivos da descida da TSU, na capacidade de concorrência externa das nossas empresas.

Analise-se, entretanto, o quadro seguinte, construído com base no estudo da Deloitte, o qual pressupõe a hipótese, comum aos países do conjunto considerado, de um trabalhador casado (um titular) com 2 filhos, auferindo o rendimento bruto anual de 27.000,00 euros:

Pos. País Custos do empregador Contribuição para Segurança Social
1.º Reino Unido 29.625,70 9,72%
2.º Irlanda 29.903,00 10,75%
3.º Polónia 31.504,50 16,68%
4.º Holanda 31.573,00 16,94%
5.º Alemanha 32.217,75 19,33%
6.º Portugal 33.412,50 23,75%
7.º Espanha 35.019,00 29,70%
8.º Itália 35.062,20 29,86%
9.º Suécia 35.483,00 31,42%
10.º Bélgica 35.825,43 32,69%
11.º Rep. Checa 36.180,00 34,00%
12.º França 38.969,32 44,33%

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Rendimento social de inserção: a próxima vítima

Em vésperas de concluir o 2º ciclo Cristina Oliveira da Silva escreve no Diário Económico, e o revisor concorda:

No período homólogo, eram precisamente este último grupo – os rendimentos de trabalho – que assumiam a liderança.

Também descobriu que 18% dos chulos do Rendimento Social de Inserção têm conta bancária, e 29% outros rendimentos como “acções, depósitos a prazo, contas-poupança ou outros.” Não se percebe se os 29% incluem ou não os 18%, e nem isso agora interessa para nada, como diria a grande Teresa de outros embustes.

Qual o valor dessas poupanças, e já agora quanto rendem, não é notícia. Notícia são os 18% que têm a lata de receber do estado tendo conta num banco. Que horror. Vão já pedir para a porta das igrejas, seus malandros (rosnar miudinho).

A rede viral dos jornalistas em vésperas da conclusão de qualquer coisa lá funciona: no I Cláudia Reis troca um cerca por um quase. Estão feitos ao bife, os quase 18%, os quase 29%  ou, o mais provável, os cerca de 47%, levam já com o corte do RSI, vão lá viver por conta dos rendimentos, cabrões de merda, e a partir de agora o pagamento é feito por transferência bancária, seus chulos, não tens conta? vai pedir para a porta da igreja, filhodaputa, moinante, gatuno (rosnar já muito grande). É por causa disto que este país não avança, não é Cristina Oliveira da Silva? (cães a ladrar muito alto, em primeiro plano).

Cama, crime e jóias

A manchete de hoje do Jornal de Notícias é mais um monumento em memória do jornalismo, tendo em conta que se trata uma actividade já extinta, substituída que foi pelo sensacionalismo. Note-se, a propósito, que as eleições regionais da Madeira merecem apenas um quadradinho lateral, não conseguindo sequer competir com o regresso apoteótico de um padre a Vouzela, uma semana depois de aí ter sido apupado. [Read more…]

Cidadania 2.0

Se têm amigos/conhecidos no governo local/regional/central ou ONGs não deixem de lhes divulgar o Cidadania 2.0, já esta 5ª feira, no Fórum Picoas em Lisboa.

Tal como no ano passado, esta segunda edição vai ser uma montra de vários projectos que demonstram de que forma organizações públicas ou privadas e os próprios cidadãos podem utilizar as ferramentas digitais actualmente disponiveis para terem um impacto relevante na sociedade.

Podem ver o programa completo no site mas queria destacar duas presenças internacionais.
Por um lado a presença de Alberto Tercero que vai apresentar a estratégia do País Basco para o Governo Aberto, provavelmente um exemplo que nós poderíamos aproveitar, seja ao nível do estado central seja ao nivel dos municípios.
E por outro a apresentação de Adam Gee sobre os projectos Landshare e Hugh’s Fish Fight. Até acho que o Landshare poderia ser algo a adoptar pelo nosso ministério da agricultura.

Para além destes projectos ainda vamos ter mais uma dúzia de apresentações sobre projectos excelentes, por isso apareçam. A entrada gratuita mas inscrição obrigatória.

Fazer mais com menos

No país que não planeia, no país que só pensa em fechaduras depois de ter deixado a chave na porta durante tanto tempo, no país que, por isso, nunca prevê crises, reagindo sempre tarde de mais, o investimento não existe, pelo menos o investimento como acto racional em que os ganhos não se meçam apenas pela redução imediata da despesa.

Um estudo recente demonstra como, a prazo, a intervenção atempada de um psicólogo pode contribuir para a redução das despesas de saúde. Num país sujeito aos ditames bancário-franco-alemães, conclusões destas serão absolutamente desvalorizadas e os recursos humanos fundamentais serão sempre encarados como um desperdício financeiro ou, na melhor das hipóteses, usados com base na precariedade de quem trabalha.

No mesmo país inculto em que o sensacionalismo e o voyeurismo têm sucesso garantido, o país em que os currículos escolares parecem servir o objectivo de garantir a ignorância, uma medida como a de acabar com a gratuitidade semanal de acesso aos museus é, com certeza, poupança, mas dificilmente será investimento. Que Francisco José Viegas, escritor e antigo director de uma revista literária, dê a cara por perdas destas é um sinal de que um homem culto não é necessariamente um defensor da cultura.

Sempre com o objectivo de disfarçar o desinvestimento, o governo continuará a cantar o refrão “Fazer mais com menos”, sabendo-se que, na realidade, as palavras “mais” e “com” só servem para disfarçar.

Impunidade parlamentar

Como perceber o voto num político que vive amparado numa rede em que o poder legislativo, o poder executivo e o mundo empresarial têm ligações tão próximas e tão evidentes, ao ponto de podermos falar de uma legalização da corrupção? Jardim representa tudo o que não devemos aceitar num político, desde o desbragamento reles até à assumpção de que gasta mais do que aquilo que tem, com a desculpa de que tem “obra feita”.

Jardim fá-lo porque sabe que isso lhe rende votos. A relação da maioria dos cidadãos com a política é a mesma de um elemento de uma claque com o clube que apoia, é uma relação afectiva, tribal no sentido mais básico do termo.

O chefe da tribo, porque usa as mesmas cores do eleitor, merecerá sempre o seu voto. Para além disso, numa atitude muito mediterrânica, a possibilidade de o mesmo chefe revelar pouca seriedade nesta ou naquela área é sempre relativizado com um sorriso malandro que reduz as críticas a mau perder, ao mesmo tempo que desculpa a desonestidade com os resultados alcançados.

Há quem garanta que, na Madeira, nada voltará a ser o mesmo, que Jardim será obrigado a actuar de outra maneira, graças à firmeza do governo da República. Como São Tomé, cá estaremos, durante os próximos quatro anos, para confirmar que até pode não ser assim. Entretanto, a maioria absoluta continua e parlamento madeirense continuará a legislar de acordo com os interesses pessoais de alguns deputados, sujeitos à impunidade parlamentar.

Pago mas que fique claro que ninguém me perguntou nada e já agora aqui ninguém é estúpido

Tenho 19 anos, nasci em 1992, e pretendo pagar, porque aparentemente vivi acima das minhas possibilidades, não sei se quando pedi bonecos  para brincar, ou ovos de chocolate, se quando era Verão e fui demasiadas vezes à praia ou se mais tarde quando cometi o terrível erro (erro pois ao contrário de ser coisa normal ler livros é coisa estranha para “crianças” do ensino básico e secundário”) de começar a pedir livros, [Read more…]

15 de Outubro, a água e a voz do povo

Angra do Heroísmo – Praça Velha Braga – Avenida Central Coimbra – Praça da República Évora – Praça do Sertório Faro – Jardim Manuel Bivar Lisboa – Marquês de Pombal Porto – Praça da Batalha
E tu, onde vais estar?

A tortura de um cidadão

Tortura é a imposição de dor física ou psicológica por crueldade, intimidação, punição, para obtenção de uma confissão, informação ou simplesmente por prazer da pessoa que tortura.

Parece-me que devia acrescentar que há dois tipos de tortura: a que as Nações Unidas condena e a que todo cidadão sofre no dia-a-dia e que denominamos burocracia. [Read more…]

Uma semana depois, em Wall Street e arredores

Comparar este mapa, com o que publiquei aqui no domingo passado.

Os Occupied States of America crescem, e de que maneira.